Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)
Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.
O Globo Thursday, 02 de July de 2020
SABRINA SATO FALA SOBRE RELAÇÃO COM O MARIDO
Sabrina Sato fala sobre relação com o marido, Duda Nagle, na quarentena
THAYNÁ RODRIGUES
Sabrina Sato e Duda Nagle (Foto: Reprodução)
Sabrina Sato, Duda Nagle e Zoe fizeram uma pequena viagem para um sítio no interior de São Paulo nesta semana. A apresentadora sentiu necessidade de descansar após meses ininterruptos de trabalho. O passeio para a zona rural seguiu as normas da Organização Mundial de Saúde.
— Alugamos o sítio para ficar cinco dias com toda a família. Meu irmão (Karin Sato) me ajudou. Sou de Penápolis, mas não fomos para lá porque ficaria muito distante. Não sei se consigo fazer um detox de redes sociais porque é difícil não trabalhar pelo celular — conta ela, que está no local com os irmãos, os pais e a sogra, Leda Nagle.
Mais relaxada, ela se dedica à filha e curte o marido, Duda Nagle. Sabrina conta que, apesar do período delicado, tem conseguido aproveitar os momentos com o marido:
— Temos namorado bastante! Curto muito o Duda. E também passo bons momentos com meus irmãos, meus pais e a Zoe. Mantive exercícios de três a cinco vezes na semana.
Sabrina, que conversou sobre brinquedos eróticos com as amigas atrizes Juliana Paes e Ingrid Guimarães em vídeos do seu canal no YouTube, diz que recebeu boas dicas para colocar em prática.
— Nossa! Duda e eu na quarentena... (risos) — brinca Sabrina, tímida. — Ingrid Guimarães me mandou vários, Juliana Paes me deu um muito especial de presente. Ela disse que tinha comprado e que ia ser maravilhoso para mim. Eu gostei!
Sabrina Sato e Duda Nagle (Foto: Reprodução)
O Globo Wednesday, 01 de July de 2020
LIVES DE HOJE: PREMIAÇÃO TEATRAL COM NEY LATORRACA E MAIS
Lives de hoje: premiação teatral com Ney Latorraca e mais
Programação desta quarta-feira (1º7) também inclui bate-papos ao vivo com nomes como Murilo Rosa, Ana Botafogo e Paulo Betti
O Globo
01/07/2020 - 05:38
O ator Ney Latorraca Foto: Leo Martins / Agência O Globo
A agenda de lives desta quarta-feira (1º/7) inclui atrações teatrais e musicais. Destaque para a cerimônia virtual do Prêmio APTR, transmitida ao vivo e com apresentação de Miguel Falabella Maria Padilha nesta noite. Veja a programação completa abaixo.
Lives de hoje, 1º de julho (1/7):
Teatro:
Prêmio APTR: A 14ª edição do prêmio promovido pela Associação dos Produtores de Teatro acontece em formato virtual, hoje às 19h, no Youtube. Apresentada por Miguel Falabella e Maria Padilha, a cerimônia anunciará os destaques teatrais de 2019 e prestará homenagem especial a Ney Latorraca.
‘Agosto’ e mais peças: Sucesso nas últimas temporadas teatrais, a montagem do texto de Tracy Letts estrelada por Guida Vianna pode ser assistida gratuitamente na plataforma criada pelo Oi Futuro. Até 27 de julho, outras quatro peças seguem disponíveis no catálogo: “A reunificação das duas Coreias”, sob direção de João Fonseca; “Labirinto”, com texto de Alexandre Costa e Patrick Pessoa; e os infantis “Thomas e as mil e uma invenções” e “Um sonho para Meliés”.
Teatro PetroRio das Artes: A sala na Gávea estreia hoje, em seu perfil no Instagram (@teatropetroriodasartes), uma série de encontros artísticos comandados por Suzana Pires. Hoje, às 21h, a atriz e autora recebe o ator Paulo Betti para um papo bem-humorado sobre teatro.
‘Talentos’: Enquanto prevalecem as restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, o reality show inédito da TV Cultura — que elegerá um novo grande nome do teatro musical brasileiro — promove transmissões ao vivo no Instagram (@talentos_tvcultura). Hoje, às 18h, o ator e apresentador Jarbas Homem de Mello recebe Murilo Rosa, que comentará sobre trabalhos antigos e projetos futuros na área.
Show:
‘Encontros Petrobras Sinfônica’: Transmitido todas as quartas-feiras, às 11h — no canal da orquestra no Youtube —, o evento recebe hoje a bailarina Ana Botafogo, que conversa com o violoncelista Hugo Pilger sobre música, dança e rotina na quarentena.
O Globo Tuesday, 30 de June de 2020
PRIMEIRA VOLUNTÁRIA BRASILEIRA A RECEBER A VACINA DE OXFORD: NOA TIVE MEDO!
'Vivo no meio do caos, não tive medo', diz primeira brasileira a receber vacina de Oxford contra coronavírus
Cirurgiã dentista do Hospital São Paulo, Denise Abranches é um dos 2 mil voluntários no estado a participar da fase de testes da vacina contra a Covid-19 no Brasil: "É um ato de amor se voluntariar"
Ana Letícia Leão
29/06/2020 - 20:10 / Atualizado em 30/06/2020 - 09:10
Denise Abranches é um dos 2 mil voluntários de São Paulo a participar dos testes para a produção da vacina de Oxford Foto: Divulgação
SÃO PAULO — Vivendo o maior desafio de sua carreira em mais de 20 anos de trabalho como profissional da saúde, a coordenadora da Odontologia do Hospital São Paulo e a primeira voluntária brasileira a receber a vacina em teste contra o coronavírus, Denise Abranches, de 47 anos, diz que a necessidade em ajudar a ciência no combate à doença que já matou mais de 500 mil pessoas no mundo é a sua principal motivação para participar.
Mesmo que a vacina ainda esteja na fase de testes, a cirurgiã dentista acredita que participar do projeto da Universidade de Oxford em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na busca por um imunizante contra a Covid-19 gera uma sensação de "dever cumprido".
— Se eu tenho o perfil e estou exposta ao vírus diariamente no hospital, não poderia fazer diferente. Os números me assustam muito e eu não poderia ficar só sentada, lendo o que está acontecendo — afirma.
Denise faz parte do grupo de 2 mil voluntários em São Paulo e no Rio de Janeiro que estão recebendo doses do imunizante em teste. No estado, segundo a Unifesp, passam por testes profissionais da saúde e outros funcionários do Hospital São Paulo, que têm entre 18 e 55 anos, estão expostos ao vírus, mas não foram infectados.
O Brasil está dentro do plano mundial de desenvolvimento da vacina e é o primeiro país a realizar os testes de Oxford depois do Reino Unido. Os testes com brasileiros vão contribuir para o registro da vacina no Reino Unido, previsto para o final deste ano. O registro formal, entretanto, só deve ocorrer após o fim dos estudos em todos os países participantes.
O processo de Denise como voluntária começou em 20 de junho, dia em que participou da triagem com um médico para entender como seria o estudo. Também foram realizados exames de sorologia para comprovar que ela ainda não tinha desenvolvido anticorpos contra o coronavírus e, portanto, não tinha sido contaminada pela doença anteriormente.
— Só pude participar porque deu negativo e ainda não tenho as defesas necessárias — lembra.
Três dias depois, explicou a cirurgiã, foi aplicada a dose. Como o estudo é randomizado, parte do grupo recebeu a vacina em teste contra a Covid-19 e outra parte recebeu um imunizante contra meningite. A seleção aleatória é realizada para que se observe como será o a resposta imunológica dos voluntários testados de forma imparcial.
— Estou confiante de que eu tenha recebido a da Covid, mas nem os pesquisadores sabem dizer qual eu recebi. É confidencial. Isso será revelado lá na frente, para saber se eu fui imunizada, ou não — explica.
Agora, a voluntária precisa ir algumas vezes ao Crie (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) da Unifesp para verificar as respostas imunológicas. Além disso, tem preenchido uma espécie de "diário eletrônico".
- Respondemos se estamos com alguma reação, ou desconforto. Eles chamam de eventos adversos. Mas não senti nada até então, nenhuma manifestação significativa.
Voluntária brasileira a receber vacina de Oxford faz acompanhamento no centro de referência da Unifesp Foto: Divulgação
Apesar de toda complexidade do vírus e da produção da vacina ainda estar em fase de testes, Denise descartou qualquer tipo de insegurança ao se tornar voluntária:
— Não me deu medo, porque já estou no meio do caos mesmo. Vivo diariamente no meio dos pacientes de alta complexidade, entubados na UTI. Eu já poderia ter sido contaminada em algum momento, mas não fui por causa da alta disciplina. Há um tempo, o medo da contaminação era imenso. É um protocolo Chernobyl, mas agora estou muito mais tranquila — revela.
Antes de ser aplicado em seres humanos, o patógeno foi alterado em laboratório e tornado incapaz de se reproduzir. Ele se transforma em uma vacina após ser inserido o fragmento de uma proteína do novo coronavírus. Ele, então, atua como antígeno e faz o sistema imune se preparar para a chegada do vírus verdadeiro.
Para a profissional, o dia a dia de contato com as vítimas da Covid-19 foi um forte impulso para que ela se tornasse voluntária na produção da vacina.
— É uma satisfação poder ajudar os pacientes que estão na minha cabeça quando vou embora do hospital. A gente não fica indiferente a eles. Mexe muito comigo o fato de um paciente não poder sequer ver e falar com a família. E se de repente você não tivesse mais contato com um familiar e nem do velório pudesse participar? É um ato de amor se voluntariar — diz a cirurgiã.
O Globo Monday, 29 de June de 2020
DANIELA CARVALHO, EX-MALHAÇÃO, FALA DA GRAVIDEZ E DE TRABALHO COMO FAXINEIRA NO EXTERIOR
Ex-ʽMalhaçãoʼ, Daniela Carvalho fala da gravidez e de trabalho como faxineira no exterior
THAYNÁ RODRIGUES
Daniela Carvalho, protagonista da 18° temporada de “Malhação”, está grávida de sete meses
(Foto: Tia Aline/FotoGracinha)
Daniela Carvalho, protagonista da 18° temporada de “Malhação”, está grávida de sete meses de uma menina, Serena. A atriz, que retornou recentemente dos Estados Unidos, conta que descobriu a gestação enquanto trabalhava como bartender no exterior. Sua intenção era juntar dinheiro para custear cursos de Cinema.
— Quando a gente vai trabalhar fora, a carga horária é alta. Eu achei que estava cansada por conta disso e não dei muita atenção. Mas tinha uma amiga grávida no bar e fui percebendo com mais tempo o atraso na menstruação. Aí de fato descobri que ia ser mamãe (risos). No início, foi um susto. Mas logo me adaptei à ideia. Filho é prosperidade. É uma bênção. Sempre sonhei com a maternidade antes dos 35. Acabou acontecendo. Sou uma mulher, artista, e vou me adaptar como sempre me adaptei. Decidi voltar dos Estados Unidos logo no início da pandemia para buscar meus cães. E foi uma decisão acertada porque acabaríamos ficando presos na fronteira. Moro em São Paulo com o meu namorado (o colombiano Juan Diaz, que é administrador) e decidimos ter minha filha pertinho da minha mãe — conta Daniela, de 34 anos, que vive em Itapetininga, interior do estado, e toma todos os cuidados para não contrair a Covid-19.
Recentemente, Daniela compartilhou vídeos em seu canal do YouTube mostrando como foi sua experiência de trabalho no exterior. Antes de chegar aos Estados Unidos, ela viveu na Irlanda para aprender Inglês e passou mais um tempo na Colômbia. Na Europa, a paulista trabalhou em restaurantes e fez faxina em residências:
— Compartilhei vídeos sobre a faxina na Irlanda, onde morei por oito meses. Fiz intercâmbio lá porque o país permite o estudo da língua ao mesmo tempo em que se trabalha. Eu estava ambicionando minha carreira artística. Quando a gente não tem medo e trabalho, vai seguindo e se resolvendo. As pessoas (quando viram os vídeos) falaram: “Meu Deus! Ela está fazendo faxina. Será que está passando fome?” ou "Coitada, tomara que ela se reerga!". E eu tentei acalmar as pessoas. Essa é a realidade de uma pessoa que sai do país e, claro, não tem dinheiro para se bancar. Muita gente tem preconceito. Mas é um trabalho honrado, difícil. A gente tem que valorizar. Não é demérito. Hoje em dia valorizo muito. Minha visão em relação a esses subempregos mudou muito. É a realidade da pessoa que sai do país e também a de muitas pessoas do próprio país.
Daniela relata que as pessoas permanecem curiosas em relação à sua vida e comenta que, após o nascimento de Serena, pretende seguir com o sonho da carreira no exterior:
— Quem me acompanha pelo Instagram sabe da minha trajetória. Outros me perguntam onde eu estive. Tive um curso de teatro no Rio, dei aula... O grande público acha que eu desisti na carreira. O canal no YouTube foi um meio para mostrar como funcionam os testes, os bastidores. Sempre fui a favor de viver experiências que nos transformam em seres humanos melhores. Não tenho medo de me jogar. Quando eu tiver minha neném vamos retomar essa meta de estudar e trabalhar. Nosso plano é ir para o Canadá no ano que vem porque o país é mais aberto a imigrantes.
Daniela Carvalho e Juan Diaz (Foto: Tia Aline/FotoGracinha)
Daniela Carvalho durante faxina em Dublin (Foto: Reprodução)
O Globo Sunday, 28 de June de 2020
A MODA PRETA IMPORTA
A moda preta importa: reunimos 12 personagens da indústria para debater o racismo, que vai muito além das passarelas
Estilistas, modelos, jornalista, stylist, camareira e maquiadora contam suas experiências no meio
Gilberto Júnior
28/06/2020 - 04:30
A jornalista Luanda Vieira Foto: Karla Brights
A estilista carioca Ligia Parreira costumava ver Gloria Coelho como uma referência. Chegou a gastar uma parte significativa de seu salário em um casaco da designer, arrematado nas araras de liquidação da extinta multimarcas Novamente, na Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio. Depois de ler numa entrevista, em 2009, em que a criadora afirmara que “já tinha negro demais” na São Paulo Fashion Week (costurando, fazendo modelagem) e que eles não precisavam estar também na passarela, a peça perdeu o brilho. “Percebi ali o apartheid e passei o look para frente, nem sei para quem. Essas pessoas não mudam. Tanto que modelos acabaram de compartilhar práticas racistas cometidas por ela”, diz Ligia.
A estilista Ligia Parreira Foto: Karla Brights
Dona da grife Devassas.com, a carioca do Méier afirma que não ficou “chocada” com os relatos publicados no Instagram pelo movimento Pretos na Moda e no perfil anônimo Moda Racista, que saiu do ar após o estilista Reinaldo Lourenço, ex-marido de Gloria e alvo de diversas denúncias, entrar na Justiça pedindo que a página fosse removida. A solicitação foi negada, mas a página sumiu da rede social — o que não significa que o conteúdo deva ser esquecido. À ELA, Lourenço declarou que errou e não tinha problema em admitir isso: “Estou acompanhando os protestos e as reivindicações. Eu e minha marca faremos parte dessa necessária transformação. Os próximos castings serão diferentes, com mais atenção à diversidade racial”. Indignada, Ligia acrescenta: “Parece que a indústria não nos absorve. Meu sonho é dar uma entrevista em que eu não precise falar sobre preconceito. Mas a branquitude não deixa. Tenho de justificar minha presença constantemente, a razão de estar ocupando esse lugar.”
A estilista Carol Barreto Foto: Karla Brights
Para a estilista baiana Carol Barreto, a moda brasileira é um reflexo da sociedade. “A lacuna racial deve-se ao processo histórico. A posição de criador é de um poder extremo, de total privilégio. O homem branco está no topo da pirâmide, comandando as grifes; e a população não branca está na base, executando trabalhos braçais. O Brasil não deseja esse deslocamento de um modo geral. Meu trabalho é ativista justamente por isso. Quero contribuir para um futuro de mudanças, em que todos tenham as mesmas oportunidades.”
Autodidata, Carol apresentou seu primeiro desfile no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana, em 2001. À época estudante de Letras, ela festejou a diversidade na passarela. “Atingi meu objetivo político, mas não gerei notícia. Mostrei que também somos competentes, e que o negro pode ser estilista, modelo, stylist e fotógrafo. Não precisamos estar sempre na subserviência.” Por meio de sua roupa, a baiana debateu temas urgentes como a escravidão. “A vida inteira recebi olhares questionadores, na moda principalmente. O racismo nunca é declarado. Ele usa estratégias sofisticadas para oprimir e excluir o outro.”
O estilista Luiz Cláudio Silva Foto: Karla Brights
Sucesso na São Paulo Fashion Week, o mineiro Luiz Cláudio Silva, da Apartamento 03, jamais imaginou estar no evento. “Não havia ninguém como eu lá”, explica. “Nós, pretos, vivemos à margem e, quando chegamos ao centro, não temos a possibilidade de errar. Se errarmos, seremos apontados. Temos de ser 10 mil vezes melhores do que os brancos”, acrescenta ele, que, em 2018, levou à temporada paulistana um casting só com modelos negras. “Não dá para ter só uma ou duas meninas pretas num desfile no Brasil. Foi bonito ver as garotas se olhando no espelho, trocando experiências. Uma delas segurou o choro para não borrar a maquiagem ao se dar conta do que estava acontecendo. Nós temos isso. Quando encontramos um igual na rua, nos cumprimentamos. É como se fosse: ‘Estou aqui também. Você não é o único’.”
Editora de moda da revista “Glamour”, Luanda Vieira não enxergava a cor de sua pele como “obstáculo”. E isso tem muito a ver com a educação que teve em casa. “Meus pais optaram por me criar sem falar em racismo. Se fosse alvo de comentários maldosos na escola, eles me tiravam daquele ambiente. Ser negra não era uma questão. O trabalho me abriu mais os olhos”, conta. Parte importante da engrenagem, Luanda confessa que se vê “solitária”. “Minha luta é para abrir espaço. Quero uma moda diversa”, reclama ela, afirmando que ficou “desesperançosa”, num primeiro instante, com os relatos de racismo na indústria. “Achava que não daria em nada. Mas as modelos não foram ignoradas. Elas foram extremamente corajosas e resgataram a esperança. E a esperança move.”
A modelo Camila Simões Foto: Karla Brights
Uma das fundadoras do movimento Pretos na Moda, a manequim mineira Camila Simões conta que uma “força ancestral” a impulsionou a denunciar os casos de racismo na moda brasileira. “Não vou dizer que não tive medo. Eram coisas sérias que poderiam reverberar de forma ruim na minha carreira, mas era necessário. Há séculos, pedimos para sermos ouvidos”, observa a moça, que teve problemas com Gloria Coelho. “Ela me pré-selecionou para um de seus desfiles. Durante a prova de roupa, insinuou que eu estava andando sexy demais, e isso não estava ocorrendo. No fim, acabei sendo cortada. Acho que fez isso para me machucar. Foi uma ferramenta de tortura.”
O stylist Hugo Machado Foto: Karla Brights
Numa espécie de manifesto, a designer se desculpou e se comprometeu a incluir mais modelos afrodescendentes e indígenas nas suas apresentações: “Reconheço que por séculos a moda privilegiou padrões de beleza eurocentristas, e que eu ou pessoas da minha equipe no passado possamos ter compactuado com isso”. A próxima edição da São Paulo Fashion Week, marcada para outubro, deve ser diferente. Camila afirma que Paulo Borges, diretor do evento, garantiu que metade do casting será negro. “Inclusão é a palavra-chave. Estamos trilhando um caminho de mudanças”, resume a modelo.
A modelo Rita Carreira Foto: Karla Brights
Há uma década circulando pela indústria, a modelo e influenciadora paulistana Rita Carreira diz que muita gente sabia das práticas racistas, mas se calava. “Vivemos num país preconceituoso e oportunista. Minha impressão é de que as marcas colocam as meninas pretas por cota, não por desejarem isso. Já fizeram cara feia enquanto eu desfilava. A negra também é a última na fila da maquiagem no backstage de um desfile. Nossa cara fica toda cinza porque os profissionais não têm base no tom certo, e nem mexem nos cabelos”, desabafa. “Tive de resistir. Fizeram de um tudo para eu desistir, ainda mais sendo gorda e preta. Quero apenas existir, sem me preocupar com a cor da minha pele. É exaustivo correr atrás de oportunidades e encontrar as portas fechadas.”
A maquiadora Laura Peres Foto: Karla Brights
Tida como “rebelde”, a maquiadora carioca Laura Peres levanta a bandeira da igualdade racial desde que começou a atuar no meio, em 2010. “Os racistas não dormem, nem a gente. Enquanto ocupo esse espaço, tenho poder de transformação”, pontua a beauty artist. Ela faz questão de montar equipes somente com pretos e pardos em grandes eventos como o Veste Rio, no qual a estilista brasiliense Lia Maria, da Diáspora 009, é destaque. “Sempre pedi representatividade. Nossa figura é sub-representada frequentemente. Estamos no cantinho da foto, naquela parte que quase é cortada. E nós podemos ser protagonistas, sim, e sermos considerados belos. A beleza é multifacetada”, diz Lia, em tom doce e firme. “Queremos a possibilidade de sonhar. A violência diária está nos aniquilando. Durmo e acordo rezando para não ser ‘assassinada’ por essas práticas genocidas. Não vamos mais tolerar desvalorização e o tratamento que nos foi dado até aqui.”
A estilista Lia Maria Foto: Karla Brights
Presente nos bastidores do Veste Rio e em campanhas e editoriais de moda, a fluminense Salvadora Nascimento encontrou no setor uma válvula de escape para a depressão. “Era auxiliar de serviços gerais num hotel e fui dispensada assim que voltei de uma licença médica. Estava fazendo obra e com crediário na praça. Vi num curso de costura, na Cidade do Samba, uma alternativa. Fiz fantasias para a Unidos de Vila Isabel em seu último campeonato, em 2013. Hoje, sou camareira. O que nos falta é acesso à educação. Só conquistei meu diploma de ensino médio aos 60 anos. Queria ter estudado na juventude, mas precisei trabalhar em casa de família. Tinha de dormir lá e os patrões não aceitavam o fato de eu desejar ir à escola. Falavam que, para ser doméstica, bastava saber ler e escrever o próprio nome.”
A camareira Salvadora Nascimento Foto: Karla Brights
Ao olhar para trás, o estilista baiano Isaac Silva cita Luiz de Freitas, designer negro que revolucionou o guarda-roupa do homem na década de 1980, com a Mr. Wonderful. “É preciso lembrar das pessoas que vieram antes de nós. Não podemos apagar nossa história”, pontua. “A moda é o mercado perfeito, mas há alguns agentes desumanos no meio”, acrescenta ele, que estreou na SPFW em outubro do ano passado. “Encarei o momento com responsabilidade. A visibilidade foi enorme e a marca deu um salto em vendas.”
O estilista Isaac Silva Foto: Karla Brights
Natural de Cabo Verde e radicada no Rio há 25 anos, Angela Brito debutou nas passarelas paulistanas na mesma edição de Silva, apresentando uma África contemporânea. “Minha grife mostra o negro como ele é: alegre, elegante e bonito. Não somos somente dor”, explica. “Temos uma luta comum. Nascer com essa cor é carregar uma pele política.”
A estilista Angela Brito Foto: Karla Brights
O stylist carioca Hugo Machado conclui: “É uma batalha diária, não sabemos o que vai acontecer”.
O Globo Saturday, 27 de June de 2020
MALVINO SALVADOR: GRAVIDEZ DE KYRA GRACIE FOI SURPRESA
Pai de três meninas, Malvino Salvador diz que nova gravidez de Kyra Gracie foi surpresa e declara: 'Agora fechei a fábrica'
GABRIELA ANTUNES
Malvino Salvador com a mulher, Kyra Gracie, e as filhas (Foto: Arquivo pessoal)
Malvino Salvador, que será pai pela quarta vez, conta que a gravidez de sua mullher, Kyra Gracie, foi uma grande surpresa. O casal tem Ayra, de 5 anos, e Kyara, de 3. Já Sofia, de 11 anos, é fruto de um relacionamento anterior do ator:
- É uma felicidade enorme no meio disso tudo. Não foi programado. Estávamos começando a especular sobre ter ou não mais um filho, até por causa da idade da Kyra (35 anos). A gente sabia que teria que tomar uma decisão numa data próxima, mas ainda não tinha batido o martelo. E aí veio. Logo que soube, pensei: 'Caraca, e agora?'. Surgiram logo as contas na cabeça, ter que trocar de carro para caber todo mundo... Viagem para o exterior nem tão cedo - diverte-se ele. - Brincadeiras à parte, foi um choque pela surpresa e também pelas condições em que estamos vivendo no mundo, com a pandemia e o isolamento. É uma época de muitas incertezas. Mas, logo depois do choque, disse: "Vamos embora, veio na hora certa". Porém, agora eu fechei a fábrica (risos).
A família vai descobrir o sexo do bebê em breve:
- Vamos fazer um bolão. Estamos preparando uma brincadeira virtual para ver quem acerta. Kyra já fez o exame de sangue e quem recebeu o resultado foi a irmã dela. A minha aposta é que vem um menino. Em todas as outras vezes eu acertei, com Sofia, Ayra e Kyara. Já Kyra acha que será outra menina, disse que minha sina é lidar com mulheres. O que vier está bom na verdade. Amo minhas filhas e, se for outra menina, já sabemos tudo. Por outro lado, um menino nos tiraria da zona de conforto, o que seria legal também.
Donos de uma academia de jiu-jítsu, Malvino e Kyra pretendem voltar ao trabalho presencialmente quando as autoridades liberarem a abertura do estabelecimento.
- Eu sou muito em realista em relação a tudo. Temos observado o que vem sendo dito sobre a doença e seguimos as orientações e regras para nos protegermos. Só saímos quando necessário. Ao mesmo tempo, sei que nenhuma vacina ficou pronta em menos de um ano e meio, então, tenho a noção de que uma hora ou outra terei que me expor ao risco. Não posso esperar o meio do ano que vem para voltar a minha vida, assim como a Kyra. Na minha cabeça, o principal é fazermos com que a curva não aumente para que continuemos com leitos disponíveis para os doentes. No momento, na cidade do Rio, estamos conseguindo. A situação está começando a melhorar e, por enquanto, não voltou a piorar. Vamos acompanhar para ver se vai ficar no platô - avalia ele, que por enquanto disponibiliza aulas on-line.
Para diminuir o risco de contaminação, além de seguir os protocolos recomendados pelas organizações de saúde, o ator e sua família apostam num estilo de vida saudável:
- Nos esforçamos para ter uma imunidade alta. Nos exercitamos, temos uma alimentação muito boa e valorizamos o sono. Isso é muito importante. Ficamos atentos a qualquer sintoma para agirmos rápido, caso necessário. Quando a Kyra estava grávida da Kyara, também enfrentamos uma epidemia, a de Zyka, que era bem perigosa para as grávidas. Foi complicado, mas seguimos com a nossa vida. Tanto eu quanto a minha mulher temos essa mentalidade de enfrentar o problema. Não dá para fugir eternamente. Até porque o estresse emocional também faz muito mal. Se gente ficar pensando em desgraça do tempo todo, fica travado pelo medo e somatiza isso.
- Nessa área a questão é mais complicada. Como é que você volta? Temos um grupo de atores num aplicativo de mensagens em que compartilhamos aquela notícia do ator beijando uma bola de tênis numa gravação em Portugal. Eu achei estranhíssimo. Na dramaturgia, o contato é muito importante. Acho que, de fato, vai precisar de um tempo de espera - diz ele, que está no ar na reprise de "Fina estampa". - Os fãs mandam mensagens no Instagram e a gente percebe que a história está repercutindo de novo quando a própria imprensa volta a falar dela. "Fina estampa" é um novelão clássico, e o clássico nunca sai de moda.
Kyra Gracie posa com as filhas e exibe a barriguinha da nova gravidez (Foto: Reprodução Instagram)
O Globo Friday, 26 de June de 2020
ALCEU VALENÇA LANÇA MARATONA DE SHOWS EM SÃO PAULO
Alceu Valença lança maratona de shows para São João
Cantor está à frente de festival que realiza festa junina na internet; no domingo, ele faz apresentação ao vivo, com sucessos da carreira
Gustavo Cunha
26/06/2020 - 04:38
Alceu Valença está com saudade de andar feito um cão abandonado. Enquanto mantém-se em isolamento social, o cantor caminha erraticamente dentro do apartamento onde mora, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Cronometrado com um aplicativo no celular, ele se desloca entre cômodos e corredores para cumprir a meta de dez mil passos por dia, o que equivale a 64 subidas e descidas pela escada de casa.
— É chato pra caralho, mas boto uma música num fone ou então ligo para os meus irmãos, para o povo de Pernambuco, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Santa Catarina... Está todo mundo querendo conversar, não é? — diz o músico, que completará 74 anos na próxima quarta-feira. — Sou um artista da estrada, da rua, e que agora caminha em casa e pelas vias da internet.
Nas novas andanças, ele colhe frutos adocicados. Em casa, Alceu dedilha novas letras e melodias no violão (“agora toco o tempo todo”, afirma), vasculha arquivos antigos e reencontra composições que ainda não foram gravadas — no celular, já pinçou 25 músicas inéditas, criadas durante um de seus voos, viagens de carro ou caminhadas no passado. Na internet, ele mostra que tem facilidade em transformar a tela em palco confortável.
O cantor Alceu Valença Foto: Antonio Melcop / Divulgação
Depois de cancelar 35 shows no Brasil e 16 apresentações de uma turnê internacional devido à pandemia do novo coronavírus, Alceu tem sido muito solicitado para realizar transmissões ao vivo na web, mais ainda agora, em época de festejos para São João.
Recentemente, uma empresa demonstrou interesse em contratá-lo para “acalmar os ânimos dos funcionários nos intervalos de uma reunião internética”, como o próprio conta, acrescentando que não aceitou a proposta. Outro convite já chegou de Portugal, onde ele possui residência em Lisboa.
— O pipoco é grande. Em tudo que é canto, o povo pede show. E isso é bom, porque quem catapultou o forró no mundo foi a internet. Há três ou quatro anos, saiu uma página inteira num jornal da Ucrânia sobre dois discos meus. O regional se tornou universal. Como eu imaginaria isso? — celebra. — As músicas “La belle de jour” e “Girassol”, que foram tocadas pouquíssimas vezes em rádio, vão alcançar 100 milhões de acesso no Youtube. É uma coisa inacreditável, e mostra que não dá para se explicar o viral. Acho que agora há uma nova onda na internet.
Festejos virtuais até domingo
Alceu aprendeu a navegar sobre a maré on-line. Na noite desta sexta-feira (26/6), ele dá largada para uma maratona de festas dedicadas a São João , em evento que se estende por todo o fim de semana, com produção da plataforma Pipoca e transmissão nos perfis do cantor no Youtube e no Instagram.
Nesta sexta-feira (26/6), a partir das 20h, ele apresenta nomes importantes da cena artística de Caruaru, no agreste pernambucano, e cede o microfone (virtualmente) para a Banda de Pífanos Zé do Estado e Azulinho, entre outros. No sábado (27/6), a partir das 16h, forrozeiros de Olinda ganham espaço — apresentam-se músicos como Felipe Costa, Karol Maciel, Claudio da Rabeca, Juba, Genaro e Terezinha do Acordeon. No domingo (28/6), às 16h, a festa junina se encerra com um show do próprio Alceu, que entoará clássicos de Luiz Gonzaga e sucessos de seu repertório, como “Táxi lunar”, “Anunciação” e “Coração bobo”, diretamente de uma casa que mantém na Joatinga, no Rio.
As ações ajudam a divulgar uma campanha de arrecadação para artistas de Caruaru e São Bento do Una, cidade natal Alceu — ambos os lugares viram suas receitas duramente afetadas com o cancelamento de festejos tradicionais neste período.
— São milhares de pessoas que frequentam as festas e, com isso, se hospedam nos hotéis, comem milho, vão aos restaurantes... Os eventos de São João movem a economia no Nordeste. O estigma sobre o artista tem que acabar! — manifesta-se. — Algumas pessoas que trabalham comigo estavam numa deprê arretada. São as lives que têm salvado o setor.
Público poderá interagir
Uma novidade chama atenção na apresentação que ele fará no domingo. Numa sala da plataforma Zoom, o público poderá ser visto e ouvido pelo cantor durante o show. Através de um telão instalado em casa, Alceu acompanhará as reações dos espectadores.
— Tudo no mundo é reinvenção. Temos que andar, andar. Até que tudo volte ao normal, a gente precisa esperar uma vacina que coloque esse canalha do corona na guilhotina — proseia.
O Globo Thursday, 25 de June de 2020
SABRINA SATO FALA DO TRABALHO NA QUARENTENA
Sabrina Sato fala de trabalho na quarentena e de confinamento com a família
THAYNÁ RODRIGUES
Sabrina Sato (Foto: Paulo Troya)
Sabrina Sato responde do outro lado da linha telefônica com o mesmo entusiasmo que os telespectadores estão acostumados a ver na TV. Após cumprimentos, ela quer saber como está a vida da repórter e pergunta: "Você sente que em casa trabalha mais? Eu sinto! Nossa... É muito doido!". E logo solta a risada característica. A paulista, de 39 anos, conta que está confinada em casa com o marido, o ator Duda Nagle; a filha dos dois, Zoe; e os pais, Kika e Omar Rahal:
— Minha casa é sempre cheia. Tem minha mãe, meu pai... Meus irmãos vêm às vezes, tomando os devidos cuidados, é claro.
Para receber os familiares, Sabrina segue as regras da Organização Mundial de Saúde. Há algumas semanas, ela confessa, comprou um teste para que a filha fizesse.
— Eu sou meio píssica — reforça a apresentadora, para dizer que exagera nos cuidados.
Durante o confinamento, em meio aos parentes e a um ou outro integrante de sua equipe, Sabrina recorre a um refúgio quando precisa de paz: o banheiro. Não à toa, o cômodo dá nome ao seu quadro no canal do YouTube. E, após receber estrelas como Xuxa, Bruna Marquezine, Juliana Paes e Paulo Gustavo, a atração terá uma nova temporada.
— Em alguns momentos eu corro para lá (risos). Ainda assim, a Zoe invade, o Duda invade... E depois ele reclama que eu não fecho porta. Esse quadro eu queria ter feito na TV. Ia se chamar “Tem gente?”. Uma referência à pergunta para saber se o banheiro está ocupado. Aí começou a quarentena, eu fiquei em casa sem poder trabalhar, enlouquecendo. Pensei sobre privacidade, intimidade... Imaginei que os artistas iam se abrir se estivéssemos neste cenário. Juliana Paes me perguntou se tinha que ficar pelada, Anitta decidiu tomar banho de verdade...
Numa das entrevistas, Xuxa confidenciou a Sabrina que ocasionalmente recebe visitas de topless. A paulista se diverte e se identifica com o hábito relacionado à nudez:
— Menina, não sei se ficou sabendo que, na minha gravidez, quando eu morava numa outra cobertura, me fotografaram (de topless) tomando sol grávida. E lá era bem distante de outros prédios. O corpo feminino passa por transformações na gravidez. Eu ganhei 18kg e ficava pelada tranquilamente. Na época, estava fazendo isso porque soube que era bom para os seios. Um tempo depois de isso ter acontecido, eu me mudei. Mas não ligo (de andar sem roupas). Em casa, eu fico bem à vontade mesmo. Não tenho problemas com isso. Às vezes o Duda briga comigo: "Olha o exemplo que está dando para Zoe!". Ele falou isso comigo ontem (risos)!
Espirituosa, a apresentadora afirma que durante a quarentena já passou por montanhas-russas de emoções:
— Todos nós tivemos momentos de altos e baixos. Passamos por variações físicas, espirituais, mentais. O que eu busco é o equilíbrio.
Duda Nagle, Zoe e Sabrina Sato (Foto: Reprodução)
O Globo Wednesday, 24 de June de 2020
CAMISA 10 DA SELEÇÃO COMPLETA 70 ANOS
Camisa 10 da seleção completa 70 anos e 111 jogadores já a usaram; veja o ranking
Pelé é líder, com Neymar e Rivaldo no podio. Levantamento inédito mostra quem mais se destacou por década
Thales Machado
24/06/2020 - 05:24 / Atualizado em 24/06/2020 - 09:24
Pelé é o jogador que mais vestiu a camisa 10 da seleção brasileira Foto: Arte O Globo
Quando Jair da Rosa Pinto entrou no Maracanã no dia 24 de junho de 1950 vestindo a 10 da seleção brasileira, mal sabia que estava usando a camisa que se tornaria a mais importante da história do futebol. Era a estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra o México, e a primeira vez que a seleção usava camisas com números. Hoje, a 10 do Brasil completa 70 anos de vida. Em pesquisa inédita, O GLOBO levantou todos os jogadores que já a vestiram nas sete décadas de vida.
A 10 do Brasil é a 10 do Pelé. Jogador que mais a vestiu — foram 105 vezes (em outras oito partidas, ele usou outros números, inclusive o 13, na estreia) — o santista deu a fama ao número e à amarelinha. Em segundo, vem Neymar. Em sua última partida pela seleção — o amistoso contra a Nigéria, em outubro do ano passado — ele ultrapassou Rivaldo e chegou a 70 jogos com a 10 do Brasil. Rivellino e Zico completam o top-5. Neymar se tornou também o atleta que mais usou a camisa em uma única década, duas vezes mais que as 68 partidas de Pelé na década de 1960. E poderia ser mais: de 2010 a 2011, Neymar era o 11 da seleção, com a 10 sendo usada, na maioria das vezes, por Paulo Henrique Ganso.
Ao todo, 111 jogadores tiveram a honra de usar a 10 da seleção: 18 antes de Pelé e 92 depois. E os nomes trazem curiosidades. A começar pelo último, Lucas Paquetá, do Milan, que foi contestado justamente por usar a 10 nos últimos dois amistosos. Nomes que não fizeram história na seleção estão na lista, como o meia Carlos Eduardo, atualmente no Juventude, que teve a honra de ser o 100° a usar a 10 do Brasil, quando jogava pelo Rubin Kazan, da Rússia.
Os 10 jogadores que mais vestiram a camisa 10 da seleção brasileira Foto: Arte O Globo
Outros históricos atletas brasileiros que ficaram marcados com outros números na camisa também adoçam a lista. Camisa 9 em 1970, Tostão vestiu a 10 22 vezes, o 11° que mais usou. Eternizado com a 8 em 1982, Sócrates só usou a 10 uma vez, em 1980, assim como Falcão, ambos contemporâneos de Zico. Tetracampeão com a 7, Bebeto foi 10 duas vezes e até Ronaldo, o Fenômeno, símbolo da camisa 9, foi 10 em um amistoso em 1994 contra a Iugoslávia.
O ranking de quem mais usou a 10 da seleção tem Pelé como líder há 58 anos. Em maio de 1962, o Brasil venceu Portugal no Maracanã com gol dele, que chegou ao seu 28° jogo com o número, ultrapassando Didi para nunca mais ser ultrapassado.
Pelé também é o primeiro jogador a usar a 10 defendendo um time estrangeiro em uma história triste e curiosa: em 1976, Geraldo, jogador do Flamengo, morreu aos 22 anos, vítima de um choque anafilático. Pouco antes da sua morte, ele usara a 10 da seleção por duas vezes. Um amistoso foi marcado em sua homenagem entre o Flamengo e a seleção brasileira e Pelé, que jogava pelo New York Cosmos, voltou para usar sua camisa.
Zico foi o primeiro jogador a usar a 10 pertencendo a um time europeu, algo recorrente hoje. Foi em 1985, quando ele atuava pela Udinese. É do Galinho também o recorde de sequência com a camisa histórica: de um jogo contra a Venezuela em fevereiro de 1981 até uma vitória contra o Chile em abril de 1983, ninguém além dele vestiu a camisa. Foram 25 jogos.
Ao todo, 68 partidas da seleção brasileira não tiveram o camisa 10 em campo, ou porque ele estava no banco e não entrou, ou porque estava machucado. E isso aconteceu em jogos históricos, como na final da Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil conquistou o bi (Pelé, machucado, não jogou), e no 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014 (Neymar se machucou no jogo anterior). Uma camisa histórica que, nos 70 anos de vida, aprendeu até quando era hora de se esconder.
Quem mais usou a camisa 10 em cada década Foto:
O Globo Tuesday, 23 de June de 2020
SÃO JOÃO NA REDE
São João na Rede: festival quer ajudar forró a respirar em ano sem festas juninas
Tradicional e brasileiríssimo, gênero que depende da aglomeração e dança vê seus artistas sofrendo com a pandemia
Luccas Oliveira
22/06/2020 - 04:30 / Atualizado em 22/06/2020 - 07:36
Apresentação musical no festival São João na Rede Foto: Reprodução
RIO — A temporada de festas de São João é um marco na economia cultural do país. A título de exemplo, apenas a cidade paraibana de Campina Grande, um dos grandes polos de festejos juninos do Brasil, movimenta cerca de R$ 200 milhões todos os anos. Menos em 2020. A pandemia de coronavírus atingiu em cheio uma tradição que tem como condição sine qua non o contato, a troca de calor, a aglomeração. E causou prejuízos ainda inestimáveis para milhares de profissionais que têm nos meses de junho e julho uma renda essencial para a sobrevivência.
É pensando neles e na valorização do forró enquanto patrimônio imaterial brasileiro que desde o dia 12 é realizado o festival São João na Rede, uma iniciativa conjunta entre o Fórum Nacional Forró de Raiz, a Associação Cultural Balaio Nordeste e a Associação Respeita Januário, sem patrocínios ou grandes marcas engajadas.
Os festejos virtuais no YouTube e Instagram seguem até domingo, e a programação, que pode ser consultada nas redes sociais do evento, vira uma maratona diária nesta semana em que se comemora o Dia de São João (24/6). Além de apresentações musicais à noite, o evento conta ainda com exibição de filmes, documentários, leituras de poesias oficinas e bate-papos abordando esse universo tão brasileiro. Com estrutura limitada e colaborativa, grande parte da programação é gravada, e dividida entre materiais inéditos e históricos.
Foco nos menos conhecidos
Nomes grandes fizeram participações especiais no projeto, como Gilberto Gil (que gravou o vídeo de apresentação do festival), Elba Ramalho, Lucy Alves, Hermeto Pascoal e Moyseis Marques, mas o foco não é neles, e sim em proletários da música, como Mará dos 8 Baixos, Sabiá da Flauta, Severo do Acordeon, Gereba Barreto Banda Menina Bonita, João Sereno, entre tantos outros — foram mais de 200 artistas envolvidos.
— A crise causada pela pandemia é ainda pior para artistas do forró, forrozeiros. É uma manifestação que exige o aspecto comunitário, participativo do público. Não se concebe um show de forró para ninguém dançar, só para ouvir passivamente. A dança talvez seja o elemento mais importante. — lembra o músico e professor universitário pernambucano Climério Oliveira Santos, idealizador do festival e um dos coordenadores do Forúm Nacional Forró de Raiz, presente em 14 estados. — Além do mais, muitos artistas não têm qualquer presença digital, diferentemente de artistas da música pop, que conseguem renda através das plataformas e de outras ações e prescindem menos de uma aglomeração. A pandemia causou uma verdadeira devastação para os forrozeiros, alguns não conseguem nem comprar o básico, como comida.
Por isso, foi criado um fundo solidário destinado a profissionais da cadeia produtiva do forró que estão em situação de vulnerabilidade por causa do distanciamento social. A audiência é estimulada a fazer doações através de uma plataforma on-line de arrecadação. Do montante levantado, 80% serão destinados aos artistas e profissionais cadastrados neste fundo, mediante aprovação dos organizadores, que abriram mão de receber qualquer quantia pelo trabalho voluntário. Os demais 20% cobrem custos de produção e infraestrutura do festival.
Pela patrimonialização
Além do lado solidário, o São João na Rede também tem um objetivo declarado de reforçar a tradição do forró de raiz através de seus artistas regionais, e manter acesa a chama dos festejos juninos. Desde 2015, o forró está no processo para ser reconhecido oficialmente como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
— Estamos no processo de pesquisa e produção da documentação etnográfica exigida pelo Iphan. No meio disso tudo, apareceu a pandemia. Teríamos uma pesquisa de campo muito forte nesses meses de junho e julho, que não pôde ser realizada. A expectativa é que haja Sao João de rua no ano que vem, para apresentarmos o dossiê final no fim de 2021 — atualiza o etnomusicólogo Carlos Sandroni, coordenador do processo.
O Globo Monday, 22 de June de 2020
RÉVEILLON DE COPACABANA PODE SER CANCELADO
Réveillon de Copacabana pode ser cancelado devido à pandemia da Covid-19
Prefeitura frisa que é cedo para decidir, mas já estuda alternativas. Entre elas, transmissão de shows pela internet
Diego Amorim
22/06/2020 - 04:30
Fogos coloridos tomaram o céu de Copacabana, encantando as 2,9 milhões de pessoas na orla da praia Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
RIO — Pela primeira vez em décadas, a Praia de Copacabana pode ficar sem réveillon. A realização da festa, que reuniu 3 milhões de pessoas na última edição, depende da evolução da Covid-19 no Rio, e, apesar de a prefeitura frisar que ainda é cedo para bater o martelo, alternativas já são estudadas. Entre elas, a transmissão dos shows pela internet (num modelo parecido com as lives que vêm fazendo sucesso nesta quarentena) e uma maior distribuição de palcos pela cidade, para diminuir a concentração de pessoas na orla.
Como O GLOBO informou neste domingo, dia 21, o carnaval em fevereiro também é incerto. Jorge Castanheira, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) deve convocar esta semana uma reunião para debater os rumos da folia e há, entre dirigentes de agremiações, quem defenda um adiamento dos desfiles para março, maio ou até mesmo para o feriado de Corpus Christi, em junho. Em nota, a Riotur informou que, seguindo o cronograma dos anos anteriores, o réveillon começará a ser discutido na segunda quinzena de julho. A expectativa é que, até lá, ocorra uma significativa redução de casos de Covid-19 e que o risco de uma segunda onda de contágio seja descartado.
Temor de segunda onda
Para Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do estado do Rio, a festa em Copacabana deve estar condicionada à descoberta de uma vacina ou de um medicamento eficaz contra a doença. Segundo a especialista, uma nova onda de contágio pode inviabilizar o réveillon na praia.
— Se tivermos uma segunda leva de contaminação até o fim do ano, o que é esperado, não haverá segurança para a realização de um evento tão grandioso. Vale lembrar que o fluxo de turistas para a festa costuma ser muito alto, principalmente dos que saem do Hemisfério Norte, que estará no inverno. Parece que o novo coronavírus tem um comportamento sazonal, assim como outras síndromes respiratórias. Talvez em outubro já possamos saber como a pandemia se comportou em outros países e aí, sim, conseguiremos determinar a viabilidade do réveillon.
O infectologista e professor da Universidade Iguaçu (Unig) Roberto Falci Garcia tem opinião semelhante:
— Antes de qualquer decisão, devemos aguardar possíveis impactos da flexibilização de medidas restritivas e saber como o Brasil e outros países reagirão a uma eventual segunda onda de contágio.
Preocupação com hotéis
De acordo com Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio de Janeiro (ABIH-RJ), um cancelamento da festa de virada de ano em Copacabana seria catastrófico para o setor, que chegou a ter 80% dos estabelecimentos fechados e cerca de 20 mil empregos suspensos nesta quarentena.
— Se o réveillon não acontecer, será um desastre para a rede hoteleira carioca. Hoje, nossa taxa média de ocupação está em torno de 15%, quando o índice normal seria 70%. Por conta da crise, muitos hotéis não vão reabrir. Os empresários do setor estão inseguros. O medo maior é retomar as atividades e, em dois ou três meses, ocorrer uma segunda onda de contaminação, o que poderia fazer grande parte deles quebrar de vez — afirmou Lopes.
Os hotéis da cidade foram incluídos na segunda fase de flexibilização da quarentena, já implantada pela prefeitura. No ano passado, a taxa média de ocupação na cidade bateu 93% no réveillon, contra 90% em 2018. Copacabana e Leme foram os bairros mais procurados, com 95% dos quartos reservados. Na noite da virada, hotéis de várias regiões apresentaram taxa de 100% de ocupação. A maior procedência foi de turistas nacionais: 81%, sendo o Estado de São Paulo responsável por quase um terço deste total (29,6%).
— Acreditamos que a força do turismo nacional, verificada no último ano, faça com que o carro seja o principal meio de transporte para grandes deslocamentos, por conta do medo que muitas pessoas ainda terão de embarcar num avião. Nós estamos com muitas expectativas em relação ao réveillon do Rio, apesar das adversidades. Esperamos que setembro seja o mês de retomada do nosso setor; é quando poderemos ter um panorama mais claro do fim do ano — disse o presidente da ABIH-RJ.
O Globo Sunday, 21 de June de 2020
LIVES DE HOJE: MICHEL TELÓ É O DESTAQUE DESTE DOMINGO
Lives de hoje: Michel Teló é o destaque deste domingo
Confira agenda do dia e onde assistir às apresentações virtuais ao vivo
O Globo
21/06/2020 - 00:12
Michel Teló apresenta o show 'Arraiá do Teló' Foto: TV Globo
As lives deste domingo (21/6):
Michel Teló
O cantor faz show especial de São João na live "Arraiá do Teló", que deve trazer músicas de sucesso do cantor como "Humilde residência" e "Amiga da minha irmã". Às 13h30, no YouTube.
Bom Gosto
O grupo de pagode transmite show ao vivo na live "Bom Gosto no almoço". Às 13h, no YouTube.
39ª Festa da Música
A Aliança Francesa apresenta festival com mais de 60 artistas de 22 países. Entre eles, os músicos brasileiros Rodrigo Marchevsky, Nino Karvan e Juliano Barreto. A partir das 17h, no Instagram (@rioaliancafrancesa).
Simone
A cantora faz mais uma transmissão on-line, com repertório montado com a ajuda de fãs em tempo real. Às 18h, no Instagram (@simoneoficial).
Léo Santana
O cantor, ex-líder da banda Parangolé, apresenta o "Baile da Santinha". Às 15h, no YouTube.
O Globo Saturday, 20 de June de 2020
GILBERTO GIL E IZA FAZEM SHOW INÉDITO EM LIVE
No frio da Serra fluminense, Gilberto Gil e Iza fazem show inédito em live
Cantora fez teste de Covid-19 para entrar no sítio onde o baiano passa a quarentena com a família, em Araras
Luccas Oliveira
20/06/2020 - 04:30 / Atualizado em 20/06/2020 - 09:34
Gilberto Gil e Iza no sítio do baiano em Araras, onde farão a live Foto: Divulgação
RIO — A previsão meteorológica para Petrópolis, na Região Serrana do Rio, no fim de semana, aponta uma mínima de 10°C. Mas um calor afetivo intenso, em forma de aconchego musical, é esperado para emanar de um sítio em Araras, onde Gilberto Gil passa a quarentena com os filhos Nara, Bem e José e a neta Flor. É lá que ele recebe, desde sexta-feira, uma hóspede ilustre: a cantora Iza, com quem se apresenta neste sábado num show inédito, às 20h, transmitido pelo YouTube.
— Esse show é uma grande homenagem à obra do Gil, e o encontro é emocionante pela admiração mútua entre os dois. Ao vivo, vai incendiar — promete Zé Ricardo, diretor artístico do encontro e conhecido por promover reuniões memoráveis no Palco Sunset do Rock in Rio. — Eu vejo Gil e Iza conectados em vários pontos. Gil é um gênio, e Iza é a melhor cantora pop do Brasil, na minha opinião.
O show da dupla será centrado no cancioneiro dele, tanto que o nome oficial do encontro é “Gilberto Gil por Iza e Gil”. O baiano conduzirá a apresentação com seu violão, e o repertório vai incluir músicas compostas por ele, como “Se eu quiser falar com Deus”, “Palco” e “Vamos fugir”, além de versões imortalizadas em sua voz, caso de “Three little birds” e “Esperando na janela”. Os espectadores serão convidados a fazer doações, através de um QR code, para a ONG Ação da Cidadania — cada real doado corresponderá a um prato de comida para os mais afetados pela pandemia.
— Eu me lembro de ouvir a música do Gil desde criança, talvez até desde a barriga da minha mãe. Ela sempre foi muito fã, assim como a minha família inteira também. Comecei a cantar as músicas dele muito antes de saber quem ele era. Tenho uma memória muito afetiva e sei que a minha família vai ficar muito emocionada — conta Iza, que foi um dos pontos altos do último Rock in Rio ao dividir o palco com a cantora Alcione.
Os envolvidos avisam que a live segue todos os protocolos de segurança. Iza, Zé Ricardo e os demais profissionais que trabalham na produção só subiram a serra após reforçarem suas quarentenas e realizarem testes de Covid-19. O momento, lembra Gil, ainda é de espalhar a mensagem do isolamento:
— Assim como vários outros colegas artistas estão fazendo, chamando o público para juntos contribuirmos neste momento em que tantas pessoas necessitam de ajuda, considero esta uma iniciativa muito interessante. Acho que faz parte do movimento que tomou a internet convocar o público para contribuir um pouco mais para o bem-estar das pessoas. E acredito que ficar em casa ainda é uma recomendação importante. A pandemia não entrou numa fase de descendência, ainda temos muitos casos e muitos óbitos.
Gil e Iza com Zé Ricardo, diretor musical do show Foto: Divulgação
Apesar de isolado com a família em Araras desde o começo de março, Gil tem vivido uma quarentena de muito trabalho. Além da live com Iza (“uma estrela benquista, com o seu ecletismo, com seu gosto muito amplo por música de todos os cantos do Brasil e de outros lugares”, ele diz), uma outra apresentação ao vivo está confirmada para sexta-feira (26), dia de seu aniversário de 78 anos, quando ele promoverá uma festa de São João.
Na sexta (19), Gil protagonizou o debate “Pensamentos e articulações para uma nova relação com o planeta”, nas redes do Museu do Amanhã, e participa neste domingo do festival SOS Rainforest Live, que chama atenção para os povos indígenas ameaçados pela Covid-19, ao lado de Caetano Veloso, Sting, Milton Nascimento, Anitta e outros.
O Globo Friday, 19 de June de 2020
CAMILA PITANGA E GLOBO ENCERRAM CONTRATO A LONGO PRAZO
Camila Pitanga e Globo encerram contrato a longo prazo
PATRÍCIA KOGUT
Camila Pitanga (Foto: Marcos Rosa)
O vínculo de Camila Pitanga com a Globo, que era de prazo longo, agora será por obra certa. A mudança não fecha portas para eventuais futuras parcerias.
