Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

O Globo Monday, 11 de August de 2025

OS RECADOS DE NEYMAR PARA A SELEÇÃO

 

 
 

Sempre que Neymar estiver em campo pelo Campeonato Brasileiro, a tentação será medir, a cada 90 minutos, o quanto ele poderá ser influente daqui a pouco menos de um ano, na Copa do Mundo de 2026. Não parece recomendável esquecer que Neymar vive um processo ainda cercado de incertezas, e que os sinais emitidos por ele, até aqui, ainda são um tanto conflitantes. A pressa não costuma combinar com alguém que ficou quase dois anos sem ter continuidade na carreira.

Tampouco é interessante esquecer que cada jogo oferece circunstâncias muito distintas, e que o Santos é um time que, tantas vezes, dá a Neymar um contexto pouco favorável. Apesar da virada em Belo Horizonte, passou 45 minutos com baixa produção ofensiva e dificuldade para competir.

Todas estas ponderações pertencem a um mundo racional. Ocorre que a seleção brasileira volta a jogar em 23 dias, o que significa dizer que a convocação está próxima. Pela primeira vez, Ancelotti terá que tomar uma decisão sobre um Neymar em atividade, com sequência de jogos. A expectativa será natural.

Se a régua para medir Neymar for apenas o recorte atual de suas atuações, comparadas com jogadores como Matheus Cunha, Vinícius Júnior, Raphinha, Estevão ou João Pedro, naturalmente a conclusão será a de que o melhor jogador surgido no futebol brasileiro nos últimos 20 anos está abaixo dos concorrentes. Neymar cresceu desde que voltou a jogar com regularidade pelo Santos. Mas ainda é pouco para, numa análise meramente técnica, passar a sensação de que pode oferecer mais do que as outras opções ofensivas da seleção.

No entanto, não parece possível olhar para o campo e analisar o camisa 10 do Santos como se o nome Neymar não estivesse escrito às costas da camisa. Muito menos riscar da análise sua qualidade técnica sem igual no país. Não que o atacante vá impor sua convocação apenas com o nome, é que craques assim colocam na mesa outros argumentos. A começar pela idolatria, o simbolismo, o respeito dos companheiros. Mas, principalmente, paira a permanente expectativa de que, quanto mais jogar, Neymar estará mais perto de produzir lances que, em boa parte dos jogos, nenhum dos demais 21 jogadores em campo é capaz de realizar.

Se for essa a expectativa da comissão técnica da seleção, pode haver aí um argumento para convocá-lo. Ou mesmo se Ancelotti quiser conviver com o craque para avaliá-lo de maneira mais próxima. No entanto, o jogo do Mineirão reforçou a impressão de que, numa análise apenas técnica, a volta é precipitada.

O jogo de Belo Horizonte era especialmente útil por colocar o Santos, e Neymar, diante de um time intenso ao pressionar, que nega espaços e reduz o tempo para que qualquer ação seja executada. E, neste cenário, Neymar sentiu muito — sempre ponderando que, especialmente no primeiro tempo, o Santos não o ajudou. Quando recebeu de costas como um “falso 9” e foi acossado, acabou desarmado. Quando precisou correr contra Fabrício Bruno, foi superado. Na segunda etapa, foi pouco influente na virada do Santos.

Claro que há momentos em que protege a bola, realiza ações técnicas que lembram seu nível. Mas o desenrolar do jogo ainda mostra alguém de baixa competitividade para enfrentar a elite do jogo. Sim, Chile e Bolívia não são tal elite, e Neymar pode até estar em uma destas partidas. Mas se o projeto da seleção é o Mundial, este deve ser o parâmetro.

Claro que houve jogos em que o Santos se apresentou melhor, passou mais tempo no campo ofensivo, e neles Neymar jogou em bom nível. Mas ainda há um caminho a percorrer. Nas próximas semanas, saberemos o que pensa Ancelotti. Se o italiano vai querer incorporar já o astro ao seu grupo, sinalizando a ele portas abertas. Ou se manterá um sarrafo alto, exigindo que Neymar suba mais alguns degraus.

 

Dois Vascos

 

Após outro jogo sem vitória, resta um alento ao torcedor do Vasco: que as semanas livres permitam ao time chegar fisicamente mais inteiro aos jogos. O time do primeiro tempo executou com mais clareza dinâmicas habituais nos times de Fernando Diniz e teve equilíbrio para controlar um jogo em que saíra perdendo no primeiro minuto. No segundo tempo, pareceu esgotado e não produziu quase nada. Menos mal que o Atlético-MG tampouco criou.

 

Dois Botafogos

 

A goleada em Fortaleza, dias após a classificação na Copa do Brasil, indica que o campo, aparentemente, se isolou das incertezas que cercam a gestão do Botafogo. O time consegue competir e, no Brasileirão, seu maior adversário foi a largada ruim de um elenco montado tardiamente — efeito de um projeto instável de clube. A demora implica em jogadores ainda em adaptação e algumas oscilações, algo que pode custar as chances título.

Intolerância

 

O Palmeiras, que não consegue jogar bem, venceu o Ceará enquanto parte da arquibancada protestava. A forma agressiva como Abel e jogadores foram xingados, sem falar no atentado contra o CT na madrugada de domingo, refletem como o futebol virou o depositário das frustrações de uma sociedade intolerante. Há uma dificuldade na aceitação da derrota, e tornou-se fácil voltar-se contra profissionais que colecionam conquistas no clube.


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