O AMIGO CÉLIO FREITAS (IN MEMORIAM) - CRÔNICA DO COLUNISTA JOÃO RIBEIRO DA SILVA NETO, O BEIRÓ

O amigo Célio Freitas (in memoriam)
Por João Ribeiro.
Nas férias e em alguns finais de semana eu ia para a casa da Dona Nadir Freitas, mãe do amigo de infância e juventude Célio Freitas (in memoriam), jogar baralho com ele, de quem gostava muito. Ele se empolgava sempre ao abrir e inaugurar um baralho novo e tinha uma maneira rápida de embaralhar as cartas, que eu mais tarde cheguei a aprender e uso até os dias atuais.
A fotografia, obtida por mim muitos anos depois, é da Estrada do Fio com a Avenida Barão de Aquiraz, como era antigamente. Mostra na esquina a mercearia que pertenceu ao Sr. Valdir Freitas (in memoriam). Local onde brincávamos tranquilamente em segurança. A casa deles ficava na esquina da Estrada do Fio com a Avenida Barão de Aquiraz, onde hoje há um posto de gasolina. Nessa casa chegou o primeiro televisor em cores de Messejana e eles tinham uma linha telefônica (coisa rara naquele tempo).
O Célio tinha uns quatro anos a mais do que eu. Por esse motivo sabia macetes e tinha mais experiência naquele jogo de cartas (buraco ou canastra). Anotava em uma cadernetinha todas as partidas, caprichosamente. Como ele ganhava a grande maioria das vezes, sorria muito de alegria e ficava me zoando no final das partidas, mas tudo fazia parte de nossa amizade! E eu via a satisfação dele com a caneta, que dizia que eu tinha perdido mais uma partida...
Ao final, sempre sorrindo muito assinava a rubrica dele depois das totalizações dos pontos e deixava a página seguinte no ponto, para a próxima vez. E eu voltava para casa mesmo tendo apanhado no jogo, pouco ou muito, não era problema.
O importante mesmo era nossa diversão. E assim aprendi a jogar relativamente bem com as observações que ele fazia no decorrer dos jogos.