Há mais coisas do que a posição na tabela a tornar distintas as sensações que Flamengo e Vasco levam do 1 a 1 do Maracanã. Eram 18 minutos do segundo tempo quando Filipe Luís já colocara em campo Viña, Samuel Lino, Pedro e Arrascaeta. Já Fernando Diniz, que hesitara diante das argumentações do médico do clube para tirar Robert Renan no primeiro tempo, tem hoje mais opções do que no início do Brasileiro. Ainda assim, após perder um zagueiro na primeira etapa e Nuno Moreira no intervalo, levou o jogo até os 27 minutos do segundo tempo para colocar David e Matheus França. São incomparáveis os recursos de um lado e de outro.
Já o Vasco, em sua luta para manter certa distância da zona de rebaixamento, saiu do clássico com um ponto que tampouco o ajuda tanto. Ninguém deixou o Maracanã exatamente feliz. Mas para um clube que convive com dificuldades e tenta fortalecer o elenco, é impossível não valorizar o fato de ter equilibrado parte importante do confronto com o líder e, em algumas estocadas, ter tido suas chances. Ainda assim, durante o seu período de crise profunda, houve outros clássicos com o Flamengo em que o Vasco se orgulhou de manter as coisas equilibradas e, depois, voltou a se encontrar com resultados desapontadores. O ano vascaíno não termina no choque com seu maior rival.
No segundo tempo, o Vasco foi perdendo o seu escape, embora contasse com o descomunal esforço de Rayan. As substituições do Flamengo fizerem pressionar melhor, e a sensação de controle rubro-negro foi grande. Ocorre que, na hora de definir as jogadas, os titulares pareciam imprecisos, um argumento a favor de não terem começado o jogo. Ainda assim, o Flamengo perdeu chances suficientes para vencer.
Quando Diniz recorreu a Matheus França e David, ficou certa sensação de que poderiam ter entrado antes para incomodar a defesa rival. Foi quando o Vasco respirou um pouco no jogo. O 1 a 1 não é uma distorção em relação ao que o jogo apresentou.
O Flamengo leva para a casa a certeza de que seu desafio é fazer o elenco farto permitir regularidade de atuações quando precisar fazer muitas mudanças. Já o Vasco volta a indicar que pode competir melhor. Mas precisa fazê-lo além dos limites da rivalidade do clássico.
UM PASSO
A vitória sobre o Atlético-MG exibiu um Botafogo com muito espírito competitivo após ficar com dez homens em campo, algo um tanto familiar no confronto com os mineiros. Por outro lado, o time alvinegro não jogava bem enquanto as duas equipes tinham onze jogadores, especialmente com bola. Ancelotti repetiu o quarteto ofensivo, mas equipe atual tem menos talento e menos dinâmicas para atacar do que em 2024.
DECISÃO
O Fluminense deverá enfrentar amanhã um cenário desafiador: lidar com um Lanús todo colocado atrás, disposto a proteger a área e deixar poucos espaços. A vitória com um time modificado em Salvador, no sábado, além de melhorar a posição na tabela, serviu para deixar a Renato uma nova opção. Foi boa a atuação de Lavega, que pode se firmar ao menos como candidato ao ataque. Soteldo, quando entra, não tem correspondido.
ADAPTAÇÃO
A defesa colocada perto de sua área, a posse de bola pequena e o recurso a lançamentos longos foram marcas do Manchester City contra o Arsenal. O cenário é mais um elemento para enterrar a tese de que Guardiola não se adapta a contextos. Por outro lado, o 1 a 1 mostra como o time atual está longe de parecer pronto para os grandes desafios europeus. Vemos Guardiola num momento único: tentando reconstruir um time após viver o auge.

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