Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense Friday, 30 de August de 2019

CANOAGEM: REMADA SOBERANA NO PARANOÁ

CANOAGEM

 
Remada soberana no Lago Paranoá
 
O campeão mundial Isaquias Queiroz vence com facilidade na abertura do Campeonato Brasileiro Interclubes e faz discurso de motivação para os atletas mais jovens. Competições continuam até domingo

 

Fernando Brito

Publicação: 30/08/2019 04:00

 
Dono de uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio, no ano que vem, Ezequias conquistou ontem o título brasileiro na prova do C1 1.000m (Minervino Junior/CB/D.A Press
)  

Dono de uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio, no ano que vem, Ezequias conquistou ontem o título brasileiro na prova do C1 1.000m

 



Um dos objetivos do torneio é chamar a atenção dos mais novos (Roberto Peixoto/Canoagem Brasileira
)  

Um dos objetivos do torneio é chamar a atenção dos mais novos

 




O Lago Paranoá tem um novo dono. Ontem, durante a disputa do Campeonato Brasileiro Interclubes de Canoagem, o baiano Isaquias Queiroz, atleta do Flamengo, confirmou o favoritismo e venceu com folga a final da prova de C1 1000m, com tempo de 4min01s339. A pequena plateia que acompanhava a performance do campeão mundial, na orla do Clube Nipo Brasileiro, vibrou com o resultado, e alguns fãs fizeram fila para tirar fotos com o ídolo. A segunda colocação ficou com Erlon Silva (Paulistano), que registrou 4min05s569, seguido do também flamenguista Jacky Godmann (4min09s372).

“A estrutura do campeonato está ótima. A água estava um pouco agitada, como haviam me informado que seria em Brasília, mas está sendo uma experiência incrível nessa minha primeira passagem pela capital do país. O evento apresenta uma infraestrutura próxima do padrão internacional, com excelente alimentação e apenas um pequeno excesso de movimentação no pier seria um ponto a ser melhorado pela organização, mas é muito bom estar presente ao lado de tantos atletas”, destacou Isaquias.

O competidor do Flamengo acaba de chegar da Hungria, onde no último fim de semana se sagrou campeão mundial do C1 1000m, com tempo de 3min59s23, além da conquista da medalha de bronze ao lado de Erlon Souza no C2 1000m. A participação no Campeonato Brasileiro marca o início do ciclo final de preparação rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e Isaquias Queiroz espera manter a alta performance. “O objetivo é ganhar as seis provas que disputarei em Brasília. Há uma boa concorrência interna no país, mas o atleta de ponta tem sempre que exigir mais em relação aos resultados”, comentou.

O público brasiliense não poderá ver de perto a parceria entre Isaquias e Erlon. Na competição nacional, eles representam clubes diferentes e travarão concorrência por um lugar no pódio nas disputas de dupla. Ainda assim, a ocasião é considerada propícia para o aperfeiçoamento do treinamento visando aos Jogos de Tóquio. “Essa é uma rivalidade forte, que vem desde as categorias de base, mas se trata, principalmente, de uma oportunidade para aprimorarmos nosso condicionamento em busca de melhores resultados nas competições internacionais. Erlon está cada vez mais forte na prova individual, e isso ajuda muito quando estamos remando juntos”, avaliou Isaquias.

Também bastante assediado por fãs e competidores mais jovens, Erlon elogiou as condições do Lago Paranoá e disse que está especialmente focado para chegar bem às próximas olimpíadas. “O principal objetivo desta temporada foi atingido. Conseguimos a vaga olímpica e, depois do Campeonato Brasileiro, teremos um período de férias antes de reiniciarmos os treinos para os Jogos de Tóquio. Tenho me especializado na prova de dupla, e a expectativa é conseguirmos um bom resultado em 2020”, projeta o atleta baiano.

Apesar de a competição em Brasília representar o fim de uma exigente temporada, Isaquias Queiroz não demonstra cansaço e discursa em tom de motivação para os atletas mais jovens. “Tem sido um ano pesado, com Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos, Campeonato Mundial e inúmeras viagens. É tudo bastante cansativo, mas nada que a força de vontade de um atleta não possa superar. Essa sempre foi minha motivação, alcançar resultados que eu julgava nem serem possíveis, mas tenho provado que basta querer e treinar. Atingi um nível que nenhum atleta do país havia alcançado e espero que a garotada que compete neste Brasileiro possa desejar ir ainda mais longe, superando o meu legado. Com certeza, haverão de conseguir”, afirma.

O Brasileiro de Canoagem segue até o próximo domingo, com participação total de 464 atletas. São 40 associações e clubes de várias partes do país, contabilizando 300 provas nas categorias infantil, menor, cadete, junior, sênior, master e paracanoagem. Ontem, no primeiro dia de provas, grupos de estudantes de várias escolas públicas do DF visitaram as instalações e conheceram mais de perto um pouco da modalidade, experimentando, por exemplo, o caiaque ergometro — espécie de simulador para desenvolver a técnica da remada.


PROGRAME-SE

Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem
Quando: até domingo
Horário: das 7h às 18h
Local: Clube Nipo Brasileiro (SCES, trecho 1)
Transmissão: youtube.com/canoagembrasileira e facebook.com/canoagembrasileira
*Entrada franca
 
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Correio Braziliense Thursday, 29 de August de 2019

RELATOS DE OUTRA POSSÍVEL VÍTIMAS DO ASSASSINO EM SÉRIE

 

Ou você faz o que eu quero, ou morre agora
 
Relato de outra possível vítima de Marinésio dos Santos revela forma de agir parecida com a dos assassinatos de Letícia e Genir. Mulher de 42 anos sofreu abuso sexual, mas escapou ao dar uma joelhada no acusado. Polícia vai retomar investigações de casos antigos

 

» ALAN RIOS
» ANA VIRIATO
» SARAH PERES
» WALDER GALVÃO

Publicação: 29/08/2019 04:00

Dezenas de mulheres se reuniram no fim da tarde de ontem na Rodoviária do Plano Piloto para pedir mais segurança: %u201CNenhuma a menos%u201D  (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Dezenas de mulheres se reuniram no fim da tarde de ontem na Rodoviária do Plano Piloto para pedir mais segurança

 

 
“Eu fiquei dois anos presa, e ele, solto. Quando fui atacada por ele (Marinésio), registrei a ocorrência e não me escutaram. Precisaram morrer duas mulheres para que fossem atrás dele”. O relato feito ao Correio por uma das possíveis vítimas de Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, narra momentos de terror vividos em 25 de setembro de 2017, no Paranoá. A copeira, de 42 anos, que não quis se identificar, integra a lista de mulheres que denunciaram  ter sido atacadas pelo assassino confesso de Letícia Sousa Curado de Melo, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47 (veja Sob investigação). Polícia Civil vai retomar investigações desses casos. A barbárie provocou, ontem, o protesto de um grupo de cerca de 50 mulheres na Rodoviária do Plano Piloto (leia ao lado).

Marinésio teve a prisão temporária — com prazo de 30 dias — decretada no último sábado pela suspeita de envolvimento no assassinato de Letícia, advogada e funcionária terceirizada do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Na segunda-feira, ele confessou o crime e declarou ter matado, ainda, Genir. Com a repercussão do caso, a copeira o reconheceu, ao vê-lo na televisão.

A mulher conversou com o Correio na casa dela, após prestar depoimento na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). Ela conta que, no dia do ataque, esperava o ônibus na parada, por volta de 5h40, quando Marinésio a abordou em um carro vermelho. “Ele desceu e, com uma faca, me obrigou a entrar no veículo. Comecei a chorar e implorar para que ele não fizesse nada comigo, por ter meus filhos. Fui levada até os pinheirais (próximo ao Paranoá Parque)”, relembrou.

Ali, o serial killer teria estuprado a vítima. “Como eu me debatia, ele agarrou o meu pescoço e disse: ‘Ou você faz o que eu quero, ou morre agora’. Foi quando cedi às investidas. Mas, depois que ele acabou, me ameaçou: ‘Você viu bem o meu rosto. Quem grava o meu rosto, morre’”, descreveu. Nessa hora, Marinésio se distraiu e deixou a faca cair. “Dei uma joelhada na barriga dele. Consegui abrir a porta do carro e fugir. Ele tentou vir atrás de mim, mas, como era umas 6h30, e havia movimento na rua, desistiu”, relatou a vítima, que procurou a delegacia e fez o exame de corpo de delito.

Segundo a delegada Jane Klébia, chefe da 6ª DP, o caso dessa vítima se assemelha ao de uma adolescente de 17 anos, também investigado na unidade. “Em ambos os crimes, ele usou um carro vermelho. As abordagens também foram diferentes, ele não se apresentou como motorista de transporte pirata. Mas, sim, usou uma faca para obrigar as mulheres a entrarem no veículo”, detalha a investigadora. Na próxima semana, Marinésio será levado até a delegacia para que as duas vítimas façam o reconhecimento pessoal.
 
Investigação
 
Até o momento, os ataques de Marinésio são investigados pela 31ª DP (Planaltina), pela 6ª DP (Paranoá) e pela Divisão de Repressão a Sequestros (DRS). Desde que instauraram os dois primeiros inquéritos, os delegados responsáveis pelas apurações receberam titulares de unidades de outras cidades, que pretendem desarquivar casos não solucionados marcados pelo mesmo modus operandi do serial killer.

Além disso, a DRS deve interrogar o assassino nos próximos dias. A ideia é verificar se Marinésio está envolvido em desaparecimentos de mulheres. Um dos casos sob análise é o de Gisvania Pereira dos Santos, 33, desaparecida em 6 de outubro do ano passado, em Sobradinho. “O que sabemos é que ele é um predador de mulheres, que esteve envolvido em dois sequestros com morte. Mas é essencial levantar mais dados, até para direcionar melhor as nossas perguntas a ele e colher um depoimento mais concreto e detalhado”, informou o diretor adjunto da Divisão, Luiz Henrique Sampaio.

As três perícias do caso Letícia Curado ainda não foram concluídas. A 31ª DP aguarda o laudo cadavérico, a análise sobre o material genético encontrado na Blazer prata e no local do crime e a avaliação na chácara da cunhada de Marinésio, entre Planaltina e Paranoá.
 
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Correio Braziliense Wednesday, 28 de August de 2019

GOVERNADORES APOIAM BOLSONARO CONTRA MACRON

 

Apoio de governadores e críticas a demarcações
 
Bolsonaro consegue respaldo de seis dos nove gestores estaduais da Amazônia Legal na queda de braço com a França. Chefe do Executivo federal reclama de reservas ambientais, indígenas e de quilombolas

 

RODOLFO COSTA

Publicação: 28/08/2019 04:00

 

O presidente com governadores: %u201CA questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade%u201D (Marcos Correa/AFP
)  

O presidente com governadores: "A questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade"

 

 


A reunião do presidente Jair Bolsonaro com oito governadores e um vice-governador da Amazônia Legal foi, politicamente, um sucesso para o governo. Dos nove estados que compõem a região, o Palácio do Planalto calcula que conseguiu apoio de, pelo menos, seis chefes de Executivos locais para endossar a narrativa nacionalista contra uma suposta manifestação do presidente da França, Emmanuel Macron, de colocar em xeque a soberania brasileira sobre a Amazônia, ao sugerir um “status de internacionalização” no território. Leituras feitas por interlocutores avaliam que o governo federal conquistou apoio e argumentos para encaminhar ao Congresso propostas de desburocratização e flexibilização da política ambiental, a fim de promover o desenvolvimento sustentável.

Pela manhã, Bolsonaro retomou o embate com Macron, acenou que aceitaria os 20 milhões de euros oferecidos pelo G-7 se o presidente francês se retratasse sobre tê-lo chamado de “mentiroso” e sugerido a “internacionalização” da Amazônia. Na reunião com os governadores, disse não ter nada contra a cúpula das sete maiores potências econômicas mundiais, e, sim, contra “um presidente” que “está reverberando qual é a sua intenção”. Sinalizou, ainda, que caberá ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, definir se o Brasil pode “fazer frente” à França em uma eventual transgressão à soberania nacional.

Na reunião com os chefes de Executivos estaduais, Bolsonaro ganhou respaldo na queda de braço contra Macron. Um dos apoiadores foi o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), que classificou o presidente francês como um concorrente dos produtos agrícolas brasileiros e disse que ele “surfa nas cinzas da Amazônia”. Outros no entanto, priorizaram um discurso mais diplomático. “Acho que estamos perdendo muito tempo com Macron. (...) Temos de cuidar dos nossos problemas e sinalizar para o mundo a diplomacia ambiental, que é fundamental para o agronegócio”, ponderou o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). O chefe do Executivo maranhense, Flávio Dino (PCdoB), frisou que “um discurso antiambientalista” não constrói saída adequada à preservação dos interesses nacionais, “na medida em que pode expor o Brasil a sanções comerciais”.

Do encontro, os governadores não levaram para casa compromissos concretos do governo federal. Mas o Planalto mudou o tom em relação ao Fundo Amazônia, sinalizando que vai mantê-lo. Anunciou que, até quinta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, irá à região amazônica para se reunir com governadores a fim de consolidar “agendas conjuntas”, propostas pelos gestores estaduais e condensadas pelo Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, como mudar a gestão do Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Banco da Amazônia, que, segundo sustenta o presidente do comitê, o governador do Amapá, Waldez Goés, tem maior presença e estrutura no território.

Indígenas
Entre as falas dos gestores estaduais, Bolsonaro tomou a palavra e disse que, diferentemente de outros governos, na atual gestão estão “congelados” estudos sobre novas reservas — ambientais, quilombolas ou indígenas. Lendo informações em um papel, informou que só na Amazônia Legal estão certificados, em trâmite legal de demarcação, 936 territórios quilombolas. “No tocante a reservas indígenas, em fase final, são 54 novas áreas, e, também, para alguns meses, mais 314 áreas indígenas”, afirmou.

O discurso foi respaldado pela ampla maioria dos chefes de Executivo. O vice-governador do Acre, Wherles Rocha (PSDB), disse que o estado dispõe de 14% de área aberta, possível de ser explorada, e que dos 86% restantes não se pode fazer nada. O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), sustentou que os 22,5 milhões de hectares do estado são divididos em 46,7% de terra indígena e 20% de unidade de conservação e estação ecológica. “Se retirarmos as áreas do Incra, do Exército e as áreas dos municípios, sobram apenas 20% para o estado. Desses 20%, 80% é reserva legal. (...) Ou seja, o estado fica impedido de produzir, trabalhar e preservar o meio ambiente também”, criticou.

Já o governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), frisou que, no estado, só 33% das terras são utilizadas. “E temos lá reservas, várias, também”, afirmou. O governador de Tocantins, Mauro Carlesse (DEM), defendeu que os indígenas possam explorar suas terras e ganhar receitas com o pedágio da possível concessão de uma ferrovia que passaria por meio de uma terra indígena.

Congresso
Durante a reunião, Bolsonaro ressaltou que o governo vai “buscar soluções”, no Congresso, para o desenvolvimento sustentável, por meio de propostas legislativas que possam flexibilizar o desenvolvimento sustentável e a legalização e a regulamentação do garimpo. “Temos o Parlamento, que nós vamos provocá-lo, com apoio dos senhores. Já conversei também com o (Ronaldo) Caiado (governador de Goiás), com o Hélder (Barbalho). No Rio, a estação ecológica evita que o estado fature alguns bilhões por ano no turismo, no caso de Angra (dos Reis)”, destacou. A questão ambiental, para ele, deve ser administrada com racionalidade. “E não com essa quase selvageria como foi conduzida ao longo dos últimos anos”, disse.

Flávio Dino, no entanto, criticou a proposta. “Precisamos cumprir a legislação, pois ela permite que se separe quem quer produzir nos termos da lei, de modo sustentável, daqueles que têm visão predatória. Essa ideia de mudar a legislação achando que isso vai nos tirar da crise vai, na verdade, aprofundá-la”, analisou.

Dinheiro do Reino Unido
O Brasil aceitou 10 milhões de libras (R$ 50,7 milhões) doados pelo Reino Unido para o combate aos incêndios na Amazônia. A informação é do jornal O Globo. O acerto teria sido feito entre Dominic Raab, secretário de Assuntos Externos do governo Boris Johnson, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Também ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma nova mensagem pelo Twitter em apoio ao governo brasileiro sobre os incêndios na Amazônia. Em resposta, o presidente Jair Bolsonaro agradeceu e disse que “os EUA podem contar sempre com o Brasil”.

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Correio Braziliense Tuesday, 27 de August de 2019

UM PSICOPATA NO CAMINHO DE TRÊS MULHERES

 

É um perfil de psicopata
 
Cozinheiro confessa os assassinatos de uma auxiliar de cozinha e de uma advogada.
 
 
Oferecendo transporte pirata, ele as abordou em ponto de ônibus, as estrangulou e deixou os corpos em matagal. Mulher o reconheceu como o homem que tentou estuprá-la

 

» ALAN RIOS
» ISA STACCIARINI
» SARAH PERES
» WALDER GALVÃO

Publicação: 27/08/2019 04:00

Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos

Cozinheiro desempregado

Casado, tem uma filha de 16 anos

Morador do Vale do Amanhecer, em Planaltina (Polícia Civil)  

Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos Cozinheiro desempregado Casado, tem uma filha de 16 anos Morador do Vale do Amanhecer, em Planaltina

 



A Polícia Civil do Distrito Federal pode ter descoberto um maníaco: um homem que matava mulheres após abordá-las em paradas de ônibus. Ontem, ele confessou a autoria de dois casos. Um, o da advogada Letícia Sousa Curado de Melo, funcionária do Ministério da Educação (MEC), dada como desaparecida desde sexta-feira e encontrada morta ontem, aos 26 anos. O outro, o da auxiliar de cozinha Genir Pereira Sousa, 47 anos, que sumiu em 2 de junho e teve o corpo localizado 10 dias depois.

O cozinheiro desempregado Marinésio dos Santos Olinto, 41, abordou as duas em uma parada de ônibus do Arapoanga, periferia de Planaltina. Ambas entraram na Blazer cinza ano 2000 dele, que oferecia o transporte. Crendo que embarcavam em um veículo de transporte pirata, Letícia e Genir foram assassinadas após reagirem ao assédio sexual dele. Além de matá-las, ele roubou o dinheiro que as vítimas tinham na bolsa. Marinésio jogou os corpos no mesmo lugar, um matagal entre Planaltina e o Paranoá.

Ontem, após a prisão do cozinheiro, uma mulher de 23 anos apareceu na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) e o reconheceu como o homem que a atacou na noite de 11 de agosto. Ela estava na rodoviária de Planaltina e ia para o Vale do Amanhecer, na região administrativa. Marinésio se passou por motorista de transporte pirata. No caminho, ele desviou o trajeto e passou a mão na perna da vítima. Desesperada, a jovem abriu a porta do carro e saltou. Um casal que estava atrás parou o automóvel para ajudá-la. Marinésio fugiu. A mulher não havia procurado a polícia até ontem.
Agentes da 31ªDP e da 6ª DP (Paranoá) tentam identificar outras vítimas do suspeito.

Genir Pereira de Sousa, 47 anos

Auxiliar de cozinha em uma pizzaria de Planaltina

Separada, mãe de um homem de 29 anos

Nascida em Eliseu Martins (PI)

Morava no Paranoá (Facebook/Reprodução)  

Genir Pereira de Sousa, 47 anos Auxiliar de cozinha em uma pizzaria de Planaltina Separada, mãe de um homem de 29 anos Nascida em Eliseu Martins (PI) Morava no Paranoá

 


Letícia Sousa Curado de Melo, 26 anos

Advogada, funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC)

Aluna de pós-graduação na Fundação Escola Superior do MPDFT

Casada, tinha um filho de 3 anos

Morava no bairro Arapoanga, em Planaltina (Facebook/Reprodução)  

Letícia Sousa Curado de Melo, 26 anos Advogada, funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) Aluna de pós-graduação na Fundação Escola Superior do MPDFT Casada, tinha um filho de 3 anos Morava no bairro Arapoanga, em Planaltina

 



Flagrado por câmeras
 
A polícia começou a desvendar o caso de Letícia Sousa Curado de Melo na manhã de sábado, após prender Marinésio dos Santos Olinto. A câmera de vigilância de uma loja filmou a advogada entrando na Blazer cinza dele. Agentes encontraram o telefone celular, a pochete e o relógio da funcionária do MEC na picape.

Em um primeiro momento, Marinésio negou envolvimento no crime, sem explicar os itens da vítima em seu veículo. Mas, diante das provas, na manhã de ontem, confessou o crime. Na companhia da advogada, levou os investigadores ao local onde deixou o corpo, uma manilha às margens da DF-250, em um matagal próximo a uma fábrica de sementes.

Em depoimento, Marinésio contou ter abordado Letícia na parada de ônibus, perto da casa dela, no Arapoanga, no início da manhã de sexta-feira. Ela, que havia saído de casa às 7h, pretendia pegar um coletivo para a Rodoviária de Planaltina, onde tomaria outro ônibus até a Rodoviária do Plano Piloto. Seguiria a pé até o prédio do MEC, na Esplanada dos Ministérios. A princípio, o suspeito havia acabado de deixar a filha de 16 anos na escola.

Poucos minutos após Letícia entrar na Blazer, começou o assédio. A advogada gritou. Marinésio dirigiu até uma estrada que dá acesso ao Paranoá e a estrangulou. Depois, seguiu até a DF-250, onde deixou o corpo da jovem. Marinésio confessou o crime na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

Com ele, os agentes encontraram R$ 750. Havia uma nota de R$ 5. A polícia suspeita que seja a mesma que Letícia pediu ao marido, antes de sair de casa. Por ter uma deficiência ocular, ela não pagava passagem nos ônibus da frota regular. A família suspeita que a advogada usaria o dinheiro para um transporte pirata.

Marinésio ficará preso preventivamente pelo assassinato da advogada. O corpo dela foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) às 18h de ontem. Não havia previsão de velório e enterro até o fim da noite. “Ele (Marinésio) matou-a quando ela ficou assustada, depois que ele disse que tinha vontade de ter relação sexual com ela. Ele disse que não abusou dela, mas só a perícia poderá comprovar”, afirmou o delegado Fabrício Machado, chefe da 31ªDP.
 
 
Corpo em decomposição
 
Genir Pereira de Sousa foi atacada no início da manhã de 2 de junho. Ela havia saído do trabalho na madrugada do dia 1º com um funcionário da pizzaria, seu namorado. Eles dormiram juntos, em Planaltina. Pela manhã, a auxiliar de cozinha foi para a casa da chefe, no bairro Arapoanga.

As duas eram amigas. Genir foi à casa da chefe para buscar pertences pessoais e R$ 750 que havia recebido por um serviço extra. Dali, seguiu para uma parada de ônibus, por volta das 7h40. Imagens de câmeras de segurança mostraram a vítima indo ao ponto e, depois, um carro passando e, em poucos segundos, retornando.

Como Genir não apareceu para trabalhar na noite de 2 de junho, a patroa registrou uma ocorrência por desaparecimento. Após duas semanas de investigação, agentes da 6ªDP descartaram que o criminoso fosse alguém do convívio dela. Em 12 de junho, o corpo da mulher foi encontrado em um matagal entre Planaltina e o Paranoá, sem nenhum pertence dela.

“Filmagens mostram a Blazer (de Marinésio) passando e, em cinco minutos, retornando. Ele diz que a vítima pediu carona e, durante a viagem, quis manter um relacionamento sexual. O suspeito conta que, depois do ato, decidiu matá-la estrangulada”, comenta a delegada Jane Klebia, chefe da 6ªDP. “Ele mata por nada. É importante submetê-lo a um profissional que faça um perfil psicológico dele. Ele foge ao padrão de qualquer homicida. É um perfil de psicopata. Ele não tem um motivo para matar”, completa.

Pelo estado de decomposição do corpo de Genir, não foi possível confirmar o estupro, apenas a morte por estrangulamento. “Nosso trabalho agora é identificar possíveis vítimas do Marinésio na área do Paranoá e Itapoã, onde é comum as pessoas pegarem transporte pirata. Temos o perfil de um suspeito em potencial que pode estar ligado a outros crimes de sequestro, estupro e estrangulamento de mulheres”, destaca a delegada.
 
Parentes e amigos de Letícia Souza foram ao local onde o corpo dela foi encontrado, na manhã de ontem, à margem da DF-250 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Parentes e amigos de Letícia Souza foram ao local onde o corpo dela foi encontrado, na manhã de ontem, à margem da DF-250

 

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Correio Braziliense Monday, 26 de August de 2019

FERNANDA YOUNG, ATRIZ, ESCRITORA ROTEIRISTA, MORREU ONTEM, AOS 49 ANOS

 

A arte de rir de si mesma
 
 
Esse é um dos legados que nos deixa Fernanda Young. A atriz, escritora e roteirista morreu ontem, aos 49 anos

 

Vinicius Nader

Publicação: 26/08/2019 04:00

 (Marcio Nunes/TV Globo)  

O Brasil perdeu, na madrugada de ontem, a verve crítica, ácida e extremamente contemporânea de Fernanda Young. A atriz, escritora, apresentadora e roteirista teve uma crise de asma no sítio da família, no interior de Minas Gerais, e foi levada para o hospital em Paraisópolis, onde teve paradas respiratória e cardíaca e não resistiu. Fernanda Young tinha 49 anos de idade e deixa o marido e parceiro em muitas obras, Alexandre Machado, com quem teve quatro filhos. O corpo de Fernanda Young foi enterrado, ontem, em São Paulo.


Nascida em Niterói (RJ), Fernanda Young logo mostrou que tinha talento para as letras. O primeiro livro foi escrito aos 17 anos, mas nunca foi publicado. A escritora se preparava para, finalmente, lançar a obra como parte das comemorações pelos 50 anos, em agosto do ano que vem. Atualmente, Fernanda trabalhava em O livro, obra que deixa inacabada e que deve ser lançada postumamente, e nos ensaios da peça Ainda nada de novo, que estrearia em setembro em São Paulo.


Muito ativa, Fernanda nunca foi de fazer uma coisa só. Palavras como multifacetada e multimídia são comumente ligadas a ela, o que deixa claro o quanto a escritora era contemporânea. Essa característica aparecia e até mesmo definia a obra literária iniciada com Vergonha dos pés (1996) e que, extensa, ultrapassou os 10 títulos, entre os quais Tudo o que você não soube (2007) e A mão esquerda de vênus (2016). Temas como feminismo, globalização, relacionamentos ganhavam, na escrita de Fernanda, acidez e ironia.

Televisão


O humor corrosivo e corajoso de Fernanda logo ganhou as telas. Primeiro, como uma das colaboradoras de A comédia da vida privada (1995). Mas, ali, a série era baseada em outro autor (Luis Fernando Veríssimo) e Fernanda não pôde se mostrar por completo.


O telespectador conheceu e se apaixonou de vez por ela com Os normais, série escrita ao lado do marido, Alexandre Machado. Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães davam vida a Vani e Rui, casal que nos divertia e nos levava à reflexão por meio de situações cotidianas. Foram três temporadas — de 2001 a 2003 — de muito sucesso. Tanto que deram origem a dois filmes, também roteirizados pela dupla.


Depois vieram outras comédias, a maioria com êxito e todas com a crítica social embutida. Entre elas, Os aspones (2004) fazia piada com o funcionalismo público, Macho Man (2011) brincava com o novo homem e com empoderamento feminino, e Vade retro (2017), que subvertia ao trazer Tony Ramos como o diabo. Em 2013, Fernanda e Alexandre foram indicados ao Emmy internacional pelo roteiro da comédia Como aproveitar o fim do ano. Recentemente, ela escreveu o seriado Shippados, estrelado por Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch e disponibilizado no catálogo do Globo Play, serviço sob demanda da Globo.

Cara a tapa

Falar o que pensa nunca foi um problema para Fernanda Young, o que fazia com que o público, muitas vezes, tivesse a impressão de que estava diante de uma mulher amarga. Mas bastava prestar mais atenção ao sofá do Saia justa — a escritora participou da formação inicial do programa, em 2002 e 2003, ao lado de Marisa Orth, Rita Lee e Mônica Waldvogel — que estava ali o lado doce, tão destacado em depoimentos de amigos e colegas, ainda chocados com a repentina morte de Fernanda ontem.


Na mesma emissora, o GNT, Fernanda comandou talk shows provocadores e engraçados, como Irritando Fernanda Young, no qual ela brincava com a fama de mal-humorada — Fernanda não era de se levar a sério — e Confissões do apocalipse. As atrações foram ao ar entre 2006 e 2010 e em 2012, respectivamente.


Sem medo de se expor e com uma necessária análise crítica apresentada de uma forma sem ser chata ou massante, Fernanda vai fazer falta na televisão e na literatura. “Sou uma mulher de 50 anos que sonhou alto e realizou muito. E estou longe de encerrar a minha jornada nessa orbe! Aos que se interessam: bom proveito. Para os outros: estou pouco me lixando!”, escreveu no sábado em uma rede social.

   

Repercussão

Colegas e amigos se despediram de Fernanda Young nas redes sociais

 

"Como eu fui privilegiado em dizer o texto de Fernanda em Vade Retro, seriado que me deu tantas alegrias. Ela era escritora primorosa e pessoa adorável” 

Tony Ramos



“Era uma pessoa maravilhosa. Devo boa parte dos melhores anos da minha vida a ela. É uma perda muito grande para o mundo artístico. Vou sentir muita falta”

Luiz Fernando Guimarães



“Fernanda foi uma mulher importante para as artes e para a sociedade. Conseguia fazer rir e pensar com a mesma intensidade”

Fábio Porchat


“O que vai fazer mais falta é a mente inquieta. Ela olhava para tudo que estava acontecendo ao lado e colocava isso no trabalho dela”

Zeca Camargo


“Sua jornada está longe de terminar e vai continuar. Suas palavras são fortes”

Tatá Werneck


“Triste notícia recebi hoje com a morte precoce da Fernanda Young, essa menina talentosa, de humor ácido e de tantos trabalhos excepcionais como escritora, roteirista, atriz, apresentadora, entre outros. Descanse em paz!”

Walcyr Carrasco


Jornal Impresso

“Chocado com essa notícia. Fernanda Young, escritora talentosa, polêmica, divertida, autora (com seu marido Alexandre Machado) da melhor série brasileira até hoje, Os Normais, entre outros trabalhos. Uma pessoa bacana a menos no Brasil.

Hélio de La Peña

 


Correio Braziliense Sunday, 25 de August de 2019

BRASÍLIA: O DESPERTAR DO IDOSO DO SÉCULO 21

 

O despertar do idoso do século 21
 
Com expectativa de vida maior do que a média nacional, o idoso brasiliense enfrenta dificuldades e riscos para garantir um envelhecimento saudável. Em uma série de três reportagens, o Correio mostra a realidade dessa população no país e aponta saídas necessárias para o futuro

 

Publicação: 25/08/2019 04:00

Segundo estudo do IBGE, em 2060, o DF terá a menor taxa de fecundidade do país, e a proporção de idosos para jovens será a segunda maior entre as 27 unidades da Federação
 (Ed Alves/CB/D.A Press - 12/2/19)  

Segundo estudo do IBGE, em 2060, o DF terá a menor taxa de fecundidade do país, e a proporção de idosos para jovens será a segunda maior entre as 27 unidades da Federação

 


» MARIANA MACHADO
» JÉSSICA EUFRÁSIO
 
Prolongar a vida foi um dos grandes feitos do ser humano no século 20. Se, antes, a longevidade era privilégio de poucos, agora, ela começa a ser regra e, ao mesmo tempo, um dos maiores desafios dos tempos modernos. A sociedade precisa aprender a viver mais e melhor. Não somente quem passou dos 60, como também os netos e os filhos de quem está na terceira idade.
 
De 2012 a 2017, o número de pessoas com mais de 60 anos no país subiu 18%, alcançando 30,2 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é de que, em 2060, um quarto dos brasileiros tenha mais de 65 anos. No mesmo ano, o Distrito Federal terá a menor taxa de fecundidade do país, e a proporção de idosos para jovens será a segunda maior entre as 27 unidades da Federação, com cerca de dois para um.
 
Os desafios de uma nação com pirâmide etária em transformação acelerada, como é o caso do Brasil, incluem definir políticas voltadas para as necessidades dos idosos: de mobilidade urbana a lazer, passando pelos cuidados com a saúde e pela prevenção de doenças, além da definição de múltiplas formas de inclusão. Apesar disso, o país engatinha nesses quesitos. Para o médico Renato Veras, doutor em epidemiologia do envelhecimento pela Universidade de Londres, transformações são necessárias. Ele alerta que o país tem perdido a chance de promover mudanças nessa perspectiva. “A questão do envelhecimento nunca se encaixou muito bem na sociedade brasileira”, diz. (leia Três perguntas para).
 
A expectativa de vida do brasileiro, em 2019, é de 76 anos; no DF, um pouco maior: de 78 anos (leia A velhice em números). Diante do novo perfil populacional, o Brasil deve pensar em quem não tem mais a mesma vitalidade de outrora. A Organização Panamericana de Saúde (Opas) define como “cidade amiga do idoso” a que adapta estruturas e serviços para que sejam acessíveis e promovam a inclusão para pessoas com diferentes necessidades e capacidade.
 
Mais de 600 cidades e comunidades em 37 países fazem parte da rede da Organização Mundial de Saúde (OMS), pensando em iniciativas que permitam o envelhecimento saudável. No Brasil, quatro receberam o certificado internacional de Cidade e Comunidades Amigáveis à Pessoa Idosa: os municípios gaúchos de Esteio, Porto Alegre e Veranópolis, além de Pato Branco (PR).
 
Mobilidade
Na capital federal, muito precisa ser feito. O aposentado Eloy Barbosa, 73 anos, é categórico: “Brasília não tem acessibilidade. Isso vale para Plano Piloto, Samambaia, onde for. As escadas rolantes não funcionam, não tem calçada na maioria dos lugares e, quando tem, as pessoas param os carros em cima”. Mesmo assim, ele encara a velhice com “animo. Todos os dias, o morador da QNA 5 de Taguatinga Norte caminha até a parada de ônibus mais próxima.
 
O transporte público faz parte da rotina do senhor de cabelos brancos. Com agenda lotada, ele reveza os dias entre aulas de teatro, filosofia, canto coral, dança e o que mais aparecer. Para se locomover, vale ônibus, metrô, ou dirigir o próprio carro. “Prefiro o transporte público, porque não vou sozinho. Converso e conheço as pessoas. Quando está cheio, tem gente que finge não me ver, mas sempre tem uma alma boa para me ceder o lugar. Devem ser os meus cabelos brancos”, brinca Eloy. Para ele, ser idoso é um privilégio. “Significa que estou vivendo mais. As rugas são o nosso diploma, e eu tenho doutorado. Procuro ser dono da minha vida. Em Brasília, só fica em casa quem quer”, afirma.
 
Menos otimista, a mulher dele, Marieta Oliveira, 74, se lembra de situações de discriminação. “Tem muita gente educada, mas ouvi uns reclamando que velho não paga passagem. No transporte, nem todo motorista é educado e, nas ruas, as calçadas são ruins, você tropeça se não estiver atento”, reclama (leia Personagens da notícia).
 
 
Personagens da notícia

 (Ed Alves/CB/D.A Press)  
O passado com carinho
 
Quem vê os olhares cúmplices e os sorrisos abertos de Eloy e Marieta não imagina a força da dupla. Há 43 anos, eles se casaram e foram morar em Taguatinga, na mesma casa até hoje. Ao longo de quatro décadas juntos, tiveram três filhos, mas, diferentemente do que se espera, os dois rapazes e a moça se foram antes dos pais. De olhos marejados, eles evitam falar das perdas que os fizeram viver sozinhos. “A nossa força vem da união e de entendermos a vida”, afirma Eloy.
 
Marieta conta que, todos os dias, se lembra dos filhos assim que acorda. “Guardo o passado com carinho, tento focar apenas as coisas boas, mas há dias em que as partes mais difíceis ficam na cabeça. Quando isso acontece, preciso sair de casa”, relata. Conversar com os vizinhos, fazer atividades físicas e passear ajudam-na a colocar leveza no pensamento. “Não é que eu seja forte demais, mas procuro dar um jeito”, avalia.
 
 
 
Memória
 
Maus-tratos e abandono
 
Agosto
» Um homem de 38 anos diagnosticado com esquizofrenia e transtornos de ansiedade desde a adolescência matou a mãe, de 68 anos. O caso aconteceu em Taguatinga Norte. Segundo a polícia, o filho havia sido internado e fugido diversas vezes do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), unidade psiquiátrica do DF. Após uma das fugas, ele voltou a morar com a mãe. No entanto, teve um surto e agrediu a idosa até a morte dentro de casa. O caso é investigado pela 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro).
 
Junho
» Em 9 de junho, uma mulher de 79 anos e o marido dela, de 87, foram encontrados com sinais de abandono, em um apartamento no Cruzeiro Novo. Eles foram levados ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde ficaram internados na Ala Vermelha, com sintomas de desidratação. Encaminhada à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), a filha do casal foi autuada por deixar de prestar assistência aos pais, assinou um termo circunstanciado e foi liberada.
 
Janeiro
» A dona de casa Diva Maria Maia da Silva, 69, foi assassinada a tiros pelo companheiro, Ranulfo do Carmo Filho, 72. O autor do crime ainda disparou contra um dos filhos do casal, Régis do Carmo Corrêa Maia, 46. Diva Maria e Ranulfo estavam juntos havia 50 anos e moravam na 316 Norte. Antes do crime, pai e filho discutiram, Ranulfo foi ao quarto e voltou com um revólver. Ele fugiu depois de atirar contra Diva e Régis. Policiais prenderam o assassino, que confessou o crime.
 
 
 
Três perguntas para
 
Renato Veras, médico, doutor em epidemiologia do envelhecimento, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e editor da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia
 
O Brasil está preparado para envelhecer?
O país perdeu muito tempo nesse processo de envelhecimento, que estava sendo projetado por demógrafos. A gente não conseguiu encarar. A população brasileira, em geral, sempre acreditou que era um país da garotada, do futuro. A questão do envelhecimento nunca se encaixou muito bem na sociedade brasileira. Ela não se organizou em todos os aspectos: saúde, urbanismo, organização das cidades para ter mais idosos, na questão de políticas sociais de amparo aos idosos. Agora, estamos em uma certa crise. Sabemos que, na população envelhecida, há mais doenças crônicas, uso de hospitais, tempo de permanência em serviços de saúde, mais custos.
 
Como lidar com o envelhecimento próprio e dos demais?
Antes, as famílias eram grandes — com seis, sete filhos —, não moravam em grandes centros, mas em cidades rurais. Era mais fácil fazer um arranjo de apoio social. Hoje, você não tem mais a parcela da população que cuida dos filhos e dos avós. Os idosos estão cada vez mais sós. E eles começam a ter dificuldades com o passar dos anos, começam a se sentir mais frágeis, têm medo de cair, começam a ficar mais em casa, mais isolados, surge a depressão, a família mora longe… Você acaba construindo uma sociedade em que o idoso é totalmente excluído. Há, ainda, um pensamento comum de que, a partir de determinado momento, você não precisará de apoio médico. O Brasil, como alguns outros países que cresceram de forma rápida, não ficou rico o suficiente para amparar seus idosos. É uma situação muito grave. Ter um modelo como o inglês, com um médico clínico que avalia e direciona para especialistas apenas quando necessário e promove cuidados diuturnos com pessoa, é a melhor forma, além da mais adequada, o que a torna mais barata.
 
Quais são os principais desafios para uma nação que fica mais velha?
Precisamos ter políticas de amparo a essa população. Na questão da previdência (social), é preciso repensar como deixaremos uma massa muito importante de idosos sem proteção. Isso é coisa para os políticos pensarem. Como cuidar de parentes queridos que viverão mais 10 ou 15 anos sem apoio do Estado? O nosso modelo assistencial é ineficiente e muito caro. O privado é assim. E esse modelo hospitalocêntrico gera insatisfação da sociedade por ter um preço muito alto. O privado precisa mudar isso. O público é subfinanciado e não tem dinheiro para abarcar a população idosa. Essas lógicas têm de ser diferentes. Minha proposta é de atuar precocemente. Fora isso, as cidades precisam de espaços harmônicos, os quais idosos possam frequentar.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Saturday, 24 de August de 2019


Correio Braziliense Friday, 23 de August de 2019

É DIA DE FEIRA: CHEGA MAIS, FREGUÊS!

 

É dia de feira!
 
O Dia do Feirante é celebrado no próximo domingo, conheça histórias desses trabalhadores que se dedicam a levar bons alimentos para a mesa do brasiliense

 

» BRUNA LIMA

Publicação: 23/08/2019 04:00

Além dos produtos fresquinhos, Helen não abre mão do atendimento (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Além dos produtos fresquinhos, Helen não abre mão do atendimento

 



A banquinha de Claudimar oferece serviço de delivery (Ed Alves/CB/D.A Press)  

A banquinha de Claudimar oferece serviço de delivery

 

 
Acordar cedo, antes mesmo de qualquer raio de sol. Quando o galo inicia os primeiros cantos do amanhecer, a barraca já está montada, abastecida com frutas, verduras e alimentos dos mais variados tipos. A camisa suada e o corpo quente, enquanto boa parte dos trabalhadores ainda se esforça para levantar das camas. Com tudo pronto, é hora de ver o dia amanhecer e receber os clientes com disposição e sorriso no rosto. Para quem trabalha como feirante, o ritual é mais que uma rotina. É um estilo de vida.
 
Em 25 de agosto é comemorado o Dia Nacional do Feirante. Mas para Daniel Assis, 40 anos, não tem dia do ano que não seja dele. Às 3h30 sai de casa, em Alexânia (GO), com o caminhão carregado de hortaliças, que ele e a família plantam, cultivam, colhem e vendem, como forma de sustento. Antes de chegar ao destino final, na 307/308 Sul, faz uma parada para trocar produtos com outros feirantes.
 
“A gente não consegue produzir tudo, então, a gente oferece os nossos em troca de outros para que o cliente consiga encontrar tudo o que precisa na nossa barraquinha”, explica Daniel. Há sete anos no mesmo ponto, ele diz ter feito mais que clientela. “Esse cantinho é minha segunda casa e essas pessoas já são da família. Por isso, eu cuido dos meus clientes, oferecendo alimentos de qualidade. Eu vendo saúde e isso é muito gratificante”.
 
Moradora da quadra, a dona de casa Helen Vale, 43, é cliente assídua e gosta de aproveitar o tempo das compras para ter uma boa conversa. “É tudo muito gostoso, fresquinho e dá muito mais vontade de cozinhar. Mas o que eu não abro mão é do atendimento. Os meninos cuidam da gente até quando estamos doentes. Dizem qual alimento é bom para o que, ensinam receitinhas. É um contato que, nos tempos de hoje, a gente acaba perdendo. Aqui não”, brinca.
 
Os laços e as raízes que criou no ponto de vendas não é motivo para se manter estagnado. É o que afirma o feirante Claudimar Mendonça, 41 anos, sócio e cunhado de Daniel. “Hoje, a gente percorre Brasília com nosso serviço de delivery. É necessário observar as novas demandas para garantir atendimento. Até porque vivemos e respiramos isso, então não dá para acomodar”.

A feirante Luzinei perdeu tudo durante um incêndio na feira onde tinha um box, mas deu a volta por cima (Ed Alves/CB/D.A Press)  

A feirante Luzinei perdeu tudo durante um incêndio na feira onde tinha um box, mas deu a volta por cima

 



Há sete anos na 307/308 Sul, Daniel fez do ponto sua segunda casa (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Há sete anos na 307/308 Sul, Daniel fez do ponto sua segunda casa

 

 
Rede parceira
 
Ficar estagnada também nunca foi opção para a feirante Luzinei Moraes, 45. Há 20 anos ela trabalha no ramo e, mesmo depois de ver a própria banquinha e de outros 23 colegas serem consumidas pelo fogo e perder tudo, não desistiu. “Parecia um pesadelo, mas foi real. Com dois filhos para criar, foi um momento muito difícil. Eu me reergui pela minha família, fazendo o que eu gosto”.
 
Em quatro dias da semana, Luzinei se instala em diferentes pontos da Asa Norte e do Colorado para vender hortifrutigranjeiros orgânicos de diferentes produtores do Distrito Federal e Entorno. Antes das 6h, um caminhão carregado chega até a tenda e, com a ajuda de outros colaboradores, organiza os produtos sobre as prateleiras móveis. “Tenho prazer em atender as pessoas, ao ar livre, sem estar presa em um local fechado. Vendendo alimentos fresquinhos, eu consigo frescor à minha vida”, diz.
 
Assim como Daniel, Claudimar e Luzinei, outras 30 mil pessoas exercem a profissão em uma das mais de 70 feiras livres e permanentes no DF, segundo dados do Sindicato dos Feirantes do DF (Sindifeira). “É um segmento unido, em que vários produtores trabalham de forma cooperativa para conseguir melhorar as vendas”, afirma o presidente do Sindifeira, Francisco Valdenir Elias.
 
São aproximadamente 100 mil pessoas que dependem, direta ou indiretamente, da renda das vendas nas feiras para garantir o próprio sustento e o da família. “Não é só o consumidor que ganha. Ele valoriza essa produção local e faz girar a economia, garantindo a subsistência de tantas pessoas que se dedicam a oferecer alimentos fresquinhos e de qualidade”, argumenta Francisco.

Incêndio
 
Em 2 de outubro de 2012, um incêndio consumiu completamente um galpão de palhoça onde eram vendidos produtos orgânicos, próximo ao Posto Flamingo, na subida do Colorado. O galpão, que abrigava o Empório Rural do Flamingo, tinha aproximadamente 400m² e contava com 24 boxes. A feira estava fechada no momento do incêndio, mas várias geladeiras, fogões e peças de artesanato foram destruídos pelo fogo.

 
30mil
Número de feirantes no DF
 
70
Feiras livres e permanentes atendem ao público
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Thursday, 22 de August de 2019

ALCEU VALENÇA: ALCEU É MUITO

 

ENTREVISTA / ALCEU VALENÇA
 
 
Alceu é muito!
 
O multiartista se apresenta hoje no festival Na Praia. O show será Estação da luz, com sucessos e canções em homenagem à capital

 

Nicole Mattiello*

Publicação: 22/08/2019 04:00

O cantor ganhou uma HQ que conta a história do seu disco Vivo (Celso Hartkopf/Divulgação)  

O cantor ganhou uma HQ que conta a história do seu disco Vivo

 

 
Um eterno menino que não gosta de descansar nem sonha em se aposentar. “Me faz um favor? troca o senhor por ‘você’?”, pediu Alceu Valença, e quebrou o gelo das formalidades logo no início da entrevista ao Correio. O cantor se apresenta hoje no festival Na Praia com o show Estação da luz, em que toca sucessos da carreira e músicas que homenageiam a capital.
 
Alceu trilha os caminhos da arte há mais de 40 anos. Cantor, compositor, escritor, ator, cineasta, fez um pouco de tudo: tem 31 discos, um livro e um filme, “fui até galã de filme, menina!”, conta sobre o longa pernambucano de 1974, A noite do espantalho, de Sérgio Ricardo. Referência na cultura brasileira, recentemente ganhou uma HQ, feita por André Valença e Celso Hartkopf, que conta a história do disco Vivo.
 
Anunciação, Cavalo de pau, La belle de jour, Tropicana… com sucessos que estão na ponta da língua de muitos fãs da sua música, Alceu Valença tem carreira extensa e cheia de “causos”. O artista contou um pouco mais sobre sua história na música.
 
Alceu Valença diz ter amor por cantar e fazer show, e não pensa em se aposentar (Antonio Melcop/Divulgação)  

Alceu Valença diz ter amor por cantar e fazer show, e não pensa em se aposentar

 

 
Sempre sonhou em ser cantor?
Nunca sonhei essas coisas não. Quando era garoto, com uns 5 anos de idade, participei de um festival na minha terra, e o prêmio era uma caixa de sabonete. Depois eu vim aprender a tocar violão com uns 15, 16 anos de idade, e aí pronto. Quando estudei em Harvard, era uma época de muitos hippies, e eu tocava numa pracinha por lá, eles adoravam, e eu também me amarrava. Depois disso minha carreira começou mesmo, com convites para shows, para cantar e mostrar meu som.
 
 
Você inspira muitos artistas, isso não é segredo. Mas quem te inspirou no início da carreira? 
Na minha casa o meu pai não queria que eu fosse artista, porque ele achava muito difícil sobreviver desse negócio de arte, então não existia som na minha casa, só um rádio. As minhas referências primeiro foram os cantos do sabiá, a música que tinha nos pés de capim quando o vento soprava, as vozes dos locutores na rádio, as músicas que tocavam na época, sem que eu escolhesse. Uma mistura doida que funcionou.
 
 
Qual é a sua obra mais importante? 
Todas. Obra é como filho, você já viu pai gostar mais de algum filho do que outro? Claro que tem uma música ou outra que nunca foi ao ar, que fica guardada no baú. Aí vira uma relação distante, como um filho que vai morar fora, que a gente passa muito tempo sem ver e sem conversar. Mas todas são importantes.
 
 
Quais mudanças percebe no ramo da música comparando quando começou com agora?
A internet, com certeza. A internet favoreceu muita gente (artistas) que já estava estabelecida, ao mesmo tempo que ocultou outros. A minha carreira foi muito favorecida, tenho uns 60 milhões de visualizações nas plataformas. Mas sabe, tem o lado ruim. Estamos vivendo em um mundo dominado por uma cultura de algoritmos que nos apresentam um menu daquilo que a gente deve comer. Eu prefiro a comida da Dedé (cozinheira que trabalha em sua casa), não escolho em menu.
 
 
Como fica o descanso? O que o você faz para descansar? 
Eu odeio descansar. Agora, há um cansaço muito grande que é das viagens, mas quando eu chego ao Rio de Janeiro eu fico com vontade de cair na rua. A senhora estrada é minha vida. Não tiro férias, penso em fazer show o tempo todo. Mas, às vezes, passo um tempo em Portugal, caminho pelas ruas de Lisboa, adoro andar nas ladeiras e colinas… Esse é o meu descanso.
 
 
E como é a relação com o público de Brasília?
É maravilhosa. Faço show aqui desde o início da minha carreira, e adoro o clima como um todo. O clima da cidade, do público… Fiz até música em homenagem. Não é brincadeira, não.
 
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira
 
 
 
Show Estação da Luz, de Alceu Valença
Hoje, a partir das 18h no Na Praia (Concha Acústica, Orla do Lago Paranoá). Ingressos: R$ 161 (inteira) e R$ 81 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 16 anos.
 
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Correio Braziliense Wednesday, 21 de August de 2019

SEQUESTRO NA PONTE RIO-NITERÓI

 


VIOLÊNCIA
 
 
Sniper do Bope mata sequestrador de ônibus
 
Motivos da ação ainda não foram esclarecidos. Rapaz que manteve 37 passageiros presos no meio da Ponte Rio-Niterói, por quatro horas, estava com uma arma falsa, uma faca e gasolina. Governador de estado comemorou ação da polícia

 

» Cristiane Noberto*

Publicação: 21/08/2019 04:00

William Augusto Silva foi atingido, na perna, quando saiu do veículo. Depois, recebeu mais seis tiros (Ricardo Cassiano/Agência O Dia/AFP)  

William Augusto Silva foi atingido, na perna, quando saiu do veículo. Depois, recebeu mais seis tiros

 



O sequestro de um ônibus com 37 pessoas na Ponte Rio-Niterói terminou, ontem com o sequestrador morto por um sniper do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do estado. Nenhum passageiro ficou ferido.

A ação começou de madrugada, em um ônibus da Viação Galo Branco, que partiu de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, em direção ao centro da capital fluminense. Por volta das 5h, Willian Augusto da Silva, 20 anos, tomou o ônibus e obrigou o motorista a enviesar o veículo nas pistas da ponte. A operação policial começou por volta das 5h40 e a agonia teve fim às 9h, quando Willian foi atingido com seis tiros pelo atirador de elite do Bope, no momento em que desceu do ônibus e jogou um casaco para os policiais. A direção do Hospital Municipal Souza Aguiar confirmou a morte dele às 9h33, por parada cardiorrespiratória.

Foram quatro horas de terror, segundo os passageiros. Com uma arma, uma faca e gasolina, o sequestrador, apesar de afirmar que não queria ferir ninguém nem o dinheiro deles, distribuiu o combustível em garrafas Pet pelo ônibus. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) conduziu a operação. Segundo informações da corporação, a arma que o rapaz portava era falsa.

Hans Moreno, um dos reféns no ônibus, declarou a jornalistas que estava aliviado por ter saído daquela situação. “O sequestrador parecia bem arquitetado, tinha todos os objetos bem-feitos, chegou com as coisas armadas, mas afirmava que não queria nada das vítimas, queria R$ 30 mil do estado”, disse.

Comemoração

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), comemorou a ação policial ao descer de um helicóptero na ponte, após a ação policial, o que causou um certo mal-estar nos presentes. Durante a coletiva de imprensa, explicou que sua comemoração foi pela ação bem-sucedida da polícia em salvar 37 vidas, e não pela morte de alguém.

Witzel não mediu elogios à equipe e destacou que a ação só foi possível porque a polícia não teve nenhuma interferência. “Lamento a morte ocorrida e fico feliz com as 37 vidas salvas. Temos muito trabalho para combater a violência e proteger a população. Estamos no caminho certo”, escreveu no Twitter. O governador afirmou que, se preciso, entrará com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que tenha entendimento jurisdicional a questão de abater pessoas com fuzil na mão, mesmo que não estejam utilizando.

Na avaliação do ex-secretário Nacional de Segurança, coronel José Vicente da Silva, os policiais agiram corretamente. Segundo ele, o contexto gerenciado pelo comandante do Bope não pode ser feito por um amador, o negociador tem a função de fazer o indivíduo desistir da ação. “Quando o sequestrador pôs o corpo para fora do veículo, ele não poderia voltar mais, pois se a polícia permitisse isso, voltaria todo o drama. A polícia tinha que fazer tudo o que podia ser feito, e, como o policial não podia pular em cima dele, por conta da distância, o tiro era a melhor opção”, disse.

O coronel explicou que a ação do sniper deve anular o potencial agressivo do indivíduo. Isso significa imobilizar de alguma forma para retirar o potencial de perigo. Em última opção, o tiro na cabeça. “Essa decisão não é do sniper, a decisão dele é somente o ponto e quando. Quem dá o aval é o comandante da operação, que no caso era o coronel Nunes”, afirmou.

Em casos de assaltos, onde o assaltante pode pegar um refém para conseguir fugir, a polícia pode tentar negociar e quase sempre a negociação é bem-sucedida. “Casos como esses (do sequestro na ponte) são perigosíssimos para os reféns e para os policiais. É uma pessoa perigosa, que pode matar inocentes. Os policiais devem ter isso em mente”, disse.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira


  • Chacina de Unaí: condenado fica solto

    O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a prisão de Hugo Alves Pimenta, condenado em 2ª instância de Justiça por participação no caso conhecido como a chacina de Unaí. Em 2004, quatro servidores do Ministério do Trabalho foram assassinados, no Entorno do Distrito Federal, durante a fiscalização sobre trabalho escravo. A decisão, tomada na semana passada, foi divulgada ontem. Hugo foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão pela acusação de ser um dos intermediários dos assassinatos, encomendados por um fazendeiro. O ministro entendeu que o réu deve responder em liberdade até que a Primeira Turma da Corte analise o mérito do caso.

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Correio Braziliense Tuesday, 20 de August de 2019

5ª JORNADA LITERÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

 

Em busca do novo leitor
 
Quinta edição da Jornada Literária do Distrito Federal tem início hoje, em Sobradinho

 

Rayssa Brito*

Publicação: 20/08/2019 04:00

Boa leitura: alunos do segundo ano do Centro de Ensino Médio 01 com a professora Leticia Gomes (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Boa leitura: alunos do segundo ano do Centro de Ensino Médio 01 com a professora Leticia Gomes

 



“Eu fico muito emocionada; sempre fui aluna de escola pública e foi na escola pública que me interessei pela literatura, participando de projetos literários como um ratinho de biblioteca, porque minha família não tinha condições de comprar livros”. O depoimento é da atriz e escritora Cristiane Sobral, 44 anos. Ela está entre os 31 escritores confirmados na Jornada Literária do Distrito Federal que, neste ano, começa por Sobradinho.

A expectativa dos organizadores é de que 30 mil jovens e crianças vivenciem o projeto, que leva a leitura à rede pública. “É uma maneira de retribuir e também plantar em outros estudantes aquilo que também foi plantado em mim tempos atrás, isso me emociona”, destaca Cristiane.

Além de Sobradinho, o projeto passará por Ceilândia, de 9 a 13 de setembro, por São Sebastião, de 25 a 27 de setembro, e se encerra no Gama, de 28 a 31 de outubro. O curador e escritor João Bonfim ressalta que a principal meta da Jornada Literária é fazer os participantes descobrirem o gosto pela leitura literária.

O programa é resultado de duas décadas de experiências de João e da produtora cultural Marilda Bezerra em eventos nacionais e internacionais: bienais, festas literárias, feiras do livro. Dos estudos, participações, ações e apresentações, surgiu a ideia de relacionar leitor, livro e autor.

João entende que, além do encantamento das histórias, poemas e imagens em si, é fundamental o contato do novo leitor com o criador das obras. Isso porque, distintamente dos esportes ou cinema ou das novelas, o escritor é tido como alguém que já não está entre nós, a exemplo do escritor Machado de Assis, tão presente nos livros escolares. “Assim, quando trazemos esse autor ou autora para perto das crianças, há uma admiração: ‘Então você existe!?’ E há um desejo enorme deles em conhecer todo o processo de produção, de criação e edição de um livro”, detalha João.

Para Marilda Bezerra, a ideia da Jornada Literária surgiu quando ela e João perceberam que os estudantes das escolas públicas das regiões administrativas mais afastadas do Plano Piloto tinham pouco acesso à literatura e aos livros. “Vimos as pesquisas e constatamos que os índices de leitores ou livros lidos por ano eram muito baixos... Assim, tivemos a ideia de levar livros para esses alunos. Mas sabemos que, para formar um leitor, não basta só o livro. É preciso que se tenha um mediador de leitura”, avalia. “A Jornada, então, começa com a formação dos mediadores de leitura: disponibilizamos livros para serem lidos e trabalhados pelos alunos e depois levamos esses alunos para se encontrarem com os autores desses livros”, relata a produtora cultural.

Experiências
O Centro de Ensino Médio 01 de Sobradinho (CEM 01) participou da Jornada Literária em 2018 e este ano também vai receber o projeto. “Os alunos gostaram muito, mergulharam em um universo desconhecido, diferente da sala de aula”, relata o diretor da escola, Rafael Urzedo. De acordo com o diretor, a experiência foi tão positiva que neste ano houve acréscimo de 40% no número de professores que aderiram ao projeto.

Os estudantes Amanda Meira e Murilo Campos compartilham da opinião de Rafael. Amanda conta que a experiência foi diferente, pois saíram do quadrado de sala. “A literatura é um novo jeito de ver o mundo”, afirma. Por sua vez, Murilo relata que a escola recebeu grande suporte da Jornada. “Com esse projeto, podemos perceber que pessoas comuns conseguem chegar a um alto patamar da sociedade”, complementa.

“Eu vejo o despertar da leitura”, afirma a professora de português Ana Teresa Fernandes, que participou da Jornada do ano passado. A docente relata que o contato dos leitores com os escritores é um diferencial da Jornada. “Acho riquíssimo o contato com o autor que está vivinho, que mora do seu lado e está em Brasília”. Ana também conta que a escola optou este ano estudar o livro de contos do escritor Ignácio de Loyola Brandão, Cadeiras proibidas, devido à interação que a leitura do gênero proporciona na sala de aula.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira




Serviço

Jornada Literária do DF

» Teatro de Sobradinho, de hoje a 23 de agosto, das 9h às 18h. Entrada franca e classificação livre.




30 mil
Número de alunos que participam do projeto

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Correio Braziliense Monday, 19 de August de 2019

PLANALTINA: FESTA PARA A ANCIÃ DO QUADRADINHO

 

Festa para a anciã do quadradinho
 
Com desenvolvimento em torno da tradição religiosa e da atividade agropecuária, Planaltina nasceu e, hoje, comemora 160 anos. No entanto, o surgimento das primeiras comunidades na região data de 1811, com a inauguração de uma igreja em homenagem a São Sebastião

 

JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 19/08/2019 04:00

 (Fotos: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press
)  
Ainda que seja a região administrativa de número seis, Planaltina é a cidade mais antiga do Distrito Federal. Enquanto a área da capital federal sequer havia sido delimitada, a então vila, conhecida como Mestre d’Armas, desenvolveu-se em torno da fé e da agropecuária. Esse centro urbano, dividido entre o DF e Goiás, cresceu e completa 160 anos hoje. A data, no entanto, representa o dia em que o vilarejo foi transformado em distrito de paz. O povoado, que cresceu em torno da Igreja de São Sebastião e guarda reflexos do século 19 a 40 quilômetros da modernidade brasiliense, tem, na verdade, 208 anos.
 
A região nasceu após um período em que tropas de bandeirantes percorriam o interior do país em busca de pedras preciosas. Essas expedições ocorreram, principalmente, durante a primeira metade do século 18. A busca por ouro e esmeraldas guiava esses grupos e marcou o início da história goiana até meados do século 20. A atividade mineradora favoreceu a ocupação de cidades como Formosa e Luziânia, então Santa Luzia. Contudo, a pecuária e a agricultura favoreceram a fixação desses grupos na região.
 
Com a decadência da economia no século 19 e o fim da febre do ouro na Província de Goiás, as transações comerciais se enfraquecem, a circulação monetária diminui, mas a agricultura de subsistência e a pecuária ganham força. Aliada a isso, Planaltina surge em meio a uma “febre de fé”. “Tratava-se de uma comunidade espalhada, que trabalhava na fazenda e tinha autonomia. Não havia grandes comércios. A vila de Mestre d’Armas surge daí. Mas esse grupo de fazendeiros teve um problema com uma doença. Como fazem para superá-la? Prontificam-se a criar uma pequena capela caso se curem”, explica o historiador do Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) Elias Manoel da Silva.
 
Em 20 de janeiro de 1811 — após o fim da epidemia e durante uma missa de ação de graças —, a comunidade entrega as terras para construção da igreja ao vigário de Santa Luzia, como forma de pagar a promessa. A capela é erguida em homenagem a São Sebastião. A ocasião configura, historicamente, a data oficial do nascimento do Arraial de São Sebastião de Mestre d’Armas, atual Planaltina. Com a criação do patrimônio ao santo — distrito urbano que surge ao redor de um território doado para uma igreja —, cresce o aglomerado de comércios e pequenas cidades em terrenos alugados pela capela.
 
Uma lei de 19 de agosto de 1859 transforma a vila de Mestre d’Armas em distrito de paz. Cem anos depois, pouco menos de um ano para a inauguração de Brasília, há uma festa em comemoração ao centenário da cidade. Para Elias Manoel, confundir as datas trata-se de um equívoco. “É um erro histórico compreensível. Quando se construiu Brasília, a referência era essa (lei). Em 1959, houve uma festa para celebrar os 100 anos do distrito de paz. Mas, para o surgimento do núcleo urbano (da atual Planaltina), consideramos 1811, com a doação de terras por fazendeiros locais para a construção da igreja”, completa o pesquisador.
 
 

"Tenho atuado com o objetivo de dar mais visibilidade para a cultura daqui, porque é muito rica. É a cidade do meu coração, que me acolheu" Rozeli Costa, 55, artesã

 

Futura capital
 
A Constituição Federal de 1891 — primeira da República — previa a reserva de uma área de 14,4 mil quilômetros quadrados no Planalto Central onde, futuramente, ficaria a capital do país. Em 1982, a Comissão Exploradora do Planalto Central, conhecida como Missão Cruls e liderada pelo astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls, esteve no Planalto Central para delimitar os vértices que, hoje, marcam o DF.
 
A pedra fundamental que indica essa região foi instalada em 1922, em Planaltina. A cidade, no entanto, existia há mais de seis décadas. A partir da construção de Brasília, em 1956, o estilo de vida da cidade ganhou novos contornos. Mesmo com os traços deixados por Oscar Niemeyer e Lucio Costa perto dali, a arquitetura de Planaltina, marcada por casarões de adobe e o ar de cidade pacata, manteve-se durante muitos anos.
 
Nascido em Goiânia, o arquiteto Salviano Guimarães, 76 anos, cresceu na casa do avô, Salviano Monteiro Guimarães, cuja casa tornou-se o museu da cidade e cujo nome batiza a praça do Centro Histórico. Depois de passar anos estudando no Rio de Janeiro — e em outros países, como a Argélia, onde foi pupilo de Oscar Niemeyer — em 1975, ele voltou para a capital federal. Tornou-se professor da Universidade de Brasília (UnB), mudou-se para Planaltina e, hoje, além de ser proprietário de uma fazenda na cidade, é dono de uma casa vizinha ao museu, onde, por coincidência, cresceu a mulher dele, a professora universitária aposentada Maria Alice Guimarães, 74.
 
O casarão de adobe comprado pelo casal foi restaurado, mas mantém as características originais. Do mesmo modo que a história de Planaltina se entrelaça com a de Brasília, a de Salviano Guimarães se mistura a das duas cidades. “Tenho uma relação de amor com Planaltina. É a terra de meus pais, de meus avós. É onde me sinto bem. E é uma cidade que tem vida cultural”, ressalta.
 
Os empresários Manoel Davi Ramos Filho, 74, e a mulher dele, Maria Oneida Marques, 66, deixaram o município de Monte Carmelo (MG) para adotar a região administrativa como lar. Há cerca de 50 anos, eles se mudaram para a cidade na tentativa de ganhar a vida.  A escolha foi fácil. Manoel tem parentes em Planaltina, onde acabaram ficando. Hoje, donos de uma loja de itens variados aberta há 30 anos, na Avenida Marechal Deodoro, eles falam sobre a abertura de Planaltina para o comércio. “Minas Gerais é boa para morar, mas não para ganhar dinheiro. Foi difícil no início. Como éramos de fora, ninguém confiava. A gente tem de ser artista”, relata Manoel Davi.
 
Com dois filhos e três netos, eles reconhecem a importância da cidade, mas lamentam a falta de atenção por parte do governo para a solução de problemas. “Não penso em me mudar daqui. Mas ainda falta os governantes fazerem mais. Aqui é uma cidade histórica. Tenho esperança de que eles façam melhoras por aqui e e olhem mais para o povo, para que Planaltina possa evoluir”, cobra Maria Oneida.
 
 

"Tenho uma relação de amor com Planaltina. É a terra de meus pais, de meus avós. É onde me sinto bem. E é uma cidade que tem vida cultural" Salviano Guimarães, 76 anos, arquiteto, aluno de Oscar Niemeyer

 

Cultura
 
Até hoje, o setor agropecuário movimenta a economia de Planaltina. A cidade ficou em primeiro lugar entre as regiões administrativas do DF como a que mais produziu feijão, soja, pimentão, laranja, limão, maracujá, banana, leite, carne de frango, ovos e mel, em 2018, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). Mesmo assim, é o lado religioso que torna a cidade um atrativo para milhões de fiéis todos os anos, especialmente durante as folias e a famosa encenação da Via-Sacra, no Morro da Capelinha.
 
A particularidade de pulsar cultura não deixou as veias da cidade, onde centenas de atores, artesãos, pintores e outros artistas surgiram. Próximo à praça do Centro Histórico, onde a vida passa sem pressa, mora a artista Rozeli Costa, 55. De família católica e com o dom da arte — como ela mesma diz — a artesã conseguiu transformar o ofício da costura, exercido pela mãe, em um trabalho reconhecido, principalmente, durante a Festa do Divino Espírito Santo, celebrada em junho.
 