Além disso, ela não apresentará a próxima temporada do “Superbonita” no GNT. A direção do canal negocia o posto com Taís Araújo.
Atualmente, Camila pode ser vista na Globo em "Aruanas", em que interpreta a ambiciosa advogada Olga. A série já tem uma segunda temporada confirmada. As gravações começaram no início do ano, mas, precisaram ser interrompidas por conta da pandemia do coronavírus.
Na emissora, Camila participou, ainda, do especial de fim de ano "Juntos a Magia Acontece", exibido em dezembro de 2019.
O Globo Thursday, 18 de June de 2020
FLAMENGO X BANGU: RETORNO DO CARIOCA
Flamengo x Bangu marca o retorno do Carioca; veja situação e objetivos do seu time
Todos os jogos serão com portões fechados. Além do Maracanã, constam partidas no Nilton Santos, São Januário, Conselheiro Galvão e Luso Brasileiro
Marcello Neves
18/06/2020 - 03:00 / Atualizado em 18/06/2020 - 09:24
O futebol está de volta ao Rio de Janeiro. Após três meses de paralisação devido à pandemia do novo coronavírus, a Ferj divulgou as datas e horários da quarta rodada da Taça Rio, que retorna nesta quinta-feira. Os primeiros a entrar em campo serão Flamengo e Bangu, no Maracanã, às 21h (de Brasília). E o GLOBO preparou este guia para lembrar o torcedor de como estava o campeonato.
O Globo Wednesday, 17 de June de 2020
A ESTEIA DA TERCEIRA TEMPORADA DE MARCELLA
A estreia da terceira temporada de ‘Marcella’
PATRÍCIA KOGUT
C
Cena da terceira temporada de 'Marcella' (Foto: Divulgação)
Quem acompanha “Marcella” desde a estreia, em 2016, sabe que a personagem-título da série é uma detetive atormentada. Volta ao trabalho 12 anos depois de abandoná-lo para cuidar da família. Agora, separada, sente saudade da delegacia. A readaptação é penosa: a rotina que ela conhecia mudou e a tecnologia evoluiu. Para piorar, Marcella (Anna Friel) não luta apenas contra criminosos: sofre de problemas psiquiátricos e tem lapsos de memória. O papel é muito interessante e deu à atriz o Emmy Internacional em 2017 (uma curiosidade: ela disputou com Adriana Esteves, também finalista, por “Justiça”). A terceira temporada desse thriller noir acaba de chegar à Netflix (é uma produção da britânica ITV).
Quem achava que conhecia a protagonista vai levar um susto (tem spoiler). Os dois primeiros terços do episódio de estreia confundem bastante. Marcella ressurge louríssima, vivendo no campo com um estranho. Atende pelo nome de Keira. O espectador chega a desconfiar de que assiste à série errada. Mas não. A protagonista está numa missão para a polícia e é tudo disfarce. O trabalho da atriz é minucioso e ganha mais uma camada dramática. Keira usa salto alto, mas Marcella mantém o andar ligeiramente masculino. É só um detalhe, mas que serve a mostrar o esforço de composição. A ação se desenrola em Belfast, numa área pobre e também na propriedade de uma família mafiosa e milionária, onde a personagem se infiltra. Essa não é
O Globo Tuesday, 16 de June de 2020
MARACANÃ 70 ANOS: OS 10 MAIORES JOGOS DE SUA HISTÓRIA
Top-70: veja os 10 maiores jogos da história do Maracanã
Finais de Copa do Mundo, ouro olímpico e gol 1000 de Pelé estão na última parte do ranking do GLOBO
O Globo
16/06/2020 - 04:00 / Atualizado em 16/06/2020 - 08:27
Última parte do ranking de maiores jogos da história do Maracanã: do 1º ao 10º lugares Foto: Editoria de Arte
Do amistoso de inauguração do estádio, entre cariocas e paulistas, em junho de 1950, à vitória do Fluminense contra o Vasco, no último 15 de março, já com portões fechados devido à pandemia do novo coronavírus, quais foram os 70 maiores jogos da história do Maracanã? Para comemorar o aniversário de 70 anos do palco de tantas emoções da história do futebol, O GLOBO se propôs tentar responder essa pergunta.
Um júri com 70 nomes especializados foi formado. Uma pré-lista com 100 jogos foi distribuída, e cada partida foi avaliada por cada jurado, que deu notas de 1 a 5, de acordo com a importância do jogo na história do estádio. Da apuração, nasceu o ranking dos 70 maiores jogos dos 70 anos do estádio, que começou a ser divulgada na quinta-feira e termina nesta terça-feira, aniversário da inauguração. Confira abaixo a última parte da lista, do 1º ao 10º lugares. E veja aqui a primeira (do 51º ao 70º), a segunda (do 41º ao 50º), a terceira (do 31º ao 40º), a quarta (do 21º ao 30º) e a quinta (do 11º ao 20º) partes.
Uruguai vence o Brasil e cala o Maracanã na Copa de 1950 Foto: Arquivo/16.07.1950
1º — Brasil 1 x 2 Uruguai
Copa do Mundo, 16 de julho de 1950
Dos 70 maiores jogos do Maracanã nos 70 anos do estádio eleitos pelo GLOBO, 16 envolvem a seleção brasileira: 14 são noites ou tardes felizes para o Brasil. Um é uma derrota, mas não dá pra dizer que a estreia de Pelé em 1957 foi triste. Só um é um revés sem poréns: a final da Copa de 1950, maior jogo da história do estádio, é também o que carrega as maiores doses de melancolia para a torcida brasileira.
São muitas as explicações: o Maracanã foi construído para que aquele momento acontecesse, mas com final diferente. A multidão que pode ter chegado a 200 mil pessoas, o otimismo, o gol de Friaça, a expectativa, o empate, o gol de Gigghia e a condenação de Barbosa. São muitos elementos do maior roteiro que o estádio viveu em 90 minutos e por muito mais.
Nada do que aconteceu nos 70 anos seguintes foi capaz de superar a grandeza daquele 16 de julho. Os 70 jornalistas do júri tinham que dar uma nota de 1 a 5 em uma lista de 100 jogos selecionados: o "Maracanazo" foi o único com 70 notas máximas. Um trágico e marcante gabarito.
Pelé comemora seu milésimo gol, marcado no Maracanã Foto: Arquivo/19.11.1969
2º — Vasco 1x2 Santos
Campeonato Brasileiro, 31 de agosto de 1969
O que faz uma partida comum do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, uma derrota do time da casa, se meter entre duas finais de Copa do Mundo, para se tornar o segundo maior jogo da história dos 70 anos do Maracanã? Pois até os 39 minutos do segundo tempo aquele Vasco e Santos provavelmente não seria lembrado. Estaria no máximo na memória das 65 mil pessoas que foram ao estádio, mas nem tanta gente iria se não pudesse acontecer o que aconteceu: de pênalti, Pelé marcou o seu milésimo gol e as cenas, a celebração e as entrevistas ficaram para sempre na história do futebol. Uma das tantas coroações do Rei do Futebol. A maior delas no Maracanã.
Götze marcou o gol do título mundial da Alemanha em 2014 Foto: Ivo Gonzalez/13.07.2014
3º — Alemanha 1 x 0 Argentina
Copa do Mundo, 13 de julho de 2014
Só por ser uma final de Copa do Mundo, ápice do futebol mundial a cada quatro anos, a decisão de 2014 teria vantagem para entrar na lista de partidas históricas do Maracanã. Há seis anos, o confronto foi icônico: de um lado, a Alemanha que cinco dias antes eliminara o Brasil na semifinal com um sonoro 7 a 1. Do outro, a Argentina de Messi com a expectativa de conquistar o mundial depois de 28 anos justo na casa do rival e, finalmente, completar a carreira do maior jogador do novo século. O Maracanã deu um jeito de quebrar as expectativas de novo e, após 90 minutos nervosos, Mario Gotze fez o gol do tetra alemão na prorrogação.
Romário dribla uruguaio nas Eliminatórias da Copa de 1994 Foto: Ivo Gonzalez/19.09.1993
4º — Brasil 2 x 0 Uruguai
Eliminatórias da Copa, 19 de setembro de 1993
Curioso como as partidas decisivas de Eliminatórias são marcantes no Maracanã. Na lista dos 70 jogos mais marcantes da história, entraram as para as Copas de 1954, 1958, 1970, 1990 e 1994, as três últimas no top-10. Nenhuma, porém, pareceu tão grandiosa quanto a de 1993, em que o Rio de Janeiro parecia sentir que a seleção precisava de sua torcida. Precisando vencer, o Brasil ainda tinha pela frente o Uruguai, adversário mais traumático possível para o estádio. O resultado foi um emocionante ambiente com um Romário em uma de suas melhores atuações: 2 a 0 e rumo ao Tetra.
Mais de 120 mil assistiram à vitória do Santos sobre o Milan no Maracanã Foto: Arquivo/16.11.1963
5º — Santos 1 x 0 Milan
Copa Intercontinental, 16 de novembro de 1963
A conquista do bicampeonato mundial do Santos contra o Milan, no Maracanã, inaugura o top-5 de maiores jogos da história do Maracanã. A curiosidade vem no fato de que os relatos da época contam que foi um jogo ruim, pobre, ficando marcado mesmo pela conquista após um gol de pênalti de Dalmo para 120 mil pessoas. O jogo bom foi o anterior, em que o Milan vencia por 2 a 0 e conquistava a taça, mas sofreu a virada para 4 a 2 com dois gols de Pelé. Curiosamente, mais pessoas (132 mil) viram esta partida. No 1 a 0, o Santos não contou com Pelé, contundido.
Neymar beija a bola antes de garantir o ouro olímpico para o Brasil Foto: Marcelo Theobald/20.08.2016
6º — Brasil 1 (5)x(4) 1 Alemanha
Jogos Olímpicos, 20 de agosto de 2016
Dois anos após o 7 a 1 da semifinal da Copa do Mundo no Mineirão que impediu, com requintes de crueldade, que a seleção brasileira voltasse a disputar uma final de Mundial no Maracanã, quis o destino que o Brasil disputasse, contra os alemães, a inédita medalha de ouro olímpica no Rio de Janeiro. Eram equipes, em maioria, sub-23 mas a emoção tomou conta das 63 mil pessoas presentes. Neymar abriu o placar, de falta, mas Meyer empatou. Nos pênaltis, Weverton defendeu a última cobrança alemã e coube ao astro brasileiro converter a penalidade decisiva da conquista que faltava à seleção.
Renato Gaúcho, autor do gol de barriga que entrou para a história Foto: Fernando Maia/25.06.1995
7º — Fluminense 3x2 Flamengo
Campeonato Carioca, 25 de junho de 1995
Qual o maior clássico da história do Maracanã? Por um voto, o Fla-Flu, talvez o confronto que mais combine com o estádio, ficou na frente do Botafogo x Flamengo de 1989. E não foi qualquer Fla-Flu, e sim o de 1995, o do clássico "gol de barriga" de Renato Gaúcho, anotado oficialmente para o meia Aílton, e que deu o título estadual ao tricolor carioca contra o Flamengo diante de mais de 120 mil pessoas. O gol, aos 42 do segundo tempo, coroou Renato como "Rei do Rio" e é um dos mais importantes da história do estádio.
Torcedor do Botafogo faz oração na arquibancada do Maracanã Foto: Miriam Fichtner/21.06.1989
8º — Botafogo 1x0 Flamengo
Campeonato Carioca, 21 de junho de 1989
O maior jogo do Botafogo no Maracanã envolve a quebra do seu maior jejum. Após quase 21 anos completos sem ganhar um título, a sina foi quebrada no mesmo estádio das suas maiores glórias na década de 60. O famoso "gol do Maurício" aconteceu aos 12 minutos do segundo tempo, após cruzamento de Mazolinha, contra um fortíssimo time do Flamengo que parecia o favorito. Mais que um grito de alegria, o torcedor botafoguense se aliviou naquela noite marcada para sempre, em um dos maiores clássicos da história do estádio. O jogo foi no dia 21 e a temperatura na hora do gol era de 21ºC. O Maraca não seria o mesmo sem a superstição alvinegra.
Chileno Rojas simula ter sido atingido por um rojão Foto: Jorge William/03.09.1989
9º — Brasil 2x0 Chile
Eliminatórias da Copa, 3 de setembro de 1989
Além de receber grandes jogos, o Maracanã é capaz de produzir grandes histórias para além deles. Uma delas é o famoso "Jogo da Fogueteira", quando Brasil e Chile disputavam uma nervosa partida que valia a classificação à Copa de 1990. O jogo foi interrompido com a seleção brasileira vencendo por 1 a 0. O goleiro Rojas teria sido atingido por um sinalizador da Marinha disparado pela torcedora Rosenery Mello, que ficou famosa e até posou nua para uma revista masculina depois. O Chile abandonou o campo pleiteando a vitória, mas logo se descobriu a farsa: Rojas fingiu o acidente, se jogando em direção à fumaça, se cortando com uma gilete, usando até mercúrio para finigir que estava sangrando.
Brasil x Paraguai nas Eliminatórias, em 1969: recorde de público pagante Foto: Arquivo/31.08.1969
10º — Brasil 1 x 0 Paraguai
Eliminatórias da Copa, 31 de agosto de 1969
O imaginário diz que o Brasil x Uruguai de 1950 recebeu um maior público total, mas, oficialmente, não há público pagante maior registrado no Brasil do que os 183.341 ingressos vendidos para o confronto entre brasileiros e paraguaios que decidia uma vaga na Copa do Mundo de 1970. Tudo para ver as "Feras do Saldanha" vencerem por 1 a 0, gol de Pelé e carimbarem o passaporte rumo ao México onde, com Zagallo no comando, buscariam o tricampeonato mundial.
O Globo Monday, 15 de June de 2020
PARINTINS: GARANTIDO E CAPRICHOSO COM FUTURO INCERTO
Parintins vive apreensão diante de futuro incerto sobre festival dos bois Garantido e Caprichoso
Adiada pela pandemia, 55ª edição do evento ainda tem chance de acontecer este ano, no mês de novembro
Pedro Willmersdorf
15/06/2020 - 04:30
Apresentação do Caprichoso, em 2019: possibilidade remota de que a edição deste ano ocorra em novembro Foto: Widger Frota
RIO — Em 55 anos de história, esta é a primeira vez que o Festival Folclórico de Parintins corre o risco de não acontecer. Um baque com efeitos devastadores em termos financeiros, mas também no campo simbólico, com o possível hiato do evento.
Tombado em 2018 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o festejo consiste em uma lúdica disputa a céu aberto entre duas das maiores agremiações folclóricas do país: os bois Garantido e Caprichoso.
Tradicionalmente realizado no último fim de semana de junho, o festival teve a edição de 2020 — entre os dias 26 e 28 — suspensa por tempo indeterminado. Agora, nos bastidores, ventila-se a possibilidade de que ocorra em novembro, mas o martelo ainda está longe de ser batido.
Com cerca de 120 mil habitantes, a cidade de Parintins fica a 365 km de distância de Manaus, principal porta de entrada de turistas em busca do festival. A capital do Amazonas foi a primeira no país a chegar ao colapso de seu sistema de saúde com a pandemia. Hoje, o estado tem a marca de quase 50 mil casos do novo coronavírus e 2,3 mil mortes.
— Tudo vai depender da situação sanitária do estado, especialmente de Manaus. Nossa alta temporada de navios turísticos, que dura até o fim de março, já foi afetada. Se não houver o festival, então, está prevista uma calamidade econômica — desabafa Bi Garcia (PSDB), prefeito de Parintins. — No mês do festival, geralmente um taxista consegue ganhar em 15 dias de corrida o que demoraria cinco meses para embolsar.
Em 2019, Parintins bateu recorde, recebendo mais de 66 mil turistas para os três dias de festa no Bumbódromo, na ilha Tupinambarana, onde é travada a batalha entre Garantido e Caprichoso. Segundo levantamento do Departamento de Estatística da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), de 2005 a 2018 o evento injetou R$ 426 milhões na economia local.
Vitrine para o carnaval
Números tão imponentes acabam naturalmente sendo vetores de preocupação para os organizadores do evento, diante de uma clara possibilidade de um ano em branco. Uma lacuna que afetaria a vida não somente de quem curte a festa, mas principalmente de quem a deixa de pé.
— São mais de 10 mil empregos gerados nos três meses de preparação. Só no ano passado o festival movimentou R$ 80 milhões para nossa economia. Barqueiros, setor de hotelaria, alimentação... todos precisam do evento para contribuir financeiramente em casa — alerta o prefeito.
Mas há quem aponte perdas para além das cifras. Afinal de contas, além de ser crucial fonte de renda para a economia de Parintins, o embate dos bois é uma das manifestações mais importantes da cultura popular brasileira. E o adiamento de sua realização abala diretamente seu campo de simbolismos.
Apresentação do Boi Garantido em 2019 Foto: Widger Frota / Divulgação
Presidente do Conselho de Artes do Caprichoso, Ericky Nakanome afirma que a “lógica ritualística” do festival já foi quebrada, uma vez que foram cancelados todos os ensaios das marujadas (nome dado ao conjunto de ritmistas das agremiações).
— Outro aspecto dramático diz respeito à confecção da festa: os mateiros, nome dado aos coletores de matéria-prima, recolhem palha e cuia nesta época — pontua Nakanome, prevendo um estranhamento caso o festival aconteça mesmo em novembro. — E o calor? Vai estar beirando 40 graus. As cores, os peixes, tudo é diferente.
A não realização de Parintins na data original também atrapalha cerca de 25 outras festas de interior, que ocorrem na sequência.
—Serão vários boizinhos amazônicos sem desfilar.
E por falar em desfile, outro ponto de atenção dos parintinenses é o futuro do carnaval do Rio e de São Paulo. Para Júnior de Souza, diretor artístico do Garantido, o festejo dos bois é uma vitrine fundamental para os profissionais locais:
— Todo ano saem, em média, 400 pessoas daqui para trabalhar com as escolas de samba, cariocas e paulistas.
Bois unidos em live solidária
O tom de lamento generalizado, no entanto, tenta ser amenizado com ações virtuais que estão ao alcance dos bois. As agremiações vêm comercializando nas redes seus produtos customizados, como camisetas, canecas e até máscaras.
Para providenciar doações, as lives solidárias vêm sendo a saída. No mês passado, o Caprichoso arrecadou mais de 20 toneladas em uma transmissão ao vivo. No Dia dos Namorados, o Garantido realizou seu evento on-line celebrando o amor. E, no dia 28, quando seria encerrada originalmente a edição deste ano de Parintins, os rivais vão se encontrar em live inédita.
Levantador de toadas há 25 anos, David Assayag estará presente no festival virtual, defendendo o boi azul. Emocionado, ele confessa jamais ter presenciado uma situação tão delicada quanto a que vive a cidade hoje.
— Parintins é uma festa de aglomeração, então fica difícil saber como vai ser no futuro. Seja como for, uma certeza eu tenho: sairemos mais fortes do que nunca.
O Globo Sunday, 14 de June de 2020
MARTINHO DA VILA: EU SOU O ENREDO
'Eu sou o enredo, esse carnaval não pode ser adiado', brinca Martinho da Vila, que faz live neste domingo
Bamba apresenta o show virtual 'Batuque na cozinha', no qual homenageia João da Baiana, entre outros
Sérgio Luz
14/06/2020 - 04:30 / Atualizado em 14/06/2020 - 10:52
O cantor e compositor Martinho da Vila Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
RIO — Aos 82 anos, Martinho da Vila descobriu durante a quarentena o prazer de cozinhar. Mas a atividade também aguçou seu apetite pela música. Então, ele passou a fazer de utensílios culinários instrumentos de percussão. Assim surgiu a ideia para a live “Batuque na cozinha”, que o bamba realiza hoje, às 15h, em seu canal no YouTube (/martinhodavilaoficial).
— Aprendi que gosto de cozinhar a esta altura do campeonato. Como não entendo muito, improviso uma janta com as sobras do almoço — conta Martinho, que está em isolamento social ao lado de Cléo, sua mulher, e dos filhos Preto e Alegria. — É rotina, mesmo. Cada um faz uma coisa.
A apresentação virtual, como define o cantor, compositor e escritor, “é inspirada no João da Baiana” (1887-1974), autor da canção que dá nome ao projeto.
— Vou começar e terminar com essa música, tentando imitá-lo, essas coisas. Vai ser como um monólogo que um ator faz. Cantarei à capela e batucando nos elementos da cozinha, como panela, prato, frigideira. Batuco até no fogão! — gargalha. — Vai ser improvisado, o roteiro não está muito definido. É como um show normal, só defino o início e o final. É como me dizia o (jornalista, produtor musical e diretor de TV) Fernando Faro: “O show tem que começar e terminar bem.. Se iniciar devagar, o público não gosta.”
Do que está definido do repertório, Martinho adianta outras homenagens:
— Vou contar um pouco da história do João, do Adoniran Barbosa e do Paulo Vanzolini. Estarei sozinho, mas também vai ter alguma interação. Meus filhos vão entrar e pedir músicas — explica o artista, que também vai cantar “Pelo telefone”, de Donga, o primeiro samba gravado, e sucessos como “Casa de bamba” e “Canta, canta, minha gente”, além de “Menina moça”, faixa que o lançou ao grande público no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967.
‘Não penso muito na morte, não’
No período de isolamento social, apesar da perda de colegas como Aldir Blanc e Moraes Moreira, Martinho garante que não perde tempo pensando sobre a finitude da vida:
— Também perdi amigos da Vila Isabel. Mas não penso muito na morte, não. O que é certo, você não precisa pensar. Não tenho medo. O que penso às vezes é que não gostaria de ficar doente muito tempo, sofrendo, isso é ruim. Dá muito trabalho. E sofrimento para os outros — desabafa Martinho, que cita os versos “se Deus quiser, eu vou ficar bem velho”, de “Depois não sei”, do disco “Sentimentos” (1981). — Meu projeto de vida é ficar velho, o negócio é ficar vivo. O Preto tem 25 anos, mas é mais velho que eu, vive me vigiando (risos). O que importa é a jovialidade. Não envelhecer? Tô fora.
Atento aos protestos contra o racismo mundo afora, o bamba se mostra otimista.
— É um momento delicado e tenso, mas tudo que é ruim tem algo de bom. E o bom disso é o assunto do racismo, que é universal, e está em evidência. E muito gente que achava que não era racista está descobrindo que é. E descobrindo a doença, você pode curá-la. Segundo o Nelson Mandela, o racismo é uma doença curável. É como os cientistas estão tentando fazer com o corona — compara.
O Globo Saturday, 13 de June de 2020
ÁUREA MARTINS: CANTORA CELEBRA 80 ANOS COM LIVE E DISCO PRONTO
Áurea Martins celebra 80 anos com homenagem na live de Teresa Cristina e disco pronto
'Tenho a missão de defender o samba-canção', diz cantora, que era uma das preferidas de Elizeth Cardoso
Helena Aragão
13/06/2020 - 04:30
A cantora Áurea Martins Foto: Divulgação/ SERGIO CADDAH
Era para ser um 2020 de festão. Áurea Martins ia celebrar seus 80 anos com um presente: lançaria no dia do aniversário, hoje, seu disco com o pianista e compositor Cristovão Bastos com show no Teatro Rival. Veio a pandemia, o projeto foi adiado, e a cantora está quieta em casa, como tem que ser. Cada um reage de um jeito, e o de Áurea é sempre o de olhar para frente.
— A vida toda tive que me reinventar. A volta ao mundo em 80 dias é para os fracos, meu caro Julio Verne (risos). A volta ao mundo da música de Áurea Martins é em 80 anos. E, se eu tiver saúde, em 80 lives! — brinca.
A meta virtual é exagerada, mas não duvide. Áurea vive sozinha, nunca teve computador, mas sua desenvoltura nas redes chama atenção faz tempo (as postagens têm até bordão, “bendita insônia”, acompanhando um vídeo de música na madrugada). A experiência nas lives ela vem praticando bem desde o início da quarentena. Hoje às 17h fará sua primeira “solo”. Em seguida, às 21h, participa da do cantor Alcides Sodré (que vem prestando tributo a ela ao longo da semana). E às 22h começa a de Teresa Cristina, hoje toda dedicada a Áurea.
A homenagem não é à toa. Quando a veterana aparece na live da Teresa, o que é recorrente, a anfitriã se emociona, Caetano Veloso escreve que sua voz o faz chorar, os comentários explodem.
— A Áurea é uma rainha, tem uma voz de uma verdade muito evidente, que acaba com a gente — diz Teresa, lembrando ainda como ela é boa de timing, chegando sempre com um sorriso, cantando uma música, e logo abrindo espaço para outro convidado. — São 50 anos de noite, sabe, passou por muita história. E está aí, firme e generosa, cheia de projetos.
Observadora ela sempre foi. E atenta às oportunidades. Cria de Campo Grande, já tinha dez anos de experiência como cantora de bailes no subúrbio, ao lado dos tios músicos, quando aventurou-se em 1969 em concorrer no programa “A grande chance”, de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi. No júri, nomes como Bibi Ferreira, Nelson Motta e Maysa. Esta última tornou-se uma espécie de madrinha, após lutar para que Áurea ficasse com o primeiro lugar.
Ali ainda se chamava Áldima. Nome e sobrenome artísticos vieram da cabeça de Paulo Gracindo. Com o prêmio de “A grande chance”, gravou seu primeiro disco em 1972, com acompanhamento do Tamba Trio, arranjos de Luiz Eça e participação de Paulo Mendes Campos.
Elizeth na plateia
A vida continuou na noite, como crooner. Como não bebe nem fuma, atribui a voz enrouquecida à fumaça consumida involuntariamente. Nos anos 70, era figurinha fácil nas boates do Leblon, tantas vezes com Elizeth Cardoso na plateia. Depois na Lapa, onde intrigava Hermínio Bello de Carvalho.
— Eu ia vê-la cantar, ficava embevecido. Mas a noite meio que esmaga as pessoas. A música não é o prato principal. Quando Áurea cantava, havia uma parcela do público que entendia e se deslumbrava. Mas eu via parte daquilo se perder. Então me ofereci para produzir um disco dela.
O Globo Friday, 12 de June de 2020
LIAH SOARES: AS PESSOAS NÃO CONHECEMO LADO BEM-HUMORADO DE ROBERTO CARLOS
'As pessoas não conhecem o lado bem-humorado do Roberto Carlos', diz Liah Soares, que gravou dueto com o Rei
Grávida de 8 meses, cantora espera primeira filha e lançamento da música 'A cor do amor' em novela
Joana Dale
12/06/2020 - 05:07
Roberto Carlos e Liah Soares Foto: Arquivo pessoal
Depois de Ivete, Elba, Sandy & Junior, Maria Gadú e Ivan Lins gravarem músicas de Liah Soares, chegou a vez de Roberto Carlos. Além de escolher “A cor do amor” para entrar em seu repertório, o Rei convidou a artista paraense para cantar junto, em um dueto que vai entrar na trilha sonora da próxima novela das nove da TV Globo, "Um lugar ao sol", de Lícia Manzo, que sucederá "Amor de mãe". “Durante o Círio de Nazaré do ano passado, ele me ligou dizendo que a minha música era um hit e me fez o convite”, conta a compositora. “Gravamos em janeiro, no estúdio dele na Urca. Foi um sonho. As pessoas não conhecem o lado bem-humorado do Roberto, que tive o prazer de conhecer”.
Dois meses depois, a dupla gravou o clipe da música, ainda sem data de lançamento. "Quando contei para ele que estava grávida, ele pediu para agilizarmos o clipe antes que a minha barriga começasse a aparecer. Fizemos poucos antes do início da quarentena".
Liah conhece Roberto Carlos há oito anos, por conta de amigos em comum. "No 'The voive', cantei uma música dele, que já conhecia o meu trabalho autoral", conta. "Sempre sonhei em contar com ele no especial de Natal, será que esse ano vai?", indaga. A música que vão gravar juntos fala sobre uma amizada que virou paixão. "O compositor se alimenta de vida. Acho que muita gente vai se identificar com a letra. Eu mesma era amiga do meu marido", conta ela, casada com o ator Carlo Porto. A primeira filha do casal, ainda sem nome definido, deve nascer em breve.
Mês passado, Liah lançou mais uma música do álbum "Infinito", "Bossa Diluviana", uma composição em parceria com Guilherme Fiuza.
O Globo Thursday, 11 de June de 2020
JOSÉ CONDESSA SE QUEIMA NA GLOBO AO ABANDONAR SALVE-SE QUEM PUDER
José Condessa se queima com a Globo ao abandonar 'Salve-se quem puder'. Entenda
PATRÍCIA KOGUT
José Condessa (Foto: Divulgação)
O português José Condessa, o Juan de “Salve-se quem puder”, deixou a Globo furando um acerto para voltar ao trabalho em agosto. Por isso, Daniel Ortiz teve de reescrever quase 40 capítulos. No fim da primeira temporada, ele e Mário (Murilo Rosa) entraram num avião em Cancún. Era a deixa para a continuação da aventura no Rio.
A direção da Globo soube que Condessa vai protagonizar uma novela na TVI, de Portugal. A informação causou mal-estar aqui.
Na trama, dirigida por Fred Mayrink, José Condessa fez par com Juliana Paiva, a Luna. Antes deste trabalho, ele havia participado do programa "Dança das estrelas", também da TVI.
O Globo Wednesday, 10 de June de 2020
AS LINGUAGENS QUE SURGIRAM COM A PANDEMIA
As linguagens que surgiram com a pandemia
PATRÍCIA KOGUT
Carolinie Figueiredo e Rael Barja (Foto: Divulgação)
Há umas duas décadas, a TV por assinatura ainda estava ganhando terreno no Brasil e representava, em alguma medida, um espaço de experimentação. Num canal pago, era possível testar formatos e talentos, sem a cobrança tão forte que existia na televisão aberta, poderosa e já hiper estabelecida. Mas, desde que começou a pandemia, todo esse quadro se desarrumou. Os vídeos caseiros, feitos do isolamento, subverteram padrões estabelecidos. Experimentar está de novo liberado e em todas as telas. Entrevistas de casa, luz “sujinha” e maquiagem amadora se generalizaram. Nas participações, é comum ver um especialista que não sabe sequer olhar na direção da câmera.
Não é exagero de otimista dizer que existe um aspecto positivo nessa legitimação do improviso: a criatividade vem se impondo apesar de todas as limitações. Nas redes sociais, há muita experimentação e arte. Johnny Massaro, por exemplo, lançou no Instagram o que chamou de um “webfilme”. A produção é resultado de um daqueles achados da pandemia. O ator julgava que esse material, captado em 2012, tinha se perdido. Mas ele estava no HD. Uma vez editado em módulos, resultou em 12 minutos de filme. “Você pode construir sua própria sequência, comentar, repetir e compartilhar cada módulo”, orienta Massaro no perfil @curtamarillas. É uma trama sobre o fim do mundo (!) filmada em Guaratiba, em Guapimirim e na Chapada das Perdizes, e protagonizada por Carolinie Figueiredo e Rael Barja. Você pode até discutir a qualidade da história. Mas vale prestar atenção: são dessas iniciativas que virão as fórmulas novas.
O Globo Tuesday, 09 de June de 2020
CHARLES DICKENS: CINCO FILMES INSPIRADOS NA OBRA DO ATOR MORTO HÁ 150 ANOS
Charles Dickens no cinema: cinco filmes inspirados na obra do autor morto há 150 anos
Escritor britânico estampou as desigualdades da Inglaterra vitoriana em obras como 'Oliver Twist' e 'Grandes esperanças'
Pedro Willmersdorf
09/06/2020 - 04:30 / Atualizado em 09/06/2020 - 07:25
'Oliver Twist': adaptação feita por Roman Polanski, em 2005, retrata saga de jovem órfão pelas ruas de Londres Foto: Divulgação
RIO — Considerado o romancista mais popular da era vitoriana, o escritor britânico Charles Dickens (1812-1870) morreu há exatos 150 anos. Seus livros, porém, continuam no raio de atenção dos realizadores de cinema, sempre investindo em novas adaptações de suas obras.
Antes programado para estrear no mês passado, o filme “The personal history of David Copperfield” teve sua estreia adiada em razão da pandemia de Covid-19. Com Dev Patel (“Quem quer ser um milionário?”) no papel principal, o longa dirigido por Armando Iannucci é a mais nova roupagem para “David Copperfield” (1850), apontado como o romance mais autobiográfico de Dickens.
Nascido em uma família pobre, no condado de Hampshire, o escritor se mudou ainda criança para Londres. Lá, trabalhou em uma fábrica e viu de perto as mazelas enfrentadas pela classe operária inglesa. Uma experiência que transportou para diversas de suas obras, como em “Oliver Twist” (1837), um duro retrato do cotidiano de um órfão moldado pela delinquência enquanto luta para sobreviver nas ruas da capital.
Outro romance consagrado de Dickens, “Grandes esperanças” (1860) também tem no centro de sua trama um órfão. A obra, dividida em três volumes, conta a trajetória de Pip, desde sua infância sem recursos financeiros até o momento em que é agraciado com uma herança, evento que muda sua percepção sobre sua família e seu futuro.
Na semana passada, Steven Knight, criador da série “Peaky blinders”, anunciou que está preparando uma nova versão para “Grandes esperanças”. A minissérie da BBC vai ter seis episódios e contará com o ator Tom Hardy como produtor executivo.
Mas enquanto as novas versões das obras de Dickens não ganham as telas, preparamos uma lista com adaptações disponíveis em streaming e que podem ser um guia para quem quiser conhecer as releituras audiovisuais de um dos autores britânicos mais populares de todos os tempos.
‘Os fantasmas de Scrooge’ (2009)
Para quem curte as caras e bocas de Jim Carrey, esta é uma boa pedida. O filme é uma adaptação de “Um conto de Natal” (1843), clássico de Dickens que já ganhou versão até da Disney. Neste longa, dirigido por Robert Zemeckis, Carrey vive Ebenezer Scrooge, milionário que detesta o Natal. Mas um dia, ao receber a visita de três fantasmas, ele é confrontado com seu passado e reflete sobre o futuro. Gary Oldman e Colin Firth também estão no elenco. Disponível no YouTube, Google Play, iTunes e Microsoft Store.
‘Os fantasmas contra-atacam’ (1988)
Nesta versão mais ácida e cínica de “Um conto de Natal”, Bill Murray dá vida a Frank Cross, diretor de uma rede de TV que só pensa na audiência. Ele acaba sendo visitado por três fantasmas que o fazem perceber o quanto estava sendo mesquinho e lhe oferecem a última chance de redenção. Disponível no Amazon Prime Video e Microsoft Store.
‘Oliver Twist’ (2005)
Roman Polanski assina esta deslumbrante adaptação do romance de Dickens. O filme conta a história de um órfão que sofre com a fome e o trabalho escravo em uma cidade da Inglaterra vitoriana. Após fugir para Londres, acaba sendo recrutado por Fagin (Ben Kingsley), que comanda um esquema de roubos e prostituição. Tudo muda quando Oliver conhece um bondoso milionário no qual enxerga a figura de um pai. Disponível no YouTube, Google Play e iTunes.
‘Grandes esperanças’ (1998)
Nesta ousada versão do mexicano Alfonso Cuarón, o clássico de Dickens é teletransportado da Londres vitoriana do século XIX para uma efervescente Nova York da década de 1990. Ethan Hawke dá vida ao protagonista, que no filme recebe o nome de Finn Bell. No elenco ainda há nomes como Gwyneth Paltrow, Robert De Niro e Chris Cooper. Disponível no Claro Vídeo.
‘O herói da família’ (2002)
Indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em 2003, o longa é uma adaptação de “A vida e as aventuras de Nicholas Nickleby”, escrito entre 1838 e 1839. O filme conta a saga da família Nickleby, que sofre grande perda com a morte do patriarca. O jovem Nicholas (Charlie Hunnam) parte para Londres atrás do tio Ralph (Christopher Plummer), um investidor de sucesso. Disponível no iTunes.
O Globo Monday, 08 de June de 2020
NOVA ZELÂNDIA AFIRMA TER ERRADICADO A CORONAVÍRUS SUSPENDE TODAS AS RESTRIÇÕES INTERNAS
Nova Zelândia afirma ter erradicado coronavírus e suspende todas as restrições internas
Controle de fronteiras ainda será mantido; país é um dos primeiros do mundo a voltar à normalidade, após 75 dias de confinamento
Reuters
08/06/2020 - 10:02 / Atualizado em 08/06/2020 - 10:16
A primeira-ministra da Austrália, Jacinda Ardern Foto: MARTY MELVILLE / AFP/08-06-2020
WELLINGTON — A Nova Zelândia suspendeu todas as restrições sociais e econômicas, exceto os controles de fronteira, depois de declarar nesta segunda-feira que estava livre do coronavírus, um dos primeiros países do mundo a voltar à normalidade pré-pandêmica.
Eventos públicos e privados, indústrias de varejo e hospitalidade e todo o transporte público foram autorizados a retomar seu funcionamento sem as regras de distanciamento ainda existentes em grande parte do mundo.
— Embora o trabalho não esteja concluído, não há como negar que este é um marco. Obrigada, Nova Zelândia — disse a primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, em entrevista coletiva. — Estamos confiantes de que eliminamos a transmissão do vírus na Nova Zelândia por enquanto, mas a eliminação não é por acaso, é um esforço sustentado.
O país de cinco milhões de pessoas está emergindo da pandemia, enquanto grandes economias como Brasil, Reino Unido, Índia e Estados Unidos continuam a lidar com a disseminação do vírus. Os 75 dias de restrições na Nova Zelândia incluíram cerca de sete semanas de uma quarentena rígida, na qual a maioria das empresas foi fechada e todos, exceto trabalhadores essenciais, tiveram que ficar em casa.
— Hoje, 75 dias depois, estamos prontos — afirmou Ardern, anunciando que as restrições de distanciamento social terminariam à meia-noite.
Ardern também disse que fez uma “dancinha” quando lhe disseram que não havia mais casos ativos da Covid-19 na Nova Zelândia, surpreendendo sua filha de 2 anos, Neve.
— Ela foi pega um pouco de surpresa e se juntou a mim, sem ter absolutamente nenhuma ideia de por que eu estava dançando pela sala — disse.
A Nova Zelândia registrou 1.154 infecções e 22 mortes por Covid-19 desde que o vírus chegou no final de fevereiro. Ardern prometeu eliminar, não apenas conter, o vírus, o que significava interromper a transmissão por duas semanas após o último caso conhecido receber alta.
Por enquanto, todos que entrarem no país continuarão sendo testados e postos em quarentena. Mesmo assim, o governo precisará mostrar que pode reaquecer a economia, que deverá afundar em recessão.
Os partidos de oposição criticaram a decisão de Ardern de manter as restrições por tanto tempo.
— Precisamos avançar com cautela aqui. Ninguém quer prejudicar os ganhos que a Nova Zelândia obteve — disse a primeira-ministra.
O Globo Sunday, 07 de June de 2020
CAFU COMEMORA OS 50 ANOS
Em carta, Cafu comemora 50 anos e conta como lida com morte do filho
'Quero mostrar como minha família e eu nos fortalecemos em tempos muito difíceis'
Cafu
07/06/2020 - 05:00 / Atualizado em 07/06/2020 - 09:29
Cafu beija a taça do penta, em 2002 Foto: Dylan Martinez / REUTERS
Hoje estou completando 50 anos. É um aniversário marcante, mas será uma comemoração completamente diferente das demais. Em virtude da pandemia que está ocorrendo, estarei longe de muitas pessoas que são próximas a mim, e após completar um ano de um pesadelo que jamais imaginei passar, sinto que hoje é um bom momento para compartilhar e lidar com as emoções de milhões de perdas de todo o mundo, estou convencido do que estamos sentindo agora.
Todos nós experienciamos determinados dias em nossas vidas que jamais esqueceremos. O dia do nosso casamento, o nascimento dos nossos filhos e, para alguns sortudos, vencer a Copa do Mundo pelo nosso país. Há lembranças maravilhosas que levamos conosco eternamente, mas também há aquelas que jamais esqueceremos por outros motivos: dias que não conseguimos explicar e momentos de tragédia inexplicáveis que não são possíveis de prever, evitar e nem de impedir.
No dia 4 de setembro de 2019, Deus levou meu filho, Danilo Feliciano de Morais. Ele tinha apenas 30 anos. Alguns acontecimentos neste mundo são inexplicáveis. Não há rima nem razão. Perdi meu filho em meus braços. Eu tentei salvá-lo e ajudá-lo, mas ele partiu. Este era e é um sentimento de vazio, é uma sensação horrível. Às vezes nos sentimos impotentes, outras vezes nos sentimos tão fortes em nossos corpos e mentes, mas em um dado momento como esse, sua força física é o mesmo que nada, não ajuda. Por não conseguir salvar seu próprio filho, você se sente completamente fraco.
Mas Deus o levou e tenho certeza de que ele está muito bem onde está agora. Ele está cuidando de nós e rindo lá de cima de tudo o que estamos fazendo aqui. Oro para que nenhum outro pai passe por isso, pois um pai jamais deveria enterrar seu próprio filho.
Cafu ao lado do filho Danilo Foto: Reprodução Instagram
Até hoje, não expus esse trágico incidente e, embora eu não queira detalhar os acontecimentos daquele dia ou dos dias imediatos, semanas e meses após sua morte, me sinto preparado para falar sobre determinadas coisas. Sinto-me da mesma maneira que muitas outras milhões de pessoas em todo o mundo se sentem, e que a cada dia no meu amado Brasil passam por sentimentos semelhantes de perda repentina. Quero contar e compartilhar. Quero usar esta carta para mostrar como a minha família e eu nos fortalecemos em tempos muito difíceis. Quero compartilhar nossas paixões, que incluem o esporte, e que têm nos ajudado nesta batalha.
Antes de prosseguir e embora esta seja a primeira vez que falo diretamente sobre a morte do meu filho, devo agradecer às milhares de pessoas que me enviaram seus pensamentos e orações. As palavras não podem expressar o quanto isso significou para mim e para minha família naquele momento e, do fundo do meu coração, agradeço a todos e a cada um de vocês que nos ajudaram nesta superação.
Da mesma forma que estou mencionando a minha família, tenho certeza que com essa pandemia que está acontecendo em cada canto do mundo, as pessoas em quarentena estão passando o maior tempo possível com seus entes queridos. E aqueles que estão distantes de seus entes queridos devem estar pensando e sentindo falta das famílias como jamais sentiram. Isso me lembra a força e o apoio que recebi da minha família após a morte do Danilo. Minha família é grande, e eu sou um dos seis irmãos. Não tive o apoio deles apenas naquele momento, mas também nesta crise atual. A família é a base de tudo. Renovamos nossas forças todos os dias juntos, para que possamos superar essa dor e encarar o futuro juntos.
A dor de perda permanece, no entanto, devemos sempre recordar de momentos positivos. Quando penso no Danilo, lembro do que ele mais gostava, que era fazer brincadeiras com as pessoas. Logo, quando essa dor vem, sempre lembro desses momentos bons e acabo sorrindo. É assim que lidamos com a sua partida, de uma maneira mais positiva.
E mais uma vez, como ainda há o isolamento aqui no Brasil e em muitas outras partes do mundo, estou passando ainda mais tempo com aqueles que estão perto de mim. Estou treinando todos os dias e estou treinando-os todos os dias, o que se tornou uma atividade familiar diária e bem divertida. As pessoas me verão como um famoso positivo, feliz e que está sempre sorrindo. Vejo como uma avaliação necessária da minha pessoa, mesmo estando longe da mídia. Dessa forma, sempre procuro ver os aspectos positivos de tudo, mesmo enfrentando esta pandemia assustadora, podemos observar o tempo maior que ganhamos com as nossas famílias. Para mim, particularmente, certamente é uma bênção, pois costumo viajar tanto que muitas vezes não estou presente e perto dos meus familiares. Hoje, por meio desse fato negativo há uma situação positiva. Claro, sinto falta de estar em contato com o público em geral. Sou uma pessoa popular e não há nada que me alegra mais do que conhecer pessoas e conversar com elas sobre o futebol.
Cafu trabalha no Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022 Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
Também realizei muitos trabalhos nos últimos meses junto ao Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022, onde sou embaixador global. Através da nossa cooperação e do programa "Geração Incrível", tive a oportunidade de conhecer centenas de jovens fãs de futebol de todo o mundo, e antes desse isolamento, trabalhei nas sessões de treinamento com eles. Ao lado de meus colegas embaixadores, Xavi, Samuel Eto’o e Tim Cahill, vemos a alegria no rosto dessas crianças quando chegamos e brincamos com elas. Sinto muito falta disso. Sei que o programa realizou diversas sessões virtuais para que todas as crianças isoladas em casa pudessem acompanhar. Isso é admirável e é uma grande inovação durante esse período. Tenho certeza de que todos pensam o mesmo ao ver pela primeira vez a alegria nos rostos das crianças quando elas jogam futebol. Isso é insubstituível. É o que mais me alegra e é o que mais sinto falta.
Como já disse a mim mesmo em todos os dias de lutas do ano passado, essa dor e negatividade não durarão eternamente. Embora eu tenha certeza de que nunca esqueceremos esse momento, isso aliviará. E quando tudo isso acabar e retornarmos à vida normal, certamente apreciaremos as pequenas coisas que consideramos muito mais importantes.
Neste momento, estamos enfrentando tempos sombrios, mas como diz o ditado: a noite é sempre mais escura antes do amanhecer.
Peço a todos que se protejam, fiquem em casa, fortifiquem-se, fiquem juntos. Cuidem uns dos outros e lembrem-se que um dia, em breve, isso tudo acabará.
O Globo Saturday, 06 de June de 2020
FAÇA SUA FESTA JUNINA EM CASA
Festa junina em casa: chefs compartilham quitutes, truques e até drinque com cravo e canela
Aprenda a fazer bolo de tapioca, pavê de amendoim e brigadeiro de curau
Bruno Calixto
06/06/2020 - 00:01
MP Tortas Boutique, no Recreio: cupcakes de festa junina Foto: Divulgação/Fernando Frazão
Está aberta a temporada de festejar São João, São Pedro e Santo Antônio, os santos juninos. Para a sorte (e privilégio) daqueles que podem ficar em casa na quarentena, chefs e bartenders compartilham receitas de quitutes típicos de festa junina, tem até drinque com cravo e canela, além de clássicos como bolo de milho e tapioca com queijo, doce de amendoim e um brigadeiro de curau. Bom arraiá virtuá!
Cupcake de tapioca com coco
Marlene Percílio (MP Tortas Boutique)
Ingredientes
4 ovos
100g de creme vegetal
300g de açúcar
250g de creme de arroz
50g de amido de milho
300ml de leite de coco (ou leite de soja, se preferir)
10g de fermento em pó
... a cobertura de tapioca
500g de tapioca
350g de coco fresco ralado
350g de açúcar
5g de sal
1,5 litros de água
Preparo
Na batedeira, misture o creme vegetal com o açúcar. Acrescente as gemas. Às claras devem ser batidas separadamente. Em seguida, vá colocando nessa massa, alternadamente, a mistura de amido de milho com creme de arroz e o leite de coco. Adicionar as claras em neve, sem bater. Por fim, coloque o fermento. Depois de tudo batido, leve para assar a 180 graus, por 25 minutos, em forminhas (a que tiver em casa).
Cobertura de tapioca: Misturar em um recipiente os ingredientes secos. Bater no liquidificador o coco fresco e parte da água. Juntar à mistura anterior e adicionar água até formar uma pasta. Modelar em formas e gelar. Rende quatro.
Bolinho de estudante
Café do Alto
Café do Alto aposta em quitutes como 'bolo de estudante' Foto: Divulgação/Renata Volkmann
Está aberta a temporada de festejar São João, São Pedro e Santo Antônio, os santos juninos. Para a sorte (e privilégio) daqueles que podem ficar em casa na quarentena, chefs e bartenders comparilham receitas de quitutes típicos de festa junina, tem até drinque com cravo e canela, além de clássicos como bolo de milho e tapioca com queijo, doce de amendoim e um brigadeiro de curau. Bom arraiá virtuá!
Ingredientes
3 xícaras de tapioca
1 xícara de açúcar
2 xícaras de água morna
2 xícaras de leite de coco
1 xícara de coco ralado fino
½ colher de chá de sal
Preparo
Coloque todos os ingredientes em uma tigela e misture muito bem. Deixe descansar por 40 minutos, mexendo de vez em
quando, para a tapioca hidratar. Molhe as mãos e faça bolinhos em formato de croquetes. Frite em óleo quente e escorra em papel toalha. Passe no açúcar com canela.
Bolo de aipim com coco
Malu Mello
Malu Mello aposta no bolo de aipim Foto: Divulgação/Fabiana Cavalcante
Ingredientes
320g de aipim ralado
100g de coco fresco
50ml de leite de coco
20g de açúcar
50g de manteiga
1 ovo
50ml de leite integral
10g de fermento em pó
1 pitada de sal
... para untar
20g de manteiga
30g de farinha de trigo
Preparo
Higienize e descasque o aipim. Rale o aipim, metade no ralo fino e a outra metade no ralo grosso. Reserve. Rale coco fresco no ralo fino. Reserve. Unte uma assadeira com manteiga. Polvilhe farinha de trigo. Reserve. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Acrescente a um bowl o ovo, açúcar e manteiga. Bata a mistura com o auxílio de um fouet. Acrescente o leite e o leite de coco. Continue batendo. Acrescente o coco e aipim ralado. Adicione o fermento e misture bem. Leve ao forno, Asse por aproximadamente 40 minutos. Retire da forma após esfriar.
O biscoito de gergelim: processe todos os ingredientes. Asse bem fininho por cinco até dez minutos.
O creme de amendoim: bata todos os ingredientes no liquidificador. Junte o amendoim tostado no final e pulse. Reserve. Monte o pavê com uma camada de biscoito e uma camada de creme. Finalize com amendoim tostado e raspinha de limão.
Brigadeiro de curau
Carolina Sales
Carolina Sales: brigadeiro de curau Foto: Divulgação/Filico
Ingredientes
1 lata de leite condensado
200g de milho cozido (grãos)
100ml de creme de leite
1/2 colher de café de canela
300g de mistura de açúcar e canela para confeitar
Preparo
Bater o milho no liquidificador; com água, o mínimo possível para bater e fazer uma pasta. Coar e extrair apenas marketing creme sem pedaços. Reservar. Na panela colocar o leite condensado, creme de leite, o creme de milho e a canela. Mexer até dar o ponto de enrolar. Colocar em um prato para esfriar. Após frio enrolar bolinhas de 20g e passar no açúcar com canela. Rende 12 unidades.
Bolo de milho
Paula Prandini (Empório Jardim)
Paula Prandini, do Empório Jardim, ensina bolo de milho Foto: Divulgação/Tomas Rangel
Ingredientes
1 lata de milho verde com a água dele
2 colheres (sopa) de manteiga
4 ovos
2 xícaras de açúcar
1 xícara e ½ de milharina
250ml de leite de coco
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
Preparo
Bater tudo no liquidificador, menos o fermento. Quando estiver bem batido, junte o fermento, bata rapidamente e despeje numa forma de buraco no meio, untada e enfarinhada. Asse a 170 a 180 graus por cerca de 30 minutos. Quando desenformar, polvilhar açúcar e canela. Rende 12 fatias.
Nosso Hot Toddy
Daniel Estevan (Nosso)
Nosso Hot Toddy, Daniel Estevan (Nosso) Foto: Divulgação
Ingredientes
60ml de uísque escocês
60ml de chá mate quente
15ml de suco de limão siciliano
10ml de mel
3 cravos
1 pau de Canela
Raspas de noz moscada
Preparo
Colocar todos os ingredientes em uma xícara de chá e mexer para misturar todos os ingredientes.
O Globo Friday, 05 de June de 2020
MIGUE FALABELLA DEIXA A GLOBO APÓS 39 ANOS
Miguel Falabella deixa a Globo após 39 anos
PATRÍCIA KOGUT
Miguel Falabella (Foto: João Cotta/TV Globo)
Na Globo desde 1981, Miguel Falabella está deixando a emissora. Ele foi avisado ontem que seu contrato não será renovado. Ator, roteirista e diretor, ele assinou séries como "Pé na cova" e "Toma lá, dá cá" e novelas como "A Lua me disse". Durante muitos anos, brilhou interpretando o Caco Antibes em "Sai de baixo". Dono de um estilo próprio inconfundível e brilhante, Miguel produz sem parar no teatro também e já dirigiu no cinema. "Foram quase 40 anos, toda uma vida. Mas é vida que segue", diz ele.
O Globo Thursday, 04 de June de 2020
SAIBA COMO SERÁ O RECRUTAMENTO DE VOLUNTÁRIOS PARA A VACINA CONTRA A COVID-19
Saiba como será o recrutamento de voluntários para testar vacina contra Covid no Brasil, que começa este mês
Universidade que coordenará ensaio clínico selecionará profissionais de saúde e quem trabalha exposto ao vírus na primeira etapa
Rafael Garcia
04/06/2020 - 09:03 / Atualizado em 04/06/2020 - 09:54
Vacina candidata contra a Covid-19 vai ser testada em 2 mil pessoas no Brasil Foto: Reuters
RIO — Um grupo de 2 mil pessoas deve receber no Brasil, ainda este mês, a dose de uma vacina experimental contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) articula os trabalhos para que metade dos voluntários seja vacinada em São Paulo e metade no Rio. Ainda não foi anunciada a instituição que ajudará com os testes no Rio.
A Unifesp coordenará o ensaio clínico com o produto no país e diz que dentro de poucos dias deve abrir seu sistema de recrutamento de voluntários. Nesta etapa, serão selecionados apenas profissionais de saúde ou trabalhadores em atividades de alta exposição ao vírus, como equipes de limpeza de hospitais e motoristas de ambulância.
O ensaio clínico em questão é um teste de fase 3 (que avalia a eficácia do produto) para uma vacina criada a partir de um vírus que causa resfriado em chimpanzés. O patógeno foi alterado em laboratório e tornado incapaz de se reproduzir em humanos. O que o transforma numa vacina é o fragmento de uma proteína do novo coronavírus que é incorporada a ele e atua como antígeno: faz o sistema imune se preparar para a chegada do vírus real.
Testado em macacos resos, o imunizante batizado de ChAdOx1 teve bom efeito e conseguiu proteger os animais de pneumonia viral, ainda que não tenha impedido a infecção em si. Depois disso, passou por um estudo de fase 1 no Reino Unido, etapa que avaliou a segurança do produto. A fase 2, que avalia a capacidade da vacina de criar uma resposta imune, ainda não acabou, mas já há sinal verde para início daf ase 3.
