Euler Araújo de Souza e Luciano Lobo
Por ocasião da solenidade de erição do busto do ex-presidente Aluízio de Oliveira Periquito, na sede da Associação Atlética Banco do Brasil, no Recife, em 30 de agosto, escrevi o discurso, mas cedi minha vez de falar, preferindo que o Presidente Euler o fizesse.
Entreguei o texto aos filhos do homenageado.
Por sua importância histórica faço esta publicação.
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Se minhas palavras fossem uma crônica eu as titularia “O Espírito da Permanência”, pois representariam a qualidade que certas pessoas têm de promover a perpetuação das características humanas de cada cidadão.
Aqui, agora, estamos diante de um Presidente de clube que reconhece os valores intrínsecos das pessoas que por ele trabalharam. Um daqueles que sabem fixar no tempo e na memória a grandiosidade do trabalho executado por uns poucos, que tanto beneficiaram os associados de hoje.
Louvo, como se a um santo fosse, Euler Araújo de Souza – ora concluindo seu mandato – que na administração desta Casa durante seis anos – soube perpetuar os que lhe foram antecedentes, preservando tudo quanto construíram.
E para esta louvação tenho motivos!
São marcas indeléveis – digamos, em pedra e cal – de dois personagens que se fizeram notáveis na história desta Associação: Capiba e Aluizio Periquito.
Conheço bem a História porque dela fiz parte ativa!
Decorria o ano de 1959. Ao terminar nossos mandatos como diretores do Náutico, nos deslocamos, em definitivo, para a AABB: Periquito, Ricardo, Moraes, Jayme , Simplício e Otacílio. Um time completo!
Nessa época, a AABB ainda funcionava na Av. Rosa e Silva, num casarão cedido pelo Banco do Brasil, em Contrato de Comodato sob a assinatura de Periquito, que logo no início de sua gestão como Presidente, foi doado ao nosso clube.
Pouco tempo rolou e logo ele começou a procurar um imóvel maior para construir um clube de verdade. Surgia a possibilidade de comprar o Sítio dos Moreira, de propriedade de 17 herdeiros do Barão Rodrigues Mendes.
Registra-se, a partir daí, uma história de audácias. Mais de 30 Corretores de Imóveis disputavam entre si, encarniçadamente, a primazia da venda do quadrilátero mais desejado das Graças. Já se havia até formado um consórcio para dar força à questão.
Aluízio me pediu para levantar a história detalhada daquelas heranças. Relacionei quase todos, buscando informações em cartórios e no CRECI, fazendo rigoroso levantamento, com os endereços daqueles que residiam no Recife e outros em Niterói, estado do Rio de Janeiro.
De posse da documentação, viajou para o Rio de Janeiro e obteve autorização para que o Banco do Brasil viesse a ser Procurador oficial de cada herdeiro do terreno. Dessa forma quase mágica, acabou com a questiúncula que já se prolongava há mais de 20 anos: a falta de confiança dos herdeiros em assinar contratos para Opção de Venda.
Em Niterói localizou os dois mais intransigentes herdeiros do Barão e conquistou as procurações que desejava. Em seguida, a transformação do Contrato de Comodato do casarão da Av. Rosa e Silva incluindo a cláusula de venda. Sem a participação de quaisquer intermediários realaizou o sonho de todos os associados. Consuistava-se a propriedade mais desejada do bairro das Graças.
Nesta inteligente jogada conseguiu com o desportista Dr. Sebastião Paes de Almeida, então Presidente do Banco, outra verba, desta vez para a construção daspiscinas e vestiários.
Mas, a atuação do Presidente que ora homenageamos, não se encerraria ali.
Periquito continuou na batalha para o progresso de nossa Instituição. Programou uma festa campal, em dias de maio de 1960, com a presença de representação da congênere de João Pessoa, e em campos provisórios organizou uma verdadeira olimpíada, com disputas de Tênis, Futebol e Voleibol, dando por inaugurado um Parque Esportivo.
Quase na sequência, obtivemos uma ajuda regimental do Banco, através de verba criada pelo Presidente, Dr. Ricardo Jafet, para todas as AABB, autoridade que nos creditou o valor suficiente para a construção de duas piscinas e os vestiários.
Ocorre, em dias de maio de 1962, a presença do Presidente Ney Neves Galvão, ao Recife e convidado para conhecer as nossas instalações, na mesma noite, confirmou a verba suficiente para a construção da sede propriamente dita. E assim Periquito, após 10 anos de gestão entregou um clube pronto.
Ao se encantar, Periquito mereceu homenagens do Náutico, com três dias de luto oficial e bandeira a meio mastro. A Prefeitura também lhe concedeu nome de rua no bairro do Recife. Nosso gestor atual achou justo erigir seu busto na parte mais nobre do Clube.
É o que aqui comemoramos!
Passamos ao Presidente Euler Araújo de Souza a honra de inaugurar o busto de Aluízio de Oliveira Periquito, nosso emérito Presidente.
