Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Espetáculos -Teatro, Cinema, Shows e Afins terça, 16 de setembro de 2025

FESTIVAL DE BRASÍLIA: CRÍTICA AO DOCUMENTÁRIO XINGU

Festival de Brasília: a crítica do documentário 'Xingu à margem', que disputa Candangos

Longa particulariza drama coletivo, a partir do testemunho oral da ribeirinha Raimunda Gomes da Silva, numa condição ocasional de pária, ao tocar o dedo na ferida na desestruturação promovida pela construção da usina de Belo Monte

 
Xingu à margem -  (crédito: Wallace Nogueira e Arlete Juruna)
 
Xingu à margem - (crédito: Wallace Nogueira e Arlete Juruna)
 

Crítica // Xingu à margem ★★★★

 

Náufragos de um cenário individualistaPlay Video

 

Há um somatório de fortuna crítica estabelecido no encadeamento de filmes caros ao Festival de Brasília, em lista que inclui As hiper mulheres, O mestre e o divino, Martírio e A transformação de Canuto. Muitos são derivados do projeto Vídeo nas Aldeias, a exemplo de Xingu à margem (atração deste ano, comandada por Wallace Nogueira e Arlete Juruna), em competição. O longa particulariza drama coletivo, a partir do testemunho oral da ribeirinha Raimunda Gomes da Silva, numa condição ocasional de pária, ao tocar o dedo na ferida na desestruturação promovida pela construção da usina de Belo Monte (nas cercanias da paraense Altamira).

A transformação social prometida, veio, mas a reboque de ampla destruição, especialmente para 680 famílias de pescadores tidos como "resíduos de Belo Monte". Enquanto o reservatório da usina aglomera árvores mortas, com as raízes putrefatas, a deterioração se esparrama e desemboca numa semente para a rivalidade daqueles que, como diz um personagem, "não são inimigos, mas não são amigos": ribeirinhos e indígenas. A quebra de unidade — com denúncia da multiplicação de aldeias, embalada por interesses pessoais — afeta o circuito natural em que todos podiam viver da pesca e da roça.

Curiosamente, o espectador pode montar seu políptico de cinema: vem à memória filmes do Festival de Brasília como O tempo que resta (2019), da brasiliense Thaís Borges, em torno de madeireiros e grileiros da Amazônia; A invenção do outro (2022), Bruno Jorge, interditado pela Funai, e Lavra (2021), sobre descalabros em torno da mineração.


"Nenhum índio (sic) sozinho se manda, tem sempre liderança", observa Raimunda, testemunha da perda de resistência do povo dos arredores de Altamira, e da queda do que via como "um muro de Berlim" (de proteção): a salvaguarda de barreira contra os "preguiçosos capitalistas" (donos do "dinheiro envenenado") representada pelo (previsto) anteparo de aldeias. Livre para criticar o Ibama, Raimunda compartilha espaço de discurso com o companheiro João Silva que endossa risco do cenário pós obras da Norte Energia (responsável por Belo Monte): "No dia em que quebrar (a barragem), (o desastre industrial da mineira) Mariana vai perder", ele profetiza.

 

Xingu à margem, apesar de tratar de suicídios gerados pelo sistemático desalojamento de famílias produtivas, traz algumas válvulas de escape, como a cena do jogo de damas com o marido, e da presença da indígena Alvina Juruna, exemplo de mulher que "deixou a idade lhe achar, mas a velhice nunca mais". Dependente do trabalho e "suor do rosto", por fim, Raimunda faz valer a alma de quem que quer ser vista como pessoa, nunca como "objeto" ou mesmo vertente de tristeza. Uma pessoa que, tolhida de casa e terra, bota a mão no chão, e canta, embalando lembranças. "Só de estar viva, eu estou feliz", diz. Raro exemplar de pessoa.


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