Desde 2006, Rozeli se dedica à produção de bandeiras para o evento anual ou para encomendas. Cinco anos depois, a artista expandiu a forma de trabalhar e passou a produzir estandartes. Ela diz que a paixão pela cidade para onde mudou-se aos 15 anos torna-se cada vez mais forte. “Comecei a trabalhar com as bandeiras por influência do passado, da infância. Tenho atuado com o objetivo de dar mais visibilidade para a cultura daqui, porque é muito rica”, ressalta Rozeli. “O que eu puder fazer em nome de Planaltina, eu faço. A cidade tem um espírito de confraternização. É a cidade do meu coração, que me acolheu”, completa.
 
Sócia-fundadora da Associação dos Amigos do Centro Histórico de Planaltina (AACHP), Simone dos Santos Macedo explica que a força da cultura regional tem capacidade de transformar a imagem da cidade. Ela acrescenta que atrativos tradicionais se mantêm em alta, ao mesmo tempo em que novas atividades ganham destaque. “Temos feito um trabalho com o viés de tirar Planaltina da imagem de cidade da periferia norte (do DF) e violenta. Fora a parte mais antiga, temos movimentos mais modernos. Há o Salão Mestre d’Armas, de artes contemporâneas; uma galera do rap e do grafite. Todos esses movimentos têm vindo com bastante força”, destaca.
 
Além disso, Simone menciona a resistência do Centro Histórico da cidade, a preservação ambiental na Estação de Águas Emendadas e o sincretismo religioso do Vale do Amanhecer. Ela cita  a perda de casarões, mas comenta que a “goianidade” não se perdeu. “O primeiro tesouro que a cidade guarda é o Centro Histórico, que insiste em se manter de pé. Ainda é possível chegar à praça dele e sentir que você está em uma cidade do interior, diferentemente de uma de concreto, certinha, como Brasília. As pessoas ainda se encontram na praça. E esse patrimônio cultural também é símbolo da história de Brasília”, finaliza Simone.
 
PROGRAME-SE
 
Hoje
Sessão solene em comemoração ao aniversário de Planaltina
Local: Centro Educacional 
Delta
Horário: 19h
 
23 de agosto
Samuzinho
Local: Praça do Estudante
Horário: das 8h às 13h
 
23 a 25 de agosto
Cruzada Evangelística
Local: Estacionamento Funções
 
24 de agosto
Copa Planaltina de Fisiculturismo
Local: Complexo Cultural
Horário: 16h
 
25 de agosto
1º Encontro de 2 e 4 Rodas
Local: Restaurante Comunitário
Horário: das 9h às 18h
 
27 e 28 de agosto
Festival de Curta-Metragem
Local: Centro Cultural Delta
 
31 de agosto
Encontro de Família
Local: Praça da Estância - 
Escola Classe 16 e CEI
Horário: das 8h às 12h
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Sunday, 18 de August de 2019

A CIDADE PERDIDA

 

A cidade perdida
 
Fotógrafos têm explorado uma propriedade particular, em Pirenópolis, que conserva um conjunto de formações rochosas que lembram pirâmides, templos, estátuas, palácios, entre outras construções

 

» Renato Alves

Publicação: 18/08/2019 04:00

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nada de cachoeiras ou casario em estilo colonial. Turistas de toda parte do Brasil têm adentrado uma propriedade particular em Pirenópolis para explorar e admirar formações rochosas. Batizado como Cidade Perdida dos Pirineus e mais conhecido como Cidade de Pedra, é o maior sítio do gênero no Brasil.
 
O complexo ocupa cerca de 500 hectares, o equivalente a aproximadamente 850 campos de futebol, duas vezes maior do que o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí. Em arenito, as formações são do mesmo material da reserva piauiense. O terreno goiano tem 880 milhões, de acordo com pesquisadores.
 
O Correio acompanhou um grupo de oito fotógrafos profissionais e  amadores em uma incursão pela isolada Cidade de Pedra num fim de semana de lua nova. Como acampariam na propriedade no intuito de fazer fotos noturnas de um céu estrelado, dispensavam todo tipo de luz.
 
Sem estrutura para receber turistas, a Cidade de Pedra só deve ser visitada na companhia de um guia experiente. As trilhas em meio às rochas altas formam um labirinto. Não há córregos nem qualquer outra fonte de água. Tampouco sombra, pois predomina a vegetação rasteira.
 
Por tudo isso, é necessário levar bastante água para beber, alimentos e estar vestido adequadamente. Itens que elevam o peso a carregar e o cansaço na caminhada. O passeio pode durar de quatro a sete horas, a depender do ponto de partida e daquele que se pretende atingir.
 
Há acessos por Pirenópolis e Cocalzinho. Para quem mora em Brasília, a segunda opção é melhor. O dono do terreno não proíbe a entrada de ninguém, mas o visitante, além de estar com um guia, precisa seguir algumas regras, como não fazer fogo, não deixar lixo nem tirar nada, além de fotos.
 
Além de disposição, um certo preparo físico e cuidados, quem visita a Cidade de Pedra precisa de sensibilidade. As formações rochosas lembram diversas figuras e construções, como templos, ruas, praças, estátuas e palácios. Vale destacar duas pirâmides paralelas, sendo uma com cerca de 150 metros de altura.
 
A goianiense Eliane de Castro, 57 anos, estava no grupo integrado pelo Correio. Fotógrafa documentarista, ela ficou impressionada com a imensidão da reserva. “É um lugar que merece muitas visitas, para você assimilar, entender o tamanho e explorar o que tem de melhor”, destacou ela.
 
Autora de um livro sobre Goiás Velho, a primeira capital do estado, lançado ontem, ele pretende realizar outras visitas à Cidade de Pedra para confeccionar um livro sobre o lugar.
 
» Para saber mais
 
Primeiro registro é de 1871
 
Atrativo novo para muitos, a Cidade de Pedra foi descrita em 1871 pelo padre e médico naturalista François Henry Trigant des Genettes, que morou em Pirenópolis. Ele a chamou de Cidade Perdida dos Pirineus. “Trata-se de uma área cobrindo uma grande extensão de terreno, com muralhas para fortificações, largas ruas e praças, ruínas bastante erodidas de estátuas, templos gigantescos, teatros, palácios, residências e túmulos”, escreveu ele em carta ao imperador Dom Pedro II.
 
Esquecida durante anos, a formação geológica foi redescoberta pelo historiador goiano Paulo Bertran (1948-2005). Ele resgatou os relatos de François Genettes na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro e, após 21 anos, em 2004, com lupas, em fotografias aéreas da região conseguiu, mesmo sem GPS, localizar a região que o naturalista francês descreveu há mais de 130 anos.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Saturday, 17 de August de 2019

PETER FONDA MORRE, AOS 79 ANOS

 

Peter Fonda, 79, ator e cineasta
 
Eternizado como o motoqueiro que expõe uma América tensionada entre a Guerra do Vietnã e o pacifismo hippie, o irmão de Jane Fonda morre em casa, na Califórnia

 

Publicação: 17/08/2019 04:00

O ator reencarna Easy rider, 40 anos depois: ícone da contracultura (Max Nash/AFP - 5/7/09)  

O ator reencarna Easy rider, 40 anos depois: ícone da contracultura

 


O lendário rebelde sem rumo nem causa de Easy rider (filme de 1969, exibido no Brasil com o título Sem destino), montado em sua moto para cruzar os Estados Unidos de costa a costa, ao lado do amigo intepretado por Dennis Hopper, morreu ontem, aos 79 anos. “É com profundo pesar que compartilhamos a notícia. Peter morreu em paz, na manhã desta sexta-feira, em sua casa, em Los Angeles, cercado pela família”, diz o comunicado da família Fonda. “Enquanto lamentamos a perda desse  homem doce e gracioso, desejamos que todos celebrem seu espírito indomável e seu amor pela vida. Em homenagem a Peter, por favor, façam um brinde à liberdade.”

O motoqueiro de Easy rider, o papel que eternizou Peter Fonda, resume o retrato esboçado no comunicado da família, que tem três gerações inscritas na história de Hollywood. O pai, Henry, construiu uma carreira de sucesso entre as décadas de 1940 e 1970. A irmã, Jane, um dos rostos femininos mais festejados do cinema a partir dos anos 1960, acrescentou à carreira dramática incursões de sucesso como escritora e uma destacada atuação política. A filha Briget seguiu os passos e tornou-se também atriz de sucesso.

A família não mencionou a causa da morte. A revista de celebridades People informou que o ator sofria de câncer no pulmão e teria desenvolvido nos últimos anos uma insuficiência aguda.

Nascido em Nova York, em 1940, Peter Fonda destacou-se desde as primeiras atuações teatrais, na Broadway. No cinema, o primeiro papel principal veio em 1963, na comédia romântica Artimanhas do amor. Com seu maior sucesso, não apenas projetou-se como ator como recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de roteiro adaptado. Marco da contracultura, o filme teve trilha sonora da banda de rock Steppenwolf e valeu uma indicação ao Oscar também para Jack Nicholson, como ator coadjuvante.

Peter voltaria a concorrer ao prêmio, como ator, em 1997, por O ouro de Ulisses — que lher rendeu um Globo de Ouro. Além de Bridget, ele deixa o filho Justin. Tinha dois filmes finalizados: o drama de guerra The last full measure, com lançamento previsto para outubro, e a ficção futurista Skate God, programado para julho de 2020.


“Desejamos que todos celebrem seu espírito indomável e seu amor pela vida. Em homenagem 
a Peter, façam um brinde à liberdade” 

Comunicado da família Fonda
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Friday, 16 de August de 2019

TAGUATINGA: MERCADO SUL É CULTURA

 

Mercado Sul é da cultura
 
Um dos principais polos artísticos do DF, o local será palco do Arraiá do beco, neste sábado. Conheça um pouco da luta e dos artistas que investem na economia criativa da cidade

 

» BRUNA LIMA

Publicação: 16/08/2019 04:00

Mercado Sul: patrimônio cultural taguatinguense, que luta para ser preservado (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Mercado Sul: patrimônio cultural taguatinguense, que luta para ser preservado

 



As coloridas vias do Mercado Sul ganham ainda mais ritmo, cheiros, sabores e vida no próximo sábado. O tradicional Arraiá do Beco chega à 9ª edição trazendo muita música, artesanato, apresentações artísticas e comida boa na QSB 12/13, em Taguatinga Sul. A festa colaborativa, produzida pela comunidade, é expressão cultural, política e de economia solidária do complexo que, ao longo dos anos, trouxe novo significado para as edificações abandonadas do antigo centro comercial de Taguatinga (leia Entenda o caso).
 
O evento conta, desta vez, com um apelo político e de resistência cultural ainda maior. Por meio dele, a comunidade local quer chamar a atenção das autoridades para conseguir a concessão de uso das 14 lojas ocupadas desde 2015. O espaço estava abandonado há quase duas décadas, o que comprometia a segurança e a saúde pública. É o que afirma o mímico e educador Abder Paz, 32 anos, que há 13 anos mora, trabalha e milita no Mercado Sul.
 
“Eram locais lotados de lixo, bichos e com foco de dengue. Abrimos as lojas porque faltava espaço para os artistas se instalarem e produzirem, investindo na economia criativa. Cumpre-se, assim, um propósito social que antes não existia”, justifica.
 
O Coletivo Mercado Sul Vive, articulação que nasceu a partir da ocupação, recentemente moveu uma ação civil pública chamando o Governo do Distrito Federal (GDF) a se responsabilizar pelo projeto. Na segunda-feira (19), uma audiência de conciliação vai discutir a situação. “As autoridades reconhecem a importância do espaço como fomentador da cultura popular brasileira e, por isso, pedimos o apoio formal à causa. Esperamos que o GDF vá para essa audiência com um norte, valorizando esse espaço efervescente, que respira, vive e faz cultura em Taguatinga”, diz Abder.

Abder Paz:  

Abder Paz: "As autoridades reconhecem a importância do espaço como fomentador da cultura"

 


Juraci é vocalista e percussionista da banda Som de Papel, que se apresenta sábado
 (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Juraci é vocalista e percussionista da banda Som de Papel, que se apresenta sábado

 


Virgílio com  André Luis: ateliês de artesanato que geram renda e emprego (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Virgílio com André Luis: ateliês de artesanato que geram renda e emprego

 

 
Festa
 
O Arraiá do Beco ocorre todo ano em agosto e é uma edição especial da Ecofeira, evento mensal que nasce a partir da ideia de comercializar os produtos dos moradores locais da região. Sem apoio financeiro, a comunidade se sustenta com base na economia solidária, desde a produção de artesanatos à cultura, que resgata as raízes brasileiras, com ênfase nas matrizes africanas e nordestinas.
 
É da música que Juraci Moura, 45, tira o sustento dele e da família. Encontrou no Mercado Sul o polo para estudar, produzir e transmitir conhecimento artístico. “Faço meus instrumentos, vendo, toco, dou aula, oficinas e workshop. É meu estilo de vida, meu sustento, diversão. Minha liberdade veio por meio da música”, revela.
 
Juraci é vocalista e percussionista da banda Som de Papel, que se apresenta gratuitamente no sábado, ao lado de outros nove grupos (veja a programação completa). Todos os instrumentos de percussão são de produção dele, e o forro das peças é uma colaboração do trabalho de Virgílio Mota, 68, artesão que produz móveis e utensílios com papelão e sacos de cimento há 13 anos.
 
“Aqui a gente constrói junto, convive, sobrevive, luta um pelo outro. Isso aqui é uma família”, destaca Virgílio.
 
O artesão garante ter prazer no ofício, que divide com outros funcionários, como André Luis Salomão, 44. Na juventude, ele ficou entre a vida e a morte após ser atropelado por um ônibus e precisou encarar anos de reabilitação. Encontrou no Mercado Sul, ao lado de Virgílio, uma forma de reconstruir as próprias perspectivas. “Eu faço o acabamento dos instrumentos. Gosto muito da minha função, das pessoas e de tudo que o Mercado Sul é e faz.”


9º Arraiá do Beco 
Data: amanhã, 17 de agosto
Local: QSB 12/13 – Taguatinga Sul
Horário: das 15h às 23h
 
Atrações
» 15h Praça dos Mamulengos
» 16h Duo Ana Flor
» 17h Coral e Orquestra Experimental Voz Jovem
» 18h Baque Mulher BsB
» 18h Jongo do Cerrado (Palco Paralelo)
» 19h Raíz de Macaúba
» 20h Galeria Instrumental
» 21h Pé de Cerrado
» 22h Som de Papel
» 23h Forró do B.


Entenda o caso

Preocupação com a identidade


O Mercado Sul foi construído na década de 1950, sendo um dos primeiros centros comerciais do DF, e tinha como foco os candangos. O local funcionava como uma feira livre, com armazéns, armarinhos, açougues, lanchonetes. Com a chegada dos grandes supermercados, a área caiu no abandono e, nos anos 1980, se tornou um reduto da boemia, o que começou a atrair a classe artística.

Uma década depois, o Mercado Sul se firma como grande ponto cultural do DF, atraindo centenas de artistas e artesãos de todos os cantos. Em fevereiro de 2015, ocorreu a ocupação do espaço com a apropriação dos boxes ociosos pelos moradores e trabalhadores locais, que os utilizam para criação de ambientes de trabalho colaborativos e sustentáveis, como ateliês e cozinha comunitária.

A comunidade, em conjunto com o Coletivo Mercado Sul Vive, se empenham na missão de consolidar essa ressignificação do espaço como forma de geração de renda e preservação do patrimônio cultural brasileiro. Atualmente conta com ambientes artísticos, moradias, ateliês, oficinas, teatros e mais uma série de atividades.
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Thursday, 15 de August de 2019

MARCHA DAS MARGARIDAS

 

MOBILIDADE
 
Manifestação trava o trânsito
 
Reivindicando políticas públicas voltadas para o campo, trabalhadoras rurais de todo o Brasil participaram da Marcha das Margaridas, entre o Pavilhão do Parque da Cidade ao Congresso Nacional, deixando o tráfego parado na área central

 

CAROLINE CINTRA
WALDER GALVÃO
CRISTIANE NOBERTO*

Publicação: 15/08/2019 04:00

Fila de veículos parados na via S1, em direção ao Congresso Nacional: transtorno durante toda a manhã (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Fila de veículos parados na via S1, em direção ao Congresso Nacional: transtorno durante toda a manhã

 



Congestionamentos e acidentes marcaram a ida para o Plano Piloto na manhã de ontem. A Marcha das Margaridas interditou a via S1 do Eixo Monumental e causou transtornos para quem tentava acessar a área central de Brasília. Apesar de a manifestação ter sido programada com antecedência, as forças de segurança não conseguiram diminuir os impactos no tráfego, que continuou confuso pela tarde, mesmo após o fim do ato.

Com o bloqueio do Eixo Monumental, houve congestionamento até Águas Claras. No balão do Aeroporto Internacional de Brasília, na Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG) e no Sudoeste, motoristas enfrentaram lentidão.

Às 9h, em frente à Torre de TV, as manifestantes organizaram a caminhada em três faixas da S1, o que permitiu a circulação de automóveis nas outras três pistas da via. Por volta das 9h50, elas alcançaram o gramado em frente ao Senado e à Câmara dos Deputados, onde discursaram e, às 12h10 encerraram o ato.

Por meio de nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública informou que divulgou amplamente, nos dois dias anteriores ao evento, orientações para os motoristas evitarem a área central no período da marcha, com indicações de vias alternativas. Porém, uma das dificuldades da edição deste ano, segundo a pasta, foi o alojamento das participantes da marcha ser no Parque da Cidade, o que as levou a passar pela via S1, a caminho da Esplanada dos Ministérios.

No entanto, as medidas foram insuficientes. Morador de Águas Claras, o empresário Fernando dos Reis Martins, 42 anos, demorou uma hora para chegar ao trabalho, na Feira dos Importados. O trajeto costuma ser feito em menos de 30 minutos de carro. Dono de três lojas de aparelhos eletrônicos, ele contou que todos os funcionários chegaram atrasados.

Morador de Taguatinga Sul, o técnico em eletrônicos Lucas Alexandre Silva Rosa precisava chegar ao trabalho, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), às 9h. Mas, por causa do trânsito, chegou mais de 30 minutos depois. “A chave da loja fica comigo e, por isso, demorou para abrir. Por causa dessa desorganização no trânsito, o estabelecimento perdeu dinheiro”, reclamou.

Acidentes
Por volta das 9h30, próximo ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), no Eixão, quatro veículos se envolveram em colisão. Três pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança de 7 anos. Os carros ficaram danificados, mas as vítimas apresentaram ferimentos leves e foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros e levadas ao Hospital de Base.

Por causa do tráfego intenso, os bombeiros não conseguiam chegar ao local do acidente e precisaram acionar um helicóptero da corporação. Mas, como as vítimas estavam conscientes e estáveis, a aeronave não precisou pousar. A criança precisou de atendimento médico porque estava na cadeirinha e com o impacto foi impulsionada para frente. Mesmo sem marcas aparentes de machucados, os militares informaram que ela passaria por avaliação. Para socorrer as vítimas do acidente, o Eixão, no sentido Norte, precisou ficar totalmente bloqueado para os veículos. No sentido Sul, apenas uma faixa ficou liberada. Por causa disso, o trânsito, que já estava pesado, ficou ainda pior.

Também por volta das 9h30, a situação se repetiu na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), onde um carro e um caminhão colidiram próximo ao viaduto da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), complicando o fluxo de veículos. O trecho ficou parcialmente interditado, mas, como não houve vítimas, foi liberado pouco tempo depois. Ainda pela manhã, outros acidentes sem gravidade aconteceram no Buraco do Tatu, sentido Sul, e na Vila Telebrasília, na L4 Sul, causando mais congestionamentos.

Planejamento
Para o especialista em trânsito David Duarte Lima, falta planejamento no tráfego do DF. Ele diz que, para controlar e minimizar os congestionamentos em dia de manifestação, deve ser feita uma simulação antes do evento. “Os dados mais importantes o governo têm, que são os horários que mais passam carros em determinada região. E, como os protestos são marcados com antecedência, eles conseguem estimar até o público que estará presente. Fazendo isso, não garanto que não haverá mais desconforto para os brasilienses, mas pode minimizar os transtornos”, ressalta.

Duarte destaca que informativos em letreiros luminosos podem ajudar ainda mais os motoristas. “O ideal é colocar na saída das cidades, como Gama, Sobradinho, Estrutural, informações como ‘Se você vai para o Buriti, siga pela Epia”, por exemplo. “É orientar as pessoas. Como estamos no centro da capital, onde estão instalados todos os poderes do país, é normal que ocorram manifestações, mas elas não podem interferir tanto na rotina dos demais brasilienses”, completa.

* Estagiária sob supervisão de Renato Alves





Força Nacional
A pedido do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, determinou o uso da Força Nacional para proteção da área da Esplanada dos Ministérios, ontem. A solicitação também foi feita para as manifestações pela educação e contra a reforma da Previdência que aconteceram terça-feira, na área central de Brasília. Em nenhuma delas houve confronto ou qualquer ocorrência grave.




"Como estamos no centro da capital, onde estão instalados todos os poderes do país, é normal que ocorram manifestações, mas elas não pode interferir tanto na rotina dos demais brasilienses"

David Duarte Lima, especialista em trânsito



Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Wednesday, 14 de August de 2019

AÇÃO PRENDE 46 MEMBROS DE FACÇÃO BRASIENSE

 

CRIME
 
Ação prende 46 membros de facção brasiliense
 
A organização Comboio do Cão (CDC), considerada a maior do Distrito Federal, tem envolvimento em 24 homicídios, 420 ocorrências, além de tráfico de drogas, roubo de veículos, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Também há conexões no exterior

 

» ALEXANDRE DE PAULA

Publicação: 14/08/2019 04:00

Segundo a investigação da Polícia Civil, a atuação da organização criminosa é marcada pela violência: assassinato em porta de fórum (Alexandre de Paula/CB/D.A Press)  

Segundo a investigação da Polícia Civil, a atuação da organização criminosa é marcada pela violência: assassinato em porta de fórum

 

 
Quarenta e seis membros da maior facção criminosa do Distrito Federal foram presos ontem em operação da Polícia Civil. O alvo são líderes e integrantes do Comboio do Cão (CDC), organização investigada por, pelo menos, 24 assassinatos, além de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos marcados pela violência. O grupo atua também no sistema carcerário do DF e estava envolvido em 420 ocorrências registradas em seis anos.

A operação, batizada de Rosário, em referência ao costume religioso usado para afastar demônios, é um trabalho conjunto da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), com as promotorias de Justiça do Riacho Fundo e do Recanto das Emas e o Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri). A investigação começou com base em série de homicídios com os quais a facção tinha envolvimento. Os assassinatos mantinham relação com disputas por território com outros grupos criminosos. A partir disso, a investigação seguiu com uso de medidas cautelares sigilosas de inteligência, autorizadas pela Justiça do DF, que permitiram coletar dados e provas sobre os crimes praticados.

A facção disputa o tráfico em quase todo o DF, pratica roubos de veículos e comércio ilegal de armas. Segundo a apuração da Polícia Civil, as ações eram marcadas por violência e pelo uso de forte armamento, como pistolas que permitem tiros de rajada. Diversos homicídios foram cometidos pelo CDC, em geral em decorrência de desentendimentos com outros criminosos. Além disso, a organização mantém conexões no exterior. O grupo rouba veículos, que são adulterados e levados para o Paraguai. Lá, são trocados por drogas — sobretudo maconha — que abastecem o DF e o Entorno.

Nos últimos anos, o CDC também se envolveu em crimes graves praticados na porta de fórum e cadeias da capital federal. Em 2016, um homem foi executado com 30 tiros em frente ao Fórum de Santa Maria. O tio da vítima foi morto, dias depois, com 50 disparos. Segundo a investigação, o grupo também tem ligação com a prática de rufianismo — quando se aproveita de prostituição alheia para obter lucros. Nesse ramo, a atuação ocorria em Taguatinga Sul. O local passou a ser utilizado no esquema de cobrança de taxas de garotas de programa e travestis. A facção teve envolvimento no assassinato de uma travesti na região em 2017.

Apesar das prisões de ontem, o principal líder do grupo criminoso fora dos presídios, William Peres Rodrigues, continua foragido. Ele é procurado pela Polícia Civil, que espera contar com denúncias para localizar o paradeiro dele. Conhecido como Wilinha, o criminoso tem histórico de uso de documentos falsos e mudanças de aparência.
 
Nos presídios
 
Mesmo preso desde 2017 por tráfico de drogas (leia Memória), um dos principais líderes da facção é Fabiano Sabino Pereira, o FB. Ele seria responsável por comandar as ações de dentro da prisão, com o auxílio de familiares e advogados. “Eles trabalham de maneira similar ao que fazem as maiores facções do país, como o PCC”, explica o delegado da CHPP Thiago Boeing. O CDC é a única organização criminosa nascida na capital federal, mas há registros de atuação do PCC e do Comando Vermelho no DF.

No presídio, o CDC ganhou força e controlava atividades de tráfico e de jogos de azar, de acordo com as investigações da Polícia Civil. O grupo tem um estatuto que regulamenta as práticas dos integrantes e estabelece julgamentos e punições a quem se opuser ao CDC ou aos membros. Existe a suspeita de que estejam envolvidos no esquema servidores públicos, como agentes penitenciários e policiais do DF e de Goiás. As investigações nesse sentido devem continuar.

Para sustentar as atividades, a facção se valia de uma complexa rede de lavagem de dinheiro. O esquema é alvo de um inquérito próprio e peça fundamental para desmantelar a organização criminosa, segundo a Polícia Civil. A Operação Rosário determinou o sequestro das contas bancárias de 60 pessoas, além da apreensão de 17 veículos e 11 imóveis.

As investigações mostraram atividades financeiras e padrões de vida de membros da facção incompatíveis com a renda formal deles. Para lavar o dinheiro, o grupo investia em compras de veículos e imóveis. Eles utilizaram uma rede de familiares e de pessoas próximas, usadas como laranjas para esconder a origem criminosa dos valores.

Os ganhos e a eficácia na lavagem de dinheiro permitiam à facção estrutura complexa e acesso a equipamentos de alta qualidade, como pistolas sofisticadas e drones. Segundo o delegado Thiago Boeing, a apuração focada na lavagem de dinheiro é fundamental para desestabilizar o CDC. “Eles conseguem ter todo esse domínio de dentro da cadeia porque há uma estrutura fora montada, sustentada com esses recursos financeiros”, detalha.

O delegado-chefe da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa, Fernando Cesar Costa, explica que a Operação Rosário faz parte de uma mudança de metodologia da CHPP.  “Nós sabemos que grande parte dos homicídios que ocorrem no DF estão vinculados à atuação de grupos criminosos voltados, sobretudo, para o tráfico e para grandes roubos. Dentro dessa lógica, nós passamos a agrupar os inquéritos e analisá-los sob a ótica de atuação de um grupo organizado”, pontua.

As novas provas colhidas permitiram a reabertura de 14 inquéritos de homicídios e tentativas cuja autoria era desconhecida.


Memória

Violência
 
Em 2017, dois líderes da facção foram presos durante a Operação Líder da Matilha. À época, Fabiano Sabino Pereira, o FB, era réu em quatro processos, sendo três por porte ilegal de arma. Ele continua a chefiar a quadrilha. Além dele, foi preso Flávio Pereira da Silva, que respondia a 27 inquéritos policiais por crimes como furtos, roubos e tentativas de homicídio. Com eles, foram encontrados 155kg de maconha, uma pistola Glock 9mm com seletor de rajada, quatro carregadores e mais de R$ 3 mil em dinheiro. À época, a investigação destacava a forma violenta como a organização agia e a maneira fria como eliminava desafetos.


Balanço

46
Mandados de prisão
cumpridos na operação
 
 
420
Ocorrências relacionadas à facção
 
 
209
Inquéritos com envolvimento
de membros do grupo
 
 
60
Contas bancárias sequestradas por ligação com o CDC
 
 
50kg
Quantidade estimada
de maconha apreendida
 
 
3
Armas encontradas
com suspeitos na operação
 
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Correio Braziliense Tuesday, 13 de August de 2019

HERMETO PASCOAL: BRUXO ENCANTADOR

 

Bruxo encantador
 
Em entrevista ao Correio, multi-instrumentista fala da carreira, de instrumentistas parceiros e ensina: "A técnica é algo que o músico precisa ter"

 

» Irlam Rocha Lima

Publicação: 13/08/2019 04:00

 (Paulo Rapoport/Divulgação)  
 
Aos 83 anos, Hermeto Pascoal mantém uma memória privilegiada. Da mesma forma que fala com detalhes sobre a conquista do Grammy Latino em 2018, lembra de fatos ocorridos no começo da carreira, na Rádio Jornal do Comércio, em Recife, no final da década de 1960. Com impressionante vitalidade, e sempre jovial, ele cumpre uma recheada agenda de compromissos, no Brasil e no exterior.
 
Genial improvisador, o multi-instrumentista albino, nascido em Lagoa da Canoa (AL), costuma tirar som tanto de instrumentos convencionais — ele toca piano, acordeon, flauta e saxofone — quanto de objetos diversos, que tanto pode ser bacia, chaleira ou a queixada de algum animal. E até mesmo do corpo. Da discografia do artista constam mais de 30 títulos.
 
Os mais recentes são No mundo dos sons — álbum gravado com uma big band — que o levou a ser premiado no Grammy, na categoria latim-jazz, em 2018; e o Hermeto Pascoal e sua visão original do forró, com 17 faixas, gravado em Recife há 20 anos, que tem Alceu Valença como um dos convidados, que saiu no ano passado.
 
No fim de junho, Hermeto foi agraciado pela Universidade Federal da Paraíba com o título de doutor honoris causa. A mesma condecoração lhe foi atribuída em 2017 no New England Conservatory de Boston (Estados Unidos). São honrarias que recebe sem maiores alardes, até porque, modestamente, não se considera merecedor.


>> entrevista Hermeto Pascoal

Mestre, o que faz para manter a vitalidade aos 83 anos?
Tenho que manter a diabetes controlada e só não como doce. Mas não dispenso, por nada, uma boa carne de sol com macaxeira, ou uma picanha no ponto. Mas cuido bem do corpo. Até porque eu uso ele também como um instrumento.
 
O público que assiste a seus shows fica sempre na expectativa 
de, após a apresentação, o senhor descer do palco para 
segui-lo num cortejo. Mas no domingo, aqui 
em Brasília isso não ocorreu. Por quê?
Costumo fazer isso sim, inclusive já fiz em outros show em Brasília. Desta vez não deu porque era um festival e tinha outras coisas acontecendo. A apresentação não poderia ultrapassar 1h30 de duração.
 
Lembra quando tocou na capital pela primeira vez?
Apresentações em Brasília são fatos importantes em minha carreira. Estive na capital, por exemplo, na inauguração, com o regional do Pernambuco do Pandeiro. Naquele dia toquei na Praça dos Três Poderes e no Palácio da Alvorada. Mas já fiz shows em vários lugares, como na Concha Acústica. Mas o lugar onde mais me apesentei foi no Clube do Choro.
Foi Pernambuco do Pandeiro quem o acolheu, quando deixou Recife e foi morar no Rio de Janeiro?
Já conhecia o Pernambuco quando cheguei ao Rio, no final da década de 1950. Ele tinha um regional e era contratado pela Rádio Mauá. Comecei na música em Alagoas, mas a profissionalização veio na Rádio Jornal do Comércio, em Recife. Lá tocava também na boate Delfim Verde, com o meu compadre Heraldo do Monte. Fiquei em Recife uns seis anos, com passagem pela Rádio Tabajara, de João Pessoa.
 
Mas você se tornou conhecido ao integrar o Quarteto Novo, 
em São Paulo. Que lembrança guarda daquele período?
Havia uma efervescência artística em São Paulo, para a qual contribui de forma decisiva, os festivais de música. Existia o trio formado por Heraldo do Monte (contrabaixo), Théo de Barros (violão) e Airto Moreira (bateria). O Théo foi parceiro de Geraldo Vandré em Disparada, música que empatou em Primeiro lugar com A banda, de Chico Buarque, no Festival da Record de 1966. No ano seguinte passei a integrar o grupo, que acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha em Ponteio, no festival de 1967. O quarteto Novo gravou apenas um disco.

Seu primeiro disco solo, o A música livre de 
Hermeto Pascoal. Poderia falar sobre ele?
É um disco raro, hoje muito procurado na internet. Nele registrei minhas primeiras composições, músicas como Arrasta pé alagoano, Chorinho pra ele, Forró Brasil, Pimenteira e Pintando o sete.
 
Lembra quantos discos já lançou?
Foram pelo menos 30. Não sei ao certo. Meu filho Flávio, que mora em São Paulo e é meu empresário, tem tudo isso certinho. Costumo gravar de três em três anos.
 
No período em que morou no Paraná, qual foi a produção?
A fase de Curitiba foi maravilhosa. Lá conheci Aline Morena, e mesmo com a diferença de idade, vivemos juntos por mais de 10 anos e tivemos ótima relação. Com ela, lancei o CD Chimarrão com rapadura. Nos separamos, mas mantivemos uma forte amizade. Ela sempre está em contato comigo.
 
No mundo dos sons, de 2017, o levou a 
conquistar 
o Grammy Latino no ano passado. 
Que importância 
atribui a esse prêmio?
Essa é uma premiação internacional muito importante. Gravei o disco com uma big band maravilhosa, sob a regência de André Marques, música do meu grupo e fomos premiados na categoria melhor álbum de jazz latino. Minha carreira no exterior passou a ser ainda mais bem-avaliada.
 
No seu processo criativo o que prevalece, a técnica ou a intuição?
Para criar, me deixo levar pela intuição. Não faço nada premeditado, seja em estúdio, seja no palco. Obviamente, utilizo a técnica, mas o que prevalece é a improvisação. A técnica porem é algo que o musico precisa ter
 
Referência e fonte de inspiração para músicos 
de várias erações, o que busca passar para eles, 
quando 
os têm em sua companhia?
Uma coisa básica que passo para eles é evitar repetir o que faço. Isso foi seguido tanto por Itiberê Zwarg, Carlos Malta e Jovino Neto, que foram da minha banda e hoje são músicos consagrados; como para os irmãos Hamilton de Holanda e Fernando César, que conheci ainda adolescentes; e Gabriel Grossi, todos talentosíssimos. Participei, em Brasília, da gravação do DVD de Gabriel, gaitista de nível internacional.
 
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Correio Braziliense Monday, 12 de August de 2019

PAN-AMERICANO: BALANÇO MOSTRA SALDO POSITIVO

 

JOGOS PAN-AMERICANOS
 
Balanço mostra saldo positivo
 
Com ouro de Mayra Aguiar no judô, Brasil encerra participação com recordes e conquistas de vagas olímpicas

 

Publicação: 12/08/2019 04:00

 
A bicampeã mundial Mayra Aguiar venceu a cubana Kaliema Antomarchi no golden score da final (Luis Acosta/AFP
)  

A bicampeã mundial Mayra Aguiar venceu a cubana Kaliema Antomarchi no golden score da final

 





Mayra Aguiar estava entre as favoritas do Brasil para a disputa dos Jogos Pan-Americanos de Lima e cumpriu o previsto. Ontem, no último deia de competições, ganhou o ouro no judô — categoria até 78kg. Foi um título inédito na carreira da atleta, que tinha três medalhas nesta competição: prata, em 2007 e 2015, e bronze, em 2011.

Na final, Mayra superou com muito esforço a cubana Kaliema Antomarchi no golden score. Na campanha vitoriosa em Lima, ela também passou pela venezuelana Karen Leon e pela norte-americana Nefeli Papadakis.

A atual líder do ranking internacional, Mayra Aguiar é bicampeã mundial (2014 e 2017) e acumula medalhas nas últimas duas Olimpíadas (Londres-20012 e Rio-2016). No encerramento do judô no Pan, o Brasil subiu ao pódio mais duas vezes ontem. Beatriz Souza (categoria +78kg) e David Moura ( 100kg) ganharam a medalha de bronze.

No balanço da participação brasileira no evento, o resultado é positivo. O país quebrou o recorde de pódios e medalhas de ouro e encerrou a competição em segundo lugar no quadro geral, atrás apenas dos Estados Unidos, repetindo o feito de 1963, em São Paulo. Além disso, o Brasil garantiu vagas nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 no handebol (feminino), hipismo, tiro com arco, tênis de mesa, tênis, pentatlo e vela.

A última vaga olímpica foi obtida, ontem, no tiro com arco. O brasileiro Marcus Vinicius D’Almeida conquistou a medalha de prata na prova individual masculina do arco recurvo. O resultado inédito classificou o Brasil para os Jogos de Tóquio 2020. Até a competição na capital do Peru, o país havia faturado cinco medalhas de bronze na modalidade na história do evento esportivo.

A natação foi a modalidade que colecionou os melhores resultados para o Brasil. Foram 30 medalhas em cinco dias de competição: 10 ouros, nove pratas e 11 bronzes. Os números marcaram a campanha mais expressiva do time brasileiro na modalidade na história dos Jogos Pan-Americanos.

O basquete feminino também alcançou uma façanha. Depois de 28 anos, a Seleção Brasileira conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos, com vitória na final sobre os Estados Unidos, por 79 x 73. O técnico José Neto tem menos de um mês de trabalho no comando da equipe nacional. O Brasil não chegava ao lugar mais alto do pódio desde Havana-91, quando Fidel Castro se encantou com o talento da geração de Paula e Hortência, que três anos depois conquistaria o Campeonato Mundial.



“Sinto que o ouro não veio por muito pouco. Vim para essa competição com dois objetivos: bater o recorde brasileiro e conquistar a vaga olímpica. Consegui ambos. E ainda veio essa medalha de prata inédita. Estou muito feliz em escrever essa história”
Marcus Vinicius D’Almeida, atleta do tiro com arco
 
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Correio Braziliense Sunday, 11 de August de 2019

FRANCIS HIME: COMEMOREMOS A VIDA

 

Comemoremos a vida!
 
Francis Hime prepara disco de inéditas para celebrar os 80 anos e chama parceiros, como Chico Buarque, para cantar juntos

 

Irlam Rocha Lima 

Publicação: 11/08/2019 04:00

Com o compadre e parceiro Chico Buarque na gravação de Laura

 (Nana Moraes/Divulgação)  

Com o compadre e parceiro Chico Buarque na gravação de Laura

 

 
 
Em 1984, o Brasil vivia os estertores da ditadura militar, quando Chico Buarque e Francis Hime fizeram Vai passar, a última composição desses parceiros, que escreveram juntos algumas das mais belas páginas da música popular brasileira. Trinta e cinco anos depois, no momento em que o país vive tempos de intolerância, os dois voltaram a se encontrar e no estúdio da Biscoito Fino, onde Chico gravou Laura, bela canção de Francis, com letra da mulher Olívia.
 
Laura é uma das faixas do álbum que Francis lança em outubro, como parte da celebração de seus 80 anos (dia 31). O repertório de músicas inéditas traz parcerias do compositor e pianista carioca com Paulo César Pinheiro, Hermínio Bello de Carvalho, Geraldo Carneiro, Bráulio Pedroso, Adriana Calcanhotto e Ana Terra.
 
De acordo com Francis, Laura é um tema antigo, que ele recolheu do baú. Em seguida Olívia colocou a letra. Depois de pronta, ele decidiu convidar Chico para gravá-la. A última vez que eles estiveram lado a lado foi em 1997, também em estúdio, quando Chico registrou a voz em Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes) para o CD Álbum musical, que teve a participação de convidados.
 
A parceria de Francis e Chico teve início de 1972. A primeira música em que juntaram os talentos foi Atrás da porta, transformada por Elis Regina num clássico instantâneo. Depois vieram outras que hoje fazem parte da enciclopédia da MPB, como A noiva da cidade, Embarcação, Meu caro amigo, Passaredo, Pivete e Trocando em miúdos.
 
O novo álbum sucede a Navega ilumina, de 2014 (também de músicas inéditas). Três anos depois, ele lançou o livro Trocando em miúdos — As minhas canções, em que detalha o seu processo de criação. Pela publicação, foi indicado para o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Artes. Essa é mais uma forma de expressão artística que Francis também se destaca.
 
 
 
Entrevista/Francis Hime
 
 

"Meus 80 anos estão sendo devidamente comemorados com muitos eventos já que a música é um combustível inigualável de nos trazer sentimentos" Francis Hime

 

 
Como é chegar aos 80 anos de maneira tão produtiva?
Meus 80 anos estão sendo devidamente comemorados com muitos eventos ,já que a música é um combustível inigualável de nos trazer sentimentos. Eles nos levam a uma frase frequentemente usada pelo meu querido parceiro, o agora imortal, Geraldo Carneiro: “Comemoremos a vida!”
 
 
Geraldo Carneiro se tornou seu parceiro mais frequente?
Geraldinho e Olivia, atualmente, são meus parceiros mais constantes. Eles estão presentes nesse novo disco com a inédita Samba funk, um samba rasgado, que gravei com um supertime de músicos, como Jessé Sadock e Marcelinho Martins. O samba tem uma letra interessantíssima, que foi musicada por mim.
 
 
Quem são seus outros parceiros nesse trabalho?
Conto com parceiros talentosíssimos, como Ana Terra, Thiago Amud e Tiago Torres da Silva, poeta português, amigo querido, com quem compus alguns fados. E, claro, há ainda Adriana Calcanhotto e Paulo César Pinheiro, parceiros de longa data. E Olivia, claro, minha parceira de vida e de música, com quem, por sinal, compus Laura, feita em homenagem a nossa netinha de 2 anos de idade, cantada lindamente por Chico Buarque.
 
 
Como foi o reencontro, em estúdio com o Chico?
Sempre fomos amigos e vai aqui uma peculiaridade: sou também compadre do Chico, uma vez que ele é padrinho de Luiza, minha terceira filha, que, por sua vez, é madrinha de Laura. De modo que tem tudo a ver, ele ter participado do disco, cantando Laura.
 
 
O que mais pode adiantar sobre esse projeto?
Estou muito, muito feliz com o disco, para o qual convidei pessoalmente alguns amigos queridos, tais como Chico, Lenine, Adriana. Vou guardar algumas surpresas (que são muitas!) para quando o disco sair pela Biscoito Fino, no fim de outubro.
 
 
Além do CD de inéditas, o que vai fazer parte da celebração?
Sigo planejando algumas ações ligadas à celebração dos meus 80 anos. Estou preparando um concerto com a Jazz Sinfônica para novembro. Vou ser o homenageado do ano no Festival Villa-Lobos. Nesse evento, vai ocorrer a estreia carioca do meu concerto para harpa e orquestra, que acaba de ser apresentado no Festival de Campos de Jordão, sob regência do maestro João Galindo, em um espetáculo memorável. No festival, também me apresentei com Olívia cantando algumas canções de nossos repertórios.
 
 
Pelo visto, é muita comemoração?
Como você constata, são altas comemorações pelos meus 80 anos, que culminará em 31 de agosto. Sabe onde estarei naquele dia, data do meu aniversário? No palco, com Olivia, fazendo o Trocando em miúdos — As minhas canções, um espetáculo baseado no livro que lancei, no qual detalho o meu processo de composição, e que me deu muitas alegrias, inclusive uma indicação, ano passado ao Jabuti, maior prêmio literário do Brasil. Por sinal, sempre gostei de trabalhar em datas de meus aniversários. É mais divertido!
 
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Correio Braziliense Saturday, 10 de August de 2019

AABR E ASBAC: DOIS CLUBES, MILHARES DE HISTÓRIAS

 


Um lugar (bem) especial
 
Clubes como AABR e Asbac criam ambiente ideal para momentos de bem-estar e qualidade de vida para os associados

 

» ALAN RIOS
» DARCIANNE DIOGO*

Publicação: 10/08/2019 04:00

Ana Lúcia relembra momentos marcantes que passou na Asbac (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Ana Lúcia relembra momentos marcantes que passou na Asbac

 


Piscina olímpica da Asbac (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Piscina olímpica da Asbac

 


AABR e o cartão-postal do Lago Paranoá (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

AABR e o cartão-postal do Lago Paranoá

 


Asbac: lazer e esportes na beira do lago (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  
Asbac: lazer e esportes na beira do lago
Churrasqueira na AABR (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Churrasqueira na AABR

 



Ir ao clube. O ato é simples, mas está carregado de um simbolismo enorme: significa ter um dia de lazer, bem-estar e descanso de uma forma que poucos lugares oferecem. “O próprio fato de arrumar as coisas para ir, traz uma memória afetiva muito bacana. Lembro-me de quando era criança, meus pais perguntavam ‘vamos ao clube?’, e eu ficava toda empolgada. Sou feliz em saber que meus filhos também são assim, porque eles têm um lugar que representa essa diversão saudável, a céu aberto, com brinquedos, piscina, o tobogã e tudo que é ideal para nossa infância. E isso é ótimo para a família”, afirma Fabiana Borges, 42 anos, sócia da Associação Atlética Banco de Brasília (AABR).
 
Outro clube que provoca essa sensação é a Associação dos Servidores do Banco Central (Asbac). Fundado em janeiro de 1966, com o objetivo de dar suporte social e financeiro à comunidade do Banco Central do Brasil, a Asbac está instalada em todo o país, inclusive na capital, e, hoje, recebe sócios variados. São mais de 2 mil associados, que desfrutam de uma área de 160 mil metros quadrados, com  a beleza do Lago Paranoá e o verde das árvores, no Setor de Clubes Sul.
 
A Asbac é próxima da AABR. Aberto para funcionários do Banco de Brasília e público externo, a AABR tem como identidade ser um lugar acolhedor para quem quiser confraternizar. O espaço possui piscinas aquecidas, quadras esportivas, gramado para banho de Sol à beira do Lago Paranoá e 15 churrasqueiras, entre outras instalações. Presidente da associação, Marcus Alencar diz que trabalha em um espaço especial, palco de momentos que ficam na memória familiar.
 
“O hábito de ir ao clube traz muita felicidade e saúde. Quando vejo um pai levando um filho para jogar bola, bato palma. Porque falta isso hoje em dia, essa interação entre a família. Tanto é que temos um campeonato há 21 anos que é com pais e filhos. Porque uma coisa é a pessoa só deixar a criança na quadra e ir embora, e outra é a família estar junta se divertindo. Isso é essencial”, afirma Alencar.
 
Fabiana é prova viva disso. Mineira, ela morava em Uberaba antes de se mudar para Brasília com o marido, e teve como uma das primeiras paixões na capital: a AABR. Logo que chegou ao Distrito Federal, em 2009, se tornou sócia: “Há 10 anos, minha história foi se consolidando, aqui no DF, dentro do clube. Meu marido também passou a amar a associação, tivemos nossos filhos e todos nós temos dias especiais nele. Vamos juntos, ele joga bola, meus filhos curtem a piscina e eu relaxo e me divirto também”, conta a bancária.
 
Ela também acredita que o clube é um ambiente único, porque proporciona momentos de confraternização. “Meus filhos ficam a semana toda perguntando se vamos ao clube no sábado ou domingo. Com certeza, no futuro eles vão lembrar que tiveram uma boa infância ao lado da família por conta desses dias. Eu moro em condomínio que tem opções de lazer, mas não é a mesma coisa que um clube. As crianças precisam de um espaço para socializar com outros pequenos”, destaca ela.
 
Quem frequenta a AABR pode encontrar opções de lazer para deixar o emocional e físico em paz. É isso que acredita Bruno Nunes, 27. Ele se associou em 2014, quando entrou para o Banco de Brasília, e achou que não iria ser um sócio ativo. “Pensei em ir vez ou outra, mas, com o passar do tempo, fui gostando muito de frequentar. Hoje, falo até que é mais fácil eu cancelar meu plano de saúde do que minha associação”, brinca. Morador de Sobradinho, Bruno coloca na balança a distância da casa para o clube de um lado e todos os benefícios de outro nem fica com dúvida: “Os pontos positivos são tantos que nem é uma dificuldade me locomover para lá”.
 
O bancário utiliza o clube todos os domingos e até alguns dias da semana, para descansar do cansaço do cotidiano. Na AABR, ele fez amizades de todas as idades, sem restrições, e encontra um ambiente totalmente agradável. “A minha qualidade de vida melhorou muito depois que me associei. É fundamental ter uma atividade para se movimentar, manter o corpo ativo, como o futebol que eu jogo. Ainda mais quando fazemos isso em contato com a natureza”, explica. E não é só a cabeça que ganha, o corpo também: “Até psicologicamente me sinto melhor, porque, às vezes, a gente está estressado do trabalho, mas vai para a beira do Lago Paranoá, bebe uma cerveja, fica com os amigos e isso muda tudo”, conta.

Bruno Nunes:  

Bruno Nunes: "É mais fácil eu cancelar meu plano de saúde do que minha associação"

 


Cristiane Baldo e a filha Karina sempre fazem churrasco no clube (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Cristiane Baldo e a filha Karina sempre fazem churrasco no clube

 


Fabiana Borges:  

Fabiana Borges: "Meus filhos ficam a semana toda perguntando se vamos ao clube no sábado ou domingo"

 


Presidente da AABR, Marcus Alencar (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Presidente da AABR, Marcus Alencar

 

 
Do clube para a vida
 
Ana Lúcia Baruzzi, 57, se mudou para Brasília em 1985, em busca de uma vida melhor. A paraense saiu de sua terra natal e ficou a saudade dos amigos, pais e os 11 irmãos. Formada em educação física, ela entregou diversos currículos nos clubes da capital, até que, em março de 1986, foi chamada para dar aulas de natação na Associação dos Servidores do Banco Central (Asbac). “Nunca me senti tão feliz. Minha turma era cheia e animada. Eu sempre entrava na água com meus alunos”, conta. A trajetória como professora durou 10 anos, mas as lembranças nunca foram apagadas.
 
Foi na Asbac que Ana pôde desfrutar os melhores momentos da juventude. “Lá tinha uma boate, todas às sextas-feiras, que era muito boa. Eu amava dançar. Das aulas ia direto para a balada”, relembra. Em uma dessas festas no clube, a professora conheceu o futuro marido, Cláudio Baruzzi, 58. Foi amor à primeira vista, segundo ela. “Ele estava dançando com uma turma e trocamos muitos olhares. Naquela época, a paquera era assim”. Depois daquela noite, os dois começaram a namorar. A união tem 30 anos e o resultado foi o nascimento dos dois filhos, João Felipe, 24, e Daniela Baruzzi, 28.
 
A piscina, com profundidade de cinco metros, é equipada com uma plataforma de salto de 10 metros, o lugar preferido de Ana. Mas, além da natação, o clube dispõe de outras 21 modalidades esportivas, como remo, vôlei de praia, pebolim, futsal e tênis de mesa. A localização à beira do Lago Paranoá remete ao clima de paz e tranquilidade. Nas noites, shows e eventos agitam o ambiente. “Aqui tem gente de diversas faixas etárias e isso é o mais importante. É gratificante ver que, a cada dia, novas pessoas integram o clube. É um lugar família, que não perdeu a essência depois de tantos anos”, ressalta a presidente da Asbac, Edina Souza.
 
De pai para filho
 
Deixar um bom legado para o filho, certamente, é a melhor escolha que um pai pode fazer. Com apenas um ano, Diego Siqueira, hoje com 37, acompanhava o pai, Geraldo Siqueira, 64, nos campeonatos de futebol da Asbac. As memórias marcaram a vida do empresário e o incentivaram a seguir os mesmos passos do seu herói. “O David começou no time das Fraldinhas. Fui o treinador dele e, muitas vezes, eu era mais rigoroso com ele do que com o resto da equipe. Para mim, é indescritível vê-lo crescendo no futebol e saber que fui inspiração”, diz Geraldo.

A relação dos dois só se estreitou, tanto que hoje, jogam no mesmo time. “Meu pai é um exemplo para mim. Nunca me esqueço dos momentos que eu vinha para o clube e brincava de pique-pega, polícia e ladrão. Isso marcou minha infância aqui na Asbac”, conta David. 
 
*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira


AABR 
Fundação: 
1966 
Idade: 
53 anos
Associados: 1800 sócios 
Área:
 35 mil metros quadrados 
Como se associar:
 Qualquer pessoa pode conhecer o clube e se tornar sócio. Para funcionários do Banco de Brasília, os preços são a partir de R$ 95, e a mensalidade varia entre preços de R$ 123 para quem não é do BRB.


Asbac
Fundação: 
1977
Idade: 42 anos
Associados: 2.500
Área: 160 mil metros quadrados 
Como se associar: Qualquer brasiliense pode se associar por preços entre R$ 187 (para quem é funcionário do Banco Central) e R$ 210 para quem não é do banco.
 
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Friday, 09 de August de 2019

MATOU A TIA PARA ROUBAR R$200

 


VIOLÊNCIA
Matou a tia para roubar R$200,00
 
Polícia busca suspeito de assassinar a tiaMaria Almeida Vale, 68 anos, foi morta na casa do cunhado, pai de Fábio do Vale, acusado do crime. Moradora de Montividiu, em Goiás, ela voltaria para casa ontem

 

» WALDER GALVÃO

Publicação: 09/08/2019 04:00

Peritos buscam pistas capazes de explicar o crime: suspeita de que o acusado tenha voltado a usar drogas (Minervino Junior/CB/D.A Press)  

Peritos buscam pistas capazes de explicar o crime: suspeita de que o acusado tenha voltado a usar drogas

 

 
Maria Almeida Vale, 68 anos, chegou ao Distrito Federal na segunda-feira. Moradora de Montividiu (GO), município distante cerca de 500km do Plano Piloto, ela veio para a capital a fim de colocar em dia a documentação de um veículo. Hospedada na casa do cunhado, no Paranoá, a mulher foi encontrada morta na manhã de ontem, dia em que voltaria para casa. O principal suspeito, segundo a Polícia Civil, é o sobrinho dela, o ajudante de pedreiro Fábio do Vale, 39, que está foragido.
 
Agentes da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) tentam identificar a motivação do assassinato. Após o crime, o acusado fugiu com R$ 200 dela e ainda furtou R$ 600 da mãe. Ele saiu de casa em uma motocicleta Honda Titan 2002 azul. O assassinato ocorreu no início da manhã, enquanto a mãe, o pai e a irmã de Fábio estavam em casa, porém, nenhum deles escutou qualquer pedido de socorro, pois a vítima e o acusado dormiam em quartos no fundo do lote, fora da residência principal. Por volta das 9h, eles estranharam que Maria demorava para acordar e encontraram o corpo. Fábio havia deixado a residência e, pouco tempo depois, ligou para a mãe e disse que “tinha feito uma besteira e acabado com a própria vida”.
 
Inicialmente, o crime foi registrado como feminicídio, no entanto, os investigadores adotaram outra linha de investigação. “Não encontramos elementos suficientes para esse qualificador e descartamos essa hipótese. Agora, o caso é tratado como homicídio”, explicou a delegada-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Jane Klébia. A principal suspeita é de que a vítima tenha morrido asfixiada.
 
O corpo de Maria foi encontrado em cima da cama, com um capacete de motocicleta e uma camiseta enrolada na cabeça. Segundo os agentes, esses objetos podem ter sido usados para asfixiá-la. Além disso, as roupas da vítima foram retiradas e substituídas por uma calça e uma jaqueta de Fábio. “Ela estava muito machucada e teve parte do cabelo arrancado e jogado pelo quarto. Havia sangue nas paredes dos quartos e do banheiro. Pela crueldade daquela cena, não dá para dizer o que poderia ter motivado o crime”, afirmou Jane.

Amigos e parentes se reuniram na casa dos pais do acusado, no Paranoá (Minervino Junior/CB/D.A Press)  

Amigos e parentes se reuniram na casa dos pais do acusado, no Paranoá

 

 
Apoio
 
Nascida no Ceará e mãe de dois filhos, Maria morava com o marido, de 73 anos, em uma fazenda no município goiano de Montividiu. O pai de Fábio é irmão do companheiro dela, e as visitas à casa do cunhado ocorriam várias vezes ao ano. “Era uma pessoa tranquila, querida pela família e vizinhança. Gostava de passar o tempo aqui para se distrair. Todos estamos em choque e não conseguimos acreditar no que aconteceu”, contou um parente, que não quis se identificar.
 
Após o crime, os pais de Fábio, que são idosos, permaneceram em frente à própria casa. A todo momento, familiares chegavam para dar apoio, mas eles continuavam inexpressivos e conversavam pouco. “Não tenho o que dizer. A minha esposa está passando mal, e a minha filha, muito abalada. Nessas situações, não se tem o que falar”, disse o pai do suspeito. No início da tarde, ele seguiu a Montividiu para contar ao marido de Maria, seu irmão, sobre a morte dela.
 
Segundo familiares, Maria e o marido compraram um terreno em Goiás para criar gado, há alguns anos. “Um dos filhos dela morava no Paranoá. Por isso, ela vinha direto visitá-lo. Até mesmo o Fábio gostava muito da tia, não sei o que pode ter acontecido na cabeça dele”, lamentou outro familiar. O sepultamento da vítima ainda não foi marcado.
 
Dependência 
 
Os investigadores da Polícia Civil suspeitam que a dependência química de Fábio possa ter sido um dos motivos para o crime. Familiares e amigos dele contaram que o vício começou na adolescência, aos 13 anos. “Primeiro, veio o álcool e, em seguida, as drogas. Ele sempre deu trabalho para a família, porém, era querido por todos. Até agora, muitos se recusam a acreditar que ele cometeu esse crime”, contou um colega do suspeito.
 
Sem emprego fixo, Fábio fazia bicos como ajudante de pedreiro e morava em um quarto dos fundos da casa dos pais. Solteiro e sem filhos, ele é conhecido na região. “A gente tinha conhecimento que ele estava sem usar nada há 3 anos. Porém, pode ter voltado a usar ou sofrido uma crise de abstinência”, contou um parente. O suspeito não tinha passagens pela polícia.


Os envolvidos

A vítima 
 
Maria Almeida Vale
» Tinha 68 anos
» Nasceu em Boa Viagem (CE)
» Morava de Montividiu (GO)
» Deixou dois filhos e o marido

O suspeito

 (PCDF/Divulgação)  
Fábio do Vale
» Tem 39 anos
» Nasceu no Distrito Federal
» Morava no Paranoá, na casa dos pais
» Trabalhava como ajudante de pedreiro
 
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Correio Braziliense Thursday, 08 de August de 2019

WILSON SIMONAL: UMA HISTÓRIA PARA SER ENTENDIDA

 

Uma história para ser entendida
 
Cinebiografia de Wilson Simonal chega às telonas para contar a trajetória do polêmico cantor de um suingue sem igual

 

Ricardo Daehn

Publicação: 08/08/2019 04:00

Fabríco Boliveira e Ísis Valverde: nova parceria em Simonal
 (Paprica Fotografia/Divulgação)  

Fabríco Boliveira e Ísis Valverde: nova parceria em Simonal

 

 
O filme de estreia do diretor Leonardo Domingues é sobre a carreira — desde a ascensão até a queda — do cantor Wilson Simonal, mas impressiona o quanto a produção está ligada à capital. Para viver os papéis centrais do cantor e da mulher dele, Tereza, está um repeteco de casal visto no longa Faroeste caboclo (vinculado, claro, a Renato Russo): Fabrício Boliveira e Ísis Valverde. Roteirista do longa Simonal, ao lado de Domingues, Victor Atherino assinou não apenas o roteiro de Faroeste caboclo, como ainda esteve na escrita do filme Somos tão jovens (2013), dedicado à juventude de Russo.
 
Simonal, enriquecido por músicas como Terezinha, Lobo bobo e País tropical, chega às telas exumando o momento mais notório e público do cantor, que entrou para o ostracismo diante das supostas atitudes junto ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão de repressão durante a ditadura setentista.
 
Trazendo o ator Leandro Hassum na pele do produtor e compositor Carlos Imperial, Simonal concentra parte do desenvolvimento da trama para mostrar como o cantor teria enredado seu ex-contador Raphael Viviani (chamado Taviani, no filme, e interpretado por Bruce Gomlevsky), numa situação de sequestro e extorsão.
 
O personagem de Caco Ciocler, Santana, um agente do Dops, teria papel forte na contravenção de Simonal. Para além da polêmica, a magnitude e a excelência de Simonal ocupam tevê, palco e peças de publicidade recriados no filme. Codiretor de A pessoa é para o que nasce e editor de Nise — O coração da loucura, Leonardo Domingues explorou no filme, que tem ótimos figurinos da veterana Kika Lopes e irrepreensível direção de arte de Yurica Yamasaki, cenas com personalidades como Ronaldo Bôscoli (Rafael Sieg), a socialite Laura Figueiredo (Mariana Lima), os cantores Erasmo Carlos (João Sabiá) e Elis Regina (Lilian Menezes).
 
 
 
Três perguntas/ Leonardo Domingues
 
 (Paprica Fotografia/Divulgação)  
 
De onde vem sua ligação com música e por que recontar a trajetória de Simonal?
Minha história com a música popular vem desde a infância. Ouvia muito a coleção de discos em LP dos meus pais. Eles tinham, por exemplo, só numa coleção de músicas, mais de 50 volumes. Pesquisando, cheguei ao disco do Simonal, e meu pai dizia: “Ele era dedo-duro, teve envolvimento com os militares”; como criança, não tinha entendimento disso. Participei, há 10 anos, do documentário Simonal — Ninguém sabe o duro que dei, na pós-produção, e entendi melhor a confusão. Um documentário fazia, à época, no máximo, 300 mil espectadores de público; como gosto de contar histórias, fazer uma construção boa de narrativa, que já usava em videoclipes, optei pela ficção juntando polícia, música, ditadura, medo e racismo.
 
 
Há julgamento distinto para o cidadão e o artista Simonal? 
Ele foi um injustiçado pelo sistema, num país dividido. Aliás, não há a cena do Simonal delator, no filme. Não achei bases, e acho que ele lutou até o fim contra a ideia. Acho, sim, que ele errou. Já, como artista, pelo suing e pela voz, não tinha igual. Artista fantástico memorável. Como cidadão, não sei. Não passei pelo que ele passou. Sou branco, classe média. Fica claro que ele se envolveu, e a sociedade o crucificou de uma forma... A história, aliás, é muito cíclica: há 10 anos, o Brasil era outro, né? Delação era coisa ruim. Agora, é premiada! Ainda pesou a arrogância do Simonal, do negro, pobre de favela que, aos trinta e poucos anos, tinha cobertura, Mercedes.
 
 
Como a família recebeu a ideia do filme?
Tinha contato com a família do Simonal, por causa do documentário. Eles até estavam negociando para fazer um musical, quando fui procurá-los. Ouvi deles: faça a sua versão, a sua história. Tive liberdade total. Liam o roteiro, e diziam ok. A biografia Nem vem que não tem — A vida e o veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre, trouxe muitos dados históricos para o filme. Ficamos confortáveis de trazer Max de Castro e Wilson Simoninha para a trilha sonora, pois eles têm a carreira inteira das músicas do pai e todos os arquivos de músicas.
 
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Correio Braziliense Wednesday, 07 de August de 2019

JOÃO CARLOS MARTINS: O LEGADO DO MAESTRO

 

O legado do maestro
 
João Carlos Martins regerá as orquestras de Sopros e Percussão Arte Jovem, de Ceilândia, e a da Casa Azul Felipe Augusto, de Samambaia. O projeto foca a inclusão social por meio da música

 

ROBERTA PINHEIRO

Publicação: 07/08/2019 04:00

 (Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 22/2/18)  
 
Histórias para contar não lhe faltam. Sobretudo, se acompanhadas por música e muita emoção. O pianista e “velho maestro”, como se define João Carlos Martins, percorreu o mundo com seu talento. Desde os 8 anos de idade, ele revelou maestria na execução das obras de Johann Sebastian Bach. São mais de seis décadas dedicadas à música clássica. Seu nome também invoca um conhecido relato de superação, que inclui acidentes, complicações osteomusculares nos membros superiores e 24 cirurgias neurológicas. A última, inclusive, amenizou dores no braço esquerdo, mas limitou, de forma definitiva, os movimentos nos dedos da mão.
 
Ao piano, João Carlos Martins agradeceu os anos de companheirismo e guardou os ensinamentos e as conquistas. Aposentou e seguiu para a regência, na qual ele descobriu histórias de um outro Brasil e definiu o legado que pretende deixar. “No piano, só posso agradecer a Deus tudo o que aconteceu. Perdi as mãos para o piano, mas na regência encontrei o meu destino. Resolvi carregar a bandeira do Villa-Lobos, porque ele dizia: ‘Não é um público inculto que vai julgar as artes, as artes que mostram a cultura de um povo’”, relata o maestro.
 
Realidade
 
Em 2018, nascia o projeto Orquestrando o Brasil, uma plataforma digital para disseminação de conteúdo, oferecendo capacitação destinada a regentes e músicos, além de ser uma ferramenta para a troca de conhecimento. Martins começou a visitar diferentes cidades do país e conhecer a realidade de municípios que, por exemplo, não têm acesso aos grandes centros culturais, mas que mantinham uma pequena banda. “Nas visitas, vou juntando cordas com sopros e formando a orquestra. A cada 15 dias, além de estar presente fisicamente, recebo vídeo do ensaio deles, faço comentários e, no site, publicamos tudo. Vamos começar com aulas on-line ligando os alunos das diferentes regiões também”, conta o maestro.
 
Para ele, o Brasil é um país musical. E, assim como Villa-Lobos, seu intuito é fechar o país em forma de coração por meio da música. “Ele conseguiu que todas as escolas tivessem o ensino de música em uma época que não tinha nem tevê nem internet. Quem sou eu perto de Villa-Lobos, mas pela exposição na mídia, eu resolvi carregar essa bandeira”, justifica Martins. Em pouco mais de um ano, o projeto, realizado em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Sesi e Fiesp, reúne 430 orquestras, um universo que representa mais de 15 mil músicos, com grupos musicais de 180 municípios espalhados em 14 estados, incluindo o Distrito Federal.
 
 
 
Duas perguntas / João Carlos Martins
 
 
Por que projetos de inclusão social com a música dão certo?
Faço visitas à Fundação Casa, antiga Febem, e uma vez recebi um presente com um bilhete: “Tio maestro, a música venceu o crime, Feliz Natal”. Quando você faz a divisão em quatro grupos: formação de público, música como hobby, talento que pode tocar numa orquestra e diamante, no momento que você faz essa divisão, o projeto de inclusão social passa a ser uma luz no fundo do túnel. Chego para o jovem e falo: “Tenha certeza que se continuar firme na música, do jeito que nós estamos, procurando a revolução musical, você vai poder casar, ter sua família e sustentar a sua família por meio da música”. Tem também a disciplina e o respeito. Eu sempre digo que o resultado de uma carreira é 2% é o dom de Deus e 98% é a disciplina de um atleta, ou seja, 2% é a alma de um poeta, sem a alma do poeta não acontece nada e sem a disciplina, também. Falo também que a função do artista é transmitir emoção. Hoje, a coisa mais importante que nós necessitamos é a palavra emoção.
 
 
Como levar a orquestra para um público jovem?
A diversidade ajuda a formação de público. Vou fazer uma apresentação que vai de Beethoven a Maria Bethânia. Depois, me apresento com Chitãozinho e Xororó. Para aquelas pessoas de nariz empinado entenderem a força da música sertaneja nas raízes do Brasil, e o público da música sertaneja entender que tudo vem da música clássica. Bach foi a síntese de tudo e a profecia de tudo. É importante fazer com que um público respeite o outro. Só existe um tipo de música, a música de bom gosto. Importante também não esperar o público ir ao teatro, mas ir ao encontro do público. Se todos os músicos clássicos de ponta saíssem de suas torres de marfim e tivessem essa mentalidade. Não adianta reclamar que não tem público. Por fim, tem o carisma, a parte carismática do maestro é muito importante para atrair o público.
 
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Correio Braziliense Tuesday, 06 de August de 2019

A IMPORTÂNCIA DAS ABELHAS

 

A importância das abelhas
 
Apesar do uso intensivo de agrotóxicos na região, o mercado do mel cresce no DF. Saiba mais sobre essa atividade econômica e ecológica

 

JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 06/08/2019 04:00

Carlos Alberto:   

Carlos Alberto: "Se a pessoa tiver enxames fortes, é possível pagar todo o investimento a partir da primeira colheita"

 

Poucos seres são capazes de despertar sentimentos tão opostos quanto as abelhas. Enquanto, para alguns, são motivo de pânico, para outros, são razão de fascínio. Aqueles que descobriram o amor por esses insetos — caracterizados por três pares de patas e dois pares de asas — mantêm o sentimento vivo por meio de passatempos e profissões que envolvem curiosidade por um universo minúsculo.
 
