Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 06 de julho de 2025

OS BRASILEIROS: Brigadeiro Luís Antônio (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

OS BRASILEIROS: Brigadeiro Luís Antônio

José Domingos Brito

Luís Antônio Macedo de Sousa Queirós nasceu em 1746, em Amarante, Portugal. Foi um militar luso-brasileiro, bem-sucedido empresário e negociante de terras em São Paulo, em fins do século XVIII e início do XIX. Acumulou uma fortuna, propiciando o surgimento de uma “dinastia” de cafeicultores no Oeste Paulista. Foi também um filantropo na criação e auxilio a entidades assistenciais.

 

 

 

Filho de Ana Maria Macedo e José Luiz de Souza, veio para o Brasil aos 20 anos e fez carreira militar na Companhia de Cavalaria de Itu, do Regimento de Milícias. Em pouco tempo recebeu diversas promoções até o posto de coronel e foi reformado como Brigadeiro, em 1818. Além de grande proprietário de terras, com 16 fazendas na região de Campinas, era um exímio negociante de terras. Foi também um grande empreendedor, dono do primeiro navio que saiu de Santos, carregado de mercadorias, com destino a Lisboa.

Seus diversos negócios e as alianças comerciais e políticas foram relevantes no processo de acumulação de riqueza dessa época. Esta fase marcou o início do desenvolvimento da região paulista, que até então servia apenas de passagem para tropeiros rumo a Minas Gerais e Goiás em busca de ouro e pedras preciosas. Como empresário, foi um dos primeiros a entrar com ações na criação da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, em 1810, nos arredores de Sorocaba. O ferro ali produzido foi vital para a produção de material bélico para a guerra do Paraguai e também para permitir o progresso da ferrovia em São Paulo.

A Fundição Ipanema operou até 1926 e, atualmente, é um dos recantos turísticos mais importantes do País e também um dos mais esquecidos e pouco divulgado pelo Governo, situado próximo a capital do Estado. Chegou a criar, de modo informal, o primeiro banco da cidade, aceitando dinheiro das pessoas e utilizando em seus negócios, pagando juros. Era algo tão extraordinário para a época, que, em agradecimento, recebia vários presentes ofertados por quem deixava dinheiro sob sua guarda. Mantinha chácaras perto do centro da cidade, como a “Chácara da Consolação”, herdada por seu filho, o barão de Souza Queirós e outra chácara englobando a atual rua Riachuelo, onde começa a atual avenida Brigadeiro Luiz Antônio, herdada pelo filho Vicente de Souza Queirós, o Barão de Limeira.

Fixou residência em São Paulo, na esquina da rua São Bento com a rua do Ouvidor, numa casa descrita pelo historiador Affonso de E. Taunay: “o enorme casarão do Brigadeiro Luiz Antônio de Souza, possuidor da maior fortuna da Capitania”. Em 1817, era considerado o primeiro proprietário e agricultor da Província, com 15 fábricas de açúcar, uma das quais administrava pessoalmente. Ao morrer, em 1817, deixou uma fortuna de 750 mil “contos”. Em um de seus engenhos de açúcar de Campinas chegou a render em 1817 a quantia de 9:000$000). A renda anual do brigadeiro subia a 32:000$000 – isso num tempo em que o mil-réis valia mais de duas libras esterlinas.

Seu filho Francisco Antonio de Souza Queirós (1806-1891) seguiu as pegadas do pai nos títulos, cargos políticos e riqueza acumulada e teve seu nome dado a outra importante rua de São Paulo: Av. Senador Queiróz. Tal como o pai, foi um filantropo, com a fundação da Associação Barão de Souza Queiróz de Proteção à Infância e à Juventude – Instituto Ana Rosa, em 1874. Outro filho -Vicente de Souza Queiróz- , o Barão de Limeira (1813-1872), também foi pródigo e nomeia a Alameda Barão de Limeira. Foi o pai de Luiz Vicente de Souza Queiróz (1849-1898), agrônomo e fundador da famosa Escola Superior de Agricultura Luís de Queiróz, em Piracicaba. Como se vê, a família Souza Queiróz teve papel destacado no desenvolvimento do estado de São Paulo

O brigadeiro Luís Antônio faleceu em 30/5/1819. No ano anterior registrou no Cartório da Nobreza o brasão das armas dos Souza Queirós. Seu testamento, ditado a 24/5/1819, mostra que era muito religioso, pois deixou dotações para serem enviadas a Portugal, onde seus irmãos deveriam entregá-las à Santa Casa de Misericórdia, além de dinheiro para ser repartido entre os pobres, para manutenção de leprosários, para o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, de Santa Teresa, para a Ordem Terceira de São Francisco, ao convento de São Francisco, para a Capela do Rosário dos Homens Pretos, para a Capela da Senhora da Boa Morte, para grande número de missas e pede a doação de um hábito de São Francisco, para com ele ser enterrado no jazigo da Venerável Ordem Terceira de São Francisco.

 


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