Minha mais recente música, um samba composto em parceria com o amigo Bráulio Medeiros, fala das dificuldades do ser humano diante da necessidade de tomar decisões no decorrer da vida. Diz assim, em sua primeira estrofe:
‘Não sei se vá de sandália ou calce um sapato,
Nas férias se vou pra Itália ou fique no Crato
A vida é feita de escolhas
A gente tem que escolher
Pra onde ir e o que fazer …
Se peço uma feijoada ou coma um sushi,
Se beba uma cerva gelada ou tome um açaí’
E por aí vai …
A ideia é reforçada no período eleitoral. Voto no Recife e na pesquisa para escolher meu candidato, dei-me ao trabalho de pesquisar os 1.311 nomes dos concorrentes, não apenas no Recife, mas também em Jaboatão e Olinda e descobri algumas preciosidades na identificação dos disputantes:
AFONSO QUE FAZ, CÓ DO POVO, LU DO PRU, TADINHO JOÃO, BLACK CELL, CIDA A BRUXA, FAZ TUDO, MANÉ MAGO, ARUÁ DO GÁS, ELAS NO PODER, EDINHO DOIDO e ME AJUDE POR FAVOR.
(restringi a citação a apenas 4 exemplos por cidade para não tornar demasiadamente grande este meu escrito, evitando mencionar partidos e números dos pleiteantes).
Chamou minha atenção o número exorbitante de ‘discípulos de Cristo’ querendo uma ‘boquinha’ na Câmara: Acho que ser político está dando mais dinheiro que explorar a fé alheia usando a religião. Está sendo mais lucrativo ‘servir ao Povo’ que ‘servir a Deus’. Nos três municípios, 88 concorrem à vereança utilizando suas funções litúrgicas precedAendo o nome: Irmãos e irmãs, missionários e missionárias, pastores e pastoras, além de 1 bispo e um diácono, sem contar filhos e filhas dos que já desfrutam de mandato ou outros que apenas se denominam ‘Fulano(a) da Igreja’. Há família que já conta com até 4 membros desenvolvendo atividade política e ainda querem mais 1 na lista.
Outro fato curioso é o número elevado de militares pretendentes a trocar a caserna por um gabinete refrigerado nas Câmaras Municipais (são 21 casos). Um verdadeiro ‘batalhão’, de Soldado a Coronel, pleiteando uma vereança. Deve ser bom ser Vereador.
Não fica só aí: A utilização de ‘do Povo ‘ após o nome é prática usual. São 25, ao todo, nos três municípios. Certamente, é a certeza de que o povo gosta de quem usa seu nome em vão nas campanhas. Merece, para deixarem se ser bestas, que esses falsos ‘populares’ sejam eleitos.
De minha parte está resolvido. Vou exercer meu direito de votar … Ante todo o fisiologismo, o clientelismo, a corrupção brabíssima e a prevalência dos interesses pessoais em detrimento do coletivo, meu voto deixa de ser secreto e é aqui revelado: resta-me apenas optar entre o Pastor BRANCO, o Capitão NULO ou o Abstenção DO POVO …