No Distrito Federal, há quem se dedique aos cuidados das espécies típicas do cerrado. Um deles é o militar aposentado Heráclito Sette, 64 anos. Ele começou a se dedicar ao hobby da meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) em 2007. Hoje, ministra cursos no Sítio Geranium, na área rural de Taguatinga.
 
A atividade tornou-se, segundo ele, uma maneira de “pagar a dívida com o planeta olhando para o meio ambiente”, uma vez que as abelhas sempre foram alvos fáceis da ação humana. “À medida que você conhece mais o assunto, vê que (o cenário) está cada vez pior e que é mais grave que pensávamos. A polinização é a principal função delas. E isso permite a manutenção da biodiversidade”, explica Heráclito.
 
No sítio onde as aulas acontecem, há cerca de 45 colmeias, com abelhas de 12 espécies nativas do cerrado. Mandaçaia, jataí, mandaguari, marmelada e uruçu do planalto — sob risco de extinção — são alguns dos espécimes encontrados por lá. Abrigadas em caixas de madeira cobertas com telhas, elas vivem aos cuidados atentos de Heráclito, deixando os ninhos de vez em quando para buscar alimento em flores de plantas próximas, como pés-de-manjericão, mangueiras e bananeiras.
 
Durante as visitas de estudantes da educação básica, universitários ou de participantes do curso de meliponicultura, Heráclito mostra um pouco de um mundo extenso, complexo e organizado. Há, ainda, um momento para degustação de mel, quando é possível diferenciar texturas, cores e nuances no sabor e no aroma, a depender das características e dos hábitos das espécies.
 
Os cursos ocorrem de duas a três vezes por ano, durante uma manhã e uma tarde. O próximo encontro está previsto para novembro. “Abrimos colmeias, retiramos abelhas, multiplicamos, colocamos todas em garrafas pet revestidas em plástico preto. Nós motivamos as pessoas a levarem-nas para as próprias casas, fazendas ou sítios”, conta o professor.
 
Ameaça
 
A relevância desses insetos é digna de destaque há bastante tempo. O papel crucial delas no processo de polinização de plantas gera preocupação por todo o mundo, principalmente pelo fato de serem responsáveis pela polinização de 75% das principais culturas alimentares do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o segmento da entidade voltado para a Alimentação e a Agricultura (FAO), há de 25 mil a 30 mil espécies delas na Terra. Mesmo assim, elas estão sob ameaça, e a quantidade de abelhas existentes tem caído em decorrência da ação humana.
 
O Censo Agro 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou que 1,6 milhão dos produtores agropecuários usaram agrotóxicos em 2017. A taxa subiu 20,4% em 11 anos e a aplicação dos químicos representa grande perigo para a vida das abelhas. Extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Névio Gonçalves Guimarães trabalha com elas há quase 30 anos. Ele acrescenta que a criação, quando ocorre em áreas seguras, gera resultados positivos para a natureza.
 
“É um absurdo (o uso de agrotóxicos). É preciso haver mais reflorestamento e cuidado com as plantas. Tem havido invasão de abelhas em áreas urbanas, pois os lugares disponíveis para a construção de casas delas está acabando”, comenta. Névio defende, ainda, que exista mais estímulo para a criação desses insetos no meio urbano. “Se houvesse incentivo de criação de abelhas, não necessariamente só das com ferrão, daria tempo de recuperar (as florestas) e de tornar as atividades viáveis em termos de polinização”, completa Névio.

Heráclito Sette:  

Heráclito Sette: "A polinização é a principal função delas (abelhas). E isso permite a manutenção da biodiversidade"

 

 
Produção que dá lucros
 
A produção de mel no Distrito Federal tem impactos tímidos na economia, mas gera lucros para quem investe no negócio. A fase de produção ocorre durante a seca, em um período que dura de quatro a cinco meses. Por ano, são produzidas cerca de 34 toneladas, mas apenas 10% do produto consumido é feito por aqui, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os outros 90% vêm de outras unidades da Federação.
 
Mesmo com a alta demanda, com a quantidade de espaços para criação de abelhas e com o incentivo de entidades representativas do setor, faltam interessados. Apicultor e produtor de mel de eucalipto, o presidente da Associação Apícola do Distrito Federal (Apidf), Carlos Alberto Bastos, conta que o investimento tende a gerar resultados a partir do primeiro ano da produção. “Se a pessoa tiver enxames fortes, é possível pagar todo o investimento a partir da primeira colheita. É muito vantajosa a produção de mel aqui no DF”, garante.
 
O mel também é produto de interesse de Sérgio Luiz Farias, presidente do Sindicato de Apicultores do DF (Sindiapis). Ele acredita que a divulgação de informações sobre o risco à vida das abelhas fez com que a quantidade de interessados pela apicultura e pela meliponicultura crescesse. “Muita gente não criava abelhas, mas começou a ver a questão da mortalidade e passou a se interessar, criar, produzir. Hoje, tenho um bocado de caixas. É uma paixão. Eu me aproximei da área por gostar delas. A produção foi consequência”, relata o produtor. “Quanto mais estudo, busco informações, faço cursos, mais encantado fico”, completa.
 
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Correio Braziliense Monday, 05 de August de 2019

PAN-AMERICANO: MAIS OUROS PARA O BRASIL

 

Ouros e mais uma vaga olímpica
 
No domingo, em Lima, equipe brasileira sobe sete vezes no lugar mais alto do pódio. Enquanto isso, equipe de hipismo garante um lugar em Tóquio, e brasiliense é prata na marcha atlética

 

Publicação: 05/08/2019 04:00

 

Na maratona aquática, Ana Marcela Cunha ficou com o ouro, e Viviane Jungblut conquistou o bronze: pensamento, agora, é nos Jogos Olímpicos (Luis Robayo/AFP









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Na maratona aquática, Ana Marcela Cunha ficou com o ouro, e Viviane Jungblut conquistou o bronze: pensamento, agora, é nos Jogos Olímpicos

 

 


Domingo é dia de trabalho. E com bons resultados. Assim foi nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Os brasileiros levaram sete medalhas de ouro e subiram, ao todo 16 vezes ao pódio. O Distrito Federal deu sua contribuição com o segundo lugar de Caio Bonfim nos 20km da marcha atlética. E, de quebra, o país ainda viu a classificação da equipe de hipismo para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem, com a segunda colocação no concurso completo de equitação. A competição em território peruano termina no próximo domingo. No quadro de medalhas, o time verde-amarelo está na segunda colocação, com 22 ouros, 16 pratas e 34 bronzes — 72 medalhas no total. A primeira posição segue com os Estados Unidos.

Um dos destaques do dia foi a baiana Ana Marcela Cunha. A maior vencedora da história das maratonas aquáticas conquistou uma medalha inédita para o Brasil: o ouro da prova de 10km da modalidade, com o tempo de 2h00min51. E teve mais: a brasileira Viviane Jungblut ainda ficou com o bronze. Para Ana Marcela, que já está classificada para os Jogos Olímpicos. “É a primeira prova de 10km depois da classificação olímpica, e a gente começa uma jornada até os Jogos Olímpicos de Tóquio, para a nossa prova que será no dia 5 de agosto de 2020, daqui um ano praticamente”, lembrou a nadadora, que chegou 31s3 à frente da segunda colocada, a argentina Cecilia Biaglioli.

 

Chloé Calmon superou atleta local para subir no lugar mais alto do pódio (Wander Roberto/COB)  

Chloé Calmon superou atleta local para subir no lugar mais alto do pódio

 

 

 

No fim do dia, o tenista mineiro João Menezes também fez bonito e levou o ouro na final contra o chileno Tomás Barrios. O atleta de 22 anos teve um rival forte, mas conseguiu vencer por 2 sets a 1 (7/5, 3/6 e 6/4). O mineiro se tornou o sexto brasileiro a conquistar a primeira colocação em Jogos Pan-Americanos. O último a ficar com a medalha dourada na competição havia sido Flávio Saretta, em 2007, no Rio de Janeiro.

Canoagem
O domingo também foi muito positivo para o Brasil na canoagem slalom do Pan-Americano, com duplo ouro para Ana Sátila e Pedro Gonçalves. Ela venceu nas categorias C1 e K1 cross, enquanto Pedro Gonçalves subiu no lugar mais alto do pódio no K1 e no K1 cross. E Felipe Borges foi bronze no C1.

Ainda na água, o surfe se despediu de Lima com ótimos resultados. Chloé Calmon levou o ouro na categoria longboard, os famosos pranchões, enquanto Nicole Pacelli, no Stand-Up Paddle (SUP) wave, ficou com o bronze. A modalidade, no total, contribuiu com quatro pódios: na sexta-feira, no SUP race, Lena Ribeiro abocanhou o título e Vinnicius Martins conquistou a prata. Para Chloé, uma superação a mais, afinal, enfrentava Maria Fernanda Reyes, atleta peruana. “Eu sabia que ia ser uma bateria bem disputada, toda a torcida estava a favor da Maria Fernanda. Deixei todos os pensamentos de medalha de lado, entrei com a cabeça fria”, contou a brasileira, líder do ranking da World Surf League (WSL).

 

Caio Bonfim, atleta de Sobradinho, dedicou a prata para a mulher (Alexandre Loureiro/COB)  

Caio Bonfim, atleta de Sobradinho, dedicou a prata para a mulher

 

 

 

Em Tóquio
E quem disse que uma prata não pode ser comemorada como um ouro? Foi o caso da equipe de hipismo do Brasil, que ficou com o segundo lugar no concurso completo de equitação — uma espécie de triatlo da categoria, com provas de adestramento, cross country e salto. A colocação foi suficiente para dar uma vaga para o time nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem. De quebra, Carlos Parro, montando Quaikin Quious, ficou com o bronze no individual.

O grupo, formado por Rafael Mamprin Losano/Fuiloda G, Marcelo Tosi/Starbucks e Parro, perdeu 122,1 pontos e ficou atrás apenas dos EUA (91,2 pontos perdidos). Somente os dois conjuntos carimbaram o passaporte para Tóquio. O técnico Ademir Oliveira lembrou também do cavaleiro Ruy Fonseca, que sofreu um acidente e teve que ser substituído. “Esse resultado é fruto do trabalho desses meninos, que não mediram esforços para estar aqui e fizeram por merecer”, afirmou Oliveira. O cavalo de Fonseca tropeçou e fez o atleta cair. Ele quebrou três costelas e sofreu fratura do úmero proximal do braço esquerdo, deve passar por cirurgia, mas se encontra estável e consciente.


As medalhas do dia

OURO

» Ana Marcela Cunha (maratona aquática, 10km feminino)
» Ana Sátila (canoagem slalom, C1 feminino)
» Pedro Gonçalves (canoagem slalom, K1 masculino)
» Chloé Calmon (surfe, longboard feminino)
» Ana Sátila (canoagem slalom, K1 cross feminino)
» Pedro Gonçalves (canoagem slalom, K1 cross masculino)
» João Menezes (tênis, individual)

PRATA
» Caio Bonfim (atletismo, marcha atlética 20km)
» Equipe (hipismo, CCE)

BRONZE
» Erica Sena (atletismo, marcha atlética 20km feminino)
» Nicole Pacelli (surfe, SUP wave feminino)
» Viviane Jungblut (maratonas aquáticas, 10km feminino)
» Felipe Borges (canoagem slalom, c1 masculino)
» Carlos Parro (hipismo CCE, individual)
» Conjunto (5 bolas, ginástica rítmica)
» Vôlei masculino

 

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Correio Braziliense Sunday, 04 de August de 2019

PARA RELAXAR NO INVERNO

 

Para relaxar no inverno
 
Apesar das manhãs frias que marcam a estação, o céu aberto no restante do dia é um convite a atividades ao ar livre. Com piquenique ou churrasco, muitos aproveitam a temporada sem chuvas para desfrutar os espaços da cidade

 

PEDRO CANGUÇU*
RENATA NAGASHIMA*

Publicação: 04/08/2019 04:00

A família Rocha promoveu um encontro só de mulheres no Parque da Cidade: caminhada, lanche e muita diversão ao ar livre (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

A família Rocha promoveu um encontro só de mulheres no Parque da Cidade: caminhada, lanche e muita diversão ao ar livre

 



Seja em parques, seja no Zoológico, seja à beira do Lago Paranoá, opções para curtir o fim de semana ao ar livre com piquenique, ou até um churrasco, não faltam na capital. Mesmo no inverno, o sol não deixa de aparecer, e os dias se tornam mais agradáveis para curtir momentos de lazer em espaços abertos com a família e os amigos.

Toalha na mesa, uma cesta de frutas, pães de queijo e vários salgados. Assim a família Rocha se reúne, semanalmente, para atividades de lazer. Mas o encontro do dia é especial: só de mulheres. Moradoras de Taguatinga, as parentes se consideram uma “família cultural”, que não perde uma atividade na cidade.

“Gostamos muito das áreas verdes de Brasília. Aproveitamos o espaço para fazer caminhada, piquenique. Também participamos das exposições que ocorrem na cidade. E não tem tempo ruim. Hoje, por exemplo, vamos ficar aqui até a comida acabar”, brinca a educadora social Maria de Lourdes Rocha, 53 anos.

Preparada para amarrar a rede em uma das árvores do espaço, ela comenta que a decisão sobre o cardápio e o espaço onde passarão o fim de semana ocorre por telefone. “Você leva isso, você, aquilo. E a gente se vira com o que tem”, resume. Além da tradicional caminhada no parque, a tarde está reservada para jogos de cartas, ouvir música e colocar o papo em dia.

Piquenique no Zoo Com área de mais de 100 hectares, o Jardim Zoológico de Brasília é um dos espaços que promovem a reunião de amigos e familiares durante o passeio para ver os animais. Neste ano, o parque adquiriu 100 mesas para piquenique e 43 bancos para jardins.

Nas férias escolares, Eliene Rosa, 40, recorreu a programas que as crianças pudessem aprender de forma diferente. A empresária reuniu os filhos e os sobrinhos para um passeio no Zoo. Para Victor Henrique, 10, foi um momento enriquecedor. “É muito legal ver os bichos, saber o nome deles, o que eles comem. É um bom aprendizado.”

Eliene aproveitou as mesas para fazer um piquenique com a família. “É importante a interação das crianças com o ambiente, com outras crianças.”

Mesmo com as mesas disponíveis, muitas pessoas têm o hábito de forrar toalhas na grama, mas a equipe do Zoológico desaconselha a prática, devido à alta incidência de carrapatos nesta época seca do ano.

Apesar das recomendações, algumas pessoas ainda preferem o jeito tradicional de fazer piquenique. É o caso da vendedora Gislene Noemia Correia de Souza, 25 anos, que saiu com as filhas, a irmã e as sobrinhas de Santo Antônio do Descoberto (GO) para aproveitar os últimos dias de férias escolares das crianças. Ao todo, a turma gastou em torno de duas horas para chegar ao destino, mas garante que o percurso vale a pena.

Segundo Gislene, a forma mais divertida de fazer um piquenique é estender a toalha no chão e deixar a meninada livre. “Eu acho maravilhoso. É mais confortável. Na minha cidade, não há muita atração para as crianças; então, sempre que posso, faço um passeio desse tipo com elas.”

Antes do lanche, no entanto, a garotada visitou a onça, a girafa, a zebra e o elefante. O animal mais esperado era a cobra. “Desde que chegaram, elas estão falando da cobra. Mas, para mim, o mais bonito é o tigre”, acrescenta Gislene.


Acompanhada das filhas, da irmã e das sobrinhas, Gislene Noemia Correia veio do Entorno para um passeio no Zoológico (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Acompanhada das filhas, da irmã e das sobrinhas, Gislene Noemia Correia veio do Entorno para um passeio no Zoológico

 




Churrasco na Prainha
Outro ponto ideal para aproveitar o dia ao ar livre é a Prainha do Lago Norte. O destino é o favorito da família da gastrônoma carioca Simone Correia, 38, que cresceu frequentando praias. Para amenizar a saudade que sente da terra natal, ela se reúne com os parentes por lá. “Como Brasília não tem mar, gosto do local, porque lembra um pouco do ambiente da praia”, justifica.

Alegria e paz são palavras que resumem o momento de interação com os familiares. “Se depender de mim, nos reuniríamos toda semana. É linda toda essa natureza, e as crianças se divertem bastante”, diz ela. Em vez do tradicional piquenique, a família prefere um churrascão no lago. Com uma churrasqueira portátil, o grupo assa carne e se diverte à beira do Lago Paranoá.

* Estagiários sob supervisão de Mariana Niederauer




Aproveite

Confira algumas dicas para curtir o fim de semana, seja com piquenique, seja em um churrasco, e com muitas opções de lazer!


Água Mineral
Endereço: Via Epia, BR-040 — Setor Militar Urbano
Entrada: R$ 12
Horário de funcionamento: diariamente, das 8h às 16h

Deck Sul
Endereço: 
às margens do Lago Paranoá, na L4 Sul, próximo à Ponte das Garças
Atrações: mesas de xadrez e tênis, quatro quadras de esportes, três parques infantis, um Ponto de Encontro Comunitário (PEC) e um circuito para a malhação

Pontão do Lago Sul
Endereço:
 SHIS Ql 10, lotes 1/30, Lago Sul
Horário de funcionamento: diariamente, os horários variam entre as 7h e as 2h.
Informações: (61) 3364-0580
Atrações: decks, bancos, parquinho e área com grama, além de bares e restaurantes.

Jardim Zoológico de Brasília
Endereço: 
Avenida das Nações, Via L4 Sul.
Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados. 
No período escolar, o Zoológico funciona todos os dias para visitação, das 8h30 às 17h.
Entrada: R$ 5, de terça a quinta; R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), sexta, sábado, domingo e feriados.
Informações: (61) 3445-7000

Prainha do Lago Norte
Endereço:
 Setor de Mansões do Lago Norte, próximo à MI 5, com acesso pela Estrada Parque Paranoá.

Parque da Cidade Sarah Kubitschek
Endereço:
 Eixo Monumental
Horário de funcionamento: livre acesso, 24 horas por dia.

Parque Ecológico de Águas Claras
Endereço:
 à margem da Avenida Parque Águas Claras, próximo à Estação de Metrô Águas Claras.
Horário de funcionamento: diariamente, das 6h às 22h.

Parque Ecológico e de Uso Múltiplo Olhos D’Água
Endereço: 
413 e 414 Norte
Horário de funcionamento: diariamente, das 6h às 20h.

Taguaparque
Endereço:
 Estrada Parque Contorno, s/n, Taguatinga
Horário de Funcionamento: 24 horas por dia.
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Correio Braziliense Saturday, 03 de August de 2019

CLUBES DE BRASÍLIA: COMO SE ESTIVESSE EM CASA

 

Como se estivesse em casa
 
Clubes tradicionais como a Associação de Esporte e Lazer dos Subtenentes e Sargentos do Exército e o Clube dos Previdenciários investem na qualidade de vida dos sócios

 

» ALAN RIOS

Publicação: 03/08/2019 04:00

Piscina da Asseb é principal atração entre as crianças (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Piscina da Asseb é principal atração entre as crianças

 

 
Os brasilienses gostam de lugares em que se sentem em casa nas horas de descanso e lazer. Quando o espaço oferece muitas opções de atividades e ainda mantém um clima familiar, melhor ainda. É esse o cenário que encontram os sócios da Associação de Esporte e Lazer dos Subtenentes e Sargentos do Exército (Asseb) e do Clube dos Previdenciários de Brasília (Previ). Embora cada um possua sua própria identidade, ser um ambiente acolhedor é característica dos dois locais. Tanto que qualquer pessoa pode fazer parte das instituições.
 
“Eu me sinto em casa na Asseb, porque é um clube totalmente organizado, onde todos se tratam como parentes. Nós temos uma filosofia de que cada um tem sua participação na hora de zelar pelo clube e isso cria um ciclo de amizade saudável. Tem funcionário que é como se fosse irmão para mim”, conta Fagundes de Oliveira, 84 anos, um dos sócios mais antigos da associação. Militar da reserva, ele viu o clube crescer e conhece cada detalhe da história do lugar. “Lembro-me que a Asseb começou no Rio de Janeiro e teve esse braço no Distrito Federal. Mas, com o tempo, a gente foi querendo ter uma independência deles, porque lá era um ótimo lugar, mas Brasília é Brasília”, brinca.
 
Conhecido antigamente como Clube do Rocha, o lugar passou a fazer parte da história do Distrito Federal oferecendo grandes eventos e uma recepção que faz qualquer um se sentir num segundo lar. Sérgio Luiz Dias, atual presidente, é parte da associação há quase 20 anos, mas começou trabalhando como terceirizado do bar da Asseb. “Naquele tempo fui estudando o clube e observando o que poderia melhorar. Quando cheguei à direção, comecei a implementar algumas melhorias. Mas o que não mudou nesses anos foi um dos nossos principais diferenciais, que é a união entre todos os funcionários e sócios”, avalia.

Complexo esportivo tem campeonatos entre sócios na Asseb (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Complexo esportivo tem campeonatos entre sócios na Asseb

 

 


Sergio Luiz Dias (D) e o vice, Jeronimo Barbosa: a Asseb para o sócio (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Sergio Luiz Dias (D) e o vice, Jeronimo Barbosa: a Asseb para o sócio

 


Crianças moradoras do Itapoã participam de atividades na Asseb (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Crianças moradoras do Itapoã participam de atividades na Asseb

 



Gerações
 
Apesar da longa história do clube, destacada principalmente pelos mais velhos, o lugar também recebe de braços abertos crianças e adolescentes. “Por conta dos planos família, também temos muitos jovens entre os associados. Eles gostam de jogar bola, praticar esportes em geral, assar uma carne com os amigos e se divertir”, conta. O vice-presidente da instituição, Jerônimo Barbosa, lembra que o público infantil que faz parte de um projeto social do clube também dá vida ao lugar. “Administrar esse clube é mais do que um serviço comum, porque nós não queremos ganhos financeiros, queremos é ver a felicidade das crianças do programa e a comodidade dos sócios, por exemplo”.
 
Há nove anos a Asseb mantém o Projeto Programa Força no Esporte (Profesp), que atende mil crianças de regiões vulneráveis para fornecer aulas de reforço, complementações pedagógicas, alimentação e atividades esportivas. O diferencial é comemorado por pessoas como Francisco Antônio de Andrade, coordenador da ação, que acredita que todo clube poderia ter propostas semelhantes.
 
“Segunda, terça e quarta-feira as dependências ficavam mais ociosas antes do programa, e hoje já não é mais assim. Mas o principal motivador são as crianças. Algumas histórias delas mexem muito com a gente”, lembra.
 
Um dos pequenos que está diariamente na associação no contraturno escolar é Felipe Wanderley, 9 anos. Morador do Itapoã, ele tem nove irmãos e sonhos do tamanho da família. “Quero ser engenheiro quando crescer e o projeto me ajuda muito. Com as aulas de reforço estou aprendendo inglês e espanhol. Também tive aulas de artesanato, que são boas para a escola, porque aprendi a ter criatividade”, explica.

Aulas de natação movimentam o Previ (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)  

Aulas de natação movimentam o Previ

 


Clara Camarano e Flavia Teixeira: o clube é uma segunda casa (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

Clara Camarano e Flavia Teixeira: o clube é uma segunda casa

 



Pequena cidade
 
Outro lugar que deixa os associados se sentindo em casa é o Clube dos Previdenciários de Brasília, apelidado carinhosamente de Previ. Fundado em 1962, ele também é conhecido por ser um espaço onde se encontra de tudo: atividades de musculação, taekwondo, música, futebol, judô, karatê, ioga, natação, hidroginástica, balé, crossfit, serviços de atelier de costura, consultório de homeopatia, clínica de estética, lavanderia, lava-jato, restaurantes e até salão de sinuca estão entre as opções do ambiente.
 
“Meu avô era sócio e trazia os netos. Depois essa paixão passou para o meu pai e para mim. Fico encantada porque o clube é uma minicidade, tem muitos serviços e um atendimento bem acolhedor, quase personalizado”, conta Flávia Teixeira da Silva, 46, profissional de relações públicas e associada desde os 5 anos. Brincando que praticamente mora no Previ, ela lembra ainda que o clube sempre se adequou às suas necessidades ao longo do tempo. “Quando criança eu fazia natação, depois passei a fazer balé clássico. Fui crescendo e mudando as atividades, jogando totó na adolescência, participando da feirinha de vendas na fase adulta… Cresci dentro do clube”.
 
Presidente há 14 anos, José Vital Campos diz que se sente como se fosse um associado. “Eu não recebo salário nenhum, mas vou todo dia para o Previ, porque gosto, isso me rejuvenesce, mesmo eu estando com meus 80 anos. Muitas vezes, acabo tirando do meu bolso para sustentar alguma mudança, mas é bom ver o clube crescer”, diz.
 
Um dos maiores orgulhos dos sócios e de José Vital é a tradicional seresta do clube, que acontece semanalmente e enche a casa. “Nossa festa tem uma frequência de 500 pessoas a cada sexta-feira e é muito especial e tradicional, tanto que a gente só não realiza em duas ocasiões, no Dia de Finados e ano-novo. Sempre contratamos os melhores conjuntos pensando nos sócios. Já tivemos nela até o Nelson Gonçalves e Agnaldo Timóteo”, lembra.
 
Memórias afetivas
 
Esses eventos ficam guardados em fotos e recordações de Flávia, que lembra de quando o pai era vivo e não perdia uma seresta. “Eu buscava ele em casa, íamos para o Previ, na sexta-feira à noite, e nos divertíamos muito. Meu pai era o dançarino principal! Foram momentos bem especiais para a gente. Me traz uma memória afetiva muito forte lembrar daquelas músicas de época, como boleros, das danças... é muito gostoso”.
 
Quem também tem momentos para recordar de forma carinhosa no clube é a atriz Clara Camarano, 35. Ela é sócia  desde a infância e só se distanciou quando foi morar no Rio de Janeiro, mas agora está de volta ao lar. “Acho que os pais precisam incentivar mais os filhos a saírem dos celulares, meios eletrônicos e irem aos clubes. Nesse ambiente eles se divertem, conhecem outras pessoas, nadam, jogam... tudo isso resgata um pouco daquela velha infância que eu tive nessas dependências”, conta.


Clube dos Previdenciários de Brasília (Previ)
 
» Área: 12 mil metros quadrados

» Número de sócios: 2500 associados

» Como se associar: o clube permite associados de todo o Distrito Federal e possui convites para uso diário de público externo, que custa R$ 40. Para se associar, basta comparecer à secretaria, localizada na 712/912 Sul. As mensalidades possuem preços a partir de R$ 100.
 
Criação: 1962


Associação de Esporte e Lazer dos Subtenentes e Sargentos do Exército (Asseb) 
 
» Área: 50 mil metros quadrados

» Número de sócios: mais de 2 mil associados

» Como se associar: há uma ficha de associação a ser preenchida no site oficial do clube, mas os interessados podem ir até o local para conhecer as dependências e atividades oferecidas, independente de ter ou não patentes militares. O plano família é o mais acessível, e custa R$ 107.

» Criação: 1950 no Rio de Janeiro. Em 1969 foi inaugurada a filial em Brasília com, nome de Clube do Rocha e, em 2013, foi inaugurada com independência do Rio, com nome de Asseb.
 
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Correio Braziliense Friday, 02 de August de 2019

O AZUL DO CÉU ENCONTRA O AMARELO DO IPÊ

 

O azul do céu encontra o amarelo do ipê
 
Depois das espécies com floração roxa, é a vez de a cidade se encantar com as plantas cor de ouro

 

» CAROLINE CINTRA

Publicação: 02/08/2019 04:00

Em Sobradinho (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Em Sobradinho

 



Na quadra 13 de Sobradinho, um ipê bastante florido virou ponto turístico da cidade (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Na quadra 13 de Sobradinho, um ipê bastante florido virou ponto turístico da cidade

 

 Chegou a temporada de um dos ipês mais queridos pelos brasilienses, o amarelo. Em diversas regiões do Distrito Federal, já podem ser vistas as árvores características do cerrado florindo e enfeitando a capital com a cor alegre e cheia de vida. Esta é a segunda espécie de ipê a florescer, seguida do rosa, depois o branco e, por último, o verde. O que abre o período é o roxo, que ainda pode ser visto em diversos lugares, em especial, no centro de Brasília, na Esplanada dos Ministérios (veja Para Saber Mais).
 
Os ipês-amarelos são os que têm plantas mais vigorosas e resistentes e atingem entre 15 metros e 18 metros. A duração das flores é de 15 dias, em média, sendo que uma árvore pode florir mais de uma vez durante o mesmo período de seca. A floração de uma mesma cor pode durar até dois meses, dependendo das condições climáticas.
 
Além da beleza, os ipês-amarelos fazem parte dos cartões-postais do DF. O chefe do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Raimundo Silva, ressalta que todas as espécies da árvore têm peculiaridades, no entanto, a amarela é a que mais chama a atenção, principalmente de turistas. “É o ipê que tem a cor mais nítida e, hoje, é o símbolo do DF. Muitas pessoas vêm de fora para tirar foto e registrar a beleza dos ipês-amarelos”, conta.
 
Em Águas Claras (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Em Águas Claras

 

 Em Sobradinho, uma árvore na área verde da Quadra 13 floresceu e está atraindo pessoas de todas as regiões. Alguns fazem apenas o registro fotográfico, outros celebram a floração com muita gratidão, como é o caso da corretora de seguros Cristiane Bonjardim, 41 anos, que mora em frente ao ipê. Ao falar sobre a beleza da árvore, os olhos cheios de lágrimas demonstravam a emoção de poder acordar e olhar as flores de cores vibrantes. “Não dá para descrever. Vê-lo assim, florido, dá uma sensação de vida, de algo feito por Deus mesmo”, declara.
 
Diariamente, a corretora anda pela área verde com os quatro cachorros da família e ressalta que até os animais de estimação se divertem com a árvore. “Eles vão direto para debaixo dela e brincam com as flores no chão, que é outro espetáculo. O solo amarelinho, contrastando com o azul do céu, fica maravilhoso. Tem gente vindo aqui direto para tirar foto, fazer vídeo. Virou um ponto turístico mesmo da cidade”, disse.
 
Em Águas Claras, o início da floração de um ipê-amarelo encanta a auxiliar de serviços gerais Vanderléia Alves, 42. Ela mora em Águas Lindas (GO) e passa pela árvore diariamente para chegar ao serviço. Para ela, a cidade fica mais linda quando as flores começam a aparecer. Além disso, gosta de tirar fotos quando encontra uma. “Ver todos os dias anima mais meu dia e deixa a paisagem ainda mais bonita. Por enquanto, só encontrei essa. Não vejo a hora de ver a cidade toda florida”, afirma.

Cristiane Bonjardim foi agraciada com um ipê-amarelo em frente à sua casa:  

Cristiane Bonjardim foi agraciada com um ipê-amarelo em frente à sua casa: "Dá uma sensação de vida. De algo feito por Deus mesmo"

 



No caminho 
para o trabalho, Vanderléia Alves para e admira 
a floração (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

No caminho para o trabalho, Vanderléia Alves para e admira a floração

 

 
Árvores do cerrado
 
A paixão pela natureza fez o servidor público Matheus Gonçalves, 40, criar um perfil no Instagram para compartilhar imagens de árvores nativas do cerrado. O interesse surgiu ainda na infância, quando observava as árvores tortuosas nas superquadras e parques de Brasília e o colorido dos ipês. Na hora de escolher a cor favorita, não disfarça admiração por todas. “Acho que cada uma delas, em seu tempo, colore de maneira muito especial a cidade. Mas, naturalmente, o amarelo é aquele mais chamativo e imponente”, admite.
 
Quem passa pela 705 Norte se depara com um ipê cujas flores amarelas “nunca murcham”. Na verdade, a árvore, feita de tecido TNT, fazia parte de uma exposição do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e foi resgatada pelo dono do coworking Espaço 365, Flávio Mikami, com o intuito de levar mais cor para a Asa Norte. “Ela foi um marco no processo de revitalização que a gente quer fazer na W3 Norte, um lugar bastante discriminado. A gente quis construir algo belo e que fizesse diferença na paisagem de Brasília”, disse o empresário.
 
A peça está no local desde o ano passado e chama a atenção de quem passa. Para Flávio, a árvore representa a construção de algo novo, além de representar resistência, que, segundo ele, simboliza a região. “O ipê resiste em lugares menos propícios. Está ali, nasce e se mantém em temperaturas bem adversas. Representa bastante o nosso espaço e a capital”, completa.


#missãoipêcb
A temporada dos ipês-amarelos ainda está no início, mas eles já podem ser vistos em várias regiões do DF. Encontrou algum por aí? Faça um lindo registro e publique a foto no Instagram com a hashtag #missãoipêcb. As imagens mais bonitas serão escolhidas pela equipe do Correio e compartilhadas nas redes sociais, no site e no jornal impresso. Vamos colorir nossas redes sociais com a beleza natural da árvore do cerrado.


Para Saber Mais
Veja as cores das florações dos ipês por época do ano:
 
» Roxo: junho e setembro
» Amarelo: julho e setembro
» Rosa: agosto e setembro
» Branco: agosto e outubro
» Verde: dezembro e março
 
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Correio Braziliense Thursday, 01 de August de 2019

FERROVIA NORTE–SUL

 

Governo assina concessão de ferrovia

 

Simone Kafruni

Publicação: 01/08/2019 04:00





A Rumo Logística, empresa vencedora do leilão dos trechos central e sul da Ferrovia Norte-Sul (FNS), assinou o contrato de concessão, ontem, no Porto Seco Centro-Oeste, em Anápolis (GO), cidade que completa hoje 112 anos. A companhia venceu o certame ao oferecer R$ 2,719 bilhões de outorga, um ágio de 100% sobre o valor mínimo de R$ 1,35 bilhão. Os investimentos são estimados em R$ 2,72 bilhões.

O presidente Jair Bolsonaro, os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; e da Agricultura, Tereza Cristina, além do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, participaram da cerimônia com executivos da empresa.

Bolsonaro afirmou que há coisas que não se compra, se conquista: a confiança. “Vocês confiaram em mim. Os empresários da Rumo confiaram na gente. Esta obra aqui não é para empreiteiros, é para empreendedores”, destacou. Ele elogiou seus ministros e disse que as entregas do governo são fruto de um trabalho conjunto. “Esta obra liga quatro regiões do país. Une o Brasil e traz progresso. A obra vai baratear fretes, reduzir consumo de combustíveis. O modal ferroviário é muito bem-vindo”, frisou.

O ministro Freitas cumprimentou a Rumo, por acreditar no Brasil. “É uma entrega importante, que foi pensada no Império de Dom Pedro II e começou no governo de José Sarney, há 32 anos”, afirmou. “É o início de uma transformação. Vamos mudar a matriz de transporte brasileiro, dentro de uma estratégia ferroviária muito sólida. Vamos ver o trem passar com contêineres empilhados, em operação pioneira da Rumo. Carga de Manaus vai ser entregue em Porto Alegre”, destacou.

Espinha dorsal

O trecho da Ferrovia Norte-Sul, concedido por prazo de 30 anos, tem extensão de 1.537km, é a espinha dorsal do sistema ferroviário brasileiro e vai ampliar a conexão da região central do Brasil ao Porto de Santos (SP) e Porto de Itaqui (MA). A concessão será para operar a ferrovia, que está praticamente pronta.
 
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Correio Braziliense Wednesday, 31 de July de 2019

JACKSON DO PANDEIRO: O REI DA PARAÍBA

 

O rei da Paraíba
 
O artista plástico Jô Oliveira produziu imagens para as celebrações dos 100 anos de Jackson do Pandeiro, um dos ícones da música brasileira

 

Severino Francisco

Publicação: 31/07/2019 04:00

 (Arquivo Pessoal)  
 
Neste 2019, o estado da Paraíba celebra, estuda, pesquisa, analisa, canta, dança, recria e respira Jackson do Pandeiro. O ano foi escolhido para ser tema central de uma série de comemorações conectadas com o sistema de educação. Não se trata de uma sessão naftalina. Jackson não é apresentado na condição apenas de representante da tradição; ele é reapresentado na singularidade de artista moderno, que misturava samba com rock, coco com samba, jazz com coco, chiclete com banana. É Jackson do Pandeiro pop.
 
E Brasília, onde Jackson do Pandeiro morreu em 10 julho de 1982,  entrou na conexão com o artista gráfico pernambucano/brasiliense Jô Oliveira. Ele fez uma série de cartazes e ilustrações sobre o cantor paraibano para uma megaexposição, sob a curadoria de Fernando Moura (biógrafo do cantor), Joseilda Diniz e Chico Pereira, no chamado Museu dos Três Pandeiros, desenhado por Oscar Niemeyer, em Campina Grande (PB).
 
As imagens de Jô são usadas como uma espécie de logomarca do evento: “A minha ligação com a música de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga vem desde os tempos de criança”, explica Jô. “Para mim, foram eles que deram a grande revelação de uma imagem do Nordeste. Só havia a imagem de miséria e seca. Embora fizessem música, as canções deles tinham uma narrativa visual. Foram determinantes para que eu escolhesse um caminho popular”.
 
Jô lembra que ia ao cinema para trocar gibis e ver seriados norte-americanos. Ao mesmo tempo, o Nordeste se materializou também nos bonecos de Vitalino e nas xilogravuras do cordel. O cinema brasileiro ainda não havia abordado o cangaço: “A única informação que tínhamos vinha do rádio. Então, por isso, a música de Jackson foi tão importante para mim”.
 
Nos cartazes e nas ilustrações que criou para representar Jackson do Pandeiro, Jô incorporou as cores, os traços e os signos da cultura nordestina. Estão impregnados de uma psicodelia popular das festas e dos folguedos de rua: “Eu ilustrei muitos livros de clássicos de Shakespeare, dos Irmãos Grimm ou de Lewis Carroll. Levei algum tempo para compreender que tinham uma conexão forte com a cultura nordestina. Nos tempos de criança, eu achava que Branca de Neve era uma história que acontecia do outro lado da serra perto de onde eu morava. O conto popular se veste com roupa local. Então, tento colocar tudo isso nas imagens do Jackson do Pandeiro”.

 (Arquivo Pessoal)  


Estímulo
 
Jô foi convidado a participar do projeto pela professora Joseilda Diniz, uma das curadoras de uma grande exposição em cartaz no Museu dos Três Pandeiros (há também um memorial, em Alagoa Grande, com objetos e imagens do filho mais famoso da região). Ela estimulou Jô a compor a figura de Jackson com traços da cultura pop da década de 1960, aliado aos elementos da cultura popular nordestina.
 
Em uma delas, Jackson toca o globo terrestre como se fosse um pandeiro. O paraibano era um cidadão do mundo pela cultura. O museu fez um mapeamento de toda a produção em cordel e xilogravura sobre Jackson do Pandeiro. Além disso, encomendou aos artistas novas produções sobre o rei do ritmo: “O próprio Jô Oliveira se debruçou sobre esse imaginário”, comenta Joseilda. “Reeditamos folhetos e fizemos editais para a criação de folhetos inéditos sobre Jackson. A Secretaria de Educação do estado estabeleceu como atividade obrigatória o ensino da obra de Jackson do Pandeiro por meio de festivais, palestras e visitas a museus”.
 
 (Arquivo Pessoal)  
 
Entrevista / Fernando Moura
 
Fernando Moura é coautor da melhor biografia sobre Jackson do Pandeiro, O rei do ritmo, escrita em parceria com Antonio Vicente. Nesta entrevista, ele fala da invenção e da atualidade do cantor paraibano.
 
 
Jackson do Pandeiro é relegado à condição de artista da tradição. Por que a abordagem dele como artista pop nas comemorações dos 100 anos do cantor paraibano?
Veja só, quem conhece o repertório dele conhece 30 ou 40 músicas, mas nós levantamos que ele tem 437 gravações oficiais, sem contar as domésticas. Deste repertório, você tem uma diversidade enorme, ele não pode ser tachado só de cantor de coco, de forró, de samba, de xote, de baião, de rojão, de maracatu ou candomblé. Não pode ser rotulado apenas de forrozeiro, ele é o rei do ritmo, no país mais musical do planeta. Então, ele transita por toda essa pluralidade de gêneros. Na época dele, ele era moderno.
 
 
Poderia dar um exemplo?
Ele foi o primeiro cantor da música popular brasileira a falar de mudança de gênero. Ele faz isso na canção A mulher que virou homem. Ele fez um twist, usou o rock, para criticar o twist. Em Chiclete com banana, ele diz: “Olha, não é só vocês que dão as cartas, nós, brasileiros, temos uma música interessante que vocês precisam aprender a tocar”. A temática, a letra, a sonoridade e o tratamento são modernos. Por isso, é pop, traz referências musicais históricas que a gente abandonou por deficiência da memória musical.
 
 
Com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, a música popular nordestina dá um salto. Como situa a relevância da invenção em Jackson?
A palavra correta é essa. São reinventores quando trazem as matrizes da tradição e adicionam novos elementos da cultura musical. No caso do Jackson, traz elementos do bebop, do jazz, do suingue, das orquestrações europeias. Ele foi músico de orquestras entre Campina Grande e Recife. Conviveu com maestros da qualidade de Moacir Santos. E não era só executante, ele participava dos arranjos das orquestras trazidas a Campina Grande. Por conta do algodão, muito dinheiro circulava, vinham orquestras para Recife que iam direto para Campina Grande. Ele absorveu tudo isso e colocou no coco e no samba.
 
 
Qual a relevância de Jackson para a consolidação do forró?
É total, mas, antes, é preciso compreender que o forró é um guarda-chuva para todos gêneros do Nordeste. Forró é o que designava o local da festa. Era o samba, o local da festa, era o baile. O forró se consolida com Jackson e Gonzagão. Alceu Valença disse que Gonzaga era o Pelé e o Jackson era o Garrincha. São dois gênios.
 
 
Qual é o mistério do ritmo em Jackson?
Acho que nasceu com algo intrínseco, mas a mãe era a referência como coquista. Ele dizia que tudo é coco, talvez com algum exagero. Mas faz certo sentido dentro da música dele. Se acelerar o samba, encontra coco. Depois, tem a influência dos emboladores de coco, dos repentistas, de Manuelzinho Araújo, de Caco Velho. Ele incorporou os elementos de Caco Velho, tanto que em Recife Jackson é conhecido como sambista. Com isso, ele criou um jeito muito pessoal de dividir o ritmo, de dividir a palavra e de tocar pandeiro.
 
 
Como vê a questão da apropriação do legado de Jackson?
Se for citar os cantores que ele influenciou, será preciso botar mais ficha no orelhão: Alceu Valença, Geraldo de Azevedo, Gal Costa, João Gilberto, Djavan, Lenine, Chico César... Pela diversidade dele, para onde apontar o canhão, acerta na mosca. Mas Jackson não tem herdeiro, quem canta o forró, genericamente, só canta forró. Se o camarada está nesta linha de Jackson, vai pegar o repertório de Jackson associado a alguma de suas vertentes. Mas a maioria das pessoas não conseguem regravar a música dele, pois são muito difíceis de gravar. As pessoas são influenciadas por alguns aspectos.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Tuesday, 30 de July de 2019

MICHEL TELÓ

 

Carreira embalada
 
Após turnê do projeto Bem sertanejo, Michel Teló volta com material inédito e nova iniciativa, o Churrasco do Teló. Ao mesmo tempo, artista reestreia na tevê no The voice Brasil e em quadro no Fantástico

 

Adriana Izel

Publicação: 30/07/2019 04:00

Desde a criação do projeto Bem sertanejo, Michel Teló tem mostrado a habilidade de ser multitarefas. A iniciativa, que celebra a música clássica e de raiz sertaneja, deu origem a um quadro no Fantástico, um livro, um musical que rodou o país, e um disco. Mesmo antes de encerrar a turnê do espetáculo no início deste ano, o sertanejo encontrou outra proposta com ares tão grandes quanto da anterior: o Churrasco do Teló.
 
Iniciado no ano passado, o também projeto bebe de um conceito do dia a dia do cantor: assar uma boa carne num dia de folga ao som das clássicas modas de viola. Teló quis trazer parte de sua rotina para o público. “Tenho um dia de folga, vou lá, acendo a churrasqueira, faço um churrasco, a gente canta umas modas, reúne a turma e resolvi fazer isso. (…) Um dia pensei que podia fazer um churrasco para o meu público, para todos os meus fãs”, conta o artista em entrevista ao Correio.
 
Turnê
 
Assim, lançou, no ano passado, o primeiro show do projeto em Atibaia, no interior de São Paulo. A ideia ainda deu origem a uma turnê, que rodará o Brasil com apresentações em resorts até 2020, e uma série de três EPs, que teve início na última sexta-feira com o lançamento do EP intitulado Churrasco do Teló — Quintal (Ao vivo).
 
Com seis músicas, o material é dedicado apenas a moda de viola, o “modão” como é mais conhecido o estilo pelo público do sertanejo. No entanto, diferentemente do que se poderia imaginar, são apenas faixas inéditas da vertente, em que cada uma delas tem uma característica. “Esse primeiro é um EP que tem a sofrência; a música romântica; a mais dançante; e tem o Casal modão, que é um bachata dançante, com um papo divertido, de festa e aquele refrão que gruda na cabeça. Faz tempo que estou querendo lançar uma música assim”, completa.
 
Ao mesmo tempo em que lança um novo EP e sai em turnê pelo país, Michel Teló precisa conciliar a agenda com as gravações televisivas. É que o sertanejo retorna a dois projetos do passado. Desde o último domingo, ele pode ser visto no Fantástico à frente de mais uma temporada do programa Bem sertanejo. Desta vez, o cantor vai mostrar os bastidores dos grandes eventos de música sertaneja do Brasil. A estreia foi com o aclamado Festival Villa Mix, que tem a principal edição em Goiânia e versões pockets pelo Brasil.
 
A partir de hoje, Michel Teló volta a assumir outro cargo que adora: o de técnico do The voice Brasil. Na oitava temporada do reality show, que será exibida às terças e quintas na Rede Globo, ele busca o pentacampeonato. “Eu sou suspeito dizer, mas, pra mim, é um dos programas mais bacanas da nossa televisão brasileira. A gente ter a alegria de dar a oportunidade para grandes talentos, que muitas vezes estão escondidos e podem se mostrar para milhões de pessoas, ganhar fãs e subir num palco onde tudo é feito com muito carinho... É muito bacana”, analisa.
 
 
 (Deivid Correia/Divulgação)  
 
De onde veio o conceito do Churrasco do Teló?
Surgiu do que a gente faz no dia a dia, e no que eu faço desde sempre naquele dia de folga. Naquele domingão em que meus pais reuniam a família, faziam aquele churrasco e cantavam as modas da música sertaneja. Então, isso desde sempre e até hoje eu faço. Tenho um dia de folga, vou lá, acendo a churrasqueira, faço um churrasco, a gente canta umas modas, reúne a turma e resolvi fazer isso. Acho que a galera, a cada dia mais, tem curtido essa coisa do churrasco. Vejo que a turma gosta disso. É algo que faz parte da minha vida desde sempre até hoje. E aí um dia pensei que podia fazer um churrasco para o meu público, para todos os meus fãs. O primeiro evento foi em outubro do ano passado em Atibaia (interior de São Paulo). Foi uma tarde inteira, do meio-dia até fim do dia. Com os melhores churrasqueiros, com carne de primeira, cada hora sai um corte, uma carne diferente. O cara passa o dia inteiro curtindo, comendo churrasco e eu faço um show intimista e diferenciado. É um projeto muito bacana, vira um churrasco top, como se fosse em casa.
 
 
Como foi escolher o repertório desse EP que é dedicado ao modão?
Até o meu projeto mais recente, que foi o show Bem sertanejo, a gente fez vários clássicos. Essa minha ideia era fazer um álbum inédito. Na verdade, serão três EPs. Esse primeiro, a gente gravou a noite em São Paulo, com churrasco rolando. A gente comeu carne antes, durante e depois da gravação. O próximo EP a gente vai gravar no segundo semestre e vai lançar até o fim do ano. O outro EP vamos lançar no começo do ano que vem. A próxima ideia é que o evento seja de dia e grande, para um público de até três mil pessoas.
 
 
Esse primeiro EP tem as músicas de modão. O que podemos esperar dos dois próximos EPs quando se fala em sonoridade?
Acho que cada um vai ter uma cara. Na verdade, conforme o repertório vai chegando, a gente vai encontrando com os compositores e eles vão enviando as músicas. O álbum vai criando a sua imagem de uma maneira natural. Esse próximo, por ser um ambiente de dia, a ideia é ser um EP mais dançante até. Esse primeiro é um EP que tem a sofrência; a música romântica; a mais dançante; e tem o Casal modão, que é um bachata dançante, com um papo divertido, de festa e aquele refrão que gruda na cabeça. Faz tempo que estou querendo lançar uma música assim. Historicamente eu tenho essa experiência de refrões que grudam na cabeça das pessoas. O Casal modão você escuta uma vez e já sai cantando. (Risos)
 
 
Casal modão é realmente uma música chiclete, como Ai se eu te pego e Fugidinha...
Estamos torcendo para isso. Eu estou confiante nisso. Nos shows em que eu cantei, a turma já estava curtindo junto. Foi recebido muito bem.
 
 
Ao longo da sua carreira, você fez muita questão de contar a história da música sertaneja e de deixar esse legado bem visível. O Bem sertanejo é um grande exemplo disso e suas músicas também. Você tem essa intenção de deixar a porta aberta para a música sertaneja e para a raiz?
Eu sou muito grato a música sertaneja. Tudo que eu tenho. A minha experiência musical. O que eu pude viver, inclusive, de viajar o mundo inteiro. É por causa do meu estilo. Hoje a música sertaneja é muito mais pop, mais moderna. Mas acho que a gente tem que manter a nossa raiz, a nossa tradição viva. E eu criei esse projeto Bem sertanejo com esse papel, de manter isso. Faço isso com muita alegria e carinho. Hoje você vê a juventude cantando clássicos. E é muito bacana a gente poder manter isso. É importante! É a nossa história. A música sertaneja faz parte da nossa cultura, do nosso sangue. E é legal a gente manter isso, mas também trazer o nosso som, o som da galera. Poder viver todos esses dois mundos é muito especial. Fico muito feliz por isso.
 
 
Como é a agenda de shows desse  projeto Churrasco do Teló?
O primeiro evento foi em Atibaia (SP). O segundo eu fiz em Cumbuco, em Fortaleza. E o próximo é mês que vem em Itu (SP), em um novo hotel da cidade. Em setembro, a gente vai para Caldas Novas (GO). Depois a gente segue para Abaetê, Minas Gerais, e vai para Foz do Iguaçu (PR). Daqui até o final de 2020, a gente vai rodar o Brasil fazendo várias edições desse Churrasco do Teló, que é feito em resorts.
 
 
No meio de tudo isso você volta para mais uma temporada do The voice Brasil e imagino que querendo ganhar mais uma. Qual é a sua estratégiapara essa temporada?
A gente vem para batalhar pelo penta. Rumo ao penta. A temporada está muito bacana. É muito legal poder fazer parte do The voice. Eu sou suspeito dizer, mas, pra mim, é um dos programas mais bacanas da nossa televisão brasileira. A gente ter a alegria de dar a oportunidade para grandes talentos, que muitas vezes estão escondidos e podem se mostrar para milhões de pessoas, ganhar fãs e subir num palco onde tudo é feito com muito carinho... É muito bacana. É muito bacana poder de alguma maneira dar conselhos e poder ajudar essas pessoas, é uma oportunidade muito legal. Poder fazer parte disso faz eu me sentir muito privilegiado a cada temporada.
 
 
Você tem transitado por várias áreas, né?
Sim e tem mais uma coisa que estará no ar, que é o Bem sertanejo no Fantástico. A nova temporada começou no dia 28 e a gente vai mostrar um pouco dos grandes eventos da música sertaneja. O primeiro episódio gravei em Goiânia no Villa Mix, com Jorge & Mateus e Matheus & Kauan. Nessa temporada, eu pedi para o Tarso (Marques) do Lata velha do Caldeirão (do Huck) preparar uma caminhonete para um cara que ama um churrasco. Desde o ano passado, o tema é o churrasco, mas, neste ano, vem mais forte.
 
 
Como você consegue conciliar tantos projetos ao mesmo tempo?
Essa época do The voice, esse período agora dá uma complicada. Semana retrasada mesmo, eu gravei de segunda a sábado, de manhã até a noite. A gente gravou as Audições às cegas (primeira fase do programa em que os artistas cantam sem que os técnicos vejam). Na semana anterior à aquela, eu gravei o Bem sertanejo. E tem os shows, as campanhas de várias marcas parceiras, e tem o lançamento do EP. Já estou preparando o novo EP. O ano começou a gente estava com o musical (Bem sertanejo — O musical). Acho que esse é o grande desafio de todo mundo, conciliar agenda para estar presente em casa. Tem fim de semana que dá uma complicada e passar a semana inteira fora, não é fácil. Mas é a nossa luta. Acho que não é uma coisa só minha. É de todo mundo. Todo mundo batalha para buscar esse equilíbrio entre estar em casa e estar envolvido nos projetos. Nessa época, acaba dando uma apertada.
 
 
 (Som Livre/Reprodução)  
 
Churrasco do Teló
De Michel Teló. Som Livre, seis músicas. Disponível nas plataformas digitais.
 
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Correio Braziliense Monday, 29 de July de 2019

BRASÍLIA TERÁ ÔNIBUS AUTÔNOMO

 


Brasília terá ônibus autônomo
 
O veículo, que não precisará de motorista, vai circular, em fase de teste, na Esplanada dos Ministérios. O projeto piloto é uma parceria entre o GDF e uma empresa do Vale do Silício, nos Estados Unidos

 

» Renato Souza
» Simone Kafruni

Publicação: 29/07/2019 04:00

Há 59 anos, Brasília impressionou o mundo com seu ambiente moderno e a ousadia do projeto. A criação de uma cidade inteira, no meio do Planalto Central, em apenas cinco anos, desafiou os conceitos de arquitetura e urbanismo. Agora, a cidade, mais uma vez, pretende encarar um desafio para manter a fama de ter cenário futurístico. O governo do DF lançou plano para fazer da capital federal a primeira cidade inteligente da América Latina. Nos próximos meses, moradores terão a oportunidade de conhecer e entender os benefícios da inteligência artificial. O passo revolucionário será no transporte urbano terrestre. O GDF pretende colocar um ônibus autônomo, ou seja, que se desloca sem a necessidade de motorista, para levar passageiros que passam todos os dias pela Esplanada dos Ministérios.
 
As negociações em torno do primeiro coletivo autônomo do DF estão em andamento. A empresa responsável por implantar o projeto piloto está localizada no Vale do Silício, nos Estados Unidos. A região é o berço da informática moderna, deu origem à computação como se conhece hoje e continua inovando para transformar a humanidade nas próximas décadas. Após o desenvolvimento dos microcomputadores, da internet, do avanço da fibra ótica e dos softwares para usuários, as grandes empresas de tecnologia se concentram agora na interação da rede de computadores com outros objetos que fazem parte da vida das pessoas.
 
A comunicação entre o computador, a geladeira, a televisão e as luzes de uma casa já é uma realidade. O próximo passo é criar um sistema de transporte inteligente, que evite acidentes, faça o fluxo de veículos fluir sem entraves e dê tempo para que o usuário aproveite a viagem para pensar, ler e se divertir. Quando projetou a capital, na década de 1950, o urbanista Lúcio Costa não imaginou que as ruas largas seriam perfeitas não apenas para os próximos 60 anos, mas também para os próximos séculos. O trecho plano, com poucas curvas e vias espaçosas da Esplanada, é o cenário ideal para o teste do ônibus. A cidade resolveu antecipar previsões de especialistas. Um  estudo da Rethink X mostra que, até 2030, cerca de 95% de cada quilômetro rodado será por um veículo autônomo.
 
O contrato com a empresa que desenvolve o coletivo deve ser fechado nos próximos 60 dias. Em seguida, o ônibus será trazido para Brasília. O secretário de Ciência e Tecnologia de Brasília, Gilvan Máximo, destaca que esse será apenas o começo de uma proposta a ser levada para todo o DF. “Os próximos encontros servirão para conhecer a tecnologia. Será um projeto piloto para avaliar a expansão posteriormente. O ônibus será completamente autônomo, sem a necessidade de motorista ou qualquer outro funcionário. O software já foi desenvolvido, e o trajeto simples da Esplanada é ideal para testá-lo”, conta.
 
Máximo diz que não está autorizado a revelar o nome da empresa escolhida, até que o contrato esteja fechado. Mas o coletivo deve começar a circular ainda neste segundo semestre. “Não estamos medindo esforços para avançar nessa tecnologia. Vamos ser a primeira cidade a testar a internet 5G, que é muito mais rápida do que a comum. Câmeras inteligentes, de reconhecimento facial, serão espalhadas pela cidade. E tudo isso estará interligado para mudar a rotina dos moradores do DF”, frisa.
 
Colocar um carro de passeio autônomo nas ruas já é um grande desafio. Ao avaliar a situação na perspectiva de um ônibus, preparado para transportar até 100 pessoas, é possível perceber que o planejamento tem de ser ainda mais preciso. O analista de sistemas de informação Ruan Carlos, especialista em inteligência artificial, destaca que não pode haver falhas na tecnologia, sob o risco de causar acidentes. “O processamento das informações colhidas no trajeto não ficará no próprio ônibus, mas, sim, na nuvem. O acesso à internet precisa ser muito bom. Nessa comunicação, existe um tempo de latência (tempo de transmissão da informação), que deverá ser muito rápido”, ressalta. “Não pode ocorrer falha. Se uma pessoa se joga na frente do ônibus, a câmera vai identificar que existe o objeto e envia a imagem ao servidor. E o servidor precisa responder identificando que se trata de uma pessoa. Assim, o coletivo agirá para evitar um acidente.”
 
Veículos elétricos
 
As mudanças no trânsito do DF, neste segundo semestre, prometem abrir espaço para um caminho sem volta rumo ao que existe de ponta na tecnologia global. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o GDF fecharam uma parceria que vai disponibilizar 16 carros do modelo Twizy, da marca Renault, para serem usados por servidores distritais. O número de veículos pode aumentar após a implantação do projeto inicial. Ao mesmo tempo, o DF terá 35 eletropostos, que podem abastecer qualquer veículo elétrico.
 
Para incentivar o uso dessa tecnologia, que deixa para trás o combustível fóssil e o impacto ao meio ambiente, os pontos de recarga poderão ser usados sem custo pelos usuários. A cidade será um laboratório a céu aberto para revelar como a tecnologia pode melhorar a mobilidade urbana. Com a troca de parte da frota, o governo espera economizar até R$ 10 milhões por ano em manutenção e combustível.
 
O presidente da ABDI, Guto Ferreira, afirma que a cidade vai contribuir com a evolução dos meios de transporte, além de abrir caminho para o ingresso da alta tecnologia no dia a dia das pessoas. “É muito importante demonstrar as soluções em ambiente real, numa cidade com características que permitam a avaliação dos resultados para a população e para a indústria associada”, diz. “E, entre as soluções, o compartilhamento de veículos elétricos se encontra em fase mais madura, com testes sólidos no Parque Tecnológico e na Itaipu Binacional. A ABDI tem como objetivo mudar o pensamento da nossa sociedade para que as novas tecnologias tenham mais aderência. O compartilhamento de veículos elétricos é uma delas, é o futuro da nossa mobilidade.”


"Vamos ser a primeira cidade a testar a internet 5G, que é muito mais 
rápida do que a comum. Câmeras inteligentes, de reconhecimento facial, 
serão espalhadas pela cidade. E tudo isso estará interligado, 
para mudar a rotina dos moradores do DF”
 
Gilvan Máximo, 
secretário de Ciência e Tecnologia de Brasília
 
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Correio Braziliense Sunday, 28 de July de 2019

DE OLHO NO PRATO DA GAROTADA

 


FITNESS E NUTRIÃO
 
De olho no prato da garotada]
 
Os pais não podem abrir mão de oferecer uma dieta equilibrada e saudável aos filhos, mesmo que eles relutem. Especialistas dão dicas

 

Por Silvana Sousa*

Publicação: 28/07/2019 04:00

Juliana Almeida precisa negociar muito com a filha Pietra para que ela experimente alguns alimentos (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Juliana Almeida precisa negociar muito com a filha Pietra para que ela experimente alguns alimentos

 

Trabalhar a educação alimentar dos filhos pode ser um grande desafio para os pais. Isso porque introduzir comidas saudáveis não parece tão agradável aos pequenos quanto comer doce ou se deliciar com um hambúrguer. Mas os perigos de não cuidar da alimentação deles pode custar caro, ainda na infância. A escolha por comidas mais palatáveis, práticas e nem sempre nutricionais pode prejudicar a formação de hábitos alimentares e favorecer o aparecimento de doenças, como a pressão alta e o diabetes.
 
Sem contar com a obesidade infantil, que é um dos principais problemas da alimentação inadequada. Dados do Ministério da Saúde mostram que 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas. Mas esse é apenas um recorte de um problema global: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 41 milhões de pessoas com idade menor que 5 anos estejam acima do peso.
 
Alterações no peso podem ser apenas um dos problemas apresentados pelas crianças, que estão propensas, ainda, a desenvolver mudanças significativas no sono e no desenvolvimento cognitivo, motor e de estatura devido à baixa ingestão de nutrientes, vitaminas e minerais. “Uma alimentação inadequada pode trazer até mesmo problemas emocionais”, alerta Nathália Sarkis, pediatra do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria.
 
A nutricionista Camila Pedrosa explica que uma das maiores dificuldades encontradas pelos pais é a grande quantidade de produtos industrializados voltados ao público infantil. “Cada vez mais, temos produtos com personagens, com cores chamativas, propagandas específicas. Isso, aliado à falta de tempo dos pais de preparar o alimento dos filhos, aumenta o consumo de produtos processados”, explica.
 
Por ter apresentando refluxo até os 2 anos de idade, Gustavo Marques, filho da professora Emille Andrade Marques, não passou pela etapa de introdução alimentar. “Ele só mamava no peito e comia aquelas papinhas prontas”, relembra Emille. Fato que pode ter contribuído para a dificuldade que tem para comer, principalmente alimentos mais saudáveis.
 
A pediatra Nathália Sarkis aponta que a introdução de alimentos saudáveis e balanceados deve ser feita a partir do momento em que a criança inicia o primeiro contato com comidas sólidas, na idade de 4 a 6 meses de vida. “É uma fase de aceitação muito maior, o que aumenta a gama de alimentos pelos quais a criança se interessa.”
 
Em nome da praticidade, Emille cede a alimentos industrializados na hora de preparar a lancheira da escola. A grande aversão por frutas e verduras também é outro fator que dificulta a montagem. “Se eu mandar fruta para a escola, ela volta inteira, e ele sempre arruma uma desculpa para não comê-la.”
 
Como Gustavo está acima do peso, a mãe tem procurado ser mais rigorosa e regrar a alimentação dele nos momentos em que está em casa, além de ter cortado refrigerantes e frituras das refeições da família. “O prato dele é arroz, feijão e carne, mas é muito difícil adicionar uma salada ou uma verdura. Para ele comer, eu tenho que esconder, cortar pequeninho, essas coisas”, comenta. Além disso, o garoto frequenta aulas de futebol e natação para reverter o sobrepeso.
 
Negociação
 
A resistência a novos sabores também pode ser um obstáculo na hora de introduzir alimentos saudáveis na rotina das crianças. “Às vezes, os pais não acostumaram a criança a provar desde pequena, criando essa rejeição. E a tendência é de que eles também acabem não forçando a criança a experimentar”, pontua a nutricionista Camila Pedrosa.
 
Essa é a maior dificuldade encontrada por Juliana Almeida na dieta da filha Pietra, 9 anos. Apesar de não se alimentar mal, a pequena dá trabalho na hora de comer alimentos que nunca experimentou. “Se tiver uma cor ou um formato que não está acostumada, ela recusa na hora.”
 
A mãe conta que o segredo nessas horas é a paciência e a negociação com Pietra. “Semana passada, fiz sopa e ela não quis de jeito nenhum, e eu pedi para ela apenas provar. Depois de umas duas horas, Pietra, finalmente, comeu. E gostou tanto que repetiu.”
 
Nathália explica que persuadir a criança a provar é uma boa estratégia para driblar a aversão. “Uma criança que se alimenta de forma equivocada, ou que tende a não comer determinados alimentos, precisa de negociação, ou seja, diminuir o consumo de uns e incentivar o consumo de outros.”
 
Outra estratégia que pode ser adotada é a do planejamento alimentar da família. “Sistematizar a dispensa e a geladeira da casa é o primeiro grande passo. Os pais podem decidir, durante o fim de semana, o que vão oferecer nas refeições dos pequenos e deixar esses alimentos pré-prontos.”
 
Além disso, os responsáveis precisam estar atentos às próprias refeições a fim de estimular os filhos a procurarem por pratos mais nutritivos. “A criança tem que ver os pais comendo. Quando ela percebe que a família se alimenta de forma correta, vai ter um interesse maior por esse tipo de comida”, indica a pediatra.
 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 
Para a criançada comer melhor
 
Invente novas combinações
  • Apesar da falta de tempo dos pais, é importante que haja uma atenção no prato das crianças, com o objetivo de variar a comida e criar combinações. Para isso, vale adicionar legumes à carne ou ao arroz e investir em sucos naturais para que a criança experimente frutas e verduras de formas diferentes.
 
Alimentos atraentes
  • Fazer desenhos no prato é uma maneira de estimular a alimentação da garotada. As crianças comem com os olhos e, em uma fase em que a imaginação está muito ativa, apostar na criatividade para dar novas formas a frutas e legumes pode ser a saída.
 
Estimule a participação
  • Quanto mais envolvidas no processo, mais as crianças se sentem estimuladas. Para isso, tanto no processo de compra quanto no preparo dos alimentos, conte com a ajuda das crianças e faça com que eles se sintam importantes e úteis.

Jornal Impresso


Correio Braziliense Saturday, 27 de July de 2019

MANUELA D,ÁVILA, A CONEXÃO DO HACKER

 


INVESTIGAÇÃO
 
Manuela D'Ávila, a conexão do hacker
 
A ex-deputada diz ter repassado para invasor o contato do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, que tem divulgado supostos diálogos do ministro Sérgio Moro com procuradores da Lava-Jato. Juiz prorroga prisão de suspeitos

» Renato Souza
» Thaís Moura*
» Hamilton Ferrari

Publicação: 27/07/2019 04:00

A ex-parlamentar foi candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad, nas eleições de outubro:  ela se dispôs a entregar o celular para perícia (Itamar Aguiar/AFP - 28/10/18 )  

A ex-parlamentar foi candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad, nas eleições de outubro: ela se dispôs a entregar o celular para perícia

 



Em depoimento à Polícia Federal, o hacker Walter Delgatti Neto, um dos quatro detidos por invasão de celulares de autoridades da República, afirmou que obteve o contato do jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, por meio da ex-deputada Manuela D’Ávilla (PCdoB), candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad nas eleições de outubro. O site tem veiculado uma série de reportagens baseadas em supostos diálogos entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Ontem, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, decidiu prorrogar por cinco dias a prisão preventiva de todos os detidos para preservar a investigação e impedir que eles interfiram nas diligências em andamento.

Delgatti afirmou no depoimento, divulgado pela Globo News, que ligou para Manuela D’Ávila pedindo o contato de Greenwald, mas que, diante da descrença dela em relação ao conteúdo vazado, enviou um áudio de uma conversa entre dois procuradores do Paraná para comprovar que falava a verdade. O acusado disse que se comunicou com o jornalista pelo aplicativo Telegram e que não pediu nem recebeu nenhum tipo de pagamento em troca dos dados que forneceu. Ele também contou que não repassou nenhum tipo de informação pessoal dele ao americano.

