Fui visitar o amigo Francisco de Oliveira Melo, Presidente da Academia de Artes e Letras da AABB Recife, que se recupera de intervenção cirúrgica. Mesmo sabendo de suas limitações físicas – pois ainda está em convalescença – alonguei a prosa, pecando, devido a ânsia recíproca do reencontro.
Os temas foram resumidos, devido às circunstâncias. Mas focamos, com naturalidade, a literatura, assunto da qual ele é mestrado; nossa Academia, que em sua gestão, vem se agigantando com iniciativas envolventes e a escolha do seu substituto temporário, nosso Tarcizo Leite de Vasconcelos.
Deu-me gosto rever o amigo-irmão, inteiriço e animado. E, ao correr das palavras idas e vindas, me deparei com um livro muito volumoso, em exposição na sala. Era a obra: Os Miseráveis, de Victor Hugo.
E, naquele instante, pensei: depois de muitos anos de vida, passando os olhos por tantos livros, jamais toquei naquela notável coleção de folhas encadernadas, que o mundo tanto aprecia.
Não folheei, mas fiquei admirado com a quantidade de papel. Só de texto, fotografias e ilustrações: 1.511 páginas. Refleti: Isso não é um livro, mas u’a montanha de papel impresso, numerado, cortado e encadernado!
Quanto tempo de sua vida teria o notável autor utilizado para escrever tanto?!
O romance, publicado em 1862, retrata as desigualdades sociais em todos os seus prismas. Inúmeras publicações foram reeditadas em várias línguas.
A conversa com Melo foi fluindo. Assuntos do Banco onde trabalhamos, cenas sobre meu Padrinho Djalma Marques de Melo – Grão Mestre da Maçonaria – e as nossas famílias. Até descobrirmos que temos, entre os nossos familiares, dois Carlitos e um deles comigo estava naquela visita.
Dois Carlitos, por que?
Meu, o filho caçula, registrado como Carlos Eduardo, foi “batizado” pelo compadre Fernando Sckaff, com esse, epíteto – Carlito – o que, depois de crescido, ele tem rejeitado de forma discreta.
Mas, como eu poderia imaginar que um Francisco poderia ser apelidado de Carlito?
Pois é! Que fosse Chico ou Chiquinho, vá lá… Mas Carlito?! Pois bem, é assim que no íntimo familiar Melo é conhecido. E isso vem da infância. Ficou carimbado!
Ocorreu-me a ciência do fato quando D. Irene, sua esposa, assim se referiu a ele: Carlito.
Bem, e o que é que o mestre Victor Hugo tem a ver com essa conversa de apelidos?
Nada! Só tive a curiosidade de ver que o livro ali estava como objeto de decoração.
O principal de nossa descoberta foi o fato de haver entre nossas famílias uma coisa engraçada: dois Carlitos.