O pedido de teste clínico no Brasil foi aprovado na noite de terça-feira pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
— Esse é um processo que deve ser muito rápido, e a gente pretende começar o estudo ainda neste mês, só não tenho data precisa — diz Lily Yin Weckx, médica que coordena o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), unidade da Unifesp que coordenará os trabalhos.
Um dos motivos pelos quais o Brasil foi selecionado como local da pesquisa é o fato de a pandemia ainda estar em crescimento acelerado no país, com mais de 500 mil casos e mais de 31 mil mortes.
Soraya Smaili, farmacóloga e reitora da Unifesp, diz que o Brasil integrar um teste clínico agora ajuda o país a ter acesso ao produto no futuro, num cenário de alta demanda.
O Globo Wednesday, 03 de June de 2020
ESPUMANTE GAÚCHO É ELEITO O MELHOR DO MUNDO
Espumante gaúcho 130 da Casa Valduga derrota champanhes e é eleito o melhor do mundo
Por Claudia Meneses
Um espumante gaúcho derrotou os melhores champanhes na própria França e foi escolhido o melhor do mundo no concurso 26º Vinalies Internacionales. O vencedor foi o 130 Blanc de Blanc Brut da Casa Valduga, produzido no Vale dos Vinhedos. A competição é uma das mais importantes do universo do vinho, feita pela União de Enólogos Franceses. Durante cinco dias, 130 jurados de 40 países se reuniram em Paris e provaram, às cegas, mais de 3.500 rótulos de espumantes e vinhos tranquilos vindos dos quatro cantos do planeta.
- Experimentei esse vinho em fevereiro de 2019 e logo percebi que estava diante de um vinho diferenciado. Muito elegante e equilibrado, com aromas florais e de frutas tropicais, além de notas amanteigadas e de brioche. Sem dúvidas, uma grande vinho - avalia Joseph Morgan, presidente da Associação Brasileira de Sommerliers do Rio.
Para Eduardo Valduga, diretor de Marketing e Comercial do Grupo Famiglia Valduga, o prêmio mostra que a vinícola está no caminho certo:
- Para nós, o prêmio não está atrelado à superioridade aos demais, mas sim para nos mostrar que o nosso trabalho está no caminho certo. Estar em destaque entre os jurados, eleito como a melhor amostra do concurso, nos enche de orgulho e gratidão. Também nos motiva a nos dedicarmos ainda mais, pois sempre haverá novas safras que nos colocarão em prova sobre critérios, investimentos tecnológicos e estudos inovadores.
Na avaliação dos jurados, o sabor do 130 foi descrito como um espumante com sabor de verão, com bolhas finas de cor amarelo palha e reflexos verdes. De aromas são inicialmente discretos e oferecem uma paleta aromática rica e complexa: notas de avelã e flor de laranjeira desaparecem suavemente e dão lugar a aromas gourmet de bolo de baunilha, praliné e torta de amêndoa. Na boca, tem frescor e é redondo. Sua dosagem de açúcar é equilibrada e tem estrutura. Por seu equilíbrio, pode acompanhar vários pratos, como atum ou queijo pecorino com mel.
O projeto do 130 Brut nasceu há 15 anos, quando a Casa Valduga decidiu elaborar um espumante ícone do Brasil em homenagem aos 130 anos da chegada da família Valduga ao país. Em 2016, lançou as versões Blanc de Blanc, feita com uvas Chardonnay das melhores safras, e Blanc de Noir, com Pinot Noir.
- O 130 Blanc de Blanc é uma extensão da linha de espumantes 130 e que se tornou um ícone da vinícola. Na busca de expressar o máximo das variedades Chardonnay e Pinot Noir, foram criados os rótulos 130 Blanc de Blanc e o 130 Blanc de Noir, respectivamente. Uma vez elaborado e sendo apreciado de forma incrível por nosso corpo técnico e por nossos clientes, decidimos inserir o 130 Blanc de Blanc na busca pelo melhor, sempre o designando como produto icônico da família - detalha Eduardo Valduga.
O 130 Blanc de Blanc está esgotado na Casa Valduga, e a previsão é de que ele volte a ser vendido ainda este mês:
- Com o impacto positivo da notoriedade do concurso, a busca pelo produto cresceu eminentemente. Porém, não é um rótulo elaborado em larga escala, bem pelo contrário. Mas estamos fazendo o máximo para atender a demanda, tomando as devidas ações para que as poucas garrafas que foram elaboradas alcancem o maior número de paladares. A previsão é que na segunda quinzena de junho o produto já esteja disponível novamente, com estoque limitado - garantiu Eduardo Valduga.
O Blanc de Blanc é feito pelo método tradicional e tem 36 meses de autólise de leveduras. É recomendada a guarda até 8 anos após o dégorgement. A harmonização sugerida pela Valduga é com peixes, frutos do mar, risotos, culinária japonesa e mediterrânea. Sua coloração é amarelo palha e fino perlage. O aroma mostra notas cítricas, frutadas e nuances amanteigadas e de brioche.
Mais três premiados
Três espumanetes da Ponto Nero, também do Grupo Famiglia Valduga, também foram premiados no concurso na França. O Ponto Nero Icon levou medalha de ouro e foi classificado entre os melhores do mundo; e o Ponto Nero Cult Brut e Ponto Nero Cult Brut Rosé conseguiu medalha de prata.
Onde encomendar
O espumante 130 Blanc de Blanc está esgotado no site da Casa Valduga. No Bebidas do Sul, sai por R$ 134. O Meu Vinho está aceitando encomendas.
CELSO DE MELLO ARQUIVA PEDIDO DE APREENSÃO DO CELULAR DO PRESIDENTE
Celso de Mello rejeita apreensão de celular de Bolsonaro mas avisa que descumprir decisão judicial é 'inaceitável'
Presidente havia declarado que, se o STF determinasse a medida, não entregaria o telefone; pedido foi feito por partidos e parlamentares
O Globo
02/06/2020 - 01:35 / Atualizado em 02/06/2020 - 08:46
O ministro decano do STF, Celso de Mello Foto: Jorge William / Agência O Globo
BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello arquivou na noite desta segunda-feira o pedido de apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e seu filho, Carlos Bolsonaro, feito por partidos políticos e parlamentares para a investigação sobre a suposta interferência política do presidente na Polícia Federal (PF). Na mesma decisão, o ministro mandou, no entanto, um recado direto ao presidente da República, dizendo que não se pode falar em descumprimento de ordem judicial. Bolsonaro já havia declarado que se o STF determinasse a apreensão de seu celular não entregaria.
“Tal insólita ameaça de desrespeito a eventual ordem judicial emanada de autoridade judiciária competente, de todo inadmissível na perspectiva do princípio constitucional da separação de poderes, se efetivamente cumprida, configuraria gravíssimo comportamento transgressor, por parte do Presidente da República, da autoridade e da supremacia da Constituição Federal”, escreveu, reforçando em outro trecho de seu despacho: "Na realidade, o ato de insubordinação ao cumprimento de uma decisão judicial, monocrática ou colegiada, por envolver o descumprimento de uma ordem emanada do Poder Judiciário, traduz gesto de frontal transgressão à autoridade da própria Constituição da República".
Celso de Mello ponderou ainda que um eventual descumprimento de ordem judicial pelo presidente da República seria um ato de "insubordinação executiva", uma "conduta manifestamente inconstitucional". O ministro lembrou do ex-deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte que promulgou o texto constitucional que está em vigor no país. Segundo o ministro, ao proclamar a nova Constituição, o parlamentar defendeu o novo texto, "estigmatizando com o labéu de traidor aquele – governante ou governado – que ousasse transgredir a supremacia da Lei Fundamental de nosso País".
Citando o discurso de Ulysses, que declarou ter "impressionante e permanente atualidade": Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.” De acordo com o ministro, a lembrança faz-se necessária "para que jamais se repitam comportamentos inconstitucionais de anteriores Presidentes da República, que ousaram descumprir decisões emanadas desta Corte Suprema".
Celso de Mello sustentou que o STF, como parte do Poder Judiciário, tem competência, em ações penais, para determinar ordens em processos de investigação e estas devem ser cumpridas.
No mesmo texto, o ministro ressaltou, entretanto, que o poder judiciário também tem limites. Citou como exemplo que um juiz não pode arquivar sozinho uma investigação sem que houvesse manifestação do Ministério Público, a quem cabe apurar os fatos e oferecer denúncia. Por esse motivo, Celso de Mello rejeitou o pedido feito por partidos políticos que tinham solicitado a apreensão dos celular de Bolsonaro. Segundo ele, solicitar ou não diligências depende de requisição do Ministério Público.
O ministro ponderou ainda que o STF tem noção do momento em que o país passa. "Torna-se essencial reafirmar, desde logo, neste singular momento em que o Brasil enfrenta gravíssimos desafios, que o Supremo Tribunal Federal, atento à sua alta responsabilidade institucional, não transigirá nem renunciará ao desempenho isento e impessoal da jurisdição, fazendo sempre prevalecer os valores fundantes da ordem democrática e prestando incondicional reverência ao primado da Constituição, ao império das leis e à superioridade político-jurídica das ideias que informam e que animam o espírito da República", disse, acrescentando: “Esta Suprema Corte possui a exata percepção do presente momento histórico que vivemos e tem consciência plena de que lhe cabe preservar a intangibilidade da Constituição que nos governa a todos, sendo o garante de sua integridade, de seus princípios e dos valores nela consagrados, impedindo, desse modo, em defesa de sua supremacia, que gestos, atitudes ou comportamentos, não importando de onde emanem ou provenham, culminem por deformar a autoridade e degradar o alto significado de que se reveste a Lei Fundamental da República”.
Celso de Mello destacou ainda que todas as autoridades devem respeitar a Constituição, caso contrário haveria uma "inaceitável subversão da autoridade e do alto significado do Estado Democrático de Direito ferido em sua essência pela prática autoritária do poder". E apontou: "No Estado Democrático de direito, por isso mesmo, não há espaço para o voluntário e arbitrário desrespeito ao cumprimento das decisões judiciais, pois a recusa de aceitar o comando emergente dos atos sentenciais, sem justa razão, fere o próprio núcleo conformador e legitimador da separação de poderes, que traduz postulado essencial inerente à organização do Estado no plano de nosso sistema constitucional, dogma fundamental esse que alguns insistem em ignorar."
egundo ele, o Poder Judiciário quando emite ordens judiciais não está ferindo a atribuição de outro Poder. E que se o objeto da ação se sente prejudicado tem a via legal e única de recorrer da decisão proferida. “Torna-se vital ao processo democrático reconhecer que nenhum dos Poderes da República pode submeter a Constituição a seus próprios desígnios, eis que a relação de qualquer dos Três Poderes com a Constituição há de ser, necessariamente, uma relação de incondicional respeito ao texto da Lei Fundamental, sob pena de inaceitável subversão da autoridade e do alto significado do Estado Democrático de Direito ferido em sua essência pela prática autoritária do poder”.
O Globo Monday, 01 de June de 2020
DELIVERY DE DRINQUES NO RIO
Bartenders se reinventam e apostam em serviço de delivery de drinques no Rio
Copos e garrafinhas cruzam a cidade nas garupas dos motoboys antes de virarem a alegria da noite. Em dias de lives, vendas passam de 200 coquetéis.
Diego Amorim
31/05/2020 - 05:00 / Atualizado em 31/05/2020 - 17:56
Letícia, formada em moda, resolveu apostar no delivery Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
RIO - Para essa galera, todo dia merece um “sextou”! Em meio ao isolamento social, bartenders investiram no delivery de drinques como forma de manter a renda e oferecer um happy hour com gostinho de morango, limão ou abacaxi para quem está em casa. Em dois meses, eles conquistaram clientes e viram suas bebidas chegarem a vários bairros do Rio. Copos e garrafinhas cruzam a cidade nas garupas dos motoboys antes de virarem a alegria da noite. Em dias de lives de grandes artistas na internet, são vendidos quase 200 coquetéis.
— Para os drinques, pensamos nas infinitas possibilidades de receitas e combinações. Queríamos oferecer uma opção de delivery além das cervejas e vinhos — afirma Letícia Ribeiro, de 29 anos, sócia do ÓZÊ Drinks com o marido, Raphael Guimarães, de 29, e o amigo Lucas Machado, de 23: — Criamos um drinque para a quarentena, o Sonho, que ganhou esse nome na esperança de dias melhores. É feito com chá de hibisco, abacaxi e hortelã. São ingredientes diuréticos e digestivos, bons para compensar as guloseimas do isolamento.
Raphael, do ÓZÊ Drinks, entrega bebidas para o motoboy Max Maurício Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
O serviço funciona de quinta-feira a domingo, à noite, pelo WhatsApp (96563-8255) e com entregas para a Zona Norte (consulte os bairros abrangidos). Os drinques custam R$ 20 (vodca) ou R$ 25 (gin).
— Faltavam serviços assim, de drinques em casa. A apresentação é linda, o preço é justo e os sabores são maravilhosos. Eu peço sempre — diz a universitária Thaís Almeida, de 23 anos, de Cavalcanti.
Quando teve início a pandemia, em março, o barman Pedro William, de 28 anos, viu festas e eventos sendo desmarcados. Trabalhando nessa área há dez anos e preocupado, ele teve a ideia de manter a profissão na forma de delivery, com o In Black (97100-4996). Desde então, os coquetéis e caipirinhas tradicionais e gourmets (R$ 15) mostram ser possível tomar bons drinques mesmo no sofá de casa.
Pedro William, da "In Black", aposta na combinação de sabores Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
— Faço as entregas a partir de quinta-feira. Tentamos fazer uma consultoria para mandar o coquetel certo de acordo com o paladar de cada um. A galera sente falta de uma bebida na mesa do bar. Então tento levar essa proposta para a casa de todos eles. Em dias de live, já cheguei a vender 20 drinques para uma família — explica William.
Bruno Guedes, de 29 anos, e Eduardo Marchetti, de 32, também trabalhavam com eventos antes da Covid-19. Carentes de festas, se reinventaram e com o delivery da De Boa Drinks (98686-0939) viram uma forma de ganhar dinheiro com bebidas diferenciadas. Quase 80% do cardápio são invenções da dupla, com preços de R$ 28 a R$ 35.
— Queremos mudar a ideia de que gin só cai bem com tônica ou de que uísque só combina com energético ou água de coco — diz Bruno.
Bruno Guedes e Eduardo Marchetti, sócios fundadores da De Boa Drinks Foto: Divulgação
Experiência para fazer o seu drinque em casa
Para quem busca uma opção além do simples consumo em casa, a Drinks on the Rocks Club é uma plataforma que oferece a experiência do cliente preparar o próprio drinque. Após escolher o coquetel no site, ele faz o pedido online e recebe o kit em casa, composto pela bebida base, pela receita e por todos os ingredientes na porção certa.
No cardápio, clássicos e receitas exclusivas. Cada embalagem faz de quatro a 12 drinques e custa a partir de R$ 103. Para os donos da ideia, a plataforma surge como uma forma de envolver o consumidor na produção das bebidas e ensiná-lo a preparar o drinque favorito.
O kit chega na casa da pessoa com bebida, ingredientes porcionados e receita Foto: Divulgação/Raphael Jacomini
— É um projeto que já tínhamos desenhado e que foi colocado em funcionamento um pouquinho antes do previsto por causa da pandemia. Nós vivemos um momento em que ficar em casa é primordial. Então, queremos dividir nossa experiência em drinques com os nossos clientes. São mais de 15 deliciosas opções. Com o tempo, a ideia é ampliar esse cardápio de opções trazendo parceiros e marcas de bebidas de alta qualidade — diz Mauro Carvalho, um dos sócios da plataforma ao lado do também empresário Eberson Ramos.
Com a semana recheada de lives, o GLOBO traz sugestões de drinques de acordo o gênero musical. Escolha o seu e tintim:
Neste domingo, o sertanejo de César Menotti e Fabiano, às 11h, e o forró de Solange Almeida, às 17h, pedem o drinque Floresta (kiwi e laranja-Bahia): "São cores vivas da natureza, lembram o campo", diz Letícia, do Ozê, que indica o Praiano (maracujá e morango) para quem for curtir Alexandre Pires e Seu Jorge, às 14h, e Fundo de Quintal, às 15h: "São frutas de paixão nacional, que nem o samba".
DELIVERY DE DRINQUES VIRA SENSAÇÃO NAS NOITES DO RIO
Thaís não perde uma live na internet, na companhia dos drinques Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
Drinques do ÓZÊ faz sucesso em bairros da Zona Norte Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
Já na sexta-feira, é a vez de Marcelo D2, às 20h, levar seus sucessos para a internet: "Um cara com o estilo dele combina muito bem como o drinque De Patrão (sucos de laranja e limão, xarope de pêssego e uísque). É uma bebida que marca presença", indica Guedes.
No sábado, Bell Marques canta seus sucessos às 12h: "O axé me lembra o quentão e a canela, presente na caipirinha gourmet de morango com limão", diz Pedro William, do In Black. Às 20h, tem Jota Quest: "O Moscow Mule (vodka, limão e espuma de gengibre) é um queridinho das festas de casamento, embaladas por clássicos do grupo", diz Mauro Carvalho, da "Drinks on the Rock Club".
No próximo domingo, dia 7, às 18h, tem o samba de Mumuzinho: "Ele é cria de Realengo e combina com a caipirinha Zé Carioca, que leva maracujá, limão e açúcar de gengibre", diz William. Para fechar a agenda, o próximo domingo reserva Negra Li, às 16h: "Uso a licença poética para lembrar da diva negra Ella Fitzgerald, lembrando as grandes cantoras de jazz, incríveis como Negra Li", avalia Carvalho.
O Globo Sunday, 31 de May de 2020
BANDA AS BAHIA E A COZINHA MINEIRA LANÇA ÁLBUM PRODUZIDO NA QUARENTENA
Banda 'As bahias e a cozinha mineira' lança álbum inteiramente produzido na quarentena
Grupo formado por duas mulheres trans e um homem prepara EP visual com Gringo Cardia
Eduardo Vanini
31/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 31/05/2020 - 08:59
As Bahias e a Cozinha Mineira - Raquel Virgínia, Rafael Acerbi e Assucena Assucena Foto: Sher Santos
Raquel Virgínia queria ser cantora de axé. Assucena Assucena começou a cantar no coral do cursinho de inglês. Rafael Acerbi tocava em bandas de rock. Os três marcaram a opção “História” no vestibular da USP, quando chegou a hora de escolher uma faculdade. Estudaram juntos, foram jubilados juntos e criaram juntos uma das bandas de maior projeção no circuito musical alternativo brasileiro: As Bahias e a Cozinha Mineira. Nem mesmo a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus nos últimos meses impediu o trio de produzir coletivamente. Embora cada integrante more num endereço diferente de São Paulo, o grupo acaba de lançar um EP de cinco músicas, produzido remotamente ao longo de 15 dias.
“Enquanto estamos distantes”, cujas músicas serão mostradas numa live às 17h deste domingo no Instagram da Revista ELA (@elaoglobo), foi concebido sob a premissa da sutileza, com a intenção de levar um alento à vida das pessoas num momento tão inconstante como este. “É um repertório sobre delicadeza. Você liga a TV e vê muita tragédia e violência. Precisamos de mais carinho e arte. Tem dia que, se eu não botar uma Bethânia ou uma Alcione para tocar, não dou conta do isolamento”, comenta Raquel, ao passo que Assucena completa: “As músicas trazem uma reflexão sobre pequenas coisas do cotidiano das quais estamos afastados. Não podemos encontrar um crush, um amigo...”
O single “Éramos chuva” traduz bem esse espírito. No clipe, vê-se nomes como Taís Araujo, Lea T. e Thelma Assis mostrando seus cotidianos enquanto leem livros, rodopiam pela sala ou fazem ioga. Numa das cenas mais simbólicas, a escritora Djamila Ribeiro sente a chuva cair sobre o seu rosto através da janela de casa. Tudo gravado por cada participante.Mais sintonizada com o rock até então, a banda chega aos ouvidos do público numa roupagem pop, costurada com guitarra, violão, teclado e samples de Rafael. Ele assina a produção e fez todos os arranjos sozinho, no estúdio montado em sua casa. “Esse trabalho acessa um lugar inédito para nós, que é o da reinvenção”, resume o músico, enquanto Raquel ilustra como foram os bastidores: “Cheguei a ensaiar dentro do banheiro por causa da acústica”.
Sucesso em festivais no Brasil inteiro e fazendo shows que sacolejam casas como o Circo Voador, o trio formado por duas mulheres trans nos vocais e um homem cis na guitarra terminou o ano que passou com uma indicação ao Grammy Latino e se prepara para ganhar um público cada vez maior. Além do EP, o quarto disco de estúdio, “Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”, já está gravado, mas teve o lançamento adiado por tempo indeterminado em função da pandemia.
Planejado na forma de um álbum visual, o disco mergulha em águas mais profundas do universo pop e leva a assinatura estética de Gringo Cardia, acostumado a trabalhar com nomes como Ivete Sangalo e Maria Bethânia. Os clipes seriam gravados em março, mas foram suspensos diante da impossibilidade de se reunir uma equipe de filmagem neste período. “Vamos fazer uma coisa visualmente transgressora. Em cada música, as Bahias vão aparecer com um visual específico, mostrando como há um ecletismo ali”, adianta Gringo.
Este será o segundo trabalho do grupo pela gravadora Universal, e a produção musical ficou a cargo de Daniel Ganjaman, outro nome quente do cenário artístico. Já o título traz uma citação ao poema “Todas as cartas de amor são ridículas”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. “É uma forma de nos posicionarmos frente ao que chamamos de romantismo. Sempre apresentamos uma diversidade temática, que vai dos problemas sociais do Brasil a um cotidiano banal. No meio disso, existe esse romantismo, algo muito latino e brasileiro, que nos faz querer conversar mais com as massas. As músicas que havíamos lançado dentro desse perfil em trabalhos anteriores já são as que as pessoas mais cantam nos shows”, descreve Assucena, prometendo, ainda, faixas dançantes. “O amor também dança. Dançar junto é uma delícia...”
CONFIRA UM ENSAIO DE MODA EXCLUSIVO COM AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA
Rafael veste camisa Foxton, casaco Another Place e bermuda Retropy; Assucena, camisa Saldanha World na Obra Ipanema, saia Ocksa, brinco usado como broche Annaka e colares Lucca Carvalho na Casa de Antônia; Raquel, camisa Assumpta e macacão Renner Foto: Sher Santos |
Rafael usa camisa Angela Brito,regata Uma, calça Adidas e tênis Mr. Cat; Assucena, tricô Haight, calça Another Place e brincos Carlos Penna na Casa de Antônia; Raquel, vestido Tata Melgaço na Casa de Antônia, broche Arqvo na Santuário, brinco O Grito e tênis Farm Foto: Sher Santos
O trio se conheceu em 2011 e formou a banda, com este nome, em 2015. Logo, a chegada ao quarto álbum é também o triunfo de uma parceria entre três pessoas bem diversas ao longo de todos esses anos. “A gente se conheceu na universidade, mas cada um tem uma história muito particular”, salienta Raquel. “Eu sou negra, da periferia de São Paulo, a Assucena é do Sertão da Bahia e judia e o Rafa é mineiro de Poços de Caldas (nascido em família evangélica). Tudo isso acaba numa conformação que, de alguma maneira, simboliza um Brasil que tenta ser harmônico.”
Fã de Ivete, a paulistana sonhava, na adolescência, em fazer carreira em cima do trio elétrico. Pediu tanto à mãe, que conseguiu se mudar para a capital baiana aos 17 anos. O projeto, porém, não aconteceu como fora sonhado, mas a vivência por lá serviu para que os laços com a sua negritude fossem estreitados e lhe rendessem uma baianidade suficiente para justificar o nome da banda. Ela e Assucena, que é nascida em Vitória da Conquista, ganharam o apelido de “Bahia” na faculdade.
A trinca fechada com a cozinha mineira de Rafael já rendeu seus “quebra-paus”, como admitem os três sem qualquer ressentimento. “A nossa união acaba produzindo contradições o tempo inteiro. Antes, quando não tínhamos muita experiência nesse mundo artístico, era difícil de lidar. Mas, hoje em dia, conseguimos ser mais francos e resolver as coisas na hora”, afirma o guitarrista.
O Globo Saturday, 30 de May de 2020
IDEIAS DE SOPA PARA DIAS QUE NÃO SÃO SOPA
Ideias de sopa para dias que não são sopa
Por Mariana Weber
Tem dias que não são sopa. Temos vivido uns tantos nos últimos tempos. Um prato de sopa não resolve, mas quem sabe ajuda. Talvez lembre dias em que, quando não estávamos bem, alguém cuidava de nós. E trazia, com um prato fumegante, a sensação de que o problema se resolveria.
A cada colherada, junto com o calor, vinha uma pitada de conforto. A segurança de que ali estava alguém que sabia o que estava fazendo. Pelo menos sabia fazer uma sopa que nos esquentava por dentro de um jeito tão bom.
E, ei, pode ser que chegue um tempo, pode ser que seja hoje, em que seremos capazes de nos cuidar com nosso próprio prato de sopa. Talvez capazes até de cuidar de mais alguém.
Aqui, não vou dar receita exata, só ideias do que eu tenho feito em casa. Varie ingredientes à vontade. Porque cada um sabe o que tem em na geladeira e o que momento pede. E porque já existem tantas coisas complicadas na vida, não vamos complicar a sopa.
Corte a barriga de porco (pancetta) em cubos e doure-os em uma panela (não precisa adicionar gordura, a barriga já tem). Depois refogue cebola, alho e nabo. Jogue um pouco de saquê ou vinho branco e deixe evaporar. Junte caldo de frango ou carne (caseiro é superfácil), missô (pasta de soja japonesa), um tico de extrato de tomate, sal. Cozinhe até os ingredientes amaciarem. Junte folhas e talos de couve-flor (ou outra hortaliça) e, se quiser, um pouco de macarrão. Espere o tempo de cozimento da massa e dos talos. Acerte o sal. No fim, salpique cebolinha.
Minestrone
Essa sopa italiana é daquelas boas de aproveitar sobras. Aqui ela começou com cebola e alho refogados no azeite, ganhou caldo de carne caseiro (feito de sobras de verduras e legumes e ossos congelados), feijão cozido (também sobra), cenoura, beterraba, macarrão e folhas de couve-flor (poderia ser qualquer outra), sal e pimenta-do-reino.
Canja de lombo
Pode usar lombo de porco e chamar de canja? Não sei. Se preferir, chame de sopa de porco com arroz. Ou faça com frango. Eu fiz de porco porque era o que tinha no dia. O caldo, caseiro (vide receitas acima), levava pé de galinha. Então esta é uma sopa de frango e porco. Refogue cebola e alho, doure o lombo em cubos, junte bastante caldo, cenoura, abobrinha, arroz. Tempere com orégano fresco, semente de cominho, semente de coentro, cúrcuma, páprica, pimenta-do-reino, pimenta calabresa, sal. Cozinhe até tudo ficar macio e saboroso.
Sopa de feijão com presunto crocante
Vamos botar água no feijão. E folhas, macarrão, cenoura, presunto e o que estiver dando sopa para virar sopa. Bata feijão cozido e temperado (aquele que sobrou do almoço) com água ou caldo e cenoura crua. Em uma panela, toste cubos de presunto em um pouco de azeite; reserve. Na mesma panela, refogue cebola e alho, depois junte o feijão batido. Deixei ferver e, se estiver muito grosso, adicione água. Juntei alguma massa (usei pennette) e folhas picadas (usei folhas de nabo; poderia ser couve, folhas de brócolis, acelga…). Sirva com o presunto crocante, cebolinha picada, parmesão ralado e pimenta.
O Globo Friday, 29 de May de 2020
CONHEÇA ALGUNS FAMOSOS CUJO CASAMENTO NÃO DEU CERTO
CONHEÇA ALGUNS FAMOSOS QUE O CASAMENTO NÃO DEU CERTO E ACABARAM SE DIVORCIANDO
A vida a dois nem sempre é fácil. Existem vários momentos felizes juntos, mas nem sempre isso é suficiente para que um casal viva feliz para sempre. Infelizmente, alguns casamentos chegam ao fim, mesmo quando todos estão torcendo para que o casal nunca se separe. A seguir, vamos apresentar uma lista de celebridades que viveram seus momentos de casal com o até então amor de sua vida, mas que depois descobriram que estavam enganados. Saiba tudo sobre como foi o divórcio, o motivo, o que eles fizeram depois… Basta ler até o final e descobrir várias fofocas da vida desses famosos.
DÉBORA FALABELLA E MURILO BENÍCIO – DÉBORA JÁ ESTAVA EM OUTRA
Murilo Benício e Débora Falabella se separaram depois de 6 anos juntos. Os dois estavam juntos desde 2012, quando protagonizaram a novela “Avenida Brasil” e terminaram no início de 2019. Desde fevereiro do ano passado o casamento de Débora e Murilo já não estava bem e já corriam rumores de possível uma separação. Na época, a atriz negou os boatos e ainda ressaltou os projetos que possuía com seu marido. Porém, os boatos se tornaram reais e o relacionamento chegou ao fim. Depois foi revelado que o pivô da separação foi o ator Gustavo Vaz, com quem Débora está namorando atualmente.
LUCIANA GIMENEZ E MARCELO DE CARVALHO – TRAIÇÃO
A apresentadora Luciana Gimenez e o vice-presidente da RedeTV! Marcelo de Carvalho, anunciaram seu divórcio em 2018, após 12 anos de casado. Antes do anúncio oficial, o ex-casal mostrou vários indícios de que a vida entre os dois não estava indo bem: eles colocaram à venda o triplex em que moravam e, em uma entrevista dada por Luciana, ela comentou que “todo homem trai”. Atualmente, Marcelo está namorando Simone Abdelnur, que, coincidentemente, era amiga de Luciana.
ALEXANDRE BORGES E JULIA LEMMERTZ – VIROU AMIZADE
Alexandre Borges e Julia Lemmertz se conheceram em 1991 e se casaram dois anos depois, em 1993. Os dois inclusive chegaram a atuar juntos, na novela Guerra Sem Fim. Alexandre e Julia foram felizes em seu casamento por 22 anos, até se divorciarem em 2015. Após a separação, Julia comentou que o casal havia se separado pois o amor entre os dois havia se transformado em amizade, mas que Alexandre iria ser seu amor para o resto da vida.
CHRISTINE FERNANDES E FLORIANO PEIXOTO – ACABOU O AMOR
A notícia da separação entre Christiane Fernandes e Floriano Peixoto pegou muito fã de surpresa, pois o casal havia acabado de fazer uma viagem para a Europa pouco tempo antes de anunciarem o divórcio. Os dois se casaram em 2000 e se separaram em 2018, em um divórcio amigável. Christine e Floriano tiveram um filho juntos, o jovem Pedro Peixoto, que está atualmente com 16 anos e não parece ter sofrido muito com a separação, recebendo atenção de ambos.
SHEILA MELLO E FERNANDO SCHERER – ACABOU A PARCERIA
Sheila Mello e Fernando Scherer se conheceram em um Reality Show em que participaram juntos e começaram a namorar logo após o término do programa. Em 2013 os dois tiveram uma filha, chamada Brenda e parecia que tudo estava indo bem, mas depois de mais de 8 anos de casamento, a ex-dançarina e o ex-nadador decidiram se separar. O divórcio do casal foi anunciado pela loira do Tchan através de seu instagram. Na publicação, a loira disse que havia acabado a parceria entre os dois e que não responderia a nenhum comentario, pois o assunto era delicado.
WILLIAM BONNER E FÁTIMA BERNARDES – ACABOU O AMOR
O casal de jornalistas William Bonner Fátima Bernardes formaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira. Juntos por 26 anos e dividindo a apresentação do Jornal Nacional por muito tempo, os dois eram tidos como exemplo de casal perfeito. No entanto, isso tudo acabou em 2016, quando William e Fátima se divorciaram. Já haviam boatos de que o casamento dos dois estava em crise e eles acabaram achando melhor se separar. Os dois publicaram o mesmo texto no momento da separação “Em respeito aos amigos e fãs que conquistamos nos últimos 26 anos, decidimos comunicar que estamos nos separando. Continuamos amigos, admiradores do trabalho um do outro e pais orgulhosos de três jovens incríveis. É tudo o que temos a declarar sobre o assunto”
FÁBIO JR. E MARI ALEXANDRE – FALTA DE PACIÊNCIA
O cantor Fábio Jr. é um tremendo garanhão. Ao longo de sua vida, ele já teve 7 casamentos e 5 filhos. Um destes relacionamentos foi com a modelo e atriz Mari Alexandre, com quem teve um filho. Devido aos relacionamentos passados, Fábio Jr. já tinha experiência de como era a vida de casado, diferente de Mari. A modelo acabou não tendo paciência com o cantor e com o tipo de vida que levava, o que acarretou no término dos dois em 2010.
CAUÃ REYMOND E GRAZI MASSAFERA – TRAIÇÃO
Cauã Reymond e Grazi se conheceram no estúdio de gravação do Projac e tiveram um relacionamento por 6 anos. Infelizmente, os dois se separaram em 2013, quando sua filha, a pequena Sofia, tinha apenas um ano de idade. A separação do casal causou muita polêmica na mídia, pois supostamente Cauã havia traído Grazi com a também atriz Isis Valverde. Apesar da separação, os dois mantém uma relação amigável para poderem cuidar juntos da filha. Até mesmo moram próximos para facilitar a rotina de Sofia e dizem que toda decisão importante é tomada em conjunto.
O Globo Thursday, 28 de May de 2020
DISNEY PLANEJA REABERTURA DO WALT DISNEY WORLD NO DIA 11 DE JULHO
Disney planeja reabertura de seu maior parque temático no dia 11 de julho
Plano prevê limite de visitantes e suspensão das tradicionais paradas para evitar aglomerações
O Globo
27/05/2020 - 19:30 / Atualizado em 27/05/2020 - 19:37
O Magic Kingdom, no Walt Disney World, foi fechado por causa da pandemia de coronavírus Foto: Gregg Newton / REUTERS
LOS ANGELES - A Walt Disney Company anunciou planos de reabertura do Walt Disney World, seu maior parque temático, a partir do dia 11 de julho, caso consiga aprovação do governo da Flórida.
A reabertura será em fases, informou Jim MacPhee, vice-presidente de operações da Walt Disney World Resort, braço de parques e hotéis da gigante do entretenimento. Em apresentação virtual nesta quarta-feira, MacPhee informou que o plano é reabrir o Magic Kingdom e o Animal Kingdom no dia 11, e o Epcot Center e o Hollywood Studios no dia 15.
O plano de reabertura possui uma série de restrições para minimizar os riscos de transmissão do novo coronavírus. As famosas paradas e queimas de fogos de artifício serão suspensas, assim como outras atividades que promovem aglomerações.
O parque irá “oferecer e encorajar” métodos de pagamento por aproximação, além de expandir seus sistemas de pedidos por smartphones nos restaurantes. O número de visitantes será limitado, com venda dos bilhetes antecipada. Placas com informações para reduzir os riscos serão instaladas.
As tradicionais paradas e queimas de fogos serão suspensas para evitar aglomerações Foto: Scott Audette / REUTERS
Após a apresentação de MacPhee, a força-tarefa criada para o combate à pandemia no Condado Orange aprovou o plano, que foi encaminhado para o governador da Flórida, Ron DeSantis, para aprovação final.
Um marco para a companhia
A reabertura do Walt Disney World é um marco não só para a Disney, como para governos e outras companhias que estão elaborando estratégias para a retomada dos negócios, mesmo com a ameaça do novo coronavírus ainda presente.
No ano passado, a companhia faturou US$ 26 bilhões em sua divisão de Parques, Experiências e Produtos, que inclui os parques temáticos, o que representou 37% das receitas totais. No primeiro trimestre deste ano, a companhia estimou em US$ 1 bilhão o prejuízo do segmento de parques temáticos.
Todos os 12 parques da Disney na América do Norte, Europa e Ásia foram fechados por causa da pandemia. O primeiro foi a Disneyland de Xangai, na China, que fechou as portas no dia 24 de janeiro e reabriu no último dia 11.
O diretor executivo da Disney, Robert Chapek, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista à CNBC, que o parque na China recebe cerca de 20 mil visitantes diários desde a reabertura, com uso obrigatório de máscara, medição de temperatura e distanciamento social.
Uma porta-voz da companhia informou que o plano de reabertura da Disneyland, em Anaheim, na Califórnia, será apresentado em breve.
Os quatro parques do complexo Walt Disney World atraíram 157,3 milhões de visitantes em 2018, segundo a Themed Entertainment Association.
O Globo Wednesday, 27 de May de 2020
FILME COM TOM CRUISE NO ESPAÇO
Filme de Tom Cruise no espaço em parceria com Nasa e Elon Musk ganha diretor
Doug Liman pretende acompanhar ator na expedição na Estação Espacial Internacional
O Globo
27/05/2020 - 09:03 / Atualizado em 27/05/2020 - 09:33
Tom Cruise pode ser tornar o primeiro ator a gravar no espaço Foto: Divulgação
O ambicioso plano de Tom Cruise de rodar um filme no espaço sideral está cada vez mais próximo da realidade. Segundo o site "Deadline", o diretor Doug Liman pretende acompanhar o ator na expedição na Estação Espacial Internacional. Ainda produzido de forma independente, sem um estúdio de cinema associado, o projeto já conta com o apoio da Nasa e do empresário Elon Musk, da empresa de foguetes Space X.
Nesta quinta-feira, a SpaceX faz seu primeiro voo tripulado, levando dois astronautas da Nasa até a Estação Espacial Internacional. A cápsula Crew Dragon, da SpaceX, que transportará os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken, e seu foguete Falcon 9 devem decolar às 17h33, no horário de Brasília, a partir da mesma plataforma de lançamento usada pela última missão de ônibus espacial da Nasa em 2011. A empreitada faz parte dos planos da Nasa de estimular o mercado espacial comercial.
O projeto da agência espacial com Tom Cruise foi confirmado no começo do mês pelo administrador da Nasa Jim Bridenstine, em uma mensagem no Twitter. Liman e Cruise já trabalharam juntos em "Feito na América" (2017) e "No limite do amanhã" (2014).
O Globo Tuesday, 26 de May de 2020
LIVES DESTA TERÇA-FEIRA: MUNHOZ E MARIANO E CARLINHOS VERGUEIRO SÃO OS DESTAQUES
Lives do dia: Munhoz e Mariano e Carlinhos Vergueiro são os destaques desta terça-feira
Confira agenda do dia e onde assistir às apresentações virtuais ao vivo
O Globo
26/05/2020 - 00:01 / Atualizado em 26/05/2020 - 09:25
Carlinhos Vergueiro apresenta músicas novas em primeira mão em live nesta terça Foto: Marcos Ramos
Duas atrações internacionais são destaques entre as lives desta terça-feira: a banda de rock alternativo Tigers Jaw e cantora californiana Phoebe Bridgers. Além disso, o cantor e compositor Carlinhos Vergueiro apresenta músicas de seu novo disco "Tô aí", e a atriz Maria Fernanda Cândido participa de bate-papo em transmissão do Canal Brasil. Confira a programação:
As lives desta terça-feira (26):
Maria Fernanda Cândido
Atriz Maria Fernanda Candido fala sobre a carreira com Simone Zuccolotto, do Canal Brasil Foto: Mariana Villas Boas / Divulgação
A atriz fala sobre sua carreira, relembrando trabalhos na televisão e no cinema, em bate-papo com Simone Zuccolotto . Às 18h, no Instagram (@canalbrasil).
Carlinhos Vergueiro
Pela programação do festival Cultura em Casa, o cantor e compositor apresenta em primeira mão músicas de seu novo álbum “Tô aí”, e também vai falar sobre trabalho, carreira e a rotina no isolamento. Às 21h30, no site do projeto (culturaemcasa.com.br).
Munhoz e Mariano
Dupla sertaneja Munhoz e Mariano canta "Camaro Amarelo" e outros sucessos da carreira Foto: Divulgação
A dupla sertaneja pediu aos fãs para opinarem sobre o repertório: “Copo na mão” e “Balada louca”, “Seu bombeiro” e “Camaro amarelo” estarão no setlist. Às 20h, no YouTube (/munhozemariano).
Tigers Jaw
Banda de rock alternativo faz show intimista no Instagram Foto: Divulgação
A banda de rock alternativo transmite show intimista com músicas desde o seu primeiro álbum “Belongs to dead” (2016), até trabalhos mais recentes. Às 21h30, no Instagram (@tigersjaw).
Phoebe Bridgers
Em live promovida pela revista virtual Hooligan, a cantora californiana canta na cozinha da sua casa canções que embalaram sua recente mas já marcante trajetória no indie rock, como “Smoke signals”, “Motion sickness” e "Killer”. Às 21h, no Instagram (@hooliganmagazine).
O Globo Monday, 25 de May de 2020
STEPHEN KING LISTA SEUS CINCO FILMES IMPERDÍVEIS DE TERROR
Stephen King lista seus cinco filmes imperdíveis de terror
Mestre dos livros do gênero criou ranking a pedido da Academia do Oscar. Vai encarar?
Giuliana de Toledo
25/05/2020 - 03:06
Cena de "A bruxa de Blair": na lista de preferidos de Stephen King Foto: Reprodução
SÃO PAULO - Enquanto alguns fogem de qualquer tema pesado durante a quarentena, até mesmo na ficção, outros gostam de se recolher no sofá para ver histórias cheias de espíritos, demônios, bruxas, alienígenas, zumbis. Para esses, o mestre do terror Stephen King montou uma lista de filmes essenciais. O escritor norte-americano elencou cinco títulos que considera imperdíveis a pedido da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, entidade que organiza o Oscar, começando por “A bruxa de Blair”. O filme de 1999 é o mais recente da seleção, que privilegia obras dos anos 70 e foge das refilmagens.
Apesar da predileção pelos sustos — ele é, afinal, autor de livros clássicos do gênero que serviram de base para outros sucessos nas telas, como “O iluminado”, “Carrie, a estranha” e “It: a coisa” —, recentemente King dividiu com seus 5,8 milhões de seguidores no Twitter a saudade que sente de ir ao cinema para ver… ação e comédia. “Deus, como eu gostaria de assistir a um filme nesta noite. Pipoca, balas de menta, um refrigerante grande, sentado na terceira fileira para ver algum filme de ação ou uma comédia besta. Eu adoraria isso”, escreveu ele no começo de maio.
Seja com clima leve, seja embalado pelo mistério (olhando atrás do sofá a cada som suspeito no filme de horror), enquanto não há chance de voltar aos cinemas, o jeito é procurar opções para a diversão em casa. Conheça a seguir as escolhas de Stephen King e o comentário feito por ele sobre cada uma em entrevista à equipe do site do Oscar.
“A bruxa de Blair” (1999)
Segundo King, o longa que simula um documentário, escrito e dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, “assustou as luzes do dia que vivem em mim, acho que por ser tão pouco polido”. A história, que acompanha três estudantes de cinema gravando uma investigação sobre uma lenda, tem aparência de produção caseira, com a câmera na mão, transmitindo o nervosismo da trama. “E nada supera a tomada final”, avisa o escritor. No Brasil, está disponível para assinantes do Amazon Prime e para aluguel nas plataformas Microsoft, Google Play, Looke e iTunes.
“Alien, o oitavo passageiro” (1979)
O filme dirigido por Ridley Scott é outro destaque para Stephen King. “Eu amei a ética de classe trabalhadora dos caras da nave (incluindo Ripley), e todas as correntes balançando. Mas, claro, nesse caso, tudo que importa é a cena do ‘peito estourando’. Até então nunca tínhamos visto nada como aquilo”, recorda. O filme pode ser alugado via Microsoft, Google Play e iTunes.
“O exorcista” (1973)
O mais clássico filme de possessão, dirigido por William Friedkin e escrito por William Peter Blatty, com base em livro homônimo de sua autoria, não poderia faltar. “Assustador desde o começo, quando, no prólogo, o relógio para repentinamente. É muito claustrofóbico para um filme de estúdio, e todas as vezes que voltamos àquele quarto de Regan (menina de 12 anos que adquire poderes sobrenaturais), tememos cada vez mais o que vamos encontrar. Mas, para mim, são os detalhes aterrorizantes que sustentam o filme. Quem esqueceria de ‘Ajuda um velho coroinha, padre?’”, destaca King. Está disponível para aluguel no acervo do iTunes e do Looke.
“Despertar dos mortos” (1978)
O longa de George A. Romero, que teve uma carreira sólida na direção de histórias de zumbis, também constrói sua tensão em um ambiente confinado, lembra Stephen King. “Parabéns a Tom Savini (artista responsável pela maquiagem do filme), que sonhou com os efeitos especiais, sem CGI (efeitos de computação gráfica, na sigla em inglês). E, novamente, há a constante claustrofobia do grupo cada vez menor de sobreviventes presos em um shopping center”. Essa e a próxima escolha de Stephen King revelam uma lacuna dos serviços de streaming no Brasil: a dificuldade de se encontrar filmes clássicos. Nenhum dos dois está disponível no país.
Antes de deixar o mundo abismado com “A mosca” (1986), “Gêmeos: mórbida semelhança” (1988) e “Crash: estranhos prazeres” (1996), David Cronenberg fez “Os filhos do medo”, que, para King, é seu primeiro grande trabalho. O escritor elogia ainda a performance de Samantha Eggar e Oliver Reed (“parece à beira de explodir”), que interpretam os “pais do inferno”, mas são “as crianças que se revelam infernais”.
O Globo Sunday, 24 de May de 2020
PRÍNCIPE HARRY FOI QUEM TOMOU A DECISÃO DE DEIXAR A FAMÍLIA REAL, DIA BIOGRAFIA
Príncipe Harry foi quem tomou a decisão de deixar a família real, diz biografia
Ele teria ficado aborrecido com o termo 'Megxit' por dar a entender que a resolução partiu de Meghan; livro será lançado em agosto
O Globo
24/05/2020 - 08:12 / Atualizado em 24/05/2020 - 08:27
Príncipe Harry e Meghan Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP
A decisão de deixar a família real veio do príncipe Harry e não de Meghan Markle, revelará a nova biografia do casal, "Finding Freedom". E mais: ele teria ficado aborrecido com o termo 'Megxit' por dar a a entender que a resolução partiu apenas de Meghan, disse uma fonte ao "The Sun".
Uma fonte editorial também afirmou: "A realidade é que Harry conduziu a decisão (de sair). O livro vai deixar isso claro e explicar os motivos que o levaram a dar esse passo. Ele considerava essa decisão há mais de um ano".A publicação, que promete "um retrato honesto do casal" será lançado no dia 11 de agosto.
Atualmente, o príncipe Harry e Meghan estão isolados na mansão do ator Tyler Perry, em Hollywood, com o pequeno Archie.
O Globo Saturday, 23 de May de 2020
COMO COMBATER O RACISMO NAS ESCOLAS BRASILEIRAS?
Como combater o racismo nas escolas brasileiras? Educadores e familiares dizem o que deve ser feito
Especialistas afirmam que punição aos alunos, contratação de professores negros e mudança no currículo de História devem ser levados em consideração. Pai da menina Fatou, que é educador, resume: 'O Brasil está vivendo apartheid, mas não tem consciência disso'
Kamille Viola, especial para O GLOBO
22/05/2020 - 16:05 / Atualizado em 22/05/2020 - 18:22
A estudante Fatou Ndiaye, de 15 anos, vítima de crime de racismo no colégio Franco Brasileiro, no Rio de Janeiro Foto: Arquivo Pessoal
Esta semana, um caso de racismo em uma escola particular da Zona Sul do Rio reacendeu a discussão sobre o tema no meio escolar. A adolescente Fatou Ndiaye, de 15 anos, recebeu prints de um amigo com comentários racistas em um grupo de WhatsApp de jovens de sua escola, como revelou o colunista Ancelmo Gois. O conteúdo logo caiu nas redes sociais. Chocados, os pais da menina não deixaram que ela assistisse mais às aulas online. A escola emitiu uma nota de repúdio nas redes sociais, mas afirmou na tarde desta sexta-feira (22) que, por se tratar de um fato ocorrido fora, encaminhou o caso ao Conselho Tutelar e está à disposição das autoridades. Cinco adolescentes foram identificados pela polícia como suspeitos pelos ataques racistas. Segundo Juliana Almeida, delegada titular da 9ª DP (Catete), que investiga o caso, o ato cometido pelos jovens se enquadra no caso de auto de infração, que se equipara ao delito de injúria por preconceito. Eles e um representante da escola serão ouvidos pela polícia.
Mas o Franco-Brasileiro, onde estudam os adolescentes em questão, não é a única instituição de ensino da rede particular com casos de racismo em que a família da vítima se sente desamparada. Em menor número nesses ambientes, por causa da desigualdade social brasileira, alunos negros frequentemente se tornam alvo de discriminação racial em colégios privados.
O pai da menina, o senegalês Mamour Sop Ndiaye, professor e chefe do departamento de Engenharia Elétrica do CEFET/RJ, decidiu que ela e a irmã de 8 anos, que também estuda no Franco Brasileiro, não iriam assistir às aulas, que continuam acontecendo à distância, enquanto a escola não tomasse alguma atitude para proteger Fatou. Na quarta-feira (20), ele teve uma reunião com a superintendência e a direção pedagógica do colégio, e foi informado que a instituição levou o caso ao Conselho Tutelar. Na última quinta-feira (21), ele e a menina passaram quatro horas na 9ª DP (Catete), onde fizeram registro de ocorrência, prestando depoimento. Agora, ele e a mulher decidiram tirá-la da instituição.
— A Fatou vai sair da escola. Imagina: você vai ficar num lugar em que seu colega quer te vender no Mercado Livre? — argumenta. — A minha luta contra o colégio e contra esses rapazes vai ser implacável. Até então, eu tinha preocupação com a imagem da escola. Não sou de cuspir no prato onde comi: ela tem história e amigos no colégio, sim. Mas, ao mesmo tempo, nós vamos lutar. Qualquer um que nasceu para ser racista vai preferir voltar para o útero de onde veio. Vamos usar todos os meios, nacionais e internacionais. Sem violência, mas os racistas serão desmascarados. Eu, como educador, tenho responsabilidade junto aos meus irmãos brasileiros para lutarmos para acabar com o racismo.
A escola não atendeu ao pedido de entrevista da reportagem de CELINA e enviou uma nota, a mesma publicada nas redes sociais (veja ao fim da reportagem). Durante conferência online na quinta-feira, um vídeo ao qual a reportagem teve acesso, a diretora do Franco Brasileiro, Celuta Reissmann, falou a alunos do ensino fundamental sobre o episódio, mas não mencionou a questão do racismo: “A gente está aqui numa missão um pouco triste, né? Porque é uma coisa que nós estamos muito, muito abalados, é uma coisa da rede social, fora da escola, e que agrediram nossos alunos, então nós estamos tomando as atitudes, estamos com advogados, mesmo não tendo sido dentro da escola. O que eu queria dizer para vocês, meninos, é que vocês têm que ter cuidado com as redes sociais. Vocês vão crescendo, vão se acostumando com as redes sociais, escrevem o que não devem escrever. Porque, se vocês ofendem nas redes sociais, isso é crime. É crime digital. Então vocês não podem, vocês têm que ter cuidado. Às vezes é uma brincadeira boba, às vezes é pela influência dos outros colegas, mas a gente tem que ter muito cuidado. E isso que eles fizeram foi muito feio, foi muito, assim, ruim para eles, para as meninas, que estão sofrendo muito, e para nós, que somos da escola, que nos envolvemos muito com o trabalho com vocês. Então tenham cuidado, e aí a gente realmente não pode, por mais que a gente goste dos alunos, neste momento a gente não pode abrir mão de estar junto com a justiça, tá? Obrigada.”
No ano passado, os pais de uma aluna do segundo ano do ensino fundamental da Escola Dinâmica de Ensino Moderno (Edem), então com 7 anos, resolveram tirar a filha — e sua irmã mais velha — do colégio depois de ela ter sofrido repetidas agressões racistas, inclusive físicas. Na época, eles divulgaram uma carta, que foi publicada na coluna de Ancelmo Gois, em que diziam, entre outras coisas: “Depois de tudo isso, nós não acreditamos mais na capacidade de vocês de colaborarem na formação da nossa menina. Por isso estamos tirando a nossa filha dessa escola.” Procurados pela reportagem, eles disseram não querer recordar o episódio traumático, assim como outras famílias de vítimas de racismo em escolas particulares que CELINA tentou entrevistar.
A profissional liberal Lia*, que topou conversar sob anonimato, viu sua filha, Juliana*, sofrer racismo ainda pequena em uma história que ganhou bastante publicidade. Depois de se ver sozinha, sem apoio de ninguém, acabou trocando a menina de colégio.Em duas outras instituições, a criança foi vítima de discriminação racial. Na terceira ocasião, ao ver que, mais uma vez, a instituição não sabia lidar com a questão, ela decidiu não comprar mais briga.
— Ficaram falando em apaziguamento, sendo que não era uma briga: foi uma agressão, houve uma vítima. Conversei com ela: “Minha filha, isso tudo é uma avalanche de racismo. Tem racismo aqui, aqui e aqui.” E a gente foi se curando em casa — conta. — Não acredito mais no sistema. No centro da proposta da escola, está o ensinar. Não dá para dizer que ela quer, mas não sabe como: se uma escola não sabe como ensinar, eu não sei quem eu posso esperar que saiba. Se eles não sabem, é porque eles não quiseram aprender. Professores que lecionam há décadas se habituaram a usar o meio online, mas não se habituaram a lidar com o racismo. O racismo tem 500 anos neste país. O meio online tem dez — aponta ela.
Mestre em Relações Étnico-Raciais pelo Cefet-RJ com especialização em Educação e Relações Étnico-Raciais pela Universidade Federal Fluminense, a pedagoga Viviane Angelo resolveu se aprofundar no tema há nove anos, depois de um episódio de racismo vivido por seu filho, na época com 5 anos, na escola particular em que ele estudava. A falta de habilidade do colégio para lidar com a situação fez com que ela própria buscasse se aprofundar em estudos na área. Viviane frisa que, em primeiro lugar, a História do Brasil precisa ser recontada.
— Sem mexer nessas feridas, fica muito difícil avançar nessa discussão. Porque nós conquistamos uma legislação que modificasse a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que foi a Lei 10.639, inserindo a temática do negro no Brasil e a História da África. Ela é de 2003, e até hoje a gente vê uma dificuldade na institucionalização dessa lei. E essa dificuldade tem arcabouço cultural, porque a gente não tem essa perspectiva de leitura da História racial do país no nosso currículo formal. Eu me formei em Pedagogia e não tive, em momento algum, disciplina ou leitura de textos, nada que me preparasse para essa temática na educação. Num primeiro momento, a gente precisa conversar sobre currículo: ele precisa ser modificado para, desde as formações de professores, fazer essa reeducação das relações étnico-raciais. A formação continuada é a grande chave — defende.
