Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense Friday, 27 de June de 2025

IGREJINHA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA COMPLETA 67 ANOS DE FÉ, ARTE E MEMÓRIQAS

Igrejinha Nossa Senhora de Fátima completa 67 anos de fé, arte e memórias

Igrejinha Nossa Senhora de Fátima faz aniversário neste sábado (28/6) e renova seu papel como símbolo arquitetônico e da devoção de fiéis, que constroem seus afetos em torno do primeiro templo de Brasília

 

Por Ana Carolina Alves*

 

Igrejinha da Asa Sul em construção -  (crédito:  Arquivo Público do DF)x

Igrejinha da Asa Sul em construção - (crédito: Arquivo Público do DF)

De uma promessa, nasceu o primeiro templo de Brasília, que neste sábado (28/6) completa 67 anos, renovando seu papel como espaço de fé, símbolo arquitetônico e palco de memórias afetivas para moradores e visitantes. A construção da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, foi um pedido da primeira-dama Sarah Kubitschek, em agradecimento pela cura da filha Márcia, que enfrentava um problema grave na coluna. 

"Minha mãe ficou um ano de cama. Havia dúvidas se voltaria a andar", conta Anna Christina Kubitschek, neta de Sarah e Juscelino. "Durante uma visita ao Brasil, em 1957, o presidente de Portugal sugeriu que minha avó fizesse uma promessa a Nossa Senhora de Fátima. Ela prometeu construir uma igreja quando minha mãe se recuperasse. Quando se concretizou, a Igrejinha foi erguida em 100 dias e inaugurada em 28 de junho de 1958", conta

Anna Christina Kubitschek

Anna Christina Kubitschek acredita que a Igrejinha carrega o simbolismo da fé e da esperança, norteadores do projeto de Brasília(foto: Vanessa Castro/Divulgação)

Projetada por Oscar Niemeyer, a igreja é composta por três pilares que sustentam uma laje em referência aos antigos chapéus usados por freiras. Os azulejos externos são de Athos Bulcão, com a pomba representando o Espírito Santo e a estrela, a Estrela de Belém, que guiou os reis magos até o menino Jesus. Tombado pela Organização das Nações Unidas  (Unesco) em 1987 como patrimônio cultural e histórico nacional, o templo é exemplo da integração entre arte, arquitetura e religiosidade.

A professora Ana Paula Campos, do Departamento de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), destaca a integração entre arte e arquitetura, com os azulejos de Athos Bulcão e os antigos afrescos de Alfredo Volpi. "Os painéis têm uma linguagem modernista mais racional, com símbolos religiosos como a Pomba da Paz e a Estrela de Belém, que representam a fé de forma sutil e integrada ao espaço", explica.

Para a professora, o simbolismo da igreja também está ligado à história de Sarah Kubitschek e à promessa feita pela cura da filha. "Esse gesto humaniza o monumento e cria uma memória comunitária com o local", ressalta.

"O templo carrega o simbolismo da fé e da esperança, norteadores do projeto de Brasília. Meu avô sempre teve essa visão modernista da arte, e a Igrejinha reflete esse ideal — com Volpi, Galeno e Athos integrando arquitetura, religiosidade e cultura", concorda Anna Christina.

 

Aconchego espiritual

Para o frei Moacir Casagrande, ministro provincial dos Capuchinhos no Brasil Central, a igreja representa um marco não apenas para Brasília, mas para todo o país. "Foi o primeiro templo católico da cidade planejada. Na inauguração, quase dois anos antes da própria capital, a Igrejinha foi consagrada como ícone da presença cristã no Brasil", lembra

Frei Moacir Casagrande relembra origem da capela. 

Frei Moacir Casagrande relembra origem da capela(foto: Ana Carolina Alves/CB)

Desde então, a missa dominical das 7h é transmitida pela Rádio Nacional, alcançando fiéis em todo o país e no exterior. Na opinião do frei, a força espiritual da Igrejinha está em sua intimidade e em seu acolhimento. "Ela é pequena, aconchegante. Parece que a mãe está ali pertinho, e o filho quer ficar ao lado também, a gente sente isso", diz.

Casagrande destaca que a presença dos frades da Ordem dos Menores Capuchinhos, fundada por São Francisco de Assis, na cidade se deu com a chegada do primeiro pároco da Igrejinha. Popular e apaixonado por Brasília, o Frei Demétrio de Encantado morou em um barraco de madeira, na quadra onde fica o templo, durante seu trabalho na capital, que durou até 1960. 

Cenário de afeto

Pequena em tamanho, mas imensa em significado, a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima segue como cenário de momentos marcantes para os brasilienses desde a inauguração, marcada pelo casamento de Maria Regina Uchoa Pinheiro, filha de Israel Pinheiro, e Hindemburgo Pereira Diniz. A partir de então, o espaço se transformou não apenas em um marco da fé e da arquitetura modernista, mas também no palco onde matrimônios se concretizam. 

Foi ali, em 18 junho de 2022, que a advogada Paula Alvim, 30, e o engenheiro civil Luiz Felipe Barbosa, 36, celebraram o casamento religioso, após oito anos de namoro e dois de noivado. "Queríamos algo íntimo e acolhedor, e a Igrejinha transmite exatamente essa sensação", conta Paula

 26/06/2025. Minervino Junior CB/DA Press. Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, EQS 307/308 - Asa Sul. Paula Alvim e Luiz Felipe Barbosa

Paula e Luiz Felipe se casaram em junho de 2022.(foto: Minervino Junior CB/DA Press)

Com apenas 30 convidados, a cerimônia foi marcada pela simplicidade e pelos vínculos familiares. A decoração original do templo foi mantida, a trilha sonora teve clássicos da MPB, e os familiares participaram ativamente dos rituais. "Um tio meu até brincou que foi a primeira vez que ele conseguiu prestar atenção no que foi dito pelo frei, porque o espaço traz as pessoas pra mais perto, fica muito mais íntimo", afirma. 

Uma das lembranças mais emocionantes foi a presença do avô de Paula, Antônio, já em estado avançado de demência. Paula relata que o avô, católico praticante, ia à missa todos os domingos, e que a presença dele na cerimônia fez toda a diferença. "Ele foi levado pelos filhos, com muita dificuldade, para estar conosco. Poucos meses depois, faleceu. Mas aquele momento ficou marcado para sempre", lembra.

Após o casamento, a ligação do casal com o espaço cresceu. "A gente não tinha uma história prévia com a Igrejinha, mas criamos um elo muito forte com ela. Temos enfeites em casa que remetem aos azulejos do Athos Bulcão e agora a memória com o meu avô também", reitera. Paula espera, agora, viver mais momentos especiais no local. "Uma pretensão é, no futuro, batizar nossos filhos lá e continuar essa história na família que estamos construindo", completa. 

Celebração viva

O aniversário de 67 anos da Igrejinha terá uma programação especial para a comunidade. Amanhã, haverá missas as 7h, 11h e 18h30. As bênçãos individuais, confissões e aconselhamentos serão feitos durante todo o dia e a celebração da unção dos enfermos, às 15h. Para receber os fiéis do Distrito Federal e de outros estados, uma praça de alimentação será montada no entorno da capela.

O que a família Kubitschek espera é que o legado não se perca. "A Igrejinha representa a manutenção dos ideais de fé e esperança em um futuro melhor e de gratidão a Deus pelo que JK pôde oferecer ao Brasil, mesmo com todas as dificuldades da época. O que desejamos é que isso jamais seja esquecido", destaca Anna Christina.

 


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