Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Xico com X, Bizerra com I sábado, 27 de setembro de 2025

MANÉ PEREBA ou ATELIER CAPILAR DU MANET (CRÔNICA DO COLUNISTA XICO BIZERRA)

Fiquei estarrecido. Meu amigo pagou 120 reais pra fazer barba e cabelo em uma dessas barbearias modernas que estão na moda. E ainda teve que agendar o horário com uma semana de antecedência. Deus me defenda. Mané Pereba, no mercado público perto de minha casa, cobra $8 – se o cliente ficar em pé e $10 – se sentado em confortável tamborete. Agora ‘tá cobrando uma taxa extra de 1 real por conta do ventilador, última geração, instalado no salão. E ainda tem o brinde de aparar o excesso de cabelo nas sobrancelhas, nas orelhas e na venta, como cortesia. Sem esquecer que para os carecas o serviço é grátis.

O apelido se deve a uma pereba crônica em sua mão esquerda, decorrente de um corte de sua própria navalha, quando se iniciou na profissão. Ressalte-se que em nada o fato interfere no bom desempenho de seu ofício. Faz 19 anos que corto o cabelo com Mané e não me arrependo, apesar de eventuais cortes desnecessários ao longo da trajetória. Mas faz parte.

Tentei convencer meu amigo a experimentar Mané, mas até agora ele resiste. Besteira dele, ‘tá gastando dinheiro à toa. Fui lá, paguei a menor taxa e conheci Mané Perebinha, herdeiro profissional do pai, iniciante no metier, mas já demonstrando talento. Cortei com ele e fiquei satisfeito. Mais teria ficado se não tivesse saído de lá com dois caminhos de rato na minha já não tão vasta cabeleira. Mas é do jogo. Afinal de contas, economizei 110 contos. Na média, uma economia de 55 contos em cada um dos cortes, cabelo e barba.

O salão de Mané fica vizinho ao do senhor que conserta relógios e em frente ao do sapateiro. O alfaiate, que ficava ao lado, fechou as portas. Hoje tem lá um consertador de celular. Tomara que Perebinha resista aos avanços modernos atuais, siga os passos do pai e que não exija agendamento para futuros cortes.

Registro que Mané faz jus, com todas as honras, aos dizeres de Amara Brotinho, uma puta que ganhava a vida honestamente, dando duro nos cabarés de Palmares nos anos 60, personagem de Luiz Berto no seu Romance da Besta Fubana: “Pra adular macho melhor do que eu, só se for barbeiro, que raspa, alisa a ainda bota perfume.”

Em minha última visita, enxerido como sou e lastreado por quase 20 anos de freguesia e milhares de fios de cabelo lá deixados, sugeri a Mané uma expansão de suas atividades, em bairro nobre do Recife, instalando as modalidades UNISSEX –para cortes femininos e a KIDS, para atendimento do público infantil. Até o nome tive a audácia de aconselhar, baseado em troca de ideias com a Inteligência Artificial: seria ATELIER CAPILAR DU MANET. Ele olhou para mim, com cara de pouquíssimos amigos, e retrucou:

– Não tem quem faça eu atender ao seu pedido. Isso é coisa de francês com a testosterona fraca. Permanecerei, até Deus permitir, com a placa aí de fora: SALÃO DO MANÉ.


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