A professora Patricia Corsino, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cita o texto “Educação após Auschwitz”, de Theodor Adorno:
— Ele fala que não pode ser uma educação só de acúmulo de conhecimento. Ela tem que sensibilizar para o outro também — observa. — Não conheço a escola, nem sei como são os pais desses alunos, então fica difícil dizer. Mas a gente tem um racismo estrutural na nossa sociedade, e ele vai ficando mais exacerbado nas elites. Você ainda tem aí, especialmente em alguns grupos sociais, esse lugar de classe dominante que vai além do preconceito. O que aconteceu com essa menina agora foi racismo mesmo, porque é você considerar o outro inferior, inclusive as palavras foram muito horríveis, desumanizando a pessoa.
Fatou garante que participou de várias discussões sobre racismo no colégio:
— Os professores sempre levaram esse debate para a sala de aula. Inclusive, sempre me deram destaque. Eu tive uma professora que me cedeu tempo de aula para eu fazer uma apresentação sobre História da África, por exemplo — recorda.
Ela comemora o apoio que tem recebido nas redes sociais (com a exposição do caso, pulou de 600 seguidores no Twitter para 22 mil) e dos outros alunos. Porém, conta que é a segunda vez que passa por uma situação grave de racismo por parte de colegas de turma:
— Uma vez, numa aula de francês, eu estava rindo de alguma coisa e um aluno desse mesmo grupo que falou essas atrocidades chegou e disse: “Volta para a África, para o seu ebola.” Foi em 2016, na época do surto da doença. A professora ouviu, testemunhou ao meu favor, mas o colégio não tomou nenhuma posição — lembra ela. — Agora, os agressores estão assistindo aula normalmente, sem nenhum empecilho. Já fui agredida durante a aula virtual. Eu me senti muito abandonada pela escola. No momento em que eu precisava desse apoio, não tive.
O Globo Friday, 22 de May de 2020
TV PÓS-COVID: COMO NOVELAS E PROGRAMAS DE AUDITÓRIO SERÃO FEITOS DAQUI PARA FRENTE
TV pós-Covid: como novelas e programas de auditório serão feitos daqui para frente
Enquanto gravações não são retomadas, especialistas analisam os principais desafios da indústria televisiva no Brasil
Luiza Barros e Pedro Willmersdorf
22/05/2020 - 04:30
Regina Casé e Taís Araújo gravam cena de 'Amor de mãe': novelas terão muitos desafios pela frente Foto: Divulgação TV Globo
RIO — De frente para a televisão, o espectador brasileiro protagoniza uma história com final em aberto. Quando a pandemia passar, a mocinha poderá voltar a beijar o galã no horário nobre? Abraços calorosos e mesas de café da manhã com elenco extenso ao seu redor ainda estarão presentes nas tramas? Estes são alguns questionamentos diante do futuro da TV pós-Covid.
Na Austrália, por exemplo, as gravações de uma novela chamada “Neighbours” (“Vizinhos”, em português) foram retomadas mês passado com distanciamento social entre os atores e jogo de câmeras criando ilusão de maior proximidade. Mas será que a teledramaturgia do Brasil vai conseguir se adequar à aparente frieza que os novos tempos pedem?
Para o colunista Artur Xexéo, não há novela sem romance, beijo ou abraço. Mas, ao mesmo tempo, ele acredita que haverá um descompasso entre ficção e realidade, caso cenas de afeto sejam exibidas e o distanciamento permaneça como regra.
— Acho até que seja possível criar um ambiente tão seguro no estúdio que permita o abraço e o beijo. Mas de quem os autores estarão falando? — indaga o jornalista e roteirista. — Para manter credibilidade, os personagens teriam que respeitar esse distanciamento também. Novelas teriam que ter um assunto único: a pandemia. Ou a televisão vai produzir exclusivamente tramas de época, passadas num tempo em que o mundo vivia o “velho normal”. É difícil resolver esta equação.
Uma matemática criativa que cruza o caminho dos sets de gravação. Emissoras estão elaborando protocolos de segurança que incluem prerrogativas básicas, como menos profissionais dividindo estúdio de gravação e testes diários de detecção do novo coronavírus em membros das equipes. Uma profilaxia necessária, mas que pode afetar o ritmo da indústria televisiva.
Produtora de programas como o “220 volts”, do Multishow, e da série “Matches”, do Warner Channel, Iafa Britz acredita que a consolidação dessa nova política de convivência nos sets é a chave para a retomada de novos projetos.
— Vai haver um impacto no orçamento e na produtividade, com equipes mais enxutas e ritmo mais lento. Ainda é difícil prever se tais condições serão capazes de atender as demandas, ou se haverá uma queda inevitável no número de lançamentos — diz Iafa.
A colunista de TV Patrícia Kogut atenta para um aspecto que passa ao largo de qualquer determinação protocolar sobre distanciamento em sets:
— Se não houver vacina, todos terão de se curvar aos fatos. A ficção vai ter que achar meios de driblar a impossibilidade dos beijos e abraços. Vão ter que achar recursos para adaptar tudo. Em 1918, os estúdios de cinema de Hollywood pararam por um ano depois da gripe espanhola. Depois, a vida voltou ao normal.
Para além da teledramaturgia, há outro nicho televisivo que está deitado num divã de incertezas: o dos programas de auditório, que dependem de plateia, portanto, de aglomeração. Aplicativos de videochamada vêm sendo tábua de salvação para entrevistadores, mas ainda não parece ser a solução definitiva.
Se o futuro é incerto, o presente traz mais força à TV. Segundo a Kantar IBOPE Media, em abril, houve aumento de 1h18m no tempo médio de consumo individual diário, em comparação com o mesmo mês de 2019. Para se ter uma ideia, entre os 50 dias de maior audiência de TV no Brasil dos últimos cinco anos, 38 deles foram na quarentena.
Para valorizar este momento de alto consumo, os canais vêm buscando alternativas. Em abril, a Globo retornou com o matinal “Encontro com Fátima Bernardes”, depois de um mês fora do ar. Mas sem plateia, com equipe reduzida e participação de Ana Maria Braga, em inserções gravadas diretamente de casa. Segunda-feira passada, começou uma nova temporada do “Conversa com Bial”, com entrevistas realizadas por videoconferência e convidados como Glória Maria e Anitta.
Na TV a cabo também houve um movimento de reformatação. Mês passado, o Multishow apostou na estreia do “Vai passar!”, que reúne humoristas como Rodrigo Sant’Anna e Leandro Hassum em esquetes gravados remotamente. Em junho, o canal lança duas novas temporadas de atrações que já estavam prontas antes da quarentena, “Os Roni” e “Xilindró”.
No GNT, algumas das principais atrações vêm sendo exibidas remotamente, como o “Que quarentena é essa, Porchat?” e o “Além da conta #Confinados”, apresentados respectivamente por Fábio Porchat e Ingrid Guimarães, de suas casas. Já o Studio Universal exibe, em junho, a segunda temporada de “Unidade básica”, série com Caco Ciocler e Ana Petta, que aborda os dramas do sistema público de saúde no Brasil e foi gravada antes da pandemia.
O Globo Thursday, 21 de May de 2020
FABIO PORCHAT RELATA PERDA DE 16 KG EM TRÊS MESES
Fabio Porchat relata perda de 16 kg em três meses: 'Estava com 108'
THAYNÁ RODRIGUES
À direita, Fabio Porchat no programa 'Mais você' em janeiro; à esquerda, em live da quarentena
(Foto: Reprodução)
Fabio Porchat revelou numa live em seu Instagram que, após superar o peso de cem quilos, decidiu voltar a praticar exercícios e já perdeu 16 kg. O apresentador do "Que história é essa, Porchat?", do GNT, contou que começou a perder peso em fevereiro:
- Em janeiro, eu cheguei a pesar 108kg. No fim de janeiro deste ano! Agora estou com 92kg. O ideal para mim seria estar com 86kg. Aí eu estaria gordinho, mas feliz.
Porchat, que já participou do quadro "Medida certa", do "Fantástico" e na ocasião emagreceu 10kg, relatou na transmissão feita eu seu Instagram nesta quarentena que se sente incomodado ao ver, por exemplo, a região abaixo do queixo mais protuberante.
- Isso aqui me incomoda (aponta para a papada). Barba é maravilhoso (para disfarçar) - conta o apresentador, que tem feito exercícios aeróbicos em sua casa durante o período de isolamento social.
Fabio Porchat em suas férias, quando já pesava 104 kg (Foto: Reprodução)
O Globo Wednesday, 20 de May de 2020
REGINA DUARTE DEIXA SECRETARIA DA CULTURA E ASSUMIRÁ A CINEMATECA EM SÃO PAULO
Regina Duarte deixa Secretaria da Cultura e assumirá Cinemateca em SP
Anúncio foi feito em vídeo em rede social; atriz assumiu a secretaria há dois meses e meio
O Globo
20/05/2020 - 10:07 / Atualizado em 20/05/2020 - 10:20
BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira que a secretária especial da Cultura, Regina Duarte, deixará o cargo e assumirá, "em alguns dias", a Cinemateca em São Paulo, classificada por ela como "um presente". O anúncio foi feito na sua página do Facebook, acompanhado de um vídeo ao lado da atriz, que assumiu a secretaria há dois meses e meio.
"Regina Duarte relatou que sente falta de sua família, mas para que ela possa continuar contribuindo com o Governo e a Cultura Brasileira assumirá, em alguns dias, a Cinemateca em SP. Nos próximos dias, durante a transição, será mostrado o trabalho já realizado nos últimos 60 dias", escreveu Bolsonaro.
O nome de quem vai substitui-la na Secretaria da Cultura não foi divulgado pelo presidente, mas o também ator Mario Frias, que almoçou na sexta-feira com Bolsonaro no Palácio do Planalto, é cotado para assumir o cargo.
Na gravação, feita diante do Palácio da Alvorada na manhã desta quarta, Regina começa brincando que foi à residência oficial perguntar ao presidente se ele estava lhe "fritando". Ela foi ao local acompanhada da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), sua amiga.
- Porque eu tô lendo isso numa imprensa, que eu não acredito mais, mas de qualquer forma queria que ele me dissesse pessoalmente: tá me fritando, presidente? - questionou a atriz, sorrindo.
- Regina, toda semana, tem um ou dois ministros que, segundo a mídia, estão sendo fritados. O objetivo é sempre desestabilizar a gente e tentar jogar o governo no chão. Não vão conseguir. Jamais eu ia fritar você - respondeu o presidente, também dando risada.
A atriz disse em seguida que acabara de ganhar um "presente", que "é um sonho de qualquer pessoa de comunicação, de audiovisual, de cinema, de teatro":
- Um convite pra fazer cinemateca, que é um braço da Cultura, que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileira. Ficar ali secretariando o governo, dentro da Cultura, na Cinemateca. Pode ter um presente melhor que esse? Obrigada, presidente!
Bolsonaro então diz achar que Regina quer ajudar o Brasil e que o que ele mais quer o bem da secretária, por seu passado e por aquilo que ela representa para "todos nós".
Nesse momento, o vídeo é editado e o presidente aparece dizendo que a ida da atriz para a Cinemateca, do lado do seu apartamento, na capital paulista, vai fazê-la produzir muito mais, o que lhe deixa "muito feliz", mas ao mesmo tempo "chateado", pelo afastamento do seu convívio em Brasília.
- Mas presidente, a família está querendo a minha proximidade, eu estou sentindo muita falta dos meus netos, dos meus filhos, da minha família, que é uma coisa à qual eu sempre fui muito ligada. Então é um presente duplo: é a Cinemateca e é também eu estar próxima da minha família, que é uma coisa que eu estou desejando muito, estou sentindo muita falta - declarou a secretária.
Bolsonaro encerra a conversa cobrando dela o compromisso de estar ao seu lado todas as vezes que ele for a São Paulo, sendo abraçado pela atriz.
O Globo Tuesday, 19 de May de 2020
TRITURANDO, DO SBT, DEBOCHA DE GRADES FIGURAS DA CULTURA NACIONAL
'Triturando', do SBT, debocha de grandes figuras da cultura nacional
PATRÍCIA KOGUT
Cena do 'Triturando', do SBT (Foto: Reprodução)
“Triturando” é o título infeliz de um programa que o SBT lançou no último dia 8. A atração veio substituir o “Fofocalizando”. Nela, a apresentadora Chris Flores e um grupo de “debatedores” “tritura” alguém famoso. A conversa conta ainda com a “participação” de um robô, o “Fofobyte”. Pensando bem, fui injusta: não é só o título que é infeliz. É o conjunto da obra.
Dias depois de o vespertino ir ao ar pela primeira vez, recebi uma mensagem de uma amiga, a jornalista Luciana Medeiros. Ela estava em choque porque seu pai, o grande Carlos José, era o alvo do “triturador”. O músico fez sucesso com canções como “Esmeralda”, “Guarânia da saudade” e “Lembrança” e prestou inúmeros bons serviços à cultura brasileira. Naquele momento, estava internado na UTI com Covid-19 (morreu dias depois). A família foi surpreendida com sua imagem na tela e um debate desrespeitoso (para dizer o mínimo) no palco. Assim tem sido diariamente. Na semana passada, foi a vez de Agostinho dos Santos. Cantor e compositor importante, ele participou da lendária apresentação da bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962. Mostraram a foto dele no telão com o letreiro “aumente o som e curta ‘Rádio Triturando’”. Tocou “Se todos fossem iguais a você” na voz dele. Lindo, mas ninguém ali entendeu. Lívia Andrade, por exemplo, disse que “não consegui prestar atenção à música porque olhei a cara do cidadão e só lembrei do Didi (de Os Trapalhões)”. Esse foi mais ou menos o nível do que veio a seguir.
O Globo Monday, 18 de May de 2020
BRIGADA ANTI-TÉDIO: UMA NOVA FORNADA D E LIVROS DE COZINHA
Brigada anti-tédio: uma nova fornada de livros de cozinha
Um garimpo certeiro e especial para esse tempos de reclusão, com alguns dos melhores livros de gastronomia editados por aqui, vários saídos agora do forno
Luciana Fróes
17/05/2020 - 00:01 / Atualizado em 17/05/2020 - 10:32
Capinhas de livros de gastronomia, alguns saindo agora do forno Foto: Divulgação
Esbalde-se! Nossa prateleira é para todos os gostos, da editora de moda que se muda para Florença e descobre o significado da expressão italiana “bella vida” (ter prazer enquanto come, sorrir sempre mais e - melhor dos melhores - manter a forma sem academia) aos pratos criados por Jamie Oliver com apenas cinco ingredientes (livro lindamente produzido na Itália); as receitas preciosas dos Vigilantes do Peso (porque é preciso), as últimas da Bela Gil, que consegue reduzir em até 50% o desperdício na cozinha ou as criações da vegana Alana Rox, que mostra como montar uma festa (e nem precisava tanto) sem um ingrediente de origem animal. Troisgros ensina até a comprar frigideira, enquanto o jornalista padeiro Luis Américo Camargo divide o passo a passo para o pão perfeito, de 2, 4 ou 6 horas a mais de preparo. Temos tempos, certo? São 13 títulos de bandeja, sob medida para animar esses tempos de quarentena. Só na vale reclamar de fastio.
Você tem fome de quê?
‘Bela Gil, da flor à raiz’ (Editora Globo)
‘Bela Gil, da flor à raiz’ (Editora Globo) Foto: Divulgação
Abaixo o desperdício, palavra de ordem que cabe com luvas (de panela) para o quinto livro de Bela Gil, que acaba de ser editado. A media do é que descartado na cozinha, sem uso algum, pode chegar a 50%, no caso das verduras e legumes. Um terço do que compramos, vai parar no lixo, denuncia Bela, que, lançando mão de cascas, sementes, raízes, folhas e flores comumente descartadas, sugere 37 receitas pelas 136 paginas do livro, onde esses itens viram as grandes estrelas. É um novo olhar sobre ingredientes do dia a dia, compartilhado em ótima hora.
‘Claude Troisgros, histórias, dicas e receitas’ (Sextante)
‘Claude Troisgros, histórias, dicas e receitas’ (Sextante) Foto: Divulgação
É o mais afetivo dos livros desse “carrioca” de 40 anos de mar do Leblon, que começou a tomar gosto pela culinária aos 8 anos, o que se entende perfeitamente, afinal, Claude é filho que do chef Pierre Troisgros, do antológico restaurante Roanne, berço da nouvelle cuisine, movimento de cozinheiros que mudou a gastronomia mundial. Suas lembranças estão pelas páginas, aprendizado e ensinamentos que vão do preparo de um molho espesso ao corte de peixes, carnes, além de dicas para compra de legumes e verduras, uso adequado das panelas e “causos” deliciosos. Abre o coração e revela suas 47 receitas preferidas. Livro para agora e sempre.
‘Sal, gordura, ácido, calor’, de Samin Nosrat (Companhia das Letras)
‘Sal, gordura, ácido, calor’, de Samin Nosrat (Companhia das Letras) Foto: Divulgação
Samin, que é escritora, professora, chef de cozinha e ainda assina uma coluna de gastronomia no “The New York Times”, faz do sal, da gordura, do ácido e do calor, seu mantra diário: “dominando esses quatro elementos, você terá pratos deliciosos”, garante a autora, que compartilha receitas de vegetais caramelizados, vinagretes, carnes assadas que se desmancham, massas levinhas e quebradiças... São 480 paginas deliciosas, com o luxo de ter a tradução assinada pela cronista gastronômica Nina Horta (uma das mais importantes do Brasil) e prefácio de Michael Pollan. O livro originou um seriado exibido na Netflix.
‘Culinária Básica: as melhores receitas e dicas para o dia a dia saudável’ (Sextante)
‘Culinária Básica: as melhores receitas e dicas para o dia a dia saudável’ (Sextante) Foto: Divulgação
O livro (providencial) é uma feliz e oportuna parceria da Sextante com o Vigilantes do Peso, reunião de 200 receitas sem contra indicações, que valem tanto para emagrecer quanto controlar peso, colesterol, glicose, seja para iniciantes ou já veteranos na prática de contar (e acumular) pontos na hora de se alimentar. Não sou praticante, mas tirei boas “colas” e incontáveis ensinamentos , do café da manhã ao jantar. Parceria super oportuna, uma coletânea variada, com um um pouco de tudo, incluindo o uso de utensílios, algumas técnicas de cozimento, a feitura de temperinhos. São 416 páginas, livro de de peso no melhor sentido.
‘Simplíssimo, o livro de receitas francesas mais fáceis do mundo’, de Jean-Francois Mallet (Sextante)
‘Simplíssimo, o livro de receitas francesas mais fáceis do mundo’, de Jean-Francois Mallet (Sextante) Foto: Divulgação
O titulo é tentador: receitas fáceis franceses, quem não quer ter em mãos? É o que esse francês, dublê de cozinheiro (trabalhou com Joel Robouchon e Michel Rostang), fotógrafo e globetrotter propõe nas 368 páginas do livro que, não por acaso, já foi editado em 15 países. São 180 receitas, onde algumas, surpreendem pela pouca quantidade de ingredientes, coisa raríssima na cozinha francesa. Os pratos de Mallet são feitos com três a seis ingredientes, não passam disso: abóbora assada com queijo azul, abobrinha empanada, berinjelas no forno... Ah, ele ensina a fazer massa de pizza também.
‘Diário de uma vegana, o despertar’, de Alana Rox (Editora Globo)
‘Diário de uma vegana, o despertar’, de Alana Rox (Editora Globo) Foto: Divulgação
Dá para fazer uma festa só com receitas veganas? A apresentadora de TV e santa catarinense Alana Rox, vegetariana desde criança, garante que dá e mostra (ensina!) como fazer, compartilhando uma seleção de receitas veganas e sem glúten também, Seu trunfo maior é a facilidade no preparo dos pratos (nenhum leva mais de dez minutos para ficar pronto) e ainda o uso de ingredientes simples, facilmente encontrados em casa. Pelas 220 páginas desse que é o segunda incursão editorial da autora, nos deparamos com um cardápio variado, que vai do brigadeiro de colher ao pão de queijo, todos feitos sem ingrediente algum de origem animal.
‘Bella figura’ , de Kamin Mohammadi (Editora Rocco)
‘Bella figura’ , de Kamin Mohammadi (Editora Rocco) Foto: Divulgação
Um relato emocionante e divertido da mudança de vida de uma editora de moda de uma luxuosa revista inglesa, que, depois de ser demitida, resolve dar um tempo em Florença, onde descobre o estilo “bella vida” de viver ( desacelerar, amar, comer com prazer, sorrir mais e, melhor dos melhores, manter a forma longe da academia), que a faz mudar seu estilo de viver. Com texto leve e divertido, a autora Kamin Mohammadi, iraniana que mora em Londres, recheia as 320 páginas da obra com deliciosas incursões na culinária italiana. Para frequentar da cozinha ao quarto de dormir , passando pelo sofá da sala .
‘Jamie Oliver, 5 ingredientes’ (Companhia das Letras)
‘Jamie Oliver, 5 ingredientes’ (Companhia das Letras) Foto: Divulgação
É dos melhores livros do cozinheiro televisivo inglês, uma inventiva e bem resolvida criação de uma cardápio feitos com 130 pratos preparados com enxutos cinco ingredientes, Nem mais, nem menos. A ideia é ter o máximo de sabor com o minimo de ingredientes. Sugere carnes, massas, saladas e “last but not least”, doces bárbaros (sugestões? biscoito crocante de maçã e o bolo de fubá com laranja). O livro, a obra de não ficção mais vendida na Inglaterra em 2017 e 2018, foi adaptado para o Brasil, mas foi todo ele produzido na Itália. É o chef em ótima forma.
‘Wine folly, guia essencial do vinho’, de Madeleine Puckette e Justin Hammack (Intrínseca)
‘Wine folly, guia essencial do vinho’, de Madeleine Puckette e Justin Hammack (Intrínseca) Foto: Divulgação
O “Washington Post” já o elegeu como “o melhor livro introdutório sobre vinho já publicado”. Não é pouca coisa. Guia Essencial é, na verdade, um “filhote” bem sucedido de uma dos maiores e melhores sites americanos de vinho, o Wine folly. Traz ensinamentos práticos, em tom leve e divertido, que cai bem tanto para novatos, quanto para os que já acumulam algum conhecimento sobre o assunto. Lista todas as uvas cultivadas no planeta, com as suas características e a melhor forma de combiná-los com comidas. Coisas básicas, como as diferenças entre um Pinot Noir e um Cabernet Sauvignon.
‘Comer para não morrer’, de Michael Greger e Gene Stone (Editora Intrínseca)
‘Comer para não morrer’, de Michael Greger e Gene Stone (Editora Intrínseca) Foto: Divulgação
Não se impressione com o título. Zero de indigesto. O que a dupla de médicos que assina o livro propõe são mudanças de hábitos à mesa, a adesão a uma prática de alimentação capaz de prevenir, controlar e até reverter doenças. Traz ensinamentos simples, até por isso, preciosos, especialmente nesses dias de sedentarismo (mesmo que parcial). O que comer, como e quanto: e dá-lhe castanha de caju, brócolis, repolho, couve-flor, grão-de-bico, feijão branco, cada um cumprindo um papel. Simples assim. O livro traz o aval da Bela Gil, que assina o prefácio. Ela entende de dieta com vegetais.
‘Caderno de receitas de meu pai’, de Jacky Durand (Record)
‘Caderno de receitas de meu pai’, de Jacky Durand (Record) Foto: Divulgação
“Le cahier des recettes” é um best-seller na França, que está em vias de ser lançado no Brasil. É um romance delicadíssimo, que tem como protagonista um chef de cozinha. O autor, Jacky Durand, é um jornalista conhecido do jornal francês “Liberation” e, como todo o francês, é glutão, apaixonado por culinária e cozinha bem. Tanto que, ao final, o livro reúne dez receitas, como pot au feu, a cavalinhas ao vinho branco ou clafoutis de cereja. É uma obra amorosa, saborosa e tocante, a ponto de sensibilizar o chef Eric Jacquim, que assina a orelha da edição brasileira, que sai até o final do mês.
Só para um, alimentação saudável para quem mora sozinho’, de Rita Lobo (Senac/ Panelinha)
Só para um, alimentação saudável para quem mora sozinho’, de Rita Lobo (Senac/ Panelinha) Foto: Divulgação
“Vamos acabar com o mito de que não vale a pena cozinhar para um só”, dispara, nas primeira páginas, a chef televisa Rita Lobo, que assina, entre tantos, livros de culinária, dessa vez mais atual do que nunca em tempos de quarentena. Todos os capítulos surgem a partir de um problema: a pia está cheia de louça suja? É hora de sujar menos e a saída é preparar refeições numa panela só. Elementar. Anda enjoado dos congelados que lotam o freezer? Pois Rita providencia um “plus” e o prato ganha novos ares. São 80 receitas, fotos animadoras e uma lição de vida. Já pra cozinha.
‘Direto ao pão’, de Luiz Americo Camargo (Senac/Panelinha)
‘Direto ao pão’, de Luiz Americo Camargo (Senac/Panelinha) Foto: Divulgação
Pão é tempo, avisa o padeiro, professor e jornalista Luiz Americo (que é critico de restaurantes da “Folha de S.Paulo”) no livro em que ensina o passo a passo para fazer em casa nada menos do 20 tipos de pães divididos em capítulos por tempo de preparo: pães até 2h, 4h, ou mais de 6h. O tempo é seu. Gougères, forma multigrão ou sueco, em duas horas estão prontinhos; já uma ciabatta, não leva menos de seis. O livro traz fotos das etapas sugestões de acompanhamento (com receita): ricota caseira, barriga de porco assada, homus de beterraba... Como diz o autor, faça pão (eu ando me aventurando e amando).
O Globo Sunday, 17 de May de 2020
AMÉRICA LATINA: CONTINENTE BUSCA NOVA NORMALIDADE E COMO SAIR DA QUARENTENA
Especial América Latina: continente busca nova normalidade e como sair da quarentena
Maioria dos países da região optou por confinamento obrigatório e prevê retomada gradual das atividades
Paula Barquet e Carlos Tapia, do El País/GDA*
17/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 17/05/2020 - 10:35
Mulher com máscara e filha passeiam em um parque de Buenos Aires Foto: ALEJANDRO PAGNI / AFP
MONTEVIDÉU — A desigualdade na América Latina respondeu à pandemia com medidas aprendidas no Primeiro Mundo e, embora a opção preferida tenha sido um confinamento obrigatório e estrito, ainda assim a Covid-19 não dá trégua. Poucos países optaram pela quarentena voluntária e os resultados variam entre eles. O Brasil foi um deles. Sem um decreto ou decisão federal, autoridades dos estados e municípios tiveram autonomia para decidir sobre o isolamento. E mesmo sendo o país mais afetado da região, o presidente Jair Bolsonaro permanece firme em evitar o confinamento.
A grande maioria dos países da região optou pelo confinamento obrigatório, dentre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Paraguai, Peru e Porto Rico. Apesar de estarem longe de dominar a propagação do vírus, esses países vêm testando seus planos de reativar a vida social e econômica após dois meses de paralisia. Todos coincidem que será gradual, em etapas, e que devem ser muito cautelosos para evitar surtos da doença.
Outros, que nem sequer estão perto de conter a disseminação do vírus, também já estão se preparando para tornar as quarentenas mais flexíveis e ao que planejaram que seja retornar ao “novo normal”. Há quem tome medidas isoladas e, finalmente, aqueles que ainda não vislumbram uma saída.
Países que já definiram a saída
Argentina: O país resolveu avançar em cinco fases: do isolamento estrito (de 31 de março a 13 de abril), ao isolamento gerenciado (de 13 a 26 de abril), passando à segmentação geográfica (de 26 de abril a 10 de maio), depois a uma reabertura progressiva (de 10 a 24 de maio) e, finalmente, ao novo normal (de 24 em diante). Essas datas estão sujeitas a mudanças de acordo com a evolução dos casos. Atualmente, o país está entre a terceira e a quarta fase, que envolve flexibilidades em nível regional, mantendo rigoroso isolamento nas grandes cidades e abertura gradual de atividades. No último estágio, o governo planeja reabrir tudo com regras de higiene e distanciamento social. O Ministério da Saúde é quem teve mais peso nesse projeto.
Chile: O presidente Sebastián Piñera apresentou um "Plano de Retorno Seguro", dividido em três partes: primeiro, o retorno dos funcionários públicos aos serviços (os chefes de cada área determinam quem retorna pessoalmente, excluindo os grupos de risco). Segundo, o retorno dos trabalhadores do setor privado e da sociedade civil; e, por último, a volta dos estudantes aos centros de estudo. Nenhuma data está programada, mas a reabertura gradual dos parques nacionais em maio já foi anunciada.
México: O país também tem um plano, lançado em 16 de abril e preparado pelo gabinete de saúde. Desde o início, o presidente Andrés Manuel López Obrador disse que as decisões seriam tomadas por um corpo de médicos e cientistas. Estima-se que, em 18 de maio, a atividade será retomada gradualmente apenas nos municípios onde não foram registrados casos da Covid-19, cerca de 979 se enquadram nessa categoria. Para o resto do país — 1.484 municípios —, está previsto que o reinício das atividades seja a partir de 1º de junho.
Porto Rico: No país, onde um rigoroso confinamento obrigatório esteve em vigor por quase dois meses, o plano de reabertura mantém o toque de recolher e o fechamento de algumas indústrias até pelo menos 25 de maio. O cronograma está dividido em quatro etapas. A primeira começou no dia 4 de maio, com a abertura de uma ampla gama de serviços, desde serviços financeiros a lavanderias, setor de mudanças e inspeção de elevadores, dentre outros. Na segunda etapa, iniciada em 11 de maio, foram retomadas obras, consultórios odontológicos e cirurgias eletivas, ambulatoriais e não estéticas. A partir desta segunda-feira, cabeleireiros e salões de beleza, pontos de venda de carros, restaurantes, serviços religiosos e de cemitérios poderão funcionar.
Em processo de definição
Colômbia: À medida que a “curva” do contágio se achatar, os setores de produção serão gradualmente liberados, com uma série de protocolos de biossegurança que estão sendo elaborados pelo Ministério da Saúde. Esta semana começou o "retorno gradual" de setores como produção de móveis, produtos de informática, manutenção de veículos, livrarias e papelarias, entre outros. Na quinta-feira, outro passo foi dado em direção à nova normalidade, após o sinal verde para 90 municípios que não apresentaram casos de coronavírus iniciem o desconfinamento. Eles poderão retomar gradualmente as atividades econômicas, sem grandes eventos ou abertura de restaurantes, academias ou parques infantis.
Peru: O fim da quarentena estava marcado para 10 de maio, mas na semana passada o presidente Martín Vizcarra anunciou que ela seria prolongada até 24 de maio. E, embora não exista um plano de saída concreto em nível nacional, um esquema de reativação econômica foi planejado em quatro fases, cada uma com duração de um mês. Em cada fase, a atividade econômica aumentará 10 pontos percentuais, portanto, estima-se que 90% dos profissionais estejam trabalhando em setembro.
Uruguai: O país não divulgou um plano definido, mas começou a trilhar o caminho em direção à nova normalidade. Por enquanto, a educação presencial foi retomada nas escolas rurais, os serviços de construção foram retomados após três semanas de licença especial, grande parte dos funcionários públicos voltou ao trabalho presencial e as lojas no centro de Montevidéu reabriram.
Brasil: Como os governadores e prefeitos têm autonomia para estabelecer suas regras de isolamento, também têm para definir a retomada das atividades. Por isso, espera-se que haja medidas diferentes em cada região.
*O Grupo de Diários América é integrado por 11 jornais do continente, entre eles O GLOBO
O Globo Saturday, 16 de May de 2020
VACINA NÃO SERÁ CARA, DIZ PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE OXFORD
Vacina não será cara, diz professor da Universidade de Oxford que desenvolve projeto de prevenção à Covid-19
Iniciativa foi bem-sucedida em macacos e está em teste em humanos; resultados são esperados até agosto
O Globo, com Reuters
16/05/2020 - 05:30 / Atualizado em 16/05/2020 - 07:48
Farmaceuticas participam de uma corrida global pelo desenvolvimento da vacina para a Covid-19 Foto: Carl Recine / REUTERS
RIO - A aguardada vacina para a Covid-19 terá um preço que permita seu acesso ser o mais amplo possível. E, sendo bem-sucedida, será produzida em larga escala para manter os custos baixos e o abastecimento. É o que afirma Adrian Hill, diretor do Jenner Institute, da Universidade de Oxford, que trabalha ao lado da farmacêutica AstraZeneca.
- Não será uma vacina cara. Será uma vacina de dose única. E será fabricada para atender um suprimento global e em muitos locais diferentes ao mesmo tempo. Este sempre foi nosso plano - contou Hill à Reuters.
Conhecida como ChAdOx1 nCoV-19, a droga experimental é uma das pioneiras na corrida global pela vacina contra o novo coronavírus. Segundo a Reuters, dados preliminares de um estudo em seis macacos mostraram que alguns daqueles que receberam uma única injeção dela desenvolveram anticorpos contra o vírus em 14 dias. E que, em 28 dias, todos desenvolveram proteção.
Quando os macacos foram expostos ao novo coronavírus, a vacina impediu danos aos pulmões e evitou que o vírus se reproduzisse. No entanto, ele ainda se replicava ativamente no nariz.
Hill classificou os dados de "encorajadores" e reforçou o alto grau de confiança de sua equipe de que os testes em andamento em humanos, iniciados em abril, também mostrarão resultados positivos. Ele acredita que em julho ou agosto já será possível saber se a droga funciona e qual o seu nível de eficiência.
De acordo com o professor, mais de 1.000 pessoas fazem parte dos testes. Metade recebeu a vacina experimental. Já a outra metade serve como grupo de controle. Questionado sobre o progresso deste trabalho em humanos, Hill disse que ele e sua equipe "não farão comentários com o projeto em andamento". Mas deu a entender que, até agora, está dentro do esperado:
- Você pode concluir que, se o teste ainda estiver em andamento, como certamente está, isso significa que não houve grandes transtornos.
É consenso entre especialistas em saúde e em doenças que o fim da pandemia passa pela descoberta de uma vacina contra o novo coronavírus. O desafio, no entanto, é encontrar uma que funcione e fabricá-la em doses suficientes.
1 milhão de doses em setembro
Segundo Hill, sete fábricas em todo o mundo trabalham no desenvolvimento da vacina. Entre elas, está o Instituto Serum, da Índia. As outras estão espalhados pela Europa e pela China. Ele assegura que até um milhão de doses estarão disponíveis em setembro.
A ChAdOx, que recombina vetores virais, usa uma versão enfraquecida do vírus do resfriado comum enriquecido com proteínas do novo coronavírus para gerar uma resposta no sistema imunológico do corpo. Ela não é a única na fase de testes em humanos. Os laboratórios Moderna (MRNA.O), Pfizer (PFE.N), Biontech SE (22UAy.F) e Biologics (6185.HK) fazem parte desta corrida.
O Globo Friday, 15 de May de 2020
CAROLINA DIECKMANN FALA SOBRE REPRISE DE FINA ESTAMPE E DA QUARENTENA NOS EUA
Carolina Dieckmann fala da reprise de 'Fina estampa' e da quarentena nos EUA
PATRÍCIA KOGUT
Carolina Dieckmann (Foto: Sergio Zalis)
Quem acha que, por estar vivendo em Miami, Carolina Dieckmann se desligou de "Fina estampa" achou errado. A atriz, em quarentena nos Estados Unidos, acompanha a novela de lá todos os dias. Na trama de Aguinaldo Silva, ela vivia Teodora, uma linda arrivista que acaba humilhada pelo ex-marido, Quinzé (Malvino Salvador), e vive em guerra com a ex-sogra, Griselda (Lilia Cabral). Mas, antes mesmo da reestreia, Carolina sentiu, nas suas redes sociais, "uma certa animação dos fã-clubes":
- Eu notei a repercussão assim que anunciaram que a novela ia voltar porque sou ativa no Instagram. Reparei que estava repostando as arrobas de pessoas que ainda não conhecia. É muito gostoso isso.
A atriz lembra que se preparou muito para o papel e, na época (em 2011), começou a frequentar aulas de muay thai. Foi um hábito que herdou da personagem e só abandonou em junho do ano passado:
- Me preocupei em ficar forte, musculosa. Era a onda da Teodora, que vivia no ambiente do esporte de luta. E fiquei. Me vejo na televisão e penso que Theodora seria capaz de me bater e de acabar comigo (ri).
Não que ela tenha abandonado os cuidados com o corpo, uma constante na sua vida desde sempre. Mas, agora, o foco é outro. Carolina está preocupada em manter o equilíbrio:
- Estou praticando muita ioga para ficar centrada. Estou saudável, o corpo está bem, mas não tenho a força daquela época.
A família está protegida em casa e a atriz diz que, com isso, tem conseguido manter uma tranquilidade relativa:
- Não dá para ficar bem sabendo que tem tanta gente mal no mundo. Me preocupo muito também com meus avós, que têm mais de 90 anos e estão longe (no Brasil). Mas tenho tentado cuidar da casa e da família. Sou péssima na cozinha e ando me esforçando muito. Estou aprendendo a limpar muito bem a casa. Vou sair disso dominando as técnicas de limpeza.
O Globo Thursday, 14 de May de 2020
DAN BROWN FAZ LIVE PARA FÃS BRASILEIROS NO DIA 19 DE MAIO
Dan Brown faz live para os fãs brasileiros no dia 19 de maio
Iniciativa é da Editora Arqueiro que publica obras do americano no Brasil
Bruno Calixto
13/05/2020 - 10:46 / Atualizado em 13/05/2020 - 12:27
Dan Brown participa de live na terça, dia 19, com tradução simultânea Foto: Divulgação/Quim Vives
RIO — Autor de best sellers como "O Código Da Vinci", "Anjos e Demônio" e "Inferno", Dan Brown confirmou sua participação em uma live com tradução simultânea, dedicada aos leitores brasileiros, marcada para terça-feira (19 de maio), às 16h. A iniciativa é da Editora Arqueiro, que publica o escritor americano no Brasil, com transmissão pelo canal da editora no YouTube.
Segundo a Arqueiro, que já vem promovendo lives com outros autores há duas semanas, esta vai ser a primeira interação com o público brasileiro. Reservado a entrevistas, Dan Brown tem usado as redes sociais durante a pandemia para fazer posts com citações de trechos de algumas de suas obras.
Este ano, a Editora Sextante prevê o lançamento de "Sinfonia dos animais", livro que marca a estreia do autor na literatura infantil. É todo ilustrado e ainda acompanha uma trilha sonora composta pelo próprio Dan Brown.
— São músicas para crianças e adultos ouvirem e enquanto leem juntos, criando uma experiência multissensorial. O álbum será lançado junto com o livro e estará disponível em diversas plataformas digitais. "Sinfonia dos animais" é um título interativo que traz surpresas escondidas e até uma mensagem codificada para que o leitor possa resolver. O lançamento mundial está previsto para setembro — informa Nana Vaz de Castro, da Sextante.
O Globo Wednesday, 13 de May de 2020
CANTORA LÍRICA SE APRESENTA, TODOS OS DIAS, NA JANELA DE SEU APARTAMENTO NA GÁVEA
Quarentena: Cantora lírica se apresenta, todo dia, às 18h, na janela de seu apartamento na Gávea
'Estou espalhando um vírus do bem', diz Juliana Sucupira, que canta uma música por vez
Marcia Disitzer
13/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 13/05/2020 - 08:28
Juliana Sucupira Foto: Ana Branco / Ana Branco/Agência O Globo
Juliana Sucupira, de 46 anos, não poderia imaginar que o distanciamento social que a forçou a ficar em casa, desde meados de março, por causa da pandemia do coronavírus, provocaria uma revolução na vida. Há 50 dias, ela canta, da janela de seu apartamento na Gávea, pontualmente às 18h. Desde então, a voz cristalina da cantora lírica vem deixando o coração da plateia que a acompanha — formada por vizinhos e por quem a assiste por meio do seu perfil no Instagram @ju_sucupira — mais leve.
A ideia surgiu por acaso, sem pretensão. “Comecei a cantar no susto. Não foi algo planejado”, conta Juliana, empolgada. “No início da quarentena, num domingo, ouvi o sino da igreja tocar dentro do meu apartamento”, lembra. “Fui ensinada pela minha avó, que era muito religiosa, a rezar uma ‘Ave Maria’ sempre que escutasse o sino badalar. Então, comecei a rezar baixinho, cantando, na minha janela”, lembra. O que Juliana não imaginava é que a sua voz, mesmo suave, faria as pessoas que a cercam transbordarem de emoção. “A vizinha da frente logo perguntou: ‘É você quem está cantando? Pode aumentar a voz?’”, recorda-se. Não precisou pedir duas vezes. A cantora entoou “Ave Maria” a plenos pulmões, encantando os vizinhos. “Foi um momento mágico. Apareceu um monte de gente na janela aplaudindo, perguntando o meu nome.”
A partir daquele domingo, a cantoria de Juliana virou encontro marcado para os moradores do bairro da Zona Sul. Para conseguir mais alcance, dez dias depois, ela incorporou uma caixa de som e um microfone. “Gravo uma versão orquestrada e canto por cima”, explica. Ela seleciona uma música por noite e tem repertório eclético. “Tom Jobim, Beto Guedes, Beatles, músicas como ‘Imagine’, de John Lennon, e ‘The sound of music’, de ‘A noviça rebelde’. Aos domingos, sempre ‘Ave Maria’”, lista. Juliana também fez questão de homenagear o músico Moraes Moreira, de quem era vizinha, no dia da sua morte, mês passado, cantando, na despedida do compositor, “Brasil pandeiro”, “Pombo correio” e “Preta preta pretinha. “A gente se encontrava sempre na rua. Quando estava com meu marido e os meus três filhos, ele nos chamava carinhosamente de família.”
O sucesso da cantora — que é bacharel em canto lírico, integrante do Coro Sinfônico do Rio de Janeiro e está à frente do grupo Astorga, especializado em casamentos e festas — pode ser medido pelas mensagens que recebe. “Numa delas, me escreveram que o dia se divide entre antes e depois das 18h. Alguns vizinhos pedem para eu mandar beijo durante a apresentação”, conta. “Também já deixaram chocolate e até champanhe na minha portaria. Estou me sentindo a Xuxa.”
Pertencente a um grupo de risco por ter tido, há quatro anos, câncer de rim, a cantora não tem colocado o pé na rua. “Estou presa em casa. Tem dias que não estou bem, mas me animo por saber que vou cantar. No meio de tanta tristeza, percebi que estou espalhando um vírus do bem”, pondera.
Ela faz planos para o futuro. “Para retribuir tanto carinho, pretendo fazer um concerto gratuito na Praça Santos Dumont, na Gávea. Não sei ainda como, mas vou me virar e o espetáculo vai acontecer.”
O Globo Tuesday, 12 de May de 2020
MARCELA BARROZO NA QUARENTENA
Sem trabalho na TV desde 2016, Marcela Barrozo conta que está morando com namorado na quarentena
ANNA LUIZA SANTIAGO
Marcela Barrozo em 'Chocolate com pimenta' e atualmente (Foto: TV Globo e reprodução)
"Chocolate com pimenta" acaba de voltar ao ar no Viva e Marcela Barrozo aproveita para matar as saudades. A atriz, que interpretou Estelinha e tinha 11 anos na época, diz estar recebendo mensagens nas redes sociais desde a estreia.
- O povo tem assistido bastante à novela. Acho que o fato de estarmos todos em casa por causa da quarentena facilita um pouco. Tem muita gente que não me conhecia ou não era nem nascido na época e não sabia que eu tinha feito a novela - conta ela, que atualmente tem 28 anos.
Marcela afirma que, apesar de ter iniciado sua trajetória cedo, nunca perdeu o foco na profissão. A primeira trama de que participou foi "Sabor da paixão", também na Globo, aos 10 anos:
- Minha família nunca deixou eu meter os pés pelas mãos, sempre me puxou para a realidade. Sei que na profissão de ator, neste meio da TV, tudo é muito incerto, instável. Numa hora você está fazendo novela das 21h da Globo e todo mundo reconhece. E em outras você fica meio esquecida e não vai ter trabalho. Eu cresci sabendo dessa possibilidade. A fama nunca me subiu à cabeça, nunca me deixou doida, por eu saber de tudo isso.
O último papel de Marcela na TV foi em "Os Dez Mandamentos", novela da Record que terminou em 2016. Desde então, a atriz tem feito teatro e se dedicado a vários cursos, entre eles, de dublagem. Marcela chegou a cursar a faculdade de Jornalismo, mas não conseguiu concluir:
- Eu moro em Niterói (Região Metropolitana do estado do Rio) e estava gravando a novela em Vargem Grande (na Zona Oeste da cidade) no último período. Eu levei muita falta. Depois fui jubilada. Me arrependo. Se eu tivesse trancado, seria mais fácil. Mas na época eu ficava muito no Rio e não conseguia ir a Niterói pessoalmente levar documentação. E a faculdade também deu uma dificultada na hora de trancar. O tempo foi passando e quando fui ver... Nunca mais voltei a procurar. Acho que teria que começar tudo do zero e isso desanima. Melhor nem saber.
Sem um emprego fixo, ela diz que se mantém com o dinheiro que guardou ao longo dos anos e com os cachês de publicidade no Instagram:
- Sou garota-propaganda de algumas empresas, como loja de roupas e um estúdio de fotografia.
Marcela mora com os pais, mas, durante a quarentena, passou a ficar na casa do namorado, o advogado Luiz Fernando Pinto, de 39 anos (foto abaixo). Os dois estão juntos há um ano.
- A gente está fazendo um bom test-drive. Digo que pior do que está não vai ficar. Falo: 'Acostuma que é isso aí'. Se passar a quarentena e o namoro continuar, vai na fé que vai dar certo. Ou vai ou racha - brinca a atriz.
Marcela Barrozo com o namorado, Luiz Fernando Pinto (Foto: Reprodução)
Marcela Barrozo (Foto: Reprodução)
O Globo Monday, 11 de May de 2020
ISIS VALVERDE MOSTRA PRÁTICA DE IOGA NA QUARENTENA
Isis Valverde mostra prática de ioga na quarentena e fala do filho, Rael
PATRÍCIA KOGUT
Isis Valverde (Foto: Arquivo pessoal)
A ioga ajuda Isis Valverde a manter mente sã e corpo são nestes tempos de quarentena. A atriz, que interpreta Betina em “Amor de mãe”, diz que pratica intensamente:
- Treino todos os dias. Estar em movimento me acalma e me equilibra. Preciso me movimentar para sentir bem mentalmente. Quando fico sem praticar, me sinto ansiosa, impaciente. É como se a relação entre o corpo e a mente não ficasse balanceada. A ioga me ajuda a ter esse equilíbrio. É um exercício para o corpo como um todo.
A atriz também tem conseguido manter hábitos saudáveis quando o assunto é alimentação:
- Sempre fui muito tranquila. Não sou de fritura e doces, como quando dá vontade.
Mãe de Rael, de 1 ano, ela diz que tem dividido os cuidados com o marido, André Resende:
- Estamos revezando em casa com Rael e ele está cada vez mais maduro. Dorme a noite toda, graças a Deus. E já está falando as coisinhas que deseja. Muito fofo.
Isis Valverde com o filho, Rael (Foto: Arquivo pessoal)
O Globo Sunday, 10 de May de 2020
INGREDIENTES E MASSAS PARA FAZER EM CASA
Spoleto começa a vender ingredientes e massas para cliente cozinhar em casa
Rede de restaurantes passa a comercializar os itens que utiliza para fazer os próprios pratos em abas de supermercados dos aplicativos de entrega
Paulo Gratão (Pequenas Empresas Grandes Negócios)
10/05/2020 - 10:00
Lasanha do Spoleto Foto: Divulgação
SÃO PAULO – O isolamento social imposto pelo novo coronavírus fez com que empresas migrassem boa parte de suas ações para os meios digitais, tirassem planos futuros do papel ou até desenvolvessem produtos e serviços com a mesma velocidade das startups. Foi isso que aconteceu na rede de franquias Spoleto, que criou o Mercato Spoleto para vender seus ingredientes e massas e permitir que o consumidor cozinhe em casa.
De acordo com o sócio-fundador da marca, Eduardo Ourivio, a rede já vinha se reunindo desde o início da pandemia para pensar em ações que pudessem ajudar os franqueados neste momento. Uma franqueada de Curitiba, no Paraná, questionou a possibilidade de vender as massas semiprontas e os ingredientes da marca – cerca de metade dos condimentos são feitos por pequenos fabricantes de diversas partes da Itália, segundo Ourivio.
O empreendedor diz que a escala permite que os produtos sejam vendidos a preços menores do que em supermercados.
– Nosso propósito é democratizar a culinária italiana, faz total sentido isso para nós – diz Ourivio.
A primeira loja a testar foi a da própria franqueada, que ofereceu os produtos para amigos por WhatsApp e viu a ação representar 15% do faturamento. Com isso, o Spoleto aplicou o Mercato em dez lojas e depois implantou em todas as 200 que estão funcionando com delivery neste momento. Isso significa cerca de 55% da rede.
De acordo com o empreendedor, a modalidade tem representado cerca de 5% das vendas, mesmo sem divulgação.
– É mais uma receita que a loja não tinha – diz Ourivio, que acrescenta: – No momento de crise, planejamos menos e executamos mais. Colocamos a iniciativa nos aplicativos de entrega, na parte de supermercados, e nossa plataforma própria entra no ar na próxima semana.
No sistema do Spoleto, a ideia é ter o delivery próprio, tanto de refeições prontas, quanto de ingredientes, e disponibilizar receitas em três níveis de dificuldade para que os consumidores possam fazer em casa:
– Mas ele também pode fazer do jeito que achar melhor, cada um dá sua própria cara. Tem massa que fica pronta em menos de dois minutos no micro-ondas.
Um dos desafios é montar porções que possam ser vendidas para casas com poucas pessoas. A marca já vem estudando formas de criar novos tamanhos, principalmente de molhos, que são vendidos em baguetes de mais de um quilo. As massas servem duas pessoas, de acordo com Ourivio.
Para ajudar na divulgação, a rede enviará produtos gratuitamente para 2 mil clientes mais assíduos do programa de fidelidade da marca para que testem e ajudem a divulgar. O investimento na ação está previsto em cerca de R$ 200 mil.
Com esse passo, o Spoleto mira num comportamento de consumo ascendente e que pode perdurar no pós-crise, com a preocupação maior em evitar aglomerações. De acordo com pesquisa realizada pela consultoria especializada em food service Galunion, em parceria com o Instituto Qualibest, 93% dos consumidores têm cozinhado em casa durante a pandemia, sendo que 31% já faziam e aumentaram a compra de alimentos para preparo caseiro.
Ourivio diz não ter dúvidas de que a nova frente de vendas continuará no pós-crise:
– Só vai evoluir, a velocidade de colocar as ideias em prática será muito maior. Estamos em um novo momento, aconteceu uma grande transformação na nossa empresa. O que talvez demorasse dois anos para acontecer levou menos de dois meses.
O Globo Saturday, 09 de May de 2020
2020: O ANO EM QUE NÃO FAREMOS CONTATO
2020: O ano em que não faremos contato
Pandemia põe em xeque a forma como nos relacionamos socialmente e traz desafio para as interações no futuro. Tão habituados a beijos, abraços e carinhos, como ficaremos nós, brasileiros?
Bolívar Torres e Giuliana de Toledo
09/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 09/05/2020 - 09:20
Homem caminha em frente a mural de tango em Buenos Aires: distância será necessária Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP
RIO E SÃO PAULO - A sensação é estranha, quase surreal. Assistindo a um filme, uma novela ou alguma série produzida antes da pandemia, acontece frequentemente de o espectador tomar um susto ao ver as pessoas se abraçando, apertando as mãos e se beijando sem preocupações. Condenados pelas novas normas de distanciamento social, esses gestos de afeto e cordialidade parecem ter ficado em outra era.
A pandemia colocou em questão a forma como nos relacionamos com a família, o trabalho e o tempo, mas também aqueles gestos que se tornaram traços da nossa maneira de estar no mundo, adquiridos ao longo de tantos anos que os fazemos sem nem perceber. Incorporar um novo manual de conduta é como trocar o pneu enquanto o carro acelera, lembra Larissa Polejack Brambatti, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB).
Mais do que emergenciais, os impactos serão duradouros e alguns podem ser permanentes, redefinindo o que serão nossos hábitos no futuro. Restaurantes, casas de shows, lojas, companhias aéreas, teatros, escritórios e museus já estudam como receber pessoas no futuro de modo que elas se aproximem o mínimo possível umas das outras. Os drive-ins ressurgem como alternativa segura, enquanto escolas já falam em higienizadores nas portas.
— Essa nova forma de relação é um desafio, especialmente para o brasileiro, que é muito acostumado ao toque, ao tapinha nas costas, ao abraço e ao beijo — diz Larissa, que pertence ao Plano de Contingência em Saúde Mental e Apoio Psicossocial ao Enfrentamento do Coronavírus da UnB. — O desafio é encontrar maneiras de continuarmos sendo um povo caloroso, substituindo o toque físico pelo olhar, pela fala, pela conversa... E vamos ter que aprender isso rapidamente.
NA QUARENTENA, BAILARINAS DO MOULIN ROUGE MANTÊM A FORMA EM CASA
Os 450 funcionários do Moulin Rouge, incluindo 90 bailarinas, estão em regime de seguro-desemprego temporário desde o início do confinamento causado pela pandemia do novo coronavírus, em meados de março Foto: FRANCK FIFE / AFP
Bailarinas do famoso Moulin Rouge em Paris, acostumadas a dançar o cancã duas vezes por noite, seis dias na semana, estão sem se apresentar em razão das restrições por conta do coronavírus Mathilde Tutiaux, de 32 anos, que dança há oito anos no Moulin Rouge, alonga-se, usando os móveis da cozinha como apoio, em sua casa, em Paris. Foto: FRANCK FIFE / AFP
Mudar hábitos tão enraizados da noite para o dia pode parecer impossível. Mas a resposta para o futuro muitas vezes está... no passado. Se olharmos para trás veremos que os brasileiros nem sempre foram assim tão táteis e efusivos. A historiadora Mary Del Priore, que investigou a vida privada dos nossos antepassados, em livros como “Histórias íntimas”, lembra que, no século XIX, o hábito de tocar os outros era considerado pouco civilizado. Dom Pedro II, aliás, foi algumas vezes repreendido pela Condessa de Barral porque insistia em sua maneira bem brasileira de ficar tocando nas pessoas durante suas viagens à Europa.
