Edwiges de Sá Pereira nasceu em 25/10/1884, em Barreiros, PE. Professora, Jornalista e poeta, foi pioneira no movimento de emancipação da mulher e primeira mulher a ingressar numa academia de letras brasileira, a pernambucana. Em alguns de seus inúmeros textos de jornais e revistas adotou o nome “Eva Militante”.
Filha de Maria Amélia Rocha de Sá e José Bonifácio de Sã Pereira, dedicou-se desde cedo a ler e recitar poesias. Dizia que “haveria de ser poeta”. Na adolescência e junto com o irmão, publicou o jornal Echo Juvenil e pouco depois teve os primeiros versos no jornal O Paiz, do Rio de Janeiro, apresentados por Arthur Azevedo. Em seguida teve o soneto A uma estrela publicado na Revista do Brasil, junto com comentários de Cunha Mendes, dizendo que a menina se tornaria “a primeira poetisa do Brasil.
O primeiro livro veio – Campesinas – em 1901, reunindo 51 versos foi publicado e prefaciado pelo jurista e poeta português Antônio de Souza Pinto. Em 1902, a família mudou-se para Recife e ingressou na Escola Normal, afim de tornar-se professora. Enquanto estudava participou da vida literária na cidade publicando poemas nos jornais e revistas e foi convidada para participar do jornal O Lyrio, formado somente por mulheres, entre as quais Amélia Beviláqua e Úrsula Garcia.
Além da literatura, o jornal trazia textos criticando a rígida sociedade patriarcal, defendia a educação escolar e profissional da mulher, bem como a equidade salarial entre homens e mulheres. Em 1920, passu a ocupar a cadeira nº 7 da Academia Pernambucana de Letras. Mantinha encontros regulares com suas amigas, com discursões sobre a emancipação feminina e estudos literários. Além de professora da Escola Normal, onde estudou, lecionou no Colégio Eucarístico e no Colégio Nossa Senhora do Carmo.
Seu empenho no ensino público levou-a ao cargo de superintendente de ensino dos grupos escolares do Recife. Em 1931, participou do II Congresso Internacional Feminista, com a apresentação do texto Pela mulher, para a mulher, publicado no ano seguinte. Neste Congresso foi decidido a necessidade de uma homenagem robusta às mães”. A solicitação ao Presidente Vargas foi enviada, resultando na oficialização do “Dia das Mães” através do Decreto 21.366, de 5/5/1932
Em seguida fundou a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, um ramo da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e realizou um levantamento estatístico das “mulheres que exercem atividades no funcionalismo de Pernambuco, no comércio e demais interesses da mulher, de modo a subsidiar a a criação de uma “Escola de Oportunidades”. Em 1933, junto com sua colega Martha de Hollanda, candidataram-se à deputadas como únicas mulheres a pleitear o cargo. Não foram eleitas, mas abriram caminho para conquistas posteriores.
Em 1947 publicou a conferência A influência da mulher na educação pacifista do após-guerra, na qual expôs os impactos da catástrofe da II Guerra Mundial e apontou retrocessos históricos, afirmando que a “questão feminista bem longe está do seu rumo necessário”. Numa entrevista ao Diário da Noite, declarou que “o feminismo é uma evolução natural dos tempos. Como todas as forças vivas da natureza, a mulher não poderia estacionar nas fronteiras do passado, montando guarda aos velhos preconceitos que lhe tolhiam a faculdade de pensar e agir“. Durante a década de 1950 publicou diversos artigos na imprensa e faleceu em 14/8/1958.