Procuradores da Lava-Jato e Sérgio Moro lançam dúvidas sobre a integridade das mensagens que são publicadas desde 9 de junho pelo Intercept. No entanto, o hacker negou que tenham sido realizadas edições do material. “(Walter Delgatti) disse que pode afirmar que não realizou qualquer edição dos conteúdos das contas de Telegram das quais teve acesso. Acredita não ser possível fazer a edição das mensagens do Telegram em razão do formato utilizado pelo aplicativo”, menciona um dos trechos do depoimento.

Em nota, Manuella D’Ávila confirmou que passou o contato de Greenwald, mas contradisse algumas declarações do hacker. A ex-deputada afirmou que foi comunicada pelo Telegram, em maio, de que o aparelho dela havia sido invadido no Estado da Virginia, nos Estados Unidos. Ela recebeu uma mensagem, e não uma ligação, como disse Walter, de uma pessoa que se identificou como alguém inserido na lista de contatos dela.

A pessoa teria informado que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. “Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza”, disse Manuela na nota. “Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, emendou.

A ex-deputada disse que desconhece, portanto, a identidade de quem invadiu o celular dela. “Desde já, me coloco à inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração”, destacou. A ex-parlamentar ainda declarou que vai orientar os advogados a procederem a “imediata entrega das cópias das mensagens” à Polícia Federal. “Estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial”, frisou.

* Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa


Dificuldade
Em um relatório enviado à Justiça Federal, a PF afirmou que está prestes a acessar informações importantes para as investigações. Entre elas, estariam dados de celulares dos suspeitos. O aparelho usado pelos acusados, apesar de comum, dificulta o acesso às mensagens, o que demanda mais tempo de atividade para que os peritos consigam extrair o conteúdo.


Caso Snowden
O hacker disse que procurou Glenn Greenwald por causa da atuação dele no caso em que foram divulgados arquivos secretos da NSA, agência do governo dos Estados Unidos. O jornalista obteve de Edward Snowden, ex-analista de sistemas da NSA, dados sigilosos sobre a espionagem dos serviços de inteligência norte-americanas sobre outras nações. O alvo principal entre os países estrangeiros era o Brasil.
Jornal Impresso

 


Correio Braziliense Friday, 26 de July de 2019

DEMOCRACIA SOB ATAQUE

 


INVESTIGAÇÃO
 
 
Democracia sob ataque
 
Apurações da PF mostram que os quatro presos em São Paulo hackearam integrantes dos Três Poderes, como os presidentes da Câmara e do Senado, ministros do STF e do STJ, procuradora-geral e até o presidente da República, Jair Bolsonaro

 

» Renato Souza
» Rodolfo Costa
» Alessandra Azevedo

Publicação: 26/07/2019 04:00

Bolsonaro em solenidade em Manaus: presidente disse que não trata assuntos de Estado por meio de troca de mensagens e, por isso, nada tem a temer sobre eventuais vazamentos (Alan Santos/PR)  

Bolsonaro em solenidade em Manaus: presidente disse que não trata assuntos de Estado por meio de troca de mensagens e, por isso, nada tem a temer sobre eventuais vazamentos

 



Com a prisão de quatro suspeitos de invadirem celulares de autoridades de todo o país, a Polícia Federal começa a avaliar a dimensão do ataque. A análise do material apreendido deixou claro que integrantes dos Três Poderes foram alvos da investida. Entre as vítimas estão o presidente da República, Jair Bolsonaro; a procuradora-geral da República, Raquel Dodge; os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre; além de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações apontam que cerca de mil pessoas tiveram suas contas no Telegram invadidas. Os investigadores ainda analisam o conteúdo encontrado e colhem o depoimento dos acusados para entender as motivações e a amplitude do caso.

De acordo com o Ministério da Justiça, Bolsonaro foi informado do fato “por uma questão de segurança nacional”, o que indica a gravidade com que o Executivo está avaliando a situação. Ao comentar o caso, em uma solenidade de entrega de medalhas da Olimpíada Internacional da Matemática sem Fronteiras, em Manaus, o presidente afirmou que não trata de assuntos sensíveis por meio da troca de mensagens. Ele disse, ainda, não ter receio sobre o conteúdo de mensagens que possam ser vazadas. “Não estou nem um pouco preocupado se, porventura, algo vazar aqui do meu telefone. Não vão encontrar nada que me comprometa”, declarou. O chefe do Planalto citou, por exemplo, que informações relacionadas à Venezuela não são tratadas por telefone. Pelo Twitter, ele pediu punição aos autores da invasão. “Um atentado grave contra o Brasil e suas instituições. Que sejam duramente punidos! O Brasil não é mais terra sem lei”, emendou.

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, foi informado por Moro que integrantes da Corte também tiveram os celulares hackeados. De acordo com informações repassadas pelo ministro da Justiça, mensagens de SMS e do Telegram dos magistrados foram obtidas pelos criminosos. Pela assessoria, o STF informou que não vai se manifestar.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, também foi um dos alvos. Ele também soube do ataque por meio de Moro. Davi Alcolumbre, por sua vez, repudiou as ações ilegais e destacou não ter preocupações com a eventual exposição do conteúdo. “Recebi a informação de que meu aparelho de celular teria sofrido tentativa de hackeamento. Embora tranquilo, pois não tenho nada a esconder, manifesto minha indignação com a invasão de minha privacidade e não posso deixar de reafirmar minha repulsa às atividades desses criminosos virtuais, pois elas também representam uma afronta aos poderes da República e à população brasileira”, declarou. No governo também se fala em ofensiva para desestabilizar os Três Poderes. Já Rodrigo Maia demonstrou surpresa ao ser informado que teve o celular acessado ilegalmente.

Procuradoria

A PGR divulgou que Raquel Dodge não teve arquivos de seu telefone interceptados pelos criminosos, apesar de ter sido uma das autoridades na mira dos invasores. “Ao analisarem o caso específico da procuradora-geral, técnicos da Stic (Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR) perceberam uma característica que chamou a atenção e que posteriormente foi um dos elementos centrais para se desvendar como se deram as invasões. É que, diferentemente de outros aparelhos que tiveram o aplicativo invadido, o de Raquel Dodge estava com a caixa postal desativada”, informou a instituição. Ainda de acordo com a PGR, 25 integrantes do Ministério Público Federal (MPF) tiveram os celulares invadidos.

As informações preliminares indicam que se trata de um grupo especializado em estelionato virtual. Fontes na PF apontam que é necessário periciar o material para saber de quais celulares, de fato, os invasores conseguiram interceptar conteúdos das conversas realizadas por meio de aplicativos.

Os alvos

» Jair Bolsonaro 
presidente da República
» Rodrigo Maia 
presidente da Câmara
» Davi Alcolumbre 
presidente do Senado
» Raquel Dodge 
procuradora-geral da República
» João Otávio de Noronha 
Superior Tribunal de Justiça
» Sérgio Moro 
ministro da Justiça
» Paulo Guedes 
ministro da Economia
» Deltan Dallagnol 
procurador da República no Paraná
» Ministros do STF
24 integrantes do MPF
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Correio Braziliense Thursday, 25 de July de 2019

HACKER CONFESSA TER INVADIDO TELEFONE DE MORO

 


INVESTIGAÇÃO
 
PF tenta descobrir as motivações
 
Corporação quer saber a razão pela qual os quatro presos em São Paulo hackearam telefones de autoridades. Um dos detidos confessou que invadiu celular de Moro. Acusados teriam feito ao menos mil vítimas e movimentaram mais de R$ 600 mil

 

» Renato Souza

Publicação: 25/07/2019 04:00

Dois dos detidos estão na Superintendência da Polícia Federal, e dois, na carceragem da corporação no Aeroporto Juscelino Kubitschek (Ed Alves/CB/D.A Press - 27/10/16)  

Dois dos detidos estão na Superintendência da Polícia Federal, e dois, na carceragem da corporação no Aeroporto Juscelino Kubitschek

 




Com a prisão de quatro suspeitos de terem invadido o celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro, a Polícia Federal agora se concentra na busca pelas motivações do crime. Os investigadores também querem saber se outras pessoas estão envolvidas no caso, o que deve gerar novas fases da Operação Spooling, que apura o acesso ilegal a celulares de diversas autoridades.

Em depoimento à PF, Walter Delgatti Neto, um dos detidos, confessou que atuou na invasão do celular de Moro; do coordenador da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol; de delegados e juízes. Ao menos mil pessoas teriam sido vítimas de ataque, incluindo autoridades dos Três Poderes.

No apartamento de dois suspeitos, os agentes encontraram R$ 100 mil em espécie, numa mala. Além disso, movimentações financeiras no valor de R$ 627 mil entre março e julho deste ano na conta dos acusados chamaram a atenção.

Até o momento, as diligências apontam para um grupo especializado na invasão de aparelhos telefônicos com a finalidade de acessar contas de aplicativos de mensagens e extorquir dinheiro de parentes e amigos das vítimas.

Os suspeitos, Danilo Cristiano Marques, Walter Delgatti Neto, Gustavo Henrique Elias Santos e a mulher dele, Suelen Priscila de Oliveira, foram presos em Araraquara (SP), Ribeirão Preto (SP) e na capital paulista. Eles estão detidos em Brasília: dois na Superintendência da PF e dois na carceragem da corporação, no Aeroporto Juscelino Kubitschek.

O advogado Ariovaldo Moreira, que defende Gustavo, afirmou que o cliente chegou a receber, por computador, parte dos diálogos que estavam em poder de Walter Delgatti Neto. “Segundo relato do Gustavo, o Vermelho (apelido de Walter) mostrou pra ele algumas interceptações de uma autoridade (Sérgio Moro), tempos atrás”, disse.

Moreira contou que o cliente fez prints das mensagens recebidas. “O que ele me disse é que ele chegou a ver isso no computador dele. Inclusive, printou (captura da imagem da tela) isso no computador. E ele me disse que, no aplicativo dele, devolveu a mensagem para o Walter, dizendo que ele teria problemas”, completou o defensor. 

O dinheiro achado no apartamento, de acordo com o acusado, é fruto de compra e venda de uma moeda virtual. “O Gustavo é DJ e disse que estava operando a compra e venda de Bitcoins. Ele disse que tem como provar isso”, ressaltou o advogado.

Invasão generalizada

Uma das linhas de investigação é de que o mesmo grupo seja autor da investida cibernética contra procuradores que integram a Operação Lava-Jato no Paraná. “Há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras, via invasão do aplicativo Telegram”, citou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, na decisão em que autorizou as prisões.

Durante o cumprimento dos mandados de busca, na terça-feira, os policiais encontraram, no computador de um dos investigados, atalhos que davam acesso a diversas contas do Telegram, entre elas, a de Moro. Pelo menos mil contas diferentes estão registradas nos atalhos, o que indica o número de vítimas. No entanto, os investigadores aguardam o avanço das diligências para confirmar a amplitude do ataque.

O diretor do Instituto Nacional de Criminalística, Luiz Spricigo Júnior, afirmou que o foco agora será saber quem foram os alvos. “No celular do investigado havia uma conta ligada ao ministro Paulo Guedes (da Economia). Precisamos investigar, mas existem fortes indícios de que o ministro também foi vítima”, ressaltou Spricigo.

Modus operandi

Na decisão que autoriza as prisões e o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, detalha como teria ocorrido a invasão ao celular de Moro e dos demais alvos. De acordo com o magistrado, as investigações da Polícia Federal apontam que os supostos hackers tiveram acesso a um código enviado pelo Telegram para que a conta de Moro fosse acessada por computador. O código é enviado por meio de uma ligação. “O invasor, então, realiza diversas ligações para o número alvo, a fim de que a linha fique ocupada e a ligação contendo o código de ativação do serviço Telegram Web seja direcionada para a caixa postal da vítima”, descreve o magistrado em sua decisão. A PF vai enviar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informações sobre a dinâmica do ataque cibernético. A intenção é acabar com vulnerabilidades na rede das companhias telefônicas, que deixam os usuários expostos.


Os presos

Gustavo Henrique Elias Santos

Tem 28 anos, é conhecido como DJ Guto Dubra de Araraquara (SP). Trabalha com organização de festas eletrônicas. Foi preso em 2013 por receptação de uma caminhonete. Julgado em 2015, foi condenado a seis meses em regime semiaberto. Movimentou R$ 424 mil entre 18 de abril e 29 de junho de 2018. Tem renda média de 
R$ 2.866.



Suelen Priscila 
de Oliveira

Tem 25 anos, foi presa no mesmo endereço de Gustavo, em São Paulo, com quem já foi casada. Movimentou R$ 203 mil entre 7 de março e 29 de maio. Tem renda mensal registrada de R$ 2.191.



Walter Delgatti Neto

Tem 30 anos, é conhecido como Vermelho e foi preso em Ribeirão Preto (SP). Costumava se apresentar como investidor e estudante de medicina da USP, onde não estudava. Foi alvo de mandado de busca e apreensão em 2015, quando a namorada do irmão dele, de 17 anos, o acusou de dopá-la e estuprá-la. Em sua página no Twitter, fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro e a Sérgio Moro. Chegou a responder ao coordenador da Lava-Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, sobre como identificar se o conteúdo vazado do seu celular era verídico. Compartilhava páginas de sites ligados à esquerda, 
mas era filiado ao DEM 
desde 2007.



Danilo Cristiano Marques

Tem 33 anos, também foi preso em Araraquara, enquanto fazia um curso de eletricista. É motorista de Uber. Teve uma microempresa de comércio de equipamentos de telefonia e comunicação com o nome  Pousada e Comércio Chatuba.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Wednesday, 24 de July de 2019

BOLSONARO: SOMOS TODOS PARAÍBA - PRECONCEITO À DECLARAÇÃO DE AMOR

 


Do preconceito à declaração de amor
 
Em evento na Bahia, Jair Bolsonaro diz amar o Nordeste, região à qual se referiu pejorativamente como "paraíba", na semana passada. Presidente critica "xiitas ambientais"

 

» RODOLFO COSTA
» INGRID SOARES
» BEATRIZ ROSCOE*

Publicação: 24/07/2019 04:00

O presidente usou chapéu de vaqueiro e se disse um %u201Ccabra da peste%u201D  (Alan Santos/PR)  

O presidente usou chapéu de vaqueiro e se disse um – Sou um cabra da peste –

 



O presidente Jair Bolsonaro fez afagos ao Nordeste, ontem, e voltou a criticar os “xiitas ambientais”. As declarações foram dadas na cerimônia de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, na Bahia. A radicalização em algumas falas e gestos de agrado em outras têm dado o tom das manifestações do chefe do Planalto em solenidades e em declarações à imprensa.

Depois de chamar os governadores nordestinos de “paraíba”, o que causou polêmica na sexta-feira, Bolsonaro procurou, ontem, “pedir desculpas”. Do jeito dele, se retratou declarando “amor” ao Nordeste e emendou com a frase: “Somos todos ‘paraíbas’”. Antes, porém, criticou o governador da Bahia, Rui Costa (PT), em postagem no Twitter, sustentando que o petista não autorizou a presença da Polícia Militar para fazer a segurança no evento. “Pior ainda, passou a responsabilidade de tal negativa ao seu comandante geral”, declarou.

Em resposta, Rui Costa provocou o presidente, insinuando que “quem é impopular e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete”. “Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais cuidem da segurança do presidente. Eu não posso colocar a PM para entrar em conflito com as pessoas que querem ver o aeroporto. (...) Quem é governante tem de enfrentar aplausos, beijos, selfies, mas, também, tem de ter o ônus de, às vezes, enfrentar protestos”, declarou, em entrevista à Rádio Metrópole. Rui Costa não compareceu à cerimônia no aeroporto.

No evento, Bolsonaro se declarou à região. “Eu amo o Nordeste. Afinal de contas, a minha filha tem em suas veias sangue de ‘cabra da peste’. ‘Cabra da peste’ de Crateús, o nosso estado aqui, mais pra cima, o nosso Ceará”, ressaltou.

O chefe do Planalto pregou união. “Não estou em Vitória da Conquista, não estou na Bahia nem no Nordeste. Estou no Brasil. Não há divisão entre nós: (divisão por) sexo, raça, cor, religião ou região. Somos um só povo com um só objetivo: colocar este grande país em um lugar de destaque que merece”, destacou. Ao fim do discurso, colocou um chapéu de vaqueiro. “Somos todos ‘paraíba’, somos todos baianos”, emendou.

Meio ambiente

No discurso, Bolsonaro também criticou “xiitas ambientais” e disse ter “repulsa por quem não é brasileiro”, ao comentar a intenção de revogar a proteção ambiental da Estação Ecológica de Tamoios, no litoral do Rio de Janeiro. “Eu tenho um sonho. Quero transformar a Baía de Angra (dos Reis) numa Cancún. Cancún fatura US$ 12 bilhões anuais. E a Baía de Angra fatura o quê? Quase zero, por causa dos xiitas ambientais, esses que fazem uma campanha enorme contra o Brasil lá fora”, afirmou.

Para Gustavo Baptista, professor de sensoriamento remoto do Instituto de Geociências da UnB, abrir uma perspectiva como essa é “dar um tiro no pé”. “A exploração do Brasil se iniciou pelo litoral, então já houve muita degradação. É uma área vulnerável, principalmente devido aos riscos que o interesse do setor mobiliário apresenta às questões ambientais”, disse. “Uma estação ecológica é definida porque tem uma preocupação importante na preservação das espécies que ali residem. Toda unidade de uso restrito tem por trás um estudo que chancela essa criação.”

*Estagiária sob supervisão de Cida Barbosa
 
Jornal Impresso


Correio Braziliense Monday, 22 de July de 2019

POBREZA - DEPENDENTES DA GENEROSIDADE

 


POBREZA
 
Dependentes da generosidade
 
 
Mais de três mil pessoas vivem nas ruas de Brasília como pedintes. Muitos vindos de outras regiõess. Desemprego e políticas públicas insuficientes impõem igual situação a pelo menos 101 mil brasileiros em todo o país

 

» JULIANA ANDRADE
» JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 22/07/2019 04:00

 
O piauiense Manuel Marcos da Luz, 57 anos, há seis, no Distrito Federal,  diz que a rua é mais segura do que os abrigos para viver (Ed Alves/CB/D.A Press)  

O piauiense Manuel Marcos da Luz, 57 anos, há seis, no Distrito Federal, diz que a rua é mais segura do que os abrigos para viver

 

 
 

"Tenho vergonha de ficar pedindo, mas, quando não tenho dinheiro para comprar balinhas, o que me resta é pedir" Rita de Cássia Santana, 61 anos, tem R$ 96 de renda fixa, do Bolsa Família, para sobreviver

 

 
 
Dois netos para criar, mais de R$ 300 em contas atrasadas, e a feira do mês por fazer. O ganho fixo mensal? R$ 96. O único dinheiro garantido no mês vem do Bolsa Família, mas está longe de ser suficiente para sobreviver. Essa é a realidade de Rita de Cássia Santana, 61 anos. Para encontrá-la, basta andar pelas quadras do Setor Comercial Sul, onde a moradora de Brasilinha (GO) — a cerca de 63km do Plano Piloto — pede dinheiro, na esperança de se deparar com quem se solidarize.
Não existem dados exatos sobre a quantidade de pessoas que deixam suas casas diariamente em busca de ajuda. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) calcula que haja pelo menos 3.020 pessoas em situação de rua no Distrito Federal. O estudo mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborado em 2015, aponta que esse número seja de cerca de 101 mil pessoas no país. Mesmo assim, as taxas são só estimativas, pois tratam-se de quantidades difíceis de mensurar, especialmente em relação a pedintes.
 
Entre os relatos deles, há motivos diversos que os levaram à vida nas ruas. Desemprego, contas atrasadas, doenças. Um sentimento, no entanto, é unânime entre os entrevistados: a expectativa de mudar de vida. Rita de Cássia é movida por essa esperança. “Ganhei R$ 12 e comprei uma caixa de doces para vender, porque tenho vergonha de ficar pedindo, mas, quando não tenho dinheiro para comprar balinhas, o que me resta é pedir. Muita gente acha que estamos aqui porque queremos”, desabafa. Assim que começa a narrar a própria história, ela tira algumas contas da pequena bolsa que carrega. “Vou te mostrar para você ver que não estou mentindo.”
 
Com um cartão de passe livre, ela consegue chegar ao centro da capital federal. Para que não fiquem sozinhos, quando os netos, de 7 e 9 anos, não têm aula, ela os leva junto — apesar do medo de que “aprendam” a vender drogas. O trauma vem de um episódio na Rodoviária do Plano Piloto. “Deixaram uma bolsa comigo, a polícia me abordou e havia drogas nela. Juro que não sabia. Até hoje, tenho medo e vergonha de andar ali”, confessa.
 
Experiências
 
A situação se repete em vários outros bairros do centro político do país, como Sudoeste, Asa Sul e Asa Norte. Na Catedral Metropolitana, um dos cartões-postais de Brasília, Manuel Marcos da Luz, 57, aguarda sentado, com uma caixinha de papelão ao lado. O piauiense veio para Brasília há seis anos, depois de se separar da mulher. Diferentemente de Rita, contudo, ele não tem onde se abrigar. À noite, o concreto de um viaduto se torna um teto.
 
Manuel sonha com a casa própria. Ele chegou a ficar em um abrigo, mas a experiência não foi boa, segundo conta. “O governo gasta muito com esses caras (dependentes químicos), e eles continuam traficando e se drogando. Na rua, é menos perigoso que lá. Aqui, sou campeão e tenho liberdade”, responde. “Tenho saúde e quero trabalhar como tecladista, porque sei tocar bem”, garante.
 
Dono de uma loja de doces na 209 Norte, Pedro Henrique de Lima, 27, conta que encontra todos os tipos de pessoas em situação de vulnerabilidade, de crianças a idosos. “Sempre tem gente pedindo. Em época festiva, aumenta mais, mas sempre tem. A maioria chega pedindo dinheiro, mas, às vezes, alguns pedem alimento”, relata. Atendente de lanchonete na mesma quadra, Raquel Silva, 37, afirma que é difícil saber quem realmente precisa. “No fim de semana, fica cheio de gente aqui. Tem uma família que vem com umas sete crianças”, relata.
 
3.020
Pessoas vivem em situação de rua no Distrito Federal
 
101.854
Pessoas vivem em situação de rua no Brasil
 
72.524
Famílias do DF recebem Bolsa Família
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Sunday, 21 de July de 2019

SANDY E JUNIOR


ESPETÁCULO

Os devotos de Sandy e Junior

Moradores de vários pontos da capital e do restante do país acordaram cedo ontem para não perder nenhum momento da apresentação única em Brasília da turnê Nossa História, que celebra os 30 anos de carreira da dupla

 

» ROBERTA PINHEIRO

Publicação: 21/07/2019 04:00

 
Os irmãos subiram ao palco às 21h40 para cantar os seus maiores hits, em um Mané Garrincha lotado de fãs  (Minervino Junior/CB/D.A Press)  

Os irmãos subiram ao palco às 21h40 para cantar os seus maiores hits, em um Mané Garrincha lotado de fãs

 

 
Fãs enfrentaram filas longas para garantir um bom lugar no estádio (Minervino Junior/CB/D.A Press)  

Fãs enfrentaram filas longas para garantir um bom lugar no estádio

 

 
Para passar o tempo, o público entoou os maiores sucessos dos ídolos  (Minervino Junior/CB/D.A Press)  

Para passar o tempo, o público entoou os maiores sucessos dos ídolos

 

 
 
 
Fãs brasilienses da dupla Sandy e Junior deram novo sentido à palavra saudade. Não teve fila, Sol, espera ou qualquer razão que os afastasse do tão desejado reencontro com os ídolos. Os irmãos desembarcaram ontem na capital para apresentação única da turnê comemorativa Nossa História.
 
A movimentação em torno do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha começou por volta das 13h, apesar de a produção divulgar que os portões só abririam às 18h. Para passar o tempo, o público aproveitou para esquentar e cantar alguns hits da dupla, como Era uma vez.
 
Flávia Rosa Lásara, 30 anos, foi uma das primeiras a chegar ao estádio. Era 8h. “Vai ser o primeiro show a que vou assistir deles. Acompanho os dois desde 2000, mas nunca tive condições de ir ao show”, comentou.
 
A administradora Camila Martins, 30 anos, também se antecipou para não perder um minuto. Depois de enfrentar uma madrugada para comprar os ingressos, veio de Goiânia. “Não vejo a hora de poder ouvir as músicas ao vivo de novo. Será uma nostalgia”, afirmou.
 
Os amigos Luccas Rodrigues Solito, 22, e Giovanna Bittencourt Pereira, 22, garantiram os ingressos em março. Com medo de perder a celebração dos ídolos, não se importaram em curtir o show fora de casa. Os dois chegaram de São Paulo direto para o estádio. “Lembro das festas de aniversário que só tocavam Sandy e Junior quando tinha uns 8 anos e da participação deles em Malhação”, disse Luccas. “Amava a série deles e minha família já não aguentava mais ouvir as músicas lá em casa. Meu pai chegou a falar que iria comigo aos shows, porque já sabia cantar tudo”, completou Giovanna.
 
Carta guardada
 
A fã Ana Paula de Aranha Oliveira acompanha a carreira de Sandy e Junior desde que se entende por gente. Contudo, nunca tinha visto, ao vivo, uma apresentação da dupla, até compartilhar sua história nas redes sociais e ganhar um ingresso.
 
A autônoma foi conferir a mostra itinerante Sandy e Junior Experience, montada no ParkShopping e que faz um passeio pela trajetória dos irmãos, e ficou extasiada. “Dei de cara com uma carta e, na hora, reconheci a minha letra. Não acreditei. Foi um mix de sensações”, lembrou. No papel estavam as palavras direcionadas à cantora Sandy em 1997. “Não te admiro pelas coisas que faz, mas sim por ser uma pessoa especial, neste mundo tão comum”, escreveu Ana Paula.
 
Aos 36 anos, ela conta que não perdia uma aparição dos irmãos na televisão nem os capítulos da série exibida pela TV Globo. “A gente não tinha certeza que chegaria nem que estaria guardada, mas escrevíamos. Isso foi demais. Mostra o respeito que eles e a Noley (mãe da dupla) têm pelos fãs”, comenta.
Superprodução
 
Luz de LED, brilhos, palco com desenhos geométricos, troca de figurino, muitos bailarinos e uma superprodução. Para celebrar os 30 anos da primeira aparição pública da dupla, no programa Som Brasil, da Globo, a turnê Nossa História tem passado por diferentes cidades brasileiras e promovido o reencontro dos artistas com os fãs.
 
 Sandy e Junior subiram ao palco, montado no meio do gramado — o que diminuiu a capacidade do estádio —, às 21h40, depois da contagem regressiva. Mais de meia hora de atraso. A plateia, que não lotava as cadeiras nem o gramado, não se importou. Até o fechamento desta edição, o espetáculo seguia sem incidentes.
 
A capital federal é a quarta cidade a receber a turnê dos irmãos. Daqui, eles seguem para o Rio de Janeiro.
 
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Correio Braziliense Saturday, 20 de July de 2019

QUANDO O ESPORTE CHEGOU À LUA

 

Quando o esporte chegou à Lua
 
Quinto homem a pisar no único satélite natural da Terra, o norte-americano Alan Shepard desafiou a Nasa em fevereiro de 1971: levou um taco e duas bolinhas na bagagem durante a Missão Apollo 14 e brincou de golfe

 

» Marcos Paulo Lima

Publicação: 20/07/2019 04:00

O astronauta criou o taco com um tubo de ferro usado para coletar amostras de poeira: três tentativas e dois acertos (NASA/Reuters - 5/2/15 )  

O astronauta criou o taco com um tubo de ferro usado para coletar amostras de poeira: três tentativas e dois acertos

 



O esporte tem (ou teve) alguns extraterrestres, como o Rei Pelé, Lionel Messi, Michael Jordan, Michael Phelps, Roger Federer, Michael Schumacher, Muhammad Ali, Tiger Woods, mas nenhum deles conseguiu a proeza de bater embaixadinha, sacar, acelerar, dar jabs, diretos, cruzados ou tacadas a 384.400km do planeta Terra. O primeiro “atleta” a praticar uma das 33 modalidades olímpicas na Lua chama-se Alan Shepard (1923-1998).

Há 50 anos, em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong entrou para a história como o primeiro dos 12 humanos a pisar no solo lunar. Da dúzia de privilegiados, somente Shepard, o mais velho da lista, desafiou as leis da gravidade e arriscou praticar esporte no único satélite natural da Terra. O astronauta participava da Missão Apollo 14. Era fã de golfe. “Pelé” da modalidade, Tiger Woods nem existia. Nasceu em 1975. Provavelmente, Shepard era fã dos compatriotas Lee Trevino, Jack Nicklaus, Arnold Palmer e Orville Moody — os caras da época. Em 5 de fevereiro de 1971, ele peitou a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) e levou na bagagem da expedição um taco de golfe e duas bolinhas.

A ideia começou com uma piada do comediante norte-americano Leslie Townes Hope. Bob Hope, como era conhecido, visitou as instalações da Nasa e simulou um swing — o movimento mais importante do golfe — dentro de uma sala sem gravidade. Fanático pela modalidade, Alan Shepard testemunhou a invenção de moda e imaginou como seria uma tacada semelhante bem longe dali. No espaço.

Ao saber que seria mais um homem a pisar na Lua, Shepard quis ser diferente. Deu início a uma negociação com os chefes. Sugeriu a tentativa de praticar golfe e teria ouvido não como resposta. Insatisfeito, insistiu e chegou a um acordo. Ele só jogaria golfe na Lua depois de cumprir com excelência todos os objetivos científicos da Missão da Apollo 14. Diretor dos astronautas à época, Bob Gilruth se rendeu ao fã de esporte e autorizou a experiência.

Sem gasto extra

O taco escolhido era um ferro 6 da marca Wilson Staff, embora, na realidade, fosse apenas a cabeça, que era acoplada a uma ferramenta com a forma de um tubo alongado. O objeto servia para coletar amostras de poeira da superfície da Lua — uma das missões da expedição Apollo 14. Na época, Shepard fez questão de comprar as bolinhas de golfe do próprio bolso e prestou contas à sociedade norte-americana. Ao retornar, deixou claro ao povo: “Não houve nenhum gasto extra para o contribuinte”, brincou o astronauta.

Em 5 de fevereiro de 1971, Shepard concluiu a missão com excelência acompanhado dos colegas Stuart Roosa e Edgar Mitchell. Era hora do show time. O astronauta lembrou ao gestor Bob Gilruth o pacto celebrado na Terra. Virou-se para a câmera e afirmou: “Houston, você pode ver o que tenho na mão? É um autêntico ferro 6 (...) Infelizmente, é tão rígido que não consigo fazer isso com as duas mãos, mas vou tentar”, avisou.

Na primeira das três tacadas, Shepard não acertou a bola. A desengonçada roupa pressurizada de astronauta o forçou a dar a tacada só com uma mão, e ele só golpeou o ar. Persistente, conseguiu nos dois lances seguintes. No primeiro, deslocou a bola por cerca de 40 metros, relatam os historiadores da Nasa. A distância percorrida pela segunda é um mistério até hoje. Segundo o próprio astronauta... “Voou milhas e milhas”, brincou.

Ousadia

O fato é que, 50 anos depois de Neil Armstrong pisar na Lua pela primeira vez — e dizer a célebre frase “Esse é um pequeno passo para homem, mas um grande salto para a humanidade”, Alan Shepard segue sendo o único homem a transformar o solo lunar em um campo de golfe para a prática do tradicional esporte de elite inventado na Escócia por volta do ano 1400.

Quase vetado na Lua, o golfe também chegou a sofrer censura aqui na Terra em 1457. O rei Jaime II da Escócia e o parlamento consideravam esse esporte uma diversão que afetava os interesses do país. Se há vida além da Terra, duas bolinhas estão perdidas por lá desde aquele 6 de fevereiro de 1971. Foram deixadas na Lua pelo ousado Alan Shepard. Quem sabe o golfe é praticado por algum extraterrestre...


"Houston, você pode ver o que tenho na mão? É um autêntico ferro 6 (...) Infelizmente, o naipe é tão rígido que não consigo fazer isso com as duas mãos, mas vou tentar” 
Alan Shepard, astronauta, sobre o taco e as bolinhas usadas na Missão Apollo 14


Os escalados

Os 12 homens que pisaram em solo lunar

Astronauta    Data    Idade
  • Neil Armstron    21/7/1969    38 anos
  • Buzz Aldrin    21/7/1969    39 anos
  • Pete Conrad    19/11/1969    39 anos
  • Alan Bean    18/11/1969    37 anos
  • Alan Shepard    5/2/1971    47 anos
  • Edgar Mitchell    5/2/1971    40 anos
  • David Scoltt    31//8/1971    39 anos
  • James Irwin    31/8/1971    41 anos
  • John Young    21/4/1972    41 anos
  • Charles Duke    21/4/1972    36 anos
  • Eugene Cerman    11/12/1972    38 anos
  • Harrison Schmitt    11/12/1972    37 anos
  • Jornal Impresso

 


Correio Braziliense Friday, 19 de July de 2019

INCÊNDIO: CRIME ABALA O JAPÃO

 


JAPÃO
 
Polícia investiga incêndio
 
Ao menos 33 morrem depois que um homem invade estúdio de animação em Kyoto e ateia fogo ao edifício. O suspeito foi hospitalizado sob custódia da polícia, que tenta entender os motivos do ataque, um dos mais letais na história recente do país

 

Publicação: 19/07/2019 04:00

Fumaça sai pelas janelas da Kyoto Animation, produtora de desenhos animados e séries: direção do estúdio tinha recebido ameaças por e-mail (Jiji Press/AFP)  

Fumaça sai pelas janelas da Kyoto Animation, produtora de desenhos animados e séries: direção do estúdio tinha recebido ameaças por e-mail

 


Investigadores da polícia japonesa aguardam a oportunidade de interrogar o suspeito de ter provocado ontem um incêndio que matou ao menos 33 pessoas em um estúdio de animação em Kyoto, no oeste do país. Até a noite, vários funcionários continuavam desasparecidos e 35 se recuperavam de ferimentos, 10 deles em estado considerado grave. O suspeito, de 41 anos, também foi hospitalizado, sob vigilância.

De acordo com os relatos, ele teria entrado no estúdio, espalhado “um líquido inflamável” e iniciado o incêndio. A mídia japonesa informou que o homem foi visto momentos antes em um posto de gasolina, enchendo latas com combustível. No momento do suposto ataque, cerca de 70 pessoas se encontravam no edifício. Nenhuma pista inicial indicava qual pode ter sido a motivação do atentado, que, se confirmada a natureza criminosa, faz do episódio o massacre mais letal das últimas décadas no Japão.

O fogo irrompeu às 10h30 (23h30 de quarta-feira, Brasília), em um prédio da empresa Kyoto Animation, que produz séries animadas de grande sucesso na tevê japonesa. Três horas depois, as chamas estavam praticamente controladas, embora uma fumaça branca ainda saísse de algumas janelas, de acordo com imagens transmitidas pela tevê. Os bombeiros continuavam as operações de socorro em busca de funcionários que teriam ficado presos em diferentes andares do edifício.

Uma testemunha ouvida pela emissora de tevê NHK relatou que o incendiário teria anunciado o ataque gritando: “Eles vão morrer”. “Algumas pessoas ouviram detonações no primeiro andar da Kyoto Animation e viram fumaça”, disseram os bombeiros. “Eu ouvi duas fortes explosões”, confirmou à reportagem um sobrevivente. A polícia encontrou facas no local, mas não souber informar se elas pertenciam ao suspeito.

“”Fiquei sem palavras”, escreveu no Twitter o primeiro-ministro Shinzo Abe, que prometeu orar pelas vítimas de incêndio, um dos piores de causas criminosas na história do Japão — caso se confirmem as suspeitas. O CEO da Kyoto Animation, Hideaki Hatta, revelou que a empresa tinha recebido mensagens de e-mail com ameaças. “Não consigo suportar a ideia de que pessoas que representam a indústria de animação do Japão tenham sido feridas ou mortas”, desabafou.

A Kyoto Animation é uma produtora de desenhos animados que vende também produtos derivados das séries. Cerca de 160 pessoas trabalham na empresa, que inclui uma escola de animação. O grupo é proprietário de outro edifícios, além do atingido pelo incêndio.

O incidente provocou reações de tristeza por parte de renomados animadores, entre eles o diretor do longa-metragem de animação Your name. “A todos vocês, na Kyoto Animation, peço que estejam seguros”, escreveu Makoto Shinkai em sua conta no Twitter. “Por que, por que, por quê?”, questionou  Yutaka Yamamoto, que era membro do estúdio e trabalhava na série Lucky Star.

Desquilíbrio
A taxa de criminalidade é relativamente baixa no Japão, em comparação com os índices de outros países. Mas, de tempos em tempos, o país registra episódios nos quais um indivíduo em momento de desequilíbrio mata indiscriminadamente.

Em julho de 2016, um jovem esfaqueou 19 pessoas em um hospital para doentes mentais, a cerca de 50km de Tóquio, o mais grave assassinato em massa desde 1938. Em 2008, um homem de 28 anos, armado com uma faca e atrás do volante de um caminhão, causou pânico no bairro de Akihabara, também na capital, deixando sete mortos e 10 feridos. Ele atropelou vários transeuntes, saiu do veículo e passou a esfaquear as pessoas próximas.

Em junho de 2001, um homem matou oito crianças em uma escola de Osaka.
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Thursday, 18 de July de 2019

O LADO CRUEL DO FRIO

 


INVERNO
 
 
Dias secos, noites geladas
 
Após uma semana em que a umidade relativa do ar chegou a 17%, levando o Inmet a emitir alerta de perigo, o DF ficará menos seco, mas com temperaturas mais baixas. Moradores de rua são os que mais sofrem

 

» JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 18/07/2019 04:00

Grupo de sem-teto tenta se proteger do frio na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto, à margem da via que leva à Esplanada dos Ministérios (Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press)  

Grupo de sem-teto tenta se proteger do frio na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto, à margem da via que leva à Esplanada dos Ministérios

 


Os brasilienses devem enfrentar um alívio nos próximos dias em relação ao tempo seco. Após uma semana que começou com alerta de perigo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência a partir de hoje é de que a umidade relativa do ar tenha uma leve alta e as temperaturas caiam, especialmente no início da manhã. A temperatura, hoje, deve variar entre 14°C e 28°C. A previsão é de tempo estável, com céu claro a parcialmente nublado, e umidade relativa do ar entre 30% e 80%. Na segunda-feira, dia mais crítico, ela baixou a 17%. Na terça-feira, a mínima foi de 20%.
 
O índice começou a subir ontem. A menor umidade relativa do ar, 27%, foi registrada perto do Gama e na região norte do Distrito Federal. “A tendência para os próximos dias é de que ela fique em 30%. Nada muito crítico, como do último fim de semana até terça-feira. A máxima deve oscilar perto dos 90%. Até o próximo fim de semana, teremos um ligeiro alívio, pois os valores estão subindo um pouquinho”, explica a meteorologista do Inmet Naiane Araujo.

Pessoas em situação de rua buscam abrigo sob uma das marquises do maior terminal rodoviário do DF  

Pessoas em situação de rua buscam abrigo sob uma das marquises do maior terminal rodoviário do DF

 

A partir de amanhã, a temperatura também começa a mudar, com máxima entre 24°C e 26°C, e mínima entre 8°C e 9°C. “As mais baixas serão por volta do amanhecer, entre 6h e 8h. As máximas estão previstas para a tarde, entre 15h e 16h. Amanhã (hoje), elas ainda estarão relativamente altas: ao amanhecer, devemos ter temperaturas na casa dos 12°C e, à tarde, em torno dos 28°C e 29°C”, completa Naiane.
 
Mesmo com a exceção deste ano, em que houve chuvas em áreas isoladas no início de julho, não há previsão de surpresas para os próximos dias. De acordo com a meteorologista, nada indica que ocorrerá precipitações até o fim do mês. “Embora a média climatológica da chuva em junho e julho seja muito baixa, girando em torno de 4 a 6 milímetros, um episódio ou outro dentro da estação seca não é descartado. Por isso, nossas estimativas não são para muito tempo. Mas, no horizonte dos próximos sete dias, não há previsão”, afirma a especialista.

Cerca de 40 pessoas dormem em frente a uma loja de departamento do Setor Comercial Sul  

Cerca de 40 pessoas dormem em frente a uma loja de departamento do Setor Comercial Sul

 

Dificuldades
A queda das temperaturas aumenta a preocupação de quem não tem opção senão a de passar as noites nas ruas do DF. A Secretaria de Desenvolvimento Social estima que haja cerca de 3 mil pessoas nessa situação, principalmente nas áreas centrais do Plano Piloto. Uma delas é José Mario da Silva, 50 anos. Em 2016, um incêndio destruiu o barraco no qual ele morava, em Porto Velho. O pernambucano perdeu todos os documentos e não conseguiu mais emprego ou lugar para morar.
 
Em março, José Mario ganhou uma passagem de ônibus para Brasília. A expectativa era de que, aqui, conseguiria mais rápido a segunda via dos documentos e um trabalho. No entanto, o fato de a certidão de nascimento dele também ter sido queimada não facilitou as coisas. Desde então, ele passa dias e noites no Setor Comercial Sul (SCS). “Cheguei a ser chamado para uma vaga de auxiliar de cozinha, mas, quando souberam que eu não tinha documentos, não tiveram como me contratar”, lamenta.

Após um incêndio destruir seu barraco e documentos, José Mario foi parar na rua  

Após um incêndio destruir seu barraco e documentos, José Mario foi parar na rua

 

Além do desemprego, o inverno tem castigado ele e as outras cerca de 40 pessoas que dormem em frente a uma loja de departamento do SCS. José Mario conta que, apesar de haver muitas contribuições, elas são insuficientes. “Há muitos dependentes químicos aqui. Quando chegam com as doações, eles correm e nós não competimos com eles. Muitos pegam os itens para vender e comprar drogas. Saem atropelando todo mundo e acabamos ficando sem”, relata José Mario. “Meu objetivo é conseguir um emprego para ter moradia, mas, em meio a tanta gente, acabamos não ficando bem-vistos”, completa o pernambucano.



 
Previsão do tempo
 
 
HOJE
 
Temperatura
Máxima: 28°C
Mínima: 14°C
 
Umidade relativa do ar
Máxima: 80%
Mínima: 30%
 
AMANHÃ
 
Temperatura
Máxima: 25°C
Mínima: 11°C
 
Umidade relativa do ar
Máxima: 85%
Mínima: 30%
 
SÁBADO
 
Temperatura
Máxima: 23°C
Mínima: 9°C
 
Umidade relativa do ar
Máxima: 90%
Mínima: 35%
 
DOMINGO
 
Temperatura
Máxima: 24°C
Mínima: 10°C
 
Umidade relativa do ar
Máxima: 85%
Mínima: 30%




Onde doar
 
Abraçando o Mundo
» Asa Norte, Lago Norte e Grande Colorado (Gabi, 995-713-851)
» Asa Norte, Asa Sul, Sudoeste, Cruzeiro, Octogonal e Vila Planalto  (Dinho, 992-580-220; Ana Luísa, 999-062-703; João Vitor, 981-128-981)
» Cruzeiro Novo e Velho, Sudoeste, Octogonal, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Park Sul, Guará, SMU e Noroeste (Niky, 998-216-436)
» Granja do Torto, Asa Norte e Lago Norte (Renata, 996-664-774)
» Guará e Águas Claras (Pacheco, 982-209-068)
» Lago Sul, Jardim Botânico e Paranoá (Daniel, 981-787-169)
» Sobradinho, Grande Colorado e Asa Norte (Juliana, 981-189-735)
» Sobradinho, Grande Colorado, Taquari, Asa Norte e Sudoeste (Karine, 998-384-279)
 
Amo Ajudar
» Asa Norte, SEPN 707/907 Norte, UniCeub (Clara, 983-023-703)
» Asa Sul, SHIGS 703, Bl. H, Casa 28 (Clara, 983-023-703)
» Cruzeiro, SRES, Qd. 2, Bl. K, Casa 2 (Bruna, 999-834-603)
» Setor de Indústrias Gráficas, Edifício Parque Brasília, Qd. 1 (Bruno, 992-121-464)
» Sudoeste, SQSW 101, Bloco J (Bárbara, 998-110-038)
 
Armário Solidário
(doações em geral)
» Setor Comercial Sul
» Rodoviária do Plano Piloto
» Passarela subterrânea que liga o Guará ao Lucio Costa
 
Polícia Militar
» Qualquer unidade da PMDF
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Correio Braziliense Wednesday, 17 de July de 2019

DESEMPREGO EM BRASÍLIA

 


ECONOMIA
 
 
Fila para emprego na Asa Norte
 
Na tentativa de obter trabalho em supermercado, centenas de pessoas aguardam horas para entregar currículo e disputar 47 vagas. Alta procura se repete no Distrito Federal e Entorno desde o início do ano

 

» JULIANA ANDRADE

Publicação: 17/07/2019 04:00

Jilvanete é professora, tem pós-graduação, mas busca vaga no caixa (Juliana Andrade/CB/D.A Press)  

Jilvanete é professora, tem pós-graduação, mas busca vaga no caixa

 


O sol não havia surgido quando Marcos Ferreira, 22 anos, saiu de Luziânia, por volta das 3h30, na esperança de conseguir o primeiro emprego. O jovem, formado em administração, pegou um ônibus e atravessou Brasília para, às 5h30, alcançar a Asa Norte. Ao chegar à comercial da 209, endereço do Oba Hortifruti, deparou-se com uma fila que terminava no bloco seguinte. Além de Marcos, centenas de pessoas disputavam uma das 47 vagas oferecidas pelo estabelecimento. “Procuro emprego desde os 18 anos, e não é por falta de curso que eu não consigo, porque eu fiz vários. Eles (empresas) sempre exigem experiência, mas como vou conseguir experiência se ninguém me dá uma oportunidade?”, questionou.
 
No caso do Oba, as vagas são para todas as lojas do DF, que precisam de açougueiro, auxiliar de açougue, atendente de loja (exclusivo para deficientes), empacotador, operador de caixa e motorista. Leonardo dos Santos, 19, conta que, se conseguisse qualquer um dos cargos, ficaria feliz. Ele saiu de Sobradinho e passou horas à espera de ser recebido por um entrevistador do recursos humanos do supermercado. “Cheguei às 6h, e a fila estava no fim da quadra”, disse. O jovem trabalhava em uma padaria da Asa Sul, mas ficou desempregado há cinco meses, depois de cortes feitos na empresa. “O pessoal até chama para fazer entrevista, mas as vagas são poucas”, lamentou.

Fernando tenta um emprego há seis meses:  

Fernando tenta um emprego há seis meses: "Está complicado"

 

As entrevistas começaram às 8h30. Fernando Antônio Magalhães também chegou à Asa Norte cedo, às 6h. Às 11h, ele ainda aguardava para entregar o currículo. Casado e pai de três filhos, ele está desempregado há seis meses. “Eu recebi a minha última parcela do seguro-desemprego. Enviei currículo para todo lado, fiz algumas entrevistas, mas está complicado”, afirmou. O pai de família tem cerca de 10 anos de experiência no mercado com serviços de limpeza.
 
Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) mais recente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), há 331 mil pessoas sem trabalho no DF. Os dados são de maio. O cenário envolve gente de diferentes idades, cidades e formação. Jilvanete Fernandes, 54, é professora de português e literatura e pós-graduada em gestão e orientação educacional pedagógica. Sem conseguir um emprego na área de formação, ela estava na fila do supermercado para tentar uma vaga de operadora de caixa. “Estou há três anos desempregada. Está muito difícil. A escassez de emprego está muito grande”, afirmou.
 
Moradora do Valparaíso, Andreia da Cruz, 40, está desempregada há 9 meses. Mesmo estando no fim da fila, ela não pretendia desistir da disputa. “Eu mandei currículo para vários lugares, participei de muitos processos seletivos, mas eles nunca chamam. Fiz até um grupo nas redes sociais para compartilhar vagas de emprego”, frisou. A candidata torcia para ser selecionada para trabalhar como operadora de caixa, área em que ela tem experiência.
 
Repercussão
O economista Newton Marques afirma que o desemprego é um dos piores problemas da economia. Em Brasília, a situação fica mais expressiva por causa do corte de gastos no setor público, que acaba atingindo a população da capital. “Quando há um corte, as pessoas de mão de obra terceirizada ou de cargos de confiança acabam sendo atingidas, além dos servidores que deixam de consumir certos bens”, ressaltou. Segundo ele, quando há uma retração de gastos por parte da população que trabalha no setor público do DF, a falta de trabalho, em Brasília, é inevitável.
 
Para Newton, a situação não vai mudar enquanto a economia não se normalizar. “Se o governo fizer uma política econômica que consiga retomar a atividade econômica do país como um todo, as unidades da Federação, como o DF, terão uma repercussão positiva, e essa situação tenderá a se minimizar”, analisa.
 
 
Memória
 (Ana Rayssa/CB/D.A Press - 17/5/19 )  


  Junho
 
Cerca de 200 pessoas acamparam em frente a um supermercado atacadista, em Samambaia, para participar de um processo seletivo. A empresa oferecia 170 vagas.
 
  Maio
 
Ofertas de vagas reuniram 5 mil pessoas em um supermercado de Valparaíso (GO). O comércio tinha 300 vagas disponíveis.
 
  Março
 
Em Planaltina, 2,5 mil pessoas amanheceram em frente a um restaurante de Planaltina. A fila chegou a cerca de 1km.
 
  Janeiro
 
No Itapoã, centenas de pessoas formaram uma fila de 450m para entregar um currículo em um supermercado.
 
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Correio Braziliense Tuesday, 16 de July de 2019

QUANDO GANHAMOS A LUA

 

Quando ganhamos a Lua
 
Há 50 anos, partia da Flórida a missão que mudou a forma como olhamos para o Universo. Desde que o homem pisou em solo lunar, seguimos desbravando o espaço, impulsionados pelos avanços tecnológicos e pela curiosidade de descobrir o que existe além da Terra

 

Paloma Oliveto

Publicação: 16/07/2019 04:00

Tripulação da Apollo 11: Michael Collins, Neil Armstronge e Buzz Aldrin  (NASA/Reuters - 28/8/12 )  

Tripulação da Apollo 11: Michael Collins, Neil Armstronge e Buzz Aldrin

 



A capa do Correio de 17 de julho de 1969: dia histórico (Arquivo /CB/D.A Press)  
A capa do Correio de 17 de julho de 1969: dia histórico

Era 16 de julho de 1969. As rádios norte-americanas tocavam sem parar o hit Sugar, sugar, dos Archies; a expectativa do Festival de Woodstock estava no imaginário dos jovens que participariam do lendário evento dali a um mês. No Brasil, os jornais noticiavam que a ditadura militar estudava extinguir o Senado. Já na Inglaterra, David Bowie lançava o LP Space Oddity para coincidir com um fato que mudaria para sempre a relação do homem com o Universo: às 10h32 (horário de Brasília), três homens partiriam da Flórida para conquistar a Lua.

Ao entrar na Apollo 11 um ano antes da invenção dos microcomputadores, Michael Collins, Buzz Aldrin e Neil Armstrong realizavam um sonho que sempre acompanhou a humanidade. Desbravar o espaço, ultrapassar os limites da Terra e até, quem sabe, dar de cara com alguma forma de vida eram desejos antigos, expressos em diversas culturas do Ocidente e do Oriente. Mais próximo objeto extraterrestre, a Lua exercia um fascínio especial — praticamente todas as sociedades têm mitologias associadas a ela.

Curiosamente, o século 20 não começou tão atento ao satélite. “Naquela época, os astrônomos estavam interessados apenas em objetos fora do nosso Sistema Solar. Eles viam a Lua como uma amolação que iluminava o céu noturno, dificultando o estudo das estrelas e galáxias mais fracas”, contou, por meio da assessoria de imprensa do Instituto de Ciência Planetária, em Tucson, William Hartmann. O astrônomo e divulgador científico foi um dos primeiros alunos de pós-graduação do célebre cientista norte-americano Gerard Kuiper, considerado o pai da ciência planetária moderna.

Ao contrário da maioria dos astrônomos da época, o grupo liderado por Kuiper na Universidade do Arizona não só se interessava pela Lua como produziu, a partir de fotos, os primeiros atlas lunares. Essas publicações ajudaram a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) a compreender a geologia do satélite e a escolher os melhores locais para as sondas e, futuramente, os homens pousarem nas missões Apollo.

Guerra fria
Naquele fim de década, o espaço já não era algo tão novo para o homem. Oito anos antes, o cosmonauta russo Yuri Garagin tomava para si o título de primeiro homem a sair da Terra. Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos não podiam, é claro, ficar para trás. A corrida espacial começou, oficialmente, em 4 de outubro de 1957, quando a ex-União Soviética lançou o Sputnik 1, levando a Nasa a, freneticamente, desenhar um programa muito mais ousado.

Os norte-americanos não apenas ultrapassariam a fronteira terrestre, mas deixariam pegadas na Lua. “Enviar uma missão tripulada era muito mais pelo glamour do que pela validade científica”, explica o astrônomo Naelton Mendes de Araújo, do Planetário do Rio de Janeiro. “As sondas automatizadas são muito mais rápidas, seguras e baratas. Por isso, o voo tripulado foi muito mais por política que por ciência.”

Antes de enviar Collins, Aldrin e Armstrong para a Lua, a Nasa preparou três missões não tripuladas: Ranger, Surveyor e Lunar Orbiter. Entre 1961 e 1965, nove sondas Ranger foram lançadas. A primeira bem-sucedida foi a 7, que partiu em 28 de julho de 1964, pousou na planície Mare Congitum, ao sul da cratera Copernicus, e, de lá, mandou mais de 4,3 mil fotos para a Terra.

Em fevereiro do ano seguinte, a Ranger 8 alunissou no mesmo lugar que os astronautas da Apollo 11 deixariam suas pegadas: o Mar da Tranquilidade. A última nave Ranger foi lançada em março de 1965 e enviou 5,8 mil novas imagens desde a cratera Alphonsus. Trabalhadas na Universidade do Arizona, essas fotografias foram a base dos atlas produzidos pela equipe de Gerard Kuiper.

Entre 1966 e 1968, cinco de sete missões Surveyor foram bem-sucedidas e, além de mais de 90 mil fotos, realizaram experimentos, examinaram o solo lunar abaixo da superfície e identificaram a composição mineral de alguns pontos da Lua. Uma das principais descobertas — por sinal, muito mais importante do ponto de vista científico do que qualquer realização da Apollo 11 — foi a existência de basalto, indicando que, no início da história do satélite, a formação das grandes crateras levou ao derretimento de material do interior da Lua, o que deflagrou violentos vulcanismos.

O mapeamento completo do satélite, um passo essencial para enviar uma missão tripulada, ocorreria com a Lunar Orbiter, que, entre 1966 e 1967, investigou detalhadamente a topografia e a geologia de diversos tipos de terrenos lunares com objetivo de encontrar o local mais apto para a alunissagem da Apollo. Com tantas informações nas mãos, a Nasa marcou a data de lançamento da esperada ida do homem à Lua. Assim, há 50 anos, Michael Collins, Buzz Aldrin e Neil Armstrong davam o primeiro “grande salto para a humanidade”.


Duas perguntas para

E agora há mesmo necessidade de uma nova missão?
 (Arquivo Pessoal)  

E agora há mesmo necessidade de uma nova missão?

 


Antonio Pedro Timoszcz, membro sênior do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e especialista em 
engenharia de sistemas


A Nasa foi muito ousada ao mandar uma missão tripulada à Lua em 1969?
É importante a gente ter em mente o contexto da época em que isso aconteceu. Já no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, a guerra fria dos Estados Unidos com a antiga União Soviética estava em curso. O que aconteceu foi que, de repente, os russos começaram a progredir muito em relação a essa questão espacial. Eles foram os primeiros a colocar um satélite em órbita, o Sputnik, e, quando os americanos se preparavam para colocar os satélites deles, os russos enviaram o astronauta Yuri Gagarin, provocando uma certa surpresa nos Estados Unidos. Então, os EUA, como uma forma de reagir a essa perda de liderança na questão da tecnologia espacial, colocaram como objetivo do país ir à Lua. Realmente, em termos de tecnologia, estava se aprendendo muito à época, mas, notadamente, esse objetivo fez com que diversas dificuldades tecnológicas fossem superadas, tivéssemos um grande desenvolvimento na área de engenharia, de materiais, tudo que serviu de suporte para que viabilizasse essas missões. Lembrando que a Apollo 11 foi a concretização de um objetivo, mas, até ela, várias outras missões aconteceram. Foi uma sucessão de progressos, e as dificuldades tecnológicas foram sendo superadas. O desafio é o que faz que se supere os obstáculos e que se produza novas tecnologias, o que chamamos de inovação.

E agora há mesmo necessidade de uma nova missão?
É claro que isso permitiu avançar o conhecimento em termos da Lua, do espaço, das condições de vida no espaço, o que permitiu desenvolver os ônibus espaciais, a Estação Espacial Internacional. Mas o que classifico como algo muito interessante é o transbordamento dessa tecnologia toda que foi desenvolvida para o programa espacial para nossa vida do dia a dia. Essa transferência de tecnologia que aconteceu talvez tenha sido o ponto mais marcante em termos de benefícios para a sociedade. Só para citar alguns exemplos, os tênis que usamos hoje em dia vieram das botas que foram feitas para os astronautas. As lentes resistentes dos óculos vieram do fato de se precisar ter visores resistentes à poeira, que não riscassem nem arranhassem. A espuma que é usada nos travesseiros evoluiu a partir da que foi usada nos assentos e em várias partes das naves para diminuir o impacto durante o pouso. A própria computação passou por um avanço muito grande pela necessidade de ter equipamentos que fizessem cálculos mais rápidos e precisos. Então, o ponto mais interessante é que todo esse programa espacial produziu como resultado lateral uma série de benefícios que está no dia a dia de todas as pessoas.
 
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Correio Braziliense Monday, 15 de July de 2019

PROFESSOR RICARDO FRAGELLI: PROJETO MOTIVA ESTUDANTES

 

EDUCAÇÃO
 
Projeto motiva estudantes

 

JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 15/07/2019 04:00

O professor Ricardo Fragelli (em pé, ao centro) aplica a metodologia com alunos dos cursos de engenharias (Ana Rayssa/CB/D.A Press
)  

O professor Ricardo Fragelli (em pé, ao centro) aplica a metodologia com alunos dos cursos de engenharias

 

Engajar, incentivar e despertar o interesse de estudantes nem sempre é tarefa fácil para educadores. Motivado por esse desafio, o professor Ricardo Fragelli, dos cursos de engenharias do câmpus Gama da Universidade de Brasília (UnB), criou o projeto Eight. A proposta alia aprendizado, crescimento individual e soluções para problemas enfrentados pelas comunidades nas quais os alunos estão inseridos. A ideia do mestre goiano deu tão certo que avançou para instituições de ensino de diferentes partes do país.
 
A metodologia surgiu no primeiro semestre do ano passado e alcança cerca de 130 universitários do primeiro semestre de engenharias a cada seis meses. As atividades ficam a cargo dos próprios estudantes e incluem talk shows, visitas técnicas, intervenções acadêmicas e sociais, além de um evento final intitulado Eight. Nele, os alunos fazem apresentações de até oito minutos, inspiradas no modelo de palestras do TED (sigla para Tecnologia, Entretenimento e Design, em inglês). Tal como a proposta principal da conferência, os estudantes compartilham, em encontros abertos e gratuitos, ideias e histórias de vida que merecem ser disseminadas.
 
Um dos objetivos do projeto, segundo explica Ricardo, é fazer com que os frutos da metodologia alcancem mais pessoas. “Costumo trabalhar com metodologias ativas, e o Eight envolve deixar a matéria mais empolgante e estimulante para o aluno, para que ele tenha mais engajamento em sala.”
 
As ações desenvolvidas também requerem um olhar sobre a comunidade. Um suporte para encaixe de guarda-chuva ou guarda-sol em cadeiras de rodas; instalação de armários no câmpus; criação de uma área de jogos em asilos para idosos; ou colocação de redes em árvores para que os universitários tenham um espaço de lazer. Todas essas medidas foram propostas — e executadas — por meio do Eight. Não é necessário que a solução tenha elevado grau de complexidade, mas é fundamental que a iniciativa continue após o fim do semestre, independentemente da presença dos estudantes no local.
 
Prestes a começar o segundo semestre de engenharias, Adriele Lopes, 24 anos, conheceu o método com o professor Ricardo, na disciplina de Introdução à Engenharia. Interessada em seguir na carreira aeroespacial, ela ampliou o leque de opções ao participar dos talk shows promovidos. “Não imagino uma matéria de engenharia sem isso. No quarto semestre, precisamos ter definida a área que queremos seguir, então é bom participar desse projeto”, comenta.
 
Professora do curso de enfermagem na Faculdade de Saúde do câmpus Darcy Ribeiro, a mulher do professor, Thaís Fragelli, também levou a proposta para a sala de aula, na disciplina de Tecnologia de Educação em Saúde. Ela e a turma foram finalistas em um prêmio de educação empreendedora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Com essa experiência, eles tiveram ganhos de competências, como liderança, planejamento, comunicação”, analisa.
 
A prática desse princípio inspirou o estudante de enfermagem João Guilherme Alves, 23, a desenvolver interesse pelo ensino na área de saúde. Ele conta que o trabalho com o método permitiu que sentisse mais entusiasmo com a parte teórica da faculdade. “Na universidade, faltam professores que motivem. Temos vários que apontam o erro, cobram. Mas tirar o melhor do estudante é o diferencial dessa metodologia”, avalia.
 
Inscrições abertas
No meio do ano passado, Ricardo Fragelli deu início ao curso on-line para professores interessados em aplicar o projeto. Neste semestre, ele abrirá mais 30 vagas para educadores do ensino básico e superior. As inscrições para participar do processo seletivo vão até sexta-feira. O curso é gratuito e as aulas duram um mês. Inscrições pelo site: fantasticalizando.com/cursos. Informações: facebook.com/prof.ricardo.fragelli ou instagram.com/ricardofragelli.
 
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Correio Braziliense Sunday, 14 de July de 2019

ESTRESSE AUMENTA A FOME POR CALORIAS

 

Tensão elevada, reforço nas calorias
 
 
Sob condições de estresse, indivíduos tendem a preferir alimentos mais gordurosos. Para especialistas, o comportamento detectado por cientistas da Austrália e da Bélgica reforça a necessidade de considerar aspectos emocionais no combate à obesidade

 

» Vilhena Soares

Publicação: 14/07/2019 04:00

 


Cientistas já comprovaram que as cores utilizadas nos anúncios das redes de fast food são uma estratégia para capturar a atenção dos consumidores. Agora, acabam de descobrir outro fator que torna ainda mais atrativas essas opções gordurosas. Estudos mostram que é muito mais difícil ignorar as comidas de alto valor calórico quando o estresse e o nervosismo estão presentes. Os pesquisadores explicam que isso ocorre devido a uma espécie de sobrecarga do sistema neural, condição que atrapalha a escolha por alimentos mais saudáveis. Para especialistas, a descoberta do novo mecanismo pode ajudar no combate à ingestão exagerada de calorias e, consequentemente, reduzir os casos de obesidade.

Até agora, não se sabia se a incapacidade das pessoas de ignorarem pistas de recompensa cerebrais — como luzes de neon e anúncios coloridos — era apenas algo sobre o qual os indivíduos não tinham controle ou se eram usados processos de controle executivo para trabalhar constantemente contra essas distrações. “O controle executivo é um termo para todos os processos cognitivos que nos permitem prestar atenção, organizar nossa vida, enfocar e regular nossas emoções”, explica Poppy Watson, pesquisadora da University of New South Wales (UNSW), na Austrália, e uma das autoras do estudo, publicado na revista Psychological Science, no início deste mês.

Para desvendar essa questão, Poppy Watson e sua equipe realizaram um experimento com mais de 100 participantes, que tinham que ficar olhando para uma tela com vários formatos geométricos e um círculo colorido. Os voluntários foram informados de que poderiam ganhar dinheiro se mirassem em forma de diamante. Mas se focassem no círculo colorido, não receberiam recompensas. “Para manipular a capacidade dos participantes de controlar seus recursos de atenção, pedimos a eles que fizessem essa tarefa sob condições de alta carga de memória e de baixa carga de memória”, detalha Watson.

Na versão de alta carga de memória, os voluntários tinham que memorizar uma sequência de números, além de localizar o diamante. Dessa forma, havia menos recursos de atenção disponíveis para se concentrar na tarefa que lhes renderia recompensas. O outro grupo não precisou decorar os números. Uma técnica de rastreamento ocular permitiu que todos os participantes fossem monitorados.

Os resultados obtidos surpreenderam a equipe. “Os participantes acharam realmente difícil não olhar para os sinais que dificultavam obter a recompensa — os círculos coloridos — quando estavam em situação de alta carga de memória”, conta Watson. “Crucialmente, os círculos se tornaram mais difíceis de ignorar quando as pessoas foram solicitadas a memorizar números. Isso ocorreu em cerca de 50% do tempo”, completa.

Segundo a pesquisadora, o desempenho dos participantes demonstra que os humanos precisam de acesso total aos processos de controle cognitivo para tentar suprimir sinais indesejados de recompensa. “Isso é especialmente relevante para as circunstâncias em que as pessoas estão tentando melhorar o comportamento. Por exemplo, ingerindo menos álcool ou fast food”, frisa.

Para a equipe, os resultados ajudam a entender por que pessoas podem achar mais difícil se concentrar em fazer uma dieta ou vencer um vício se estiverem sob muita pressão emocional. “Preocupação constante ou estresse é o equivalente ao cenário de alta carga de memória de nosso experimento, impactando na capacidade de um indivíduo de usar recursos de controle executivo de forma que o ajude a gerenciar sinais indesejados no ambiente”, explica Watson. “Se você está sob muita pressão cognitiva, estresse ou cansaço, por exemplo, deve tentar evitar situações em que será tentado por sinais”, aconselha.

Universitários

Uma pesquisa belga traz dados que reforçam a relação entre estresse e dificuldade no controle da alimentação, como identificaram os australianos. Os especialistas investigaram a relação entre a tensão enfrentada por estudantes antes das provas finais e possíveis alterações na qualidade da dieta durante o período. O questionário on-line foi respondido, de forma anônima, por 232 jovens, com idade entre 19 e 22 anos, recrutados na Universidade de Ghent e outras universidades da Bélgica. Durante as provas finais, em janeiro de 2017, os entrevistados foram solicitados a relatar o nível de estresse e a preencher questionários sobre padrões alimentares e vários fatores psicossociais.

Os resultados mostram que, durante o período do exame, os participantes acharam mais difícil manter uma dieta saudável. Apenas 25% cumpriram a ingestão de 400g de frutas e vegetais por dia, quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os estudantes que relataram níveis mais altos de estresse apresentaram maior propensão a lanchar com mais frequência. “O estresse tem sido implicado em má alimentação. As pessoas tendem a relatar excessos alimentares e consomem alimentos ricos em gordura, açúcar e calorias em momentos de estresse. Nossas análises confirmam essa hipótese”, frisa Nathalie Michels, pesquisadora da Universidade de Ghent, na Bélgica, e principal autora do estudo, apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade, em Glasgow, Reino Unido, em maio.

Ansiedade

Para Daniel Novais, nutricionista esportivo, as duas pesquisas comprovam informações conhecidas na área médica. “A ansiedade está ligada com o cortisol e a serotonina, substâncias relacionadas ao estresse. Alimentos doces e processados geram um processo inflamatório que influencia diretamente no neurotransmissor serotonina. Isso faz com que a pessoa fique ainda mais ansiosa, criando um ciclo sem fim, fazendo com que queira comer mais gordura.” 

Segundo Gabriela Resende, endocrinologista do Hospital Sírio-libanês, em Brasília, há dois tipos de fome: a homeopática,  relacionada a necessidades do organismo, e a hedônica, quando se come por prazer. Assim, como mostram as pesquisas, a forma como nos alimentamos está muito relacionada ao estilo de vida. “O estresse e o sedentarismo refletem nessa má alimentação, algo que também tem repercutido no aumento da obesidade.”

