Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 29 de junho de 2025

AS BRASILEIRAS: Mãe Aninha (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

AS BRASILEIRAS: Mãe Aninha

José Domingos Brito

Eugênia Anna dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha, nasceu em 13/7/1869, em Salvador, BA. Mãe de Santo (Ialorixá), fundadora do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador e no Rio de Janeiro. O terreiro foi fundado em 1895 e tombado pelo IPHAN em 2000. Trata-se de um dos terreiros mais tradicionais de Salvador.

 

 

Filha de Leonídia Maria da Conceição Santos e Sérgio José dos Santos, afro-brasileiros da nação Grunci (ou Gurunsi). Foi iniciada na nação Queto, em 1884, pela Ialorixá Marcelina da Silva. Fundou seu terreiro no Rio de Janeiro, em 1895, e anos depois retornou à Salvador para fundar o terreiro Ilê Opô Afonjá, em 1910. Como atividade civil, trabalhou no comércio de quitutes, artesanato e produtos para rituais africanos, estabelecida na Ladeira da Praça, no Pelourinho e foi uma empreendedora bem sucedida.

Consta que ajudava os mais necessitados, amparando-os e encaminhando-os para trabalhar na sua residência. Essa posição social iria refletir na aquisição em 1909, das terras no alto de São Gonçalo para a criação de seu terreiro. Em 1936, instituiu o Corpo de Obás de Xangô e no ano seguinte participou do II Congresso Afro-Brasileiro, em Salvador, a convite do escritor e etnólogo Edison Carneiro. Influenciou Getúlio Vargas, na promulgação do Decreto-Lei 1.202, no qual ficava proibido o embargo sobre o exercício da religião do candomblé no Brasil. Para isso, contou com a ajuda de Oswaldo Aranha, seu filho-de-santo e chefe da Casa Civil e do ogã Jorge Manuel da Rocha.

Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Mestre Didi), no livro História de um terreiro nagô (Editora Max Lomonad, 1988) tornou-se fonte indispensável para traçar o perfil de Mãe Aninha, pelo fato de ter compartilhado da vida dela, como agente direto e espectador. No livro, Mestre Didi escreve o nome de Mãe Aninha como “Eugênia Anna dos Santos” e a filiação com o nome do pai “Sérgio dos Santos (Anió)” e da mãe como “Lucinda Maria da Conceição’ (Azambrió)”. Estas informações são diferentes das registradas na certidão de nascimento. Mestre Didi, emenda: “O restabelecimento da antiga tradição dos Obás de Xangô veio dar ainda maior prestígio ao Opô Afonjá e demonstrar as qualidades e conhecimentos da Ialorixá Aninha Iá Obá”.

Segundo Marcos Santana em seu livro Mãe Aninha de Afonjá: um mito afro-baiano (Editora EGBA, 2006) “(…) é de aceitação universal que a jovem Eugênia Ana dos Santos teria sido iniciada na nação Queto em 1884, aproximadamente, pela insigne Ialorixá Marcelina da Silva, Obá Tossi, na rua dos Capitães, residência de Maria Júlia de Figueiredo, Omoniquê.” O sociólogo Donald Pierson, no livro Brancos e pretos na Bahia: estudo de contato social (Editora Nacional, 1945), registra que ela “Possui na cidade uma pequena loja onde vende vários artigos, inclusive usados nos rituais de culto; e sabendo os membros do mundo afro-brasileiro que esses artigos devem ser legítimos, uma vez que são vendidos por ela, a loja faz bom negócio.”.

Em 1936, aos 67 anos, ficou doente e faleceu em 13/1/1938. O cortejo fúnebre seguiu de carro de seu terreiro até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde ficou exposto até as 15hs. do dia seguinte. Foi sepultada no Cemitério da Quinta dos Lázaros, Irmandade de São Benedito, com todas as formalidades de praxe do candomblé e da religião católica. Em 3/1/1945, foi realizada a obrigação de Acú (ou obrigação dos sete anos), o último dos compromissos da Sociedade para que a sua Mãe de Santo obtivesse luzes e descanso eterno.

 


Escreva seu comentário

Busca


Leitores on-line

Carregando

Arquivos


Colunistas e assuntos


Parceiros