Mary Del Priore lembra que, se a proximidade física devia ser moderada, beijos, então, nem pensar... A boca era vista como algo “sujo”, transmissor de doenças. Foi só a partir dos anos 1940 e 50, com a influência do cinema, que as pessoas começaram a ver representações mais despreocupadas da proximidade física. A partir daí, passaram a reproduzi-las em suas vidas.
— As pessoas hoje sentem falta de abraço e de beijo, mas é bom lembrar que durante séculos nossos antepassados viveram sem nada disso — conta ela. — O ser humano sempre vai inventar uma maneira de demonstrar o seu afeto. Poderá ser através de palavras, através de escritos, através de fotografia... Ninguém vai deixar de falar de seus sentimentos.
Historicamente, epidemias foram responsáveis por acelerar mudanças nas relações sociais. Muitas delas impostas por lei. Para combater a peste, por exemplo, o beijo foi proibido tanto pelo imperador Tiberius, na Roma Antiga, quanto na Inglaterra do século XV e na Nápoles do século XVI. Séculos mais tarde o mesmo aconteceu no México (em 2005) e na África do Sul (em 2009), dessa vez para conter um surto de gripe. Os hábitos vão e voltam, de forma cíclica.
O problema é que, no Brasil, sempre se dá aquele jeitinho de evitar novas regras. E o vírus não aceita jeitinho, lembra o antropólogo Roberto Da Matta. Em suas idas ao supermercado, ele cansou de ver pessoas tirando as máscaras para conversar e insistindo em toques nas costas e apertos de mão.
— Para nós, chegar perto é uma pressuposição cultural — explica Da Matta. — É uma proximidade que faz parte da nossa cultura de desigualdade. Quando você não tem muito dinheiro, você se diverte como? Ficando junto. Combina uma reunião e cada um traz alguma coisa, um traz o torresmo, o outro a cerveja... E agora você vai dizer que as pessoas não podem fazer nem mais isso? O Brasil não está pronto para nada disso.
Mora na biologia
A dificuldade de nos livrarmos de velhos costumes também se explica por questões biológicas. Quando damos um longo abraço, aumenta a liberação de ocitocina no corpo. E ela é um neuro-hormônio muito importante para a gente se sentir ligado a outras pessoas, como conta a psiquiatra Raquel de Boni, que é pesquisadora da Fiocruz:
— É um hormônio que as mulheres liberam quando amamentam, por exemplo. Ele dá uma sensação de pertencimento, de felicidade.
Raquel coordena no Brasil um estudo que, com enquete on-line, tem o objetivo de avaliar mudanças no estilo de vida de brasileiros e espanhóis provocadas pela pandemia. Por aqui, também participa do estudo o psiquiatra Flávio Kapczinski, pesquisador da UFRGS, que faz pós-doutorado na McMaster University, do Canadá. Na Espanha, a parceria é com a Universitat de Valencia, por meio do cientista Vicent Balanzá.
CORONAVÍRUS MUDA HÁBITO DE BRASILEIROS
Idoso usa máscara dentro de composição do metrô do Rio Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Vendedor de rua usa sacola plástica como medida preventiva contra a disseminação do novo coronavírus, no centro de São Paulo Foto: Nelson Almeida / AFP
Turista estrangeira usam máscaras em pontos turísticos do Rio Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo
Mais de 20 mil pessoas já responderam ao questionário nos dois países. No Brasil, é possível participar até o dia 20 em bit.ly/estilodevidaecovid19. Dados preliminares da pesquisa mostram que 54% dos participantes brasileiros notam uma mudança no seu suporte social, ou seja, na sua rede de amparo provida por outras pessoas, contra menos de 35% na Espanha, o que aponta uma possível fragilidade maior entre nós.
— Até a vacina, não há outro caminho se não uma troca nesses cumprimentos — pondera Flávio Kapczinski. — Isso fará parte do novo normal, de uma nova etiqueta.
É sabido que períodos de morte e recolhimento costumam produzir explosões de vida. Basta ver o Renascimento após a peste, ou os loucos anos 20 após a gripe espanhola. Para o brasileiro, pode ser a oportunidade de trocar a efusão costumeira por uma conexão mais profunda, que vá além do tapinha nas costas.
— Podemos substituir o toque físico por um movimento emocional, de empatia maior, para que a gente se conecte afetivamente e não apenas fisicamente — diz Larissa.
O Globo Friday, 08 de May de 2020
LIVES DE HOJE: LATINO, FÁBIO JR. E MOACIR LUZ CANTANDO ALDIR BLANC
Lives de hoje: Latino, Fábio Jr e Moacyr Luz cantando Aldir Blanc são atrações desta sexta
Também teremos Toquinho, Roberta Sá e Eramos Carlos entrevistando Gilberto Gil
O Globo
08/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 08/05/2020 - 07:27
Moacyr Luz e Aldir Blanc, em fevereiro de 2002 Foto: Arquivo
RIO — Com o mundo do entretenimento parado devido à pandemia, artistas de vários gêneros e segmentos seguem ativos através das lives. Nesta sexta (8/5), Erasmo Carlos entrevista Gilberto Gil em apoio à campanha "Juntos pela música", iniciativa da União Brasileira de Compositores (UBC), com o Spotify — juntas, a entidade e a empresa fizeram um aporte inicial de R$ 1 milhão —, que visa arrecadar fundos para ajudar compositores do Brasil durante a quarentena. O projeto já recebeu mais de 1.500 doações, que são angariadas pelo site da iniciativa. A seguir, confiira todos os destaques de hoje na programação de lives.
The Tallest Man On Earth: O artista folk sueco Kristian Matsson segue sua programação de lives às sextas-feiras, a partir das 16h. Além de canções de seus cinco álbuns, o cantor monta um repertório de covers com sugestões enviadas pelos fãs, revezando-se entre violão, guitarra, banjo e piano elétrico. Hoje, ele recebe Courtney Mary Andrews, com quem iniciaria uma turnê neste mês, cancelada pela pandemia. No perfil @spkmatsson, no Instagram.
Moacyr Luz: O cantor, compositor e violonista presta homenagem a Aldir Blanc, seu grande amigo e parceiro, morto nesta segunda, aos 73 anos. Juntos, eles escreveram canções como “Só dói quando rio”, “Centro do coração”, “Itajara” e a já clássica “Saudades da Guanabara”, com Paulo César Pinheiro. Às 19h, no Instagram (@moaluz).
Latino: Batizada de “Festa no apê”, a live do cantor promete seus principais êxitos, como “Me leva”, e “Renata”. Às 19h, no Youtube (/cantorlatinooficial).
Toquinho: Em apresentação pelo Blue Note SP Live Sessions, o cantor, compositor e violonista toca versões acústicas dos maiores sucessos de sua carreira, com participação especial de Camilla Faustino. Às 20h, no YouTube (/bluenotesp).
Roberta Sá: A cantora começa hoje uma série de shows em que revisitará toda a sua discografia. A abertura é com "Braseiro" (2005). Às 20h, no YouTube e no Instagram.
Fábio Jr.: Às 21h30, o ator e cantor revisita sucessos como "Só você" e "Alma gêmea". No YouTube.
Virtual LemonAid: A partir das 23h, o festival beneficente reúne nomes como Meredith Monk, Ali MacGraw, Daniel Rossen (Grizzly Bear) e John Dieterich (Deerhoof). David Byrne e Stewart Copeland (The Police), entre outros, participam por meio de entrevistas. No Instagram (@virtuallemonaid) e no Facebook (/virtuallemonaid).
O Globo Thursday, 07 de May de 2020
ÚLTIMA SUPERLUA DO ANO POERÁ SER VISTA NA NOITE DESTA QUINTE-FEIRA NO BRASIL
Última 'superlua' do ano poderá ser vista na noite desta quinta-feira no Brasil
A dica é olhar para o céu a partir das 18h. Aqueles que possuírem janelas voltadas para o leste poderão contemplar melhor o evento astronômico
Yasmin Setubal
07/05/2020 - 00:01
Nesta quinta, os brasileiros poderão observar a última 'superlua' do ano Foto: Sergei Grits
RIO - A última "superlua" de 2020 será registrada no começo da noite desta quinta-feira (7). Na ocasião, o satélite estará em seu perigeu — ponto de sua órbita mais próxima da Terra. O fenômeno poderá ser visto a partir das 18h, se o tempo não estiver nublado. Esse evento astronômico só voltará a acontecer nos dias 27 de abril e 26 de maio de 2021.
Quem tiver as janelas voltadas para o leste contemplará melhor o fenômeno, já que a recomendação no período da pandemia do novo coronavírus é ficar em casa para preservar a própria saúde e a daqueles que não têm essa opção. As pessoas que contam com uma vista para o horizonte e aquelas em locais onde há pouca iluminação também terão uma visão privilegiada do evento astronômico.
A "superlua" de maio será um pouco menor do que a de abril. A explicação disso, segundo a astrônoma Flávia Requeijo, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), é que, no mês passado, o satélite coincidiu de atingir a fase cheia e estar em seu perigeu na mesma data. Neste mês, a lua ficará mais próxima da Terra no dia 6 e entrará na fase cheia no dia 7.
— O caminho que a lua faz ao redor da Terra é uma elipse, então existem momentos em que ela está mais próxima do planeta e em que ela está mais distante. Quando coincide dela estar no perigeu na fase cheia, aí chamamos de "superlua", que é quando ela fica mais brilhante e maior do que o habitual — explica a astrônoma.
Esse evento astronômico ainda pode acarretar algumas mudanças nas marés:
— "Superluas" provocam marés altas mais elevadas que a média e, também, marés baixas menores. Mas varia muito de um lugar para outro. Não se pode dizer que a maré vai aumentar em determinada porcentagem — afirma Roberto Costa, professor do departamento de Astronomia da USP.
O Globo Wednesday, 06 de May de 2020
SAIBA COMO SOLICITAR DOCUMENTOS PELA INTERNET
Saiba como solicitar documentos como CPF e Título de Eleitor pela internet durante a pandemia
Serviços como seguro-desemprego também podem ser requeridos online
Carolina Mazzi
06/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 06/05/2020 - 07:08
Carteira de trabalho já tem versão digital Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
RIO - Com as medidas de isolamento social para quem pode ficar em casa, muitas pessoas ficaram na dúvida sobre como fariam para renovar e solicitar documentos como CPF e Título de Eleitor, ou mesmo requerer serviços como o seguro-desemprego. Todos eles agora, durante a pandemia, podem ser feitos de forma eletrônica, seja em sites oficiais, seja através de e-mail.
O advogado Rafael Martins avalia que as mudanças são fundamentais, porque não só garantem o acesso da população aos seus direitos, mas também contribuem para a efetividade das medidas de distanciamento social para evitar o aumento no contágio da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.
- Vivemos um momento de exceção, e a documentação é um direito do cidadão, necessária para requerer serviços como o auxílio emergencial durante a pandemia, por exemplo. É importante ficar atento também aos prazos para renovação de alguns, que foram estendidos.
Vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou, em setembro, decisão já tomada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran): que a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode ser usada como identificação pessoal mesmo vencida. O prazo de validade diz respeito apenas à licença para dirigir.
Em muitos casos, é preciso enviar outros documentos digitalizados para o governo ou cartório. Para fazer isso, há diversos aplicativos que usam a câmera do celular como scanner. Alguns dos mais recomendados são o CamScanner, Tapscanner e Tinyscanner.
Documentos online Foto: Arte O Globo
Casos urgentes. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) está com todas as atividades presenciais suspensas por conta da quarentena, com exceção de casos considerados urgentes: 2ª via da identidade e habilitação para atividades remuneradas, funcionários das áreas de saúde e segurança e casos de perda, roubo ou furto. No Rio, o atendimento para essas pessoas terá esquema especial, sendo realizado exclusivamente no prédio-sede do Detran, na Avenida Presidente Vargas, 817, Centro.
Documentação de veículos. Os prazos para o proprietário expedir o Certificado de Registro de Veículo (CRV) em caso de transferência de propriedade de veículo, desde que adquirido a partir 19 de março, foram suspensos. Os prazos relativos a registro e licenciamento de novos veículos também.
Carteira de motorista. O prazo para que o condutor possa dirigir veículo com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida, desde que a partir de 19 de março, também está suspenso. Outros casos só serão considerados se estiverem nos critérios de urgência, que incluem necessidade de atividade remunerada e para profissionais de saúde e segurança.
Cadastro de Pessoa Física (CPF). É possível fazer e regularizar o CPF pela internet. Ele é necessário para obter o auxílio de R$ 600 do governo federal durante a pandemia. No site da Receita Federal, há um formulário para se inscrever e obter o documento. Também é possível solicitá-lo ou regularizá-lo por e-mail. Cada estado possui um endereço eletrônico diferente, e eles estão disponíveis para consulta também no site da Receita. Em todos os casos, é preciso apresentar Título de Eleitor, documento de identificação e comprovante de residência. Se o pedido for feito por e-mail, além da documentação citada, é preciso enviar foto do rosto do solicitante segurando o documento de identidade aberto (frente e verso), aparecendo a fotografia e o número.
Seguro-desemprego. Governo e analistas estimam que pelo menos 200 mil pessoas perderão o emprego durante a pandemia. Muitos terão direito ao seguro-desemprego, que pode ser solicitado pela internet e por telefone, no número 158. O formulário para preenchimento está disponível no Portal Emprega Brasil. Lá, será necessário colocar informações pessoais e laborais, além de sua documentação, que inclui documento de identificação, CPF, PIS/Pasep, número da Carteira de Trabalho e as informações contidas nela sobre experiências profissionais.
Título de Eleitor. Para votar nas eleições deste ano é preciso está com o Título de Eleitor regularizado. O Tribunal Superior Eleitoral disponibilizou o serviço através de um plataforma digital em seu site, que vale tanto para quem vai requerer o documento pela primeira vez como quem vai regularizá-lo. São necessários documento de identificação, comprovante de residência e certificado de quitação do serviço militar (para os homens nascidos entre 1975 e 2001) e fotografia do requerente, em estilo “selfie”, exibindo, ao lado de sua face, o documento oficial de identificação, com a foto do documento voltada para a câmera.
Certidões. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou que os cartórios recebam, por e-mail, solicitações de certidões, como nascimento e óbito, durante a pandemia. Mas, depois, será necessário ir ao cartório para regularização e retirada do documento, 15 dias após o fim do período de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. O hospital também fica responsável por inserir nas Declarações de Nascido Vivo (DNV) e nas Declarações de Óbito, com destaque, a identificação dos cartórios para os quais os documentos foram enviados eletronicamente.
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Mesmo antes da pandemia, já estava disponível para os cidadãos a Carteira de Trabalho Digital, que substitui o modelo físico. Para obtê-la, é preciso baixar o aplicativo "Carteira de Trabalho Digital", do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), disponível para Android e IOS.
O Globo Tuesday, 05 de May de 2020
CORONAVÍRUS: ESPECIALISTA DÁ DICA DE COMO CONVERSAR COM CRIANÇAS SOBRE A PANDEMIA
Especialista dá dica de como conversar com crianças sobre coronavírus
De acordo com estudiosa, situação tem provocado muito estresse entre os pequenos e recomenda que os pais tentem dar mais atenção aos filhos e incluí-los na rotina
Marcelo Antonio Ferreira*
05/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 05/05/2020 - 07:43
Morador de Niterói, Lucas Nalim, de 8 anos, está isolado em casa, onde estuda e joga, mas se preocupa com a avó, que, segundo ele, sai muito Foto: Agência O Globo
RIO — Se para os adultos já é difícil entender como a vida, de repente, virou de cabeça para baixo por conta do novo coronavírus, para as crianças está sendo ainda mais desafiador dar conta de tantas restrições. Como O GLOBO mostrou nesta segunda-feira, sem escola ou o abraço dos avós, os pequenos tentam, ao modo deles, lidar com as perdas e mudanças de rotina. Para a neuropsicóloga e psicopedagoga Maria Margarida da Fonseca, cada criança é particular, e a forma de enfrentar o isolamento social, seja com mais calma ou agitação, depende muito do contexto em que está inserida.
— No geral, as crianças não estão entendendo muito o que está acontecendo. Ocorre a explicação, mas a criança esquece. Da doença em si eles não têm noção do perigo, mas, mesmo assim, está se gerando muita ansiedade — diz a especialista — Uma paciente minha relatou que não sabe mais o que fazer, pois no condomínio onde mora há várias crianças brincando normalmente na área de lazer. Por mais que ela explique ao filho que não pode e é perigoso, ao ver, ele quer estar lá com os coleguinhas. Eles sentem falta desse contato.
A especialista reiterou a importância de os pais não focarem tanto nos recursos que têm ou não, mas sim usarem da imaginação para encontrar uma forma de dar atenção aos filhos, e, ao mesmo tempo, incluí-los na rotina.
— É válido até largar algumas atividades de casa, para poder ajudá-los, principalmente em casos de crianças muito agitadas. Seja com joguinhos, brincadeiras, desenhos, filmes, o que puder ser feito para diminuir a ansiedade da criança. Eu falo para fazer um bolo, levar para cozinha. Trazer a criança, de alguma forma, para o seu mundo. Tem que inventar, porque a situação é difícil e complicada. O conselho que eu dou sempre é para que dê toda a atenção possível ao seu filho — diz a psicóloga.
Em um cenário como este, é inevitável não falar sobre a morte, e o tabu da conversa sobre o fim da vida deve ser tratado com delicadeza. A profissional recomenda que, quando o assunto for mais grave, buscar uma forma lúdica de passar a informação e os resguardar em relação ao resto do noticiado.
— Os pais devem evitar que a criança participe desse tipo de coisa, mas quando acontece algum caso (de morte) na família, se deve explicar de algum forma. “Foi a vontade de papai do céu...”, e por aí vai. Não adianta fantasiar uma coisa de que não se pode fugir. Mas tentar evitar que as crianças fiquem vendo essa reportagens, já que até para os adultos está dificíl. E a criança tem até mais facilidade para relacionar esse assunto que o adulto.
Sobre os dramas do da educação domiciliar, a psicopedagoga recomenda paciência e que os responsáveis por passar o conteúdo tenham compreensão das limitações impostas pelo cenário em relação aos filhos e eles mesmos.
— Digo para os pais fazerem o que der, não ficar cobrando muito dos filhos. A criança tem que saber que ela não está de férias, então, se possível, deve se manter aquela rotina da escola. Mas não adianta ficar cobrando muito em relação ao conteúdo, nem a própria escola vai poder cobrar isso. Não é o momento, e está difícil para todos — conclui a psicóloga.
*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef
O Globo Monday, 04 de May de 2020
HOSPITAL DE BONSUCESSO TEM APENAS 35 LEITOS OCUPADOS DOS 240 DISPONÍVEIS
Hospital de Bonsucesso tem apenas 35 leitos ocupados, sendo 18 para tratamento do coronavírus
Unidade liberou 240 vagas exclusivas para casos da Covid-19, por ordem do Ministério da Saúde. Apesar da medida, a unidade contribui com baixa oferta para sistema de saúde
Ana Clara Veloso
04/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 04/05/2020 - 08:03
Leitos vazios no Hospital Federal de Bonsucesso Foto: Agência O Globo
RIO — Um prédio fantasma. Para funcionários do Hospital Federal de Bonsucesso, foi essa a transformação sofrida por uma das unidades de saúde de maior importância para o estado do Rio, após deixar de oferecer 28 serviços especializados de média e alta complexidade no prédio 1, para atender exclusivamente casos da Covid-19, por ordem do Ministério da Saúde. Apesar da medida, a unidade tem contribuído com baixa oferta para o sistema de saúde. De 240 leitos existentes — como consta da decisão da Justiça Federal pela destituição da direção por omissão no enfrentamento à pandemia —, neste domingo, apenas 18 pacientes estavam internados com coronavírus e outros 17, na emergência.
— Foi um erro estratégico acabar com o Hospital Federal de Bonsucesso. É uma desgraça. Agora ele não é nem referência em tratamento para Covid-19 nem o hospital que era. Atendemos 35 pessoas hoje (ontem) — avalia o diretor do corpo clínico do hospital, Julio Noronha.
Pacientes internados na UTI de um hospital no Rio receberam uma 'festa de aniversário' realizada pela equipe médica da unidade. Médicos e enfermeiros celebraram as datas especiais com bolo e chamadas de vídeo com os familiares das pessoas internadas, na tentativa de trazer alguma alegria para as pessoas em recuperação da Covid-19.
De acordo com funcionários, o coronavírus agravou a situação da unidade. Faltam profissionais para o atendimento da doença — um problema considerado antigo, mas que foi ampliado pelos afastamentos das equipes em razão da Covid-19 — e até respiradores.
— Temos 30 leitos de CTI prontos que não podem ser liberados por problema na planta fixa. Vários departamentos são abastecidos por um único ar-condicionado central, e isso não pode ocorrer no caso do tratamento de uma doença contagiosa. Então, foram montados leitos para internação nas enfermarias, com respiradores. Há outros disponíveis. Mas não tem profissionais. Ainda que o hospital tenha médicos, não são dermatologistas ou oftalmologistas que podem atender os casos que recebemos. Por isso, o anúncio do Hospital de Bonsucesso como unidade de referência no combate ao coronavírus pegou todo mundo de surpresa — conta um enfermeiro.
Em sua decisão, a juíza Carmen Silvia Lima Arruda, da 15ª Vara Federal do Rio de Janeiro, intimou o Ministério da Saúde a destituir a direção do Hospital Federal de Bonsucesso. Segundo o defensor público Daniel Macedo, o prazo para isso é de 24 horas, contadas a partir de hoje. Em audiência realizada na noite da última quinta-feira, a magistrada acusou a diretoria do hospital de omissão no enfrentamento à pandemia, alegando que não houve apresentação de plano de contingência para a situação e nem a compra de equipamentos de proteção e testes de Covid-19 para equipes do hospital.
Julio Noronha afirma que a maioria dos 5 mil funcionários está sem equipamento de proteção individual. Segundo ele, cinco trabalhadores da unidade já morreram. Há preocupação também com o futuro do hospital. Noronha garante que, por falta de concurso, metade da equipe é de Contrato Temporário da União, com vencimento no dia 31 de maio.
Pacientes que eram atendidos na unidade antes da pandemia também sofrem com falta de atendimento. Procurado para falar sobre a situação do Hospital Federal de Bonsucesso, o Ministério da Saúde não se manifestou.
O Globo Sunday, 03 de May de 2020
CORONAVÍRUS GOLPEIA SONHO DE BRASILEIROS EM PORTUGAL E MUITOS PENAM PARA VOLTAR
Coronavírus golpeia sonho de brasileiros em Portugal, e muitos penam para voltar
Depois de perderem o emprego, imigrantes ficam sem dinheiro e fazem fila no aeroporto, esperando vaga em voos fretados pelo Itamaraty; consulado estima que situação afeta 600 pessoas
Gian Amato, especial para O Globo
03/05/2020 - 04:30 / Atualizado em 03/05/2020 - 09:48
Brasileiros no aeroporto de Lisboa à espera do vôo de retorno para o Brasil. Apenas uma parte deles conseguiu embarcar Foto: Gabriel de Rezende/Zimel Press/30-4-2020
LISBOA - Porta de entrada para o sonho de uma vida melhor na Europa, o aeroporto de Lisboa virou o centro da peregrinação de emigrantes brasileiros que desistiram de viver em Portugal. Eles perderam o emprego devido à pandemia da Covid-19 e não conseguem mais permanecer no país, mas estão sem dinheiro para a volta ao Brasil.
Em tempos de distanciamento social e frio na madrugada, cerca de 40 pessoas dormiram aglomeradas por uma semana na calçada do terminal à espera de um encaixe em um dos voos de repatriamento fretados pelo Itamaraty. Na quinta-feira, houve desistências, 23 puderam embarcar de última hora e 17 foram para um abrigo.
O cônsul-geral adjunto do Brasil em Lisboa, ministro Eduardo Hosannah, estimou que há outras 600 pessoas em situação semelhante, entre turistas e desvalidos, e adiantou que requisitou aprovação de recursos para novos voos de repatriamento, mas aconselha aos residentes a procurarem os programas de assistência de Portugal.
Ofcialmente, a comunidade brasileira residente é de 150 mil pessoas, a maior no país. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que o desemprego em Portugal atingirá 14% da população, a maior taxa já registrada. Em 45 dias de estado de emergência, milhares de brasileiros perderam emprego e há relatos de que grande parte vive à beira da mendicância e dependente de doações para comer.
Com uma manta colorida enrolada ao redor do pescoço, várias camadas de agasalhos, capuz, luvas e máscara cirúrgicas, Alex Santos dormiu durante uma semana em meio aos carrinhos de bagagens na calçada do terminal. Em um dos bolsos da calça, o ex-serralheiro de 41 anos, de Duque de Caxias, diz carregar €70, mas não pode gastar porque é o dinheiro que pretende usar para ir de São Paulo, destino único dos voos, a Conselheiro Pena, no interior de Minas Gerais, onde encontrará a mulher e as três filhas, para quem enviava dinheiro. Ele afirma que seu nome chegou a ser incluído pelo Itamaraty, mas depois o embarque foi adiado e ele segue à espera no abrigo:
— Cheguei a pensar que teria que mendigar. Trabalhava como garçom em um restaurante em Nazaré e fui despedido depois de um ano e meio em Portugal. Pensei em construir algo para a família, que ficou no Brasil, mas não deu. Não tenho visto de residência nem posso pedir seguro-desemprego, mas mesmo que pudesse, quero ir embora, porque no Brasil eu tenho casa.
Durante a pandemia, o governo de Portugal decretou que imigrantes com a regularização pendente poderiam ser considerados legais, desde que tivessem dado entrada no pedido de residência até 18 de março. Teriam acesso ao sistema de saúde e apoio da previdência social para autônomos (a medida excepcional durante a pandemia estabelece um valor com base em remunerações anteriores).
Mesmo quem tem direito ao seguro-desemprego tradicional quer voltar, porque não acredita na recuperação da economia em curto prazo. Cerca de um em cada cinco trabalhadores do país foi demitido desde o início do surto, e o número de desempregados subiu para 380.832 pessoas — apenas 10 mil abaixo do pico da crise financeira de 2008.
O estado de emergência em Portugal termina hoje e, a partir de amanhã, começa a reabertura lenta e gradual, com medidas rígidas de segurança semelhantes às adotadas em outros países europeus, para que não haja mais casos de contágio. O plano de desconfinamento foi dividido em três fases, com a reabertura de diferentes setores da economia a cada 15 dias — os primeiros a voltarem a funcionar são os pequenos comércios, cabeleireiros, concessionárias de carros e livrarias.
O trabalho remoto continuará obrigatório no país até o final do mês. Os trabalhadores poderão retornar gradualmente aos escritórios em junho, quando for implementada a terceira fase do plano, que inclui ainda a reabertura de shopping centers, cinemas e teatros, com a manutenção do distanciamento físico.
No último dia 20, Daniella Ferreira, que deixou de pagar o aluguel em Carcavelos, em Lisboa, recebeu o apoio da previdência social e exibiu um comprovante de depósito: €62,40. Sem resposta da embaixada brasileira, ela não quis pôr em risco a saúde da família e entregar as chaves para ir ao aeroporto.
— Não quis arriscar, tenho duas crianças. Entrei em desespero para alimentar meus filhos de 11 e oito anos. Fui à igreja pedir doação. Não paguei o aluguel de abril nem vou pagar o de maio. Meu marido recebeu abono de €75 e temos contas de luz e gás que custam isso. Éramos técnicos de administração em São Paulo e chegamos em 2018 em Portugal. Eu fiz faxinas. Ele trabalhou em obras e por vezes nem foi pago. Vou embora destruída, mas no Brasil temos casa para morar — disse Ferreira, que conseguiu quatro passagens em uma “vaquinha” de familiares, e ainda aguarda pelo voo, adiado consecutivamente pela companhia aérea.
Logo após o estouro do surto na Europa, uma verba de R$ 62 milhões foi destinada para operações de repatriamento do Itamaraty em todo o mundo. Somente de Portugal foram retiradas quase 1.500 pessoas. Para receber o apoio, é preciso fazer um cadastro e obedecer ao critério determinado pela embaixada, de extrema fragilidade social e econômica.
A confirmação em um dos voos chega por e-mail e, para alguns, este processo durou mais de um mês. Para quem não recebeu o aviso e não tem onde esperar, o aeroporto passou a representar uma esperança. Na manhã da última quinta-feira, o paulista André Soncin estava indignado ao não receber confirmação da embaixada e observar um cachorro junto de sua dona na fila de embarque para o repatriamento.
— O cachorro sendo repatriado pelo Brasil, enquanto o ser humano fica aqui — disse Soncin.
Aos 50 anos, o ex-professor substituto de História chegou a Portugal em fevereiro de 2019 e tentava se estabilizar para levar a mulher e os quatro filhos. Trabalhou como servente e ajudante de carpintaria, diz que ganhava € 900 e mandava € 500 para família. Com o restante, pagava despesa com alimentação e o quarto em que vivia até, conta ele, ser despejado e dormir na calçada do aeroporto desde sábado. Já havia desistido de embarcar na quinta-feira quando houve uma reviravolta, vagou um assento e ele conseguiu um dos últimos lugares no voo, que quase saiu sem ele:
— Se não fosse a enorme quantidade de doação de alimentos que recebemos, estaria mendigando nos últimos dias. Meus trabalhos eram sem contrato e não dei entrada em documento nenhum, não tinha residência nem para onde ir, assim como muitos que ficaram e não vamos deixar para trás. Queremos que o consulado os assuma.
O cônsul-geral adjunto garantiu que ninguém embarcará “no grito” nesta segunda fase de repatriamento.
— Não fazemos caridade com dinheiro público. A pessoa se inscreve, a situação é analisada e confirmada. Não adianta ficar no aeroporto, porque no grito não entra — disse Hossanah, confirmando que os lugares que sobraram foram selecionados pelos próprios brasileiros que passaram as noites na calçada.
O ministro afirmou que será aberto um novo cadastro, que poderá determinar a quantidade dos possíveis voos extras, caso os recursos sejam autorizados.
— Poderá haver um 7º, 8º e 9º voos, depende da necessidade. Agora, é residente em Portugal, mas perdeu emprego? Então tem que recorrer às medidas de apoio do governo português. Não posso ter 20 mil querendo embarcar, não é hora de sentir saudade do Brasil. Esperamos que a economia de Portugal comece a retomar e contratar. A solução real é por aí, não pela ajuda pública. Somos só uma solução passageira — declarou Hosannah.
O Globo Saturday, 02 de May de 2020
RECEITAS PARA FAZER NO FORNO
Receitas para fazer no forno
Chefs dão o passo a passo de assados como a lasanha de abobrinha do Caju, de preparo fácil, e o famoso pargo ao sal grosso do Satyricon
Bruno Calixto
02/05/2020 - 04:30
Lasanha de abobrinha. Leandro Barros (Caju) Foto: Divulgação
Para quem não tem muita habilidade no manejo de várias panelas ao mesmo tempo, e procura uma maneira mais fácil de preparar as refeições, uma solução é arrumar tudo de uma vez numa assadeira e apenas tomar conta do tempo que o prato leva no forno.
— Essas receitas são práticas e saudáveis. Enquanto o forno cuida da comida, você pode se dedicar a outras coisas. Gosto muito de confitar alimentos no forno em temperatura baixa: caponata com bastante azeite, coxa de pato na gordura do próprio pato, cebola com azeite... — enumera a chef Manoela Rabin, da Maison Cocotte, em Itaipava.
Lá, ela prepara boa parte do cardápio no forno.
— Você envolve o alimento em papel-manteiga ou alumínio para assar, é como uma panela de pressão em miniatura. O resultado é uma comida leve e saborosa — diz Manoela.
Monique Gabiatti, chef do Cozinha (no Be+Co), faz no forno uma espécie de petit gâteau com queijos brasileiros.
— É uma receita fácil de preparar para dar uma variada no cardápio de casa nestes tempos de distanciamento. E todo mundo gosta de queijo derretido. É irresistível, e as crianças também adoram — comenta Monique
Batata recheada com queijo de cabra e ervas
Manoela Rabin (Cocotte)
Ingredientes
2 batatas lavadas grandes
300g de queijo boursin (queijo de cabra fresco)
2 colheres de sopa de azeite extra virgem
2 colheres de sopa de manjericão fresco picado
2 colheres de sopa de cebolette picada
2 colheres de sopa de queijo parmesão ou gruyere ralados
2 colheres de sopa de creme de leite fresco
Sal a e pimenta a gosto
Algumas fatias de presunto de Parma (opcional)
Preparo
Leve as batatas higienizadas e com casca inteiras ao forno até que fiquem cozidas. Enquanto elas cozinham, pegue uma tigela e misture com um garfo o queijo boursin, o azeite, o creme de leite, a cebolette e o manjericão. Reserve. Ao retirar as batatas do forno corte-as ao meio no sentido longitudinal (no sentido do comprimento). Com uma colher retire com cuidado o recheio das batatas sem perfurá-las. Em uma tigela amasse e tempere o recheio com pimenta e um pouco de sal. Misture com metade da mistura do boursin. Reserve a outra metade. Preencha cada batata com a mistura. Coloque por cima de cada metade um pouco de parmesão. Leve ao forno médio para gratinar (cerca de oito minutos). Disponha as batatas no prato e por cima adicione uma colher de sobremesa com a outra metade do boursin em cada uma. Se quiser distribua as fatias de Parma por cima e sirva imediatamente.
Queijo camembert em massa folhada
Ignácio Peixoto (Bluemoon)
Queijo camembert em massa folhada. Ignácio Peixoto (Bluemoon) Foto: Divulgação/Souza
Ingredientes
1 peça de 140g de queijo camembert
50g de massa folhada
10ml de azeite trufado (se tiver)
10m azeite de oliva
23g de rúcula
20g de tomate cereja
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Preparo
Tempere o queijo com azeite trufado e pimenta. Envolva o mesmo com a massa folhada. Leve ao forno por 25 minutos a 180 graus. Corte o tomate cereja ao meio. Misture com a rúcula. Temperar com sal, pimenta e azeite de oliva. Sirva o queijo ainda quente em um prato com a salada de rúcula e tomates ao redor.
Filé de namorado com abobrinha
Piero Cagnin (Zona Sul)
Filé de namorado com abobrinha. Piero Cagnin (Zona Sul) Foto: Divulgação/Pierro Cagnin
Ingredientes
700g de filé de namorado
2 abobrinhas italianas grandes
2 dentes de Alho
70ml de azeite extra virgem
1 limão Siciliano
Sal a gosto
1 pimenta-do-reino branca a gosto
2 folhas de Louro
Papel Alumínio
Preparo
Tempere o filé de namorado com sal e pimenta, suco do limão e um fio de azeite. Corte as abobrinhas em rodelas de aproximadamente 1cm. Em um tabuleiro, regue com o azeite restante e distribua as abobrinhas cortadas e temperadas com sal e pimenta como uma cama para o peixe. Acrescente o peixe, os dentes de alho e as folhas de louro, cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 200 graus durante 20 minutos. Sirva ainda quente.
Lasanha de abobrinha
Leandro Barros (Caju)
Ingredientes
2 abobrinhas grandes
2 tomates grande
Manjericão de folha
300g de queijo muçarela
2 pacotes de molho de tomate
Preparo
Corte a abobrinha em rodelas ou compridas, à sua escolha. Corte os tomates em rodelas finas. Em um refratário coloque o molho de tomate, em seguida uma camada de abobrinha, após uma camada de queijo. Em cima do queijo acrescente as rodelas de tomate e uma camada de queijo novamente. Faça essa sequência até finalizar a lasanha. Entre as camadas adicione o manjericão e sal a gosto. Leve ao forno a 180 graus por 25 minutos.
Pargo no sal grosso
Miro Leopardi (Satyricon)
Pargo no sal grosso. Miro Leopardi (Satyricon) Foto: Pagano / Divulgação/Rodrigo Azevedo
Ingredientes
1 pargo fresco de 800g
2kg de sal grosso
Preparo
Limpe o peixe sem retirar as escamas nem as barbatanas. Forre a travessa com sal e coloque o peixe. Cubra-o inteiramente com o sal restante, como se tivesse fazendo um iglu. Leve ao forno pré-aquecido na temperatura máxima e deixe por 25 minutos sempre no fogo mais alto. Ponha a travessa na bandeja e leve à mesa. Quebre a camada de cima com a ajuda de uma espátula e remova a pele, as escamas e as barbatanas do pargo. Retire o filé de peixe inteiro. Caso queira pode servir com batatas cozidas.
1 Kg de bacalhau fresco dessalgado cortado em quatro pedaços de 250g
500ml de azeite extra virgem
600g de batata calabresa (limpas e branqueadas)
4 tomates maduros ou 20 tomates cereja
2 cebolas ou 4 chalotas
20 azeitonas pretas portuguesas
8 dentes de alho
2 folhas de louro
8 unidades de pimenta preta em grão
1/2 xícara de folhas de salsinha
4 ramos de tomilho
Flor de sal a gosto
Pimenta do reino moída a gosto
Preparo
Limpe o bacalhau fresco dessalgado, tirando as espinhas e a pele, e corte em quatro pedaços de 250g. Em uma assadeira, coloque o bacalhau, as batatas, tomate, cebola, alho, folhas de louro e ervas frescas. Regue com azeite à vontade. Asse em forno bem baixo, a cerca de 80 graus, por uma hora. Decore e sirva bem quente. Sugestão de acompanhamento: arroz branco ou com brócolis.
Petit gâteau de queijo
Monique Gabiatti (Cozinha)
Petit gâteau de queijo. Monique Gabiatti (Cozinha) Foto: Divulgação/Roberto Galvão
Ingredientes
5 colheres (sopa) de Catupiry
4 colheres (sopa) de queijo Tulha (ou parmesão )
2 colheres (sopa) de queijo Canastra ralado fino (ou meia cura)
5 colheres (sopa) de manteiga
2 ovos
2 gemas
2 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada
Sal e pimenta do Reino à gosto
Preparo
Misture os queijos, a manteiga, os ovos e as gemas e leve ao banho-maria, mexendo sempre, até ficar homogêneo. Fora do fogo, acrescente a farinha, o sal e a pimenta-do-reino a gosto. Misture bem até obter um creme. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por no mínimo uma hora (precisa descansar). Distribua em forminhas de petit gâteau ou de empada untadas com manteiga e farinha de trigo (igual fazemos com bolo), sem encher totalmente, e leve ao forno quente preaquecido a 250° graus por sete a dez minutos ou até a borda ficar firme e o centro molinho. Desenforme e sirva em seguida, ainda quente. Finalize com azeite trufado (se tiver) e sirva com aspargos grelhados e presunto cru.
O Globo Friday, 01 de May de 2020
CHEFS ENSINAM DE ENTRADA A SOBREMESA
'Mestre do sabor': chefs do reality gastronômico abrem seus cadernos de receitas
Claude Troisgros, Katia Barbosa, Leo Paixão, Rafa Costa e Silva e José Avillez estrelam segunda temporada do programa da TV Globo, que estreia dia 30
Bruno Calixto
28/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 28/04/2020 - 11:35
Batista, Leo Paixão, José Avillez, Claude Troisgros, Katia Barbosa e Rafa Costa e Silva, na segunda temporada de 'Mestre do sabor'
Esta é sua chance de fazer parte do programa “Mestre do sabor”, da TV Globo. Os chefs Claude Troisgros, Katia Barbosa, Leo Paixão, Rafa Costa e Silva e José Avillez — jurados do reality gastronômico cuja segunda temporada estreia quinta-feira na Rede Globo — compartilham aqui o passo a passo de algumas das suas receitas, da entrada à sobremesa.
Batista, Leo Paixão, José Avillez, Claude Troisgros, Katia Barbosa e Rafa Costa e Silva, na segunda temporada de 'Mestre do sabor' Foto: Divulgação/Camila Maia (TV Globo)
— O isolamento tem um misto de emoções. Estou aproveitando o tempo em casa com minha mulher e meus filhos e cozinhado muito em conjunto — comenta o português José Avillez, que gravou os primeiros episódios da segunda temporada e voltou para seu país quando foi decretada a pandemia.
— Estamos em isolamento total na Serra Fluminense, eu, minha mulher e meu filho que acabou de fazer 2 anos. Quarentena no meio das galinhas e dos ovos que elas botam, a gente não para. Preparamos galinha ao m olho pardo com salada fresca da horta, entre outras receitas assim conta o chef, que aqui ensina uma entrada.
Já a sobremesa ficou a cargo de Claude Troisgros.
— Como sou chocólatra, certamente teria que ser algo com chocolate.
Aperitivo de peixe com banana e creme ácido
Rafa Costa e Silva
Rafa Costa e Silva. Aperitivo de peixe com banana e creme ácido Foto: Divulgação
Ingredientes
2 bananas prata verde
300g de filés de peixe (pargo, olho de cão ou similar) sem pele
3 limões
100g de açúcar
200g de sal grosso
Flor de sal
50ml de vinagre branco
1 dente de alho
1 litro de óleo de girassol
1 ovo e mais uma gema
Azeite extra -virgem
Sal fino
Coentro, hortelã, endro
Preparo
O peixe: misturar açúcar, sal grosso e raspa de dois limões, colocar num tabuleiro e deixar os lombos de peixe sobre a mistura por a 90 minutos. Retirar a mistura com um pano úmido. Em seguida, marinar o outro lado do peixe.
As bananas: aquecer metade do óleo a 180 graus. Cortar a banana em fatias de 2cm e prensá-las com ajuda de plástico filme. Colocar as bananas no vinagre com um dente de alho descascado por dois minutos. Secar com papel toalha e fritar até ficar bem dourado. Acrescentar sal assim que retirar do óleo.
Creme ácido: com um mixer de mão num copo alto e largo, bater bem o ovo inteiro, mais uma gema e sal. Em seguida, acrescentar aos poucos o restante de óleo. Quando estiver bem firme, adicionar, sem deixar de bater, o caldo coado de dois limões.
Montagem: laminar o peixe bem fino (como um sashimi). Juntar as ervas num bowl e temperar com azeite, gotas de limão e flor de sal. Serve quatro pessoas.
Cherne com moquequinha de caju
Leo Paixão
Leo Paixão. Cherne com moquequinha de caju Foto: Divulgação
Ingredientes
6 filés de cherne de 200g cada
4 tomates cortados grosseiramente
2 cebolas cortadas grosseiramente
1/2 pimentão vermelho e 1/2 amarelo cortados grosseiramente
1 tomate em cubos
1 cebola em cubos
6 cajus cortados em cubos
1/2 pimentão vermelho e 1/2 amarelo em cubos
1/2 copo de leite de coco
2 colheres de sopa de dendê
1 maço de coentro
Sal a gosto
1 copo de leite
1 copo de leite de coco
2 colheres de sopa de amido
1 colher de chá de açúcar
Preparo
Temperar os peixes com sal e grelhar brevemente um lado. Colocar numa assadeira com o lado grelhado para cima e pré-aquecer o forno a 220 graus. Bater os tomates, pimentões e cebolas cortados grosseiramente no liquidificador. Colocar numa panela com o leite de coco, temperar com sal e ferver por 15 minutos. Adicionar tomate, cebola, cajus e pimentões em cubos. Ferver mais 15 minutos. Corrigir o sal. Reservar. Misturar leite, leite de coco, amido, açúcar e sal numa panela. Levar ao fogo mexendo até engrossar. Reservar. Levar os peixes ao forno por 10 a 15 minutos. Montar o prato com o coco por baixo, peixe e a moqueca de caju por cima. Se quiser, finalizar com amendoim torrado e batido.
Cordeiro estufado com canela, hortelã e damasco
José Avillez
José Avillez. Cordeiro estufado com canela, hortelã e damasco Foto: Divulgação/Boa Onda Produções
Na véspera, coloque o cordeiro num tabuleiro fundo com cebola, cenoura, alho, cogumelos, hortelã, canela, molho de soja, mel, vinho, sal e pimenta. Tape com película aderente e coloque na geladeira. No dia seguinte, retire o cordeiro da marinada e seque-o um pouco. Numa frigideira (se possível de ferro, que possa ir ao forno), num fio de azeite bem quente, junte as pernas de cordeiro com a pele voltada para baixo. Deixe caramelizar de todos os lados. Junte os legumes da marinada, previamente escorridos, e um dos paus de canela . Acrescente os damascos, regue com o líquido da marinada e um pouco de água (até cobrir 50% da perna). Deixe levantar fervura e tape. Leve ao forno a 120 graus, por três horas.
Molho: Junte ao iogurte algumas folhas de hortelã picadas grosseiramente, o pepino cortado finamente (sem sementes e sem pele), suo de limão, sal e pimenta.
Prepare o cuscuz de acordo com as indicações da embalagem. Depois de cozido, solte com um garfo e tempere com sal, pimenta e azeite. Serve quatro pessoas.
Fudge de chocolate
Katia Barbosa
Katia Barbosa. Fudge de chocolate Foto: Divulgação
Ingredientes
400g de chocolate amargo picado
390g de leite condensado
2 colheres de manteiga
1/2 xícara de amendoim
1/2 xícara de castanha de caju
Preparo
Derreter todos os ingredientes em banho-maria. Forrar com plástico uma forma e colocar toda mistura nela, nivelar e descansar põe duas horas na geladeira, cortar pequenas barras e servir. Serve seis pessoas.
Tuile rendada com calda de chocolate
Claude Troisgros
Claude Troisgros. Tuile rendada com calda de chocolate Foto: RODRIGO AZEVEDO FOTOGRAFIA / Divulgação/Rodrigo Azevedo
Ingredientes
100g de farinha de amêndoas
100g de açúcar de confeiteiro
15g de farinha de trigo
80g de manteiga derretida fria
20ml de sumo de laranja
... para o recheio
100g de creme chantilly
250g de creme de confeiteiro
... para a calda de chocolate
75ml de leite
150g de chocolate em pó
40g de manteiga
1 pitada de sal
Preparo
Misture a farinha de amêndoas com o açúcar e a farinha de trigo. Acrescente a manteiga derretida, o suco de laranja e deixe repousar por duas horas. Faça pequenas bolas com essa massa e coloque-as bem espaçadas uma da outra em tabuleiro antiaderente. Asse a 180 graus até caramelizar. Misture os ingredientes do recheio bem devagar, sem bater, até tudo incorporar. Reserve. Para a calda, ferva o leite e adicione o chocolate. Misturar sem ferver. Acrescente a manteiga e o sal, misturando bem. Monte a tuile em camadas alternadas de recheio e biscoito, cobrindo com a calda de chocolate. Serve quatro pessoas.
O Globo Thursday, 30 de April de 2020
ALFREDO HITCHCOCK - 40 ANOS DE MORTE
Alfred Hitchcock: 40 anos de morte. Crítico indica filmes disponíveis em streaming
De obras-primas do realizador ao documentário que mostra sua entrevista a François Truffaut
Mario Abbade
29/04/2020 - 10:40 / Atualizado em 29/04/2020 - 13:08
'Pisicose' Foto: Divulgação
Sinônimo de suspense, Alfred Hitchcock (1899-1980) se consagrou como um ícone da cultura e, apesar de morto há 40 anos, continua sendo, no mundo, o diretor mais citado por outros cineastas. Sua influência não fica restrita a certos gêneros, chegando ao drama, à ação e mesmo à comédia. Isso porque Hitchcock conhecia a necessidade de trafegar com desenvoltura por essas diferenças para obter do público a reação desejada em cada sequência milimetricamente pensada. O diretor, que afirmava que “o problema não está no clichê, mas em saber como usá-lo”, sabia como ninguém usar os clichês de cada gênero e a importância da imagem para o cinema. Abaixo, uma lista de filmes para entender a mente do gênio.
‘Um corpo que cai’
James Stewart e Kim Novak em cena de "Um corpo de cai" Foto: Divulgação
É considerado, em inúmeras listas de especialistas, o melhor filme de todos os tempos, numa disputa acirrada com “Cidadão Kane”, de Orson Welles. Segundo o diretor Martin Scorsese, “um perfeito e profundo estudo sobre a obsessão humana, num ritmo que lembra os filmes de arte europeus”. Now.
‘Psicose’
O divisor de águas entre os filmes sobre assassinos em série traz uma combinação genial de conteúdo e estilo. A cena do chuveiro está entre as dez mais influentes da história do cinema, já que Hitchcock conseguiu transformar um banho em algo tão assustador que, depois de “Psicose”, muita gente passou a trancar a porta do banheiro. Telecine, Now, Google Play e Apple TV.
‘Janela indiscreta’
Cena do filme 'Janela indiscreta', de Alfred Hitchcock Foto: Reprodução
O mestre do suspense sacramentou a palavra voyeur na cultura pop ao colocar um fotógrafo tomando conta dos vizinhos quando fica preso em casa por causa de um acidente. Uma influência para programas como o “Big Brother Brasil”. Looke, Google Play e Apple TV.
‘Os pássaros’
Um dos filmes mais alegóricos e abstratos de Hitchcock, que aqui bebe da fonte de “Moby Dick”, de Herman Melville, mas para abordar temas como a culpa, o castigo, o caos e a tensão sexual, entre outros. Telecine, Now, Looke, Google Play e Apple TV.
‘Intriga internacional’
O filme pode ser comparado aos blockbusters de hoje, guardadas as devidas proporções, já que o diretor investe na fórmula do homem que cai por acaso na armadilha da Guerra Fria com a elegância de sempre. É Hitchcock fazendo um comentário sobre a paranoia com o comunismo. Looke, Google Play, Apple TV, Oldflix.
‘Disque M para matar’
Esse projeto expõe a pretensão de se cometer o crime perfeito, e Hitchcock faz uso do 3D para colocar o espectador dentro da trama. Looke, Google Play, Apple TV, Oldflix.
‘O homem que sabia demais’
Nos anos 50, a atriz estrelou comédias, musicais e melodramas, incluindo o thriller de Alfred Hitchcock, “O Homem que Sabia Demais” (1956). Uma das canções do filme, “Que Será, Será” — com a qual Doris especialmente se identificava — ganhou um Oscar. Foto: Reprodução
Aqui vemos o diretor fazendo um remake de seu filme homônimo de 1934, e a ação ganha mais destaque para abordar um dos seus temas preferidos: o homem comum pego numa conspiração internacional. Ao mesmo tempo, é inesquecível ver Doris Day cantando “O que será, será”. Now, Google Play.
‘Festim diabólico’
Um belo exercício de experimentação de linguagem e uma obra-prima em técnica, na qual Hitchcock entrega o que seria um filme sem cortes. Ele trata nas entrelinhas da vaidade e de uma relação homossexual ambígua. Telecine Google Play e Apple TV.
‘Ladrão de casaca’
Destino. Grace Kelly e Cary Grant em cena de "Ladrão de casaca", de 1955: atriz conheceu o príncipe Rainier na época das filmagens, em Mônaco Foto: Divulgação 23/05/1987
É o filme mais romântico, elegante e glamoroso de Hitchcock, em que o diretor britânico demonstra o quanto um longa sobre um ladrão pode ser sofisticado. Amazon, Telecine, Google Play, Microsoft, Apple TV.
‘Rebecca, a mulher inesquecível’
Inspirado no best-seller de Daphne du Maurier, Hitchcock demonstra que um filme pode acrescentar novos valores a um livro famoso. O longa marca a estreia dele em Hollywood, quando o produtor mão de ferro David O. Selznick (de “...E o vento levou”) ficou com o Oscar de melhor filme, mas Hitchcock ficou sem o prêmio de melhor diretor. Pior para a Meca do cinema. Now, Looke, Oldflix.
‘O terceiro tiro’
O mestre do suspense faz rir com o corpo de uma pessoa para explicar o MacGuffin: dispositivo do enredo, na forma de algum objetivo, objeto desejado, ou outro motivador, que o protagonista persegue, muitas vezes com pouca ou nenhuma explicação narrativa. É Hitchcock usando o humor negro para dar uma aula divertida de cinema. Telecine.
‘Hitchcock e Truffaut’
O brilhante documentário, lançado no Festival de Cannes de 2015, capta parte da famosa entrevista de Alfred Hitchcock a François Truffaut em 1962. É uma ilustração do lendário livro em que Truffaut conversa em detalhes sobre todos os filmes do cineasta britânico. O documentário, dirigo por Kent Jones, tem a participação dos diretores Wes Anderson, Olivier Assayas, Paul Schrader, Arnaud Desplechin, David Fincher, James Gray, Richard Linklater, Kiyoshi Kurosawa, Martin Scorsese. Now.
* Mario Abbade é crítico de cinema do GLOBO.
O Globo Wednesday, 29 de April de 2020
GILBERTO GIL FALA SOBRE O PÓS-PANDEMIA
Gilberto Gil sobre o pós-pandemia: 'Se vamos recomeçar, deixaremos para trás muito do que temos sido até aqui'
Isolado na serra, onde gravou dueto com a neta, artista acompanha a 'marcha devastadora' da pandemia. Nesta quinta (30), ele lança disco com o
BaianaSystem
Maria Fortuna
29/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 29/04/2020 - 08:09
Gilberto Gil em Araras, na serra fluminense, onde passa a quarentena Foto: Flora Gil
Gilberto Gil está isolado há sete semanas na casa da família em Araras, no Rio. O compositor, de 77 anos, estava na Dinamarca quando a pandemia começou, em março. Encerraria por lá a turnê do disco, "Ok ok ok", mas o show foi cancelado. Voltou, então para o Rio, subiu a serra fluminense dois dias depois e de lá não saiu mais.
Como a casa é grande, ele e Flora, sua companheira há quase 40 anos, têm recebido filhos, genros e noras, dividindo as famílias em grupos separados. Flor, filha de Bela Gil, esteve por lá e protagonizou um momento fofo nesta quarentena: um dueto com avô cantando “Volare”. Dedicada a uma Itália assolada pelo coronavírus, a performance emocionou nas redes sociais.
Pela internet, ele também lança amanhã, junto com o BaianaSystem, o disco “Gil Baiana Ao Vivo Em Salvador”.
Capa do disco Gil Baiana Ao Vivo em Salvador Foto: leo / Reprodução
Registro do show que marcou um encontro de gerações, em novembro de 2019, o álbum mistura um repertório de clássicos de Gil (“Extra” e “Emoriô”) e do Baiana (“Água” e “Dia da Caça”).
— O BaianaSystem é a Bahia viva, né? É uma honra estar associado a um grupo contemporâneo dessa qualidade — diz o músico.
Nesta conversa por email, ele, que sempre refletiu sobre os mistérios que hão de pintar por aí em sua obra, conta o que anda passando pela sua cabeça nesses tempos estranhos.