Vermelho e amarelo

Uma pesquisa divulgada, em 2006, 
na revista Manegement Decision, mostrou que as cores mais usadas pelos restaurantes de fast food — o amarelo e o vermelho — provocam sensações nos clientes que podem contribuir para o aumento das vendas. Em uma análise com voluntários, cientistas americanos notaram que o amarelo reforça sentimentos de conforto e confiabilidade, já o vermelho provoca a fome.

Palavra de especialista

Mudança em etapas 

“Com a rotina em que vivemos, estamos mais estressados. Por isso esse quadro de tentação pela comida realmente piora. Já é comprovado que, quando temos uma forma de restrição, a proibição do consumo de algo, nosso inconsciente fica tentado a burlar essa regra. Por isso não podemos abdicar de alimentações gordurosas de uma vez, é preciso se adaptar aos poucos, criar atalhos. Só dessa forma se pode mudar hábitos com sucesso. Até porque, quando paramos de uma vez, é fácil ter uma recaída, e, quando ela ocorre, pode tornar o cenário pior do que antes. Atividades como a meditação e a ioga têm se mostrado importantes nessa busca. Elas conseguem ajudar a lidar com o emocional, contribuindo para um maior equilíbrio e autocontrole.”

Omar de Faria Neto, nutricionista
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Saturday, 13 de July de 2019

COTA MIL: ACONCHEGO À BEIRA DO LAGO

 


CLUBES DE BRASíLIA
 
Aconchego à beira do lago
 
Com a mesma idade da capital, o Cota Mil reúne associados em ambiente que dá a sensação de estar em casa

 

ALAN RIOS
DARCIANNE DIOGO*

Publicação: 13/07/2019 04:00

Antes e depois: o clube à época da construção, em 1959, e atualmente
 (Arquivo Pessoal
)  

Antes e depois: o clube à época da construção, em 1959, e atualmente

 

 (Fotos: Minervino Junior/CB/D.A Press)  
Charme e encanto em um ambiente aconchegante e familiar. O Cota Mil Iate Clube e os 700 associados se orgulham dessas características que marcam a identidade do espaço inaugurado em 1959. Antes disso, em 1957, quando Brasília não passava de mato, terra e construções em meio ao cerrado, o clube se abrigava em uma sala do Palace Hotel. De lá para cá, cresceu e, hoje, conta com uma área de 150 mil metros quadrados.
 
A localização é privilegiada, com acesso ao Lago Paranoá. Da orla, em poucos metros à direita, fica o Pontão do Lago Sul. Em frente, a Península dos Ministros. O nome do clube também carrega história. À época da fundação, engenheiros, geólogos e topógrafos residiam na cidade e escolheram a denominação pelo fato de o clube estar a 1 mil metros de altitude.
 
O comodoro Jorge Daniel Sette explica que o número de sócios é limitado, para que se mantenha o clima mais íntimo e confortável entre os membros. “Aqui, os próprios funcionários sabem quem são todos os frequentadores. Eles mantêm amizade uns com os outros. O Cota não é um clube imenso, em que você perde a referência, mas, sim, um lugar de encontrar os amigos e estreitar os laços”, argumenta.
 
Patrick Noronha:  

Patrick Noronha: "Nós, associados, nos tratamos como membros da família"

 

 
Modernização
 
Atualizar-se constantemente é um dos legados do Cota Mil. De acordo com o comodoro, Brasília vive em um novo momento e cabe ao clube colaborar com a transformação, sem perder a essência. “Muitos sócios chegam para mim e dizem: ‘Me tira de casa.’ Sinto que as pessoas estão pouco vinculadas à cidade e não têm a preocupação de entender a história do lugar, mas de apenas exigir uma boa estrutura. Recebo várias pessoas, por exemplo, que assumem cargo no governo, se associam, e duas semanas depois vão embora”, pondera Sette.
 
É com o objetivo de aproximar mais os sócios do clube que a direção dá atenção especial às programações de eventos socioculturais. “Temos que ligar as pessoas e fazer com que elas interajam. É preciso fazer isso em cada oportunidade, pois é uma chance de elas fazerem novos amigos”, diz o comodoro.
 
Luaus, shows musicais na orla, Dia das Crianças, entre outros, são algumas das atrações que ocupam os salões sociais. Quando o assunto é modernizar, também vale para a parte esportiva. De 40 anos para cá, outras modalidades foram acrescentadas, como beach tennis, pilates, vôlei, dança de salão e aikido.
 
Crescimento
 
Nesse ambiente, muitos associados criaram vínculos para toda a vida. Patrick Noronha, 35 anos, tinha menos de um mês de vida quando foi levado pela primeira vez ao clube e hoje se sente parte de uma família. “Sou caçula de três irmãos e fui com 15 dias de idade para o Cota. Naquela ocasião, as pessoas falaram para minha mãe que ela era doida de levar um menino desse tamanho para o clube. Ela só apontou para os meus outros dois irmãos brincando e disse: ‘Olha lá, aqueles ali estão vivos até hoje, então eu sei cuidar’”, conta o advogado.
 
Patrick cresceu dentro do clube encontrando atividades que lhe faziam bem. Na infância, aprendeu a boiar nas piscinas, antes mesmo de dar os primeiros passos. Quando passou a andar, o espaço aberto era ótimo para correr e brincar. Na adolescência, o Cota era ponto de encontro com os amigos. As aulas esportivas ajudaram no desenvolvimento e renderam muitas histórias. Hoje, ele utiliza a academia do lugar para malhar com a mulher e acredita que um dia perfeito tem que ser relaxando nas dependências enquanto almoça com pessoas queridas e se desliga do mundo lá fora.
 
“Nós, associados, nos tratamos como membros da família. Tem amigos do meu pai aqui que são muito mais meus tios do que meus tios de verdade, que só vejo em datas comemorativas e olhe lá. Com as pessoas do clube, é diferente. A gente confraterniza junto, nos ligamos direto, temos uma relação bem próxima”, diz ele. A característica mais íntima do Cota também agrada, já que lá Patrick se sente em casa, sem preocupações. “Aqui é uma extensão confortável do meu lar. Como não é um clube muito cheio, fico à vontade, vou para qualquer lugar, não fico preocupado com meus pertences. Não tenho dor de cabeça alguma aqui”, explica.
 
Hely Vicentini:  

Hely Vicentini: "Adoro vir dançar nas festas do Cota Mil"

 

 
Amizades de décadas
 
Hely Vicentini, 80 anos, tem uma história de vida recheada de conquistas, e credita os melhores momentos dessas décadas ao tempo que passou no Cota Mil. “Quando cheguei a Brasília, vindo de São Paulo, me levaram primeiro a um outro clube. Achei legal, mas não me identifiquei. Logo em seguida, meus amigos me apresentaram o Cota, e eu disse: ‘Aqui é o meu lugar’”, lembra a aposentada.
 
Sócia desde a década de 1960, ela diz que ficou encantada com o ambiente assim que chegou, não tanto pela estrutura e beleza, mas mais ainda por conta do clima agradável que sempre sentiu. “O que fez eu me apaixonar foram as pessoas. São frequentadores com um comportamento bem afetivo e familiar. Um conhece o outro, as pessoas vão passando o gosto pelo clube de geração em geração.” Hoje, nem o andador a impede de ir ao Cota, passar o dia conversando com as amigas e aproveitar os eventos. “Eu vou a todas as festas do clube, e a turma morre de rir quando eu começo a dançar”, ri.
 
Os irmãos Rafaela e André aproveitam o espaço desde a infãncia
 

Os irmãos Rafaela e André aproveitam o espaço desde a infância

 

 
Espaço da juventude
 
André, 18, e Rafaela Leitão, 15, são irmãos e frequentam o clube desde a infância. Eles não trocam o lazer e a paz do Cota Mil por nada. “É um lugar que temos para nos despreocupar. Aqui não tenho tempo para pegar em celular”, diz André. “Estava na piscina quando conheci uma das minhas amigas. Temos uma relação forte de amizade, que o clube juntou e vai durar o resto da vida. Ela dorme na minha casa, saímos juntas… É muito bom”, completa Rafaela. O lugar também marca uma das melhores lembranças da adolescência: a festa de 15 anos. “Foi aqui que eu me tornei uma princesa.”
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer
 
Cota Mil Iate Clube
  • Área: 150 mil metros quadrados
  • Número de sócios: 700
  • Idade: 59 anos
  • Como se associar: adquirindo títulos de sócios. O valor varia entre R$ 7 mil e 10 mil.

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Correio Braziliense Friday, 12 de July de 2019

TIME DE OURO NA MATEMÁTICA

 


Time de ouro na matemática
 
Alunos do Distrito Federal brilham em olimpíada nacional e sonham alto quando falam sobre o futuro que os espera

 

» BRUNA LIMA

Publicação: 12/07/2019 04:00

Dayan:  

Dayan: "Todos os pais deveriam estimular seus filhos a desenvolverem os próprios potenciais"

 



A desafiadora matemática uniu trajetórias e sonhos de Everton Mendes de Almeida, 15 anos, e de Dayan Dias Oliveira, 12. Eles são medalhistas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). No total, 26 estudantes da capital receberam a honraria.

Na última semana, Everton fez a segunda viagem de avião. Foi a Salvador buscar o prêmio máximo, entregue a ele e a outros 574 estudantes dos quatro cantos do país, que competiram com mais de 18 mil participantes. A primeira vez que embarcou em uma aeronave foi no ano passado, também por ter se destacado em matemática. Ele havia ganhado um curso na área, em Florianópolis, por ter sido um dos 200 melhores brasileiros no Programa de Iniciação Científica (PIC), estudo que só passou a frequentar por ter conquistado menção honrosa e dois bronzes nas outras três edições da olimpíada de que participou. Na OBMEP de 2019, o agora estudante do 1º ano do ensino médio está selecionado para a segunda etapa.

Dayan também avançou para a próxima etapa da competição, como aluno do 7º ano do ensino fundamental. Das disciplinas escolares, sempre achou matemática a mais atraente e, por isso, aprende fácil. Paralelamente às aulas obrigatórias, no CEF 15 de Taguatinga, frequenta o Centro de Excelência de Altas Habilidades, com o foco em ciências exatas. Transita das aulas de raciocínio lógico a robótica, astronomia e música.

Everton:  

Everton: "É paixão. É o que me fez acreditar mais, fazer mais e saber que eu posso ir além"

 


Habilidades

A cada novo interesse que surge, incentivo dos pais é o que não falta. Filho mais novo da professora de ciências Adriana Oliveira, 50, e do bancário Damárcio de Oliveira, 50, Dayan tem dentro do apartamento, em Águas Claras, um espaço dinâmico especialmente desenvolvido para aguçar a mente. “Todos os pais deveriam estimular seus filhos a desenvolverem os próprios potenciais. Ninguém nasce sabendo, e ajudar a criança a encontrar as habilidades, dar suporte e fortalecer é o nosso papel”, destaca Adriana.

O local para estudos de Everton foi montado no próprio quarto, que a cada dia parece ficar menor com a quantidade de livros que o adolescente traz para casa, na zona rural de Planaltina. O cantinho não parou de ganhar vida desde 2015, quando recebeu o que considera ser o primeiro grande reconhecimento e passou a enxergar nos cálculos uma chance de abrir novos horizontes. “Meu filho dizia que não ia conseguir fazer o que eu faço, então eu falava que, para isso, tinha que fazer diferente e estudar muito”, conta o pai, Zeno Mendes, 45, que trabalha como vigia da fazenda onde vive com os três filhos e a esposa, a diarista Sandra de Almeida, 31.

Apesar de há anos não conseguirem ajudar Everton com as tarefas de casa, Zeno, que não chegou a completar o ensino fundamental, e Sandra, que deixou o ensino médio pela metade, oferecem ensinamentos essenciais além das salas de aula do CEF Rio Preto e do CED Várzeas (antiga e atual escola de Everton, respectivamente). “A gente incentiva com nosso esforço, nos desdobrando para atender as necessidades dos nossos filhos para que, diferente de nós, eles não tenham que interromper os estudos. A nossa vitória é ver os frutos disso e o Everton sendo feliz por conseguir explorar a inteligência dele”, afirma orgulhoso o pai, que, antes mesmo da medalha, já chamava o filho de ‘menino de ouro’.

Everton Mendes (E), Mayara e Dayan Dias (Lavinya Andrade/OBMEP/Divulgação)  

Everton Mendes (E), Mayara e Dayan Dias

 


A mesma definição também foi dada pela família e professores a Dayan. Ele estreou com ouro na competição e promete dar o máximo para manter o pódio nas outras seis edições em que poderá participar. “Quero ser recordista de medalhas e encerrar a Olimpíada sendo heptacampeão”, brinca.

Apesar de o reconhecimento ser um motivacional, o menino afirma que o esforço é feito por propósitos maiores. “Assim como eu sempre tive o apoio da minha família e dos meus professores, quero repassar isso. Incentivar outros colegas e mostrar esse poder que a matemática tem de nos ajudar a organizar o raciocínio e resolver todos os desafios”, conta Dayan, que planeja ser engenheiro mecatrônico.

Paixão

Everton estuda para seguir a mesma profissão. Quer aplicar as habilidades em cálculo, a criatividade e o olhar atento e curioso para desenvolver sistemas de automatização. Para ele, tudo gira em torno da matemática. “Vai muito além da lógica. É paixão. É o que me fez acreditar mais, buscar mais, fazer mais e saber que eu posso ir além”.

A conquista e a força de vontade de Everton inspiraram os irmãos e amigos da zona rural de Planaltina. “Sempre quis dar um bom exemplo para meus irmãos mais novos, mas acabou que foi além disso. A minha premiação serviu de incentivo até na escola. Quero poder levar essa força da matemática para o resto do Brasil, principalmente para as áreas que não são muito favorecidas como a minha”, espera.

Everton e Dayan são meninos de ouro que, desafiando as estatísticas, acabaram unidos pelo talento com os números e pela saga incessante em encontrar respostas a cada novo desafio.
 
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Correio Braziliense Thursday, 11 de July de 2019

PREVIDÊNCIA: APROVAÇÃO SOM FOLGA SUPERA EXPECTATIVAS

 


PREVIDÊNCIA
 
Aprovação com folga supera as expectativasCâmara avaliza texto-base da reforma do sistema de aposentadorias por 379 votos a 131, um resultado que surpreende até o Palácio do Planalto. Proposta precisa passar por uma segunda rodada de votação, prevista para os próximos dias

 

» ALESSANDRA AZEVEDO
» HAMILTON FERRARI

Publicação: 11/07/2019 04:00

O plenário ficou cheio para apreciar a proposta que muda as regras de aposentadoria: presença de 510 dos 513 deputados (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência)  

O plenário ficou cheio para apreciar a proposta que muda as regras de aposentadoria: presença de 510 dos 513 deputados

 



Com resultado que surpreendeu até a ala mais otimista do Palácio do Planalto, o texto-base da reforma da Previdência foi aprovado em primeiro turno pelo plenário da Câmara, no início da noite de ontem, com 71 votos a mais do que precisava. O placar de 379 votos favoráveis e 131 contrários à proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019 simboliza a maior vitória política de uma pauta governista até agora. A matéria ainda precisa passar por uma segunda rodada de votação, prevista para ocorrer ainda nesta semana.

Embora tenha sido comemorada pelo Executivo, a aprovação é considerada um mérito do Congresso — mais especificamente, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem foi atribuída boa parte dos votos e a presença de 510 dos 513 deputados na sessão de ontem. Aplaudido, ele exaltou o protagonismo do Parlamento e disse ter “muito orgulho de presidir a Câmara” e de contar com a confiança dos líderes partidários.

Depois de ter se emocionado algumas vezes e até chorado durante a sessão, Maia reforçou que o crédito pela aprovação é dos deputados. “É o Centrão que está fazendo a reforma da Previdência”, declarou. O líder do partido de Jair Bolsonaro na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), puxou aplausos ao comandante da Casa, a quem chamou de “o grande condutor dessa reforma”, mas não mencionou o chefe do Executivo.

A reforma contou com votos favoráveis até de alas da esquerda. Do PSB, que fechou questão contra a reforma, 11 votaram a favor, o que representa mais de um terço dos 32 deputados da bancada. O PDT, que conta com 27, teve oito deputados dando aval ao texto. Os partidos favoráveis foram mais fiéis. Todos os deputados do PSL, do Novo, do DEM, do Cidadania, do Patriota, do PTB e do MDB votaram pela reforma.

Próximos passos

Concluída a primeira fase, os deputados ainda precisam votar os destaques, que são sugestões de mudanças pontuais feitas depois que o texto-base é aprovado. Ontem, Maia pautou apenas o primeiro, de autoria do PL, que pretendia retirar os professores da reforma. A sugestão foi rejeitada por 265 votos a 184.

Os outros 16 que faltam serão discutidos em uma sessão prevista para começar às 9h de hoje (leia reportagem ao lado). “Os deputados estavam muito confusos”, explicou o presidente da Casa, ao encerrar a sessão, às 21h, horas antes do que era previsto. “O formato de o governo não ter uma articulação maior acaba desorganizando as informações. Havia deputados que estavam falando que votariam de um jeito, mas o impacto seria de outro jeito. Então, votariam contra. O problema é que as pessoas estavam mal-orientadas sobre o mérito da matéria”, completou Maia.

A votação do texto-base começou às 20h, depois de superada a obstrução dos deputados oposicionistas, que apresentaram uma série de requerimentos para atrasar a tramitação da reforma. Durante todo o dia, o plenário estava claramente dividido entre os deputados favoráveis às mudanças nas regras de aposentadoria, com bandeiras do Brasil e adesivos pró-reforma, e a oposição, que levou cartazes e vestiu camisetas de “não à reforma”. Do lado de fora, na entrada da Câmara, manifestantes passaram a tarde protestando contra a matéria, enquanto os deputados discutiam o texto no plenário (leia reportagem na página 3).

Pendências

Após a vitória, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que não teme uma desidratação muito grande da reforma. “Nossa preocupação, desde o início, é de que não haja impactos relevantes no nosso resultado fiscal. Tanto é assim que nós estamos dentro das próprias emendas, que estão sendo destacadas, buscando alternativas para minimizar eventuais desidratações”, comentou.

A reinclusão de estados e municípios na reforma foi descartada pelos deputados. A possibilidade mais discutida, atualmente, é que o assunto seja retomado no Senado, por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) separada. “A gente precisa resolver estados e municípios também, mas incluir agora e ter uma derrota, eu acho que vai azedar a relação do Parlamento com os governadores, o que não será uma solução justa”, disse Maia.

No primeiro dia de discussão da reforma no plenário, na terça-feira, o Novo apresentou um destaque para reincluir os estados e municípios, mas retirou ontem. O líder do partido na Câmara, Marcel Van Hattem (RS), concluiu que não teria os 308 votos favoráveis e disse esperar que o tema volte à pauta quando a matéria chegar ao Senado. (Colaborou Jorge Vasconcellos)
 
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Correio Braziliense Wednesday, 10 de July de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA: ESFORÇO CONCENTRADO

 


PREVIDÊNCIA
 
Esforço concentrado para aprovar reformaCâmara deve votar hoje, em primeiro turno, a proposta de mudança nas regras do sistema previdenciário. Alterações no projeto foram negociadas ontem até a última hora. Previsão é de que discussão se estenda até o fim de semana

 

» ALESSANDRA AZEVEDO
» HAMILTON FERRARI
» LUIZ CALCAGNO

Publicação: 10/07/2019 04:00

Parlamentares compareceram em massa à sessão de ontem à noite. Oposição tentou tirar o projeto da pauta, mas foi derrotada por 331 votos a 117. Governo espera aprovar o texto por placar semelhante (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)  

Parlamentares compareceram em massa à sessão de ontem à noite. Oposição tentou tirar o projeto da pauta, mas foi derrotada por 331 votos a 117. Governo espera aprovar o texto por placar semelhante

 




A reforma da Previdência avançou ontem no plenário da Câmara, mas frustrou os deputados governistas, que previam que a votação em primeiro turno começaria ainda durante a madrugada. A discussão atrasou mais do que o previsto inicialmente pelo governo, devido às negociações de última hora para mudanças no texto e à atuação da oposição, que apresentou requerimentos para atrasar o andamento da matéria.

Com os debates encerrados ontem, a previsão é de que comece hoje a votação em primeiro turno. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a sessão começará às 9h, sendo que ele “sentará na cadeira” às 10h30 para abrir o encaminhamento da votação, com o discurso de seis parlamentares, sendo três contrários e três favoráveis à reforma, até as 11h. Ele espera que até sábado seja possível votar o texto-base, em dois turnos, além dos destaques (sugestões pontuais de mudança no texto), para que a matéria esteja pronta para ser encaminhada ao Senado antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.

Até ontem, o governo dizia contar com mais de 330 votos favoráveis. Para aprovar a PEC, são necessários 308, o que representa três quintos do total de 513 deputados, em duas rodadas de votação. A rejeição de um requerimento que pedia a retirada do assunto da pauta, por 331 votos a 117, no início da sessão, deixou os deputados governistas otimistas com a possibilidade de um placar final parecido. Hoje, com a abertura de uma nova sessão, um requerimento com o mesmo teor também será avaliado antes da decisão dos parlamentares sobre o texto-base.

A proposta de reforma começou a ser avaliada às 20h48 de ontem, após um dia de intensas negociações, que não se limitaram a divergências quanto ao texto aprovado na semana passada na comissão especial. A liberação de R$ 1,1 bilhão em emendas parlamentares, à véspera da votação, foi um dos assuntos que gerou mais discussão. Partidos de oposição, como PT e PSol, recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular a liberação dos valores, que consideram compra de votos.

Durante a tarde, o governo aceitou flexibilizar as regras de aposentadoria para as mulheres. A mudança vai permitir que elas recebam 60% da aposentadoria quando completarem 15 anos de contribuição. Após atingirem esse patamar, poderão ganhar 2% a cada ano a mais na ativa. Pela proposta que foi aprovada na comissão especial, o valor só começaria a aumentar depois que elas completassem 20 anos de contribuição.

Maia passou o dia conversando com líderes partidários para definir os últimos detalhes antes de pautar a PEC no plenário. Durante a manhã e no início da noite, ele se reuniu pelo menos duas vezes com parlamentares na Residência Oficial da Presidência da Câmara. Além de fazerem uma contagem de votos, eles conversaram sobre a possibilidade de reincluir estados e municípios na reforma, após os entes da Federação terem sido excluídos pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), na Comissão especial da reforma.

Em jogo

O texto aprovado pela comissão, na semana passada, não será necessariamente o mesmo que passará pelo plenário. Os deputados apresentaram 18 destaques de bancada, sobre pontos diversos da proposta, além de 59 individuais, que costumam ser rejeitados em conjunto. O Novo, um dos partidos que mais defendem a reforma, anunciou a apresentação de um destaque para incluir novamente os estados e municípios.

Maia acredita ser “muito difícil” que a Câmara aprove o destaque, e lembrou que o assunto pode ser retomado pelos senadores e, se for o caso, votado à parte. “O Senado poderia se debruçar e devolver uma PEC paralela sobre estados e municípios, para a gente fazer o debate em um ambiente menos tensionado”, explicou.

Há, ainda, a possibilidade de aprovação de uma emenda aglutinativa incluindo apenas os municípios. Com a resistência de alguns parlamentares à inclusão dos estados, líderes articulam a apresentação de uma proposição para beneficiar apenas os prefeitos. “Resolveríamos a situação deles (municípios) e os estados ficariam mais para a frente”, afirmou o deputado Silvio Costa Filho (PRB-PR).

Entre os nove destaques que pretende apresentar, a oposição inclui um para reonerar as exportações agrícolas. A bancada ruralista conseguiu na comissão especial retomar a isenção de contribuição previdenciária do setor, que havia sido retirada no parecer de Moreira. “É um presente de R$ 83 bilhões para ruralistas, enquanto impõe sacrifício enorme a professores e policiais”, reclamou o líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ).

A oposição também vai apresentar destaques para mudar as regras para pensão por morte. A principal reclamação é quanto à possibilidade de que o benefício seja menor do que o salário mínimo, caso não seja a única fonte de renda da família. Segundo o deputado José Guimarães (PT-CE), o assunto conta com o apoio da bancada evangélica. “Caso o texto seja aprovado, o medo do governo é nos destaques. São todos supressivos, então, eles que terão que colocar os 308 votos para rejeitar”, explicou.

Os professores, que não conseguiram ser retirados da reforma na comissão especial, voltam a ter esperanças com um destaque que será apresentado pelo PL. Já a situação de policiais e agentes de segurança pública continua indefinida. Partidos do Centrão consideram que flexibilizar as regras para a categoria pode abrir precedentes para que outros grupos também pressionem por mudanças, além de fortalecer o discurso da oposição de que a reforma mantém privilégios.

O presidente Jair Bolsonaro disse, ontem, que o governo negocia retirar os profissionais de segurança pública da PEC, para que o assunto seja tratado por lei complementar, depois que a reforma for aprovada. “Pelo que tudo indica, o que chegou ao meu conhecimento, é que essas classes da segurança pública deverão sair da PEC e deverão compor uma lei complementar tão logo seja promulgada essa PEC”, afirmou.
 
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Correio Braziliense Tuesday, 09 de July de 2019

REDE SARAH: PREMIAÇÃO INÉDITA

 


Premiação inédita
 
Pesquisadora na área da neurociência, presidente da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação será a primeira latino-americana a receber honraria da Sociedade Internacional de Neuropsicologia pelos trabalhos realizados ao longo da carreira

 

» JÉSSICA EUFRÁSIO

Publicação: 09/07/2019 04:00

Lúcia mostra trabalho datilografado na década de 1980 que deu origem a livro sobre reabilitação de crianças com paralisia cerebral (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Lúcia mostra trabalho datilografado na década de 1980 que deu origem a livro sobre reabilitação de crianças com paralisia cerebral

 


Talento local reconhecido pelo trabalho desenvolvido na área da neurociência em Brasília e em outras cidades do país e do mundo, a presidente da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, Lúcia Willadino Braga, receberá honraria inédita na América Latina. A pesquisadora será premiada com o Distinguished Career Award amanhã, durante o 89° Congresso da Sociedade Internacional de Neuropsicologia (INS, na sigla em inglês). O evento ocorre no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, às 18h15.
 
Nascida em Porto Alegre, a gaúcha de 61 anos carrega mais de quatro décadas de dedicação a trabalhos na área da neurociência. Enquanto ainda cursava a graduação na Universidade de Brasília (UnB), na década de 1970, Lúcia desenvolveu pesquisas com crianças do Hospital Sarah Kubitschek, associando experiências musicais a tratamentos de reabilitação. Depois de concluir a faculdade, entrou para o quadro de funcionários da unidade de saúde e nunca mais saiu.

Proposta de neurorreabilitação desenvolvida pela médica é um dos diferenciais da Rede Sarah (Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press - 16/12/03)  

Proposta de neurorreabilitação desenvolvida pela médica é um dos diferenciais da Rede Sarah

 

A forte relação com as artes inspirou a médica a elaborar trabalhos de pesquisa que comprovaram diferentes teorias, como a importância do afeto para o desenvolvimento cognitivo e a reabilitação em casos de paralisia cerebral, principalmente em crianças. Esses estudos a levaram a fazer pós-graduações nas áreas da educação, da psicologia, além de um pós-doutorado em ciências da saúde, na França.
 
Da década de 1980 para cá, a pesquisadora se dedicou à produção acadêmica. Entre as colaborações de Lúcia com o meio acadêmico, há publicações de artigos em revistas científicas internacionais, como a Science, além da autoria e coautoria de livros e capítulos de obras. Em julho de 1999, Lúcia recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade de Reims Champagne-Ardenne, também na França.
 
O prêmio concedido pela INS entra para essa lista de homenagens conquistadas pela especialista. “Um cientista brasileiro ser reconhecido pela contribuição a uma ciência internacional é muito interessante. É algo bom para o Brasil e importante para a Rede Sarah, porque não trabalhamos sozinhos. Esse prêmio não deixa de ser um reconhecimento à minha pessoa e à minha equipe”, comenta Lúcia.

Hoje, o hospital localizado no Lago Norte é referência na recuperação de lesões no cérebro (Lindauro Gomes/CB/D.A Press - 15/1/01)  

Hoje, o hospital localizado no Lago Norte é referência na recuperação de lesões no cérebro

 

Destaque
A pós-doutora orgulha-se de uma das principais propostas de reabilitação que desenvolveu e que inspirou trabalhos do mundo inteiro. Trata-se de um método de neurorreabilitação para pessoas com lesões no cérebro, por meio de estímulos promovidos nos ambientes em que vivem e fora dos consultórios. A pesquisadora conta que a ideia de permitir que as famílias acompanhassem os pacientes durante todas as fases do tratamento médico era uma opção considerada absurda no meio da saúde há alguns anos. Esse modelo é um dos diferenciais da Rede Sarah.
 
Sem insumos, como aparelhos de ressonância magnética ou ultrassonografia e com acesso apenas a ferramentas da área da psicologia, Lúcia se debruçou sobre pesquisas para comprovar, entre outras hipóteses, como a relação de afeto da família com o paciente é capaz de gerar melhores resultados para os tratamentos. “Hoje, podemos ver como o cérebro funciona, como responde a estímulos e como o usamos. Você planta sementes que o restante do mundo vai vendo”, diz a especialista, que recebeu convites para participar de conferências — presencial e virtualmente — em mais de 68 países.
 
A relevância do trabalho da gaúcha radicada em Brasília a levou a integrar o quadro editorial de periódicos científicos renomados. “De certo modo, fiquei mais reconhecida fora do Brasil do que aqui na área de pesquisa da neurociência. É muito importante investirmos mais em pesquisa, porque temos excelentes profissionais e excelentes cabeças no país. Quando têm a menor chance, os brasileiros se destacam cientificamente”, finaliza.
 
 
 
Para saber mais
 
Reconhecimento internacional
 
O Distinguished Career Award é concedido pela International Neuropsychological Society (INS) como forma de reconhecimento às contribuições de profissionais que atuaram na área da neuropsicologia e da neurociência durante diversos anos. Criada em 1967, nos Estados Unidos, a entidade oferece o prêmio desde 2008, em dois congressos anuais. A neuropsicologia, foco da atuação da sociedade internacional, trata-se da ciência que estuda as relações entre a mente e o cérebro, além das interações entre pensamento, comportamento e emoções com as estruturas e redes neurais do órgão.
 
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Correio Braziliense Monday, 08 de July de 2019

COPA DO MUNDO DE FUTEBOL FEMININO DA FRANÇA: AMERICANAS CAMPEÃS

 


COPA DO MUNDO FEMININA
 
O nome dela é Megan Rapinoe
 
Grande nome de toda a competição na França, a atacante marcou o gol que abriu a vitória norte-americana sobre a Holanda na decisão

Maria Eduarda Cardim
Maíra Nunes
Enviadas especiais

Publicação: 08/07/2019 04:00

 

Pela quarta vez na história, a seleção dos Estados Unidos comemorou o título mundial (Franck Fife/AFP)  

Pela quarta vez na história, a seleção dos Estados Unidos comemorou o título mundial

 

 

Lyon (França) — A Copa do Mundo feminina de futebol teve muitos destaques, dentro e fora de campo. Desde os discursos em nome da igualdade de gênero até a boa qualidade mostrada, principalmente, nas fases finais, há muito o que enaltecer na competição. Mas o que seria de um torneio esportivo se não fosse o brilho individual, o caso de superação, o nome inscrito na história? No caso, a decisão que colocou frente a frente os Estados Unidos — campeãs mundiais — e a Holanda —, campeã europeia — corroborou a construção de uma personagem que já havia demonstrado a boa fase: a norte-americana Megan Rapinoe. Dentro de um jogo de equipe, ela fez a diferença na conquista dos EUA em território francês, em vitória por 2 x 0 sobre as holandesas, no Parc de Olympique Lyonnais, em Lyon.

As favoritas americanas não conseguiram furar o bloqueio montado pela equipe comandada por Sarina Wiegman no primeiro tempo, mas desencantaram com o gol vindo dos pés de Rapinoe. Engajada, sem medo de confrontar nem mesmo o presidente Donald Trump, a capitã abriu o placar de pênalti e viu Rose Lavelle decretar o quarto título dos EUA. “É difícil descrever o meu sentimento, é incrível. Todas as pessoas que trabalharam tanto para chegarmos até aqui. Temos um grupo muito unido, estamos sempre muito motivadas para vencer”, disse Rapinoe, após a partida.

Ela acabou substituída aos 33 minutos da etapa final e saiu de campo muito aplaudida pelo estádio lotado. Depois, ela seria novamente ovacionada, por receber o prêmio de melhor jogadora da Copa, aos 34 anos. A veterana chegou aos seis gols e assumiu a artilharia do torneio, ao lado da companheira de equipe Alex Morgan e da inglesa Ellen White.

Pela primeira vez na Copa da França, as americanas não marcaram nos primeiros 12 minutos de jogo. No entanto, a superioridade do time comandado por Jill Ellis foi provada durante o jogo. No segundo tempo, saíram os dois gols que ampliaram a soberania dos Estados Unidos no futebol feminino. Aos 12 minutos da etapa final, Alex Morgan recebeu a bola na grande área e foi atingida pela defensora Van der Gragt, que levantou demais o pé na tentativa de afastar o lance. A árbitra francesa Stephanie Frappart consultou o VAR para confirmar o pênalti.

Com segurança, a veterana Megan Rapinoe cobrou para o fundo das redes. Uma dos destaques da partida, a goleira Van Veenendaal nem se mexeu. A seleção holandesa sentiu o gol e deixou as americanas se aproximarem com liberdade. Com o jogo controlado, oito minutos depois Rose Lavelle invadiu a área e conduziu a bola sem marcação. A decisão tomada pela americana foi chutar forte no cantinho do gol de Veenendaal, que não conseguiu defender a bola.

Goleira

Uma injustiça culpar a goleira por qualquer falha, uma vez que a holandesa foi a grande responsável por segurar o empate até o segundo tempo. A primeira grande chance das americanas foi aos 27 minutos do primeiro tempo. Após escanteio, Ertz chutou forte no meio do gol e, apesar da confusão na área, Van Veenendaal foi rápida e fez uma bela defesa. Dez minutos depois, as americanas montaram um bombardeio ofensivo. Primeiro, com a cabeçada de Mewis no meio da defesa e, depois, com Alex Morgan, que desviou o cruzamento rasteiro de Rapinoe, obrigando Van Veenendaal a fazer dois milagres. No segundo lance, a bola chegou a parar na trave.

A vitória por 2 x 0 deu aos Estados Unidos o quarto título Mundial. A seleção também fez 26 gols na França, recorde em Copas do Mundo. Com o tetracampeonato conquistado, as americanas bateram outra marca. Jill Ellis, técnica da seleção norte-americana, se tornou a primeira treinadora a conquistar o bicampeonato em um Mundial feminino.

 

 (Franck Fife/AFP)  

 

Destaque do dia

Megan Rapinoe

Ela já apareceu nesse quadradinho, mas é obrigatório colocá-la novamente por aqui. A veterana Megan Rapinoe, com seis gols, recebeu a Chuteira de Ouro, troféu de artilheira da competição. Também se tornou a mais velha a marcar em uma final de Copa do Mundo, com 34 anos e dois meses. A experiência falou mais alto e foi destacada por Rapinoe. “Eu me sinto como uma mãe vendo minhas criancinhas tendo tanto sucesso”, afirmou. “Tivemos alguns jogos incrivelmente difíceis, muita atenção e pressão da mídia, por isso, acho que para nós, jogadoras mais velhas, carregar essa carga e dar o exemplo certo para as mais jovens é uma enorme razão do porquê termos sido capazes de ser tão bem-sucedidas”, explicou.

Jornal Impresso

 


Correio Braziliense Sunday, 07 de July de 2019

COPA AMÉRICA: A HORA DE TITE

 


COPA AMÉRICA
 
A hora de Tite
 
Apontamos oito motivos que podem ter levado o treinador a repensar a permanência na Seleção Brasileira até a Copa-2022. Desfecho da decisão contra o Peru coloca em xeque 62 dias que abalaram Adenor
 

 

Marcos Paulo Lima
Enviado especial

Publicação: 07/07/2019 04:00

 (Philippe Desmazes/AFP)  
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Jill Ellis (foto), dos Estados Unidos, e Sarina Wiegman, da Holanda: duas mulheres dirigem os times que fazem a final da Copa do Mundo feminina, hoje
 
 
 
 
Na coletiva, Tite não falou sobre deixar a Seleção: contrato até 2022 (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Na coletiva, Tite não falou sobre deixar a Seleção: contrato até 2022

 

 
 
Rio de Janeiro — Adenor Leonardo Bachi atingirá, hoje, o nível mais alto de estresse no comando da Seleção Brasileira. Do anúncio da saída do fiel escudeiro Edu Gaspar para o Arsenal à primeira partida como treinador do Brasil no Maracanã, às 17h, contra o Peru, foram 62 dias de desgastes psicológicos, físicos, nos relacionamentos e até na imagem.
 
Um ano e um dia depois da eliminação nas quartas de final contra a Bélgica, em Kazan, a permanência do gaúcho de Caxias do Sul no cargo para as Eliminatórias rumo ao Catar-2022 e a Copa América de 2020 será colocada em xeque. Na coletiva antes da final, Tite teve que responder sobre o assunto. “2022 é o contrato que o Tite manteve com a CBF, com o Rogério (Caboclo, presidente da Confederação)”, resumiu. E não aceitou mais perguntas sobre o assunto: “Já respondi”.
 
A Confederação Brasileira de Futebol jurou mais de uma vez a manutenção de Tite no cargo independentemente do desfecho da Copa América. No entanto, o Correio lista alguns motivos que podem ter levado o treinador a, no mínimo, repensar a continuidade. Há problemas acumulados dentro e fora das quatro linhas em 62 dias. Confira.
 
 
7/5/2019 
A saída de Edu Gaspar
O coordenador de seleções, uma das exigências de Tite, anunciou a saída do cargo para assumir um convite do Arsenal, da Inglaterra. Diante da proposta do clube inglês, o treinador da Seleção esperava que o atual mandatário, Rogério Caboclo, se esforçasse para apresentar uma contraproposta capaz de convencer o executivo a permanecer na função. Edu se despede hoje.
 
 
17/5/2019 
O adeus de Sylvinho
A comissão sofreu mais uma baixa no dia do anúncio dos convocados para a Copa América. Um dos homens de confiança de Tite, Sylvinho aceitou oferta do ex-jogador Juninho Pernambucano para assumir o Lyon, da França. Ele comandaria a Seleção no Pré-Olímpico da Colômbia e em Tóquio-2020, em caso de classificação. Outra vez, a CBF deixou Tite desapontado.
 
 
1/6/2019
A crise Neymar
Acusado de estupro por Najila Trindade, enquanto treinava na Granja Comary, em Teresópolis, o atacante virou um fardo para Tite. O treinador tentou blindá-lo ao máximo, mas teve de cortá-lo após a lesão no tornozelo. Um dos vice-presidentes da CBF, Francisco Noveletto, afirmou que Neymar pediria o desligamento. A presença do pai do craque no vestiário em Brasília, embora autorizada por Tite, também desgastou.
 
 
5/6/2019
Relações perigosas
Tite sempre tentou manter certo distanciamento da relação com políticos. Disse que não iria ao Palácio do Planalto, antes ou depois da Copa da Rússia. Tentou se manter neutro nas eleições. No entanto, a aproximação da CBF com Jair Bolsonaro ficou clara com as presenças constantes do presidente. A Argentina chegou a citar a presença do chefe do Executivo na carta de reclamação enviada à Conmebol.
 
 
18/6/2019 
Promoção perigosa
Depois do empate por 0 x 0 com a Venezuela, Tite foi questionado se a promoção do filho Matheus Bachi ao cargo de auxiliar na vaga deixada por Sylvinho não seria antiética, um caso de nepotismo na CBF. Surpreso e ao mesmo tempo constrangido, defendeu o herdeiro: “Tenho muito orgulho da capacidade dele”.
 
 
22/6/2019 
Reinvenção
Como se não bastasse disputar a Copa América em casa sem Neymar, Tite ouviu vaias contra a Bolívia e a Venezuela e foi obrigado a reinventar o time. Dos titulares no primeiro jogo, quatro não começarão a final contra o Peru: Richarlison, David Neres e Filipe Luís perderam as vagas, respectivamente, para Gabriel Jesus, Everton Cebolinha e Alex Sandro.
 
 
28/6/2019
Sofrimento
Tite sofreu horrores nas quartas de final contra o Paraguai. Com um jogador a mais durante praticamente o segundo tempo inteiro, só avançou às semifinais na decisão por pênaltis graças ao milagre do goleiro Alisson e ao acerto de Gabriel Jesus. Na semifinal, triunfou por 2 x 0, mas teve menos posse de bola do que a Argentina e tomou sufoco até o gol de Roberto Firmino.
 
 
7/7/2019 
Dia D
Tite chega à final blindado por uma defesa que não sofreu gol nesta Copa América e com rumores de que deve pedir para deixar o cargo independentemente do resultado da final. Em dois meses, a CBF soltou duas notas oficiais reafirmando a confiança no trabalho de Tite. Rogério Caboclo reforçou a intenção de mantê-lo em entrevista ao programa Bem, Amigos, do SporTV. Cenas do próximo capítulo ao término de Brasil x Peru.
 
 
 
BRASIL (4-3-3)
Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Arthur e Philippe Coutinho; Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Everton
Técnico: Tite
 
 
PERU (4-2-3-1)
Gallese; Advincula, Zambrano, Abram e Trauco; Yotún e Tapia; Carrillo, Cueva e Flores; Paolo Guerrero
Técnico: Ricardo Gareca
 
 
Transmissão
Globo e SporTV
 
 
Tempo real
df.superesportes.com.br
 
 
Árbitro
Roberto Tobar (Chile)
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Saturday, 06 de July de 2019

ANTÁRTICA: ISOLADOS NO CONTINENTE GELADO

 


ANTÁRTICA
 
Isolados no continente gelado
 
Grupo de 16 militares da Marinha permanece em missão na Estação Comandante Ferraz onde o acesso por navio é impossível devido às más condições climáticas na região. Conheça um pouco da história desses brasileiros

 

» José Carlos Vieira

Publicação: 06/07/2019 04:00

Nevascas são constantes no inverno antártico, quando as temperaturas caem para quase -20ºC (Marinha do Brasil/Divulgação)  

Nevascas são constantes no inverno antártico, quando as temperaturas caem para quase -20ºC

 



Dezesseis militares da Marinha do Brasil estão isolados na região mais inóspita do planeta. O grupo passará todo o inverno antártico na nova Estação Comandante Ferraz (EACF). A missão é fazer testes de todos os equipamentos na obra que custou cerca de R$ 500 milhões. É uma joia na Antártica, destinada a pesquisas científicas das mais variadas.

As condições climáticas na região são desumanas, ventos que chegam a 200km/h e temperaturas entre -5ºC a -19ºC. São 19 horas de escuridão até outubro. O silêncio da Baía do Almirantado, onde está localizada a EACF, só é quebrando quando o avião Hércules C-130 da Força Área Brasileira faz sobrevoos rasantes para lançar alimentos perecíveis e equipamentos para a estação. Nesse período do ano, a operação se repete a cada dois meses e meio.

“Nosso grupo chegou à Antártica em novembro de 2018. Desde então, houve uma rotatividade de pesquisadores e recebemos um bom número de pessoas, porém, com a partida dos navios da Marinha do Brasil, no início de março de 2019, restou apenas o Grupo Base na estação”, destaca o primeiro-sargento Flávio Silva de Souza, encarregado de comunicações.

À reportagem do Correio, o militar adianta que o grupo permanecerá isolado até o início de novembro quando os navios Almirante Maximiano e Ary Rongel retornam — quando os icebergs  e banquisas de gelo começam a derreter. “Nosso período de isolamento é de sete a oito meses. No entanto, não nos sentimos tão isolados, porque temos internet, o que nos permite ter contato com nossos familiares e ficarmos informados do que está acontecendo no Brasil e no mundo”, diz.

Por e-mail, o Correio entrou em contato com integrantes do Grupo Base, que falaram sobre a rotina no continente gelado, a saudade da família e a preparação psicológica para enfrentar todo esse tempo na Antártica.

Entrevista

 (Marinha do Brasil/Divulgação)  


Flávio Silva de Souza, primeiro-sargento, 
encarregado de comunicações


Como está a condição meteorológica na Baía do Almirantado, onde fica a nova Estação Antártica Comandante Ferraz?
Nós estamos no inverno antártico, que dura de março a outubro, com dias mais curtos e a noite começando às 16h e indo até 9h30. Está extremamente frio, enfrentamos temperaturas baixas que vão de -5ºC a -19ºC. Os ventos, chamados catabáticos, são intensos e fortes nevadas são comuns. Mas participamos de treinamentos específicos para conseguir suportar as condições extremas na Antártica.

É o primeiro inverno da estação depois de praticamente concluída. Quais testes que estão sendo feitos na EACF?
A nova estação está toda construída e pronta para inaugurar, faltando somente a conclusão de alguns testes de aceitação dos equipamentos instalados. Durante o período de “comissionamento”, todos os sistemas e equipamentos estão sendo testados ao seu limite de operação, de forma a assegurar a confiabilidade e o correto funcionamento. Encerrado o comissionamento, a estação estará pronta para receber os primeiros pesquisadores, iniciando uma nova etapa do Programa Antártico Brasileiro na mais moderna estação em operação na Antártica.

Como é a rotina do Grupo Base?
A estação é como uma organização militar de qualquer lugar do Brasil, tendo horários a serem cumpridos. Cada militar desempenha funções específicas, cumprindo horários no trabalho e tendo, também, um tempo livre. O funcionamento da estação é praticamente mantido por quatro geradores de energia, sendo colocado um por vez. Aqui, nos preocupamos em não desperdiçar energia, desligando as luzes, equipamentos e os aquecedores nos ambientes não vitais, pois temos que economizar combustível para alimentação dos geradores. A nova estação foi estruturada para oferecer mais conforto e segurança a todos.

A maior parte da tecnologia é brasileira?
Um importante aspecto a se destacar é que a experiência brasileira permitiu enfatizar as condições de conforto (térmico, lumínico, acústico e psicológico) sendo, inclusive, realizados estudos empregando softwares e simuladores como ferramenta auxiliar nas decisões dos projetos e na verificação da sua eficiência. Nessa mesma linha, as técnicas adotadas para a gestão de água e esgoto foram estabelecidas a partir de estudos e experimentos anteriores realizados na EACF, sendo proposto um sistema de reaproveitamento de águas servidas (águas cinzas) e o tratamento dos efluentes finais por meio da técnica de radiação UV.

Como é feito o monitoramento da estação pelo comando da Marinha no Brasil? 
Por câmeras on-line e informações trocadas entre a Secretaria do Programa Antártico e o chefe da estação por telefone e e-mail. Em relação à segurança, destaca-se que a EACF é dotada de um sistema de controle de avarias e alarme de incêndio moderno, que possibilita o monitoramento contínuo das condições de segurança de todos os seus compartimentos, além de estar coberta por sistemas fixos de combate a incêndio do tipo sprinkler (chuveiro automático) e por gás Novec (utilizado nos setores vitais da estação). Todos os ambientes são separados por portas corta-fogo e são revestidos por paredes com materiais especiais resistentes a chamas. A estação conta também com sistemas básicos de combate a incêndio empregando mangueiras e/ou extintores portáteis, distribuídos estrategicamente pelos compartimentos.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Friday, 05 de July de 2019

CLIMA: CADA VEZ MAIS FRIO E SECO

 


CLIMA
 
 
Cada vez mais frio e seco
 
Inmet prevê que temperaturas no Distrito Federal vão continuar baixas nas madrugadas e altas à tarde, com umidade relativa do ar em queda. Sem chuva há um mês, capital registrou ontem o dia mais frio do ano, com 7,7° C. População deve se prevenir contra doenças

 

ALAN RIOS
CRISTIANE NOBERTO*

Publicação: 04/07/2019 04:00

 

Pedestre se protege do frio da manhã: Instituto Nacional de Meteorologia prevê dias mais gelados e com menos umidade relativa do ar ( Ed Alves/CB/D.A Press)  

Pedestre se protege do frio da manhã: Instituto Nacional de Meteorologia prevê dias mais gelados e com menos umidade relativa do ar

 

 

De manhã, ao sair de casa, agasalhos e toucas se tornam indispensáveis. Pouco tempo depois, o calor toma conta e as roupas precisam ser mais leves. Na tarde, fica difícil respirar devido à seca. E, em seguida, volta o frio. Essa é a rotina do brasiliense no inverno. Além do incômodo do tira e põe das vestimentas, a variação traz uma série de doenças. Ontem, o Distrito Federal registrou a menor temperatura do ano: 7,7° C. No período mais quente do dia, os termômetros marcaram 28ºC e a umidade relativa do ar caiu para 20%.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que as temperaturas continuem com variação alta e que a umidade relativa do ar caia um pouco mais. Ao longo da história, o Distrito Federal registrou dias bem mais frios do que ontem. Em 30 de junho de 1985, a capital teve a menor temperatura medida: 1ºC. Em 31 de julho do mesmo ano foi registrada a segunda mais baixa na capital — 1,6ºC. Já o período de estiagem mais longo ocorreu em 1963, com 164 dias sem chuva. Hoje, Brasília completa um mês de seca.

A auxiliar de serviços gerais Darcilena Francisca da Silva, 40 anos, sentiu o frio de ontem. “Estava mais frio do que o normal, senti na madrugada e de manhã, tanto que saí de casa com três blusas. Amanheci com a garganta irritada, não sei se foi por conta do frio”, contou. Quem também adoeceu foi Fábio Emanuel Batista, 36. “Saio de casa às 4h para ir ao trabalho. Tenho de ir agasalhado, com touca e roupa de frio bem reforçada, mas, mesmo assim, nesses dias, estou um pouco gripado, com nariz entupido e um pouco de dor de cabeça”, disse o faxineiro.

Baixa resistência
Especialistas dizem ser possível passar por esses períodos do ano sem ficar doente. “A barreira primária de proteção das vias aéreas é o nariz. Quando há queda ou aumento importante da temperatura, a resistência dessa barreira acaba diminuindo e as pessoas ficam resfriadas, por exemplo”, explica Larissa Macedo de Camargo, otorrinolaringologista do Hospital Santa Lúcia.

Outro fator que ajuda a proliferação de vírus é que nos períodos de frio as pessoas costumam se aglomerar mais e procurar lugares fechados. “Isso é nocivo porque facilita que as bactérias fiquem mais tempo no ar”, comenta a especialista. O ideal é se proteger do frio com roupas que protegem áreas sensíveis do corpo, como pescoço, manter uma boa hidratação, higienizar as mãos e nariz constantemente e manter uma avaliação preventiva com profissionais da saúde.

Idosos e crianças precisam tomar cuidados redobrados. Walter Ananias, 72, diz que se preveniu neste inverno. “Nesses dias de mudanças de temperaturas os mais velhos sofrem. Eu não tive nenhum problema porque tomei a vacina contra a gripe e me cuido bem. À tarde, bebo muita água e me alimento sem nada pesado”, ensina o aposentado. Marcelo de Souza, 42, se preocupa com a filha, de 9 anos. “Criança também sempre preocupa nessa época, a Anna Clara já ficou gripada e, às vezes, recorremos ao posto de saúde.”

Recordes
Frio

1ºC    30 de junho de 1985
1,6ºC    31 de julho de 1985

Seca
164 dias    1963
Fonte: Inmet

* Estagiária sob supervisão de Renato Alves

Jornal Impresso


Correio Braziliense Thursday, 04 de July de 2019

OLIMPÍADA PROFISSIONALIZANTE

 

Olimpíada profissionalizante
 
A cidade de Kazan, na Rússia, recebe, no próximo mês, a maior competição de educação profissional do mundo. Esta semana, competidores se reúnem em Brasília com o objetivo de treinar para o evento

 

» ALAN RIOS

Publicação: 04/07/2019 04:00

Luan Silva viu no curso uma oportunidade de melhorar as condições de vida da família e virou referência entre os estudantes do Senai (Fotos: Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Luan Silva viu no curso uma oportunidade de melhorar as condições de vida da família e virou referência entre os estudantes do Senai

 


O que seria só um curso para facilitar o ingresso no mercado de trabalho virou a paixão de brasilienses que estarão na Rússia em agosto. O WorldSkills 2019, maior competição de educação profissional do mundo, receberá cerca de 1,5 mil estudantes de 70 países para a disputa de medalhas em 53 modalidades. O evento serve para premiar os melhores profissionais de técnicas da indústria — como soldagem e movelaria — e do setor de serviço — como panificadores e cabeleireiros. Mas a disputa é só uma parte da história dos competidores.
 
Um dos 59 brasileiros aptos para ir à Rússia é Luan Silva Braga, 20 anos, morador da Candangolândia. “Fiz o curso técnico de edificações no Senai e fiquei trabalhando por seis meses em um escritório de arquitetura. Já me interessava pela área devido ao meu avô, uma inspiração para mim. Ele era pedreiro e sempre se esforçou muito em tudo o que fez, mas acabou falecendo dois dias depois do meu aniversário de 15 anos. Achei na minha área uma maneira de honrá-lo”, conta. Filho mais velho, ele mora com a mãe e os dois irmãos e viu que, com seus serviços, poderia dar uma condição de vida melhor à família.

Estudante de movelaria, João Victor sonha com um emprego no exterior  

Estudante de movelaria, João Victor sonha com um emprego no exterior

 

Após concluir o primeiro curso, Luan decidiu entrar em uma turma de drywall e passou a tomar gosto pelas aulas de construção em placas de gesso. Apaixonado por criar, passou a colocar em prática o interesse pela arquitetura e a buscar a excelência, tanto que foi chamado pelos professores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Taguatinga para competir regionalmente em eventos profissionais, construindo painéis. “Comecei a treinar das 8h30 às 21h, de segunda a sábado, e fui me qualificando. Depois de estar entre os melhores do país, mirei ir para a Rússia”, diz.
 
Preparação
O evento internacional ocorre uma vez a cada dois anos e vai para a 45ª edição em 2019. Nele, os estudantes passam por provas extensas, individuais ou coletivas, que servem como desafio para avaliar as diferentes capacidades em cada área. As atividades podem durar até cerca de 10 horas. Nas duas últimas competições, o Brasil subiu ao pódio: conquistou o 1º lugar na WorldSkills 2015, ocorrida em solo nacional, e em 2º em 2017, na edição de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Enquanto o evento aguardado não chega, uma simulação ocorre em Brasília.

Centro de Treinamento Integrado do Senai no SIG recebe simulados da prova mundial  

Centro de Treinamento Integrado do Senai no SIG recebe simulados da prova mundial

 

A capital foi escolhida como palco de atividades semelhantes às que vão ocorrer em agosto, na Rússia. É aqui, nos Centros de Treinamentos Integrados do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), do Guará e de Taguatinga, que competidores de todo o mundo estão se preparando para as horas de programações, construções e engenharias. “Brasília é uma ótima opção para essa simulação, porque está no centro do país, tem aeroporto próximo e o trânsito não é tão complicado. A logística ajuda muito”, explicou Jeferson Mateucci, delegado técnico assistente do Senai.
 
Estudo que transforma
Luan está hospedado em um hotel para participar dessas simulações, que começaram em 2 de julho e vão até sexta-feira. “Na minha categoria, são três dias de prova. Cada dia é uma luta, um suor, um cansaço. Mas, no fim, vale a pena. É isso que vai me levar ao meu sonho de cursar uma faculdade de arquitetura. Meu trabalho é uma oportunidade para abrir essas portas. Isso é uma motivação”, explica. O aluno estará acompanhado da professora Flávia Louise Arnold, 39, durante o campeonato.
 
Ela vê o evento como uma das metas de quem quer mudar de vida pelo estudo. “Luan vem de uma criação muito difícil. Ele vê a oportunidade de se desenvolver como profissional e ser humano com o curso”, conta. João Victor dos Anjos, 19, também se encaixa nesse contexto. Morador de Águas Lindas (GO), ele se classificou para o mundial e deixou a casa em festa. “Minha família fica muito orgulhosa com esse meu desempenho. Foi isso que me levou a viajar para fora, coisa que nenhum de nós tinha feito ainda”, lembra. A irmã, inclusive, também entrou em um curso profissionalizante, de panificação, inspirada nele.
 
Mas a rotina para ganhar uma medalha é dura. “Nessa semana de simulação, acordo 5h40, troco de roupa e vou fazer exercício físico. Quando termina, tomo café e já vou para o treinamento. Dou uma pausa para o almoço e depois volto. Só acabo às 19h”, detalha. O rapaz treina produzindo móveis especiais. Futuro competidor de movelaria, busca um emprego fora do Brasil. “Se Deus quiser, vou ganhar a medalha e poder ser visado por pessoas de outros países. Eles valorizam muito os medalhistas.”
 
O treinador dele, Marcelo Erct, 30, apoia e lembra: “Os alunos daqui atingem um nível de profissionalismo tão grande que, às vezes, viram nossos professores no Senai e ensinam com qualidade para mais outros estudantes. Isso gera um ciclo muito importante”.
 
 
 
Simulação
 
O simulado, realizado no Centro de Treinamento Integrado do Senai é uma das atividades mais importantes pré-competição, pois representa a última oportunidade de os candidatos testarem as habilidades de acordo com as exigências da prova. Por isso, 14 integrantes vindos da Suíça, Coreia do Sul, Marrocos, Japão, Rússia, Malásia e Colômbia estão em Brasília, até sexta-feira, participando das atividades de simulação no DF.
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Wednesday, 03 de July de 2019

DRAMATURGIA BEM BRASILEIRA

 

Dramaturgia bem brasileira
 
 
Palco Giratório, evento nacional promovido pelo Sesc, ocupa espaços da cidade com peças das mais variadas vertentes. Melhor: de graça!

 

ROBERTA PINHEIRO

Publicação: 03/07/2019 04:00

A trupe brasiliense Antônia apresenta o espetáculo Voa, com toda a linguagem voltada aos bebês (Coletivo Antonia/Divulgação)  

A trupe brasiliense Antônia apresenta o espetáculo Voa, com toda a linguagem voltada aos bebês

 



No centro do palco, sotaques de norte a sul. Desde 1998, o projeto Palco Giratório, festival itinerante de artes cênicas realizado pelo Sesc, percorre o Brasil difundindo uma variedade de espetáculos e contribuindo para a formação de público e de profissionais. “Fala do Brasil para o Brasil e é feito pelo Brasil”, define Leonardo Braga, um dos curadores do projeto.

Neste mês, o evento chega a Brasília para uma temporada de 26 dias de apresentações gratuitas — serão mais de 40 atrações. São espetáculos de dança, teatro, circo, intervenção urbana, performance, além de oficinas, que ocupam diferentes equipamentos culturais da cidade e áreas públicas até o dia 28.

De acordo com Braga, fruição e ações formativas são duas tônicas deste ano, que também destaca a presença de espetáculos gerados dentro do Sesc e de propostas que não configuram necessariamente um espetáculo, como o Femi-Clown Cabaré-Show, um encontro de mulheres palhaças e suas criações.

Entre as novidades e destaques desta edição, Braga pontua a apresentação do coletivo brasiliense Antônia: Voa. Inspirado na criação de Rubem Alves, A menina e o pássaro, o espetáculo é feito para os bebês. A dramaturgia percorre o caminho das sutilezas e dos sentidos, tratando da cumplicidade e de saudades, mas, sobretudo, da liberdade. “Todo o nosso processo criativo é pensado para o pequeno público. Um público delicado, sensível e o mais sincero do mundo. Fazer arte para eles é ter muita sensibilidade e muito cuidado. Nossa arte é mais expansiva e transversal para ter mais chances de afetá-los”, comenta o músico Euler Oliveira, sonoplasta e coordenador técnico do grupo.

Pela primeira vez, o coletivo participa do projeto. Depois de percorrer Fortaleza, Rio de Janeiro, Macapá e Porto Alegre, eles retornam à cidade de origem com um amplo material de pesquisa. “Querendo ou não, vemos como o teatro funciona em cada cidade, como é a produção artística para bebês. Existem diferenças brutais. Percebo que conforme as condições financeiras e socioculturais de cada local, varia o fazer artístico”, avalia. Além disso, Oliveira destaca o incentivo, sobretudo no caso deles, que trabalham com a formação da primeira plateia. “Acreditamos que o trabalho que fazemos é transformador e produz reflexões”, complementa.

De Belo Horizonte, o grupo Teatro Público desembarca em Ceilândia com personagens mascarados, vindos do bairro de Lagoinha, para causar uma fissura no cotidiano da região. “É uma intervenção cênica. Os personagens vivenciam aquele dia a dia, convivem com as pessoas. Confundimos as noções de espectador e ator, porque os espectadores participam da cena, é um jogo teatral aberto”, explica Larissa Albertti, atriz e uma das fundadoras do coletivo.

Em Naquele bairro encantado — Episódio I: estranhos visitantes, a ideia é levar o teatro para um público que não está acostumado com o palco. É uma peça para ser vivida mais do que assistida. “A proposta surgiu em um bairro marginalizado de Belo Horizonte e sempre escolhemos locais com a mesma característica, que sejam periféricos. Contudo, que tenham história e que sejam importantes para a construção da cidade”, conta Albertti.


O grupo Teatro Público traz uma intervenção cênica, com personagens que vivenciam 
o dia a dia da comunidade que visitam (Naum Audiovisual/Divulgação)  

O grupo Teatro Público traz uma intervenção cênica, com personagens que vivenciam o dia a dia da comunidade que visitam

 




O Femi-Clown Cabaré-Show é um encontro de mulheres palhaças e suas criações (Gabriel Guira/Divulgação)  

O Femi-Clown Cabaré-Show é um encontro de mulheres palhaças e suas criações

 




Múltiplas linguagens
Voltadas à preparação dos profissionais, as oficinas dobraram de número nesta edição e ocorrem no Teatro Garagem, no Sesc Gama e Sesc Taguatinga Norte. O objetivo é desenvolver as capacidades físico-perceptivas, alinhamento, força, concentração, definição e afinação dos sentidos. “Com o patrocínio da Embaixada da Áustria, temos a participação de um profissional da Alemanha que dará uma oficina de dança contemporânea no Gama e, depois, fará uma apresentação”, conta o curador.

Ao todo, o Palco Giratório conta com 642 apresentações e 1.382 horas de oficinas, realizadas por 20 grupos artísticos, alcançando 138 cidades brasileiras. Os artistas e grupos participantes são selecionados por um time de curadores formado por 33 profissionais do Sesc de todo o Brasil. “Uma rede conectada ao que há de mais pujante na cultura nacional”, define Leonardo Braga.

A partir de critérios como diversidade de linguagem, regiões do país, faixa etária e trajetória dos artistas, a curadoria mapeia questões e tendências latentes no contexto atual das artes cênicas brasileiras. No circuito do DF, foram convidados ainda os vencedores do Prêmio Sesc do Teatro Candango em 2018.

“Queremos fortalecer a cultura como um todo, por isso a multiplicidade de linguagem. O teatro, as ações voltadas para a dança contemporânea, o circo, a performance, o teatro para bebês. É cada vez mais necessário dar essas oportunidades aos artistas independentes. Ser artista independente no Brasil é desafiador”, avalia o curador.




Espalhados pela cidade
Companhias de arte de  Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais, além de cinco coletivos do Ceará, apresentam-se nos palcos tradicionais do Sesc-DF: Teatro Garagem, na 913 Sul; Teatro Newton Rossi, em Ceilândia; Teatro Paulo Gracindo, no Gama; Teatro Ary Barroso, na 504 Sul e no Teatro Paulo Autran, em Taguatinga Norte. A Feira da Torre, o Mercado Sul de Taguatinga e a Feira de Ceilândia também integram o circuito.



O projeto nacional conta com 642 apresentações e 1.382 horas de oficinas, realizadas por 20 grupos artísticos, alcançando 138 cidades brasileiras
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Tuesday, 02 de July de 2019

PLANO REAL: 25 ANOS

 

25 ANOS DO REAL
 
 
Uma sinfonia inacabadaPresidente do Ipea afirma que o Plano Real ficou incompleto, o que resultou em juros altos

 

» Cláudia Dianni

Publicação: 02/07/2019 04:00

Carlos von Doellinger,  presidente do Ipea:  

Carlos von Doellinger, presidente do Ipea: "Pode gerar uma onda de otimismo (aprovação da PEC da Previdência), e o investidor estrangeiro pode se animar, mas o que vai alavancar o crescimento é uma onda pesada de investimentos, basicamente, do setor privado"

 



OPlano Real foi uma grande conquista, mas é uma obra inacabada, que deixou como herança uma alta de taxa de juros. Essa é a avaliação de Carlos von Doellinger, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para ele, com o Plano Real, o Brasil conseguiu “relativa estabilização” monetária, um pacote de privatizações e debelou crises externas. Faltou, porém, acredita, completar a missão em dois aspectos: fazer ajuste fiscal e eliminar o deficit nominal (receitas e despesas do governo, inclusive gastos com o pagamento de juros da dívida pública).

“A herança ruim foi ter se sustentado muito tempo na âncora cambial, até 1999, e ter que fazer um choque de juros com grande elevação da taxa real para compensar câmbio, como o que convivemos até hoje”, disse. “Como não conseguimos fazer o ajuste pela despesa, apelou-se pela receita, o que aumentou a carga tributária em cerca de oito pontos percentuais do PIB e ficamos com essa carga tributária de 33%, 34% do PIB, um ônus pesado que carregamos até hoje, que atrasa o desenvolvimento.”

Ele ressaltou que o ajuste iniciado pela equipe econômica do Plano Real precisa ser completado e afirmou que a equipe econômica tem um conjunto de propostas para complementar “a sinfonia inacabada do Plano Real”. Segundo ele, a reforma da Previdência, prioritária, é uma delas, mas não resolve todos os problemas. “Pode gerar uma onda de otimismo, e o investidor estrangeiro pode se animar, mas o que vai alavancar o crescimento é uma onda pesada de investimentos, basicamente, do setor privado.”

Doellinger citou também a reforma tributária, mas disse que ela não vai conseguir reduzir a carga tributária no médio prazo, porém poderá simplificar os impostos e reduzir o custo das transações.  Outra reforma que “está no pipeline”, conforme afirmou, é a do Pacto Federativo, que será encaminhado ao Senado. Segundo ele, as mudanças propostas pelo governo na divisão das receitas entre os entes federativos lembra o Fundo Social de Emergência do Plano Real, uma desvinculação de receitas que permitiu uma alocação mais racional dos fundos públicos.
 
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Correio Braziliense Monday, 01 de July de 2019

APOIO A MORO E À LAVA-JATO EM TODO O PAÍS

 

Manifestantes pró Moro e Lava-jato em todo país 
 
Ruas também tiveram defesa da reforma da Previdência e do pacote anticrime. No Rio de Janeiro houve hostilidade contra o MBL, que tem criticado o governo

 

BERNARDO BITTAR
RENATO SOUZA
FLÁVIA AYER

Publicação: 01/07/2019 04:00

Concentração em frente ao Congresso com os  tradicionais bonecos petistas e o ministro  super-homem (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Concentração em frente ao Congresso com os tradicionais bonecos petistas e o ministro super-homem

 


 
Convocadas por movimentos de direita e endossadas por aliados do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, manifestações em defesa da agenda do governo, como a Reforma da Previdência, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e à Operação Lava-Jato aconteceram ontem nas 26 capitais, no Distrito Federal e em outras 70 cidades brasileiras.  As polícias estaduais não divulgaram os números oficiais, mas São Paulo, Rio de Janeiro,  Brasília e Belo Horizonte reuniram o maior número de participantes. Em Brasília, os organizadores estimam que 10 mil pessoas foram para as ruas. 

Os manifestantes defenderam a força-tarefa e o ministro que, há duas semanas, têm sido acusado, por parte de sociedade, de abuso de poder nos trabalhos conduzidos pela Lava-jato, desde que o site The Intercept começou a publicar diálogos entre Moro e o chefe dos investigadores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e outros procuradores, no Telegram. 

