Inspirado em foto de Jácio Mamede:

Meu avô me deu caminho,
Bom sangue, bom coração,
O amor por este chão,
De caatinga e tanto espinho.
Vai longe o meu carinho
Por esse céu azulado,
Esse pago, chão rachado,
Por esse meu pé-de-serra
E por esta boa terra,
Onde vovô foi criado.
Aqui eu também nasci,
Aqui também fui criado.
De vovô, abençoado,
Herdei fé, herdei coragem,
Por isso em sua homenagem,
Cavalgo o sertão amado.
Às vezes fico calado
Dentro da vegetação
Ouvindo um tal coração
Como se vovô vivo estivesse
Pedindo a Deus, numa prece,
Chuva para o seu sertão.
“Pai nosso que estás nos céus…”
Mande chuva ao meu sertão.
Uma sublime oração
Eu ouço sem ver ninguém
Seguindo e dizendo amém
Quero chuva em meu torrão.
Me invade a emoção
Na serra, sobre o platô,
Sol baixando, céu bordô,
E eu feliz cavalgando
Enquanto sigo amando
As terras do meu avô.
Natal-RN, na primeira Lua Cheia de 2015