Como tem sido o seu dia a dia, o isolamento é difícil para você? Do que mais tem sentido falta?
Acompanho os noticiários na TV, atualizo a correspondência no e-mail e no WhatsApp, faço alguma ginástica, tomo um pouco de sol, quando ele aparece, leio livros, toco violão, gravo músicas e entrevistas “live" atendendo às solicitações que vão aparecendo, faço as três refeições, tomo meus remédios e durmo, de sete a oito horas por noite. Adoro os papos com a família sobre tudo que nos aflige ou nos conforta.
Viveu algum momento especial neste tempo. O dueto com Flor em "Volare" foi um deles, não?
Sim, foi muito especial cantar e gravar “Volare”, a pedido da Itália, com a Flor que esteve em quarentena conosco por cinco semanas. Ela já voltou com os pais para São Paulo. Também adorei cortar os cabelos do meu neto Dom que queria um corte à la Ronaldo na Copa de 2002. Ele gostou. Ficou legal.
Preta Gil foi uma das primeiras a contrair Covid-19 no Brasil. Ela contou que sua voz dizendo que ficaria tudo bem a acalmava. Tinha mesmo esse certeza, teve medo de a situação dela se agravar?
A posição da medicina, que considerava a doença menos severa para os mais jovens, me dava confiança quanto à capacidade de ela se recuperar sem maiores problemas. Foi o que aconteceu. Agora ela vai mantendo o isolamento e se fortalecendo para voltar ao trabalho, quando for possível.
O que está lendo e ouvindo?
Estou lendo “Armas, germes e aço”, livro do Jared Diamond que me presentearam um tempo atrás e que ainda não havia lido. Também estou lendo “Biocentrism”, do Robert Lanza com Bob Berman, que minha filha Bela me trouxe quando veio passar uns dias conosco. Acesso muitos sites de ciência para ler sobre a pandemia e outos assuntos que me interessam. Não tenho escutado nada em especial.
Em "Lunik 9", você cantou: "Poetas, seresteiros, namorados, correi/ é chegada a hora de escrever e cantar/ talvez as derradeiras noites de luar/ momento histórico, simples resultado do desenvolvimento da ciência viva", sobre a chegada do homem à Lua. Estamos vivendo outro momento histórico. É chegada a hora de escrever e cantar? Está inspirado, compondo algo novo?
Sem dúvida, estamos vivendo um momento que vai ficar na História como marcante e transformador. Já é muito grande o número de ensaios e artigos de cientistas e de representantes de todos os campos do conhecimento, dando conta de tantas novas interrogações suscitadas pelo coronavírus e tudo que ele trouxe. As manifestações artísticas virão em seguida. Eu ainda não senti nenhum impulso em direção a compor e traduzir em canções o suspense do momento. Tenho cantado sempre a canção “Por um triz” ("sou feliz por um triz/ por um triz sou feliz/ mal escapo à fome/ mal escapo aos tiros/ mal escapo aos homens/ mal escapo ao vírus/ passam raspando/ tirando até meu verniz"), de que me lembrei quando o vírus apareceu. É um rock pesado que gravei com meu filho Pedro à bateria, para o disco "Raça Humana".
Em sua obra, você sempre refletiu sobre os mistérios da vida, sobre a morte. Como percebe o atual momento e como tem se sentido diante dele?
A princípio, muito comovido. Em seguida, muito interessado em acompanhar a marcha devastadora da pandemia e em buscar a proteção pessoal e da família. Agora que a ciência e a medicina intensificam sua corrida atrás do vírus, eu vou tentando acompanhar, com a maior atenção, as buscas pelas vacinas e pelos remédios, a adaptação das atividades produtivas às novas exigências, as transformações nas formas de convívio e as novas disposições do amor e do afeto. É muita coisa. Em meio a tudo isso, é claro, um pouco de medo e pesar. Temeroso, um pouco, com a intensificação e sofisticação das ferramentas de vigilância e controle que podem estimular um certo fascismo sistêmico que ronda boa parte do mundo.
Vivemos dias que parecem refletir mesmo muitas de suas canções. Como em "Tempo rei", acha que essa pandemia "transformará as velhas formas do viver"?
Um pouco. Na medida do inevitável. Vários impulsos nos usos das tecnologias, no desenvolvimento da saúde e da educação, do urbanismo, da ecologia, na economia política, no papel do estado. E tantos outros impactos ainda por sentir e vislumbrar.
Na sua visão, estamos mais para um recomeço ou para o fim do mundo?
Se vamos recomeçar, deixaremos para trás muito do que temos sido até aqui. Ao assumirmos um novo mundo, estaremos nos encaminhando, de novo, para um novo fim. E assim por diante de si mesmo, ad infinitum.
O atual surto de compaixão e solidariedade e compaixão de hoje vão refletir no amanhã? Vamos sair melhor dessa?
É razoável considerar que estamos sempre melhorando em algum aspecto e piorando num outro. Tanto o positivo quanto o negativo vão deixando os seus resíduos. Simultaneamente.
Como faço para falar com Deus?
Eu tenho percebido que todas as representações do mundo, através das palavras e das linguagens, dos números e das medidas, das ideias e dos conceitos, dos sentidos e do silêncio, é o tudo e o nada que se dá no campo da consciência.Tudo que se dá no plano da vida, que é uma reiteração permanente dessa consciência. Não tenho como escapar da consciência e é nela que se dá o tudo/nada que poderíamos chamar de Deus. Ao viver, portanto, vivo Deus. Falar com Deus é estar vivo. Falo com ele o tempo todo através das várias formas de diálogo com o mundo via consciência.
O melhor lugar do mundo tem que ser sempre aqui e agora? Pecisamos aprender a parar de projetar o futuro e viver o presente com atenção plena?
Lugar é sempre aqui, tempo é sempre agora. Atenção plena é plena consciência. E até mesmo a projeção se passa nesse aqui/agora. Dentro dessa consciência.
Nessa quarentena, perdemos Moraes Moreira, Rubem Fonseca, Garcia-Roza em meio a um silêncio do atual governo. O que acha disso?
O governo está absorvido pela Covid e suas mortes anônimas. A secretaria da Cultura que, em tese, seria o setor encarregado de lembrar dessas mortes de figuras públicas de relevo cultural acima referidas, está com suas operações prejudicadas pelo pandemônio da pandemia.
Vivemos um momento de transformação também na relação entre público e artistas. A cultura também terá que passar por uma reinvenção pós-pandemia? Em que direção?
Novas direções para essas reinvenções podem ser as mais variadas possíveis. Desde o fortalecimento desses novos sistemas de interação com os públicos (os shows domésticos, a disponibilização via internet de arquivos e acervos de museus, teatros, bibliotecas, televisões e tanta coisa mais), até a volta gradual aos modos convencionais de interação, a medida que forem caindo os isolamentos, as quarentenas, os lock-downs. É difícil apontar com segurança como vai ficar esse novo mundo que vem por aí.
Está se cuidando? Porque precisamos muito de você….
Ok, Ok, Ok… Vou indo em frente. Cuidando da saúde e tudo mais.
Você tem medo de morrer?
Tenho. Como todo mundo. Nas minhas orações, a única coisa que peço à vida é a boa morte. De resto, a vida tem me dado o que preciso para tocá-la adiante 0 não me esquecendo da primeira sentença das escrituras védicas: “Tudo é sofrimento”.
O Globo Tuesday, 28 de April de 2020
ESTRELAS DA MÚSICA POP REVIVEM ESTILO DOS ANOS 1990
De Dua Lipa a Ariana Grande, estrelas da música pop revivem estilo dos anos 1990
Tirando inspiração da infância, artistas recriam estilo, som e videoclipes do auge de artistas como Britney Spears, Jennifer Lopez e N'Sync
Lindsay Zoladz, do New York Times
28/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 28/04/2020 - 08:37
Colagem de figuras do pop atual e de astros da música nos anos 1990: referências recorrentes Foto: Arte de Margeaux Walter / NYT
RIO - O vídeo colorido de “Break my heart”, canção de Dua Lipa, parece se desenrolar num período indeterminado — ou na flutuante atemporalidade do videoclipe pop. Ao longo de quase quatro minutos, a cantora britânica e seus dançarinos desfilam em minissaias e babados sobre uma pista de dança azul-marinho. As cenas parecem extraídas do filme “As patricinhas de Beverly Hills”, de 1995. O álbum de Dua Lipa ainda tem um título oportuno: “Future nostalgia” (“Nostalgia do futuro”, em tradução livre).
Algo nessa frase cristaliza uma estética que vem borbulhando ao longo dos últimos anos, quando uma geração de artistas nascidos nos anos 1990 ganhou o estrelato musical e começou a controlar as tendências emergentes da música pop. São nomes como Ariana Grande (nascida em 1993), Normani (de 1996), Charli XCX (de 1992), Troye Sivan (de 1995), Summer Walker (de 1996) e SZA (de 1990). Todos eles têm criado letras e videoclipes que parecem recordar e, de certa forma, reescrever suas primeiras memórias musicais.
A nostalgia dos anos 1990 está longe de ser uma novidade: o cenário da cultura pop segue repleto de marcas do início daquela década. Mas o tempo avança, e um passado de aproximadamente 20 anos atrás se torna estiloso novamente. Agora, os artefatos pop quase esquecidos do final do segundo milênio — as boy bands, os flashs futuristas e a purpurina em excesso — estão sendo redescobertos e transformados pelas estrelas mais jovens.
A moda e o design já haviam entendido, antes, essa tal "nostalgia do futuro". Em 2016, Evan Collins criou um Tumblr popular chamado Institute for Y2K Aesthetics, descrito como um compêndio de artigos "de uma época em que o futuro era calça de couro apertada, sombra prateada, roupas brilhantes, óculos prateados e aparelhos eletrônicos esquisitos".
Em julho de 2019, a revista "GQ" publicou uma matéria sobre por que, de repente, influências dos anos 2000 se tornaram a coisa mais quente do mundo das roupas vintage. Ousado e obcecado por projeções sobre o futuro, o estilo daquela janela de tempo entre 1995 e 2001 foi o resultado de uma “mistura de entusiasmo e ansiedade com a expansão da tecnologia na virada do milênio", como observou a escritora Erin Schwartz.
O mesmo aconteceu com a música, à época.
Fusão do 'artificial' com o 'real'
A era do bug do milênio coincidiu com o surgimento do pop adolescente cantado por nomes como Britney Spears, N’ Sync e Backstreet Boys, além do R&B futurista de TLC, Destiny’s Child e Aaliyah. O que unia todos esses sons era uma fusão “ciborguiana” do “artificial” e do “real”: o violão sob o brilho digital de “No scrubs”, do TLC; a nota de piano que martela o mesmo som, processado digitalmente por Spears.
Naquela época, a indústria da música continuava otimista e endinheirada — antes de ser afetada pela internet e o compartilhamento de arquivos MP3. As gravadoras apostavam felizes em estrelas em potencial e desembolsavam altas quantias em videoclipes conceituais.
Britney Spears em show na Apoteose Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
Mas algo pareceu fora do lugar quando Ariana Grande, atração principal do Coachella em 2019, anunciou seus convidados surpresa: quatro dos cinco membros do N’Sync. O roteiro havia mudado: a jovem fã agora era a artista toda-poderosa. “Eu venho ensaiando toda a minha vida para este momento”, disse Ariana para a multidão — e os galãs futuristas do passado estavam reduzidos a amáveis figuras nostálgicas.
Variações na estética dos anos 2000 vêm se infiltrando, há muito tempo, fora do mainstream americano, seja nos estilos experimentais do gênero PC Music ou no sucesso global de grupos femininos perfeitamente coreografados e bandas masculinas do K-pop. Ainda assim, para o ouvinte comum, o álbum mais recente de Ariana Grande, “Thank u, next” (de 2019), representou a atualização de maior perfil já feita no pop “millennial”.
No atrevido single “Break up with your girlfriend, I’m bored”, a cantora dá uma repaginada no refrão de “Makes me ill”, do N’Sync, agora com um palavrão que as rádios não estavam preparadas para difundir 20 anos atrás. O enorme sucesso de “Thank u, next” evoca também a aparente leveza do pop millennial — no videoclipe, a cantora faz cosplay de personagens de alguns dos filmes adolescentes mais amados de sua época, como “Meninas malvadas” (2004).
Justin Timberlake, ex-N’ Sync, não participou do show de Ariana no Coachella, mas fez uma parceria com o ícone millennial SZA em “The other side”, da trilha sonora de “Trolls 2” (2020). Filmado com uma lente “olho de peixe”, que aumenta as proporções em cena, o clipe realça uma extravagância retrô-futurista num cenário que remete a uma nave espacial, com SZA usando figurinos brilhantes parecidos com os de Britney Spears em “Toxic”.
Um mês antes, a nova estrela do R&B Summer Walker lançou "Come thru", um single sensual que reedita o clássico de 1997 de Usher, "You make me wanna ...", e apresenta o próprio Usher como amante de vídeos musicais de Walker. Envelhecer um galã parece ser a tendência mais quente da temporada!
Mas nenhum videoclipe conjurou o pop da virada do milênio tão bem quanto “Motivation”, de Normani, que presta homenagem direta a Britney, Jennifer Lopez e Beyoncé no início da carreira solo. Charli XCX e Troye Sivan prestaram seu tributo com “1999”, sua ode aos dias de glória do pop. O vídeo hilário tem mais paródias sobre o final dos anos 90 do que “All the small things”, do Blink-182.
Pode parecer surreal cultivar nostalgia por uma época que parece ter acontecido há tão pouco tempo. Mas se determinada estética se torna mais fácil de identificar em retrospectiva, também sobressai mais claramente o que perdeu a validade. O bug do ano 2000 nunca veio e não precisamos nos isolar em bunkers — foi preciso esperar duas décadas para que uma pandemia fizesse isso. Mas dois imprevistos desfizeram o ar utópico da indústria da música na época: a ascensão do compartilhamento de arquivos e o choque com os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. De repente, o futuro não parecia tão brilhante.
Mas a música pop do momento atual permanece um sonho glorioso, extravagantemente orçado, com tons de neon. Enquanto a internet se consolida como ferramenta para revisitarmos, de maneira mais fácil do que nunca, o passado pelo qual ansiamos, o pop do milênio segue provocando um fascínio escapista. Nos comentários do clipe “I’m reall”, de Jennifer Lopez, no YouTube, um fã escreveu, melancólico: “Vim aqui pelos anos 90 e início dos anos 2000”.
O Globo Monday, 27 de April de 2020
CINCO RECEITAS DE ALEX ATALA
Alex Atala: ‘Tenho entendido o tempo mais como um aliado’
Chef afirma que ‘isolamento tem sido um grande aprendizado’, comenta sobre o dia a dia em casa cozinhando com os filhos e um novo projeto nas redes sociais que foca em pratos com poucos ingredientes, além de compartilhar receitas
Bruno Calixto
26/04/2020 - 00:01
Alex Atala compartilha receitas com o GLOBO, entre elas seu peixe com farofa de maracujá e vinagrete de arroz negro Foto: Divulgação
A quarentena trouxe uma outra noção de tempo para Alex Atala (“Tem sido um grande aprendizado. Tenho entendido o tempo mais como um aliado”), que tem dedicado horas de seu dia à horta do terraço do Mercadinho Dalva e Dito, espaço anexo ao seu restaurante de comida brasileira, em São Paulo.
— É uma tarefa bastante diferente de cozinhar, mas muito gratificante. Tenho aproveitado para refletir e olhar as situações como um jogo de xadrez, imaginando um cenário amplo e as possibilidades de movimento — explica o chef paulista, à frente também do D.O.M., duas estrelas Michelin.
Atala tem enfrentado o isolamento em casa com os dois filhos adolescentes. E diz que os momentos da refeição têm sido de conversas ora divertidas, ora filosóficas.
- Cozinhar tem sido cada vez mais uma forma de união para todos nós - afirma. - Uma rotina um pouco diferente do restaurante, mas tenho me divertido bastante.
Alex Atala: ‘Tenho entendido o tempo mais como um aliado’ Foto: Divulgação/Marcus Steinmeyer
Em casa, além das panelas e dos filhos, ele se divide entre exercícios físicos, leitura e meditação:
— Tenho evitado televisão, participo de grupos de WhatsApp, mas confesso que sou pouco ativo, uso mais como referência. Estou fazendo o possível para me manter positivo e forte, tanto por mim quanto pelas pessoas à minha volta.
Além do serviço de entregas (do Mercadinho Dalva e Dito e do Bio), ele atua num novo projeto de receitas disponíveis num canal do YouTube.
— O desafio é fazer coisas deliciosas com o mínimo de ingredientes, que estão no cotidiano. Tenho pensado muito na relação de valor que damos aos ingredientes, como a valorização da proteína animal — diz o chef, que compartilha cinco de suas receitas, abaixo, acompanhadas de uma sugestão aos iniciantes no fogão.
- As pessoas temem a cozinha por medo de frustração, mas um acerto vale muito mais depois de dez erros. E uma coisa que eu repito semanticamente é em relação à companhia. É melhor comer um prato ok com pessoas com você ama do que comer algo maravilhoso ao lado de gente desagradável.
ALEX ATALA COMPARTILHA RECEITAS
Peixe com farofa de maracujá e arroz negro, de Alex Atala Foto: Divulgação/Ricardo D'Angelo
Alex Atala: ‘Tenho entendido o tempo mais como um aliado’ Foto: Divulgação
Peixe com farofa de maracujá e vinagrete de arroz negro
Ingredientes
... da farofa de maracujá
40g de manteiga
50g de cebola picadinha
40ml de suco concentrado de maracujá
Suco de 2 polpas de maracujá
160g de farinha de milho
Salsinha picada
Sal
... do vinagrete
20g de cenoura
70g de cebola
20g de pimentão verde
20g de pimentão vermelho
10ml de azeite
10ml de vinagre branco
10ml de suco de maracujá
Sal
... do arroz negro
150g de arroz negro
10ml de azeite
5g de alho picado
10g de cebola picada
Ceboullette
Azeite de ervas (ou comum)
300ml de água
Sal
... do peixe
4 filés de peixe de aproximadamente 150g cada
Sal
Pimenta
Óleo de canola
Preparo
Farofa: Em uma frigideira, refogue a cebola na manteiga. Acrescente a polpa de maracujá e o suco concentrado. Deixe cozinhar por cerca de cinco minutos em fogo baixo. Adicione a farinha de milho e a salsinha picada. Verifique o sal e reserve.
Viagrete: em um bowl, coloque o azeite, o vinagre e o suco de maracujá. Com um fouet, misture bem. Corte a cenoura, a cebola, os pimentões em brunoise pequeno e acrescente à vinagrete. Corrija o sal e reserve.
Arroz negro: em uma panela, refogue a cebola e o alho no azeite. Adicione o arroz negro e em seguida a água. Cozinhe por cerca de 15 minutos ou até que o arroz esteja macio. Após o cozimento, coloque o azeite de ervas e a ceboullette picada finamente. Verifique o sal.
Peixe: Tempere o peixe com sal e pimenta. Em uma frigideira anti aderente sele o peixe dos dois lados até dourar.
Montagem: coloque a vinagrete no centro de um prato e por cima o peixe. Ao lado da vinagrete, disponha um pouco da farofa e do arroz salteado.
Macarrão com feijão e linguiça
Ingredientes
Macarrão com feijão e linguiça, de Alex Atala Foto: Divulgação/Rubens Kato
150g de espaguete
Azeite e sal a gosto
... o molho
120g de feijão roxinho
110g de linguiça toscana
6ml de óleo de milho
1 dente de alho
1/4 de cebola
1 fio de azeite extra -virgem
1 pitada de tomilho
55 g de tomate descascado
... finalização
Pimenta baniwa (ou a que tiver em casa) a gosto
Salsinha a gosto
Preparo
Cozinhe o macarrão em água fervente com um fio de azeite e sal até ficar al dente. Cozinhe o feijão roxinho até o grão estar cozido, mas inteiro. Tire a pele da linguiça (ela desmanchará), coloque-a na panela para selar e refogue no alho e na cebola. Acrescente o tomate e o tomilho. Deixe cozinhar até o molho encorpar. Adicione o molho ao macarrão cozido. Disponha no prato o macarrão, o feijão e a linguiça, e a salsinha lado a lado. Finalize com a pimenta.
Bife à milanesa com salada de batata
Ingredientes
Bife à milanesa com salada de batata, de Alex Atala Foto: Divulgação/Ruvens Kato
5 bifes finos (180g cada) de coxão mole
1kg de farinha de trigo
1/2 litro de leite
1kg de farinha de broa de milho grossa
Alecrim
1 litro de óleo para fritar
Sal e pimenta
... da salada de batatas
500ml de óleo neutro
40g de gema
1 colher de sopa de mostarda Dijon
1 dente de alho picado
1kg de batata
100g de cebola picada
20g de ciboulette picada
2 ovos cozidos
Suco de 1 limão
Raspas de 1 limão
Sal
Preparo
Em um bowl, tempere os bifes com sal e pimenta. Separe a farinha de trigo, o leite e a farinha de broa de milho e coloque cada um em um recipiente. Tempere o leite com o alecrim. Empane cada bife na seguinte sequência: farinha de trigo, leite e farinha de broa de milho. Em uma frigideira, coloque o óleo para esquentar. Quando estiver quente o suficiente para fritar (180 graus), acomode o bife empanado e frite até dourar. R
Salada de batatas: em um bowl, coloque a gema, a mostarda, o alho picado e o suco de limão. Misture com um fouet e adicione aos pouco o óleo sem parar de mexer até obter uma textura cremosa. Tempere com sal e reserve. Corte as batatas em cubos de aproximadamente 1cm. Cozinhe até ficarem macias. Escorra e misture a cebola picada com a batata ainda quente e depois resfrie. Misture a maionese com as batatas e depois acrescente a ciboulette. Polvilhe raspas de limão e o ovo cozido ralado.
Sagu de vinho tinto
Ingredientes
Sagu de vinho tinto com creme inglês, de Alex Atala Foto: Divulgação/Ricardo D'Angelo
500g de sagu
1 litro de água
900ml de suco de uva
100g de açúcar
100ml de vinho tinto
Preparo
Em uma panela a fogo médio, coloque o suco, o açúcar e o vinho. Mexa bem até ferver. Reservel. Em outra panela a fogo médio, coloque a água para ferver. Coloque o sagu e deixe cozinhar até que fique macio. Ele não deve cozinhar por completo, ou seja, até ficar todo transparente: o interior deve se manter branco. Retire do fogo, coe e dê um choque térmico lavando-o em água fria. Adicione o sagu à calda de vinho, misture bem e reserve na geladeira. Sirva gelado.
Bolo de fubá
Ingredientes
Bolo de fubá do Mercadinho Dalva e Dito, receita de Alex Atala Foto: Divulgação/Rubens Kato
3 ovos
200g de açúcar
130ml de leite quente
130ml de óleo
80g de farinha de trigo
100g de fubá
11g de fermento em pó
Preparo
Coloque a farinha, o fubá e o fermento em uma bacia. No liquidificador, bata os ovos, o óleo e o açúcar. Adicione o leite quente e bata para emulsionar. Adicione esta mistura à bacia com os ingredientes secos e misture até obter uma massa homogênea. Unte e coloque a massa na forma. Asse em um forno pré-aquecido a 180 graus por, aproximadamente 40 minutos, ou até dourar.
O Globo Sunday, 26 de April de 2020
CAMILA PITANGA: ESTOU AMANDO
Em quarentena, Camila Pitanga fala sobre namoro com Bia: 'estou amando'
Atriz comentou também o porquê de ter mantido relação sempre discreta
Mariana Weber
26/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 26/04/2020 - 10:32
Camila Pitanga Foto: Fernando Tomaz
Quando Camila Pitanga fez as fotos desta matéria, o mundo era outro. No estúdio, com uma dúzia de profissionais, ela posou, riu, balançou o corpo ao som da playlist que tinha de BaianaSystem a Tame Impala, parou para almoçar com a equipe. De prato no colo, falou da estadia paulistana, prevista para durar seis meses, talvez um ano — “A praia de São Paulo são os afetos”. Depois, contou mais. Falou dos projetos que a levaram à cidade, da sua relação com a família, com o Brasil, com a carreira, com a dor, com a beleza e com o amor.
Tinha se mudado para a capital paulista com a namorada, Beatriz, a filha de 11 anos, Antonia, o gato Ivo e a cachorra Amy. Estreava a nova temporada do “Superbonita”, no ar até 6 de maio, no GNT, e estava cheia de planos: sair para dançar; retomar a peça “Por que não vivemos?” com a Companhia Brasileira de Teatro; gravar uma nova temporada da série “Aruanas” (exibida originalmente pela Globoplay e com estreia na TV na próxima terça-feira, dia 28); viajar ao Rio para visitar a mãe; fazer um curso sobre Clarice Lispector, centro de um novo projeto, com Celso Sim e Lucas Santtana, que talvez prolongasse sua estadia em São Paulo. Então veio a pandemia do novo coronavírus, que acabou ganhando destaque em trechos da conversa abaixo.
Rotina em tempos de coronavírus
“Tem seus altos e baixos, as emoções ficam à flor da pele. Ao mesmo tempo, a gente conhece um monte de potência: o que você nem sabe sobre você e sobre os outros. Está todo mundo aqui: eu, minha filha, Bia. Estou saindo esporadicamente, por necessidades pontuais. A gente está tentando fazer a vida andar, ter pulsação. Está tendo todo esse movimento muito bonito, as redes funcionando de maneira generosa, solidária, as pessoas oferecendo seus trabalhos, sua arte, sua música, suas práticas.”
Amor
“Na verdade nada disso é premeditado, né? Você não escolhe amar aquela pessoa, você ama. Ponto. Eu entendo dessa maneira. Até um ano atrás, eu sempre tive um, digamos, modo de existência heterossexual. Mas eu não estava pensando ‘eu tenho que ser isso’. Foi porque eu conheci homens que eu amei. E agora escolhi Bia, que estou amando. Não tem nada de extraordinário. Extraordinário é amar.”
Exposição
“Quando não era pública (a relação com Beatriz), tinha uma razão de ser. Era a primeira vez, eu estava imberbe em uma história. A real, sempre vivi meus relacionamentos de uma maneira discreta. Então também não tinha por que, vivendo quatro meses de uma história, fazer alarde. Não me sinto vítima (de notícias sobre seu relacionamento). Sou uma pessoa pública desde os 16 anos. Você vai adquirindo traquejo, seja por um desafio de um trabalho, seja por ficarem especulando a sua vida íntima. Sou vivida, e estou aprendendo ainda. E gosto de aprender. ”
Meio ambiente
“A série ‘Aruanas’ me deu chance de contar uma história de pessoas que lutam pela suas utopias. Foi escrita por ativistas. Essa perseguição que os ativistas, principalmente os ativistas ambientais, estão vivendo não é de agora, mas piorou muito. É uma ficção conectada com o que a gente está vivendo, pelos piores motivos.”
O Globo Saturday, 25 de April de 2020
REVANCHE DOS LIVROS CLÁSSICOS
Revanche dos clássicos: livros que eram deixados para depois viram meta durante a pandemia
Na quarentena, Jane Austen passou à frente de 'A sutil arte de ligar o foda-se' no ranking dos mais vendidos
Bolívar Torres, Ruan de Sousa Gabriel e Sérgio Luz
25/04/2020 - 04:30
Sem lançamentos, livros de fundo de catálogo estão salvando as editoras durante a crise do setor aumentada pela pandemia Foto: Divulgação
RIO - Quem costuma acompanhar as listas de mais vendidos tomou um susto. Entre os dias 13 e 19 de abril, Jane Austen superou “A sutil arte de ligar o foda-se”. No ranking elaborado pelo portal de notícias do mercado editorial PublishNews, que O GLOBO publica semanalmente, o box com três livros da romancista inglesa apareceu em 12º lugar na categoria geral. Enquanto isso, o best-seller de Mark Manson, título mais vendido de 2018 e 2019, saiu subitamente do grupo dos 20 primeiros. Desde o início da quarentena, em março, coisas assim andam acontecendo. E os clássicos estão voltando.
Em diversas listas, “Drácula”, de Bram Stocker, e “Guerra e paz”, de Leon Tolstói, além dos boxes de Franz Kafka e Edgar Allan Poe, tiveram performances surpreendentes. O mesmo aconteceu com obras icônicas que refletem os temores do momento, como “A peste”, de Albert Camus, e “O amor nos tempos do cólera”, de Gabriel García Márquez. Paralelamente, distopias como “1984”, de George Orwell, que já vinham bem há algum tempo, ganharam ainda mais fôlego.
— O fechamento das lojas mudou completamente o perfil das vendas — diz Rafaella Machado, editora do Grupo Record. — O público que tem comprado livros via e-commerce é mais velho, e livros pop e juvenis, que dependem de grandes redes ou de eventos para vender, tendem a ficar em segundo plano. O que está sustentando o mercado agora é a força do catálogo, os livros já consagrados e os clássicos.
Publisher do grupo Companhia das Letras, Otávio Marques da Costa resume o cenário:
— Editoras com um catálogo amplo e diverso têm a chave para sobreviver a esta crise. Como é natural que as empresas reduzam a produção, quem possui uma variedade maior de publicações consegue reagir ao presente e encontrar, no catálogo, títulos que tenham ressonância com o presente. Assim, navegam melhor na crise.
A migração para o e-commerce afeta hábitos de consumo e, por consequência, o produto final que acaba no nosso carrinho virtual. O consumidor tende a sentir-se mais atraído pelo conteúdo do livro do que pelo apelo de sua capa, aposta o conselheiro editorial Eduardo Vilela.
— Em uma loja, quando estou pegando o livro nas mãos, a compra por impulso é muito mais forte — ele diz. — Na internet o foco muda, o comprador tem mais tempo para refletir se realmente precisa do produto.
‘Livros do coração’
Novos hábitos de consumo, porém, não são suficientes para explicar a “vingança” do fundo de catálogo. O cenário geral do mercado editorial, que se encontra num momento dramático, mudou as regras do jogo. Com as incertezas econômicas, as pessoas passaram a poupar dinheiro. E os livros nem sempre aparecem no topo das prioridades, lembra Bruno Mendes, CEO e fundador do #coisadelivreiro, além de sócio do PublishNews. Um clássico, porém, é um clássico.
— As pessoas estão se programando para ler na quarentena o que sempre esteve na fila mas era constantemente adiado — conta Daniel Louzada, proprietário da Livraria Leonardo Da Vinci, citando o que nota nas vendas da empresa via site, WhatsApp e redes sociais, onde obras de Gabriel García Márquez, Fiódor Dostoiévski e José Saramago estão entre as mais buscadas hoje.
Às vezes, porém, os “veteranos” são mais recentes. A Intrínseca detectou o interesse de seus leitores voltando-se para obras lançadas há cerca de um ano, como “Um lugar bem longe daqui”, “O labirinto do fauno” e “Pequenos incêndios por toda parte”.
— Percebemos também uma volta dos “livros do coração”, ou seja, aqueles pelos quais as pessoas têm afeto. É o caso dos livros do Rick Riordan e da série “Crepúsculo”. Mas também de clássicos da Intrínseca, como “Precisamos falar sobre o Kevin” e “A menina que roubava livros”. As pessoas estão voltando a histórias confortáveis — avalia Heloisa Daou, diretora de marketing da editora. — Esse movimento foi tão forte que mudamos nossa estratégia digital e estamos resgatando obras assim nas nossas redes sociais e em parcerias com blogueiros. Deu certo e as pessoas estão comprando.
Primeiras posições
Bruno Mendes lembra que, antes, para ficar no primeiro lugar geral no ranking brasileiro, um livro precisava vender entre 5 mil e 10 mil exemplares. Agora, como as vendas estão muito menores e mais pulverizadas, as primeiras posições variam muito facilmente.
— Livros que vendiam 4 mil exemplares estão vendendo 200 — compara a agente literária Lucia Riff. — A venda se espalhou entre e-book e catálogo, não tem mais a livraria, está completamente on-line. Mudou a maneira de comprar livros, há muitas promoções e campanhas das livrarias, há um outro perfil de venda, de comprador, mudou tudo.
Ou seja, há menos consumo, e quem está comprando tem escolhido livros que noutros tempos não ocupariam a lista geral. Sem a pressão das novidades, é a vez dos consagrados. Ou você não anda de olho na lista de “leituras imperdíveis para a quarentena”?
O Globo Friday, 24 de April de 2020
LIVES DE HOJE: SIMONE & SIMARIA, LUDMILLA, POST MALONE, MARCELO D2, ALÉM DE MUITO SAMBA
Lives de hoje: Simone & Simaria, Ludmilla, Post Malone, Marcelo D2, além de muito samba no #tamojunto
Festival digital do GLOBO terá Leci Brandão, Dudu Nobre, Neguinho da Beija-Flor, Mart'nália, entre outros; Paulo Miklos e Felipe Araújo também canta sucessos
O Globo
24/04/2020 - 00:01
RIO - Sextou! E, em tempos de quarentena, a noite que abre o fim de semana tem sido embalada por festas transmitidas na televisão de casa. A programação de lives para esta sexta-feira tem um time eclético: de Simone & Simaria, Barões da Pisadinha, Felipe Araújo e Diego & Victor Hugo, passando por Ludmilla, Paulo Miklos e Marcelo D2 e chegando ao astro internacional Post Malone.
E a sexta-feira marca também a volta do festival digital do GLOBO #tamojunto, que em sua quarta edição terá um especial reservado ao samba. Entre os nomes confirmados, Leci Brandão, Dudu Nobre, Arlindinho, Mart'nália, Casuarina, Neguinho da Beija-Flor e muito mais.
As lives desta sexta-feira (24/4)
#tamojunto: O festival on-line do GLOBO volta para sua quarta edição, com programação temática de samba. O pagode no Instagram começa às 15h30 e termina 22h30. O line-up tem Leci Brandão, Dorina, Claudio Jorge, Makley Matos, Neguinho da Beija-Flor, Paulão Sete Cordas, Ana Costa, Casuarina, Mart’nália, Dudu Nobre, Nilze Carvalho, Moyseis Marques, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Arlindinho. Saiba aqui como assistir.
Paula Fernandes: A cantora sertaneja, que também foi atração no #tamojunto, fará agora uma live em seu YouTube, às 17h.
Ludmilla: Famosa pelos funks, a cantora comemora 25 anos nesta sexta-feira lançando o EP "Numanice", com seis pagodes. E aproveita para cantar e soprar velhinhas numa live em seu YouTube, às 18h.
Paulo Miklos: Outra atração de sucesso no #tamojunto, o ex-Titãs Paulo Miklos cantará suas músicas solo e alguns hits da banda como parte do festival Em Casa com o Sesc, no YouTube, às 19h.
Barões da Pisadinha: Fenômeno da música nordestina recente que vem conquistando também as demais regiões, a dupla expoente da "pisadinha" mostra a potência de sua mistura sonora no YouTube, às 19h.
Post Malone: Popstar improvável, o misto de rapper e cantor tatuado fará uma live em seu YouTube a partir das 19h. No repertório, além de hits próprios, Malone fará covers de Nirvana, uma de suas bandas favoritas. O show é uma parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Edson e Hudson: É sertanejo das antigas, de raiz, que você procura? Então se liga que Edson e Hudson entram ao vivo às 19h no YouTube.
Diego & Victor Hugo: A dupla sertaneja canta no YouTube a partir das 20h.
KondZilla Festival: A produtora faz a segunda edição de seu festival digital, a partir das 20h, com Mila, Kekel, Jottapê e MC MM. No YouTube, claro.
Simone & Simaria: Alô, coleguinhas! As irmãs estrelas do feminejo promovem um show ao vivo no YouTube a partir das 21h.
Marcelo D2: Atendendo a muitos pedidos, o cantor e compositor carioca fará seu show caseiro nesta sexta-feira, no Facebook. D2 promete participação surpresa e, no repertório, hits do Planet Hemp, da carreira solo e sambas!
Stay At Home Ball: O festival beneficente contará com atraçõs como Kesha, Train, Lewis Capaldi, entre outros. A partir das 21h, no canal do apresentador Elvis Duran no YouTube.
Anelis Assumpção + Curumim: A dupla de cantores, compositores e músicos fará um show às 21h30 pelo festival #CulturaEmCasa, promovido pelo governo de São Paulo, em plataforma própria.
Felipe Araújo: Também atração de sucesso no #tamojunto, o cantor do hit "Atrasadinha" faz sua mistura de pagode e sertanejo no YouTube, às 22h30.
PK: O rapper dos hits "Sacanagenzinha" e "Tudo de bom" tem feito diversas lives durante a quarentena. E fará mais uma nesta sexta-feira, às 23h, no YouTube.
O Globo Thursday, 23 de April de 2020
DIA MUNDIAL DO LIVRO: 10 OBRAR ESCRITAS POR MULHERES PARA LER NA QUARENTENA
Dia Mundial do Livro: 10 obras escritas por mulheres para ler na quarentena
Do romance à ficção-científica, incluindo poema e não-ficção: selecionamos livros de autoria feminina para ler durante o período de isolamento domiciliar
Raphaela Ramos
23/04/2020 - 06:00
No Dia Mundial do Livro, indicamos obras de autoria feminina para a quarentena Foto: Arte de Nina Millen
O Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, é uma data perfeita para iniciar ou planejar novas leituras. Em meio ao isolamento domiciliar necessário para conter o avanço do coronavírus, a data se torna ainda mais propícia. Seja para incluir novas obras na lista atual ou para recuperar o hábito perdido.
Assim como em muitas outras áreas, as mulheres também sofreram com a falta de representatividade no mercado editorial. Mesmo que algumas vezes tenham sido invisibilizadas, o cenário vem mudando nos últimos anos e elas ganham cada vez mais destaque no mundo literário.
Para quem está a procura de uma boa leitura durante a quarentena, a equipe de CELINA reuniu dez livros escritos por mulheres, de diferentes épocas e gêneros. Romance, ficção-científica, poema e não-ficção são alguns deles. Confira:
1 - 'Quarto de Despejo', de Carolina Maria de Jesus
O livro, publicado em 1960, narra o cotidiano da catadora de lixo Carolina Maria de Jesus. Com linguagem simples, ela traz relatos sobre suas vivências entre os anos de 1955 e 1960, enquanto morava em uma comunidade em São Paulo, criando sozinha seus três filhos.
Escritora Carolina Maria de Jesus autografa livro 'Quarto de Despejo', em 1960 Foto: Arquivo/Agência O Globo
O "diário de uma favelada" ganhou notoriedade mundial por trazer um novo olhar sobre a favela a partir da perspectiva crítica da autora, que batalha pela sua sobrevivência. Até hoje o livro é considerado uma obra importante por denunciar a situação de uma população marginalizada.
2 - 'No Seu Pescoço', de Chimamanda Ngozi Adichie
Nessa coletânea de 12 contos, a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que também escreveu os aclamados romances "Americanah" e "Hibisco Roxo", traz histórias independentes que envolvem questões referentes à imigração, relações familiares, desigualdades raciais, machismo e religião.
Cada conto aborda assuntos cotidianos, com diferentes protagonistas em narrativas envolventes, mas que também propõem críticas sociais que estimulam o leitor a refletir. A história que leva o título do livro, "No Seu Pescoço", fala sobre uma jovem nigeriana que vai morar nos Estados Unidos e precisa se adaptar à nova vida e lidar com o preconceito.
3 - 'Ponciá Vicêncio', de Conceição Evaristo
A escritora Conceição Evaristo Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo
O livro narra a trajetória da protagonista Ponciá Vicêncio, desde sua infância até a vida adulta. Ponciá é uma mulher negra que vive em uma cidade no interior do Brasil. Ela e sua mãe trabalham fazendo artesanato com barro, enquanto o pai e o irmão trabalham na lavoura da família Vicêncio, proprietária das terras.
Quando mais velha, ela vai para a cidade em busca de uma vida melhor e consegue um trabalho como empregada doméstica. Por meio de uma narrativa não-linear e estabelecendo relações entre o passado e o presente, a escritora mineira Conceição Evaristo aborda com sensibilidade questões relativas à personalidade da protagonista, que, segundo todos dizem, teria carregado uma "herança" de seu avô.
4 - 'O que o sol faz com as flores', de Rupi Kaur
Para quem é fã de poesia, essa é mais uma coletânea de Rupi Kaur, a autora de "Outros Jeitos de Usar a Boca." O livro traz poemas com temáticas de crescimento e cura e é dividido em cinco partes: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer.
Nos poemas, que variam de apenas um verso até mais de uma página, ela aborda temas como abuso, partidas, questões familiares, amor e empoderamento feminino. O livro conta ainda com ilustrações feitas pela própria autora.
5 - 'Perto do Coração Selvagem', de Clarice Lispector
"Perto do Coração Selvagem" é o romance de estreia de Clarice Lispector, autora que completaria 100 anos em 2020. Publicado pela primeira vez em1943, o livro conta a história de Joana durante sua infância, e depois, no início da vida adulta.
O texto aborda questões existenciais e as reflexões da própria autora se misturam com as da personagem, o que se tornaria a marca registrada de Clarice. Joana busca a felicidade e em seu caminho faz inúmeros questionamentos sobre tudo que a cerca.
6 - 'Frankenstein', de Mary Shelley
Para quem prefere o terror ou ficção-científica, "Frankenstein" foi escrito no século XIX e é considerado até hoje uma das mais célebres obras do gênero. O livro conta a história de um estudante de ciências que desenvolve um monstro em seu laboratório. A criatura inicia uma busca pela aceitação e pertencimento que lhe foram negados desde seu "nascimento."
Acredita-se que a trama traz em muitos aspectos os sentimentos da própria escritora, Mary Shelley, cuja mãe morreu no seu parto e que, depois, passou por diversos abortos. Ela escreveu a história aos 18 anos, mas a publicou primeiro anonimamente. Anos depois, em uma reedição, assinou seu nome e precisou enfrentar críticas pelo fato de ser mulher.
7 - 'A vida invisível de Eurídice Gusmão', de Martha Batalha
O primeiro romance de Martha Batalha narra a vida das irmãs Gusmão, no Rio de Janeiro da década de 1940. Enquanto Guida desaparece sem deixar notícias, Eurídice se casa e representa o papel da esposa perfeita, mas nenhuma das duas parece feliz. "A vida invisível de Eurídice Gusmão" aborda as limitações vividas por muitas mulheres na sociedade da época.
Além de contar a trajetória das duas irmãs, o livro traz ainda a história de outros personagens que as cercam. A obra foi adaptada para o cinema, em 2019, e foi recebida com sucesso pela crítica, ganhando o prêmio principal da mostra "Um Certo Olhar" do Festival de Cannes.
As atrizes Carol Duarte e Julia Stockler em 'A vida invisível', de Karim Aïnouz Foto: Divulgação
8 - 'Heroínas Negras Brasileiras em Cordéis', de Jarid Arraes
Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Maria Firmina dos Reis, Tia Ciata, Carolina Maria de Jesus. Essas são algumas das heroínas brasileiras que têm suas histórias retratadas no livro de Jarid Arraes. Ao sentir falta da representatividade de mulheres negras nos livros de história, ela quis resgatar a memória de suas vidas.
Para isso, usou o gênero literário tipicamente brasileiro: a literatura de cordel, com ilustrações de Gabriela Pires. As páginas narram a trajetória de mulheres de diferentes épocas e estados, entre líderes quilombolas, revolucionárias e escritoras.
9 - 'Pós F - Para além do masculino e do feminino', de Fernanda Young
Fernanda Young, falecida em agosto de 2019, aos 49 anos, levou um Jabuti póstumo pela antologia de crônicas 'Pós-F: para além do masculino e do feminino' Foto: Divulgação
"Pós F - Para além do masculino e feminino" se insere no debate contemporâneo sobre o que significa ser homem e ser mulher. Em seu primeiro livro de não-ficção, Fernanda Young oferece sua visão de mundo por meio de textos autobiográficos.
O livro também é ilustrado com desenhos da própria autora e reúne ainda algumas cartas e trechos de suas conversas. A obra a proporcionou um prêmio Jabuti póstumo, em 2019.
10 - 'Ela Disse: Os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo', de Jodi Kantor e Megan Twohey
O livro conta a história de duas jornalistas responsáveis por expor as acusações de assédio contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein em uma reportagem que tornou o movimento #MeToo conhecido globalmente e pautou o debate sobre abuso sexual pelo mundo.
Jodi Kantor e Megan Twohey narram, com riqueza de detalhes, como foram os bastidores da reportagem. Elas também refletem sobre as consequências do #MeToo e o futuro do feminismo e ainda trazem relatos de mulheres que se manifestaram durante o caso.
'O Ju não tem reclamado', diz Xuxa Meneghel sobre corpo
Apresentadora confessa que está 'um pouco preguiçosa': 'Deveria me cuidar um pouquinho mais'
Gilberto Júnior
22/04/2020 - 07:33 / Atualizado em 22/04/2020 - 07:51
Xuxa Meneghel Foto: Blad Meneghel
O tempo não é uma questão para Xuxa Meneghel. Aos 57 anos, suas rugas incomodam mais aos outros do que a apresentadora, que foge (por enquanto) de intervenções no rosto e no corpo. “Estou bem e bem resolvida”, diz a gaúcha, radicada no Rio há décadas. Mãe de Sasha e namorada do ator e cantor Junno Andrade, a loura fala a seguir de Botox, filtro e quarentena.
Linda, livre e solta
“Eu estou bem e bem resolvida com meu corpo. Obviamente gostaria de ter mais colágeno, mais elasticidade, mas estou bem. O Ju não tem reclamado. Estou um pouco preguiçosa, deveria me cuidar um pouquinho mais, mas estou legal.”
Xuxa Meneghel Foto: Blad Meneghel
Rugas
“Quem faz plástica e se sente bem continua fazendo lá. Só não venha me obrigar a entrar na faca. Se posto uma foto no Instagram, logo dizem: ‘Poderia colocar um Botox aí’. Poderia, não! Vai colocar você. Não venham se meter na minha vida.”
SASHA MENEGHEL VIRA NOME QUENTE DA MODA... CONFIRA A EVOLUÇÃO DA MODELO DESDE SUA ESTREIA
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Na quinta-feira, Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa Meneghel, deu o que falar ao cruzar a passarela da Água de Coco de biquíni. Aos 21 anos, ela é nome quente da nova safra de modelos. Aqui, mostramos a evolução da manequim Foto: Zé Takahashi
Sasha na passarela da Água de Coco Foto: Zé Takahashi
Postagens
“Não gosto de usar filtro nas minhas fotos. Outro dia, a (apresentadora) Eliana me mandou um e resolvi aplicar. Fiquei bem diferente. Sou uma pessoa monocromática. Não tenho cílios e sobrancelhas. Meus cabelos são muito claros. Se eu não fizer algo, as pessoas ficam chocadas. Mas é aquilo: todo mundo usa e abusa do filtro. Mas, quando faço, logo criticam. Acredita que repararam no filtro?”
Xuxa Meneghel Foto: Blad Meneghel
Em casa
“Estamos nos cuidando o máximo. Desinfetamos tudo que chega aqui. Mesmo com todos os cuidados possíveis, sabemos que podemos passar pela Covid-19. Não tem como prever o que está por vir futuramente. Estamos à base de vitamina c. Digamos que são umas férias meio forçada. Vejo as pessoas nervosas por estarem em casa e para mim isso sempre foi uma festa. Não é um sacrifício.”
CONFIRA OS MOMENTOS DE XUXA MENEGHEL COMO MODELO
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Xuxa Meneghel começou sua carreira na moda aos 16 anos. Quatro décadas depois, ela segue requisitada pela indústria. Na imagem, a apresentadora num desfile de 2016 Foto: Marcos Ramos / Marcos Ramos/ O Globo
Xuxa desfilou para a Yes, Brazil no evento Foto: Marcos Ramos / Marcos Ramos/ O Globo
O Globo Tuesday, 21 de April de 2020
RECEITAS COM ARROZ
Receitas com arroz: veja dicas que vão da entrada à sobremesa
Do bolinho recheado com queijo para começar à versão doce para encerrar, cozinheiros dividem receitas de sucesso em seus restaurantes
Bruno Calixto
21/04/2020 - 04:30
A Cozinha Caipiora de Chico Bento: chefs Janaina e Jefferson Rueda, o Arroz Mexidinho Foto: Divulgação/Mauro Holanda
Ingrediente básico na refeição do brasileiro, onde faz bonito em companhia do feijão, o arroz é também um dos grãos mais versáteis na hora de bolar um cardápio. Da entrada à sobremesa, são muitas as receitas que podem ser preparadas com ele.
— Dá para misturar o arroz com o que tiver na geladeira. É superprático e dá para fazer numa única panela. Você vai acrescendo os ingredientes aos poucos, apurando e construindo camadas de sabor, que resultam em um produto final melhor — destaca o cheg Pedro de Artagão, que ensina seu arroz de bacalhau.
Já Bruno Vaz, do Liga dos Botecos, em Botafogo, aposta na versão com costela, a proteína que é carro-chefe do bar.
— Fica suculente confortante, ótimo para compartilhar com a família mesa — diz.
A cozinheira Malu Mello dá o passo a passo para o arroz doce que aprendeu com uma senhora mi7neira, carinhosamente tratada por Tia Penha.
— Faz tempo que aprendi tudo com ela no que se refere à cozinha, inclusive que este é um dos doces mais especiais que faço porque é carregado de memória afetiva. Além de fácil e econômico, usa poucos ingredientes e não exige grandes conhecimentos de gastronomia. — ressalta Malu.
ARROZ DE FESTA: CHEFS DIVIDEM RECEITAS COM O GRÃO
Bolinho de arroz do Imaculada Foto: Divulgação
Bolinho de arroz
Marco Aurélio (Imaculada)
Ingredientes
600gr de arroz cozido
200g de farinha de trigo
2 ovos
100g de cebola ralada
300g de cebolinha picada
50g de alho
300g de salsinha
15g de pimenta-do-reino
50g de pimenta biquinho
2 colheres de sopa de azeite
250g de mozzarella
100g de provolone
150g de lingüiça toscana
200ml de leite
Óleo para fritar
... o molho
20g de pimenta calabresa
200ml de mostarda amarela
100g de goiabada
pitada de orégano
pitada de alecrim
Preparo
Amasse o arro (já cozido com cebola e alho) com as mãos e junte a farinha, o leite, azeite e os ovos. Depois de misturar tudo, junte a cebolinha e a salsinha picadas, a linguiça e os queijos e misture até dar liga. Enrole os bolinhos e frite em óleo bem quente.
Molho: misture os ingredientes
Arroz de bacalhau
Pedro de Artagão (Irajá)
Ingredientes
30g de cebola em tiras
10g de alho
5g de manteiga
100g de creme de leite fresco
150g de bacalhau dessalgado
10g de coentro picado
5g de pimenta dedo de moça
150g de arroz cozido
50g de parmesão ralado
50g de batata frita
20ml de azeite
2 ovos estrelados
Sal e pimenta do reino a gosto
Preparo
Em uma panela adicionar a manteiga e a cebola, mexer até ficar bem caramelada. Adicionar os dentes de alho, o creme de leite e deixar reduzir em fogo baixo até a metade. Quando este processo estiver pronto, adicionar o bacalhau. Quando o creme ferver novamente, finalizar o prato com o arroz branco cozido, parmesão, azeite, a batata frita, por cima de tudo os dois ovos estrelados, sal e pimenta do reino à gosto.
Arroz de lula
Isabel Mascarenhas (Guimas)
Guimas: arroz de lula com tomate e coentro Foto: Divulgação
Ingredientes
400g de anéis de lula
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de cebola picada
3 dentes de alho picados
1 tomate sem pele e sem semente
1 lata de tomate pelati
200ml de caldo de legumes ou água
1/2 xícara de arroz cru
Sal, pimenta e coentro
Preparo
Refogar a cebola no azeite e, em seguida, o alho. Acrescentar o arroz cru e deixar dar uma “fritadinha”. Acrescentar o tomate sem pe7e cortado em tiras. Colocar a lata de tomate pelati, misturar e acrescentar sal e o caldo de legumes (ou a água). Quando o arroz estiver quase pronto, colocar a lula e cozinhar por mais dez minutos. Ajustar sal, pimenta e por último o coentro (ou salsinha).
Arroz mexidinho
Janaína e Jefferson Rueda (Casa do Porco e Dona Onça)
Ingredientes
Banha de porco
1 cebola branca picada
4 dentes de alho picados
200g de carne moída (patinho)
40g de feijão rosinha cozido
200g de arroz agulhinha cozido
20g de couve manteiga em tiras
Cheiro verde a gosto
Pimenta-biquinho a gosto
150g de farinha de mandioca fina
Sal a gosto
Preparo
Em uma panela pré-aquecida com banh, doure a cebola e o alho; acrescente a carne e refogue por dez minutos. Acrescente o feijão, mexa bem e refogue por mais cinco minutos. Adicione o arroz, a couve e o cheiro-verde; misture. Coloque a pimenta-biquinho e finalize com a farinha de mandioca e o sal. Sirva com um ovo frito
Arroz de galeto
Carlos Eduardo Cadú (O Bom Galeto)
Ingredientes
450g de linguiça calabresa
500g de galeto assado em pedaços (reserve as coxas para finalizar)
6 tomates sem semente e cortado em cubos pequenos
2 abobrinhas em cubos pequenos
280g de queijo coalho cortado em cubos pequenos
75g de cúrcuma
25g de curry
800ml de caldo de galeto ou caldo de frango
600g de arroz cozido
15g de coentro picado
250g de ervilha congelada
Preparo
Em uma frigideira grande de ferro, com a abobrinha em um fio de azeite. Retire da panela e reserve. Em seguida refogue o galeto e a linguiça em rodelas. Acrescente o arroz já cozido, a abobrinha refogada, a ervilha, o tomate e o queijo coalho e misture. Despeje o caldo de galeto e adicione a cúrcuma, o curry e o coentro picado. Misture suavemente os ingredientes e deixe ferver. Acrescente sal a gosto. Sirva na própria panela e utilize as coxas para decorar.
Arroz de costela
Bruno Vaz (Liga)
Arroz de costela, do Liga dos Botecos Foto: Divulgação/Berg Silva
Ingredientes
500g de arroz cozido al dente
500g de costela assada no bafo (ou carne assada) desfiada
100g de tomate sem pele picado
100g de cebola picada
50g de alho picado
20g de salsinha picada
2 ovos cozidos
100g de mozzarella fatiada
50g de manteiga
200ml de água com caldo de cozimento sabor costela
Preparo
Refogue a cebola e o alho na manteiga. Acrescente a costela desfiada, o tomate picado e o cald. Quando ferver, acrescente o arroz e finalize com a salsa picada. Cubra com o queijo e leve ao forno rapidamente para derreter. Finalize com os ovos cozidos fatiados por cima e salsa picada.