A presença de carros de som e de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) na manifestação da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro foi criticada por  parte dos apoiadores do ex-juiz e causou um pequeno tumulto que precisou da intervenção da polícia. Apesar de rapidamente solucionado, o clima contra o MBL é tenso e eleitores do Bolsonaro que não fazem parte do movimento gritavam “traidores” e “vendidos” ao passar pelos carros de som patrocinados pelo MBL. Apoiadores do governos estão decepcionados com o MBL que tem assumido um discurso mais crítico com relação ao governo. 


Copacabana ficou verde e amarela. Polícia teve que intervir em confusão  (Evaristo Sa/AFP)  

Copacabana ficou verde e amarela. Polícia teve que intervir em confusão

 




Fidelidade 
Políticos filiados ao PSL, como o senador major Olímpio (SP), que esteve no ato da Avenida Paulista; e a deputada Joice Hasselmann (SP), que compartilhou imagens das passeatas em Brasília e no Rio, aproveitaram a oportunidade para declarar fidelidade ao governo. Em Brasília, a deputada federal Bia Kicis  (PSL-DF) foi aplaudida quando subiu no carro elétrico. Ela esteve com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno, durante as manifestações. Além da Reforma da Previdência, em várias cidades, as manifestações destacaram o pacote anticrime de Moro,  parado enquanto o governo tenta conseguir os votos da Previdência.

Críticas a congressistas e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também estiveram presentes em várias capitais brasileiras. Manifestantes pediam “corte de privilégios” para os integrantes do Judiciário. “Eu vejo, eu ouço”, postou Moro no Twitter, por volta de 12h, com um vídeo de imagens aéreas da manifestação na orla da praia de Copacabana. Mais tarde, o ministro voltou a se manifestar pela rede. “Sou grato ao presidente e a todos que apoiaram nosso trabalho. Hackers, criminosos ou editores maliciosos não alterarão essas verdades fundamentais”. Ontem, o jornal Folha de S. Paulo e o site The Intercept publicaram novos trechos de diálogos  que revelam  desconfiança de procurados sobre os depoimentos de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, cuja delação premiada foi fundamental para a condenação do ex-presidente Lula.   

No Rio, a manifestação se espalhou pelas imediações da avenida Atlântica. Palavras em favor de Moro e da Lava-Jato estiveram na maioria das faixas e cartazes exibidas pelo público. Havia também mensagens elogiosas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e críticas à corrupção. 


A deputada Bia Kicis (PSL-DF) foi aplaudida quando subiu no trio elétrico (Bia Kicis/Instagram)  

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) foi aplaudida quando subiu no trio elétrico

 



 
Brasília
Na capital, o protesto teve início em frente ao Congresso Nacional, onde foram inflados quatro bonecos gigantes. Um deles, tradicional, vestia Moro com a roupa do personagem Super-Homem e apresentava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com roupa de presidiário. Um dos infláveis uniu Lula e o ex-ministro do PT José Dirceu, condenado na Lava-Jato, e o ministro do STF Gilmar Mendes. Um dos bonecos associou o Supremo ao PT, partido adversário dos bolsonaristas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, se juntou aos manifestantes. Ele subiu no trio, criticou o PT e fez ataques ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, afirmando que ele “não goza de crédito nenhum e é tão burro que vaza informação errada”. O jornalista reagiu no Twitter  “Queiroz também estava lá?”, O general Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), subiu no trio elétrico e defendeu Moro. “Acho que é uma calhordice quererem colocar o ministro Sérgio Moro na situação de julgado ao invés de juiz. Estão querendo inverter os papéis e transformar um herói nacional num  acusado. ”

Em Belo Horizonte, vestidos com as cores da bandeira do Brasil, manifestantes também defenderam a reforma da Previdência no modelo proposto pelo ministro Paulo Guedes, e o pacote anticrime de Moro, que propõe medidas contra a corrupção e o crime organizado. “Foram prometidos vazamentos comprovando atividade criminosa por parte do Moro, mas até agora não vimos nada que mostre que ele tenha influenciado a operação ou a eleição”, afirma o coordenador do Movimento Brasil Livre em BH, Ivan Gunther.

As manifestações aconteceram na Praça da Liberdade. Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso e a ex-presidente Dilma Rousseff sem ocupar cargo público, os alvos dos manifestantes foram o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e os ministros do STF.

Na capital baiana, a manifestação ocorreu na orla da Barra. O ponto de encontro foi o tradicional Farol da Barra, onde compareceram centenas de pessoas com roupas nas cores verde e amarelo. A caminhada se estendeu até o Morro do Cristo.  
 
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Correio Braziliense Sunday, 30 de June de 2019

SÃO BRAZ DO PIAUÍ E SÃO RAIMUNDO NONATO

 


Tem tecnologia, mas falta água
 
Um quarto de século não foi o suficiente para a moeda resolver os problemas de duas cidades piauienses visitadas pelo Correio quando o plano foi lançado. Na sequência da série sobre o real, conheça a realidade de São Braz do Piauí e São Raimundo Nonato, que contam com celular, mas sofrem sem serviços básicos
 

 

Simone Kafruni
Enviada Especial

Publicação: 30/06/2019 04:00

 

Marilene usa a moto para pegar água em um açude duas vezes por dia: o dinheiro é obtido com a Bolsa Família e a pequena roça (Andre Pessoa/Esp. CB/D.A Press)  

Marilene usa a moto para pegar água em um açude duas vezes por dia: o dinheiro é obtido com a Bolsa Família e a pequena roça

 

 

 

 

São Braz do Piauí — Na chegada à cidade que já ostentou o título de mais pobre do Brasil, em 1994, no lançamento do Plano Real, a instalação de uma antena de internet parece prenunciar que, finalmente, o futuro encontrou São Braz do Piauí. O primeiro pequeno provedor do município promete fornecer conexão com velocidade de 1 gigabyte (GB) para a população de toda a região ainda em julho, mês do aniversário de 25 anos da moeda brasileira. Uma volta pelos povoados locais, no entanto, revela que o atraso nunca abandonou a cidade encravada no sertão nordestino e no mapa de extrema pobreza do país: ainda falta água para os moradores.

Marilene Alves da Costa Lima, 46, precisa pegar água no açude duas vezes por dia. Vai de manhã cedo e depois, no fim da tarde, sempre de moto, o transporte mais comum ao sul do Piauí. Em uma propriedade na localidade de Pitombas, na divisa de São Braz com São Raimundo Nonato, a família planta mandioca, feijão, milho. “O problema do nosso dinheiro é que não vale nada quando a gente vai vender a produção da roça, mas quando vai comprar no mercado é tudo muito caro. Estamos num período que não dá feijão. Faz 10 anos que não rende e, quando a gente vai comprar no mercado, o quilo custa R$ 7”, diz.

A família de seis pessoas, entre elas, três netos que Marilene cria, sobrevive com o Bolsa Família de R$ 140 por mês. “É o que entra. Por isso, a gente tem que se virar com o que planta”, conta. A água que Marilene busca todos os dias é para os animais. “Não posso deixar as cabras morrerem de sede porque a gente precisa do leite”, destaca. Para a família beber, quando acaba a água da cisterna, Marilene precisa pagar R$ 50 para o que chama de “pipinha”. A filha foi morar em Brasília e trabalha como doméstica para mandar dinheiro aos dois filhos criados pela avó. “Se continuar sem água, eu vou ter que tirar eles da escola. A gente vai ter que escolher entre ficar aqui sem água ou ir para a Serra-Queixo. Lá tem água, mas não tem colégio”, afirma.

Sem posto dos Correios, fechado há anos, São Braz não tem circulação de dinheiro, reclama Maria das Mercedes Cardoso, 53. Em 2004, nos 10 anos do real, a família tocava um mercadinho na localidade de Tanque Velho. Em 2014, o comércio começava a falir e o marido, Alaor Soares dos Santos, hoje com 55 anos, estava de malas prontas para São Paulo, trabalhar como pedreiro, e Mercedes chorava pela partida do companheiro. Hoje, ela já está acostumada a ser uma “viúva de marido vivo”, como são chamadas as esposas dos homens que deixam São Braz todos os anos para trabalhar na construção civil nas grandes metrópoles do país. “Ele está em São Paulo, é de lá que vem nosso dinheiro”, conta.

Alternativa 
O comércio da família fechou. “As pessoas vão até São Raimundo Nonato para retirar o dinheiro e já compram por lá. Os aposentados também tiram o benefício lá”, conta Mercedes. Quase não existem máquinas de cartão no comércio de São Braz, que tem apenas três lojas com o equipamento. “Eu vendia para 30 dias. Era o cartão de crédito do pessoal, mas ficou cada vez mais difícil manter a loja aberta”, lamenta.

Alaor e Mercedes têm duas filhas: Juliana, 29, e Nicole, 25, filha do real. A caçula é casada com Francisco Cândido de Carvalho Neto, 44, e tem dois filhos, Wendell, 8, e Wyke Ayla, 6. A oficina de moto de Neto dá algum dinheiro para ajudar nas contas da família. “Todos os dias tem algum tipo de conserto para fazer. Tem mês que vendo mais de 50 câmaras, fora os serviços extras. A cidade também tem muita moto de leilão, como sucata, aí tem serviço para colocar ela para andar”, diz.

Além de ser o principal meio de transporte no município, a moto representa também um dos maiores perigos para os moradores. Muitos amigos perderam a vida por causa da máquina. O irmão de Mercedes foi um deles. João Braz Cardoso morreu há 8 anos, atropelado por um ônibus, porque a estrada foi duplicada, mas as pontes ficaram apenas com uma mão. “A morte dele serviu para população pressionar para construírem as pontes com duas mãos”, lembra Mercedes.

Enquanto a matriarca da família ainda precisa correr ao açude para buscar água em um balde, que transporta na cabeça, a filha e a neta vivem com o celular na mão. “Eu tento ensinar para a mãe usar o banco por aqui, mas ela ainda prefere ir até São Raimundo Nonato”, diz Nicole. Como alternativa, ela customiza chinelos para vender, mas ainda não consegue renda com o produto. “O pessoal não dá muito valor para o artesanato. Não é forte ainda”, reclama.

Açude

Não fosse pela falta de água, que obriga Mercedes a recorrer ao açude para pegar água salobra, a família vive bem. “Aqui, a gente vive até sem dinheiro. A casa é da família e o custo que temos é com energia”, afirmam. A conta varia entre R$ 110 e R$ 150 por mês. “Mas não dá para dizer que melhorou alguma coisa. Para mim, está tudo igual. Ainda não temos água”, dispara Mercedes. A família capta chuva na cisterna, que eles chamam de caldeirão, mas quando falta é preciso recorrer ao carro-pipa. “Era para ter uma adutora funcionando. Prometeram para este ano, mas nada ainda.”

Ex-pipeiro, como são chamados os operadores de carros-pipa, Raimundo José da Silva, 70, vendeu o caminhão em 2016. “Servia principalmente o interior, mas alguém disse que São Braz tinha água encanada e o município foi cortado do programa federal”, conta. “Nem na sede da cidade tem água encanada, como é que os povoados vão ter?”, questiona. O caminhão que tinha comprado por R$ 45 mil, Raimundo vendeu por R$ 31 mil. “Ainda bem que o prejuízo não foi tão grande. Tem muito pipeiro que não acha comprador e está com o veículo parado”, diz. Agora, carro-pipa só particular, que sai por R$ 400 a R$ 480, com uma carga de 8 mil litros. Em 2004, custava R$ 100, e, em 2014, R$ 200. “É triste dizer isso, mas 25 anos depois do lançamento do real, a situação da água em São Braz piorou”, lamenta Raimundo.

Segundo ele, existe um poço com vazão de 252 mil litros por hora e 606 metros de profundidade, de água mineral. “Os canos estão aí. Prometem trazer a água, mas não trazem. Serviu só para acabar com o programa de carro-pipa”, assinala. A obra começou em 2014 com promessa para entregar em 2019. “Os carros poderiam produzir, dando lucro para alguém, mas não: estão parados”, afirma. “Se mexerem, vão descobrir verba desviada, má aplicação do dinheiro público”, denuncia. “Em 25 anos, a dificuldade é para desenvolver a cidade. Como é que desenvolve sem água?”, indaga.

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Correio Braziliense Saturday, 29 de June de 2019

PREVISÃO DE GANHO BILIONÁRIO PARA O BRASIL

 

 
Previsão de ganho bilionário para Brasil
 
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cria a maior área de livre-comércio do mundo e pode aumentar as exportações brasileiras de US$ 100 bilhões a US$ 500 bilhões num período de 15 anos

Publicação: 29/06/2019 04:00


Depois de duas décadas de negociação, foi assinado, ontem, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A depender do sucesso da medida, o acesso preferencial ao mercado europeu pode aumentar as exportações brasileiras em US$ 100 bilhões num período de 15 anos, segundo estimativas do Ministério da Economia, ou em até R$ 500 bilhões, de acordo com projeções da BMJ Consultores Associados. O aumento de investimentos no país, no mesmo período, será da ordem de US$ 113 bilhões. A estimativa, conforme o governo federal, é de que o PIB nacional tenha um incremento de US$ 125 bilhões até 2035.

O acordo constituirá a maior área de livre-comércio do mundo — formada por 28 países europeus e os quatro do Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — e aborda temas tarifários e regulatórios (veja quadro). Juntos, os sul-americanos e a União Europeia representam um PIB de cerca de US$ 20 trilhões, aproximadamente 25% da economia mundial, e um mercado de 780 milhões de pessoas. A corrente de comércio birregional foi de quase US$ 100 bilhões em 2018.

Além disso, o Brasil é o maior destino do Investimento Estrangeiro Direto (IED) dos países da União Europeia na América Latina. No ano passado, o país registrou comércio de US$ 76 bilhões com o bloco econômico e político europeu e superavit de US$ 7 bilhões. O Brasil ainda exportou mais de US$ 42 bilhões para a União Europeia — aproximadamente 18% do total exportado pela nação no último ano. De janeiro a maio de 2019, a corrente bilateral alcançou US$ 28 bilhões, com superavit de US$ 1,8 bilhão para o Brasil.

“O acordo contribuirá para o aprofundamento da confiança mútua em bases democráticas e para a garantia da estabilidade das relações entre os dois blocos, permitindo a superação de desafios e o melhor aproveitamento de oportunidades”, frisou o Itamaraty, em nota. O texto final do acordo será divulgado nos próximos dias.

Em Bruxelas, onde o documento foi assinado, o chanceler Ernesto Araújo afirmou que a disposição da UE de fazer concessões foi fundamental para permitir a conclusão do acordo. “Isso reflete que o Mercosul não é um parceiro qualquer, talvez seja o maior acordo que eles já concluíram”, destacou. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também comemorou a assinatura. “Espero que ele (acordo) seja benéfico para o nosso país e, principalmente, para nossa agricultura”, afirmou.

Impactos

Para entrar em vigor provisoriamente, o texto precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado. Fora do Brasil, tem de receber o aval do Parlamento Europeu e a ratificação dos demais países do Mercosul. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo é o mais importante que o Brasil já firmou. Segundo a entidade, vai reduzir de 17% para zero as tarifas de importação de produtos brasileiros, como calçados, e aumentará a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico. “Esse acordo pode representar o passaporte para o Brasil entrar na liga das grandes economias do comércio internacional”, disse o presidente da CNI, Robson Braga.

Ligia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), elogiou o acordo, visto que a União Europeia é destino de quase 18% das exportações do agro brasileiro. “O documento trouxe a vantagem de conseguirmos maior inserção no bloco e abre as portas para que outros acordos possam ser concluídos em breve”, analisou.

*Estagiária sob supervisão de Cida Barbosa

Principais pontos

Tarifas zeradas
» Mais de 90% das exportações do Mercosul para a UE terão as tarifas zeradas em até 10 anos. Segundo o governo brasileiro, os outros 10% terão acesso preferencial com cotas e tarifas reduzidas. Antes do acordo, apenas 24% das exportações brasileiras entravam livres de tributo na UE

Mercado
» As empresas brasileiras terão acesso ao mercado de licitações da UE, 
estimado em US$ 1,6 trilhão por ano

Produtos
» As tarifas para produtos industriais brasileiros serão 100% eliminadas, 
assim como de produtos agrícolas como suco de laranja, frutas, café solúvel

Carnes
» O acordo vai prever cotas de 99 mil toneladas para a entrada de carne 
bovina no bloco europeu, segundo uma fonte do governo brasileiro

Clima
» Mercosul e União Europeia reiteraram seus compromissos em relação 
a acordos multilaterais ambientais, incluindo os da Convenção das 
Nações Unidas sobre a mudança do clima e o Acordo de Paris

     Mauricio Macri: “Histórico”

A assinatura do acordo comercial é vista como uma grande vitória tanto de Jair Bolsonaro quanto do presidente argentino, Mauricio Macri, que tenta se reeleger neste ano em meio a uma das maiores crises econômicas do país. No Facebook, o mandatário argentino classificou o documento como “histórico” e que “contribuirá com enormes benefícios aos trabalhadores e empresas argentinas”. Ele destacou também que a integração da Argentina ao mundo era uma de suas metas desde que assumiu, em 2015.
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Correio Braziliense Thursday, 27 de June de 2019

VIDA NOVA NO ZOO

 

Uma nova arca de Noé
 
 
Zoológico de Brasília investe na reprodução de animais num trabalho com parceria de outras entidades similares para evitar a extinção de espécies

 

Mariana Machado

Publicação: 27/06/2019 04:00

Lobo-guará  

Lobo-guará

 



Harpia  

Harpia

 



Cobra jararaca  

Cobra jararaca

 

 
Tamanduá-bandeira, ararajuba, onça-pintada, mico-leão-da-cara-dourada. Com tamanhos, cores e formatos diferentes, esses animais têm um aspecto comum entre si: são ameaçados de extinção. Para preservar essas e outras espécies em risco, a Fundação Jardim Zoológico de Brasília investe na reprodução em cativeiro. O trabalho resultou no nascimento de 17 filhotes desde 2015.
 
Um dos casais mais recentes é de lobos-guará. Jair e Amanda vivem em um espaço onde estão se relacionando. Os biólogos do Zoo suspeitam de que a fêmea esteja prenha e, se isso for confirmado, a ninhada deve nascer no próximo mês. Ainda não é possível verificar a gestação porque animais silvestres conseguem esconder a barriga para se proteger de predadores, como explica o biólogo e diretor de mamíferos da instituição, Filipe Reis.
 
De acordo com ele, os casais são formados a partir das indicações de especialistas, os studbook keepers, responsáveis pelo manejo de certas espécies a nível nacional e internacional. “A ideia é de que o zoológico não seja mais visto como vitrine de animais, e sim como centro de conservação de fauna. Para isso, precisamos contribuir para a preservação das espécies”, declara Filipe.
 
O cruzamento não pode ser feito de qualquer maneira. Os bichos precisam ter uma composição genética específica (não podem ser parentes, por exemplo) para evitar que as próximas gerações tenham doenças. Entra a ação dos especialistas, que avaliam quais animais podem contribuir com a preservação. Graças a isso, a onça-pintada Gabriela foi levada ao Criadouro Conservacionista NEX, em Goiás, para conhecer o macho Ogun. “Amor à primeira vista”, comenta o biólogo.
 
Filipe é o studbook keeper dos tamanduás-bandeira no Brasil. Atualmente, três machos e duas fêmeas estão no Zoológico da cidade, mas outras três fêmeas devem chegar nos próximos dias. Quem também está à espera do par perfeito é o cachorro-vinagre Xingu. Sozinho no novo recinto, ele aguarda a chegada de uma companheira que virá da Rússia: A Sharapova, como foi carinhosamente apelidada pela equipe brasileira.


Tamanduá-bandeira  

Tamanduá-bandeira

 



Bugio  

Bugio

 



Cachorro-vinagre  

Cachorro-vinagre

 

 
Prevenção
Por meio de parcerias com zoológicos e criadouros do mundo todo, a prevenção da ameaça de extinção pela reprodução tem sido feita. No entanto, conseguir a transferência de um animal de outro país não é tão simples. O biólogo e gerente de projetos educacionais do Zoo, Igor Morais, explica que são necessárias licenças dos dois países, além do cuidado no transporte. Até julho, Brasília receberá uma ariranha vinda da Alemanha.
 
Igor lembra que o incentivo internacional contribuiu muito para a preservação no Brasil. “Nos anos 1980, a população de micos-leões-dourados na Mata Atlântica no Rio de Janeiro era de 200 animais. Graças uma ação coordenada pelo zoológico de Washington (EUA), hoje há cerca de 1,2 mil.”
 
Ele explica que uma espécie pode se tornar ameaçada por diversos fatores: caça, tráfico de animais silvestres e destruição do habitat, por exemplo. “Reproduzir esses animais de forma coordenada, seguindo princípios de genética e ecologia de populações garante um futuro melhor”, conclui.
 
Filhotes
Com o trabalho, cada vez mais filhotes nascem nos ambientes da instituição. O Zoológico é o único no mundo a ter reproduzido com sucesso a cotiarinha, a menor espécie de jararaca encontrada no Brasil. Belinha nasceu em outubro de 2014 e acaba de alcançar a idade suficiente para também acasalar. Ela espera pela indicação para um namorado.
 
Entre as aves, as harpias, um dos maiores aves do mundo, podem ter filhotes a qualquer momento. A fêmea botou ovos férteis neste ano, mas até agora, nenhum vingou. A fêmea, chamada Baiana, chegou ao Zoo depois de ter sobrevivido a um tiro e os biólogos suspeitam que o trauma tenha contribuído para que ela não passe muito tempo chocando, o que prejudica os ovos.
 
Apesar dos esforços maiores serem para as 25 espécies em risco iminente de extinção, animais em estado de alerta também são incentivados a acasalar. É o caso do bugio-ruivo. O casal Riquinha e Choquito vive há quatro anos na fundação, mas, apenas em 2019, trouxe ao mundo o primeiro bebê. Ainda não foi possível identificar o sexo do pequeno que não larga da mãe em momento algum, mas se for macho, será Tutu, e se for fêmea, Tuca.
 
 
 
 
Você sabia?
Desde 2015, o Zoológico de Brasília conseguiu reproduzir com sucesso 17 espécies ameaçadas de extinção:

12 mamíferos
1 réptil
4 aves
 
Atualmente, 19 casais estão formados:
 
3 mamíferos
16 aves
 
 
Confira no site do Correio, depoimento do diretor de mamíferos do Zoo sobre o trabalho de preservação das espécies.
 
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Correio Braziliense Wednesday, 26 de June de 2019

RAINHAS DO POP

 

Rainhas do pop
 
Consolidação da música pop no país cria o tão esperado cenário de divas brasileiras, formado por nomes como IZA, Gloria Groove, Ludmilla, Pabllo Vittar, Luísa Sonza e Anitta

 

» Adriana Izel

Publicação: 26/06/2019 04:00

Antenadas 
com o pop internacional, IZA e Gloria Groove fazem uma referência a Beyoncé e Lady Gaga em Yo-Yo  

Antenadas com o pop internacional, IZA e Gloria Groove fazem uma referência a Beyoncé e Lady Gaga em Yo-Yo

 

 
Por muitos anos, o termo diva pop ficou restrito a artistas internacionais como Madonna, Lady Gaga, Britney Spears, Rihanna, Jennifer Lopez, Katy Perry, Mariah Carey e Beyoncé. Muita gente! Isso porque a música pop, como era definida mundo afora — com letras de fácil assimilação, ritmo dançante, shows com superestruturas e bastantes coreografias —, demorou para se firmar no Brasil. Houve até quem tentasse esse modelo no início dos anos 2000. A cantora Wanessa Camargo foi um exemplo. Mas o estilo, por algum motivo, não vingava no país.
 
Foi preciso que um ritmo genuinamente brasileiro, o funk, se aproximasse do pop internacional para o Brasil finalmente conseguir dar os primeiros passos na criação de um pop brasileiro. Uma das artistas que proporcionou isso no cenário atual foi a carioca Anitta. Estrategista, estudiosa do showbiz e grande fã de artistas internacionais, a brasileira importou o “modus operandi” das divas internacionais, apostando em bons clipes e músicas com batidas que pudessem casar perfeitamente com coreografias. “Minha carreira tem muito do meu esforço para que acontecesse. Não foi de um dia para o outro. Antes de Show das poderosas estourar, foi um longo caminho que percorri. E continuo correndo atrás dos meus sonhos. Isso me move”, afirmou Anitta em entrevista ao Correio.
 
Com a porta aberta por Anitta, várias artistas brasileiras aproveitaram o espaço e se jogaram de vez na cena pop. As primeiras delas também vieram do funk, como Valesca Popozuda e Ludmilla. Dessas, quem de fato conseguiu se firmar no cenário e segue até hoje é Lud, ao se adaptar deixando os proibidões de lado e, assim como Anitta, misturar funk e pop, mas com uma pegada um pouco diferente, que flerta com o R&B de nomes como Beyoncé e Rihanna. Neste ano, com o lançamento do primeiro DVD da carreira, Hello mundo, Ludmilla confirmou de vez a veia pop ao apostar num material em que abusa de figurinos, coreografias, faixas chicletes como Favela chegou (parceria com Anitta) e A boba fui eu (gravada com Jão) e ainda faz uma reverência a Beyoncé com um cover de Halo.

Ao lado de Anitta, Ludmilla está entre as artistas que misturou o funk com outros ritmos até chegar ao pop  

Ao lado de Anitta, Ludmilla está entre as artistas que misturou o funk com outros ritmos até chegar ao pop

 



Pabllo Vittar e Luísa Sonza unem forças no clipe de Garupa, um dos singles da gaúcha do novo álbum  

Pabllo Vittar e Luísa Sonza unem forças no clipe de Garupa, um dos singles da gaúcha do novo álbum

 

 
Expansão
 
Mas não foi apenas o funk que, de certa forma, migrou para o pop. Como o caminho estava aberto, cantoras começaram a se lançar no cenário tendo o pop como eixo. É o caso de Pabllo Vittar, Gloria Groove, IZA e Luísa Sonza, artistas que estouraram no mundo da música brasileira na “era pós-Anitta”.
 
“Tem sido uma construção muito interessante de se acompanhar. Pra mim é quase como um sonho, consumo cultura pop desde sempre, e nunca podia imaginar que um dia colaboraria para o renascimento desse gênero no meu próprio país. A cada dia chegam novos criadores e artistas, pessoas jovens que se inspiram exatamente neste renascimento para começarem a construir suas carreiras. Tenho muito orgulho de fazer parte disso”, afirma Gloria Groove.
 
Na ativa desde 2016, quando lançou o single Dona, do álbum O proceder, Gloria Groove aproveitou o boom da cultura drag queen no mundo. “Além de ter a consciência de que a cultura drag teve um avanço significativo no mainstream nos últimos cinco anos por conta do trabalho de pessoas como RuPaul, acredito que, ao propor usar a arte drag como ferramenta no mercado fonográfico, tenho feito tudo com muita autenticidade. Além do mais, represento toda uma comunidade, um recorte social extremamente marginalizado, num momento político polarizado, o que faz do meu trabalho também uma plataforma de amor e aceitação”, analisa.
 
Nas últimas semanas, Gloria Groove se destacou exatamente pela veia de diva. Ao lado de outra grande cantora do pop, a carioca IZA, ela divulgou o single e o clipe de Yo-Yo. O material levou os fãs do estilo à loucura, principalmente porque o conteúdo faz uma referência a outros dois nomes do pop: Lady Gaga e Beyoncé, que se juntaram anos atrás em Telephone — videoclipe que prometeu ter uma continuação, o que nunca se concretizou. “Estávamos em busca de dar continuidade à história de Coisa boa (outra música de Gloria), ainda recheando com referências a diversos outros projetos. A referência a Gaga se deve ao fato de que somos muito “little monsters” (nome dado aos fãs de Lady Gaga) e jamais perderíamos a chance de brincar com a famigerada continuação de Telephone, que por sinal nunca veio (risos)”, completa Gloria sobre o vídeo que tem mais de seis milhões de visualizações no YouTube com apenas três semanas de lançamento.
 
IZA também é outro nome que se firmou. A carioca surgiu no cenário musical após abandonar a profissão de publicitária e começar a postar vídeos de covers no YouTube. Logo foi descoberta por uma gravadora e lançou a primeira faixa autoral Quem sabe sou eu. A partir daí, só cresceu lançando músicas como Esse brilho é meu, Vim pra ficar e Pesadão, faixa que integra o primeiro álbum Dona de mim, de 2018.
 
IZA teve tão boa repercussão na música, que hoje também figura na televisão. Está à frente de Música boa ao vivo, foi uma das apresentadoras de Só toca top e está confirmada na próxima temporada de The voice Brasil assumindo o lugar deixado por Carlinhos Brown. “Estou muito feliz com o momento que estou vivendo. Teve muito trabalho, muita dedicação, mas eu não imaginava viver tudo o que já vivi tão rápido”, afirma.
 
Em abril deste ano, a cantora apostou no single Brisa, música pop que flerta com o reggae. O clipe muito bem executado tem mais de 19 milhões de visualizações no YouTube. “Eu não via a hora de poder mostrar para todo mundo (essa música). Brisa tem um pouco a ver com o que eu venho ouvindo ultimamente, música jamaicana, reggae, canções que passem a mensagem de positividade. Mas não sei se fará parte de um novo projeto”, revela.
 
Duetos
 
Uma das características principais do pop internacional sempre foi investir em parcerias. Algo que também tem sido importado no Brasil. Só neste ano, o cenário viu IZA e Gloria Groove, Anitta e Ludmilla e Luísa Sonza e Pabllo Vittar se unirem. Esse último dueto, que leva o nome de Garupa, junta duas outras representantes do gênero, que repercutem no cenário.
 
Pabllo Vittar se consolidou em 2017 com Vai passar mal. Mas o estouro foi em 2015 após lançar o hit Open bar e  ganhar espaço na tevê no programa Amor & sexo, que preparou o público para o primeiro álbum. Desde então, gravou parcerias com Anitta (Sua cara) — com quem se desentendeu depois e criou uma das primeiras brigas do pop brasileiro —, Diplo (Então vai e Seu crime), Ludmilla (Vai embora), Titica (Come e baza), Lali (Caliente) e Sofi Tukker (Energia). No ano passado divulgou Não para não. A boa repercussão no pop brasileiro fez com que, neste ano, fizesse uma turnê internacional representando o ritmo e a cultura LGBT brasileira.
 
Com um início similar ao de IZA, a gaúcha Luísa Sonza passou a ser conhecida ao gravar covers e disponibilizar no YouTube. A ex-rainha dos covers assinou, em 2017, contrato com uma gravadora e divulgou Good vibes, mas foi com a sequência de lançamentos de Rebolar e Devagarinho  que a cantora passou a ser realmente conhecida pelo público. O jeito de se posicionar na internet também deu espaço para Sonza, que lançou neste ano o primeiro álbum da carreira, o elogiado Pandora, que recebe, além de Pabllo Vittar, Gaab em Fazendo assim e Vitão em Bomba relógio.
 

Correio Braziliense Tuesday, 25 de June de 2019

DE OLHO NOS IPÊS

 

De olho nos ipês
 
Os ipês-roxos estão por todos os lados, proporcionando cenários perfeitos para belas imagens. Compartilhe o seu registro usando a hashtag #missãoipêcb e veja as suas fotos nas redes sociais do Correio Braziliense

 

Juliana Andrade

Publicação: 25/06/2019 04:00

 (Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press
)  
Encontrar um ipê-roxo em Brasília está fácil. Difícil mesmo é resistir à tentação e não parar para tirar uma foto. Grandes, pequenos, alguns cheios de flores, outros ainda florindo, eles enfeitam as ruas da cidade e ganham as redes sociais com belos registros feitos pela população. Seja contrastando com o céu azul ou com o marrom dos troncos secos do inverno, seja pintando o asfalto de roxo com as pétalas que caem no chão, a vegetação atrai lentes e olhares.
 
A técnica de enfermagem Maria Zinete Fontenele, 46 anos, o professor Sebastião Fontenele, 67, e o pequeno João Gabriel Fontenele, 9, neto do Sebastião, escolheram os ipês próximos ao Conic como cenário para a fotografia do trio. “Essa é a época em que a cidade fica mais bonita, mais alegre. Não tem como ver um ipê e não parar para tirar foto”, admite Maria. “O ipê é uma marca de Brasília e um diferencial nesse período de seca”, complementa o professor.
 
Rogério Coelho cultiva ipês na cidade: %u201CAmo a natureza%u201D
 

Rogério Coelho cultiva ipês na cidade: – Amo a natureza.

 

 
As atendentes Aline Carine Santos, 28, e Dhenny Laylla Santos, 19, também não resistiram à paisagem e deram uma pausa no caminho do trabalho para fazer imagens de um dos ipês perto da estação do metrô, na 108 Sul. “Eu acho maravilhoso. Tirei foto para poder mostrar a beleza dessa árvore, que é radiante”, comenta Aline.
 
Os ipês na área central de Brasília são alguns dos 200 mil pés espalhados pelo Distrito Federal. Segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), a maioria deles fica no Plano Piloto, onde é possível encontrar 25 mil árvores da espécie.
 
A professora Fátima Campos, 65, tem o prazer de morar pertinho de muitos deles, na 704 Sul. Ela afirma que a quadra ficou conhecida como a dos ipês. “Eu acho maravilhoso. Vejo, todos os anos, e ainda fico aqui tirando foto para mostrar para os outros. Eles dão uma sensação boa. É um enfeite que a gente ganha de graça”, destaca.
 
Maria, João Gabriel e Sebastião tiraram foto em ipê no Conic
 

Maria, João Gabriel e Sebastião tiraram foto em ipê no Conic

 

 
Encanto
 
Típica do cerrado, o ipê é caracterizado pelos troncos retorcidos e pela floração intensa. As árvores podem alcançar 12m de altura. O servidor público Rogério Ferreira Coelho, 53, não esconde o encanto pelo colorido da árvore. Em frente ao Conic, ele mostra com orgulho o ipê-amarelo cultivado por ele. “Eu plantei um amarelo para ele contrastar com os roxos que tem aqui. Eu amo a natureza e vejo muitas árvores morrendo”, lamenta.
 
Segundo a Novacap, Brasília deve ganhar mais 10 mil pés de ipê neste ano. Os ipês-roxos permanecem até o mês de julho, encontrando-se com os ipês-amarelos no fim do mês. Depois, é a vez do branco, seguido pelo rosa, que floresce no início de agosto.
 
Dhenny Laylla (E) e Aline Santos: encantamento na 108 Sul  

Dhenny Laylla (E) e Aline Santos: encantamento na 108 Sul

 

 
#missãoipêcb
Fez um lindo registro de ipê? Compartilhe com a gente. O Correio lança hoje mais uma edição da campanha #missãoipêcb. Para participar, publique uma foto tirada por você no Instagram com a hashtag #missãoipêcb. A equipe do Correio vai selecionar as melhores imagens e compartilhar nas redes sociais, no site e no jornal Correio Braziliense.
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Monday, 24 de June de 2019

A TERAPIA DO FORRÓ

 

A terapia do FORRÓ
 
Funcionários e pacientes de posto de saúde de Planaltina apostam na dança e ritmo da música típica das festas de são-joão como remédio para o bem-estar e a autoestima.

 

» Juliana Andrade

Publicação: 24/06/2019 04:00

O casal de namorados Eliete Maria Moura, 68, e Paulo Divino da Cruz, 70, não perdem um dia de forró  

O casal de namorados Eliete Maria Moura, 68, e Paulo Divino da Cruz, 70, não perdem um dia de forró

 

 
Um teclado ligado a uma caixa de som, um cantor ditando o ritmo aos passos e, à frente, um grupo colocando em prática o famoso dois pra cá, dois pra lá. Parece cenário de festa, mas se trata de uma Unidade Básica de Saúde, em Planaltina. É assim, por meio do que chamam de forroterapia, que pessoas da comunidade, funcionários e pacientes do posto médico espantam a tristeza e garantem o bem-estar de quem frequenta o lugar.
 
A atividade ocorre todas às sextas-feiras, das 16h às 18h, na unidade que funciona no Parque Ecológico Sucupira. A música fica por conta de um tecladista voluntário e, se ele faltar, um pendrive se encarrega da trilha sonora. A atividade reúne cerca de 40 pessoas. Francisco de Assis, 88 anos, é um dos forrozeiros da turma. Ele conta que a idade não permite que ele trabalhe, mas ainda consegue dançar. “Eu venho sempre que posso. Por mim, dançava todo dia. Eu amo forró. É muito bom”, comenta.
 
O grupo é formado, em sua maioria, por pessoas acima de 60 anos. Segundo a enfermeira Maria das Graças Araújo, coordenadora do projeto, os idosos são o motivo da iniciativa. “A gente notou, no nosso trabalho do dia a dia, que há idosos solitários, que ficam em casa e têm dificuldade para fazer atividade física. Uma ação em grupo é ótima para eles”, destaca.
 
De acordo com a psicóloga Lia Clerot, atividades assim são fundamentais na vida das pessoas de terceira idade. Ela explica que o contato de muitos deles se limita aos familiares, enquanto outros vivem praticamente sozinhos. “Eles precisam de alguém que entenda suas dores, angústias e aflições. Eles necessitam de alguém de fora com quem possam desabafar. Os amigos vão se perdendo pela vida e um encontro com pessoas da mesma faixa etária pode trazer justamente essa companhia que faltava”, conta.

A festa conta com tecladista voluntário e muita empolgação dos participantes (Arquivo Pessoal)  

A festa conta com tecladista voluntário e muita empolgação dos participantes

 


 (Mariana Raphael/Saúde-DF)  


Alegria contagiante
 
Foi no forró, ritmo de dança celebrado hoje, Dia de São João, que a vendedora Railde Rosa da Cruz, 56, encontrou uma forma de espantar a tristeza. Desde o início da atividade, em fevereiro, ela não perde um dia de festa. “Toda sexta, quando dá 16h, eu corro para cá. Eu tenho problema de depressão e aqui eu esqueço de tudo, me sinto feliz”, revela. Segundo ela, o ambiente também é ótimo para conhecer gente nova e fazer amizades. “Se o pessoal soubesse como é bom, todo mundo vinha”, ressalta Railde.
 
A dança é uma atividade lúdica que entretém e ajuda na liberação de hormônios que dão a sensação de prazer, como endorfina, dopamina e serotonina. “Temos pessoas juntas, em um momento de alegria, de descontração, tocando umas as outras”, detalha Lia. Além dos hormônios, a dança influencia a autoestima e a autovalorização.
 
Corpo e mente
 
A dança não dá espaço para a tristeza e para o mau humor. Alguns começam tímidos, mas é questão de tempo para se entregarem ao forró. A enfermeira Maria da Graças destaca que a atividade proporciona a socialização, como também tem contribuído para a saúde física dos participantes do projeto. A dança tornou-se parte da rotina de pacientes com pressão alta e diabetes, por exemplo, que encontraram no forró uma forma de manter o corpo em movimento.
 
A enfermeira lamenta críticas de pessoas reclamando da iniciativa devido aos problemas na saúde pública. Porém, ela não se deixa abalar pelos comentários negativos. “As pessoas não entendem que saúde não é só a ausência de doença. É o bem-estar físico e social também. A gente precisa de boas relações”, diz Maria das Graças. Para a psicóloga Lia, a saúde precisa ser pensada em uma perspectiva mais ampla, não apenas focada no combate, tratamento e controle de doenças. Portanto, atividades como a forroterapia contribuem para a qualidade de vida.
 
O casal de namorados Eliete Maria Moura, 68 anos, e Paulo Divino da Cruz, 70, são um exemplo de que a dança ajuda a manter o corpo saudável. Os dois não se desapegam e emendam uma música atrás da outra. “Eu gosto de dançar, faz bem para a idade. Quem está doente levanta e quem não está fica melhor ainda”, comemora Eliete.


"A gente notou, no nosso trabalho do dia a dia, que há idosos solitários, que ficam em casa e têm dificuldade para fazer atividade física. Uma ação em grupo é ótima para eles”
 
Maria das Graças Araújo, 
coordenadora do projeto
 
Jornal Impresso
 

Correio Braziliense Sunday, 23 de June de 2019


Correio Braziliense Saturday, 22 de June de 2019

SETOR DE SERVIÇOS DRIBLA A CRSE

 



Setor de serviços dribla a crise
 
 
Empreendedores e comerciantes usam a criatividade para atrair e manter clientela. Apesar da recessão de 1,4% registrada até abril, a expectativa é de que 2019 feche positivo. A recuperação deve começar em agosto

 

» WALDER GALVÃO

Publicação: 22/06/2019 04:00

A empresária Isabel Cardoso Batista:  

A empresária Isabel Cardoso Batista: "Todo comércio foi abalado, porém o que posso dizer é que não fiquei com os braços cruzados"

 


Em tempo de dinheiro curto e de consumidores cada vez mais com as mãos no bolso para evitar gastança, o setor de serviços busca soluções para seduzir o freguês. Vale oferecer de tudo, de promoções inovadoras e atendimentos diferenciados a capacitação dos profissionais. Essas são algumas das estratégias do setor de serviços (terciário). Apesar de o segmento apresentar recessão de 1,4% nos primeiros quatro meses do ano, no Distrito Federal, a expectativa é positiva para este semestre, segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista).
 
De acordo com a entidade, nos quatro primeiros meses de 2018, o setor de serviços apresentou retração de 1,2%, 0,2% a menos do que este ano. Porém, a procura por parte dos consumidores subiu no segundo semestre, e o ano passado fechou positivo, com 2,5% de crescimento. Para o presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, a tendência é de 2019 acompanhar o ritmo. “Nossa expectativa é de que tenhamos o mesmo desenvolvimento ou até mesmo superior”, ressalta.

Rogers Vilela usa o WhatsApp para informar ao cliente os serviços que estão sendo feitos no veículo  

Rogers Vilela usa o WhatsApp para informar ao cliente os serviços que estão sendo feitos no veículo

 

Edson explica que, somada a crise econômica, o início do ano é marcado por pendências financeiras, como quitação de impostos, compra de materiais escolares e pagamento de matrículas em colégios ou unidades de ensino superior. “Depois de todas essas contas pagas, o investimento é voltado ao setor de serviços. Por isso, a tendência é de que o ano feche positivo”, comenta. A partir de agosto, as coisas devem melhorar.
 
O sindicato destaca que dentro do âmbito da prestação de serviços, os salões de beleza foram um dos grandes afetados pela crise econômica. Entretanto, alguns empreendedores usaram as dificuldades para se fortalecer no ramo. Dona do salão Camarim, no Núcleo Bandeirante, Isabel Cardoso Batista, 56, conta que mantém o estabelecimento há 30 anos e precisou se reinventar para manter as portas abertas. “Todo o comércio foi abalado, porém, o que posso dizer é que não fiquei com os braços cruzados”, reforça.

Soraia Belizario (C) e equipe:  

Soraia Belizario (C) e equipe: "Fizemos promoções e passamos a oferecer pratos que os próprios clientes sugerem"

 

Isabel destaca que durante três anos não fez reajuste nos preços dos serviços e passou a ter mais cautela na compra de produtos. “Reduzi as aquisições para tentar aumentar o lucro. Não fiz corte de funcionários. Pelo contrário, investi em mais especializações”, diz. De acordo com ela, o segredo de se manter é não se deixar abalar. “O lucro diminui para todos nós, mas me considero uma vitoriosa, por estar aqui, de portas abertas. O ideal é investir no aperfeiçoamento pessoal e do nosso trabalho. Os clientes precisam ver que estamos buscando coisas novas para eles”, ensina.
 
Dinheiro
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Francisco Maia, esclarece que a estabilidade do funcionalismo público no DF faz com que o setor de serviços não seja tão afetado durante a crise econômica. “Brasília tem economia equilibrada. Apesar do desemprego estar grande, parte da cidade é movimentava pelo dinheiro do funcionalismo. Por isso, o setor consegue passar pelas dificuldades”, afirma.
 
Francisco aconselha que empreendedores ou pessoas à procura de emprego busquem especialização. Pesquisas mostram que o setor de serviços tende a crescer. “O ideal é que as pessoas tenham visão e coloquem em mente que a cidade ainda está equilibrada (economicamente)”, afirma. Dono da Lemans Pneus e Rodas, estabelecimento que presta serviços automotivos, José Maria Leão Júnior, 42, segue essas orientações e consegue se manter em crescimento, apesar da crise econômica.
 
Em um ambiente moderno, com bar e sinuca para os clientes, Júnior, como José é conhecido, montou um estabelecimento com retorno financeiro estável, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). “Trabalho há 22 anos no ramo. Nosso segmento sentiu impacto muito forte da economia. Porém, usamos a criatividade, fizemos muitos investimentos, trabalhamos com estoque grande e estamos conseguindo nos manter com solidez”, aponta.
 
Segundo o empresário, a crise também foi uma oportunidade para crescer. “Compramos nossa loja com um preço melhor, justamente por causa da situação financeira do país. Além disso, como investimos em estoque, muitos da concorrência não conseguem competir. Vimos muitas pessoas fechando as portas”, lamenta.
 
Consultoria
Em outra empresa do setor automotivo, também no SIA, o proprietário, Rogers Vilela, 43, investe no atendimento para manter a clientela e se livrar dos prejuízos ocasionados pela crise. “Fazemos uma espécie de serviço de consultoria. Buscamos o automóvel do cliente em casa sem custo adicional. Em algumas ocasiões, também fornecemos um veículo de apoio, sem cobrar nada por isso”, explica.
 
Trabalhador do ramo há 25 anos, Rogers comenta que a transparência no serviço faz com que o empreendimento dele não seja tão abalado pela crise. “Nos mantemos estáveis. Não demonstramos crescimento, porém, não tomamos prejuízos”, relata. De acordo com ele, se aproveitar da tecnologia, como aplicativos de celulares de troca de mensagens, também é um dos diferenciais do estabelecimento. “Todo procedimento é fotografado e compartilhado com o cliente via WhatsApp. Com isso, garantimos um bom atendimento e garantimos nossa clientela”, destaca.
 
Para manter a freguesia e continuar lucrando, a sócia e gerente do restaurante Fogão Goiano, no Núcleo Bandeirante, Soraia Belizario de Medeiros, 39, também conta com a criatividade. “Fizemos diversas promoções e passamos a oferecer pratos que os próprios clientes sugerem. Quando alguém diz que quer comer determinada especiaria, marcamos um dia para a pessoa voltar para que ela possa saboreá-la”, explica. Segundo a empreendedora, o item que mais se popularizou no cardápio foi a lasanha de pequi.
 
Soraia afirma que o estabelecimento sentiu mais os impactos da crise no início deste ano. “Passamos a investir nas redes sociais, principalmente o Instagram. Contratamos uma assessoria para monitorá-las”, diz. Ela ressalta que outra tática para manter os lucros em alta é cativar os clientes. “Nossos funcionários são orientados a tratar os fregueses da melhor forma possível. Temos aqueles que são fiéis, mas recebemos muita gente nova; por isso, é importante manter a qualidade do atendimento”, garante.
 
Recuperação
A venda de imóveis sofreu prejuízo durante a crise na economia nacional. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), o DF passou por queda nesse tipo de comércio de 2012 até 2016. Em 2010, por exemplo, ocorreram 60 lançamentos imobiliários durante o ano. Em 2015, foram apenas 17 inaugurações. Entretanto, até abril deste ano, 13 empreendimentos entraram no mercado, o que significa uma recuperação.
 
“A oferta de imóveis no DF de abril foi a menor da história. Estamos com número insuficiente para atender a demanda”, explica o vice-presidente do Sinduscon, Adalberto Valadão Júnior. No entanto, ele explica que a baixa tem lado positivo e negativo. “Com poucos imóveis à disposição, o vendedor pode se dar bem, mas a situação não é tão vantajosa do ponto de vista do consumidor”, ressalta, por isso a importância de pesquisar os melhores preços.
 
Apesar das baixas dos últimos anos, Adalberto afirma que o ramo se estabilizou em 2019. “Para se manter no mercado, muitas empresas passaram a adotar promoções agressivas, com preços muito baixos. Isso levou a uma queda dos preços, que foi recuperada de forma gradual. Hoje, temos um mercado cauteloso, que não está fazendo movimentos bruscos, para entender o cenário atual da economia brasileira”, esclarece. Para Adalberto, a expectativa é de que este ano ainda feche com resultados positivos, ao menos em comparação a 2018, quando ocorreram 15 lançamentos.
 
 
 
Atividades
 
O setor terciário envolve atividades de serviços e comércio de produtos. Ele atinge tanto o consumidor final como outros negócios. Essa área pode estar envolvida em diversos segmentos, como transportes, vendas e distribuição de bens e outros. Entre as atividades desenvolvidas nessa área, estão os serviços bancários, o turismo, atendimento hospitalar, corretagem de imóveis e hospitais. Os outros setores da economia são o primário (agricultura e extração mineral) e o secundário (industrialização).
 
 
Dicas
 
Confira dicas para quem busca sucesso no setor de serviços, segundo o especialista em inovação e desenvolvimento empresarial da Universidade de Brasília (UnB), Luís Afonso Bermudez:
 
» Buscar especialização na área em que desenvolve a atividade;
» Ficar com o “radar ligado” para as oportunidades que o mercado oferece;
» Buscar instituições de apoio para se capacitar, como Senac, Sesc e Sebrae;
» Use e abuse da internet. Ela é uma fonte de informação (e divulgação) gratuita e on-line;
» Seja criativo e não deixe as oportunidades que surjam passarem.
 
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Correio Braziliense Friday, 21 de June de 2019

CORPUS CHRISTI: VOLUNTÁRIOS MANTÊM A TRADIÇÃO DOS TAPETES

 

Voluntários mantêm tradição dos tapetes

 

Mariana Machado

Publicação: 21/06/2019 04:00

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press)  
Algumas pessoas levantaram cedo em função do feriado de Corpus Christi, ontem. Desde as 6h, voluntários chegavam à Esplanada dos Ministérios para confeccionar o tradicional tapete com 120m de comprimento. A maioria era jovem ligado a grupos de igrejas e escolas. Eles coloriram o gramado central com 28 desenhos de referências bíblicas. No fim da tarde, o clero de Brasília caminhou sobre a ornamentação, carregando o ostensório (peça sagrada onde é colocada a hóstia consagrada, que remete ao corpo de Cristo, segundo a religião católica).
Católicos confeccionaram 28 desenhos em tapete de 120m de extensão (Carlos Vieira/CB/D.A Press)  

Católicos confeccionaram 28 desenhos em tapete de 120m de extensão

 

A advogada Rita de Oliveira, 26 anos, chegou à Esplanada por volta de 6h30 com a equipe Jovens de Nossa Senhora, composta por cerca de 35 devotos entre 17 e 30 anos. O grupo é uma união de paróquias de Taguatinga, Guará, Águas Claras, Vicente Pires e Asa Sul. Usando palha de arroz, café e tintas, eles passaram a manhã desenhando o cálice sagrado e a hóstia. “Fazemos tudo isso pela união dos jovens. É cansativo, mas ver tudo pronto depois e comemorar algo tão especial é muito importante. Esse é um dos feriados católicos mais bonitos”, ressaltou Rita.
Karla levou a família, do interior de Goiás, para ver o trabalho (Carlos Vieira/CB/D.A Press)  

Karla levou a família, do interior de Goiás, para ver o trabalho

 

Enquanto uns ajoelhavam-se para montar as formas, outros animavam as equipes tocando violão e cantando. A estudante Tainara Xavier, 18, disse ser um ótimo momento de fazer novas amizades. “O amor de Deus nos move a estar aqui. Todo mundo acordou cedo e esse sentimento de estar todo mundo junto não tem preço. Quem nem se conhece ajuda o outro, é uma interação muito diferente”, comentou.

Integrante do grupo Infância e Juventude Missionária, ela participou pela segunda vez da confecção dos tapetes na Esplanada. Na ilustração, a equipe buscou retratar os 60 anos da Arquidiocese de Brasília, com a pomba do Espírito Santo em frente à Catedral. No início da tarde, já estava tudo pronto para a celebração. Quem passava por lá, se encantava.

A servidora pública Karla dos Santos, 38, levou a família para ver a movimentação. “Minha tia tem 86 anos e mora em Goiânia. Ela está fazendo uma visita e fomos passear. Ficou apaixonada, assim como a minha mãe. Elas só tinham visto essa tradição em cidades pequenas”, relatou. “Meus filhos também ficaram impressionados. Meu menino tem 8 anos, ficou bastante curioso”, completou.
 
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Correio Braziliense Thursday, 20 de June de 2019

LUIZÃO, O FORROZEIRO DO CERRADO

 


De Ceilândia para o Brasil
 
 
Luiz Gonzaga da Rocha, mais conhecido como Luizão, chegou a Brasília com o sonho de viver em uma cidade grande, mas o DF acabou ficando pequeno para seu talento de encantar com o forró pé de serra

 

» ALAN RIOS

Publicação: 20/06/2019 04:00

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Luizão do Forró, músico (Dan Queiroz/CB/D.A Press)  

– O pessoal foi gostando e comentando que tinha um sanfoneiro novo na cidade, aí me chamavam para tocar nos eventos e, quando dei por mim, estava vivendo disso – Luizão do Forró, músico

 

 
No auge dos seus 63 anos, Luiz Gonzaga da Rocha é um eterno apaixonado. E ele se orgulha em dizer que seu amor também inspira outros corações a bater diferente, no ritmo simples da mistura entre a zabumba, o triângulo e a sanfona. Conhecido como Luizão, o tocador de acordeão tem mais de 40 anos de carreira musical só no Distrito Federal, e é quase um patrimônio cultural de Ceilândia, cidade que respira a cultura nordestina.

Além do nome de artista (homônimo do Rei do Baião), ele também carrega o peso de ser conterrâneo de José Marcolino, paraibano autor do clássico Numa sala de reboco, uma das músicas mais pedidas nas festas. Mas nada disso virou um fardo. “Meu pai era repentista, então sempre tive esse sangue de músico. Quando eu era criança, fui acompanhando os eventos, gostando daquele clima e pedindo para aprender a tocar sanfona. Com 13 anos, ganhei meu primeiro acordeão e foi amor à primeira vista!”, lembra.

Ali começava um relacionamento tímido com o forró pé de serra, mas o menino ia crescendo e sentindo que a paixão ficava séria. “Fui vendo que era aquilo que gostava de fazer. Sempre que tinha uma oportunidade, tocava nas festas. Chegava lá nas casas de barro, às 19h, e ficava até o outro dia, porque a cultura nordestina é assim, cheia de vida e alegria”, diz. No fim da década de 1970, o rapaz de 23 anos veio para Brasília com o sonho de uma vida melhor, como muitos sertanejos. “Parei em Ceilândia, um lugar cheio de nordestino, então me senti em casa!”
 
Forró pé diferente
 
Em Brasília, Luiz começou trabalhando em obras, como pedreiro, até se estabelecer financeiramente. Mas, sempre que tinha um tempo de sossego, pegava a sanfona e transformava qualquer construção em festa. “O pessoal foi gostando e comentando que tinha um sanfoneiro novo na cidade, aí me chamavam para tocar nos eventos e, quando dei por mim, estava vivendo disso”, comenta. Com sua paixão, ele conquistou gente de todo o DF: “Porque o forró é diferente. A pessoa ouve aquele ritmo gostoso, começa a se balançar e, quando vê, está agarrada no cangote de alguém”, brinca.

O sucesso foi tanto que Luizão foi parar até na Europa por conta do talento. “Em 2007, uma autoridade do Brasil criou um projeto para levar uns músicos daqui para Lisboa e para São Tomé e Príncipe, na Guiné (África). Foi como o mestre Gonzaga disse certa vez: ‘Quando dei por mim, eu estava em outro mundo!’. Aquilo foi um aprendizado enorme, muito bacana, as pessoas interagindo com o forró, pedindo música e tudo”.

A maior alegria do sanfoneiro veio mais tarde, quando dividiu palco com um dos grandes nomes do ritmo no Brasil, Dominguinhos. “Abri um show do mestre, e isso me deixou feliz demais. Deu até um frio na barriga na hora! Além da questão artística, dessa satisfação como forrozeiro, também teve a questão pessoal, de o ter conhecido de perto e conversado com ele, que era muito humilde e até me parabenizou pela apresentação”, comemora.

O sanfoneiro carrega o nome e mantém a 
tradição do Rei do Baião nos festejos juninos pelo Distrito Federal (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

O sanfoneiro carrega o nome e mantém a tradição do Rei do Baião nos festejos juninos pelo Distrito Federal

 



Ritmo especial
 
Luizão explica o motivo de o forró pé de serra ser tão cativante. “É um ritmo especial, porque não abusa do tempero. É como um prato bem equilibrado, bom e que faz a gente se apaixonar. Quando eu vejo aquele toque do triângulo, um chapéu de couro e aquela roupa elegante de Lampião, meu olho brilha com isso tudo”, descreve. Para o músico, que se apresentou para milhares de pessoas, basta uma pessoa na plateia se divertindo com o som que está tudo certo. É difícil ouvir sem se emocionar.

“O forró é verdadeiro e traz muitas coisas boas. Quem ouve fica feliz, lembra da sua terra ou se transporta para um lugar simples e agradável. É um estilo musical muito original, bonito e que serve para gente de zero a 100 anos, porque a literatura das canções é totalmente respeitosa”, opina.

Neste mês de junho, o tocador de acordeão ri dizendo que está na época de “tirar o pé da lama”, porque quase não tem espaço na agenda de tanta festa que é chamado para tocar. Mas, nos outros meses, ele é dinâmico: se apresenta em casamentos, aniversários, eventos culturais e onde tiver um público querendo ouvir o xote. “Também faço outros tipos de música, como MPB e sertanejo. Até funk toquei com a sanfona. Mas a gente sabe que o nosso forró é diferente!”.
 
Jornal Impresso

Correio Braziliense Wednesday, 19 de June de 2019

PIRENÓPOLIS: CAFÉ COM A NATUREZA

 

Café com natureza

 

Publicação: 19/06/2019 04:00

 (Edílson Rodrigues/CB/D.A Press - 1/10/08)  


A seca chegou e, com ela, o desejo de cair nas águas geladinhas e refrescantes das cachoeiras que cercam o nosso quadradinho. Em Pirenópolis, a cerca de 150km da capital, o agito das manhãs pode ser compensado com as delícias dos quitutes, doces e cafezinhos que  fazem qualquer turista se sentir na casa da vovó. 
 
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Correio Braziliense Tuesday, 18 de June de 2019

COPA FEMININA - À ESPERA DE UM SORRISO

 


COPA FEMININA
 
 
À espera de um sorriso
 
 
Seleção Brasileira tem parada dura contra Itália, hoje, em busca de classificação às oitavas de final. A equipe capitaneada por Marta precisa ao menos de um empate para alimentar a esperança de avançar

 

MAÍRA NUNES
MARIA EDUARDA CARDIM
Enviadas especiais

Publicação: 18/06/2019 04:00

 

A atacante Marta iniciará a partida como titular, mas será reavaliada durante o intervalo para saber se terá condições de continuar até o final do jogo (CBF/Divulgação)  

A atacante Marta iniciará a partida como titular, mas será reavaliada durante o intervalo para saber se terá condições de continuar até o final do jogo

 

 

Valenciennes (França) — Na última participação da Itália na Copa do Mundo feminina, a diferença técnica para o Brasil era significativa. Tanto que a derrota na edição de 1999 para as brasileiras, por 
2 x 0, ocasionou a eliminação das italianas ainda na fase de grupos. Duas décadas depois, as seleções se reencontram na mesma chave do Mundial, mas em situações opostas. A equipe europeia chega ao duelo de hoje, às 16h, no Stade du Hainaut, com duas vitórias, em busca de confirmar a liderança do Grupo C. O time brasileiro precisa vencer ou empatar para avançar às oitavas de final e impedir a pior campanha no torneio.
O Brasil nunca foi eliminado na primeira fase do Mundial. Neste ano, diante do aumento da visibilidade que a oitava edição da Copa Feminina vem apresentando, a classificação é vista como uma forma de impulsionar a modalidade. “Vivemos uma oportunidade a se agarrar com unhas e dentes”, ressalta Marta. A capitã brasileira, logo na estreia no torneio da França, manifestou a luta de gênero intrínseca à carreira dela e de tantas jogadoras. Nas chuteiras pretas da camisa 10, o símbolo da igualdade ocupa espaços normalmente preenchidos por patrocinadores.

“Quero passar para as meninas essa luta, porque não vamos durar para uma vida inteira e temos de buscar sempre o desenvolvimento”, defende Marta, eleita seis vezes melhor do mundo pela Fifa. Questionada pelo que gostaria de ser lembrada após a aposentadoria dos gramados, ela reflete que a resposta poderia ser os jogos, os gols e as coisas que ganhou na carreira, mas volta atrás e dispara: “Penso que seria mais importante ser lembrada por ter tentado, junto a outras jogadoras, melhorar o esporte, deixar um legado para as próximas gerações”.

Ao pisar nos gramados diante da Itália, tudo isso entrará em campo. Não é apenas a classificação que está em jogo. O Brasil se vê em uma situação delicada diante de uma chave que, a princípio, não era para assustar uma equipe tão tarimbada quanto a nossa. No Grupo C, está também a Austrália, uma seleção em ascensão, que nunca passou das quartas de final, mas que se tornou carrasca brasileira ao eliminar o país nas oitavas de final na Copa passada e ao vencer de virada, por 3 x 2, na atual edição do Mundial, na última quinta-feira.

A chave tem ainda a Jamaica, estreante em Copas, e a Itália, que encarou um jejum de 20 anos sem disputar a Copa do Mundo. As italianas impulsionaram a modalidade nos últimos dois anos e, agora, amedrontam o Brasil de uma forma nunca vista. Mas a situação delicada no Brasil não é exatamente surpresa, em função da queda de rendimento na preparação, em que emendou nove derrotas seguidas. Mas escancara o quanto a equipe brasileira feminina pouco avançou.

Os desafios não vão se limitar a ganhar, mas a convencer. E não há melhor forma de fazer isso em campo do que com gols. Afinal, em caso de vitória do Brasil sobre a Itália e da Austrália sobre a Jamaica, a classificação ficará por conta do saldo de gols. Os dois melhores times do grupo terão a vantagem de encarar adversários teoricamente mais fracos nas oitavas. O terceiro colocado poderá cruzar com a anfitriã França na próxima fase.

Na Itália, o futebol feminino vive momento de euforia. Os italianos estão em fase de reconciliação com a seleção após a ausência na Copa do Mundo masculina da Rússia, no ano passado. Em um país em que o machismo ainda tem força, a equipe feminina vem assumindo protagonismo e conquistando uma torcida que é apaixonada por futebol e só precisava abrir os horizontes. “Agora é um sentimento de pertencimento. Somos unidas, nos sentimos italianas. Isso pode fazer a diferença”, empolga-se a treinadora da equipe feminina, Milena Bertolini.

Meio de campo 
Para furar a defesa e o bom momento vivido pela Itália, as construções das jogadas no meio de campo serão essenciais. A principal dúvida sobre a substituta de Formiga, que tomou dois cartões amarelos e está suspensa do último jogo da fase de grupos, foi sanada ontem por Vadão. Andressinha terá a primeira oportunidade de entrar em campo na Copa da França e ocupará a vaga da camisa 8. No entanto, Thaísa é quem assumirá a função da veterana e jogará mais recuada.

Formiga saiu no intervalo da partida contra a Austrália após sentir uma torção no pé esquerdo, que aconteceu no primeiro jogo da Seleção. Ontem, o departamento técnico realizou exames de imagem para segurança do diagnóstico e nada de significativo foi constatado. Enquanto as companheiras se aqueciam no último treino para a partida decisiva, Formiga só caminhou ao redor do campo.

  

 (Franck Fife/AFP)  
 

 

Destaque do dia

Wendie Renard
As anfitriãs da Copa do Mundo se classificaram para as oitavas de final na liderança do Grupo A. O único gol da vitória sobre a Nigéria, que garantiu o aproveitamento 100% da equipe, só saiu com a ajuda do VAR. Após uma disputa dentro da área, a árbitra consultou o vídeo e marcou penalidade para a França. A capitã Renard bateu rasteiro e carimbou a trave. No entanto, a ferramenta tecnológica ajudou mais uma vez as donas da casa. O VAR entrou em ação e mandou voltar a cobrança porque a goleira se adiantou. Na segunda chance, a artilheira francesa marcou e garantiu o triunfo.

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Correio Braziliense Monday, 17 de June de 2019

COPA FEMININA - ALERTA PARA A FORÇA DA AZURRA

 


COPA FEMININA
 
Alerta para força da Azzurra
 
 
Atleta do Milan, Thaísa diz que a Itália, rival do Brasil amanhã, foi subestimada antes do Mundial, mas já está classificada

 

MAÍRA NUNES
MARIA EDUARDA CARDIM
ENVIADAS ESPECIAIS

Publicação: 17/06/2019 04:00

Thaísa atua pelo Milan desde o ano passado: dicas sobre as adversárias (Assessoria / CBF
)  

Thaísa atua pelo Milan desde o ano passado: dicas sobre as adversárias

 

Lille (França) — Rival direta das goleadoras da Itália na temporada de clubes, a meia Thaísa, única jogadora da Seleção Brasileira que atua no futebol italiano, acredita que subestimaram a força da Azzurra, adversária do Brasil amanhã, às 16h, em Valenciennes. Isso porque a equipe europeia é a única do Grupo C que já se classificou para as oitavas, antes mesmo de Austrália e do próprio Brasil, vistos como principais favoritos da chave. Meia do Milan, Thaísa atribuiu a força da seleção italiana ao entrosamento das jogadoras, que atuam em clubes do país. Das 23 convocadas, apenas uma joga no exterior.
 
“Eu vi algumas entrevistas falando sobre a Itália, que estava de volta à Copa depois de 20 anos, mas eu jogo lá e vejo o nível do campeonato, das jogadoras, tinha certeza de que Brasil, Itália e Austrália brigariam pelos primeiros lugares”, disse. Thaísa alertou para o meio de campo da equipe e para a jogadora Barbara Bonansea. A meia italiana é uma das três responsáveis pelos sete gols marcados pela Azzurra no torneio até o momento. Além dela, Aurora Galli e Cristiana Girelli, a artilheira do time com três gols, marcaram na Copa da França. As três são companheiras de time no Juventus FC e rivais diretas de Thaísa, atleta do Milan.
 
“É uma coisa muito interessante isso, porque elas se conhecem muito bem. Eu acho que o meio de campo é o coração. A Bonansea é uma jogadora muito competente e tem dado trabalho para as outras seleções”, alertou. Além da Juve, que conta com oito convocadas, o Milan tem seis atletas na Copa; a Roma e a Fiorentina, três cada uma; o Chievo Verona Valpo e o Florentia, uma.
 
Thaísa, no Milan desde 2018, confessou que ajudou a revelar detalhes da tática e do modo italiano de atuar. “Não digo que sou uma espiã, porque temos um grupo de analistas que tem avaliado a Itália, mas é lógico que eu dou umas dicas sobre algumas jogadoras e esse tipo de detalhes”, frisou. Ela formou o primeiro time feminino da história do Milan e foi a primeira brasileira a atuar na equipe. Desta vez, estará no lado oposto das seis companheiras de clube que defendem a seleção italiana. Com as adversárias de amanhã, conquistou o terceiro lugar do Campeonato Italiano, ao ficar atrás da Juventus e da Fiorentina.
 
Desta vez, a amizade ficará de lado. “‘Vai ser uma experiência diferente, será a primeira vez que jogarei contra elas, mas, dentro de campo, é rivalidade, e eu espero sair vencedora”, destacou. O desafio terá uma dificuldade extra. A brasileira, que divide o meio de campo com Formiga no time titular, não contará com a veterana diante da Itália. A camisa 8 do Brasil está suspensa da partida, após tomar dois cartões amarelos. “A Formiga é uma perda grande, mas a gente está numa Seleção e acredito que quem está no banco também é bem competente para entrar e não deixar esse nível cair”, avaliou.
 
A substituta de Formiga ainda não foi definida pelo técnico Vadão, mas o treinador só tem duas opções. Uma delas é a novata Luana, que faz sua estreia na Copa do Mundo da França. A outra é Andressinha, de 24 anos, que, apesar da pouca idade, atuou como titular do Brasil na Copa anterior, em 2015, e esteve na Olimpíada de 2016.
 
“‘Vai ser uma experiência diferente, será a primeira vez que jogarei contra elas, mas, dentro de campo, é rivalidade, e eu espero sair vencedora”
Thaísa, meia do Brasil
 
20 anos
Tempo que a Itália ficou sem disputar o Mundial
 
Espaço para mulheres
 
Veja quando os principais clubes italianos criaram equipes femininas
Fiorentina  2015
Juventus  2017
Milan  2018
Roma  2018
 
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Correio Braziliense Sunday, 16 de June de 2019

OS PRIMEIROS BRASILIENSES

 


O(s) primeiro(s) brasiliense(s)
 
 
Entre registros oficiais e relatos orais sobre a história da cidade, apontar qual foi a primeira pessoa nascida em Brasília não é uma tarefa simples

 

DEBORAH FORTUNA

Publicação: 16/06/2019 04:00

Brasília Góis, aos 10 anos: considerada a primeira pessoa nascida na capital
 (Arquivo/CB/D.A Press
)  

Brasília Góis, aos 10 anos: considerada a primeira pessoa nascida na capital

 

Para poucas cidades, a chegada de uma criança foi tão importante quanto para a Brasília que nascia em 21 de abril de 1960. Idealizada, projetada e depois construída em meio ao cerrado, a obra de Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Lucio Costa e milhares de candangos precisava se encher de gente para existir de fato. E nada mais simbólico para aquele momento que o primeiro bebê vindo à luz na nova capital.
 
Ciente da forte mensagem que passaria para o resto do Brasil, JK fez questão de anunciar os primeiros nascidos na cidade, chegando até mesmo a se tornar padrinho de alguns desses bebês, como fez com Brasília Maria Costa Góis, nascida na manhã da inauguração, por volta das 6h15. O prestígio dado pelo presidente, aliado ao fato de ela ter recebido o mesmo nome da capital, faz com que muitos afirmem, com convicção, que ela é a primeira brasiliense. No entanto, não é tão simples assim apontar qual foi a primeira pessoa a nascer no Plano Piloto.
 
E o motivo é simples. Com, literalmente, poucas horas de vida, Brasília não estava devidamente estruturada. Nada mais compreensível, portanto, que a documentação da época seja pouco confiável. “É difícil comprovar os nascimentos daquele ano porque não há muitos registros. Não dá para saber, na verdade”, explica João Carlos Amador, publicitário e um dos maiores pesquisadores sobre a história da capital. “Muitos candangos iam embora ou nem tinham documentos. Não havia controle, ainda mais de quem nascia aqui. E, quando se registrava oficialmente em cartório, era apenas anos depois”, completa o criador da página no Facebook Assim é Brasília.
 
Essa prática de registrar o nascimento de uma criança anos depois foi responsável pela sensação de injustiça que acompanhou Araguasselva Lira Fernandes Paniago durante toda a vida. Essa brasiliense conta que nasceu nos primeiros minutos de 21 de abril de 1960, na Vila do IAPI, no Núcleo Bandeirante. “Eu me lembro de minha mãe, já falecida, dizendo que era possível ver os fogos de artifício na hora em que estava parindo”, diz.
 
O problema é que o pai de Selva, como gosta de ser chamada, só a registrou quatro anos depois. E, quando o fez, informou que a data de nascimento era 20 de abril, conforme consta na certidão da hoje pastora. Sem o documento correto e sem a visita de JK, ela diz que passou a infância se sentindo triste com a atenção que via sendo dada a Brasília, a outra menina nascida no dia 21 e que veio a falecer em 2016, aos 56 anos. “Eu ficava entristecida porque eu poderia ter sido a primeira brasiliense, mostrada e chamada assim”, revela.
 
Fogos marcam a virada de 21 de abril de 1960: relatos falam de duas crianças nascidas nesse momento
 

Fogos marcam a virada de 21 de abril de 1960: relatos falam de duas crianças nascidas nesse momento

 

 
Brasiliano
 
Porém, mesmo que Selva conte que nasceu quando explodiam os fogos que anunciavam a virada do dia 20 para o 21 e marcavam o nascimento oficial da cidade, não é certo que ela seja mesmo a primeira criança a nascer na capital. Na história oral brasiliense, consta ainda outra criança nascida em meio ao foguetório: Brasiliano Pereira da Silva, vindo ao mundo em uma casa na mesma Vila do IAPI onde nasceu a pastora. “Assim que os fogos começaram a estourar, minha mãe entrou em trabalho de parto. Deu para ver tudo de casa”, contou Brasiliano, em entrevista ao Correio, em 2010. Como sua conterrânea Brasília, Brasiliano também foi visitado e apadrinhado por Juscelino, tornando-se conhecido como o primeiro menino a nascer na cidade.
 
Se a verdade, no entanto, é que talvez nunca se tenha certeza de quem seja o primeiro brasiliense, um fato é certo: passados 59 anos, Brasília, a cidade, contabiliza mais de 3 milhões de habitantes. Tornou-se a capital viva e pulsante pela qual Juscelino lutou e registra, segundo a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), mais de 44 mil nascimentos por ano. A cada dia, nascem 120 brasilienses, que estão aqui porque, antes deles, vieram Brasília, Brasiliano, Selva e tantos outros. Sejam os primeiros brasilienses ou não, esta capital deve a eles sua existência. E certamente lhes agradece.
 
Colaborou Fernando Jordão
 
A família de Selva sempre contou a ela que seu nascimento aconteceu na madrugada de 21 de abril: erro na certidão
 (Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press
)  

A família de Selva sempre contou a ela que seu nascimento aconteceu na madrugada de 21 de abril: erro na certidão

 

Transferência dos Poderes
À 0h de 21 de abril de 1960, o céu de Brasília se encheu de fogos de artifício. Segundo João Carlos Amador, foram três dias de inauguração, mas naquele momento Brasília foi considerada oficialmente inaugurada e os Poderes, transferidos para a nova capital. Tocaram-se sinos e soltaram-se fogos de artifício.
 
Brasiliano mostra a certidão de nascimento: uma das crianças apadrinhadas por JK (Adauto Cruz/CB/D.A Press - 22/04/2010
)  

Brasiliano mostra a certidão de nascimento: uma das crianças apadrinhadas por JK

 

Confusão de registros
 
A história de Brasília é tão repleta de detalhes curiosos que nem mesmo apontar qual foi a primeira criança cujo nascimento foi registrado na cidade é tarefa simples. Esse título já coube a outra afilhada de JK, Jussara Maria Oliveira Santos, que teve o nome foi escolhido por ser a junção de Juscelino e Sarah, a primeira-dama do Brasil à época.
 
De fato, ela é dona da primeira certidão emitida pelo 2° Ofício de Registro Civil e Casamentos, em novembro de 1960. No entanto, pouco depois de ser inaugurada, a capital ganhou dois cartórios. E, no 1° Ofício de Registro Civil e Casamentos, uma menina foi registrada antes de Jussara: Eliana Alves Franco, cujo nascimento em 3 de junho de 1960 ganhou certidão no dia 25 daquele mesmo mês.
 
“Meu pai teve que esperar abrir um cartório para poder me registrar”, conta ao Correio Eliana, filha do carioca Luiz Fernando de Andrade Franco e da portuguesa Olívia Alves Franco, que haviam chegado a Brasília em 1959. Apesar de ter se mudado para o Rio de Janeiro aos 18 anos, Eliana guarda na memória os tempos de criança. “A lembrança fica. Minha infância foi maravilhosa. Tinha muita liberdade, e a cidade era muito bonita. Todo mundo se conhecia aí”, recorda. (DF)
 
Nascido na cidade livre
Antes de ser inaugurada, Brasília se tornou o lar de muitos brasileiros que ajudaram a construí-la. Acomodados principalmente na Cidade Livre, os candangos rasgavam o cerrado, davam forma à nova capital e também formavam famílias. Se o critério adotado para apontar alguém como o primeiro brasiliense for ter nascido na área que hoje abriga o Núcleo Bandeirante, o título deveria ser de José de Moura Filho, nascido na madrugada de 12 de junho de 1957, filho dos goianos Malvina de Araújo Brito e José de Moura Brito. Em 2006, o Correio conversou com José e sua mãe, que contou ao jornal: “O moço (do carro de som) passou anunciando: ‘Primeiro bebê nascido na Cidade Livre’. Eu fiquei toda contente”.
 
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Correio Braziliense Saturday, 15 de June de 2019

AABB: ESPAÇO DE UNIÃO

 

Espaço de união
 
A segunda reportagem da série Clubes de Brasília apresenta a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB). Com 4,6 mil sócios, reúne histórias de amizade e solidariedade

 

ALAN RIOS
DARCIANNE DIOGO*

Publicação: 15/06/2019 04:00

Os 100 mil m² contam com oito quadras de tênis, quatro de vôlei, três de futsal, três ginásios poliesportivos, arena futebol e tênis de mesa, cinco piscinas e quatro campos de futebol, entre outros atrativos
 (Fotos: Minervino Júnior/CB/DA.Press
)  

Os 100 mil m² contam com oito quadras de tênis, quatro de vôlei, três de futsal, três ginásios poliesportivos, arena futebol e tênis de mesa, cinco piscinas e quatro campos de futebol, entre outros atrativos

 

Ao visitar um clube no meio da semana, é comum ver as quadras esportivas, as piscinas e os campos de futebol vazios. Mas, às terças-feiras, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), o cenário é diferente. Um grupo de crianças, entre 6 e 8 anos, se reúne para aproveitar as instalações e encher o local de vida. Os pequenos são estudantes do ensino fundamental e moradores da Vila Telebrasília. Vários deles sequer entraram em uma piscina antes. “Muitas vezes eu escuto: ‘Tio, esse foi o melhor dia, o mais feliz da minha vida!’ Ver isso me dá muito orgulho”, conta o presidente da AABB, Nelson Vieira. Essa é uma das iniciativas que faz a associação se considerar um clube diferente.
 
A história do espaço começa em 1928, com a primeira sede inaugurada, no Rio de Janeiro. Em 1960, surge a unidade na capital federal. A princípio, a ideia era criar um lugar de lazer para os funcionários do Banco do Brasil, mas, em 1991, o clube passou a receber toda a comunidade. Hoje, são 4,6 mil associados. Para chegar à atual estrutura, o espaço passou por grandes reformas. “Não tinha sede social, apenas algumas piscinas e quadra de tênis”, relembra o diretor. Espaço bem diferente dos 100 mil m², com oito quadras de tênis, quatro de vôlei, três de futsal, três ginásios poliesportivos, arena futebol e tênis de mesa, cinco piscinas, quatro campos de futebol, entre outros atrativos oferecidos aos associados atualmente.
 
O projeto social AABB Comunidade, que leva as crianças para conhecer o clube, é um dos orgulhos da associação. “Nós trazemos estudantes carentes para dentro do clube e damos lazer, esporte, música e reforço escolar. Eles visitam todos os espaços, mas sempre preferem ficar nadando”, diz o diretor. O programa é contínuo e as coordenadoras selecionam os participantes. De terça a sexta-feira, 150 crianças levam alegria ao local. O grupo se divide em dois: 75 delas vão pela manhã, almoçam e, em seguida, vão para a escola. O restante vai no período da tarde.
 
 
 
Tempo de relaxar
 
Na hora de decidir o programa da família dos momentos de descanso, nem passa pela cabeça de Valéria Thomaz, 54 anos, fazer algo diferente de aproveitar o sol e a companhia do marido e dos filhos para se divertir e relaxar ao ar livre, como fazia quando era pequena. “O que me faz bem é frequentar o clube e passar um bom tempo junto a minha família e meus amigos, brincando, jogando… Me preocupa ver que poucas pessoas das novas gerações têm esse hábito”, diz a servidora pública.
 
Associada à AABB desde 1983, Valéria enxerga o espaço como sua segunda casa, um lugar onde encontra a felicidade de se sentir viva. “Sou uma pessoa muito ativa, então, sempre fui de participar de todas as festividades e campeonatos esportivos. Até passei eu mesma a organizar muita coisa”, conta. Atleta de vôlei, ela faz questão de enfatizar a capacidade de um clube de unir as pessoas, tanto que já perdeu a conta de quantos amigos fez lá dentro e quantos vínculos viu se estreitarem ali.
 
“Certa vez, comecei a pensar em tantas mães que querem se sentir mais próximas dos filhos, mas eles só querem saber de videogame, tablet e essas tecnologias. Aí tive a ideia de fazer um torneio esportivo de mães e filhos. Fui atrás de patrocínios, mandei fazer troféus em forma de coração e foi um sucesso!”, celebra. Valéria conta que é nessas ocasiões que percebe como o ambiente certo pode fazer toda a diferença na vida de quem o frequenta. “A gente acabou virando uma só família ali dentro da AABB.”
 
 
 
Espírito de equipe
 
Não é à toa que o clube da Asa Sul tenha como marca o esporte. Além das quadras em ótimo estado e a força dos times formados nelas, é possível encontrar até nomes famosos entre os frequentadores. É o caso de Milton Setrini, 67, mais conhecido como Carioquinha. Referência para quem acompanhou o basquete brasileiro das décadas de 1970 e 1980, o armador  vestiu a camisa da Seleção Brasileira ao lado de Oscar Schmidt e tem em casa medalhas como a de ouro nos Jogos Pan-Americanos da Colômbia, em 1971. Hoje, ele treina qualquer pessoa que esteja disposta a brincar com a bola laranja na AABB.
 
“Frequento o clube quase todo dia e me sinto muito bem aqui. Como já rodei o país, fui a muitas associações do Banco do Brasil, mas essa aqui de Brasília foi onde me encontrei. Aqui, sinto um espírito esportivo muito bacana”, conta. Elogiando a organização do lugar, ele diz ainda que, quando se fala em esporte, o assunto não é só troféu e conquista. “Claro que não é todo mundo que vai virar atleta profissional. O objetivo é dar qualidade de vida para quem vem. É deixar os meninos se sentirem bem.”
 
Essa meta é diariamente alcançada. Carioquinha fez no DF amigos de todas as idades, desde as crianças que não eram nascidas à época do seu maior sucesso até fãs que viram os jogos dele pela tevê e hoje combinam encontros no clube. “É muito legal esse companheirismo. Tem vezes que eu mando mensagem perguntando quem vai para a AABB e a galera responde que já está lá. É como se fosse todo mundo de uma mesma equipe”, define.
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

O ex-jogador de basquete Milton Setrini, o Carioquinha, e a sócia Valéria Thomaz consideram o clube uma família  

O ex-jogador de basquete Milton Setrini, o Carioquinha, e a sócia Valéria Thomaz consideram o clube uma família

 

 
Associação Atlética Banco do Brasil (AABB)
  • Área: 100 mil m²
  • Associados: 4,5 
  • Idade: 59 anos
 
Como se associar
  • Há duas formas de se associar: associado efetivo e comunitário, ambos plano família. O associado efetivo custa R$ 163 e comunitário, R$ 243 mensais. A compra pode ser efetuada na sede da AABB, localizada na Asa Sul.

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Correio Braziliense Friday, 14 de June de 2019

À ESPERA DO INVERNO

 


À espera do inverno
 
A estação que está por vir divide opiniões entre brasilienses. O tempo seco e frio deve se intensificar nos próximos dias

 

» CAROLINE CINTRA

Publicação: 14/06/2019 04:00

Temperaturas durante o período devem variar de 13 ºC a 26 ºC (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Temperaturas durante o período devem variar de 13 ºC a 26 ºC

 



O inverno chega oficialmente em 21 de junho, mas os brasilienses já percebem a proximidade da estação mais fria do ano. As manhãs geladas têm feito os moradores da capital tirarem os casacos do guarda-roupa. O último sábado, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), registrou o período mais frio do ano até agora, com 10,6 ºC, durante a madrugada. Temperatura semelhante à que havia sido registrada em 25 de maio — 10,9 ºC.

Há quem goste do clima e esteja empolgado com a chegada da nova estação. Para outras pessoas, o período é de sofrimento. A analista financeira Izabel Cristina Lima, 33 anos, tem asma e, como o período de frio no Distrito Federal é mais seco, costuma passar mal. “Esse tempo piora tudo. Preciso sempre me hidratar mais, passar mais manteiga de cacau nos lábios, usar colírio, além de passar bastante creme na pele para não ressecar”, conta.

Para ajudar a espantar o frio, Izabel ainda intensifica a rotina de exercícios físicos e vai passar a ir mais à academia e, de segunda a sexta-feira, prefere descer nas paradas de ônibus distantes do trabalho, para caminhar um pouco mais. “Acho que ajuda bastante também a gente se movimentar. Apesar de não gostar do clima, acredito que este ano fará mais frio do que no ano passado, infelizmente”, opina a analista.

Nascida na capital do sol, Fortaleza, a assistente administrativa Luzia Uchôa, 53, lembra que, quando chegou ao DF, sofreu com a diferença climática. Por isso, desde que os sinais de frio começaram a aparecer, no início do mês, ela se agasalha bem para sair de casa, em Samambaia Sul, e ir ao trabalho, no Setor Bancário Norte. “Eu não gosto desse clima e ainda não me acostumei. Por enquanto, ainda está bom, mas estou com medo do que nos aguarda nos próximos dias”, relata.

Diferentemente da nordestina, a copeira Cleia Rodrigues, 36, não via a hora de o frio chegar para colocar em prática a programação para a estação: sofá, pantufa e filmes e séries. “O clima fica muito mais agradável para fazer tudo. A gente que mora em Brasília já está acostumado a receber todas as estações. Passamos pelo calor, chuva e agora é o frio. Não me incomoda nem um pouco”, garante.

O operador comercial Gabriel Gonçalves, 24, também prefere o frio. Para ele, o clima fica mais agradável, apesar da seca e das dificuldades respiratórias que sofre devido à asma. “Uso mais a minha bombinha, jaquetas e blusa de frio”, conta. No entanto, ele não acredita que o inverno seja mais intenso que nos anos anteriores. “Acredito que a situação será inversa. Vai ficar cada vez mais seco, mais quente.”

Clima

A professora de geografia da Universidade de Brasília (UnB) Ercília Steinke explica que, na região Centro-Oeste, de forma geral, o inverno predomina uma massa de ar seca, devido à falta de nuvens, o que causa a perda rápida do calor e, por isso, as noites costumam esfriar bastante. “A massa fria avança do Sul ao Centro-Oeste. Isso torna o clima da nossa região diferente das outras. No Sul, não tem estação seca, no Nordeste, agora, chove e, na Amazônia, região Norte, chove sempre e tem umidade do ar alta”, esclarece.

A previsão do Inmet é de que o inverno em Brasília fique dentro da normalidade. A meteorologista Nayane Araújo afirma que o esperado é um período seco e com pouca chuva, no entanto, a possibilidade de precipitações não é totalmente descartada. “A previsão é de que chova eventualmente”, afirma. A especialista prevê ainda que a aproximação de frentes frias possa causar, eventualmente, inversão da temperatura — em vez de manhãs mais frias, as tardes podem registrar índices mais baixos nos termômetros.

Beleza

Algumas características marcam o início da estação fria e a seca no DF, entre elas, a florada dos ipês, árvores típicas do cerrado. Quem passa pelos eixos Norte e Sul pode contemplar a beleza dos ipês-roxos, os primeiros a florir. Depois, os amarelos e os brancos devem brotar, em julho, seguidos do rosa, que chega no fim de agosto. “É uma beleza passar por elas (as árvores) na ida ao trabalho. Deixam a cidade mais bonita e ainda combinam com o céu, que também fica espetacular nessa época. Não gosto muito do inverno, é frio demais, mas a beleza que traz à cidade é incomparável”, declara a servidora pública Mariana Coimbra, 37.
 

"Eu não gosto desse clima e ainda não me acostumei. Por enquanto, ainda está bom, mas estou com medo do que nos aguarda nos próximos dias" Luzia Uchôa, assistente administrativa

 


 

"Esse tempo piora tudo. Preciso sempre me hidratar mais, passar mais manteiga de cacau nos lábios, usar colírio, além de passar bastante creme na pele para não ressecar" Izabel Cristina Lima, analista financeira

 


 

"Acredito que a situação será inversa. Vai ficar cada vez mais seco, mais quente" Gabriel Gonçalves, operador comercial

 



Você sabia?

O dia que registrou a temperatura mais baixa na história do DF foi 30 de junho de 1985, com 1 ºC. No mesmo ano, em 31 de julho, foi registrada a segunda temperatura mais baixa na capital — 1,6ºC.




Previsão

Saiba como deve variar a temperatura neste e nos próximos meses
Junho:     min. 13,9 ºC     máx. 25 ºC
Julho:     min. 13,7 ºC     máx. 25,3 ºC
Agosto:     min. 15 ºC     máx. 26,9 ºC

Fonte: Inmet

 

"A gente que mora em Brasília já está acostumado a receber todas as estações. Passamos pelo calor, chuva e agora é o frio. Não me incomoda nem um pouco" Cleia Rodrigues, copeira

Jornal Impresso

 


Correio Braziliense Thursday, 13 de June de 2019

DEVOÇÃO AO SANTO CASAMENTEIRO

 

Devoção ao santo casamenteiro
 
 
Fiéis confiam a Santo Antônio pedidos os mais diversos: da ajuda para encontrar o par perfeito ao documento perdido. O dia dele, celebrado hoje, é momento de agradecer

 

» BRUNA LIMA

Publicação: 13/06/2019 04:00

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Carlos Antônio, frade da Paróquia Santo Antônio (Ed Alves/CB/D.A Press)  

É o santo das necessidades, aquele que intercede e não deixa nada faltar – Carlos Antônio, frade da Paróquia Santo Antônio

 



Dizem que uma das melhores formas de encontrar a pessoa amada é pedindo a Santo Antônio. O frade português ganhou o título de santo casamenteiro porque ajudava mulheres humildes que não tinham condições de oferecer dote e enxoval. Também é conhecido, no entanto, por defensor da família, protetor dos pobres e das coisas perdidas.

No caso de Marta Helena Rodrigues da Cunha, 79 anos, a crença em Santo Antônio veio de berço. “Minha avó passou para minha mãe, que passou para mim. A gente é tão próximo desde sempre que tudo o que eu peço para ele, dá certo. Quando o pessoal se desespera porque perdeu alguma coisa ou porque está precisando de uma graça, eu só falo na maior tranquilidade: ‘Mas para quê essa agonia? Calma que é só pedir a Santo Antônio que ele dá’”, conta.

Marta atribui não só o próprio casamento ao consagrado, como a união dos seis filhos, além de cada pequena conquista do dia a dia. A fé vale para achar do par perfeito ao documento perdido. E quanto mais o tempo passa, mais a relação entre ela e o frade franciscano se torna próxima. A casa de Marta fica a menos de 500 metros da paróquia que tem o santo como padroeiro. Nessa igreja, os filhos se casaram, os netos foram batizados e o aniversário de 70 anos do falecido marido, Vicente de Paula, celebrado.

“A primeira festa junina a gente quem começou. O quentão minha mãe fazia e o churrasquinho, era meu marido. Por muitos anos, trabalhamos juntos nas barraquinhas da festa, que hoje é a mais famosa de Brasília. Minha vida é toda Santo Antônio”, afirma Marta, orgulhosa.

É tanta devoção que fica difícil saber se é na casa de Marta ou dentro da paróquia onde há mais imagens do frade canonizado. São mais de 200 estátuas, medalhas, quadros e bonequinhos de pelúcia de Santo Antônio reunidas na sala da fiel—  presentes dos filhos, de familiares e de amigos que sabem que não há erro nem exagero quando se trata do protetor dos relacionamentos. “Sou apaixonada pelo santo dos apaixonados”, afirma.

No Brasil, a fama do congregado franciscano tem relação, inclusive, com o Dia dos Namorados. É às vésperas da data que homenageia Santo Antônio, em 13 de junho, que ocorre a tradicional missa em que casais agradecem a união.

Marta Helena confia no santo para tudo e passou a tradição para os filhos (Ed Alves/CB/D.A Press)  

Marta Helena confia no santo para tudo e passou a tradição para os filhos

 



Da fé à simpatia
 
O músico Ricardo Macau, 30 anos, passou os últimos cinco anos focado na profissão e nos estudos até que, certo dia, decidiu pedir ao santo ajuda para encontrar uma companheira. “Brinco que já casei Brasília inteira por tocar há mais de 10 anos em cerimônias. Eu, que é bom, nada. Então, acendi uma vela e pedi a Santo Antônio para encontrar uma pessoa legal. Confesso que não rezei com tanta fé e, mesmo assim, ele me atendeu rápido. Agora, vou continuar pedindo para que o relacionamento prospere”, relata o músico.

Mas há quem perca a paciência e acrescente à reza as famosas simpatias. A estudante de enfermagem Mariana Ferreira, 30, resolveu fazer isso depois de ganhar uma imagem de uma amiga. “Nem ia fazer nada, mas liguei a televisão no dia 13 (de junho) e vi a simpatia de tirar a criança do colo dele e colocá-lo no arroz, que é símbolo do casamento. Três dias depois, conheci o Herick. Deixei o santo lá no copo de arroz por quase um ano, com medo de ele tirar meu namorado de mim”, conta, rindo. A estudante e o empresário Herick Ferreira, 32, completam um ano de matrimônio hoje, uma homenagem ao santo que os uniu.

A data também foi marcante na vida da médica Yanna Mattos, 43. Foi neste dia, enquanto trabalhava na barraquinha da festa junina da Paróquia Santo Antônio, 15 anos atrás, que ela foi pedida em casamento pelo advogado Miguel Mattos, 44. “Só um milagre do santo casamenteiro mesmo para ele me pedir a mão”, brinca Yanna.

“A gente sabe que ele sempre esteve em nossas vidas e operando no nosso casamento, porque foi na paróquia que nos aproximamos desde adolescentes, participamos de movimentos jovens, nos casamos, batizamos nossos filhos e atuamos como palestrantes e dando curso de noivos. Já fomos, inclusive, visitar o túmulo dele, em Pádua”, detalha.

Para o casal, a contribuição de Santo Antônio para os católicos vai além das características que o tornaram conhecido no Brasil. “Ele era um grande estudioso, teólogo e contemporâneo de São Francisco. Queria ir à África em missão, mas a fragilidade de sua saúde fez com que ele contribuísse por meio da pregação, sempre humilde e pensando na família e nos mais necessitados. É esse exemplo de Santo Antônio que nos inspira”, observa Miguel.
 
História
 
Santo Antônio era doutor em teologia em uma época em que o acesso aos estudos era privilégio de poucos. Entrou aos 15 anos para o seminário, seguindo a ordem agostiniana. Aos 20, teve contato com a história dos frades franciscanos que foram mártires no Marrocos e decidiu que também queria dar a vida pela palavra de Deus, ingressando, assim, na ordem franciscana. “Ele foi o primeiro professor de teologia dos frades. Era uma pessoa estudada, um doutor, que tinha a vocação para a humildade”, explica o frei Carlos Antônio, frade da Paróquia Santo Antônio.

“É o santo das necessidades, aquele que intercede e não deixa nada faltar. As pessoas se abrem para as possibilidades, por meio da fé e alcançam graças e milagres de todas as espécies com a ajuda do santo casamenteiro, dos pobres, de todo o mundo”, resume o religioso.

Miguel e Yanna Mattos com os filhos: pedido de casamento no dia do santo, há 15 anos (Carlos Vieira/CB/D.A Press)  

Miguel e Yanna Mattos com os filhos: pedido de casamento no dia do santo, há 15 anos

 



Programe-se
 
Paróquia e Escola Santo Antônio
SQS 911, Bloco B
 
Missas
Hoje —  6h, 7h15, 10h, 12h, 15h (missa da saúde), 17h, 18h30 e 20h
Amanhã — Missa Sertaneja, às 19h
 
Festa junina (com barraquinhas de comidas típicas e shows)
Entrada: R$ 10 (crianças até 10 anos não pagam)
Hoje e amanhã, a partir das 18h
Sábado e domingo, a partir das 11h

Correio Braziliense Wednesday, 12 de June de 2019

AMOR ESCRITO NAS PÁGINAS DO JORNAL

 


Escrito nas páginas do jornal
 
 
Casal que se encontrou graças a um anúncio nos classificados celebra mais de 30 anos de união e relembra a história de amor com início inusitado

 

» ALAN RIOS

Publicação: 12/06/2019 04:00

O anúncio 
de Luseni foi publicado 
na seção de recados pessoais dos Classificados do Correio em 1988. Entre 
13 cartas, a de Edílson a tocou mais (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)  

O anúncio de Luseni foi publicado na seção de recados pessoais dos Classificados do Correio em 1988. Entre 13 cartas, a de Edílson a tocou mais

 



 (Cedoc/Correio Braziliense)  


Edílson Machado, 70 anos, não esquece o dia 28 de fevereiro de 1988. Naquela data, um anúncio no jornal mudou sua vida. Ele não achou uma casa para alugar, como queria, nem um carro novo ou uma oportunidade de emprego. Encontrou o amor. “Você que está só e procura um relacionamento sério, que tenha de 36 a 46 anos, seja sincero, honesto, leal. Estou a tua procura… Sou solteira, 33 anos, 1,65m, 60 kg, olhos e cabelos castanhos”, diziam as palavras impressas. O comunicado não tinha nome nem telefone. Quem quisesse se candidatar deveria confiar na descrição da mulher e enviar uma carta para a Caixa Postal 14.2301. Edílson não pensou duas vezes. Hoje, ele se orgulha em contar que foi assim que conheceu a companheira de vida.

A dona do anúncio era Luseni do Espírito Santo, hoje 64. “Eu não tinha muita vida social, minha vida era trabalho e casa, só. Era difícil conhecer alguém assim. Então, me veio essa ideia”, conta ela, que trabalhava como gerente financeira em uma empresa. Mas o atual companheiro, então gerente de recursos humanos, não foi o único pretendente. A aposentada recusou 13 cartas que chegaram ao seu endereço, algumas oferecendo ótimas condições financeiras. “Teve até um capitão do exército, bem de vida, que queria uma companheira para ficar em casa, mas eu não ia largar meu emprego para isso. Aí eu li a carta do Edílson e ela me chamou a atenção. Não sei se foi pela letra, que era bem bonita, mas senti que era ele que eu queria.” O homem brinca: “Eu era mais esperto, por isso ela não escolheu os outros”.

Os dois começaram a conversar por correspondências, muito formais e respeitosos. Falavam sobre os trabalhos de cada um, o que gostavam de fazer e o que pensavam sobre a vida. Ela começou a sentir mais liberdade nos diálogos e eles deram um passo a mais semanas depois: começaram a se telefonar. O primeiro encontro só veio um mês após o anúncio, mas se engana quem acha que os dois tiveram paciência para esperar. “Não me aguentei e mandei um funcionário meu entregar uma carta pessoalmente para ela. Vai que era uma senhora de 70 anos se passando por uma novinha? Mas aí ele voltou e disse ‘pode confiar!’”, lembra o aposentado. Edílson diz até que correu muito risco, pois seu enviado poderia ter se apaixonado pela beleza que viu.
 
À primeira vista
 
Como nas histórias de amor da literatura clássica, o romance dos dois também teve “tragédias”. No primeiro encontro, planejado durante muito tempo, nada saiu como o previsto. O pretendente morava em Valparaíso e ela, no Guará, cidade desconhecida para ele. “Era um domingo e eu não tinha carro, então peguei um ônibus, desci na parada errada e fiquei totalmente perdido lá”, conta. Em uma época em que o celular era artigo de luxo, objeto exclusivo de estrangeiros, ele não conseguiu comunicar o atraso. Luseni achou que o relacionamento teria um fim antes mesmo do começo.

“A gente tinha marcado de ele ir lá em casa às 16h, mas demorou muito e aquilo foi me desanimando demais. Fiquei tão decepcionada que me desarrumei toda e fui para o quarto. Coloquei uma camisola e fiquei lá, triste, toda bagunçada”, lembra. Minutos depois de se deitar, a campainha dela tocou. “Era o Edílson! Eu o vi pela primeira vez e o achei tão lindo. Mas eu estava lá daquele jeito, desleixada.” A roupa de dormir não assustou o homem, mas ele também não estava pronto para o que viu. “Cheguei à casa dela e estava a família toda reunida. Os pais, irmãos, amigos dos parentes... todo mundo. Parecia que tinham preparado uma recepção para eu entrar e não escapar mais de lá”, conta.

O casal manteve a calma nos outros encontros. Quando se viam, andavam de mãos dadas, conversavam e se abraçavam quando queriam demonstrar que o amor estava crescendo. Antes do primeiro beijo, ele foi até o futuro sogro e pediu Luseni em namoro. “Aí, uns três ou quatro meses depois, quando menos esperava, apareceu o Edílson lá em casa de mala e cuia”, lembra ela. O companheiro se defende: “Era um sofrimento danado sair de Valparaíso para o Guará para me encontrar com ela, então, não era melhor a gente parar de ser besta e morar juntos logo? Fiz minha trouxinha de roupas e fui mesmo”.
 
Paciência e respeito
 
Passaram-se 31 anos desde o anúncio e a mudança. Hoje, os dois dão aula de como manter o amor mesmo depois de décadas de convivência. Com um filho de 25 anos, o casal se divide entre uma chácara no interior de Goiás e a casa em Samambaia. Brincando um com o outro quase o tempo todo, eles só ficam sérios quando explicam o motivo de a relação ter dado certo. “Eu sempre a respeitei e nunca a tratei mal. Relacionamento não tem receita, mas isso fez bem para a gente. Agora, eu me considero um cara rico, mesmo com pouco dinheiro”, declara ele. Luseni completa: “Quando escrevi o anúncio, eu queria alguém para me amar. E encontrei!”.
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Tuesday, 11 de June de 2019

COPA DO MUNDO DE FUTEBOL FEMININO DA FRANÇA: FORMIGA E FOWLERTERANA E A CAÇULINHA

COPA FEMININA
 
No ano em que você nasceu...
 
Segundo jogo do Brasil pode colocar em cartaz duelo entre a jogadora mais velha e a caçula do torneio. Formiga disputava o Mundial pela terceira vez quando a australiana Mary Fowler estava na maternidade

 

MAÍRA NUNES
MARIA EDUARDA CARDIM
Enviadas especiais

Publicação: 11/06/2019 04:00

 (matildas.footballaustralia.com.a)  


 (Jean-Pierre Clatot/AFP )  


    
Montpellier (França) — Na estreia do Brasil na Copa do Mundo da França, Formiga fez história ao bater o recorde como a jogadora mais velha a disputar o torneio. Aos 41 anos, ela participa da sétima competição na carreira. Após a vitória sobre a Jamaica, por 3 x 0, o segundo confronto da Seleção Brasileira, na quinta-feira, terá um duelo de gerações. Formiga enfrentará a Austrália, da caçula do Mundial Mary Fowler, de apenas 16 anos.

Fowler joga no Bankstown City da Austrália com as outras duas irmãs e um irmão. A atleta vem de uma família envolvida com o futebol. Os quatro praticam a modalidade. Inexperiente em grandes competições, a adolescente de 16 anos tem relação com o Brasil. A estreia pela seleção foi contra o time de Vadão, em 2018, no Torneio das Nações de Futebol Feminino. Na partida, a Seleção Brasileira perdeu por 3 x 1 para a Austrália.

Apesar da façanha de compor o elenco de uma equipe forte como a australiana em uma Copa do Mundo, antes mesmo de Fowler sonhar em jogar futebol, outras atletas abriram esse espaço para a modalidade feminina. No ano em que a talentosa atacante australiana nasceu, Formiga disputava a terceira Copa do Mundo dela. Tinha 25 anos na edição de 2003, nos Estados Unidos. Na época, o Mundial ainda contava com 16 equipes. Agora, são 24 desde a última versão, em 2015.

Por sinal, no Mundial de 2003, outras atacantes que se tornariam referência no futebol mundial estreavam na Copa. Marta e Cristiane tinham 17 e 18 anos, respectivamente, quando disputaram o torneio pela primeira vez. Cinco edições depois, Marta carrega o status de maior artilheira da história da competição, com 15 gols, sem ainda ter entrado em campo na França. Cristiane atualizou a coleção de gols ao marcar três vezes na estreia do Brasil diante da Jamaica, e assumir a vice-artilharia, com 10 gols.

Prestes a fazer história na Copa, Fowler teme que a trajetória da nigeriana Ifeanyi Chiejive se repita. Ela foi a jogadora mais nova a ser convocada para a Copa do Mundo, em 1999, mas não entrou em campo. Tanto o recorde de se tornar a mais jovem a jogar o torneio quanto o encontro com Formiga estão ameaçados. A australiana se recupera de lesão sofrida no treino das Matildas — apelido das Austrália — na última sexta-feira. Fowler voltou a aparecer no treino, mas ficou no banco com o restante do grupo, sem participar do trabalho.

Ao jornal, The Sydney Morning Herald, o técnico Ante Milicic afirmou ser uma situação temporária. “Aparentemente, é só uma precaução. Ela sentiu um incômodo no músculo. Eu não vou arriscar uma garota de 16 anos de idade”, disse. No primeiro jogo da seleção australiana, a jovem atacante não foi relacionada e ficou fora até do banco da Austrália.

Mesmo sem saber se terá condições de jogo contra o Brasil, Fowler pode sentir-se realizada. Filha de um irlandês, a jogadora encontrou problemas para consolidar a convocação no país em que nasceu. Kevin Fowler, o pai dela, gostaria que a australiana jogasse na Irlanda e atuasse com os irmãos, Quivi e Ciara, que jogaram nas categorias de base de times irlandeses.

Juventude
Cristiane roubou a cena em Grenoble, mas, do lado jamaicano, uma jovem jogadora assumiu o protagonismo. A goleira Sydney, de 19 anos, defendeu pênalti de Andressa Alves, camisa 10 do Barcelona, e evitou uma goleada ainda maior. Sydney, que ainda é universitária, defende a equipe mais jovem da competição.

O elenco da Jamaica, estreante em Copas do Mundo, tem média de 23 anos. Em compensação, os Estados Unidos, maiores campeões mundiais com três títulos, levaram para a França a equipe mais experiente das 24, com 28,52 anos. A atacante Carli Loyd é a mais velha do elenco norte-americano, que conta com 12 atletas nascidas na década de 1980. O Brasil segue logo atrás e tem a ajudinha de Formiga para elevar a média a 27,5 anos.

Após a primeira rodada, o Brasil está na liderança do Grupo C da Copa do Mundo em função da vitória por 3 x 0 contra a Jamaica. A Itália também ganhou, mas fica em segundo pelo saldo de gols menor. Na segunda rodada, as brasileiras enfrentam a Austrália, terceira colocada. As italianas pegam a Jamaica. O Brasil fez um treino só com as reservas ontem de manhã, ainda em Grenoble, e foi de ônibus no início da tarde para Montpellier, onde jogará a segunda rodada. A seleção comandada por Vadão volta a treinar hoje à tarde.




 (Kenzo Tribouillard/AFP)  


Destaque do dia

Milagre argentino 

A Argentina, de Augustina Barroso (foto), conquistou seu primeiro ponto na história do Mundial Feminino de Futebol, ao empatar, ontem, com o Japão, em Paris, pela rodada inicial do Grupo D. Com o resultado, as duas seleções dividem a segunda posição da chave, liderada pela Inglaterra, que venceu a Escócia no domingo por 2 x 1. Com forte marcação em seu campo, as argentinas conseguiram anular boa parte das jogadas articuladas pelas adversárias e pouco se aventuraram no campo de ataque, demonstrando desde o início que o empate era o objetivo principal.



41
Anos tem Formiga, 25 mais velha do que a australiana Mary Fowler foto (E), de 16.
 
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Correio Braziliense Monday, 10 de June de 2019

PENTECOSTES - CELEBRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO - UNIDOS PELA FÉ

 

Unidos pela fé
 
 
Último dia de Pentecostes atrai pessoas de diferentes regiões do Brasil no Taguaparque para celebrar o Espírito Santo: 21ª edição do evento foi marcada por testemunhos e agradecimentos por graças alcançadas

 

ALAN RIOS

Publicação: 10/06/2019 04:00

Marisete da 
Silva foi uma das primeiras fiéis a chegar ao parque: queria agradecer pela mãe ter sido curada de um câncer
 (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Marisete da Silva foi uma das primeiras fiéis a chegar ao parque: queria agradecer pela mãe ter sido curada de um câncer

 



Egeni Almeida fez questão de acompanhar o evento desde o primeiro dia: %u201CParticipar disso tudo faz com que a gente abra ainda mais o coração a Deus%u201D (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Egeni Almeida fez questão de acompanhar o evento desde o primeiro dia: – Participar disso tudo faz com que a gente abra ainda mais o coração a Deus.

 



Ricardo Santos sempre teve curiosidade de ir ao evento porque via 
os adesivos nos carros das pessoas (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  

Ricardo Santos sempre teve curiosidade de ir ao evento porque via os adesivos nos carros das pessoas

 



Em volta de uma multidão, cada fiel presente no último dia de Pentecostes fechou os olhos e sentiu o mesmo: a presença do Espírito Santo é marca dos domingos da celebração de três dias que teve fim ontem. Em uma missa que começou às 16h  e seguiu até as 21h, o público de 1 milhão de presentes — segundo os organizadores — pôde cantar louvores, ouvir a palavra de Deus pela voz do padre Moacir Anastácio e presenciar testemunhos de quem teve a vida transformada pela fé.

Transformação é a palavra-chave de um dos momentos mais emocionantes de Pentecostes. Em cada um dos três dias de evento comemorado no Taguaparque, em Taguatinga, os católicos levaram uma vela, que simbolizam Pai, Filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade da Igreja. O objeto é abençoado ao final das missas para que quem acenda essa chama possa receber uma graça divina.

As bênçãos alcançadas pelas velas surpreende. Carlos Roberto Monteiro, 40 anos, conta que foi por elas que teve a maior felicidade de sua vida, depois de um dos momentos mais difíceis: “Minha filha nasceu com uma fenda na boca e passou por muitas complicações. Teve parada cardíaca, foi entubada e a situação piorou tanto que os médicos chegaram a chamar um padre para batizá-la, acreditando que ela não teria mais chance de sobreviver.” Mas ele e toda a família confiaram no poder das orações.

“Acendemos as velas de Pentecostes e as coisas mudaram. Nunca esqueço que minha cunhada estava assistindo à missa do padre Moacir pela internet, no hospital, no dia da cirurgia dela. O padre disse, naquela cerimônia, que Deus tinha dado a ele uma revelação de que uma mulher estava acompanhando a missa do celular, porque aguardava um procedimento cirúrgico muito delicado de um familiar. Mas contou que ela poderia ficar tranquila, pois teria a graça da melhora”, garante Monteiro. A operação foi um sucesso e deixou os médicos surpresos. Hoje, a bebê de 34 dias está em casa, “melhor do que nunca”, segundo o pai.

Os problemas de saúde curados motivam grande parte dos testemunhos. Marisete da Silva, 43, foi uma das primeiras fiéis a chegar ao parque, às 8h. Ela carregou a filha, Manuela, de oito meses, nos braços até o final da missa à noite. “Quando lembro que minha mãe acabou curada de um câncer no intestino por conta das velas de Pentecostes, vejo que passar esse tempo todo na celebração não é sacrifício, mas uma bênção”, diz a secretária. De acordo com ela, quem atendia a paciente no hospital chegava a dizer que só um milagre a salvaria da doença. “Mas nem quimioterapia ela precisou fazer”, contou.


 (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  



Maior celebração
O Pentecostes está na sua 21ª edição neste ano, sempre movendo fiéis de dentro e de fora do DF. “Esse é o maior evento de Pentecostes do mundo, então, nós recebemos gente de todo  canto. Já vimos gente do Canadá, dos Estados Unidos e até do Japão, que voltam anualmente por conta das graças recebidas”, afirma o coordenador geral, Wberthyer Araújo. Nas contas da produção, foram 3 milhões de pessoas presentes nos três dias de missas. Os números de quem fez tudo acontecer também são altos. Foram mais de 2 mil funcionários trabalhando de forma voluntária na festa cristã.

O tamanho da celebração só não parecia ser maior do que o da fé de cada um. Apesar da dificuldade de se locomover com os dois filhos cadeirantes, Egeni Almeida, 38, fez questão de acompanhar o evento desde sexta-feira, o primeiro dia. “Participar disso tudo faz com que a gente abra ainda mais o coração a Deus e receba sua presença. Então, eu e minha família passamos pelas barreiras com facilidade. Elas acabam sendo menores do que nossa devoção.”

A dona de casa participa todo ano de Pentecostes, mas a missa também recebe quem só ouvia falar das graças, como Ricardo Santos, 29. “Eu sempre tive curiosidade de vir, porque via os adesivos nos carros das pessoas dizendo que foram renovadas, e ouvia muita gente contar dos testemunhos. Apesar de, às vezes, me vir aquela desconfiança em relação às histórias, aqui eu pude alimentar ainda mais minha fé”, declarou. O trabalho para organizar a celebração é tanto que quem está à frente do projeto fica até 10 meses orquestrando tudo. “A gente brinca que, quando acaba uma edição, já pensamos na outra”, diz Wberthyer.
 
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Correio Braziliense Sunday, 09 de June de 2019

SELEÇÃO FEMININA DE FUTEBOL: ESTREIA SEM MARTA NO MUNDIAL DA FRANÇA

 


COPA FEMININA
 
Nada fácil na vida das guerreiras
 
Seleção Brasileira estreia contra a Jamaica, hoje, em Grenoble. Vindo de nove derrotas seguidas e sem a estrela Marta, equipe nacional terá de se superar em busca do inédito título mundial

 

MARIA EDUARDA CARDIM
MAÍRA NUNES
Enviadas especiais

Publicação: 09/06/2019 04:00

 
Aos 41 anos, a veterana Formiga será uma das referências do time em campo neste domingo (Assessoria/CBF
)  

Aos 41 anos, a veterana Formiga será uma das referências do time em campo neste domingo

 




Paris — De um lado, um estreante em Copas do Mundo. De outro, uma nação conhecida como o país do futebol, que participou de todos os Mundiais. O jogo de hoje entre Jamaica e Brasil fecha a primeira rodada do grupo C e, apesar de toda a experiência da Seleção Brasileira, a partida no Stade des Alpes, em Grenoble, às 10h30, tem cara de primeira vez para a equipe do técnico Vadão. Marta, a maior referência do time, não jogará na estreia — algo inédito na história da jogadora no torneio.

Nos quatro Mundiais que disputou, a brasileira entrou em campo nos 18 confrontos do Brasil na competição e marcou 15 gols, tornando-se a maior artilheira da competição. Logo na edição em que estreou na Copa, em 2003, a alagoana anotou três gols. Na competição seguinte, Marta se consagrou mundialmente. Foi eleita a melhor jogadora da Copa de 2007, ajudando a levar o Brasil à única final que a Seleção disputou — perdeu a decisão para a Alemanha — e foi eleita a melhor do mundo pela segunda vez na carreira. Na Copa de 2011, a camisa 10 brasileira balançou as redes quatro vezes e completou a lista em 2015, com mais um gol.

No entanto, a situação atual é bem diferente dos anos anteriores. Há 15 dias, Marta não participa dos treinos com o grupo. A jogadora do Orlando Pride sentiu uma dor da região posterior da coxa esquerda em um treino da Seleção, na aclimatação para o Mundial em Portugal, em 24 de maio. Além de fisioterapia, a alagoana realiza um trabalho de transição para o campo com bola, separada do elenco principal. Ainda assim, o mistério se ela atuaria na estreia foi encerrado apenas ontem, quando a comissão técnica confirmou o desfalque contra a Jamaica.

Contar com uma craque é o sonho de qualquer equipe, mas ser dependente dela é um risco grande para uma competição como a Copa do Mundo, ainda mais quando há no histórico recente nove derrotas seguidas durante a preparação para a competição. Contestada por essa dependência de Marta, a Seleção Brasileira terá de provar o contrário na oitava edição do Mundial.

A gaúcha Mônica, 32 anos, herdará o posto de capitã da Seleção Brasileira. A zagueira do Corinthians assume a braçadeira na segunda Copa do Mundo dela. Além da ausência de Marta na estreia, a Seleção sofreu três cortes ainda no período de treinos. Adriana, Fabiana e Érika deixaram o elenco após a convocação por causa de lesões. “Acho que, na hora que rolar a bola, toda essa ansiedade da equipe vai por água abaixo e conseguiremos fazer uma boa estreia”, aposta a veterana Cristiane, atacante que disputará o quinto Mundial. Força de vontade em campo, as jogadoras prometem que não faltará. Uma vitória sobre a Jamaica, considerada a rival mais fraca do Grupo C, é fundamental para os planos do Brasil de avançar para as oitavas de final.



Destaque do dia

Jenni Hermoso

A Espanha venceu a África do Sul por 3 x 1, ontem, e tomou a liderança do Grupo B da Alemanha. A atacante Jenni Hermoso, do Atlético de Madrid, marcou os dois primeiros gols da Fúria em cobranças de pênalti, enquanto Lucía García fez o terceiro. Thembi Kgatlana descontou para o time sul-africano. Apesar da vitória, a equipe europeia foi para o intervalo perdendo por 1 x 0. No segundo tempo, no entanto, a frieza e a precisão de Jenni Hermoso foram essenciais para construir a virada. Aos 25 e 38 minutos, a atacante cobrou penalidades de forma certeira e garantiu o triunfo espanhol na estreia no Mundial.
 
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Correio Braziliense Saturday, 08 de June de 2019

SERGUEI: ROQUEIRO DE CORPO E ALMA

 


OBITUÁRIO
 
Roqueiro de corpo e alma
 
 
Serguei, icônico e debochado personagem da cena musical brasileira, morre aos 85 anos no Rio de Janeiro

 

» Devana Babu*
» Vinícius Veloso*

Publicação: 08/06/2019 04:00

 (Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 9/6/10)  
 
Uma das figuras mais conhecidas e queridas do rock nacional morreu ontem no Rio de Janeiro. Sérgio Augusto Bustamante, ou simplesmente Serguei, não resistiu a complicações decorrentes de uma série de problemas de saúde, incluindo pneumonia, anemia e quadros de infecção. Aos 85 anos, ele estava internado no Hospital Regional Doutora Zilda Arns desde 6 de maio.  O artista viveu parte da infância nos Estados Unidos e lá desenvolveu o sentimento pela música. Iniciou a carreira em 1966, em terras norte-americanas, seguindo a estética do rock no mundo: cabelos longos, roupas rasgadas e apresentação de clássicos do gênero.
 
Sua discografia, magérrima como ele, nunca foi sucesso de crítica ou de vendas. Mas a personalidade exuberante e as histórias fizeram dele o astro do rock que ele era. Ficou conhecido, entre outras coisas, por ter ido ao festival de Woodstock, ter um misterioso romance com Janis Joplin, frequentado festas com Jimi Hendrix e Jim Morrison, além de “fazer amor” com árvores.
 
Após retornar ao Brasil, entre os anos de 1960 e 1980, gravou uma série de compactos, entre os quais As alucinações de Serguei (1966), Eu sou psicodélico/Maria Antonieta sem bolinhos(1968) e Orange (1969). Adotou o apelido Serguei, que ganhou de um amigo que viajou para a Rússia. A partir daí, participou de programas de tevê, como os de cultuados apresentadores, como Flávio Cavalcanti, Chacrinha e Sílvio Santos.
 
Entre dias de glória e de ostracismo, Serguei chegou a se apresentar duas vezes no Rock in Rio, mas foi somente em 1991 que gravou o primeiro disco completo, Coleção de vícios.
 
Lado folclórico
 
Serguei era visto como uma persona, uma figura folclórica. A casa em que morou durante décadas em Saquarema tinha fama quase comparada à do dono. Ele vivia do dinheiro da aposentadoria, de favores dos vizinhos, amigos e admiradores e de uma quantia que ganhava da prefeitura para manter o Templo do Rock, um museu instalado na própria casa com vários itens da coleção do músico que contam a trajetória do rock e da história pessoal de Serguei.
 
A casa foi reformada pela prefeitura e, lá, Serguei morava e recebia visitantes quando queria e podia. Raramente  ele recusava visitas, e eram muitas. No entanto, quando os visitantes iam embora, ele voltava à solidão.
 
Com a solidão, vieram aproveitadores. “Ele era uma pessoa um pouco difícil de lidar e tinha uma personalidade muito forte”, conta o amigo e músico Diego Brisse. “O Serguei teve o azar de atrair pessoas muito interesseiras. Status, fama, e alguns achavam que ele era rico”, completa.
 
A Prefeitura de Saquarema informou que o velório do cantor será hoje, das 8h às 11h, na Câmara de Vereadores. Depois, o corpo do artista será sepultado no Cemitério Municipal.
 
* Estagiários sob supervisão de Igor Silveira


Repercussão

Frejat: “Hoje perdi um amigo querido. Serguei, além de roqueiro brasileiro histórico, era uma figura doce e amiga. Agradeço o privilégio de ter convivido com ele. Que você vá por um caminho de luz, 
querido amigo!”
 
Paulo Ricardo: “Pioneiro e bacharel em rock’n’roll, Serguei viveu intensamente segundo sua desbundante cartilha até o fim. Quem o seguia no Twitter sabe do que estou falando. Me deu a honra de uma canja num inesquecível Motofest em Campo Grande, cantamos Born to be Wild e, no final, ele pulou no meu colo, fanfarrão e carinhoso. Um sábio. Um gentleman. Will be missed. Rest in peace, my dear, 
we love you!”
 
Tico Santa Cruz: “Com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento do meu amigo Serguei! Sua memória será preservada por todos aqueles que reconhecem em Serguei uma figura carismática, querida e histórica para a música brasileira e para o Rock Nacional. Estivemos juntos por inúmeras vezes, não só em Saquarema — em sua casa — como por shows que fizemos juntos pelo Brasil. Sempre muito carinhoso, muito divertido e cheio de vida! Só tenho a agradecer pela oportunidade de ter convivido por esses momentos com ele é desejá-lo um bom descanso, ciente de que já vinha lutando há tempos pela vida!!! Valeu por tudo SERGUEI!”
Vá em paz amigo!
 
Bic Muller: “RIP Serguei! Que sua viagem de volta à sua dimensão seja cheia de amor.”

Correio Braziliense Friday, 07 de June de 2019

OS IPÊS CHEGARAM!

 


Os ipês chegaram!
 
 
Segundo a Novacap, há cerca de 200 mil árvores da espécie no Distrito Federal. As primeiras a florescer são as roxas

 

» JULIANA ANDRADE

Publicação: 07/06/2019 04:00

Os flores colorem a caminhada matinal da técnica de enfermagem Andréa Maria dos Santos (Juliana Andrade/Esp. CB/D.A Press)  

Os flores colorem a caminhada matinal da técnica de enfermagem Andréa Maria dos Santos

 

 
Aos poucos, eles surgem. Um ponto roxo aqui e outro ali, sinal de que está aberta a temporada dos ipês. Enquanto o inverno apaga o verde da grama e traz o marrom das folhas secas, a árvore que virou símbolo de Brasília se encarrega de colorir a cidade com cores vibrantes. O primeiro a florir é o roxo, seguido do amarelo, do branco e, por último, o rosa.

Segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), há pelo menos 200 mil ipês espalhados pelo Distrito Federal. A maioria deles está no Plano Piloto, onde é possível encontrar cerca de 25 mil árvores da espécie. Algumas delas enfeitam a 107 Norte, onde o empresário Liberato Montalvão, 68 anos, mora. Ele conta que elas começaram a florir agora e encantam quem passa. “Ainda tem poucas flores, mas a quadra fica linda. O pessoal para aqui para tirar foto. Eu acho muito bonito. Deixa a cidade mais alegre”, comenta.

Típicas do cerrado, as árvores são caracterizadas pelo troncos retorcidos e floração intensa. De acordo com o chefe do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap, Raimundo Silva, os ipês podem chegar a 12m de altura. Ele acrescenta que as árvores estavam na área central antes mesmo de a capital ser construída.
 (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  
Cartão-postal
 
É quase impossível o ipê passar despercebido. No Eixo Norte, vários deles atraem os olhares de quem transita pela via. A atendente Joelma Nogueira, 42, tem o prazer de encontrar com um deles todos os dias, na 103 Norte. “Eu desço do ônibus e a primeira coisa que vejo é uma árvore dessas. É uma das belezas de Brasília e que você não precisa pagar para ver”, destaca.

Na Quadra 5 do Sudoeste, um pequeno ipê também chama a atenção de quem frequenta o Ponto de Encontro Comunitário (PEC). A doméstica Claudijane Ferreira, 40, vai ao PEC sempre pela manhã e garante que a beleza da árvore é de encher os olhos. “Eu vejo muitos pela cidade. Acho lindo. Eles deixam as ruas mais bonitas e coloridas”, frisa.

Para Raimundo Silva, da Novacap, a espécie se tornou uma marca registrada de Brasília. Além de encantar os moradores, conquista os turistas que passeiam pela capital na época da seca. “Eles impressionam visitantes de qualquer lugar do mundo. São um cartão-postal”, garante, e informa que Brasília deve ganhar mais 10 mil ipês este ano.
 (Ana Rayssa/CB/D.A Press)  
Quem quer apreciar o ipê-roxo tem até julho para encontrar a árvore pela cidade. Raimundo explica que as mais antigas costumam ter uma floração mais tardia. Porém, as flores não duram muito tempo. Elas começam a cair em torno de 15 dias. “O branco é o mais rápido de todos. Ele dura cerca de cinco dias”, complementa.

É justamente o ipê-branco que a técnica de enfermagem Andréa Maria dos Santos, 48, moradora da 306 Norte, tanto espera. “Perto da minha casa tem um grande. Ele fica lindo, mas não floriu ainda. Quando as folhas começam cair, parece neve no chão”, comenta. Enquanto ele não aparece, Andréa aprecia as flores roxas durante a caminhada matinal. “Eu vim do Nordeste e, onde eu morava, não tinha. Quando eles aparecem, eu tiro várias fotos”, diz.

De acordo com Raimundo, o ipê-branco deve florir somente em julho, se encontrando com o rosa, que chega no início de agosto. Antes deles, no fim de junho, as flores do amarelo nascem.

 (Ana Rayssa/CB/D.A Press)

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Correio Braziliense Thursday, 06 de June de 2019

COPA FEMININA - SELEÇÃO BRASILEIRA

 


COPA FEMININA
 
 
Transição de eras como marca
 
Seleção desembarca na França para o Mundial. Time atravessa fase de renovação, com estreantes e novos costumes

 

MAÍRA NUNES
MARIA EDUARDA CARDIM
Enviadas especiais

Publicação: 06/06/2019 04:00

 
A lateral-direita Tamires (D) é a única mãe no grupo da Seleção Brasileira: equipe chegou ontem à França (CBF/Divulgação
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A lateral-direita Tamires (D) é a única mãe no grupo da Seleção Brasileira: equipe chegou ontem à França

 





Paris — A três dias da estreia na Copa do Mundo da França, contra a Jamaica, no próximo domingo, em Grenoble, a Seleção Brasileira feminina de futebol ainda ressente as mudanças no elenco que foi obrigada a fazer. Desde que Vadão convocou a equipe para o Mundial, em 16 de maio, o técnico teve de quebrar a cabeça para substituir duas jogadoras que se lesionaram. Apesar das alterações de última hora, a cara do time não mudou muito. O grupo conta com as veteranas Marta, Formiga e Cristiane, além de 12 jogadoras que disputaram uma Copa, mas tem também oito estreantes na competição.

Desde a caçulinha Geyse, com 21 anos, até Formiga, com incríveis 41, todas compartilham a mesma história ao contar como começaram a jogar futebol: no meio dos meninos. O esforço delas, porém, parece, enfim, surtir resultados. Neste Mundial, elas ganharam uniforme exclusivo para disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. Também foi o primeiro ano em que a Seleção Brasileira feminina teve período de aclimatação antes do torneio, feito na cidade portuguesa de Portimão.

Entre as estreantes com a camisa verde e amarela em um Mundial, cinco atuam no futebol europeu. A goleira Aline joga no UDG Tenerife, na Espanha; Letícia Santos, no SC Sand, na Alemanha; as atacantes Geyse e Ludmila defendem o Benfica, de Portugal e o Atlético de Madrid, da Espanha, respectivamente. A zagueira Kathellen conhece bem as anfitriãs, pois atua no clube francês FC des Girondins, de Bordeaux.

O restante das estreantes também joga fora do Brasil. Camilinha é parceira de Marta no Orlando Pride, nos EUA, enquanto Debinha ganha a vida como atacante do North Carolina Courage. A meia Luana é a novata que atua mais longe do país. A jogadora do Jeonbuk KSPO, da Coreia do Sul, chegou para compor o elenco aos 45 minutos do segundo tempo, ocupando vaga que era de Adriana.

Apesar das inúmeras estreias em um Mundial, talvez o caso mais simbólico de renovação na Seleção seja protagonizado por Tamires, que se tornou mãe aos 21 anos, após uma gravidez inesperada. É o único caso de maternidade no grupo brasileiro. Antes de conseguir conciliar a carreira de jogadora com a de mãe do Bernardo, que hoje tem 9 anos, a lateral esquerda precisou abdicar do sonho nos gramados para acompanhar o marido César, que também é jogador de futebol. Os desafios da jornada dupla, porém, não a impediram de voltar aos campos. Aos 31 anos, a atleta do Fortuna Hjorring, da Dinamarca, se prepara para disputar a segunda Copa, para orgulho do filho e do marido, que agora vive a experiência de largar a bola para acompanhar a esposa.

» Patrocínio: Colégio Moraes Rêgo
» Apoio: Casa de Viagens e Bancorbrás Agência de Viagens
 
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Correio Braziliense Wednesday, 05 de June de 2019

TAGUATINGA, 61 ANOS - A CIDADE QUE ACOLHE

 


TAGUATINGA 61 ANOS
 
A cidade que acolhe
 
Conheça as boas lembranças de taguatinguenses que mantêm o orgulho de viver em um dos principais centros urbanos do Distrito Federal, criado por brasileiros sonhadores em busca de uma vida melhor

 

CAROLINE CINTRA
RENATA NAGASHIMA*
ROBSON G. RODRIGUES*

Publicação: 05/06/2019 04:00

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press)  
A história de Taguatinga é um grande mosaico de histórias de pessoas que saíram de outras cidades para fazer parte da construção da nova capital. À época, a decisão era ficar por um tempo. Com o decorrer dos anos, passaram a constituir família, fizeram amigos e, agora, não trocam a região por nada. Hoje, a cidade completa 61 anos e, apesar de ter mudado ao longo das mais de seis décadas de existência, algumas tradições são mantidas. Outros costumes, no entanto, permanecem apenas na memória.
 
Fundada em 5 de junho de 1958, em terras do município de Luziânia (GO), na propriedade de uma fazenda que deu seu nome, Taguatinga é um dos maiores centros urbanos do Distrito Federal e carrega histórias marcantes dos primeiros moradores e dos nascidos na cidade.
Regina de Oliveira gosta das feiras na Praça do Bicalho e na do Cine Rex (Arquivo Pessoal)  

Regina de Oliveira gosta das feiras na Praça do Bicalho e na do Cine Rex

 

O comerciante Wellington Neves, 55, nasceu, em 1964, no Hospital São Vicente de Paula, o atual HPAP. Os anos se passaram, ele se casou e, mesmo assim, nunca pensou em sair da cidade. “Gosto muito daqui. Tem de tudo e é muito bacana. Minha esposa também ama a cidade. Não temos motivos para ir embora”, destaca. Desde que os pais saíram de Minas Gerais para formar família na nova capital do país, o candango mora no mesmo local, QNE 20.

Há três anos, os vizinhos, amigos mais próximos e antigos na região se reúnem para o encontro dos pioneiros. “A gente lembra das coisas que vivemos, de como nossa cidade era antes e como vivemos hoje. As coisas mudaram, mas o amor de todos pela cidade continua. É algo impressionante”, ressalta.
Geraldo Pereira: %u201CTinha muitos barracos espalhados, poeira para todos os lados%u201D (Vinícius Cardoso Vieira/CB/D.A. Press)  

Geraldo Pereira: Tinha muitos barracos espalhados, poeira para todos os lados

 

Dos lugares que frequentava na juventude, as principais e melhores lembranças são do Clube Primavera. “Na época, meu pai tinha uma fábrica de tijolos. E os títulos dos clubes eram muito caros. Como a gente tinha o desejo de frequentar aquele lugar tão lindo e falado, meu pai decidiu comprar títulos em troca de tijolos. Por sorte, o clube ainda estava com obras de ampliação, ele fazia essas trocas e a gente passou frequentá-lo”.
Luciana Ribeiro: evento para presentear os artistas e a comunidade (Caroline Cintra/CB/D.A Press)  

Luciana Ribeiro: evento para presentear os artistas e a comunidade

 

Embora a história pessoal se misture com a de Taguatinga, o destino ainda levou Wellington para um dos lugares memoráveis da cidade. Hoje, ele trabalha na primeira banca de revista da região, construída por dona Corina, localizada em frente onde era o Bar Estrela, outro ponto badalado da região nas décadas passadas. “Ouvi muito falar da dona Corina. Infelizmente, não cheguei a conhecê-la, mas sei de sua importância para a cidade. O Bar Estrela é conhecido até pelos mais jovens. Ficava próximo ao cruzamento do centro de Taguatinga. Era, realmente, um point dos jovens da época”.
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Wellington Neves: Gosto muito daqui. Tem de tudo e é muito bacana

 

Barracos
O microempresário Geraldo Pereira, 81 anos, chegou a Taguatinga em 31 de janeiro de 1959. Para ele, aquela virada do ano ganhou um gosto especial: o início de uma nova vida. Mesmo após 60 anos, as lembranças permanecem frescas na memória do pioneiro. “Lembro-me como se fosse hoje. Tinha muitos barracos espalhados, poeira para todos os lados. Parecia um verdadeiro brejo”, conta.
 
Geraldo morou de 1962 a 2015 na mesma residência. Hoje, estána vizinha Águas Claras. Mas o carinho e a gratidão por Taguatinga permanecem. Tanto que o comércio do qual é proprietário, um armarinho, fica na Praça do DI, em Taguatinga Norte.  “Só não digo que sinto saudades porque estou aqui todos os dias. Tudo mudou do início da cidade para hoje em dia. Antes a gente podia andar sozinho nas ruas e até tarde, sem hora para voltar para casa. Não acontecia, não tinha risco nenhum”, lembra. Agora, virou cidade grande, com todos os problemas recorrentes.

Um dos lugares que mais marcou o microempresário na época da juventude foi o Clube dos 200, em Taguatinga Sul. O extinto local era palco das principais festas e eventos da região. Recebeu shows, bailes de carnaval e até desfiles importantes. “Era um bom lugar para dança”, relata.

Na Comercial Norte havia a primeira farmácia de Taguatinga, a Virgem da Vitória. Ela continua no mesmo lugar desde a fundação, em 1959. Apesar de os fundadores terem falecido há mais de 30 anos, o nome da loja ainda é forte na região. O empresário Marcos Silveira, 52, ressalta que o estabelecimento é um ponto de referência na cidade. “Ninguém conhece essa travessia aqui pelo nome, mas quando se fala o nome da farmácia, todo mundo sabe onde é”, conta.
 
Primeiras casas
 
Entre idas e voltas, Célia Matsunaga continua morando na cidade onde cresceu. Filha de imigrante japonês, ela se mudou de Araçatuba (SP) para Taguatinga com apenas 1 ano. “Só tinha três casas em toda Taguatinga Sul. Quatro, com a minha”, recorda-se a professora universitária, que morou numa casa de madeira situada onde, hoje, fica o Alameda Shopping. Sem ter onde brincar na região quase virgem, divertia-se nas calhas destinadas à construção de esgoto. “Tudo era barro”, conta a pioneira aos risos. Depois de adulta, viveu em outras localidades do DF. Mas voltou para Taguatinga. “Minha família tem um vínculo muito forte com a cidade”, garante.