Arroz-doce
Malu Mello
Ingredientes
1 xícara de chá de arroz lavado
4 xícaras de chá de leite
2 xícaras de chá de leite de coco
1 lata de leite condensado
1 xícara de água
Canela em pau e cravo a gosto
Preparo
Numa panela de pressão, coloque o arroz, o leite, a água, a canela e o cravo. Tampe e deixe cozinhar por cinco minutos após o início da pressão. Abra a panela com cuidado, junte o leite condensado, o leite de coco e deixe cozinhar por mais cinco minutos sem pressão. Sirva com paçoca ou coco em lascas.
O Globo Monday, 20 de April de 2020
O VÍRUS PODE ESTAR NAS MINHAS COISAS?
O vírus pode estar nas minhas coisas? Saiba o risco de contaminação pelas roupas, sapatos e correspondências
Especialistas explicam por quanto tempo o novo coronavírus fica no ar e nos objetos que Novo coronavírus pode sobreviver por períodos diferentes fora do corpo humano, dependendo da superfície em que repousa Foto: Editoria de arte
entram na sua casa
Tara Parker-Pope, do "New York Times"
20/04/2020 - 04:30
Muitas pessoas têm medo de deixar o coronavírus entrar em suas casas pelas roupas, sapatos, correspondência e até mesmo pelo jornal. Infectologistas, especialistas em aerossóis e microbiologistas respondem às perguntas sobre os riscos de entrar em contato com o vírus durante saídas essenciais de casa ou até pacotes de entregas.
Devo trocar de roupa e tomar banho quando chegar em casa do supermercado?
Para aqueles que podem ficar em casa e em isolamento social, saindo apenas ocasionalmente para ir ao supermercado ou à farmácia, os especialistas concordam que não é necessário trocar de roupa ou tomar banho ao voltar da rua. No entanto, a recomendação é de sempre lavar as mãos. Embora seja verdade que um espirro ou a tosse de uma pessoa infectada possa lançar gotículas virais e partículas menores pelo ar, a maioria delas cairá no chão.
Estudos mostram que algumas pequenas partículas virais podem flutuar no ar por cerca de meia hora, mas é pouco provável que cheguem até você. "É improvável que uma gota pequena o suficiente para flutuar no ar por algum tempo seja depositada nas roupas devido à aerodinâmica", disse Linsey Marr, cientista especialista em aerossóis do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos EUA. "Elas seriam tão pequenas que se moveriam no ar ao redor dos corpos e das roupas".
ㅤ Foto: Editoria de arte
Por que pequenas gotículas e partículas virais normalmente não pousam em nossas roupas?
Linsey Marr dá uma pequena lição de aerodinâmica: "Essas partículas seguem o fluxo de ar em torno de uma pessoa porque nos movemos relativamente devagar. À medida que andamos, empurramos o ar para fora do caminho, e a maioria das gotículas e partículas também é empurrada para fora. Alguém teria que borrifar grandes gotas conversando - um cuspidor -, tossindo ou espirrando para que pousassem em nossas roupas. As gotículas precisam ser grandes o suficiente para desviar de seu curso natural".
Então, se você está fazendo compras, e alguém espirra em você, melhor ir para casa, trocar de roupa e tomar banho. No mais, considere que seu corpo "lento" está empurrando o ar e as partículas virais para longe de você, resultado explicado pela física.
ㅤ Foto: Editoria de arte
Existe o risco de o vírus estar no meu cabelo ou na barba?
Por todas as razões descritas acima, você não deve se preocupar com a contaminação viral de seus cabelos ou da barba, se estiver praticando isolamento social. Mesmo se alguém espirrasse na parte de trás da sua cabeça, qualquer gota que caísse no seu cabelo seria uma fonte improvável de infecção.
"Pense no processo do que precisa acontecer para alguém se infectar", propõe Andrew Janowski, professor de doenças infecciosas pediátricas do Hospital Infantil St. Louis, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA: "Se alguém espirra, é necessária uma quantidade X de vírus nesse espirro. Diversas gotas têm que cair sobre você. Então você precisa tocar exatamente na parte do cabelo ou da roupa onde estão essas gotículas, que já apresentam uma redução significativa nas partículas virais", disse Janowski. “Depois de tocá-las, teria que encostar em qualquer parte do seu rosto para entrar em contato com ele. Seria preciso passar por essa sequência de eventos, um grande número de coisas precisa acontecer de maneira exata. Isso torna o risco muito baixo.”
ㅤ Foto: Editoria de arte
Devo me preocupar ao lavar ou manusear as roupas? Corro risco de espalhar partículas virais das roupas pelo ar?
Depende se você está lavando roupas da rotina normal ou de uma pessoa doente. A roupa da rotina normal não deve causar preocupações - lave-a como faria normalmente. Embora alguns tipos de vírus possam ser difíceis de limpar, o novo coronavírus, assim como o vírus da gripe, é cercado por uma membrana gordurosa que é vulnerável ao sabão. Lavar suas roupas com sabão comum e depois secá-las é mais do que suficiente para remover o vírus - se é que ele está lá.
“Sabemos que os vírus podem se depositar na roupa (a partir de gotículas) e, em seguida, serem soltos no ar com o movimento, mas você precisará de muitos vírus para que isso seja uma preocupação, muito mais do que uma pessoa comum encontraria ao sair para passear ao ar livre ou ir a um supermercado”, disse Marr.
A exceção é se você estiver em contato próximo a uma pessoa doente. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA recomendam o uso de luvas ao limpar itens de alguém que esteja doente, além de tomar cuidado para não sacudir peças de vestuário e roupas de cama. Se possível, use água bem quente e seque completamente. Você pode misturar as roupas de uma pessoa doente com as do restante da casa, mas deixe a roupa secando por um tempo maior para minimizar os riscos. "Sabemos que esses tipos de vírus tendem a se deteriorar mais rapidamente no tecido do que em superfícies sólidas e duras, como aço ou plástico", disse Linsey Marr.
Por quanto tempo o vírus pode permanecer ativo em tecidos ou outras superfícies?
A maior parte do que sabemos sobre quanto tempo esse novo coronavírus vive em superfícies vem de um importante estudo publicado no New England Journal of Medicine em março. A pesquisa descobriu que o vírus pode sobreviver, em condições ideais, até três dias em superfícies de metal duro e plástico e até 24 horas em papelão.
Mas o estudo não analisou tecidos. Ainda assim, a maioria dos especialistas em vírus acredita que a pesquisa em papelão oferece pistas sobre como o vírus provavelmente se comporta em panos. As fibras naturais absorventes do papelão parecem fazer com que o vírus seque mais rapidamente e as fibras do tecido provavelmente produziriam um efeito semelhante.
Um estudo de 2005 sobre um outro tipo de coronavírus, o que causa a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), dá mais garantias. Naquela pesquisa, os cientistas testaram quantidades cada vez maiores de amostras virais em papel e em um vestido de algodão. Dependendo da concentração do vírus, foram necessários cinco minutos, três horas ou 24 horas para que ele se tornasse inativo. "Mesmo com uma carga de vírus relativamente alta na gota, foi observada uma rápida perda de inatividade para papel e material de algodão", concluíram os pesquisadores.
ㅤ Foto: Editoria de arte
Devo me preocupar com correspondência, pacotes ou jornal?
O risco de ser infectado ao manusear correspondências ou pacotes é extremamente baixo e, neste momento, apenas teórico. Não há casos documentados de alguém ficar doente ao abrir um pacote ou ler um jornal.
Mas isso não significa que você não deva tomar precauções. Após manusear cartas, pacotes ou ler o jornal, descarte a embalagem e lave as mãos.
ㅤ Foto: Editoria de arte
Devo me preocupar com a contaminação ao sair para passear com o cachorro ou fazer exercícios?
Suas chances de pegar o vírus quando você sai são extremamente baixas desde que você mantenha uma distância segura das outras pessoas. "Ao ar livre é seguro e certamente não há nuvens de gotículas carregadas de vírus", disse Lidia Morawska, professora e diretora do Laboratório Internacional de Qualidade e Saúde do Ar na Universidade de Tecnologia de Queensland, em Brisbane, na Austrália.
"Em primeiro lugar, qualquer gota infecciosa exalada em ambiente externo seria rapidamente diluída no ar, então a concentração se tornaria rapidamente insignificante", afirma Morawska. “Além disso, a estabilidade do vírus ao ar livre é significativamente menor do que em ambientes fechados. Portanto, não é realmente um problema, a menos que estejamos em um local muito movimentado - o que não é aconselhado agora de maneira nenhuma. É seguro dar um passeio e correr sem se preocupar com o vírus no ar, e não há necessidade de lavar imediatamente as roupas.”
ㅤ Foto: Editoria de arte
Ao voltar da rua, devo remover meus sapatos e limpá-los?
Os sapatos podem abrigar bactérias e vírus, mas isso não significa que eles sejam uma fonte comum de infecção. Um estudo de 2008 encomendado pela marca de calçados americana Rockport Shoes encontrou muita sujeira, incluindo bactérias fecais, nas solas dos sapatos. Outra pesquisa recente da China descobriu que, entre os profissionais de saúde, metade tinha coronavírus detectado em seus sapatos, o que não é inesperado, pois eles trabalhavam em hospitais com pacientes infectados.
Então, o que devemos fazer com nossos sapatos? Se seus sapatos são laváveis, você pode lavá-los. Limpar com lencinho ou pano não é recomendado porque traz germes que permaneceriam na sola ou no chão diretamente para as mãos. Então você pode simplesmente deixá-los do lado de fora de casa ou em um local específico da entrada. Se você tem uma criança que engatinha ou brinca no chão, um membro da família com alergias ou um sistema imunológico comprometido, uma casa sem sapatos pode ser uma boa ideia para a higiene geral.
O Globo Saturday, 18 de April de 2020
RECEITAS AFETIVAS DE ROBERTA SUDBRACK
Roberta Sudbrack compartilha suas receitas afetivas
Chef ensina pratos como a carne de panela e claufoutis de pera
Luciana Fróes
16/04/2020 - 05:35 / Atualizado em 16/04/2020 - 09:50
Clafoutis de pera de Roberta Sudbrack Foto: Divulgação/Samuel Antonini
Roberta Sudbrack é autoditada, aprendeu a cozinhar sozinha, devorando livros, testando. Décadas depois, nestes tempos de confiamento dos que podem ficar em casa no combate à Covid-19, a receita se repete: Sudbrack passa seus dias entre a cozinha de casa, na Urca, na companhia dos três cachorros, e a do restaurante Sud Pássaro Verde.
Roberta Sudbrack e seus cachorros Foto: Álbum de família
— Cozinhar é uma das melhores terapias da vida — diz ela, que anda resgatando receitas caseiras, que não exigem muita experiência, apenas cuidado e bons ingredientes.
Para o leitores do GLOBO, fez uma seleção de pratos que lhe trazem lembranças, como a carne de panela da tia mineira Jaçanã (“Ela colocava a panela dentro do fogão à lenha quando ia dormir e só tirava no dia seguinte”) e o picadinho do presidente, que remete aos tempos em esteve à frente da cozinha do Alvorada. De sobremesa, clafoutis de pera, bolinhos de chuva e o que ela chama de Bolo do Nada, “aquele que todo mundo faz em casa, típico de avó”. Lembranças afetuosas, sob medida para esses tempos de reclusão.
RECEITAS
Carne de panela
Ingredientes (para 4)
600g de alcatra
2 tomates orgânicos sem pele e sem semente
1/2 pimentão em cubinhos
1 cálice de vinho tinto
1 cebola cortada em cubinhos bem pequenos
azeite extra virgem
manteiga sem sal
sal e pimenta-do-reino
Preparo
Corte a carne em pedaços médios. Aqueça uma panela com duas colheres de azeite e 2 de manteiga e doure a carne por todos os lados com cuidado e devagar. Acrescente a cebola, o pimentão e os tomates e refogue bem. Acrescente o vinho e cubra com água quente. Cozinhe no forno pré aquecido — de preferência numa panela de ferro — por mais ou menos duas horas. Corrija o sal e a pimenta.
Arroz maluco
Ingredientes (4 pessoas)
400g de arroz branco cozido
4 ovos caipiras
100g de panceta defumada
100g de milho cozido e debulhado
salsinha fresca
manteiga sem sal
Preparo
Aqueça uma frigideira e doure a panceta até ficar bem crocante. Retire o excesso de gordura com papel toalha. Em outra panela, derreta 3 colheres de sopa de manteiga. Acrescente os ovos e mexa vigorosamente. Acrescente o arroz, o milho e a panceta e misture tudo. Retire do fogo e acrescente a salsinha. Corrija o tempero.
Costelinha de porco de Roberta Sudbrack Foto: Nana Moraes / Divulgação
Costelinha de alfaiate
Ingredientes (8 porções)
3kg de costelinha de porco com bastante carne e capa de gordura
300 g de manteiga sem sal
Mel de abelhas nativas, azeite, sal e pimenta-do-reino moída na hora
Preparo
Disponha as costelinhas em um tabuleiro e tempere os dois lados com sal e pimenta. Corte a manteiga em cubos e coloque no tabuleiro, regue com um fio de azeite e deixe a costelinha com a parte da gordura para cima. Cubra com papel-alumínio, lacrando bem para não perder o vapor. Asse ao forno a 120 ºC por5 horas ou até que a carne esteja bem macia e com os ossos saindo facilmente. Desosse a costelinha, reserve a carne e faça um molho com o caldo da cocção. Na hora de servir, leve a carne ao forno para aquecer. Misture 1 colher de sopa de mel com 1 de azeite e pincele na parte da gordura.
Bife a cavalo
Ingredientes
1 peça de filé limpo (1,6 kg)
8 ovos caipiras
azeite
manteiga sem sal
sal
pimenta-do- reino moída na hora
flor de sal
Preparo
Aqueça a grelha em temperatura máxima. Corte o filé em bifes altos de cerca de 200g. Amasse -os para deixá-los mais baixos e uniformes. Regue-os com azeite e doure-os na grelha, virando sempre para não formar crosta. Tempere todos os lados com sal e azeite enquanto dourar. Deve ser servido ao ponto. Aqueça uma frigideira antiaderente, coloque e frite o ovo. A gema deve ficar mole. Tempere com sal. Sirva o bife imediatamente cobrindo-o com o ovo, cuidando para não estourar a gema. Finalize com flor de sal sobre a gema.
Picadinho do presidente de Roberta Sudbrack Foto: Divulgação
Picadinho do presidente
Ingredientes (para 8 )
1 e 1/2 kg de filé-mignon
1 cebola finamente picada
2 dentes de alho finamente picados
6 tomates sem pele e semente em cubos
20ml de tomates pelati passados pela peneira
500ml de caldo de carne concentrado
Azeite extra virgem
manteiga sem sal
sal e pimenta-do-reino
Preparo
Corte o filé em pequenos cubos. Em uma panela, refogue o filé com manteiga e azeite, até dourar. Tempere com sal e pimenta. Retire da panela e reserve. Na mesma panela, refogue a cebola e o alho, se necessário acrescente azeite. Adicione os tomates em cubos e a carne, refogue sem deixar ressecar. Acrescente o tomate pelati e o caldo de carne. Deixe cozinhar em fogo médio até encorpar, corrija o sal. Sirva com arroz, farofinha de cenoura e banana à milanesa.
Bolo de nada
Ingredientes
200g de manteiga sem sal
2 xícaras de açúcar orgânico
4 ovos caipiras
1 pitada de sal
3 xícaras de farinha de trigo peneirada duas vezes
1 colher de sopa de fermento em pó
1 xícara de leite
Preparo
Bater a manteiga com o açúcar, juntar as gemas e continuar batendo até ficar um creme branquinho. Acrescentar o sal e o fermento. Bater as claras em neve e mexer delicadamente, misturando de cima para baixo. Assar em forno preaquecido a 180° por 30 minutos. Servir com geleia e nata — ou uma bola de sorvete e calda de chocolate.
Clafoutis de pera
Ingredientes (para 8)
4 ovos
220g de açúcar de confeiteiro
16 colheres de sopa de creme de leite fresco
8 colheres de sopa de leite
2 favas de baunilha
400g de peras laminadas
Unte um refratário com manteiga e polvilhe com açúcar. Leve à geladeira por 30 minutos. Bata os ovos ligeiramente com 200g do açúcar de confeiteiro. Adicione o leite, o creme de leite e misture bem. Abra as favas de baunilha, raspe bem as sementes e adicione à mistura de creme, leite e ovos. Disponha as frutas no refratário e cubra com a mistura. Polvilhe com um pouco do açúcar de confeiteiro. Leve ao forno preaquecido a 180 graus até ficar dourado. Não deve ficar muito seco. Servir com nata.
Bolinho de chuva de Roberta Sudbrack Foto: Divulgação
Bolinho de chuva
Ingredientes
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de fubá
4 colheres de açúcar
2 ovos
erva-doce (opcional)
1 colher de fermento em pó
200 ml de leite
Óleo para fritar
açúcar e canela para polvilhar
Preparo
Misture os ingredientes delicadamente. Adicione o leite aos poucos, se precisar, até obter uma massa delicada, mas que dê para modelar. Modele os bolinhos fazendo bolinhas com as mãos untadas com um manteiga
Frite no óleo quente e polvilhe com açúcar e canela.
O Globo Friday, 17 de April de 2020
ESPETÁCULOS DE DANÇA PARA VER EM CASA
Espetáculos de dança, de Bolshoi a Pina Bausch, para ver de casa
Crítica de dança do GLOBO destaca espetáculos imperdíveis de grandes companhias do mundo que estão on-line, numa lista que inclui balés que ficam disponíveis apenas por um dia e obras-primas
Adriana Pavlova, especial para O GLOBO
16/04/2020 - 05:00
Com temporadas canceladas ou adiadas devido à pandemia do coronavírus, grandes companhias de dança não esqueceram de seu público que está em casa. Há toda uma sorte de opções, do balé clássico à dança contemporânea, on-line, com hora marcada ou não. Descubra a sua preferida e aproveite.
Balé Bolshoi
Depois do sucesso de uma primeira rodada de streaming de seus balés e óperas, com mais de três milhões de espectadores em 130 países, o Bolshoi de Moscou programou outra série. No novo grupo que será apresentado até início de maio, destaque para “Spartacus”, com estreia neste sábado. É a mesma irretocável montagem apresentada na última turnê do Bolshoi no Brasil, em 2015, que segue a versão assinada por Yuri Grigorovich, de 1968. A história do gladiador que lidera escravos contra o exército romano ganha toques cinematográficos, dada sua agilidade nos cortes e passagens de cenas, numa referência ao filme de Stanley Kubrick, de 1960, com Kirk Douglas. Cada título tem uma première às 13h do Brasil (19h de Moscou) e, após a exibição, o vídeo fica à disposição por mais 24 horas. Veja aqui.
Royal OperaHouse
Cena de “Metamorphosis”, adaptação para a obra de Kafka que estreia amanhã: dança altamente expressionista Foto: Tristram Kenton
O mais tradicional palco de balé e ópera do Reino Unido tem oferecido, em média, um grande espetáculo novo por semana, nas redes sociais, no projeto #OurHouseToYourHouse (algo como “Da nossa casa para a sua casa”). São produções próprias de balé e ópera, que depois da estreia on-line continuam à disposição do público. Amanhã, às 15h (19h na Inglaterra) estreia “Metamorphosis”, trabalho do Royal Ballet de 2011. Criado para o primeiro bailarino Edward Watson, o espetáculo é uma adaptação coreográfica de Arthur Pita para a obra-prima de Franz Kafka, que segue o mesmo tom intenso da escrita original, com uma dança altamente expressionista. Vale uma percorrida cuidadosa pelo canal do Royal Opera House no YouTube, que, além de oferecer as versões integrais de espetáculos, tem registros de ensaios, entrevistas com bailarinos e extratos de cenas de títulos importantes de balé. Um material fascinante. Veja aqui.
Rosas
Companhia belga Rosas disponibilizou o espetáculo “Rain”, entre outros Foto: Divulgação
A companhia belga dirigida pela festejada (e produtiva) coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker está sendo generosa na quarentena. Pelo menos até 30 de abril, há uma série de produções em streaming: espetáculos completos, filmes, documentários e até uma aula Entre os espetáculos, “Rain”, de 2001, tem tanto uma versão gravada em 2016 com a própria companhia belga como um documentário sobre a montagem da peça pelo Balé da Ópera de Paris, em 2011. Veja aqui.
Pina Bausch
A Fundação Pina Bausch disponibilizou a versão recentemente restaurada de “Palermo Palermo”, gravada logo após a sua estreia, em 1989. A obra inaugurou um jeito de fazer dança que se tornou uma das marcas da coreógrafa alemã morta há pouco mais de dez anos: peças criadas a partir de residências em grandes cidades do mundo. A uma dança de muitas nuances psicológicas e boas doses de humor, uniram-se aspectos políticos e econômicos dos países em questão. Veja aqui.
Maguy Marin
Coreógrafa francesa referência para toda uma geração de artistas europeus, Maguy Marin tem, entre suas criações, uma obra-prima incontestável: “May B”, peça de 1981, inspirada em personagens de Samuel Beckett. Uma peça para rever sempre que possível. Veja aqui.
São Paulo Cia de Dança
Grupo libera espetáculos aos poucos: até o dia 23, é possível assistir à coreografia “Inquieto” Foto: Wilian Aguiar / Divulgação
Dona de um repertório dos mais ecléticos, que vai da dança clássica à contemporânea, o grupo lançou a companha #SPCDdigital, através da qual oferece espetáculos completos. Até o dia 23 de abril, a obra em cartaz é “Inquieto”, criada por Henrique Rodovalho, diretor artístico da Quasar de Goiânia. Para mostrar um outro lado da moeda, a partir de 24 de abril, será a vez de “O espectro da rosa”, inspirado na obra de 1911 de Michel Fokine. Veja aqui.
O Globo Thursday, 16 de April de 2020
BOLINHOS E OUTROS PETISCOS POR DELIVERY
Como e onde pedir bolinhos e outros petiscos por delivery
Na lista de recheios tem bacalhau, carne-seca, linguiça e ovo de codorna
O Globo
16/04/2020 - 05:30
Cadeg: bolinho de bacalhau Foto: Divulgação
São mais de dez mil bares e restaurantes no Rio, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A grande maioria, de acordo com a entidade, está fechada em decorrência das normas de segurança impostas para conter a pandemia do coronavírus. Uma parte deles, no entanto, segue funcionando com serviços de entregas (o delivery), alguns focados em bolinhos, um clássico da comida de boteco entre os cariocas, além de outros petiscos. Confira a lista.
COMO E ONDE PEDIR BOLINHOS E OUTROS PETISCOS POR DELIVERY
1 de 9
Os Imortais: bolinho Irmãos Metralha, de feijão, linguiça, queijo e couve Foto: Paula Giolito / Divulgação/Paula Giolito
Bolinho de bacalhau do Farrapos Foto: Divulgação/Selmy Yassuda
Cadeg
Vários restaurantes do centro de abastecimento operam com serviço de entrega, entre eles, o Costelão (2589-0022), que oferece bolinho de bacalhau (R$ 46,90, a porção com oito), e o Corujão (2589-2666), que tem bolinho de bacalhau a R$ 5 a unidade.
Aconchego Carioca
Bolinho de abóbora com carne-seca do Aconchego Carioca Foto: Eduardo Almeida / Divulgação/Eduardo Almeida (Estúdio Semente)
Os petiscos de Kátia Barbosa são vendidos pelo Ifood e delivery próprio, entre bolinho de feijoada (R$ 34,90), e outros como o de abóbora com carne seca (R$ 33,-0); de arroz ao curry (R$ 33,90, seis unidades) e aipim com bobó (R$ 36,90). Pedidos pelo telefone 2273-1035.
Adega da Velha
Entre as opções para delivery, a porção de quiabo crocante na chapa (R$ 16) e sanduíche de carne de sol com queijo coalho (R$ 22). Pedidos pelos telefones 2539–5047 e 2286–2176 ou pelo Ifood.
Bar da Frente
Fondue de coxinh: Bar da Frente Foto: Divulgação/Berg Silva
Uma das apostas da casa é o fondue de coxinha (servida com molho de queijo cremoso; R$ 36,90 - oito unidades). Pedidos pelo 2502-0176. Qua, qui e dom, do meio-dia às 17h. Sex e sáb, do meio-dia às 20h.
Bar do Momo
Momovo do Momo Foto: Divulgação/Gabriela Rodrigues
Alguns dos clássicos da casa estão disponíveis para entrega, entre eles o Momovo (bolovo com massa de bacalhau recheada de ovo com gema mole (R$ 13). Há promoção do bolinho de arroz (R$ 30. seis unidades) e pastéis como o de camarão com Catupiry (R$ 7,50). Pedidos pelos telefones 2570-9389 / 998722636, de quarta a sábado, do meio-dia às 22h.
O gastrobar no Méier entrega via Uber Eats e delivery próprio que atende a Zona Norte. Todo o cardápio da casa está disponível. Entre as opções de petisco, o porco prensô e fritô (R$ 29, três unidades), coxinhas feitas com carne de costelinha suína ao barbecue, desfiada e prensada no lugar da massa, empanada na farinha panko e recheada com provolone defumado, e o bolovinho (R$ 32, oito unidades), ovinho de codorna empanado em massa de calabresa e farinha panko servido com maionese picante. Pedidos pelo telefone 96537-2494.
Deli 43
Deli 43: bolinho de tapioca com linguiça e queijo coalho Foto: Divulgação/Rodrigo Castro
De terça a domingo, das 11h às 18h, você pode pedir petiscos como bolinho de tapioca com linguiça e queijo coalho (R$ 18; dez unidades), pelo telefone 2294- 1745 ou (21) 99866-7715 (WhatsApp). A taxa é de até R$ 10.
Os Imortais
Os Imortais: bolinhos Irmãos Metralha Foto: Paula Giolito / Divulgação/Paula Giolito
Tem os bolinhos com massa de arroz ou feijão Os Imortais (R$10), com várias opções de recheio, e os bolinhos As Marias (4 bolinhos de milho empanados no cabelinho de anjo recheados com ragu de calabresa e queijo, acompanha molho de tomate e pesto, R$25). Entrega via iFood, Rappi e direta (apenas Copacabana e Leme) pelo telefone 3563-8959.
Farrapos
O bar de vinhos, em Copacabana, serve bolinhos de bacalhau (R$ 30; cinco unidades). Pedidos pelos telefones 99890-6629 e 3518-2654.
Guimas
Bolinho de bacalhau do Guimas Foto: Divulgação
A entrega, feita pelos próprios garçons da casa de bicicleta, só atende a Zona Sul e inclui opções como bolinho de bacalhau (R$ 40, oito unidades), pastéis (brie e camarão; R$ 38, oito) e croquete de carne (R$ 36, oito). Pedidos pelos telefones 2259-7996 e 2529-2281, diariamente das 11h às 18h.
Skunna
Skunna: bolinho de bacalhau Foto: Divulgação
O restaurante, em Vargem Grande, manda para sua casa bolinho de bacalhau (R$ 36, seis unidades). Pedidos pelos telefones 2428-1213 / 2428-1193 / 99774-7617 ou IFood.
Para ver obras de Rafael nos 500 anos de sua morte
Ícone do Renascimento, artista italiano tem trabalhos disponíveis em acervos virtuais
Ricardo Ferreira
14/04/2020 - 06:00 / Atualizado em 14/04/2020 - 15:09
Detalhe de 'Ressurreição de Cristo', tela de Rafael no Masp Foto: Reprodução
Muito mais que um pintor, o italiano Raffaello Sanzio (1483-1520) — no Brasil, Rafael —, é considerado um dos grandes nomes no Renascimento ao lado de Michelangelo e Leonardo Da Vinci. Também poeta, designer e arquiteto, o garoto prodígio da cidade de Urbino, na Itália, colocou seu nome na história das artes antes de morrer aos 37 anos. No mês em que se completam cinco séculos de sua morte, listamos alguns de seus principais trabalhos para você conferir sem sair do sofá.
‘O casamento da Virgem’
'O casamento da Virgem' mostra a união de Maria e José, impressionando pela perspectiva Foto: Reprodução
Datada de 1504 e sob os cuidados da Pinacoteca di Brera, em Milão, a pintura a óleo sobre madeira retrata o casamento de Maria e José, com um sacerdote que oficializa a união. É considerada uma das obras mais importantes de Rafael. Note as proporções exatas e o jogo de perspectiva. Segundo a própria pinacoteca, o pintor se inspirou em uma obra de Pietro Perugino (seu professor). Veja aqui.
‘O cardeal’
'O Cardeal', no Museu do Prado, tem rigor técnico e figura enigmática Foto: Reprodução
Atribui-se ao cardeal Francesco Alidosi a figura retratada por Rafael nesta pintura célebre, destaque no Museu do Prado, em Madri. Foi feita em Roma, em 1510, e chama atenção não só pela técnica, mas também pela áurea enigmática do personagem. Tem conceitos derivados de Da Vinci, como a composição triangular, vista também em “Monalisa”. Veja aqui.
‘São Miguel derrota satanás’
No Museu do Louvre, em Paris, a tela que reproduz uma cena bíblica foi feita sob encomenda de um duque para presentear o rei francês Luis XII. Nota-se o contraste do claro (São Miguel) e escuro (o demônio) no quadro. Veja aqui.
‘Ressurreição de Cristo’
Cheia de ritmo e movimento, estima-se que a obra — que está acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp) — tenha sido produzida entre 1499 e 1502 para um painel maior, fracionado por ocasião de um terremoto. Veja aqui.
‘Autoretrato’
Outro retrato da lista — o do próprio pintor — pertenceu à coleção do cardeal Leopoldo de Médici e está abrigado na Galeria Uffizi, em Florença, desde 1890. Assim como em “O cardeal”, revela sutileza do artista na expressão delicada do retratado, desta vez dócil. Veja aqui.
‘Escola de Atenas’
Afresco 'Escola de Atenas' recria possível reunião de filósofos Foto: Reprodução
Obra-prima de Rafael, o afresco foi feito entre 1509 e 1511 a pedido do então Papa Julio II, fiel “cliente” do artista. Impressiona pela riqueza de detalhes sobre uma hipotética reunião de pensadores na Grécia Antiga. Não dá para cravar, mas estariam ali representados algumas filósofos como Sócrates, Aristóteles e Platão, além de outras especulações como, sim, a Monalisa de Da Vinci. Está no Palácio Apostólico e disponível no site do Museu do Vaticano. Veja aqui.
‘As três graças’
Eufrosina, Talia e Aglaia, musas alegres e belas, irmãs e filhas de Zeus, estão nesta tela de pequenas dimensões pertencente ao Museu Condé, em Chantilly, na França. Condenada pela igreja católica, a nudez na pintura — representada sem problemas na antiguidade — foi resgatada pelos renascentistas. Nas mãos das irmãs, porém, o alerta: a maçãs que indicam o pecado. Veja aqui.
‘Madona e o menino entronados com santos’
Retábulo 'Madona e o menino entronados com santos' foi feito para uma igreja e hoje está no MET Foto: Reprodução
Encomendado por um convento da cidade de Perúgia, o retábulo (estrutura colocada atrás de um altar) foi pintado em óleo sobre madeira e finalizado por Rafael entre os anos de 1504 e 1505. Hoje pertence ao Metropolitan Museum of Art. Veja aqui.
O Globo Tuesday, 14 de April de 2020
RECEITAS DE PRATOS VEGETARIANOS
Quarentena: chefs ensinam receitas de pratos vegetarianos
Tem moqueca, ceviche, feijoada; só não tem carne. Uma tendência que só faz crescer
Bruno Calixto
14/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 14/04/2020 - 09:19
Receita vegana do Teva: abobrinha ao pesto Trapanese com farofa de Panko
Uma pesquisa divulgada este ano pela Sociedade Vegetariana Brasileira aponta que, atualmente, 14% da população do país se declara vegetariana, ou seja, não consome qualquer tipo de carne. De 2012 para cá, o crescimento foi de 75%.
— Acho que está aumentando porque as pessoas estão se conscientizando mais. Há uma maior exposição do tema, mais produtos, pessoas falando nas redes sociais — acredita o chef Daniel Biron, do Teva, bar e restaurante 100% vegetal que, diante da demanda, iniciou serviço de entregas esta semana.
Vegetariano há 15 anos (e vegano há 13), Biron ensina o preparo de abobrinha ao pesto com farofa de panko.
— Geralmente indicamos receitas nas quais parte dos ingredientes pode ser substituída. Nesta, o manjericão de folha larga pode ser substituído pelo manjericão comum; a farinha panko, por farinha de rosca; e o tomate cereja pelo fruto convencional. Estamos num momento de flexibilizar, ser mais criativos — diz.
Aberto em Botafogo desde 2015, o Naturalie Bistrô oferece um cardápio sazonal. Ali, a chef e sócia Nathalie Passos prepara, entre outros, uma feijoada totalmente vegana, com tofu defumado.
— O tofu defumado faz toda a diferença nesta receita, pois o sabor da defumação remete ao de uma feijoada tradicional. Tenho muitos clientes que não são vegetarianos, mas que vêm procurando reduzir o consumo de carne — conta Nathalie.
Abobrinha ao pesto com farofa de panko
Daniel Biron (Teva)
Ingredientes do pesto
1 xícara de tomates cereja, cortados ao meio
1 xícara de tomate seco, recondicionado em água quente, sem pele removida
1 xícara de manjericão de folha larga
½ xícara de amêndoa fatiada
¼ xícara de azeite extra-virgem, dividido
2 colheres de sopa de água
2 colheres de chá de alho picado
½ colher de chá de sal (marinho, de preferência)
pitada de pimenta-do-reino
... da abobrinha
500 g de abobrinha italiana, fatiada em rodelas de ½ cm de espessura
¼ xícara de azeite extra-virgem
1 colher de chá de orégano seco
pitada de sal
... a farofa de panko
½ xícara de farinha panko
2 colheres de sopa de azeite extra-virgem
1 colher de chá de orégano seco
¼ colher de chá de sal marinho
Preparo
Para fazer a farofa de tomate seco, aqueça o azeite em fogo médio e frite a farinha panko até ficar levemente dourada, por cerca de cinco minutos, mexendo com uma colher ou espátula de borracha. Adicione o orégano, misture e deixe esfriar. Reserve.
Para fazer o pesto, adicione duas colheres de sopa de azeite em uma frigideira e toste as amêndoas em fogo médio até dourar, por de três a cinco minutos. Adicione o alho e cozinhe por mais um minuto, sem dourar. Adicione o tomate cereja, aumente o fogo e cozinhe até que as peles comecem a se romper, por cerca de três minutos. Deixe esfriar e transfira para um processador. Adicione o tomate seco já recondicionado, o manjericão de folha larga, o sal, a pimenta-do-reino e o restante do azeite de oliva e pulse algumas vezes. Adicione a água e processe um pouco mais, mas mantendo alguma textura. Reserve. Marine as abobrinhas em azeite com um pouco de sal e orégano antes de grelhar. Grelhe usando uma frigideira tipo grelha ou churrasqueira por cerca de quatro a cinco minutos, até ficar macia. Adicione uma pitada de sal. ara servir, aqueça o pesto em uma frigideira. Espalhe as abobrinhas no prato e espalhe o molho quente sobre a abobrinha. Finalize com a farofa de tomate seco. Decore com folhas de manjericão.
Baião de dois
Rodrigo Sant'Anna (Caju Gastrobar)
Caju Gastrobar: baião de dois vegetariano Foto: Divulgação/Bruno de Lima
Ingredientes
50g de feijão-de-corda
30ml de manteiga de garrafa
10g de pimentão vermelho
10g de pimentão amarelo
20g de aspargos fatiado
20g de cenoura
20g de abobrinha
20g de cogumelos Paris
50g de arroz
1 ovo
30g de queijo coalho
1 dente de alho
Preparo
Aqueça a manteiga de garrafa em uma frigideira com o alho batido e deixe dourar. Adicione o feijão-de-corda já cozido e a cenoura. Deixe esquentar e em seguida adicione os outros legumes e o arroz. Para finalizar,a dicione o queijo coalho e um punhado de coentro. Frite o ovo de modo que a gema fique mole, coloque em cima do baião.
Moqueca de banana-da-terra
Luciano da Silva (Cave Nacional)
Cave Nacional: moqueca de banana-da-terra (R$ 39), temperada com pimentões, coentro, páprica doce, pimenta do reino com cominho, leite de coco e azeite de dendê. Rua Dezenove de Fevereiro 151, Botafogo - 2146-5334. Foto: Divulgação
Ingredientes
3 bananas grandes
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
1 cebola
1 maço de coentro
Uma pitada de páprica doce
pimenta-do-reino e cominho a gosto
um fio de azeite de dendê
70ml leite de coco
sal a gosto
azeite a gosto
Preparo
Refogar a cebola com os pimentões no azeite e adicionar os condimentos no refogado. Em outra frigideira, grelhar as bananas cortadas em forma de cunha e reservar. Após cinco minutos do refogado no fogo, juntar as bananas e deixar apurar o sabor. Servir com arroz branco.
Ceviche de caju
Flávio Datz (La Carioca)
Ceviche vegano de caju, servido na La Carioca Foto: Divulgação/Filico
Ingredientes
180g de caju
20g cebola roxa
10g pimenta aji ou dedo-de-moça
5g coentro picado
30ml de leite de tigre (suco de meio limão, meio caju, meia cebola picada, uma pitada de gengibre, um dente de alho e uma pitada de sal batidos)
Preparo
Corte o caju em cubinhos pequenos. Tempere com sal. Jogue o coentro, a pimenta e o leite de tigre. Adicione a cebola roxa.
Feijoada com tofu
Nathalie Passos (Naturalie Bistrô)
Feijoada com feijão-vermelho, tofu defumado e abóbora, arroz cateto com linhaça e salsa, couve à mineira e farofa de cenoura e milho (R$ 37,90) Foto: Divulgação/Alexander Landau
Ingredientes
400g de feijão
100g de legumes tenros de sua preferência
100g de tofu defumado
400g de arroz integral
50g de linhaça dourada
1 molho de couve
manteiga ghee
100g de cenoura
100g de farinha de mandioca
salsa
cebola e alho
Preparo
Feijoada: Cozinhe o feijão e refogue com alho, cebola, tofu defumado e os legumes escolhidos em cubos. Tempere com sal e pimenta a gosto.
Farofa: Derreta a manteiga ghee e misture a cenoura ralada desidratada junto com a farinha de mandioca. Tempere com sal a gosto.
Arroz integral: Cozinhe o arroz até que fique al dente. Escorra e refogue com alho e cebola a gosto, linhaça e salsinha, sal e pimenta.
Caponata com avelã
Thiago Flores (Sult)
Caponata vegana com avelã do Sult Foto: Divulgação/Juan Prada
Ingredientes
100g de berinjela
100g de cenoura
100g de cebola roxa
100g de aipo
100g de pimentão amarelo
100g de pimentão vermelho
10g de alcaparra
uma lata de tomate pelado
2 dentes de alho
1 punhado de salsa
1 punhado de avelã
100ml de vinagre balsâmico
100ml de azeite extra-virgem
sal e pimenta-do-reino a gosto
1 colherinha de açúcar
Preparo
Corte os legumes em cubos de 1cm e pique o alho . Em uma panela, esquentar o azeite e refogar os legumes, temperando com sal e pimenta. Adicionar o vinagre balsâmico (depois de diluir o açúcar nele). Cozinhar um minuto e adicionar na panela o tomate (que deve ser amassado antes de ir ao fogo). Adicionar meio copo de água, cozinhar por dois minutos, adicionar a salsa, misturar bem e está pronto. Finalizar com as avelãs picadas.
O Globo Monday, 13 de April de 2020
QUARENTENA: APRENDA A FAZER PÃO EM CASA
Quarentena: como fazer pão em casa, desde o básico do caderno da vovó até o de levain
Aprenda o passo a passo de várias opções: tem receita caseira com abobrinha e de brioche e também de chef e padeiro profissional
Bruno Calixto
12/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 13/04/2020 - 09:17
Para aqueles que podem ficar em casa durante o isolamento de combate ao novo coronavírus, uma solução é aprender a fazer o próprio pão, um alimento tão prático quanto simbólico.
— Fazer pão em casa é um ritual muito antigo, que muitas culturas nunca deixaram de praticar — diz a padeira Iona Rothstein, do Empório Jardim, que se formou em gastronomia em Israel e ensina a receita de seu pão pita. — O israelense, árabe, cristão ou judeu, tem uma cultura ligada à mesa farta, e o pita sempre acompanha. Ajuda a limpar o prato. Como os franceses com as baguetes.
A chef Dida Borges aproveitou a quarentena para recriar uma receita antiga da avó, mineira.
— Minha avó fazia um pão de abobrinha caseiro que pode levar fermento de bolo se não tiver o de pão. É super-rápido, ideal para sanduíches e resiste bem na geladeira, podendo ser congelado — diz Dida, que dá o passo a passo que leva farinha de grão de bico e queijo parmesão.
Abaixo, algumas receitas de pães para fazer em casa. Mãos à massa!
Pão pita
Iona Rothstein
Pao pita de Iona Rothstein Foto: Iona Rothstein
Ingredientes
550g de farinha de trigo
330g de água em temperatura ambiente
15g de fermento biológico fresco
15g de sal
20g de açúcar
Preparo
Se tiver batedeira, misturar tudo com o gancho de massa em velocidade lenta. Quando soltar dos lados, aumentar para velocidade média por mais dois minutos. Terminar de sovar a massa numa bancada com farinha. Sem batedeira, força no braço. Sovar a massa até ficar lisa. Fazer uma bola lisa e cobrir com pano . Esperar 30 minutos até dobrar de tamanho. Dividir a massa em nove pedaços de mais ou menos 100g. Fazer bolas não muito apertadas e deixar descansar por mais 15 minutos. Quando a massa estiver fermentada, espalhe farinha numa bancada e abra as bolas em discos de 10 a 15cm de diâmetro com ajuda de um rolo (ou uma garrafa). Esquentar uma frigideira anti aderente, botar um disco e tampar. Uns três minutos de cada lado ou até ficar bem douradinho.
Brioche na forma
Thiago Caiafa
Pão Brioche, de Thiago Caiafa Foto: Arquivo pessoal
Ingredientes
250g de farinha de trigo
4g de fermento biológico
30ml de leite
20g de açúcar
3 ovos
110g de manteiga
Preparo
Bater em velocidade todos os ingredientes em uma batedeira até obter uma massa homogênea. Colocar a massa, que ficará bem macia, em uma vasilha e deixar descansar por três horas, coberta com um plástico ou pano de prato. A massa crescerá bastante. Mexer com delicadeza com uma espátulaa de silicone e transferir para uma forma estilo bolo inglês e deixar descansar por mais duas horas. Pré-aquecer o forno a 180 graus e assar o pão por 25 minutos ou até ficar dourado. Deixar descansar na própria forma por pelo menos mais 30 minutos, pois o pão continua assando enquanto esfria.
Pão de cacau
Flavio Alves (Farinha Pura)
Pão de cacau: Flavio Alves (Farinha Pura) Foto: Divulgação/Lipe Borges
Ingredientes
1kg de farinha (de preferência 00)
Gotas de chocolate
100g de cacau 100%
25g de fermento biológico
700ml de água de açúcar
20 de sal
raspa de casca de laranja
Preparo
Colocar na batedeira fermento, 500ml de água, farinha já misturada com cacau e bater por sete minutos na velocidade 1. Acrescentar o sal, 200 ml de água, as gostas de chocolate e as raspas de laranja e bater na velocidade 2 por três minutos. Dobrar a massa e descansar por 12 horas. Após isso, dividir em quatro pedaços e descansar por mais 30 minutos. Aquecer o forno em 240 graus por dez minutos. Colocar o pão para assar por 20 minutos. Depois de assado, deixar descansar por 30 minutos antes de servir.
Pão italiano
Michele Petenzi (L'ulivo Cucina e Vini)
Ingredientes
1,2kg de farinha (de preferência 00)
720g de água fria
48g de sal
6g de fermento biológico fresco
Preparo
Derreter o sal na água, acrescentar a farinha com o fermento. Amassar por cinco minutos, deixar descansar por 20 minutos. Começar as dobras, fazer quatro dobras a cada 30 minutos por duas horas mantendo a massa na geladeira. Deixar descansar por 20 horas na geladeira. Depois, dividir a massa em quatro, dar o formato e colocar numa forma. deixar descansar por oito a dez horas na geladeira. Assar em forno pré-aquecido por 30 minutos a 240 graus e depois por mais 20 minutos a 210 graus.
Baguete
Antonio Carlos Barbosa (Casa Carandaí)
Ingredientes
1kg de farinha (de preferência 00)
20g de sal
600ml de água gelada
40g de fermento biológico fresco
Preparo
Misturar em um bowl todos os ingredientes secos. Adicionar águas aos poucos, mexendo até formar uma massa homogênea. Comece a sovar (com a mão, vai com a massa empurrando e volta puxando, em movimento repetitivo, isto é a sova), até dar o ponto de véu (quando você estica a massa com as mãos e ela fica bem fina). Descansar por 20 minutos em um bowl coberto com um pano. Após este primeiro descanso, separa a massa em pedaços de aproximadamente 200g . Cada pedaço é pré-modelado e colocado no tabuleiro. Deixe descansar mais 20 minutos (novamente coberta com pano) e modele no formato da baguette. Descanse por mais 1 hora. A massa vai dobrar de volume. Com uma faca, faça pequenos cortes em cima da massa. . Com o tabuleiro já dentro do forno, a 240 graus, borrife um pouco de água somente em cima das baguettes, e deixa assar de 15 a 20 minutos.
Focaccia
Bruno Katz (Nosso)
Ingredientes
1kg de farinha italiana tipo 00
75ml de água
220g de fermento natural ou 55g de biológico
20g de sal
Preparo
Em um bowl grande colocar a farinha e em outro, o levain (verificar se o levain boia), depois misture tudo. Descansar por 20 minutos, adicionar o sal diluído em água, até homogeneizar. Fazer a dobra. Por duas horas dobrar a massa a cada 30 minutos. Descansar por 90 minutos abrir no tabuleiro, deixar dobrar de tamanho e assar a 250 graus.
Pão de ervas
Valéria Lomeu
Pão de ervas: Valéria Lomeu Foto: Arquivo pessoal
Ingredientes
1 xícara de chá de leite morno
1 colher de sopa de açúcar
2 cebolas média
1 colher de sopa de sal
1 xícara rasa de chá de óleo (soja ou côco)
3 ovos inteiros
1 colher de sopa de alecrim
1 colher de sopa de orégano
1 xícara de chá de manjericão fresco
1 molho de cheiro verde
3 dentes de alho
10g de fermento biológico
1kg de farinha de trigo
Preparo
Bater no liquidificador: leite, cebola, açúcar, sal, óleo, alecrim, orégano, manjericão, cheiro verde, ovos e alho. Depois de bem batido, colocar o fermento e bater ligeiramente. Desligar e colocar em uma bacia grande, ir acrescentando a farinha aos poucos até a massa ficar macia e soltando da bacia. Colocar a massa na bancada e sovar um pouco. Dividir a massa toda e fazer os pãezinhos com cada parte. À medida que for enrolando os pães colocar em tabuleiro untado. Quando terminar de enrolar os pães, pincelar gema e jogar gergelim, chia ou linhaça e colocar para assar em forno pré-aquecido a 200 graus. Até ficar dourado.
Pão de abobrinha
Dida Borges
Ingredientes
1 ½ xícara de abobrinha ralada no ralo grosso
1 ½ xícara de farinha de grão-de-bico
2 colheres de chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal
Pimenta do reino a gosto
½ xícara de azeite de oliva
1 xícara de queijo parmesão ralado
2 ovos
Preparo
Unte uma forma de bolo inglês com azeite e farinha de trigo. Num bowl, misture a abobrinha ralada, a farinha de trigo, o fermento em pó, o sal e a pimenta do reino. No liquidificador, bata o azeite, o parmesão e os ovos até que vire uma mistura homogênea. Em seguida junte essa mistura ao bowl, coloque na forma untada e asse em forno médio por 40 minutos ou até crescer e dourar. Fica a dica: fatie como pão de forma e monte sanduíches variados, com recheios como tomate, pesto de manhericão e burrata; mozzarella de búfala, presunto de parma e rúcula; queijo ementhal com salaminho; pasta de frango desfiado com cenoura, ricota e ervas frescas e salada de atum com tomate cereja.
Pão belga
Fred de Maeyer
Ingredientes
350g de farinha de trigo
130ml de leite
100g de passas
70g de manteiga derretida
75g de açúcar
1 ovo
10g de fermento para pães fresco ou 1 colher de chá de fermento
1 pitada de sal
1 ovo batido (para pincelar na massa)
1 colher de sopa de leite (para pincelar na massa)
Preparo
Colocar as passas de molho em água morna por dez minutos. Amornar o leite e dissolver o fermento para pão. Reservar. Misturar a farinha, o açúcar, o sal e acrescentar ao poucos ao leite com fermento diluído. Bater por cinco minutos na batedeira, usando o gancho de pães. Se preferir, pode misturar com as mãos, vigorosamente, até que os ingredientes estejam todos incorporados. Juntar a manteiga derretida e misturar o ovo. Escorrer as passas e juntar à massa. Sovar um pouco até formar uma massa elástica. Se necessário, juntar um pouco mais de farinha de trigo.
Deixar a massa num recipiente coberto com filme plástico na geladeira durante a noite para que cresça.
Deixar em temperatura ambiente por 1 hora antes de assar. Colocar então numa forma para pão ou bolo inglês, forrada com papel manteiga e pincelar com a mistura do ovo e do leite. Levar a forno pré aquecido a 200 graus por 40 minutos ou até crescer bastante e ficar moreninho.
O Globo Sunday, 12 de April de 2020
CORONAVÍRUS: BORIS JOHNSON, PREMIER DA INGLATERRA, RECEBE ALTA
Coronavírus: Boris Johnson recebe alta e diz que deve a vida ao serviço público de saúde
Hospitalizado há uma semana com Covid-19, primeiro-ministro britânico chegou a ser transferido para UTI; ele não retornará imediatamente ao trabalho
AFP
12/04/2020 - 09:13 / Atualizado em 12/04/2020 - 10:27
Foto: - / AFP
LONDRES — O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, hospitalizado há uma semana com Covid-19, recebeu alta neste domingo, três dias depois de deixar a unidade de terapia intensiva. Em sua primeira declaração oficial desde a segunda-feira passada, quando deu entrada no Hospital St Thomas, Boris agradeceu ao serviço público de saúde por ter salvado "sua vida". "Nunca agradecerei o suficiente" à equipe do NHS (o serviço de saúde do Reino Unido), "devo a eles minha vida", afirmou.
Segundo o governo, apesar de ter deixado o hospital, Boris Johnson ainda não retornará imediatamente ao trabalho.
"O primeiro-ministro foi liberado do hospital para continuar sua recuperação em Chequers", sua residência no noroeste de Londres, disse um porta-voz do governo em comunicado, acrescentando que Boris "não retomará imediatamente o trabalho, sob orientação de sua equipe médica".
O agradecimento público ocorre em um momento em que aumenta o descontentamento entre os profissionais da saúde, denunciando a falta de equipamentos de proteção.
A Associação Real de Enfermeiros (RCN), o maior sindicato do setor, aconselhou seus membros a se recusarem a trabalhar "como último recurso" no caso de uma grave falta de equipamentos de proteção.
— Para o pessoal de saúde, isso é contrário aos seus instintos. Mas a segurança não deve ser comprometida — explicou um porta-voz do sindicato à agência de notícias britânica PA.
O premier contraiu a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no final de março. No Reino Unido, a pandemia já causou 9.875 mortes.
O Globo Saturday, 11 de April de 2020
SINAIS DE CELULAR COMPROVAM QUE FAVELAS DO RIO ABANDONARAM O ISOLAMENTO PELO CORONAVÍRUS
Sinais de celular comprovam que favelas do Rio abandonaram isolamento pelo coronavírus
Dados demonstram descontrole na quarentena
Paulo Cappelli, Rafael Nascimento de Souza, Luiz Ernesto Magalhães e Hellen Guimarães
11/04/2020 - 04:30
Aglomeração no Largo do Boiadeiro, na comunidade da Rocinha: na Sexta-Feira Santa, comércio funcionou a todo vapor em boa parte da favela,assim como no Complexo do Alemão Foto: Fábio Motta / Agência O GLOBO
RIO — Um vídeo que ganhou nesta sexta-feira as redes sociais mostra centenas de motociclistas saindo da Rocinha, de madrugada, para o chamado “rolezinho”. Pela manhã, o comércio na comunidade funcionou a todo vapor, assim como em favelas do Complexo do Alemão. A Sexta-Feira Santa mostrou que, em várias comunidades do Rio, as regras de isolamento social foram completamente ignoradas. Uma percepção comprovada com números que impressionam.
Por meio de um mapeamento feito com dados de uma única operadora de telefonia móvel, a TIM, o Centro de Operações Rio (COR), da prefeitura, chegou a detectar uma concentração de 10,6 mil pessoas numa área de Rio das Pedras, na Zona Oeste, no último domingo. Em um trecho da Rocinha, houve uma aglomeração de 4.960 celulares ligados às 23h do sábado passado, praticamente o dobro do volume registrado no mesmo dia da semana anterior. O horário, segundo o órgão do município, sugere a realização de algum evento.
— Como recebemos dados de uma única operadora, é muito provável que as aglomerações sejam superiores às que detectamos. Estamos conversando com a Anatel e com outras empresas de telefonia para tentar expandir esse mapeamento. O ideal seria que, neste momento difícil, todas as prefeituras do estado tivessem acesso às informações — diz Alexandre Cardeman, chefe-executivo do COR.
No Complexo do Alemão, o feriado foi de comércio cheio. O fundador do jornal comunitário Voz das Comunidades, Renê Silva, compartilhou pelo Twitter uma foto que mostra uma movimentação intensa, o que considera uma “tragédia anunciada”. Já o fotógrafo Bruno Itan divulgou, em seu Instagram, um vídeo gravado na favela Nova Brasília. Nas imagens, uma multidão circula por ruas.
Nos últimos dois dias, a prefeitura realizou operações para fechar o comércio não essencial na Rocinha. Cerca de 250 lojas e 850 boxes tiveram acessos bloqueados enquanto guardas municipais usavam alto-falantes para passar informações sobre o coronavírus. O fluxo de pessoas até diminuiu, porém muitos estabelecimentos acabaram sendo reabertos horas depois, e o secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, reconheceu que, sem conscientização, ações do poder público contra o coronavírus não darão o resultado esperado.