Assim como Célia, Regina de Oliveira morou numa residência de madeira. “Raras não eram de madeira”, assegura. Os pais dela, nordestinos, se mudaram para lá em busca de oportunidades. “Eles queriam melhorar a vida. E a cidade estava apenas começando”, lembra. Atual moradora da Asa Sul, a assistente administrativa de 57 anos guarda a cidade onde nasceu com carinho na memória. Suas lembranças mais doces estão nas sessões de Tarzan no Cine Lara e no Cine Rex; nos bailes do Clube dos 200 e nas descidas no carrinho de rolimã pelos asfaltos recém-construídos da então jovem Taguatinga.

Muito ligada à cidade, Regina visita Taguatinga sempre nos fins de semana. Alterna entre a Vila Matias, aos sábados, e a Praça do Bicalho, aos domingos. São dias de feira livre. “Se eu não for num dia, vou no outro”, explica. Para ela, a cidade ficou muito forte comercialmente e mantém um pouco a calma do passado. “Não acho que mudou de forma negativa. Sinto certa nostalgia, é claro. Sinto falta dos lugares da minha infância que não existem mais. Mas é uma cidade que continua muito interessante. Principalmente do ponto de vista comercial”, observa.

Convivência
Nascida e criada em 1980, a produtora Luciana Ribeiro, 39, é mais uma apaixonada por Taguatinga. Quando se fala o nome da cidade, logo ela lembra da infância e adolescência na Praça do DI, onde morou por muitos anos com os pais. Os passeios com os amigos da escola e de vizinhança pelo local ainda lhe arrancam sorrisos e suspiros. “Até hoje tenho fotos de lá. Na época de estudante, a gente ia para a praça, tocava violão e comia o cachorro-quente do Léo. Não tem como esquecer”, destaca.

Hoje, seu lugar preferido é o Taguaparque, no Pistão Norte. “Quando estava mais livre, caminhava lá todos os dias. É um lugar que enriquece a convivência entre as pessoas que moram em Taguatinga. Eu amo essa cidade”.
O carinho é tamanho que a produtora está organizando uma feira cultural. O Domingo Bom! será lançado no dia 16, no Taguaparque. O intuito é que o evento seja realizado no segundo domingo de cada mês, com a exposição de obras de artistas da cidade, piquenique, barraquinhas diversas e food trucks. O lançamento do projeto no mês de aniversário da cidade é proposital. “É uma forma de presentear Taguatinga e os artistas daqui. A ideia é dar espaço para eles, sem cobrar nada”, disse.

Programe-se 
O aniversário de Taguatinga é hoje, mas as comemorações ocorrerão durante todo o mês. Moradores da cidade poderão celebrar com várias atividades comemorativas programadas, como Pentecostes, Noite Sertaneja, evento do Meio Ambiente e Show da banda Natiruts. Confira a programação completa:

Hoje
 
9h — Solenidade em frente à Administração Regional de Taguatinga
 
20h30 — Bate-papo com Marcos Martins (diretor e produtor cultural) no Kareka’s Bar (QND 14, Comercial Norte)
 
21h —  Aniversário de Taguá 61 (Mesa de petiscos) no Kareka’s Bar
 
21h30 —  Forró com Rene Bomfim e Caco de Cuia, com participação especial: Natinho e Diró Nolasco no Kareka’s Bar
 
Amanhã
 
21h — Documentário Poesia do barro e show Cantorias com Paulo Matrikó no Kareka’s Bar
 
Sexta-feira 
 
19h — Pentecostes no Taguaparque
 
Sábado (8/6)
 
19h — Noite Sertaneja —  Lions Brasília, Taguatinga (AE QNG)
 
Quinta-feira (13/6)
 
19h —  Posse do Conselho de Mulheres Cristãs do Brasil no Supremum Event Center
 
Sábado (15/6)
 
19h — Entrega do parquinho no Taguaparque pelo Sabin
 
Domingo (16/6)
 
9h —  Passeio de motociclistas com plantio de Ipês no Pistão Norte
 
10h —  Domingo Bom! Feira, Cultura e Piquenique no Taguaparque
 
Sábado (29/6)
 
16h30 — Show do Natiruts no Taguaparque
 
Domingo (30/6)
9h às 12h e 16h às 22h — Encerramento das comemorações do aniversário e dia cultural no Taguaparque
 
*Estagiários sob supervisão de José Carlos Vieira
 
Jornal Impresso
 
 

Correio Braziliense Tuesday, 04 de June de 2019

PAULO ZIMBRES, O ARQUITETO QUE TRAÇOU ÁGUAS CLARAS E NOROESTE, MORRE AOS 86 ANOS

 


OBITUÁRIO  - Paulo Zimbres, 86 anos

 

» CAROLINE CINTRA
» MARIANA MACHADO

Publicação: 04/06/2019 04:00

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press - 27/7/05)  
 
O delineado de arranha-céus de Águas Claras e o moderno desenho que o Noroeste vem ganhando levam a assinatura de um dos grandes nomes da arquitetura de Brasília. Os traços são o legado que Paulo de Melo Zimbres deixa para a capital do país. Na madrugada de ontem, o arquiteto, que também projetou o Jardins Mangueiral, morreu aos 86 anos, devido a uma pneumonia. Ele deixa cinco filhos, sete netos, três bisnetos e muitos discípulos e admiradores.

Paulo Zimbres casou-se duas vezes. O caçula do primeiro relacionamento seguiu os traços do pai. O arquiteto Marcos Zimbres, 56, recorda emocionado os momentos que passou trabalhando ao lado dele. “Foram quase 20 anos juntos no escritório. Talvez, por isso levei muito puxão de orelha, mas tudo para o bem. Era um pai atencioso, preocupado e uma verdadeira inspiração”, afirma. A paixão pela arquitetura era uma constante. “Ele nunca parou de trabalhar e nem quis. Sempre dedicado, ele acreditava muito no urbanismo, na capacidade de fazer melhorias no convívio humano.”

Nascido em Ouro Preto (MG), Zimbres graduou-se em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), em 1960. Ao longo da carreira teve trabalhos publicados em revistas como Projeto, Acrópole e AU (Arquitetura e Urbanismo) e projetos reconhecidos em bienais de arquitetura. Venceu a disputa de projetos da nova sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF (Crea-DF). “No ano passado, falei com ele sobre a segunda etapa da sede. Aprovamos a primeira porque gostamos do resultado. Era um profissional renomado e, nesse momento, merece ser exaltado por tudo o que fez. Brasília perdeu um profissional e tanto”, ressaltou a presidente do Crea-DF, Fátima Có.

Por meio de nota, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Brasília (CAU-BR) lamentou o falecimento do arquiteto e urbanista. O presidente do CAU-DF, Daniel Mangabeira, afirmou que o Brasil perdeu um grande profissional, um homem gentil que deixou um belíssimo legado construído Brasil afora. “Deixou em todos os arquitetos, com quem trabalhou, uma mensagem de amor à profissão e à vida”.

O engenheiro Eustáquio Ribeiro teve o prazer de estar com Zimbres nos últimos dias de vida. Ele se refere ao colega de trabalho como um dos grandes expoentes da arquitetura. “A arquitetura fica menor com a morte dele. O Paulo morreu em plena atividade. Uma pessoa extremamente ética, leal e de competência invejável”, destacou.

Academia
 
Além de arquiteto, Paulo Zimbres também fez história como professor da Universidade de Brasília (UnB), onde lecionou de 1968 a 1991. A reitora Márcia Abrahão prestou uma homenagem em nome da instituição. “Ele emprestou talento e dedicação a obras que são a cara de Brasília e também da UnB. Seu legado continuará trazendo beleza a nossas paisagens e, na universidade, inspirando os futuros arquitetos”.

Ex-secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho é outro que lembrou a importância do arquiteto para a capital. “Uma perda muito grande para Brasília.Trabalhou com afinco para modernizar e dar melhores condições de vida para a população do Distrito Federal. Um artista da arquitetura.”

Águas Claras
 
Em entrevista publicada pelo Correio em maio de 2017, Paulo Zimbres escreveu um artigo em que fala sobre o projeto de Águas Claras. Com o título Cidade necessária, ele descreveu como pensou a região administrativa e comentou sobre a polêmica mudança na densidade populacional.

“Esperavam que fizéssemos superquadras. Mas, entendendo que era uma cidade com mais atividades e uma liberdade maior que a do Plano Piloto, decidimos que ela abrigaria áreas mistas, ou correria o risco de virar um dormitório e perdesse no uso do metrô. Pensamos em uma cidade mais complexa, mais rica em atividade e com menos restrição de uso. Propusemos até um setor de indústria e áreas comerciais com liberdade de se fazer no térreo dos condomínios.

Como a Rua Augusta, em São Paulo. Pensamos em uma densidade de 300 habitantes por hectare”, explicou o arquiteto.
O velório de Paulo Zimbres será hoje, a partir das 8h, na capela 1 do cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul. O sepultamento está marcado para as 11h.
 
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Correio Braziliense Monday, 03 de June de 2019

MORRE A ATRIZ GABI COSTA, AOS 33 ANOS

 

 
 (Instagram/Reprodução)  


Novela perde a atriz Gabi Costa
 
A dramaturgia brasileira perdeu ontem Gabi Costa, atriz da novela Órfãos da Terra. Aos 33 anos, ela morreu em decorrência de complicações cardiorrespiratórias no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Gabi interpretava a personagem Nazira, na novela da rede Globo.
 
Na manhã de ontem, ela havia sido encontrada desacordada dentro de casa. Foi imediatamente levada ao hospital, em estado gravíssimo. À noite, a morte da atriz foi confirmada. “Infelizmente, confirmamos o falecimento da atriz Gabi neste domingo, decorrente de causa cardiorrespiratória. Consternada, a família agradece as manifestações de carinho e pede privacidade neste momento de dor”, comunicou a assessoria de imprensa da atriz, por meio de nota oficial. “Gabi Costa estará sempre viva em nossas lembranças e na memória daqueles que terão uma nova chance em seu gesto”, diz o texto da assessoria, em referência ao fato de a atriz ser doadora de órgãos
 
Na televisão, Gabi estrelou em Aventuras do Didi, Zorra Total e A Grande Família. Outras produções que contaram com a participação da atriz foram as novelas O Rebu, Sol Nascente, Malhação e Tapas e Beijos, e a série Nada Será Como Antes. Ainda não há informações sobre o sepultamento da atriz.  
 
 
 
“Gabi Costa estará sempre viva em nossas lembranças e na memória daqueles que terão uma nova chance em seu gesto”, 
Nota da assessoria da atriz sobre doação de órgaos 
 
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Correio Braziliense Sunday, 02 de June de 2019

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE LIS E MEL, AS IRMÃS SIAMESAS

 


A HISTóRIA DE LIS E MEL
 
Arraial para celebrar a vida de Lis e Mel
 
 
Quase 40 dias depois da cirurgia que separou as gêmeas siamesas, as irmãs comemoraram ontem o primeiro aniversário com uma festa no Hospital da Criança de Brasília. A celebração emocionou médicos e familiares

 

HELLEN LEITE

Publicação: 02/06/2019 04:00

A comemoração teve direito a comidas e trajes típicos e foi organizada no Espaço da Família da Abrace. A mãe, Camilla, e o pai, Rodrigo, eram só sorrisos na hora do parabéns (HCB/Divulgação)  

A comemoração teve direito a comidas e trajes típicos e foi organizada no Espaço da Família da Abrace. A mãe, Camilla, e o pai, Rodrigo, eram só sorrisos na hora do parabéns

 

 
 
O Hospital da Criança de Brasília recebeu ontem uma festa junina muito especial. Teve traje caipira, chapéu de palha, paçoca, pé de moleque, bandeirinhas e balões. As estrelas da comemoração tinham muito a celebrar: Lis e Mel, gêmeas siamesas separadas há pouco mais de um mês, completaram um ano. Médicos e familiares participaram do arraial e festejaram o primeiro aniversário das irmãs, mas, principalmente, a sequência de vitórias e de conquistas alcançadas desde 27 de abril, quando elas passaram pela complexa cirurgia, inédita no Distrito Federal.
 
A festa com o tema São João teve direito a bolo, balões e brinquedos e foi organizada no Espaço da Família da Abrace, dentro do Hospital da Criança, onde as meninas continuam internadas. A celebração foi intimista, mas Mel e Lis estavam vestidas à caráter, com vestido de quadrilha e chapéu de trancinhas. Foi assim que elas receberam convidados mais que especiais: os médicos que lidam diariamente com elas no HCB. O neurocirurgião Benício Oton, acompanhado da mulher e de uma das netas, esteve na celebração, assim como o anestesiologista Luciano Fares, que também levou a mulher e os filhos. A fisioterapeita Lilian Santos, enfermeiros e residentes fizeram questão de presenciar as gêmeas apagando a velinha. Da família estavam os avós, tios e bisavós de Lis e Mel. Tudo era festa.
 
A avó materna das meninas, Odiléia Vieira, não segurou a emoção. “Passa um flashback de tudo o que passou. É a gratidão por tudo o que o hospital fez por elas, pelo carinho de todo mundo. Especialmente hoje, que tem um pouco mais de um mês que foram separadas. Isso é emocionante”, disse.

O anestesiologista Luciano Fares é um dos mais apegados às pacientes (HCB/Divulgação)  

O anestesiologista Luciano Fares é um dos mais apegados às pacientes

 



Gratidão
 
Antes de assoprar as velinhas, uma pausa. Com Lis no colo do pai, Rodrigo Aragão, 30 anos, a mãe das gêmeas, Camilla, segurou Mel e pediu a palavra. Agradeceu a Deus, à família e a toda a equipe do HCB, que “tornou possível terem chegado até aqui para comemorar o aniversário de um ano das meninas”. Feliz e dona de uma serenidade digna de admiração, Camilla disse considerar os profissionais uma extensão de sua própria família. Por um momento, ela foi interrompida por gritinhos de uma sorridente e falante Mel. Foi como se a menina quisesse agradecer também. 
 
Católicos, os pais finalizaram o momento com uma oração. Os convidados deram as mãos, rezaram um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, e depois cantaram os parabéns, para a felicidade das meninas, que sorriram e cantaram junto. “Comemorar um ano com elas separadas era um sonho que eu não sabia se ia se realizar. Então, para mim, é fantástico”, celebrou Camilla. 
 
“A gente está comemorando o nascimento e o renascimento das meninas. Agora, a expectativa é que elas corram, brinquem, quebrem a casa. Esperamos sempre o melhor, que elas tenham saúde e possam sair para a rua, ir ao shopping e brincar”, disse o pai das gêmeas. “O momento é bastante emocionante. Hoje é especial, sabendo que elas estão alçando voos, se recuperando bem e que, daqui a pouco, estarão em casa”, comentou o avô materno, Edilson Neves, 49 anos. 
 
Procedimento
 
Depois de uma gestação arriscada, na qual alguns médicos sugeriram ao casal que abortasse, Camilla diz que em nenhum momento se arrependeu de dar à luz. Mês a mês, a família comemorou a vida das gêmeas com direito a decoração lembrando personagens infantis, como super-heroínas e Mamãe Noel (veja galeria). 
 
Passados 12 meses do nascimento, Lis e Mel estão bem. Venceram a cirurgia e o período da UTI. Agora, estão internadas na enfermaria, onde trocam diariamente os curativos e são estimuladas nas sessões de fisioterapia. 
 
O procedimento de extrema complexidade realizado nas gêmeas foi dividido em 36 etapas, entre as 6h30 de 27 de abril e as 2h30 do dia seguinte. O sucesso foi intensamente comemorado pelos pais das crianças e pela equipe do Hospital da Criança de Brasília. 
 
O procedimento de separação começou a ser planejado desde a gravidez, quando o médico Benício Oton confirmou, por meio de exames, que a operação seria viável. Elas compartilhavam apenas uma pequena parte do cérebro, que poderia ser retirada sem  danos. A expectativa é que elas se desenvolvam  e tenham uma vida independente.
 
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Correio Braziliense Saturday, 01 de June de 2019

FESTAS JUNINAS NA CAPITAL FEDERAL

 

Tem São-João pra todo mundo!
 
 
Com a chegada do mês de junho, as festas juninas invadem de vez a programação cultural do DF. Confira alguns dos festejos programados para o período

 

Adriana Izel

Publicação: 01/06/2019 04:00

Forró do B comanda a primeira edição do Suvaco do João, na Aruc (Webert da Cruz/Divulgação)  

Forró do B comanda a primeira edição do Suvaco do João, na Aruc

 

 
 
Em qualquer canto do Brasil, junho é o mês tradicional das festas e arraiás. Mesmo que a cada ano, os festejos de são-joão comecem cada vez mais cedo, com eventos a partir de maio, e termine cada vez mais tarde, ao longo de agosto, as celebrações dos santos de junho — Antônio (dia 13), João Batista (dia 24) e Pedro (29) — são as mais tradicionais. Por isso, a chegada do mês marca a invasão das festas juninas à agenda da capital federal.
 
Os eventos em igrejas são os mais procurados, a exemplo das festas na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Lago Sul, hoje e amanhã, a partir das 20h; e na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul, hoje e amanhã, às 19h. Ambas começaram ontem e seguem até domingo celebrando as tradições juninas, com barraquinhas, comidas típicas, quadrilha e bazar.
 
Nos clubes, as comemorações também são comuns. A Associação Atlética Banco do Brasil, no Setor de Clubes Sul, está entre os locais que também escolheu o primeiro fim de semana de junho para a celebração. Desde ontem, o clube abre as portas para o clima junino. Hoje, a partir das 19h, além das barraquinhas, o evento terá apresentação da dupla sertaneja Roni & Ricardo, além de dança de quadrilhas.
 
Entre as novidades do período junino para este fim de semana está o são-joão do bloco carnavalesco Suvaco da Asa. O grupo havia feito anteriormente uma festa junina fechada, mas agora faz uma celebração aberta ao público. Tendo a Aruc, no Cruzeiro, como cenário, o evento ocorrerá hoje, a partir das 19h, com tudo que festa junina tem direito. “Teremos quadrilha, banda de forró, DJs de Pernambuco. O Suvaco tem a tradição do carnaval pernambucano e lá os blocos têm trabalhos sociais e juninos. Nessa linha, vamos fazer o Suvaco de João mantendo a tradição da cultura nordestina”, explica Pablo Feitosa, um dos integrantes do Suvaco da Asa.
 
Essa será a primeira edição do Suvaco de João, que, a partir de agora, acontecerá sempre no primeiro sábado de junho. “Nossa ideia, assim como no carnaval, é abrir os trabalhos juninos e valorizar a tradição junina de Brasília. Por isso, vamos sempre convidar a quadrilha vencedora do concurso de são-joão de Brasília para ser uma das atrações”, revela Feitosa. O evento terá ainda apresentações dos grupos Forró do B e Trio Calangueado e dos DJs La Ursa e Teozim.
 
Dorgival Dantas retorna ao Arraiá Legis para comemorar a 10ª edição do evento
 (Ayane Melo/Divulgação)  

Dorgival Dantas retorna ao Arraiá Legis para comemorar a 10ª edição do evento

 

 
Muita festa 
 
A programação junina se estende ao longo do mês. Na próxima semana, a cidade volta a receber eventos tradicionais, como o Arraiá Legis, que chega à 10ª edição, em 7 de junho, às 19h, no Clube Ascade. Para celebrar essa marca, o convidado especial é o músico Dorgival Dantas, que foi um sucesso na edição do ano passado. O artista traz a Brasília o show de lançamento do DVD Minha música, minha história. “Como é a 10ª edição, estamos trazendo novamente o Dorgival Dantas e também o Baião de 2, que, coincidentemente, celebra 10 anos de trabalho. Além de duas atrações locais, Miguel Santos e Thiago Nascimento, adianta Luis Claudio, diretor social da Ascade.
 
A outra novidade do Arraiá Legis é a realização de um casamento típico. Momento tradicional nas quadrilhas, a festa contará com a celebração de uma união real em formato de matrimônio junino. “Teremos também um palco alternativo, uma brinquedoteca. Tudo isso sempre com a preocupação de manter as características das festas juninas harmonizadas com forró. Somos uma das poucas festas juninas que se mantêm tradicionais”, garante o diretor social do clube responsável pelo Arraiá Legis.
 
Também na próxima semana é a vez da Festa Junina do Iate Clube. O evento será nos dias 6, 7 e 8, com apresentação do Forró com Site, Henrique & Ruan e Adriana Samartini, cada artista num dia de evento. A nova atração da festa é o Espaço Sub-17, ambiente exclusivo para os jovens com até 17 anos, que terá DJ, pista de dança e outras surpresas. Na próxima sexta-feira, o Clube Nipo chega à 33ª edição junina. O arraiá mistura os atrativos japoneses com os juninos. Para animar a festa, a banda Encosta N’eu se apresenta com o repertório clássico da música nordestina. O evento segue ainda nos dias 8 e 9, dessa vez, começando a partir das 11h.
 
Até o fim do mês, a cidade será palco de outras festas. No dia 18, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e a dupla João Bosco & Vinicius animam a Grande Junina do Funn Festival, no Estacionamento 4 do Parque da Cidade. Nos dias 15 e 16, o Corredor Central do Setor Comercial Sul recebe a festa Formação de Quadrilha No Setor, uma mistura de balada com festejo junino.
 
 
 
Programe-se!
 
Arraiá Águas Claras
• Estacionamento da Faculdade Uniplan (Avenida Pau Brasil). Hoje, às 18h. Com shows de Zé Felipe & Miguel, Trio Cajuína e quadrilha Si Bobiá a Gente Pimba. Amanhã, às 17h. Com Trio Siridó e quadrilha Sabugo de Milho. Ingressos: R$ 1 + Doação de 1kg de alimento não perecível. Classificação indicativa livre.
 
Arraiá Legis
• Ascade (SCES, Tc. 2) Em 7 de junho, às 19h. Com show de Dorgival Dantas, Baião de 2, Miguel Santos e Thiago Nascimento. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada, doadores de 1kg de alimento não perecível). Classificação indicativa livre.
 
Arraiá da Guada
• Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (311/312 Sul, Lt. A). Hoje e amanhã, a partir das 19h. Com barraquinhas, música ao vivo e brincadeiras para as crianças. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
Arraiá do Parque da Cidade
• Parque da Cidade (Estacionamento 12). Em 21 e 22 de junho, às 16h. A festa promete muito forró, apresentações das melhores quadrilhas de Brasília e muitas programações para as crianças. Ingressos: R$ 5 (meia-entrada ou doação de 1kg de alimento). Crianças até 12 anos não pagam. Classificação indicativa livre.
 
Arraiá do Previ
• Clube dos Previdenciários (712/912 Sul). Hoje e amanhã, às 17h. Festa com comidas típicas, brincadeiras, prendas e um lugar reservado para a criançada. Com apresentações de Maísa Arantes Trio, Projeto Forró do B e da Quadrilha Segue fogo. Durante o evento, o clube arrecadará agasalhos para doação. Ingressos: R$ 5 (meia-entrada). Classificação indicativa livre.
 
Festa Junina Apcef
• Clube Apcef (SCEN, Tc. 3). Em 8 de junho, às 19h. Festa com shows das bandas Forró Calangueado e Forró com Site e Quadrilha Rasga o Fole, com a apresentação Lisbela e o Prisioneiro. Ingressos gratuitos para sócios e R$ 10 (não sócios). Classificação indicativa livre.

Festa junina da AABB
• Associação Atlética Banco do Brasil (SCES, Tc. 2). Hoje, às 19h. Festa com apresentações de Roni & Ricardo e quadrilhas. Ingressos: R$ 25 (meia-entrada para não sócios) e gratuito para associados. Classificação livre.
 
27ª Festa junina GEAr Salgado Filho
• Lago Sul (SHIS QI 3 Cj. 3/4). Hoje, às 19h. Festa com apresentação da banda Coco de cuia. Ingressos a R$ 5 (meia). Crianças menores de 12 anos e escoteiros uniformizados têm entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
Festa Junina do Iate
• Iate Clube Brasília (SCEN Tc.2) Em 6, 7 e 8 de junho, a partir das 19h. Com shows de Forró com Site, Henrique & Ruan e Adriana Samartini. Ingressos a R$ 35 (meia). Classificação indicativa livre.
 
A Grande Junina — Funn Festival
• Parque da Cidade (Estacionamento 4). Em 14 de junho, às 19h. Festa com shows de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e João Bosco & Vinicius. Ingressos: R$ 80 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 16 anos.
 
33ª Festa Junina do Nipo 2019
• Clube Nipo (SCES, Tc. 1). Em 7 de junho, às 18h. Em 8 e 9 de junho, a partir das 11h. Com comidas típicas e orientais. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Classificação indicativa livre.
 
Festa junina da Paróquia N. Sra. do Rosário
• SHIS QI 26 do Lago Sul. Hoje e amanhã, às 20h. Com Barraquinhas, comidas típicas, quadrilha, bazar e muita animação. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
Formação de quadrilha no Setor — Festa junina
• Corredor Central (SCS, Q. 4). Em 15 de junho às 18h. Em 16 de junho às 17h. Festa com música, comidas típicas e diversão junina como os grupos Trio Cajuína e Fulô do Cerrado, além de contar com pop, rock e funk. Ingressos: A partir de R$ 5. Não recomendado para menores de 18 anos.
 
Suvaco de João
• ARUC (SRES — Cruzeiro Velho). Hoje, às 18h. O bloco de carnaval Suvaco da asa promove sua versão junina. Nos moldes das festas juninas pernambucanas, a festa promete homenagear a tradição nordestina, com show de Trio calangueado, Forró do B, DJ La Ursa e DJ Teozim. Ingressos: R$ 15 (meia), R$ 20 (segundo lote — promocional) e R$ 30 (inteira). Classificação indicativa livre.
 
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Correio Braziliense Friday, 31 de May de 2019

QUADRILHA, FOGUEIRA E MUITA COMIDA

 

Quadrilha, fogueira e muita comida!
 
 
Não faltam delícias com gostinho de arraiá nos estabelecimentos da cidade, que entraram no clima do mês de junho

 

Mariah Aquino*
Renata Rios

Publicação: 31/05/2019 04:00

 
 
Quando o assunto é festa junina, o pensamento sempre acaba no mesmo ponto: a comida. Nesta época, as festas chegam às noites frias, com barraquinhas recheadas de delícias quentinhas do período. Os chefs da cidade não se acomodam e trabalham com receitas típicas.

Entre os ingredientes, muito milho. Isso fica evidente para quem vai ao Biscoitos Mineiros. A casa trabalha no cardápio fixo com diversos preparos característicos do período, como a canjica, o bolo de milho verde e o curau. “Para a época, trabalhamos com algumas outras receitas, que entram no cardápio, como é o caso da maçã do amor e da galinhada”, informa Márcia Regilla, sócia do café.

Outra alternativa que cresce aos olhos são os doces, nos quais o coco ganha um destaque especial. No Fulô di Jirimum, a cocada é feita em diversas versões para o cliente escolher a favorita. “Elas ficam suaves, pois coloco pouco açúcar para valorizar o sabor do coco”, garante Nivalda Neves, chef da casa.

Nos pratos salgados, o arroz é um acerto. A galinhada e o arroz carreteiro são dois clássicos do São João. Na Galeteria Gaúcha, você pode encontrar o tradicional carreteiro. A receita quentinha faz sucesso tanto no restaurante quanto no food truck da marca. “Ele é bem quentinho, ótimo para o frio”, garante Laura Sonda Gregol, sócia da casa. Ela ainda informa: “Esse é um preparo típico do sul do país”.
 
*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader
 
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Correio Braziliense Thursday, 30 de May de 2019

A FESTA SURPRESA DE MARÍLIA MENDONÇA

 

A festa surpresa de Marília Mendonça
 
 
O segredo durou até ontem de manhã, quando a cantora percorreu a Rodoviária do Plano Piloto para entregar panfletos sobre o show gratuito que faria na Torre de TV. Para alegria dos fãs, a festa foi completa, com direito a sucessos e músicas novas

 

» Jéssica Eufrásio

Publicação: 30/05/2019 04:00

 (Minervino Junior/CB/D.A Press)  
 
O que começou como um boato se tornou realidade na noite de ontem. Passava das 19h40 quando Marília Mendonça, cantora e compositora sertaneja de maior sucesso na atualidade, subiu ao palco montado a toque de caixa em frente à Torre de TV, para delírio de uma multidão que, desde terça-feira, aguardava a confirmação da apresentação surpresa e gratuita.

A sertaneja desembarcou na capital federal para mais o 13º show do projeto Todos os cantos, que tem rodado o Brasil com apresentações como a de ontem e dão origem a faixas do álbum ao vivo de mesmo nome. Marília já lançou videoclipes gravados nas performances itinerantes. A intenção dela é percorrer as 27 capitais brasileiras (leia abaixo) para gravar um DVD com as 27 músicas do disco.

Marília Mendonça atraiu cerca de 50 mil pessoas ao gramado entre a Torre de TV e a Fonte Luminosa, ontem à noite. A goiana de 23 anos subiu ao palco 40 minutos após o horário do show anunciado repentinamente por meio de suas redes sociais. Acompanhada do cantor paulistano Gaab, ela abriu a apresentação com Intenção, música do CD novo e repetida cinco vezes para gravação. Durante cerca de uma hora e meia, ela cantou outros sucessos, como Ciumeira, Sem sal, Passa mal e Bye bye.
 
Sofrência
 
Mesmo com o show marcado para as 19h, os fãs que ficaram na grade para acompanhar a apresentação de perto começaram a chegar por volta das 13h. Uma dessas pessoas foi a corretora de seguros Gabriella Freitas, 25 anos, que pediu carona ao chefe para conseguir ficar frente a frente com a ídola. “Acompanho a carreira dela desde o início e este é o primeiro show a que assisto. Até cancelei um seguro sem querer porque passei o dia pensando nisso”, contou a moradora de Valparaíso (GO). “Sei tudo sobre ela. Até a cor do esmalte que ela vai usar hoje (ontem)”, completou.

Fã da cantora, o estudante Pedro Carrara, 18, não abriu mão de ir ao show na Torre de TV. Ele terminou um relacionamento de um ano e meio na terça-feira, após descobrir uma traição. “Minha ideia foi vir para chorar até não ter mais lágrima alguma. As músicas dela me ajudam a pensar que é melhor estar sozinho do que mal acompanhado”, desabafou. Marília Mendonça é conhecida como a Rainha da Sofrência, por causa das letras que retratam relacionamentos malsucedidos.
 
Interação
 
Carismática, Marília cativou com o público ao longo do show e disse ter dúvidas de que a área fosse lotar. “Achei que não ia dar certo, mas deu muito certo.” O público respondeu, repetidamente: “Isso é Brasília!”. A goiana conseguiu a façanha de tirar os fãs de casa em uma noite de quarta-feira para entoar, a plenos pulmões, hits do álbum mais recente dela. Acompanhada de uma taça de vinho em alguns momentos da apresentação, ela anunciou: “Um brinde a Brasília!”.

Perto do fim, Marília posou para uma foto com Gaab, segurando a bandeira de Brasília. Antes do registro, ela falou para os fãs gritarem “Sofrência!”. Em seguida, pediu aos técnicos para apagarem os holofotes e, aos fãs, para acenderem as lanternas dos celulares. Na fachada de um dos hotéis ao lado do palco, foi projetada a logo da turnê Todos os cantos.
Em seguida, o público, com as mãos para cima, cantou De quem é a culpa, do segundo álbum da goiana. O show terminou com Bebaça, hit que gravou com a dupla mato-grossense Maiara e Maraisa.


Videografia
Com o Todos os cantos, Marília Mendonça, goiana de Cristianópolis, soma três DVDs (e dois volumes do projeto paralelo em parceria com Maiara e Maraisa, Agora é que são elas).
 
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Correio Braziliense Wednesday, 29 de May de 2019

O BRASIL SE DESPEDE DE GABRIEL DINIZ

O Brasil se despede de Gabriel Diniz
 
 
Milhares de pessoas, entre familiares, amigos e fãs, prestam homenagens no adeus ao cantor em João Pessoa

 

Vinícius Veloso*

Publicação: 29/05/2019 04:00

 (Peu Ricardo/Estadão)  
 
 
A última terça-feira de maio foi marcada pelo clima de despedida. Desde as 5h da manhã, amigos e familiares começaram a chegar ao ginásio Ronaldo Cunha Lima, em João Pessoa (PB), para o velório do cantor Gabriel Diniz, que morreu em um acidente aéreo na segunda-feira. O espaço estava aberto para o público, porém o acesso ao caixão era restrito. Em um telão, fotos e imagens do cantor eram transmitidas, a maioria, com um sorriso — marca registrada do artista — ou cercado de amigos e familiares. Mais de 10 mil pessoas estiveram no local.
 
Solícito, Francisco Diniz, pai do cantor, atendeu a imprensa no início da cerimônia e contou, emocionado, sobre as projeções que Gabriel tinha para o futuro. “A maior lembrança que terei dele é a força, era um menino muito forte. O sonho do Gabriel não era nada material, o sonho dele era ser pop star, diferente. Ele queria mais”, explicou. Em janeiro deste ano, por exemplo, Diniz revelou em entrevista ao Correio que tinha muitos planos para 2019, o ano que o projetou para o restante do país com o hit Jenifer.
 
Durante as homenagens, Francisco Diniz chorou e expressou muita tristeza com a morte do filho. Ana Maria Diniz, mãe do cantor, compareceu ao local e precisou ser amparada pela família. “Ela não está conseguindo ficar no velório”, disse o pai. Ele completou dizendo que Ana foi a última pessoa a falar com Gabriel antes do artista entrar na aeronave. “Era o dia dele partir, se não fosse no avião, seria no ônibus, no carro, em qualquer lugar”.
 
Karoline Calheiros, psicóloga e namorada do cantor, que fez aniversário no dia em que Gabriel morreu, esteve presente e permaneceu um longo tempo ao lado do caixão. Durante os discursos de homenagem, agradeceu: “Obrigada por ser o amor da minha vida”.


Uma fila quilométrica se formou na entrada do ginásio onde estava o corpo do artista (Alexandre Carniato/AGIF)  

Uma fila quilométrica se formou na entrada do ginásio onde estava o corpo do artista

 




Presença de músicos
 
Dentre os artistas e amigos, Wesley Safadão marcou presença no local do velório e não segurou as lágrimas. O cantor era parceiro musical e do mesmo estúdio que Gabriel Diniz. Xand Avião, em um ato de carinho e repleto de emoção, beijou o rosto de Gabriel como sinal de despedida. Matheus, da dupla Matheus & Kauan, e Aldair Playboy também compareceram no ginásio para o último adeus.
 
Integrantes da banda que acompanhava o cantor nas apresentações participaram do velório, com orações e união. Todos participaram do último show do cantor, em Feira de Santana (BA).
 
Durante a tarde uma missa foi celebrada por vários padres em homenagem ao cantor, com a participação de fãs, amigos e familiares. Em sequência, no período reservado para discursos, Wesley Safadão se pronunciou. “Gabriel vai fazer muita falta para todos nós. Vai ser sempre lembrado pela sua alegria e tudo o que você fez por nós. Vai deixar uma grande mensagem para nós. Que a gente possa viver nossa vida intensamente, como ele viveu.”
 
Logo após, um caminhão do Corpo de Bombeiros levou o corpo de Gabriel Diniz do velório para o cemitério, com uma salva de palmas dos presentes. O sepultamento foi restrito. Participaram apenas familiares.
 
O piloto Gabriel Abraão Farias e o copiloto Linaldo Xavier Rodrigues, que também morreram no acidente, tiveram os corpos velados em Alagoas. O piloto, em uma igreja em Maceió, e o copiloto em Água Branca, no sertão nordestino. Os dois faziam parte da diretoria do Aeroclube de Alagoas e o sepultamento ocorreu na tarde de ontem.
 
*Estagiário sob supervisão  de Igor Silveira
 
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Correio Braziliense Tuesday, 28 de May de 2019

MAS UMA CONQUISTA PARA AS GÊMEAS SIAMESAS

 


A HISTóRIA DE LIS E MEL
 
Mais uma conquista para as gêmeas
 
 
Separadas há um mês, as siamesas agora dividem o quarto na enfermaria, depois que Lis também teve alta e deixou a UTI

 

HELLEN LEITE
ISA STACCIARINI

Publicação: 28/05/2019 04:00

Lis com os pais, Camilla e Rodrigo, momentos antes de receber alta e seguir para a enfermaria (Divulgação/Hospital da Criança de Brasília)  

Lis com os pais, Camilla e Rodrigo, momentos antes de receber alta e seguir para a enfermaria

 



 À direita, a chegada ao quarto que vai dividir com a irmã, Mel, foi emocionante: segunda vez que se viram desde a operação (Divulgação/Hospital da Criança de Brasília)  

À direita, a chegada ao quarto que vai dividir com a irmã, Mel, foi emocionante: segunda vez que se viram desde a operação

 



Prestes a completarem 1 ano, as gêmeas siamesas Lis e Mel estão juntas novamente. Lis teve alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança de Brasília ontem, exatamente um mês após a cirurgia, e, agora, divide o mesmo quarto com a irmã, que havia sido liberada na terça-feira da semana passada. Elas estão em camas diferentes, mas, lado a lado, se olham e buscam com as mãos uma à outra. Ontem, as meninas brincaram com um jogo de montar e, à tarde, dormiram. Mel já manda beijos estalados para os pais e tomou banho de sol. Agora, a expectativa da família é levar as crianças para casa e conseguir comemorar o aniversário delas, em 1º de junho, de volta ao lar.

Esse é mais um capítulo na vida da família moradora de Ceilândia. Na semana passada, as meninas tinham se reencontrado, mas Lis permaneceu na UTI. Ao se verem pela segunda vez ontem, Mel recebeu a irmã com um beijo na porta da enfermaria. Como forma de agradecimento, Lis sorriu e retribuiu o beijo da gêmea.

Os pais, Camilla Neves, 25 anos, e Rodrigo Aragão, 30, se dividem nos cuidados das filhas. Também acompanham, atentos, os procedimentos e as recomendações feitos pela equipe de saúde. O casal define Lis como mais séria do que a irmã. De personalidade forte, é compenetrada e mais tranquila. Mesmo assim, ao lado de Mel, busca por ela a todo instante.

A mãe, que aguardou por esse momento quase um ano, descreve a sensação de tê-las nos braços novamente juntas, mas, desta vez, não mais unidas pela cabeça. “Está sendo maravilhoso. É uma coisa de outro mundo, uma outra sensação”, ressaltou.

Junto do pai, Camilla levou as filhas para a fisioterapia e, depois, acompanhou o banho de sol. “O pai delas ficou segurando uma e a fisioterapeuta, a outra. Eu fiquei olhando e pensando ‘gente, parece mentira, parece um sonho que elas estão assim’. Eu não acredito que isso está acontecendo. É muito lindo”, frisou.

A servidora do Ministério da Saúde contou como é o convívio das duas: “É muito bonitinho elas brincando, elas se tocando. Uma toca na outra e ri. Aí tem horas que a outra não quer e fica aquela coisa de irmão. Para mim, é maravilhoso, é o que eu tanto esperei. Meu coração explode de felicidade”, acrescentou.


As duas sorriem uma para a outra, trocam carinhos e mantêm hábitos antigos, como trocar as chupetas entre elas (Divulgação/Hospital da Criança de Brasília)  

As duas sorriem uma para a outra, trocam carinhos e mantêm hábitos antigos, como trocar as chupetas entre elas

 




Sonhos para o futuro
Além de sair com as filhas do hospital, o pai das meninas sonha em levá-las ao shopping, passear no Parque da Cidade e andar ao ar livre. “Eu acho que elas vão ser muito próximas. Até as manias que elas tinham já estavam se repetindo no quarto, como tirar a chupeta uma da boca da outra e colocar na boca, tomar o brinquedo da outra, segurar no braço, beliscar”, contou, aos risos.

Supervisor comercial, Rodrigo estava em viagem a trabalho na semana passada. Quando chegou, reencontrou Mel na enfermaria, após ser liberada da UTI. Para ele, vê-las juntas novamente é uma sensação de vitória. “Na hora em que eu entrei no quarto, a Mel já começou a rir e deu o braço para eu pegar no colo. A Lis é mais quietinha, mais séria. Ela estava chorosa, porque tinha acabado de acordar, e não queria muito colo, mas foi muito bom”, ressaltou.

Ainda não há previsão de alta para a família voltar para casa, mas Lis e Mel tiveram uma recuperação considerada surpreendente pela equipe médica. Lis despertou do coma antes do previsto, menos de 48 horas após a cirurgia. Mel está na enfermaria há sete dias. Descrita como “sapeca”, ela faz a alegria de todos.



As gêmeas antes da separação, unidas pelo crânio, formavam um coração; a cirurgia, realizada em 27 de abril, marcou a história da saúde no DF; as duas se encontraram pela primeira vez desde o procedimento na semana passada (Arquivo Pessoal)  
As gêmeas antes da separação, unidas pelo crânio, formavam um coração; a cirurgia, realizada em 27 de abril, marcou a história da saúde no DF; as duas se encontraram pela primeira vez desde o procedimento na semana passada





Para saber mais

Caso raro no mundo 

Mel e Lis nasceram em 1º de junho de 2018 e ficaram unidas pela cabeça por 10 meses. Elas foram o primeiro caso de gêmeos craniópagos (unidos pelo crânio) registrado no Distrito Federal. Em abril, passaram por um procedimento de alta complexidade, todo feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para poderem se separar. A cirurgia, dividida em 36 etapas, começou às 6h30 do sábado, 27 de abril, e só terminou às 2h30 de domingo, 28 de abril.




"Para mim, é maravilhoso, é o que eu tanto esperei. Meu coração explode de felicidade”
Camilla Vieira, mãe das gêmeas



"Eu acho que elas vão ser muito próximas. Até as manias que elas tinham já estavam se repetindo no quarto”
Rodrigo Aragão, pai
 
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Correio Braziliense Monday, 27 de May de 2019

ANTÁRTICA - TIO MAX CONTRA DRAKE

 


Correio Braziliense Sunday, 26 de May de 2019

O BRASIL NA ANTÁRTICA

 


ANTÁRTICA
 
O Brasil na última fronteira do planeta
 
Nova Estação Comandante Ferraz será inaugurada em março do próximo ano. A reportagem do Correio visitou a base no continente gelado. Os últimos detalhes, como testes em todos os equipamentos, estão sendo feitos pela equipe de militares da Marinha

 

» José Carlos Vieira 
Enviado especial

Publicação: 26/05/2019 04:00

Almirante Sergio Guida: potencial antártico precisa ser mais explorado (Fotos: José Carlos Vieira/CB/D.A Press)  

Almirante Sergio Guida: potencial antártico precisa ser mais explorado

 



Antártica — Até outubro, ninguém chega e ninguém sai do continente antártico. As temperaturas extremas e os fortes ventos, além de um mar extremamente perigoso, impedem qualquer aventura humana. A convite da Marinha do Brasil, o Correio participou da última missão 2018/2019 na região. O foco da jornada à fronteira gelada brasileira eram as ações finais para a inauguração da nova Estação Comandante Ferraz, em março do ano que vem, como destacou, em entrevista na cidade chilena de Punta Arenas, o contra-almirante Sergio Gago Guida, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm). Agora começa a fase do comissionamento da estação. “Levaremos os equipamentos até o limite. Precisamos que todas as instalações estejam funcionando sempre em uma situação próxima às quais elas foram projetadas. Não podemos ter falhas”.


Rumo ao desconhecido

Não é você que escolhe ir para a Antártica, é a Antártica que escolhe você. Essa frase foi dita, em pelos menos três ocasiões, por militares da Marinha, responsáveis pela missão que levará a reportagem do Correio ao continente gelado. O início da jornada rumo à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) começa em Punta Arenas, no Chile. A previsão de embarque no avião Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), é às 6h, se o tempo, sempre instável na região mais austral do planeta, permitir.

Estamos no fim de março, a poucos dias para o término do verão, a temperatura na bela cidade chilena está em torno dos 8º C. Ventos moderados. O céu de um azul-escuro acolhe um frio sol avermelhado, que se põe por volta das 20h. Punta Arenas é hoje uma charmosa atração turística com 150 mil moradores localizada na Patagônia chilena.

O primeiro avistamento da estação  

O primeiro avistamento da estação

 


Agora é meia-noite, faltam algumas horas para o voo. A equipe coordenada pelos comandantes Carla e Felipe (nomes de guerra dos militares da Marinha) avisará qual o horário exato para estar com o grupo base no Hotel Cabo de Hornos. Como dormir numa ansiedade dessas? O jeito é esperar, esperar... À 1h, pelo WhatsApp, a hora do embarque é confirmada: 6h30. Todo o material de viagem precisa ser despachado do hotel às 4h. 

A Antártica é o principal regulador térmico da Terra. A região controla as circulações atmosféricas e oceânicas, influenciando o clima e as condições de vida em todo planeta. As frentes frias, as chuvas que caem em Brasília, por exemplo, têm a ver com sistema antártico. Além disso, a região onde se localiza o Polo Sul guarda uma das maiores reservas de gelo (90%) e água-doce (70%) da nossa Terra. Seus recursos minerais e energéticos são incalculáveis (ouro, petróleo, gás natural), sem falar da biodiversidade, um dos principais focos de atuação dos cientistas brasileiros na região, que buscam substâncias capazes de ajudar na cura de doenças como o câncer, por exemplo.

Responsável pelo Programa Antártico Brasileiro (Proantar), o contra-almirante Sergio Gago Guida, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm), dá como exemplo o interesse da Friocruz pela biodiversidade na região. A instituição está entrando no Proantar agora. “Nós temos uma dependência muito grande de importação de material anticongelante para algumas cirurgias. Existem alguns organismos na Antártica que possuem essa capacidade anticongelante e que podem ser estudados e explorados”.

Bagagem pesada

Punta Arenas, banhada pelo Pacífico, é o derradeiro pedaço de terra ligado ao continente americano. Depois das águas geladas do Estreito de Magalhães, pequenas ilhas são os últimos torrões da América do Sul. Pelo estreito, cruzam navios mercantes que fazem a rota entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Mas, desde a construção do Canal do Panamá, no início do século 20, esse trecho vem perdendo protagonismo comercial.

Carregar para o Hotel Cabo de Hornos a bagagem e os equipamentos de sobrevivência (cerca de 12kg), entregues anteriormente pela Marinha, é a primeira grande e pesada tarefa: botas com forro, casaco corta-vento com capuz, jardineira de tecido impermeável, conjunto capa de chuva, macacão Mustang (quase uma roupa de astronauta), luva e óculos corta-vento são alguns dos acessórios oferecidos pelo Proantar para os pesquisadores e os poucos visitantes da estação.

O cais da EACF  

O cais da EACF

 


A viagem começa 

Às 6h45, embarcamos no avião cargueiro Hércules C-130 rumo à base chilena na Antártica Eduardo Frei Montalva. De lá, seguiremos no navio polar Almirante Maxmiano para a estação brasileira. O Hércules parece um grande contêiner voador, passageiros e tripulação se misturam aos equipamentos pesados e mantimentos que serão entregues à EACF, localizado na Ilha do Rei George, na Península de Keller. Os protetores auriculares entregues aos passageiros reduzem pouco o barulho dos potentes motores de 4.590 cavalos.

A aventura começa! Imagens do céu antártico vistas da pequena janela do avião impressionam. O C-130 é uma aeronave de guerra, fabricada pela norte-americana Lockheed, capaz de aterrissar em pistas pequenas ou improvisadas. “Tem capacidade para 20 toneladas de carga. A nossa configuração permite o transporte de 56 passageiros, além da carga da Marinha”, destaca o suboficial Freire, da FAB.

Da cabine do avião, o major Nicolás, comandante do FAB 2467, explica ao Correio os detalhes do trecho aéreo. “Este é o sexto voo do trigésimo sétimo ano da Operação Antártica. Estamos a uma altitude de 6 mil metros, numa velocidade de 520 km/h. Esperamos que os senhores estejam no solo o mais breve possível e em segurança.” Foi mesmo um voo tranquilo, em torno de três horas e meia. Cada passageiro convidado pelo Proantar paga simbolicamente (taxa de embarque) US$ 15 pela viagem.

Os habitantes ilustres (Alan Arrais/NBR/Agência Brasil)  

Os habitantes ilustres

 


22 graus abaixo de zero

Antes de o avião tocar no solo da base chilena, o alerta é dado: todos devem se agasalhar totalmente, a sensação térmica no local beira os -22º C. A porta da aeronave se abre. Entramos num mundo gelado, branco... agora dá para entender quando se fala que a Antártica é o local parecido com a Lua. Simbolismo bem metafísico, mas procede.

Rajadas de vento... neve caindo... demais para um repórter que sempre viveu no Planalto Central do Brasil. Tudo, tudo branco, o horizonte tomado por uma névoa quase azul. Com muito esforço, vê-se, fundeado, o navio polar Almirante Maximiano. E como chegar lá?

Botes salva-vidas começam a sair do navio rumo à praia. Teremos de subir nesses botes para chegarmos à embarcação. Mais uma aventura! Qualquer acidente, uma queda n’água, pode resultar em morte por hipotermia. Bastam apenas três minutos, mesmo agasalhado, para vir a óbito. Mas o trabalho dos marinheiros, extremamente treinados, põe em segurança todos a bordo.

Da base chilena à estação brasileira, a duração é em torno de três horas de navio. Pisaremos em solo brasileiro na Antártica no fim da tarde. Teremos apenas quatro horas para a primeira visita à EACF. Depois, voltaremos de bote ao navio, onde dormiremos, pois os equipamentos e móveis da estação só devem chegar no começo do próximo verão, fim de outubro.

Em terras brasileiras

O Almirante Maxmiano, o Tio Max, chega à Baía do Almirantado. O navio polar, que tem um imponente cumprimento de 93,4m, parece um barquinho de papel, tais as dimensões gigantescas do local em que se encontra a estação brasileira. Devagar, a embarcação se posiciona para que possamos ir à terra. As imagens impressionam! As primeiras sensações são de alegria quase infantil, vontade de ficar rindo à toa, extasiado por presenciar uma região em que poucos humanos tiveram a sorte de estar. O repórter do Correio está.

Na preparação para pegar o bote, é necessário usar o macacão Mustang, que pesa em torno de 4kg, a bota especial, uns 2kg, além da roupa interna. E não é fácil vesti-los. Para um marinheiro de primeira viagem, demora ainda mais. Antes da partida à estação, o comandante do navio e capitão de mar e guerra, Candido Marques, informa que a missão terá o retorno ao continente sul-americano antecipado em dois dias, devido ao mau tempo previsto na passagem do Estreito de Drake. O comandante está preocupado com a segurança do navio e da tripulação.

Teremos só a tarde e o dia seguinte para conhecer e circular pela Estação Antártica Comandante Ferraz. Tudo bem, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, do Apollo 11, passaram um período de 21 horas na Lua.

Os dois botes com as equipes partem para a base. As águas na Baía do Almirantado estão calmas, apenas os ventos cortantes e gelados atrapalham a travessia. À medida que aproximamos, se percebe a dimensão dos dois blocos recém-construídos, onde ficarão cientistas e militares a partir de março do próximo ano — quando a estação será oficialmente inaugurada.


Perigo no mar
Conhecida como a travessia mais perigosa do planeta, a passagem de Drake, estreito de Drake ou mar de Drake liga a América do Sul à Antártica. Com apenas 650 quilômetros de largura, divide os oceanos Atlântico e Pacífico. As correntes que contornam a Antártica e a região aberta tornam o fluxo de água violento com ondas que chegam a 12 metros de altura. Um cemitério de embarcações desde o início das grandes navegações. O nome foi dado em homenagem ao explorador Francis Drake.
 
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Correio Braziliense Saturday, 25 de May de 2019

PRÊMIO PARA JOVEM CIENTISTA BRASLEIRA

 


CIÊNCIA - Prêmio para jovem cientista

 

» BEATRIZ ROSCOE*

Publicação: 25/05/2019 04:00

 
 
A jovem brasileira Juliana Davoglio Estradioto, de 18 anos, ganhou — em primeiro lugar — um prêmio internacional de ciência. Ela desenvolveu um projeto de pesquisa sobre o aproveitamento de resíduos de noz macadâmia para curativos de ferimentos da pele ou para embalagens. A premiação foi na categoria de Ciência dos Materiais, da Intel International Science and Engineering Fair, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos.

Em homenagem a Juliana, natural de Osório (RS), um asteroide receberá o nome dela.  A jovem ainda ganhou US$ 3 mil. Com ela, concorreram 1.800 estudantes entre 15 e 19 anos de vários países. O projeto da brasileira começou a ser desenvolvido no ensino médio e foi acompanhada pela orientadora, Flávia Twardowsky. Outros 28 jovens brasileiros participaram da feira. O Brasil foi a nação mais premiada da América Latina e a 10ª do mundo. Juliana já faturou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais. “Nós, jovens, não somos o futuro, somos o presente e podemos mudar o mundo”, afirmou.
 
*Estagiária sob supervisão
de Odail Figueiredo
 
>> entrevista Juliana Davoglio Estradioto
 
Como foi o processo de desenvolvimento da pesquisa?
Tive apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, usei laboratórios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O material de pesquisa vinha do Instituto Federal do Espírito Santo. Também tive muito apoio da minha orientadora. Com isso, consegui apresentar o projeto em congressos nacionais e internacionais. Minha ida aos Estados Unidos foi custeada pela Feira Nacional de Ciência e Engenharia.
 
O que te levou, tão nova, a se interessar pela pesquisa?
Há um estereótipo de que cientista é tipo o Einstein, um gênio maluco. É muito importante quebrar esse estereótipo, para que os jovens não enxerguem ciência como algo distante. Descobri a ciência no ensino médio e me apaixonei pela pesquisa. Costumo dizer que nós, jovens, não somos o futuro, somos o presente e podemos mudar o mundo. Investir nos jovens é fundamental, e a ciência foi a forma que escolhi para melhorar o mundo.
 
Você quer fazer faculdade fora do Brasil, mas disse que pretende voltar para cá. Por quê?
O Brasil é o meu lugar. Quero incentivar a pesquisa no ensino básico, para que outros estudantes sejam estimulados e possam também transformar suas realidades. É preciso que a ciência, a educação e a pesquisa sejam valorizadas no país.
 
Como você imagina que será sua vida no futuro?
Tenho certeza de que farei três coisas: ciência, divulgação e educação científica. Já tenho uma iniciativa de divulgação científica, voltada para meninas cientistas. O Instagram do projeto é o @meninascientistas. E também pretendo cursar faculdade de química.
 
Em tudo isso que você viveu, o que a marcou?
O intercâmbio cultural expandiu meus horizontes. Ver meninas de burca apresentando projetos científicos foi algo muito bonito. Também tive contato com pessoas incríveis de Porto Rico, Panamá...É muito bonito ver como a América Latina compartilha de muitas coisas.
 
Que dica você deixa para jovens que têm interesse pela ciência?
Não tenham medo de começar, porque pode parecer assustador, mas não é. Acreditem em si mesmos. Busquem apoio de professores e da escola, além de parcerias. Por último, escolham um assunto pelo qual sejam apaixonados e que os inspirem.
 
Qual é a sensação de saber que um asteroide terá seu nome? 
É indescritível. Alguns asteroides têm os nomes de grandes cientistas como Einstein, Marie Curie... Acho que é um belo jeito de incentivar os jovens cientistas a seguirem esse caminho. Não sei que nome colocarei, mas acho que será a junção dos meus dois sobrenomes. Algo como Davoglioestradioto.
 
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Correio Braziliense Friday, 24 de May de 2019

HOMOFOBIA - STF DEFINE COMO CRIME DE RACISMO

 


STF define homofobia como crime de racismo
 
 
Corte declara omissão do Congresso no enfrentamento da discriminação contra o público LGBTI e forma maioria a favor da criminalização de ofensas a homossexuais e transexuais

 

JORGE VASCONCELLOS

Publicação: 24/05/2019 04:00

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou ontem o julgamento de duas ações que pedem a criminalização da homofobia e suspendeu a sessão após alcançar uma maioria de seis votos a zero favorável ao acolhimento do pleito. O presidente da Corte, Dias Toffoli, anunciou que a análise da questão prosseguirá em 5 de junho. A sessão foi realizada mesmo depois de o Senado, por meio de um ofício, informar ao STF sobre a aprovação, na quarta-feira, de dois projetos relativos ao tema, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Com base no ofício do Senado, Toffoli pediu que o plenário deliberasse sobre adiar ou não o julgamento. A maioria decidiu prosseguir a análise das duas ações, cuja base da argumentação é justamente a omissão do Congresso em legislar sobre o assunto — uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) e um Mandado de Injunção (MI).

Celso de Mello, relator da ADO, condenou a demora do Congresso em aprovar uma lei para criminalizar a homofobia. Segundo ele, a validação dos dois projetos na CCJ do Senado teria ocorrido na “25ª hora”.

“Não obstante respeitável o esforço dispensado pelo Congresso Nacional no sentido de instaurar o debate legislativo em torno da questão da criminalização da homofobia e da transfobia, revela-se inquestionável, no entanto, a ausência conspícua de providências no sentido de superar a situação de inequívoca e irrazoável inércia deliberandi ora constatada no presente caso”, afirmou o ministro.

Alexandre de Moraes também criticou o Congresso e afirmou que, mesmo com as recentes aprovações, não é possível garantir que os projetos serão sancionados ou entrarão em vigor. “Não é líquido e certo, por mais que o esforço tenha sido feito no Senado, que a Câmara aprovará ou não. Ou que a Câmara aprovará exatamente o mesmo projeto aprovado. E não é líquido e certo, até porque isso é uma prerrogativa do presidente da República, que haverá sanção integral”, disse Moraes.

Marco Aurelio Mello, por sua vez, ao defender o adiamento, disse que o momento seria o de respeitar as atribuições tanto do Legislativo quanto do Executivo. “Creio que é um pano de fundo muito sensível. O momento é de deferência para com os demais poderes. Não me refiro apenas ao Legislativo, mas de deferência também para com o Executivo”, frisou.

O advogado criminalista Thiago Turbay, consultado pela reportagem, disse que, embora a homofobia seja extremamente reprovável, não cabe ao STF legislar sobre matéria penal. “A aprovação, na CCJ do Senado, da criminalização da homofobia deve repercutir no Supremo com um efeito de espera, para que o Senado e o Congresso Nacional como um todo decidam sobre a matéria, mas com o comando claro de que a matéria deva ser decidida no tempo mais célere possível”, ressaltou. “Acho que não é tolerável esperar a morosidade legislativa para que a matéria seja normatizada.”

Tanto as ações no STF quanto os projetos no Senado propõem incluir a homofobia na Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que prevê sanções criminais contra o racismo. Na votação na CCJ do Senado, foram incluídos, no texto dessa lei, os termos “intolerância” e “sexo” ao lado de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. Segundo as alterações aprovadas na Lei do Racismo, quem “impedir ou restringir a manifestação razoável de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público, ressalvados os templos religiosos, poderá ser punido com pena de um a três anos de reclusão”.

Votos
Os ministros que votaram contra adiar o julgamento foram Celso de Mello, Edson Fachin, Luis Roberto Barroso, Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Ficaram vencidos Marco Aurelio Mello e Dias Toffoli.

A cantora Daniela Mercury e a mulher, Malu Verçosa, acompanharam na primeira fila (foto) a vitória do movimento LGBTI, ontem, na mais alta instância de Justiça do país. O STF decidiu retomar o julgamento mesmo depois de o Senado, por meio de ofício, informar o tribunal sobre a aprovação, na quarta-feira, de dois projetos relativos ao tema. Dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, os seis que já se pronunciaram entenderam que houve omissão do Congresso em legislar sobre o tema e votaram para  que ofensas a homossexuais e a transexuais sejam enquadradas como uma forma de racismo. Apesar de o presidente do Supremo, Dias Toffoli, ter suspendido a sessão e anunciado que será retomada em 5 de junho, já há maioria formada, no plenário da Corte, sobre a criminalização da homofobia. (Fátima Meira/Futura Press)

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Correio Braziliense Thursday, 23 de May de 2019

REFILMAGEM DE ALADDIN: A VOLTA DO GÊNIO

 

A volta do gênio!
 
 
 
Refilmagem de Aladdin traz a magia das mil e uma noites às telonas. Destaque para Will Smith, que sai da lâmpada para ajudar a combater o maligno Jafar

 

Ricardo Daehn

Publicação: 23/05/2019 04:00

O famoso Gênio da Lâmpada, agora interpretado por Will Smith, é uma das atrações de Aladdin (papel do jovem Mena Massoud)
 (Daniel Smith/Disney Enterprises)  

O famoso Gênio da Lâmpada, agora interpretado por Will Smith, é uma das atrações de Aladdin (papel do jovem Mena Massoud)

 

 
Mesmo com uma boa carga de aceitação por parte do público capaz de validar versões live-action para animações famosas, como Alice no País das Maravilhas, Malévola, A Bela e a Fera e Cinderela —, um novo remake entra para o rol dos filmes a serem testados pelos espectadores familiarizados com o sucesso Aladdin, de 1992. É pela conquista do coração e, claro, dos sentimentos mais nobres da princesa de origem árabe Jasmine (a britânica Naomi Scott), que o plebeu protagonista Aladdin (o egípcio Mena Massoud) luta.
 
O astro Will Smith vive o icônico personagem do Gênio da Lâmpada. Na etapa de divulgação do filme, Smith foi visto e clicado à exaustão visitando de surpresa o ídolo do futebol Neymar, em Paris.
 
Coordenando as altas expectativas geradas pela nova adaptação para a tela, o diretor inglês Guy Ritchie, cinquentão famoso por dar nova roupagem para filmes como Destino insólito, Sherlock Holmes e Agente da U.N.C.L.E., responde pelo desafio proposto pela Disney. No remake, Agrabah segue como território em que são encenados dramas e comédias extraídos de enredo descrito na obra As mil e uma noites. Para o novo filme, as locações se concentraram na Inglaterra e na Jordânia.
 
Elementos originais, como o uso de tapete voador, criado em ilusões da computação gráfica, convivem com críticas ácidas de fãs do primeiro filme. Houve reações muito adversas quando apareceram as imagens do gênio vivido por Will Smith. Talvez passe o choque do comparativo (injusto) com a lembrança do talento vocal emprestado pelo comediante Robin Williams (morto em 2014) na animação de 1992.
 
Para atrapalhar o amor entre Jasmine e Aladdin, o feiticeiro do mal Jafar (Marwan Kenzari) segue agindo contra o bem. O holandês Kenzari tem, por sinal, quase se transformado em especialista em refilmagens, dadas as recentes retomadas de Ben-Hur e Assassinato no Expresso do Oriente, nas quais marcou presença.

Uma peça fundamental na trama: a poderosa princesa Jasmine (Naomi Scott)
 (Daniel Smith/Disney Enterprises)  

Uma peça fundamental na trama: a poderosa princesa Jasmine (Naomi Scott)

 



Animais garantidos
 
Cultuados na versão animada, os animais de estimação dos personagens centrais parecem ter sido preservados por Ritchie: figuram nas peças de divulgação do longa o macaco Abu, o tigre Rajah e o papagaio Iago. O quanto de aproveitamento das músicas do filme original, que trouxe peças assinadas por Alan Menken, Howard Ashman e Tim Rice, também aponta para o suspense. Ainda assim, o astro Will Smith se disse intimidado por assumir uma nova roupagem para a conhecida música Prince Ali.
 
Entre novas versões esperadas para Friend like me e A whole new world (vencedora de Oscar, em 1993), uma música inteira foi criada para encampar e fixar as adaptações acopladas à personalidade de Jasmine. Entra nesta cota de esforço o “desafio de ser contemporâneo”, comentado pelo diretor Guy Ritchie para o blogue internacional io9. O feminismo promete despontar ainda mais na cortejada filha de sultão. Vale o reforço de que ela, em muito, se empenha para apregoar a necessidade de trazer liberdade para o povo de Agrabah.
 
Embutir frescor e vitalidade, entre adições no desenvolvimento do roteiro, numa medida equilibrada que valorize ainda o teor de nostalgia, foi dos propósitos abraçados pelo realizador. Numa das jogadas (que reorientam a trama), um príncipe interpretado por Billy Magnussen (Caminhos da floresta) foi incorporado ao filme. Evolução na adaptação é um dos pontos reclamados pelo cineasta que, entretanto, ressalta não ter como dom e vontade de “amargar a diversão familiar” aguardada pelo público da Disney.
 
“Mais do que prezar pela essência, a atenção nos ajustes devem residir na lealdade ao material original”, comentou Ritchie ao blogue io9. Com quase
 
 US$ 2,8 bilhões de lucros nas bilheterias, Avatar segue na liderança como o filme mais assistido, em escala mundial, em todas as épocas; mas, curiosamente, Aladdin segue numa posição interessante no ranking. Está, praticamente, entre os 200 filmes mais vistos de todos os tempos, atrás de outra virtual história de amor impossível: Ghost.
 
 
 
 
 
Crítica A juíza  ****
 
 (Magnolia Pictures/ CNN Films/Divulgação)  
 
Outra estreia é A juíza, longa assinado pela dupla Julie Cohen e Betsy West. Ícone depois dos 80 anos de idade, a notória segunda mulher a integrar a Suprema Corte norte-americana, Ruth Bader Ginsburg, mostra a que veio. Destaque para as declarações que ela faz à mulher que venera — a abolicionista e sufragista, nascida no século 18, Sarah Grimké, famosa por defender a igualdade entre homens e mulheres.
 
O documentário investe a favor da equidade entre minoria e maioria que compõe a sociedade e a visão do tribunal como oportunidade de ensinar. Além disso, faz da discreta e tímida Ruth (conhecida pela sigla RBG) uma figura, na cultura dos EUA, vistosa a ponto de balançar presidentes como Trump, Jimmy Carter e Barack Obama. No lugar de gritos, Ruth se fixa em argumentos sólidos, imprimindo a austeridade reproduzida na ficção Suprema, baseada na vida dela e que recentemente chegou aos cinemas.
 
Com o retrato do trabalho duro, da atenção para com os outros e, sobretudo, pelas vias da educação, RBG ganha, em muito, pela capacidade de autocrítica — a ponto de pedir desculpas públicas, quando de um erro em meio ao processo eleitoral americano. O marido Marty (morto em 2010) ganha um retrato adequado (em relação ao visto em Suprema). Admirável, e com a capacidade de rir de si mesma, e de interagir, na base da camaradagem entre pares, a juíza segue firme, detendo um panorama de indignidades que atingem aquelas e aqueles menos favorecidos. (RD)
 
 
 
 
 
Outras estreias
 
 (Sony Pictures/Divulgação)  
 
Brightburn — Filho das trevas 
• De David Yarovesky. Sinistra criança chega à Terra, vinda de outro mundo.
 
 
 (FOX/Divulgação)  
 
Tolkien
• De Dome Karukoski. Nicholas Hoult interpreta o célebre autor J.R.R. Tolkien, de obras como O hobbit e O senhor dos anéis.
 
 
 (Reprodução/Internet)  
 
Os papéis de Aspern
• De Julien Landais. Homem assume falsa identidade, nesta adaptação de obra escrita por Henry James, a fim de desvendar segredos do poeta Jeffrey Aspern. Destaque para a veterana Vanessa Redgrave no elenco.
 
 
 
A costureira de sonhos
• De Rohena Gera. Em Mumbai, uma viúva pretende galgar a condição de estilista e confronta tradições e seus sentimentos.
 
 (Reprodução/Internet)  
 
Hellboy
• De Neil Marshall. A ressurreição de uma rainha sanguinária coloca em evidência o potencial do raro herói batizado Hellboy.
 
 
 (Guilherme Toste/Divulgação)  
 
Mormaço
• De Marina Meliande. Uma defensora pública, às vésperas das Olimpíadas de 2016, se vê em choque contra o Estado e a favor da manutenção da rotina dos moradores da Vila Autódromo.
 
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