— Tive hoje (sexta-feira) uma reunião com 50 lideranças de diferentes comunidades. É importante que cada uma se empenhe para divulgar o potencial de contágio da Covid-19 — alerta o secretário.
Segundo Fonseca, a quantidade de denúncias passadas ao Disque-Aglomeração, serviço lançado pelo município, aumentou. Esta semana, foram registradas mais de mil ligações por dia, superando a média de 700 da anterior.
Para tentar reduzir a circulação pelas ruas, a prefeitura tem recorrido até mesmo a influenciadores digitais.
— Ferramentas de inovação e tecnologia são essenciais para direcionar equipes e mandar mensagens pelo aplicativo do COR e por redes sociais. Temos conversado com influenciadores digitais de cada local, como Rocinha e Vidigal. Assim, esperamos conseguir uma comunicação mais direcionada — explica Cardeman.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Wallace Pereira, 150 idosos que moram na comunidade serão levados, na segunda-feira, para hotéis contratados pela prefeitura. O objetivo é que homens e mulheres com mais de 60 anos que moram em residências apertadas sejam abrigados pelo município. Até esta sexta, apenas 40 dos mais de mil quartos disponibilizados estavam ocupados.
Plano na Rocinha
Também nesta sexta-feira, durante uma visita ao hospital de campanha que está sendo montado no Riocentro, o prefeito Marcelo Crivella afirmou que pedirá ao governo federal que a Rocinha se torne a primeira comunidade do país a receber um plano específico de combate ao coronavírus. Esta semana, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que uma estratégia nesse sentido vem sendo elaborada, inclusive por meio de um diálogo com o tráfico e a milícia. No entanto, nenhum detalhe do projeto foi divulgado.
Ao lado do senador Flávio Bolsonaro, Crivella anunciou ainda que o Ministério da Saúde antecipou um repasse de R$ 87 milhões, em recursos do SUS, para o município do Rio. O dinheiro será destinado ao Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, unidade de referência para o tratamento de pacientes com a Covid-19, e ao que é montado no Riocentro.
O Globo Friday, 10 de April de 2020
RECEITAS PARA A SEMANA SANTA: CHEFS ENSINAM PRATOS COM PEIXE
Receitas para a Semana Santa: chefs ensinam pratos com peixe
Lista inclui de linguado recheado com pupunha a prato típico da Liguria, na Itália, e do Algarve, em Portugal
Luciana Froes
09/04/2020 - 04:30 / Atualizado em 09/04/2020 - 12:24
Peixe ao curry, da chef Joana Carvalho, do Proa Foto: Divulgação
Guardo lembranças perfumadas dos domingos de Páscoa. Era meu avô o encarregado do peixe, voltava com postas enormes de badejo ou robalo, compradas no velho mercado da Praça Quinze. Minha avó as assava e servia em travessas de prata, que, neste domingo, vou tirar do armário e montar igual, num almoço atípico, solitário, mas nem por isso melancólico. Muito menos insosso. Vou recorrer a uma das receitas que esses chefs generosos sugerem e compartilham conosco.
— Vou servir um prato do Algarve: cataplana de cherne, que pode ser feita na frigideira — diz Alexandre Henriques, da Gruta de Santo Antônio.
Morena Leite, do Capim Santo, vai de linguado recheado com pupunha:
— É como se fosse um rocambole, bem justinho, deixando a ponta final do rolinho para baixo, para não abrir. Para acertar no ponto, vai apertando com a ponta dos dedos. Quando as lascas do peixe se separarem, está no ponto.
Já Nello Garaventa, do Grado, resgatou um prato da Liguria, berço de família:
— Devem ser postas baixas, de peixe pequeno, e não podem ressecar.
O italiano Nello Cassese, do Cipriani, ensina uma receita com caponata.
— Lembro-me da minha avó fritando os pimentões vermelhos, um cheiro delicioso se espalhando pela casa...
A sugestão de Joana Carvalho, do Proa, também é bem família: curry caseiro
— Na Índia, cada família faz o seu, é um tempero pessoal, no qual você vai juntando e combinando o que mais lhe agrada. E cria a sua massala, uma identidade da família. É o que sugiro para essa Páscoa tão especial.
Linguado recheado com palmito, e petit gâteau de banana
Morena Leite, Capim Santo
Linguado recheado do Capim Santo, da chef Morena Leite Foto: Divulgação/Ana Regueira
Ingredientes (para 2)
... do peixe
600g de filé de linguado
suco de 2 limões
sal e pimenta-do-reino a gosto
... do recheio
4 fatias de pão de forma sem casca e passado no ralador
200g de palmito pupunha
2 colheres (sopa) de azeite
1 colher (sobremesa) de alho picado
200ml de leite
1/2 xícara de alho picado
sal, pimenta-do-reino, pimenta dedo-de-moça, raiz de capim-santo e salsinha a gosto
... do petit gâteau de banana
100g de banana nanica
1/3 xícara de suco de laranja
1 colher de sopa de manteiga
1 ovo inteiro + 2 gemas
1 colher sopa de farinha de trigo
... do molho
1/2 xícara de chá de azeite
3 colher de café de alho picado
1 colher de café de pimenta dedo- de-moça
2 e 1/2 xícaras de suco de laranja
Sal a gosto
Preparo
Tempere os filés de linguado com o limão, o sal e a pimenta-do-reino. Reserve na geladeira.
....do recheio
Refogue no azeite o alho e cebola. Junte o palmito cortado em cubos bem pequenos, a pimenta, o capim-santo, e refogue. Acrescente o leite e, quando o palmito estiver cozido, adicione o pão até a mistura ficar homogênea. Salpique a salsinha e reserve.
... do peixe
Espalhe 1 colher de sopa de recheio sobre cada filé de linguado e enrole como se fosse um rocambole. Envolva em papel alumínio e leve ao forno a 200 graus, por cerca de 10 minutos.
...do petit gâteau
Cozinhe a banana em rodelas no suco de laranja até desmanchar. Acrescente manteiga derretida, ovo, gemas e farinha. Misture até ficar homogêneo. Unte forminhas com manteiga e farinha e coloque a massa. Leve a forno aquecido a 180 graus por aproximadamente 5 minutos (as laterais ficarão mais resistentes, e o meio, mole).
...do molho
Aqueça o azeite, doure o alho, junte a pimenta e o suco de laranja. Tempere com sal a gosto e deixe reduzir à metade.
Cataplana (ou frigideira) de cherne
Alexandre Henriques (Gruta de Santo Antônio)
Cherne na cataplana da Gruta de Santo Antônio Foto: Divulgação
Ingredientes
800g filé de cherne sem pele e espinha (cortado em 6 pedaços)
2 colheres de sopa de alho fatiado
50g de manteiga
50ml de azeite extra virgem
4 tomates sem pele e sem semente
coentro rasgado
suco de 1/2 limão
sal a gosto
pimenta-do-reino
100ml de vinho branco (de preferência sauvignon blanc)
Preparo
Refogue o alho com a manteiga e o azeite. Coloque o cherne em pedaços e cozinhe nesse molho. Acrescente tomates, coentro rasgado, sal, pimenta , suco de limão e vinho. Deixe cozinhar até o peixe ficar macio.
O truque: quando o peixe ficar bem macio, tampe a frigideira e espere 2 minutos para servir.
Robalo alla Ligure
Nello Garavento (Grado)
Robalo alla ligure, de Nello Garavento, do Grado Foto: Arquivo pessoal
Ingredientes (para 4)
800g de filé de robalo (ou outro peixe branco)
160 ml de azeite extra virgem
120ml de vinho branco
200g de tomate cereja
cortados ao meio
50g de azeitona preta sem caroço
1 amarrado pequeno de manjericão desfolhado
20g de pinoli
sal e pimenta a gosto
Preparo
Aquecer uma frigideira com 100ml de azeite, colocar os filés de peixe temperados com sal e pimenta e grelhar até ficar levemente dourado.
Virar o peixe, adicionar o vinho branco, o tomate cereja temperado com sal e pimenta e a azeitona. Tampar a frigideira e deixar cozinhar por 3 ou 4 minutos.
Destampar a frigideira, acrescentar as folhas de manjericão e o pinoli. Regar com o azeite extra-virgem restante e servir.
Sugestão de acompanhamento: batatas ao forno.
Peixe branco, caponata de legumes, molho mediterrâneo
Nello Cassese (Cipriani)
Peixe branco, caponata de legumes, molho mediterrâneo do chef Nello Cassese, do Cipriani Foto: Divulgação
Ingredientes (para 4)
4 filés de peixe branco (entre 150g e 180g cada um)
150g de abobrinha italiana
150g de berinjela
150g de pimentão vermelho
20g açúcar mascavo
100g de vinagre de vinho tinto
1 dente de alho
20g de minialcaparra
20g de suco de limão
80 g de azeite
5g de folhas de basílico
5g de salsinha picada
100g de couve mineira
sal a gosto
óleo para fritar
Preparo
Marinar os filés no azeite com uma pitada de sala por 1 noite, na geladeira. Cortar os legumes no tamanho desejado, fritar, escorrer e secar com um papel. Refogar em uma frigideira com um pouco de azeite um dente de alho e colocar todos os legumes; pegar calor e acrescentar o açúcar mascavo. Deixar caramelizar e colocar o vinagre; deixar reduzir até a consistência de xarope. Pegar os filés de peixe, colocar sal a gosto e cozinhar em uma frigideira com óleo. Deixar o peixe rosa no meio e colocar em cima um papel para absorver a umidade. Dispor em um prato os legumes em forma circular; colocar no meio o peixe cozido. Finalizar com molho feito batendo o suco de limão, azeite, alcaparra e salsinha picada. O resultado tem que ser bem cremoso e emulsionado. Decorar com folhas de brasílico fresco e couve, cortada em julienne e frita.
Curry de peixe
Joana Carvalho (Proa)
Peixe ao curry, da chef Joana Carvalho, do Proa Foto: Divulgação
Ingredientes (para 3 ou 4)
1kg de filé de peixe branco sem espinhas e sem pele fatiado em cubos de três dedos de largura (temperar com sal, pimenta-do-reino, suco de 1 limão e um cubo de 6cm de gengibre ralado; fechar e reservar na geladeira)
...da massala da Jojo
1 c. de sopa de semente de coentro
1 canela em pau
1 c. de sopa de semente de cominho
1 c. de chá de semente de erva-doce
1 c. de sopa de gengibre em pó
1 c. de sopa de pimenta-do-reinoem grãos
1 c. de chá de pimenta caiena
1 c. de chá de cardamomo em pó
2 c. de sopa de cúrcuma em pó
...do molho
5 colheres de sopa de óleo
4 dentes de alho picado
1 cebola grande picada
1 lata de tomate pelati
2 colheres de sopa da massala
2 folhas de louro
150ml de leite de coco ou iogurte natural
Preparo
...da massala
Coloque as sementes e a canela em uma frigideira pré-aquecida em fogo médio. Mexa por dez minutos. Misture os ingredientes em pó. Triture tudo (em pilão, moedor de café ou liquidificador) até ficar um pó homogêneo.
... do molho
Aqueça em fogo baixo uma panela de fundo grosso. Doure a cebola e o alho no óleo e coloque a canela e a massala. Deixe incorporar, mexendo sempre. Acrescente o tomate pelati e cozinhe por 15 minutos. Coloque o leite de coco ou o iogurte, não misture.
Abaixe o fogo ao mínimo enquanto faz a o peixe. Numa frigideira com fogo alto, sele os cubos de peixe, cada lado por 3 minutos. Transfira-os para a panela onde está o molho. Jogue o molho por cima e cozinhe por mais 5 minutos. Acrescente a erva de sua preferência: coentro, salsa, manjericão.
O Globo Thursday, 09 de April de 2020
COPACABANA PALACE FECHA PELA PRIMEIRA VEZ EM 97 ANOS
Coronavírus: ícone, Copacabana Palace fecha pela primeira vez em 97 anos
Suspensão das atividades começa nesta sexta-feira e deve ir até fim de maio
Eduardo Maia
09/04/2020 - 04:30
Imagem aérea do hotel Copacabana Palace, que ficará sem receber hóspedes até, pelo menos, final de maio Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Por fora, será difícil notar qualquer diferença no Copacabana Palace nas próximas semanas. As bandeiras estarão hasteadas como sempre, e a fachada continuará sendo iluminada todas as noites. Mas, a partir de amanhã, pela primeira vez em seus quase 97 anos de história, o ícone carioca estará fechado, assim como outros 60 hotéis da cidade, impactados pela pandemia do novo coronavírus. A reabertura está prevista para o final de maio.
Os últimos hóspedes deixaram o Copacabana Palace na segunda-feira. Só continuarão no hotel dois moradores, Andrea Natal, diretora geral do Grupo Belmond do Brasil, que administra o estabelecimento, e o cantor e compositor Jorge Ben Jor, que desde 2018 vive lá.
Antes do check-out derradeiro, um alerta vermelho já havia sido aceso. Em meados de março, uma sequência de cancelamentos de grandes grupos chamou a atenção de Andrea. Ela percebeu que a onda que já fazia estragos em outras partes do mundo estouraria na Avenida Atlântica.
— Nossa previsão de ocupação para março era de 70%, e fechamos o mês com 36% — conta a diretora. — Até começamos bem, mas a partir de meados do mês, quando o turismo global começou a ser mais afetado, com muitos cancelamentos de voos, a queda foi abrupta. Isso justamente num ano que começou promissor. Tivemos um carnaval inesquecível, nosso baile foi talvez o melhor dos últimos tempos. Parecia que vivíamos uma era de ouro.
A trajetória do Copacabana Palace não o livrou de se somar às estatísticas da crise causada pela Covid-19. Na última segunda-feira, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), pelo menos 60 hotéis tinham interrompido suas atividades na cidade do Rio, inclusive o Fasano, outro hotel de luxo à beira-mar.
Detalhe da piscia do Copacabana Palace Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Os primeiros funcionários, com mais de 60 anos, foram afastados em março
Ainda no mês passado, o quadro de 515 funcionários do Copa começou a ser reduzido. Os primeiros a serem mandados para casa foram 11 empregados com mais de 60 anos de idade. Entre eles, o famoso capitão-porteiro Jorge Freitas, o Cafu, com mais de 45 anos de serviços prestados ao hotel. Em seguida, 275 contratados entraram de férias ao mesmo tempo, em 1º de abril. Já os profissionais das áreas administrativas começaram a trabalhar em home office. Andrea garante que o objetivo é não demitir ninguém durante o período.
— Atualmente, temos entre 60 e 70 funcionários trabalhando dentro do hotel, em serviços essenciais, como manutenção e segurança. Esse número deve diminuir ao longo das semanas — explica.
Para garantir a segurança sanitária no hotel, a direção contratou uma auxiliar de enfermagem que monitora a saúde dos funcionários, com direito a medição diária de temperatura. A qualquer sintoma de gripe, a pessoa deve voltar para casa. Na entrada de serviço, os funcionários devem trocar seus sapatos por outros, já higienizados, e periodicamente o hotel receberá aplicações do mesmo desinfetante usado em hospitais.
Balanço do acervo
Fechar as portas não significa parar tudo dentro do hotel. Uma manutenção mínima será feita. Um grupo de camareiras, por exemplo, será responsável por todos os dias limpar os 293 quartos, abrindo portas e janelas pela manhã, e as fechando à noite. Toda a roupa de cama será guardada, assim como talheres, computadores, telefones, aparelhos eletrônicos, peças de mármore, louças... Tudo será catalogado durante a paralisação.
— É como quando fazemos uma mudança de casa, temos que tirar tudo do lugar para guardar em caixas, e acabamos descobrindo um monte de coisas de que não precisamos. Será uma grande oportunidade também de fazer um amplo balanço das coisas do Copa, que nunca poderíamos fazer em outros momentos — afirma a executiva.
Também estará em funcionamento uma das cinco cozinhas do hotel, que tem dois restaurantes com estrelas Michelin, para alimentar os empregados que continuarão dando expediente in loco e os dois moradores do hotel.
Surpresas na reabertura
Entrada do Copacabana Palace protegida por grades Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
Andrea continuará ocupando um apartamento dentro do Copa. Mas sem qualquer glamour envolvido, garante.
— Quem pensa em mordomia está completamente enganado. Até mandei instalar uma máquina de lavar caseira no meu apartamento, já que a lavanderia do hotel estará fechada também — ela diz. — É uma situação bem triste, na verdade, imaginar aquele espaço vazio, sem a vida dos dias normais.
A normalidade, aliás, é um conceito que deve demorar a voltar, na visão da executiva, há mais de 20 anos no hotel de luxo mais conhecido do país:
— Venho monitorando o cenário internacional, sobretudo o da China, que parece já estar na fase final da epidemia. Lá, os hotéis estão voltando a funcionar com ocupação em torno de 20% a 30%. Então imagino que essa será a nossa situação, no melhor dos casos, no meio do ano. Só devemos chegar aos 40% no último trimestre , quando o hotel normalmente está quase lotado.
Ela também vê o período como início de uma profunda transformação no setor turístico como um todo. E espera usar a parada para preparar o quase centenário Copa para o que vem pela frente:
— A ideia não é reabrir as portas com o hotel exatamente como era. Podem esperar surpresas.
O Globo Wednesday, 08 de April de 2020
SÉRGIO MALLANDRO NA QUARENTENA
Sérgio Mallandro é contratado para 'motivar' funcionários de empresa durante quarentena
Prestes a virar avô, comediante de 64 anos diz que tem alimentado o corpo e a mente com 'coisas boas' para afastar doenças como depressão
Gustavo Cunha
07/04/2020 - 05:38 / Atualizado em 07/04/2020 - 11:35
O humorista Sérgio Mallandro Foto: Bruna Issa / Divulgação
Sérgio Mallandro não perde a piada. Em quarentena dentro de casa, no Rio – onde acolhe um amigo que mora nos Estados Unidos –, o comediante de 64 anos foi contratado para apresentar um "stand up motivacional", via internet, para funcionários de uma empresa. A ideia, ele explica, é transmitir uma mensagem positiva, e de forma bem-humorada, para que as pessoas fiquem estimuladas com as próprias rotinas, apesar das dificuldades provocadas pela pandemia do novo coronavírus.
— Quando conheci Chico Xavier, ele disse que a minha missão nesta encarnação era levar alegria para as pessoas. E acho que é isso! Em momentos difíceis, tenho que alimentar o corpo e a mente com coisas boas para fugir de outras doenças, como a depressão — diz o humorista, que tem aproveitado o sofá de casa para rever entrevistas do "Programa do Jô", no Globoplay, e maratonar séries como "Succession" e "La casa de papel" . — Tenho um amigo que está assistindo a vários filmes de apocalipse. Ele está louco, né? Só quero mesmo ver coisas pra cima. Se tiver a chance de rir então, estou dentro.
O comediante Serginho Mallandro Foto: Divulgação
Neste semestre, Mallandro iria cumprir uma série de trabalhos, todos cancelados: seguiria a turnê da peça "Ninguém me leva a sério pô...ráá!" por lugares como Campinas, São Paulo e Salvador, além de cidades americanas, como Orlando e Boston; iniciaria as filmagens do longa "O errado que deu certo", com direção de Pedro Antônio (de "Um tio quase perfeito" e "Tô ryca!"); gravaria um reality-show com 12 ex-namoradas; e começaria a tocar um projeto audiovisual, com o diretor André Moraes, para uma plataforma de streaming.
Apesar de não negar a frustração com o cancelamento da agenda profissional ("esse confinamento está sendo mais dificil do que se manter no programa 'A fazenda', que eu já participei", brinca), ele prefere economizar no número de reclamações.
Nos últimos dias, o comediante tem publicado vídeos, em suas redes sociais, com reproduções das divertidas "danças da quarentena" que ele criou para exercitar o corpo, ao som das expressões "rá" e "glu glu ié ié", uma marca pessoal. Aliás, diante de pedidos dos fãs, como destaca, o humorista já prepara um stand up virtual para o dia 16 de abril, com transmissão ao vivo da própria casa, em live no Instagram.
Prestes a virar avô, o artista mantém conversas diárias, por vídeoconferência, com os filhos Edgard, de 22 anos, e Stephanie, de 26 — ambos em Los Angeles, nos EUA — e Sérgio Tadeu, que espera um filho, o primeiro neto de Mallandro. "Pois é, vou ser vovô na quarentena", Mallandro comemora.
— Na verdade, é uma bênção ficar em casa para seguir o isolamento social. Não dá para dizer que estamos todos no mesmo barco. Estamos sob a mesma tempestade, e precisamos agir do jeito que podemos — afirma. — Essa pandemia deu uma chachoalhada para valorizarmos determinadas profissões. Há até mulheres enaltecendo as depiladoras. Brinco assim, mas é verdade, bicho...! E os médicos merecem tudo. Eles são nossos verdadeiros heróis. Quando isso tudo acabar, eles vão ter que sair em cima do carro de bombeiros para o país todo os aplaudir. O problema é que a gente se esquece de tudo depois que os problemas passam... Aí, volta tudo ao oba-oba.
O Globo Tuesday, 07 de April de 2020
RECEITAS DE CHOCOLATE PARA FAZER EM CASA
Quarentena: Páscoa fica ainda mais divertida com receitas de chocolate para fazer em casa
Bombom feito na forma de empadinha (ou na forma de gelo), casca de ovo recheada com musse de chocolate e trufa vegana estão entre as sugestões de sobremesas para o domingo
Bruno Calixto
07/04/2020 - 05:30
Ovos de Páscoa Ludique (casca de ovo de galinha recheada de musse de chocolate), do chef Philippe Brye, do Le Cordon Bleu Foto: Divulgação
Não é preciso ter motivo para comer chocolate, mas, quando tem, é melhor ainda. Domingo de Páscoa é o dia em que todo mundo pode se fartar de chocolate sem sentir culpa. Em tempos de isolamento dos que podem ficar em casa, que tal aproveitar para, em vez de comprar um ovo pronto, fazer um doce diferente?
Chef do Le Cordon Bleu, o francês Philippe Brye aposta numa receita de encher os olhos e que fazia em sua casa antes de aprender a fazer os tradicionais ovos de chocolate: musse servida dentro da casca de ovo de galinha.
— Com um prego e uma tesoura, dá para furar e retirar a tampinha da parte superior dos ovos de galinha, que, depois de higienizados adequadamente, são recheados com chocolate ou musse de chocolate. Pode usar uma faca de serrinha para ajudar. Dá para fazer vários de uma vez e, se animar, decorar o lado de fora e a parte de cima com pasta americana — explica Brye, que, em seguida, ensina o passo a passo.
A lista de receita também inclui trufas veganas e bombons que, na falta de forminhas de plástico tradicionalmente usadas no preparo, podem ser feitas na forma de empadinha ou até mesmo na de gelo.
Casca de ovo de galinha recheada de musse de chocolate
Philippe Brye (Le Cordon Bleu)
Ingredientes
120g de chocolate 70%
50g de chocolate ao leite
105g de manteiga
3 gemas
5 ou 6 claras (dependendo do tamanho do ovo)
130g de açúcar
1 pitada de sal
Preparo
Musse: Derreter os chocolates em banho-maria. Adicionar a manteiga. Depois que ela estiver derretida, adicione as gemas peneiradas. Bater as claras com o sal e o açúcar (despejando um terço de cada vez, misturando antes de acrescentar a outra parte). Misturar as claras com o chocolate (adicionando um terço de cada vez).
Montagem: Retirar a parte superior do ovo, cru, com cuidado. Guardar as gemas e claras separadamente. Lavar as cascas com água bem quente, mas sem sabão. Deixar secar. Colocar os ovos dentro dos alvéolos da caixa de ovos, para eles não caírem. Rechear os ovos com a musse e colocar na geladeira por duas horas. Pare enfeitar, coloque raspa de chocolate ou, se quiser, faça bichinhs com pasta amerciana. Tem validade de dois dias depois de pronto.
Rende: 15 a 20 ovinhos
Cupcake de chocolate com Coca-Cola
MP Tortas
Cupcake de chocolate com Coca-Cola, da MP Tortas Foto: Divulgação
Ingredientes
1 ovo
3 colheres de sopa de óleo de canola
3 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de Coca-Cola
3 colheres de sopa de chocolate em pó
4 colheres de sopa de farinha de trigo
½ colher de chá de fermento
...para a cobertura
1 lata de leite condensado
4 colheres de sopa de achocolatado em pó
½ lata de refrigerante Coca-Cola
... Você vai precisar de uma forminha para cupcake de silicone ou potinho de sobremesa.
Preparo
Misturar o ovo, o açúcar e o chocolate em pó. Adicionar aos poucos a farinha de trigo com fermento, alternando com o refrigerante até obter uma mistura homogênea.
Colocar em forminhas de papel e levar ao micro-ondas por três minutos na potência máxima.
A cobertura: Levar todos os ingredientes ao fogo em uma panela. Mexer com uma espátula de silicone para obter um brigadeiro com consistência de cobertura.
Trufa de cacau com nuts
Tati Lundi
Trufa de cacau com nibs, de Tati Lundi Foto: Divulgação/Tomas Rangel
Ingredientes
1 xícara de amêndoas
1 xícara de pecan
1 xícara de tâmara
½ xícara de cacau
1/4 xícara de melado
1 pitada de sal
1 pitada de gengibre em pó (opcional)
1 pitada de canela em pó (opcional)
Para enfeitar : farofinha de amendoim tostado , coco ralado, nibs de cacau... o que preferir.
Preparo
Bater tudo no processador (“fica mais farofinha”) ou liquidificador. Fazer bolinhas e envolver com amendoim, nibs, coco...
Rende: 20 trufas
Bombom de pasta de amendoim
Ludmilla Andrade (Casas Pedro)
Casas Pedro: bombom de chocolate com pasta de amendoim Foto: Divulgação
Ingredientes
300g de chocolate ao leite
2 colheres de sopa de pasta de amendoim
açúcar a gosto
pitada de sal
Preparo
Use quatro forminhas de silicone pequenas — se não tiver, pode fazer em formas de empadinha ou de gelo. Derreta o chocolate em banho-maria. Preencha fundo e as laterais das forminhas com o chocolate derretido.
Não deixe muito fino para não correr risco de quebrar quando desenformar. Coloque na geladeira.
Enquanto isso, adoce a pasta de amendoim a gosto e acrescente o sal. Depois de uns cinco minutos, o chocolate já deve estar durinho. Recheie com a pasta de amendoim e cubra com o restante do chocolate derretido.
Coloque novamente na geladeira por dez minutos.
O bombom desenforma com facilidade depois de gelado e enrijecido.
Kinder Bueno caseiro
Raphaela Severiano Ribeiro
Ovo Kinder Bueno caseiro, recheado de brigadeiro branco Foto: Divulgação
Ingredientes
100g de chocolate ao leite
150g de brigadeiro branco
30g de Nutella
5g de granulado
1 pacote de 43g de chocolate kinder bueno White
... o recheio de brigadeiro branco
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga sem sal
3 colheres de sopa de creme de leite
... Você vai precisar de uma forma de meia banda de ovo de Páscoa no tamanho de 250g — se não tiver, pode substituir por r uma tigela de louça ou cerâmica.
Preparo
Pique o chocolate em pedaços bem pequenos e leve 2/3 ao micro-ondas por 30 segundos. Retire e mexa bem. Volte ao micro-ondas e repita a operação quantas vezes forem necessárias até derreter tudo.
Em seguida, misture o restante do chocolate picado ao que foi derretido. Mexa até dissolver todos os pedacinhos.
Esse processo se chama “temperagem” e vai garantir que o ovo não derreta depois. Espere esfriar e ficar em temperatura ambiente.
Com um pincel de cozinha ou uma espátula, passe o chocolate derretido na forma ou tigela e leve-a a geladeira com boca virada para baixo, sobre uma folha de papel- manteiga. Deixe secar. Repita o processo duas vezes para formar uma camada mais grossa de ovo.
Para o recheio de brigadeiro branco: Colocar todos os ingredientes na panela em fogo baixo e misturar até soltar do fundo.
Preparo final: Colocar, dentro da casca de chocolate, uma camada de recheio de brigadeiro branco, pedaços de Kinder bueno e a Nutella.
Finalizar com o brigadeiro branco. Para decoração, utilizar granulado e pedaços de chocolate branco por cima e finalizar com riscos do mesmo chocolate usado para a casca do ovo.
Rende: uma banda de ovo
Ovos de chocolate na caixa de ovos de galinha
Ignácio Peixoto
Ingredientes
600g de chocolate branco
pimenta rosa a gosto (para enfeitar)
... recheio: musse de maracujá
1 lata de leite condensado
1 lata de suco concentrado de maracujá
1 lata de creme de leite
Você também precisará de uma caixa de ovos de plástico vazia.
Preparo
Derreta o chocolate em banho-maria. Espalhe uma camada de chocolate na parte interna da caixa de ovos . Leve à geladeira para secar por apenas dois minutos. Retire e espalhe outra camada de chocolate e leve novamente à geladeira por mais dois minutos. Retire e espalhe a terceira e última camada. Volte à geladeira até secar completamente, o que levará cerca de 30 minutos.
Recheio: bater os ingredientes no liquidificador até a mistura homogenia ganhar firmeza
Montagem: desinforme o ovo de chocolate delicadamente (depois de gelado ele solta facilmente). Com um saco de confeiteiro (ou uma colher), recheie os ovos. Finalize com pimenta rosa a gosto.
O Globo Monday, 06 de April de 2020
SASHA MENEGHEL ESTÁ NAMORANDO CANTOR GOSPEL
Sasha Meneghel está namorando cantor gospel
'Tem minha bênção', diz Xuxa sobre relação da filha
O Globo
06/04/2020 - 08:23 / Atualizado em 06/04/2020 - 08:39
Sasha Meneghel e João Figueiredo Foto: Reprodução/Instagram
Sasha Meneghel, de 21 anos, usou as redes sociais para anunciar que está namorando o cantor gospel João Figueiredo. Em seu instagram, o músico postou uma série de fotos - incluindo uma em que aparece trocando um selinho com a amada - com a seguinte legenda: "Você trouxe mais cor pra minha vida (literalmente). Eu te amo!". A modelo respondeu: "E você música para a minha".
Sasha Meneghel e João Figueiredo Foto: Reprodução/Instagram
Sasha Meneghel e João Figueiredo Foto: Reprodução/Instagram
A filha da apresentadora Xuxa Meneghel também compartilhou dois cliques com o namorado. "Me apaixonei pelo meu melhor amigo", escreveu ela.
Sasha Meneghel e João Figueiredo Foto: Reprodução/Instagram
Sasha Meneghel e João Figueiredo Foto: Reprodução/Instagram
Na conta do genro, Xuxa deu seu aval ao relacionamento: "Tem minha bênção". Ivete Sangalo, amiga da família, também deixou seu comentário: "Que Deus abençoe cada momentinho de você! Te amo, filha".
O Globo Sunday, 05 de April de 2020
BRASILEIROS CONFINADOS EM NAVIO NA ITÁLIA NÃO SABEM QUANDO VÃO PODER VOLTAR PARA CASA
Brasileiros confinados em navio na Itália não sabem quando vão poder voltar para casa
Eles estão isolados em suas cabines há doze dias, reclamam de falta de assistência e podem ter de cumprir mais uma quarentena em Milão ou Roma
Carol Knoploch
04/04/2020 - 19:29 / Atualizado em 05/04/2020 - 07:53
Lara e o marido, Vitor, no cruzeiro atracado em Civitavecchia, na Itália Foto: Arquivo pessoal
RIO - A pediatra Lara Junqueira Zacaron tinha acabado de se formar pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora, após dois intensos anos de residência, com plantões redobrados na Santa Casa de Misericórdia, também em Juiz de Fora. Ela e o marido Vitor Santos Mockdece, empresário, ambos de 26 anos, estavam juntando dinheiro para realizar a viagem dos sonhos, a da lua de mel. Começaram nas Ilhas Maldivas, passaram por Dubai e depois embarcaram no cruzeiro Costa Victoria. Teriam mais 22 dias de celebração entre Omã, Israel, Jordânia, Grécia, Croácia e Italia.
A viagem do cruzeiro teve início no dia 29 de fevereiro em Mumbai, na Índia, e tinha previsão para chegar ao fim no último sábado, em Veneza. Eles embarcaram em Dubai, no dia 7 de março.
— Mas a lua de mel virou um pesadelo — conta Lara, por telefone, de dentro da sua cabine onde está em isolamento desde o dia 23.
O cruzeiro Costa Victoria está atracado no porto de Civitavecchia, na Itália após única parada turística em Omã e outra, na Grécia, apenas para o desembarque de uma passageira, argentina, que estava com os sintomas da Covid-19. Seu teste teria dado positivo e desde então todos os passageiros do navio entraram em isolamento. Eles foram impedidos de desembarcar porque a Itália fechou seus portos a embarcações estrangeiras para tentar evitar a propagação do novo coronavírus.
Navio Costa Victoria, atracado em Civitavecchia: passageiros de outras nacionalidades já desembarcaram mas os brasileiros, 10 turistas, e seis tripulantes, ainda estão confinados. Foto: GUGLIELMO MANGIAPANE / REUTERS
Lara diz que a empresa lhe informou que haviam entrado em contato com o governo brasileiro para repatriá-los mas até agora não obteve nenhuma informação concreta sobre o processo.
— Estamos em um país que não é o nosso e dá muita insegurança. Não nos falam nada, não sabemos nada. Mas achamos estranho porque vários outros turistas já deixaram o navio e voltaram para suas casas. Por que a gente continua por aqui? E mais: por que nos disseram que temos de ficar mais 14 dias em um hotel em Milão ou Roma e não seguir direto para o Brasil se estamos em isolamento? Ainda mais em Milão. Vamos correr mais riscos — questiona Lara, que disse que o navio, que tinha cerca de 700 pessoas, já está com bem menos gente.
Ela e o marido estão confinados em sua cabine há 12 dias. Recebem três refeições por dia, na porta do quarto, e não podem circular pelo navio. As únicas vezes que saem do isolamento são para medir a temperatura, diariamente, em um grande salão, sob supervisão das autoridades sanitárias do país.
Ela manteve contato com outros brasileiros que estão a bordo por WhatsApp. Ao todo, são 16 brasileiros, sendo seis tripulantes (segundo o Ministério das Relações Exteriores). Lara conta que, por sorte, sua cabine tinha janela mas que não era o caso de todos eles — após reclamações e divulgação de videos nas redes sociais, eles foram levados para cabines com varanda e com mais conforto.
— Tentamos controlar a ansiedade mas como não nos falavam nada e vendo outras pessoas deixarem o navio, um dos brasileiros, que tem chip internacional, ligou na Embaixada do Brasil e descobrir que eles não sabiam da nossa situação. Se as regras são rigidas na Italia, que é a unica coisa que nos falam, por que só com a gente?
Lara e Vitor posam no cruzeiro: eles ainda não têm informações sobre como poderão voltar para casa Foto: Arquivo pessoal
Sem janela
A arquiteta de tecnologia Ligia Cossina, de 36 anos, que também está no navio junto com o marido Thiego Paes, gerente de projetos, de 34 anos, ficou oito dias em isolamento em uma pequena cabine interna, sem janela.
Disse que desde o início, a viagem apresentou algumas alterações no roteiro, mas a empresa "encorajou e prometeu" cumprir com os destinos. Eles embarcariam nas Ilhas Maldivas mas começaram a viagem em Dubai, por exemplo. Explicou que o avaço da doença foi muito rápido e que quando iniciaram a viagem o quadro mundial era outro, sem epicentros na Europa.
— Foi muito estressante oitos dias numa cabine de 20 metros quadrados. Mas, depois que o nosso caso veio à tona, na internet, a empresa nos colocou em outra cabine e mudou o tratamento em relação a gente. Nosso drama, nesse momento, mesmo após 12 dias de quarentena e com tomada de temperatura diária, é ter de ficar mais 14 dias na Italia. Temos pessoas do grupo de risco no nosso grupo e não tem cabimento cumprir mais uma quarentena na Italia — desabafa Ligia, lembrando que o barco tem bandeira Italiana e está atracado em importo na Italia. — Todos os brasileiros estão saudáveis.
Lígia e Thiego (à esquerda) ao lado de Lara e Vitor (à direita) no interior do cruzeiro Foto: Arquivo pessoal
Na última sexta-feira, o Cônsul-Geral do Brasil em Roma, Afonso Carbonar, acompanhado de funcionário diplomático do consulado, esteve em Civitavecchia para conversar com os brasileiros retidos e com as autoridades italianas competentes. Segundo Lara, eles não sabiam, ao certo, como os brasileiros estavam.
Questionado, o Ministério das Relações Exteriores disse que "acompanha com atenção a situação dos 10 viajantes e 6 tripulantes brasileiros a bordo do Costa Victoria".
Informaram ainda que o Consulado-Geral do Brasil em Roma "está há vários dias em contato com os passageiros brasileiros e que a operadora do cruzeiro e as autoridades locais enfrentam uma série de dificuldades para desembarcar os passageiros, em vista da falta de acomodações para quarentena de 14 dias em um dos hotéis-hospitais da região (exigida pelas autoridades italianas). Até o momento, não foi possível lograr dispensa da exigência de quarentena para embarque imediato ao Brasil."
A pasta confirmou que já foram repatriados cerca de 10.500 brasileiros por causa da pandemia do coronavírus. Explicaram qie as operações dependem "de complexas tratativas com os governos locais para a suspensão temporária de medidas restritivas, tais como fechamento de aeroportos, toques de recolher, quarentenas, etc".
O Globo Saturday, 04 de April de 2020
QUARENTENA: SÉRIES PARA MARATONAR NO ISOLAMENTO SOCIAL
Quarentena: séries para maratonar no isolamento social
Uma lista com dez produções consagradas na mais recente temporada de premiações da TV: da comédia ao drama
Gustavo Cunha
01/04/2020 - 05:30 / Atualizado em 02/04/2020 - 10:02
'Fleabag', série protagonizada e criada por Phoebe Waller-Bridge Foto: Divulgação
Veja dez produções consagradas na mais recente temporada de estatuetas, para quem pode se isolar — devido à pandemia do coronavírus — e correr atrás do atraso. Confira a lista abaixo.
Séries para maratonar na quarentena:
Fleabag
A protagonista de "Fleabag" Foto: Divulgação
Phoebe Waller-Bridge é um fenômeno. Autora e protagonista da produção ganhadora de dois troféus no Emmy — nas categorias melhor série de comédia e melhor atriz de comédia —, a atriz e roteirista de 34 anos conquistou um público abrangente com a comédia irreverente sobre o dia a dia de uma londrina jovem e solteira. Os episódios são curtos: ou seja, dá para conferir as duas temporadas em um dia. Disponível na Amazon Prime.
Killing Eve
A investigadora Eve e a assassina Villanelle, de "Killing Eve" Foto: Divulgação
Está aí outra obra de Phoebe Waller-Bridge, igualmente premiada no último Emmy (na categoria melhor atriz dramática, para Jodie Comer). Adaptação dos livros de Luke Jennings, o thriller de ritmo ágil reinventa aspectos do gênero ao acompanhar, com humor e ironia, a busca de uma investigadora americana (papel de Sandra Oh) por uma serial killer russa (Jodie). Disponível no Globoplay.
Succession
Succession, série de TV produzida pela HBO Foto: Divulgação
Uma das melhores séries de 2019 na opinião da crítica e colunista do GLOBO Patrícia Kogut, a produção da HBO tem arrebanhado fãs neste período de quarentena. Com duas temporadas disponíveis, o drama familiar com assinatura do roteirista Jesse Armstrong — que levou o prêmio de melhor série dramática no último Globo de Ouro — acompanha uma ferrenha disputa entre os herdeiros de um império de mídia. Disponível na HBO e no Now.
Segunda chamada
Débora Bloch como a professora Lúcia na série da Globo 'Segunda chamada' Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo
Vencedora do Troféu APCA na categoria melhor série/minissérie, o drama dirigido por Joana Jabace, com texto de Carla Faour e Julia Spadaccini, foi o grande destaque entre as produções nacionais do último ano. E uma nova temporada, que teve as gravações provisoriamente suspensas devido à quarentena, está por vir, em breve. Estrelada por Debora Bloch, a história segue os dramas de professores e alunos numa turma de Educação de Jovens e Adultos de uma escola pública. Disponível no Globoplay.
Pose
Blanca, vivida por MJ Rodriguez, é uma das protagonistas de 'Pose', série que retrata os bailes nos anos 80 em Nova York, nos Estados Unidos Foto: Divulgação
Renovada para uma terceira temporada (ainda inédita), a produção é celebrada por trazer o maior elenco transexual da história da TV. Vencedora do último Emmy na categoria melhor ator dramático (para Billy Porter) — e indicada ao troféu de melhor série dramática —, a narrativa faz um retrato de parte da cena gay na Nova York dos anos 1980. O enfoque da trama é a “ball culture”, como se chamavam os animados bailes em que a comunidade LGBT desfilava figurinos com temas predeterminados. Disponível na Netflifx.
Barry
Bill Hader, o protagonista da série "Barry" Foto: Divulgação
Um assassino de aluguel deseja abandonar o mundo do crime para se tornar um grande ator. Está aí a premissa da série de humor protagonizada por Bill Hader, também um de seus criadores, trabalho que o fez levar o prêmio de melhor ator de comédia em dois anos seguidos no Emmy (2018 e 2019). Nos EUA, ele é conhecido por ter integrado o elenco do programa de esquetes “Saturday Night Live”. Disponível na HBO e no Now.
Ozark
Cena da série 'Ozark', da Netflix, com Jason Bateman e Laura Linney Foto: Jackson Davis/Netflix / Divulgação
Desde que a sua terceira temporada foi lançada, no início deste ano, a série de suspense conquista novos elogios, com comparações à icônica “Breaking bad”. Laureada com o prêmio de melhor atriz coadjuvante em série de drama (para Julia Garner) no último Emmy, no qual também foi indicada à categoria “melhor série de drama”, a produção estrelada por Jason Bateman e Laura Linney segue as reviravoltas na vida de uma família comum envolvida com a máfia. Disponível na Netflix.
The Marvelous Mrs. Maisel
A protagonista de "Maravilhosa sra. Maisel" Foto: Divulgação
Já está confirmada a quarta temporada da série que vem agradando público e crítica. Vencedora de 16 Emmys — no último ano, levou o prêmio nas categorias melhor ator coadjuvante em série de comédia (para Tony Shalhoub) e melhor atriz coadjuvante (para Alex Borstein) — a trama segue os passos de uma dona de casa que se transforma numa requisitada comediante na Nova York dos anos 1950. Disponível na Amazon.
This is Us
Parte do elenco da sére 'This is us' Foto: Divulgação
Há um ritmo novelesco e melodramático na série sobre os altos e baixos de uma família incomum. E isso é um mérito. Vencedora de três Emmys — no ano passado, a produção teve cinco indicações a categorias importantes da premiação, incluindo melhor série de drama —, a narrativa se constrói sem mocinhos ou vilões. Nas quatro temporadas às quais o público tem acesso, são as várias situações da vida que movimentam os conflitos. Disponível na Amazon, na Fox Premium e no Now.
Game of Thrones
Episódio final de 'Game of Thrones': temporada final de hit da HBO teve apenas uma indicação Foto: Reprodução / HBO
Produção que mais acumulou indicações nas últimas premiações — e que venceu a principal categoria de melhor série dramática no Emmy —, a saga inspirada no universo literário de George R. R. Martin é o maior sucesso recente da TV americana. A grosso modo, a história acompanha uma disputa de tronos num mundo imaginário, em período equivalente à Idade Média. É preciso mais tempo para “zerar” os 73 episódios, cada um com cerca de 70 minutos. Disponível na HBO e no Now.
O Globo Thursday, 02 de April de 2020
GUIA DO CORONAVÍRUS
GUIA DO CORONAVÍRUS
Com o avanço do novo coronavírus em todo o mundo, incluindo o Brasil, O GLOBO apresenta aqui um guia reunindo as informações fundamentais sobre a Covid-19. Como surgiu o vírus, quais os principais sintomas, como se prevenir, o que fazer em caso de infecção, recomendações das autoridades de saúde e também direitos dos consumidores em casos como os de cancelamento de viagens e cobertura médica.
O VÍRUS
O que é o novo coronavírus?
É um vírus cujo nome faz referência à forma de coroa (corona em latim) de sua camada superficial. Além do Sars-CoV-19, há seis tipos de coronavírus conhecidos causadores de doença em humanos. Dois deles — Sars (descoberto em 2002) e Mers (2012) — causam infecção grave, mas não provocaram pandemia. Os outros quatro são relativamente raros e brandos.
Por que é tão perigoso?
Porque ele provoca doença grave e tem um meio de transmissão eficiente, o respiratório. Além disso, é novo e pode ser transmitido pelo ar, como o sarampo.
Por que ser novo é um perigo?
Como era desconhecido, o ser humano não tem imunidade. Afinal, nunca teve contato com ele. Há ainda pouco conhecimento consolidado, e as informações estão em constante atualização.
E o que isso significa?
Que é necessário se informar por meio de fontes confiáveis (Ministério da Saúde, instituições científicas e médicas e jornalismo profissional) para se manter a salvo da doença.
Qual a origem do vírus?
Estudos recentes mostram que o novo coronavírus possa ser resultado de seleção natural. Em um estudo publicado na revista “Nature Medicine”, cientistas concluíram que o Sars-Cov-2 possui uma estrutura capaz de se conectar e infeccionar as células humanas muito eficaz, que seriam resultado de uma evolução. Ainda há a hipótese de que os morcegos possam ter servido inicialmente como hospedeiros.
Como passou para o homem?
Provavelmente, pelo contato, incluindo consumo, com a carne de morcego ou de algum outro animal silvestre, em Wuhan, na China.
Como o coronavírus penetra no corpo humano?
Pelas mucosas da boca, do nariz e dos olhos. Assim, ele se liga às células das vias respiratórias.
O que o vírus faz nas células?
Ele “sequestra e escraviza” as células. Usa seu DNA e as obriga a produzir cópias de si mesmo. Uma única célula infectada produz milhões de vírus. Até não suportar mais, romper-se e morrer, liberando os invasores. Eles partem para tomar mais células e se espalham pelo organismo.
Qual a diferença entre Sars-CoV-2 e Covid-19?
Sars-CoV-2 é o nome do vírus dado pela OMS. Covid-19 é o nome da doença.
SINTOMAS
Quais os sinais e sintomas da Covid-19?
Eles variam de uma pessoa para outra. Mas é fundamental prestar atenção em três sintomas. A ampla maioria dos infectados tem febre e muitos têm tosse seca. A sensação de cansaço extremo acomete até boa parte dos doentes. Outros sinais são coriza, dores no corpo, diarreia e dificuldade para respirar. O mais preocupante é esse último. Recentemente, perda de paladar e de olfato também têm sido identificados nos pacientes diagnosticados com a Covid-19.
Quando procurar um hospital?
Se você tem sintomas de gripe ou resfriado com bom estado geral (coriza, febre baixa, mal-estar ou tosse), fique em casa por 14 dias, faça repouso e siga as medidas de higiene. Se os sintomas se agravarem, e você começar a apresentar cansaço ou dificuldade para respirar, procure uma emergência. Bebês e crianças menores de 6 anos, gestantes, mulheres que deram à luz há menos de 40 dias, pessoas com mais de 60 anos e que tiverem doenças preexistentes devem ser avaliadas por profissional de saúde se apresentarem febre e sintomas respiratórios.
Quando surgem os sinais e sintomas?
Quase sempre, cinco dias após a pessoa ter sido exposta ao vírus. Isso dá suporte à quarentena de 14 dias preconizada até agora. É bom lembrar que há casos assintomáticos, em que a pessoa infectada funciona apenas como vetor, ou seja, não apresenta sintomas clínicos, mas pode transmitir o coronavírus para outras pessoas.
Em quanto tempo a infecção pelo coronavírus evolui para um quadro grave?
Geralmente, de quatro a cinco dias após o início dos sintomas. Esse tempo pode ser mais curto para pessoas que sofrem de doenças crônicas preexistentes como diabetes e hipertensão. Segundo infectologistas, é preciso ficar atento quando a tosse, que começou semelhante a de uma alergia ou uma gripe, evolui muito em quatro dias, desenvolvendo uma dificuldade para respirar. Se a pessoa tem tosse, febre, mal-estar, coriza e começa a ter um desconforto respiratório, o caso pode estar ficando grave e é preciso procurar um hospital.
A infecção por coronavírus deixa sequelas?
Ainda se sabe muito pouco sobre isso. O que os médicos e cientistas já conseguiram identificar até agora é que há uma mudança na arquitetura do pulmão, o que pode reduzir a capacidade respiratória da pessoa. Informações mais precisas sobre sequelas devem vir com o tempo, conforme os pacientes vão sendo tratados.
TRANSMISSÃO
Quanto tempo o vírus sobrevive em superfícies?
De acordo com um estudo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine”, o Covid-19 consegue sobreviver até três dias em algumas superfícies, como plástico ou aço. No papelão, em torno de 24 horas. Já no cobre, quatro horas. Em poeiras, por pouco mais de uma hora.
Ele é muito transmissível?
Acredita-se que cada pessoa infectada possa transmitir o vírus para pelo menos três pessoas. De acordo com a Universidade de Oxford, esse número pode chegar a cinco. Mas, o que faz com que a Covid-19 se propague tão rápido é que o vírus pode ser transmitido mesmo antes de aparecerem os sintomas. Um estudo da revista Science indica que os portadores sem sintomas são responsáveis por dois terços das infecções.
Qual o risco de contrair a Covid-19?
A Covid-19 foi declarada como pandemia pela OMS. Isso significa que já foram registrados casos do novo coronavírus em todos os continentes, com transmissão comunitária. Mais de quinhentas mil pessoas já foram infectadas e o número de mortes não para de crescer. Especialistas acreditam que entre 60% e 70% da população mundial será infectada. A principal recomendação no momento é que as pessoas, principalmente as que fazem parte dos grupos de risco, fiquem em casa e mantenham hábitos de higiene.
Quais as consequências?
Dependem do tempo de propagação. Em muitos países do mundo, como na Itália e na Espanha, os sistemas de saúde estão sobrecarregados e não conseguem atender a quantidade de pessoas infectadas com a Covid-19, o que acaba aumentando o número de mortes. Controlar a velocidade de propagação do vírus é essencial para minimizar as consequências da epidemia. Na economia, os impactos também são grandes. Com a recomendação de isolamento social há um aumento do número de desempregados, e uma grande preocupação com as populações mais vulneráveis e com os pequenos empresários.
Como reduzir a velocidade da pandemia?
Com medidas de isolamento social e cuidados pessoais como lavar as mãos, cobrir a boca ao tossir, evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca, manter uma distância de pelo menos 1,5 metro das outras pessoas e higienizar ítens pessoais quando precisar ao chegar em casa.
Há bons exemplos de combate no mundo?
Sim. Quase todos estão na Ásia, como a Coreia do Sul e a China. Esses locais tomaram atitudes como testagem maciça de casos — com uma campanha de exames — e medidas mais agressivas de isolamento social.
Que pessoas têm mais risco de serem infectadas?
Quem teve contato com uma pessoa infectada ou que, por fazerem parte das categorias consideradas essenciais, precisam sair para trabalhar e não conseguem respeitar o isolamento social.
Pessoas infectadas e sem sintomas transmitem o vírus?
Sim. Os portadores sem sintomas são responsáveis por dois terços das infecções. Isso porque. apesar de serem duas vezes menos contagiosos, os assintomáticos são seis vezes mais numerosos. Além desses casos, em que a pessoa tem a doença mas não apresenta sintomas clínicos, o coronavírus também é transmitido durante o período de incubação, que geralmente leva de 5 a 12 dias.
Se eu já tive coronavírus, posso ter de novo?
Os dados mais recentes indicam, até agora, que quem teve uma vez a Covid-19 não está sendo contaminado novamente. Mas o vírus ainda está sendo estudado.
Posso pegar coronavírus e gripe ao mesmo tempo?
Especialistas afirmam é possível haver coinfecção e que já há relatos em outros países. No Brasil, a conjugação poderia se dar com o H1N1 ou com a cepa B da influenza. Juntos, os dois vírus, podem causar uma pneumonia grave.
O coronavírus é sexualmente transmissível?
Não. Segundo especialistas, não há nenhum indício de que há transmissão sexual do coronavírus. Porém, caso uma pessoa infectada tenha relação sexual, o vírus pode ser transmissível pelas vias respiratórias.
Qual é a diferença entre transmissão local e comunitária?
Transmissão local: a primeira vez que uma doença importada de outro país é transmitida de uma pessoa para outra em uma nova região. Transmissão Comunitária: À medida em que as autoridades passam a não conseguir estabelecer cadeias de transmissão para cada indivíduo infectado, a transmissão passa a ser considerada comunitária.
Quanto tempo deve demorar esse surto?
Ainda não há previsão. A duração depende do processo de contenção do contágio e da evolução do tratamento. No Brasil, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, disse que o pico do coronavírus no país deve ocorrer entre maio e junho. A estimativa é que o número de casos se estabilize a partir de julho e que entre agosto e setembro comece a haver uma redução.
PREVENÇÃO
Que principais cuidados devo ter?
Lave as mãos até a altura dos pulsos regularmente com água e sabão. A capa do vírus é feita de gordura, e o sabão a dissolve.
Na falta de água e sabão, limpe as mãos com álcool gel 60% a 70%, que tem o mesmo efeito.
Não saia de casa a menos que tenha uma emergência.
Se precisar sair para trabalhar, higienize a mão após tocar qualquer coisa do dia a dia, como o botão do elevador e a catraca do ônibus (principalmente antes de levá-la ao rosto). Evite também o transporte público lotado.
Mantenha pelo menos 1,5 metro de distância de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.
Evite tocar os olhos, o nariz e a boca (se as mãos não tiverem sido higienizadas, não toque), porque é por eles que o contágio acontece.
Higienize com frequência o celular e outros objetos de uso pessoal.
Não dê abraços, beijos e apertos de mão.
Tenha higiene respiratória. Cubra a boca e o nariz ao tossir e espirrar com um lenço descartável e o jogue fora imediatamente. Na falta de um, cubra o rosto com o cotovelo.
Se não se sentir bem e os sintomas se agravarem, comunique ao seu médico ou aos postos de saúde.
Use máscara se estiver tossindo ou espirrando para evitar contaminar os outros. A máscara comum não evita que os vírus contaminem as pessoas, então não são necessárias para prevenção. Apenas o modelo N95 cumpre essa função.
Devo evitar locais de aglomeração, como estádios, shows, cinemas, teatros, templos religiosos?
Sim. Já foram registrados casos do novo coronavírus em todos os estados do Brasil, muitos com transmissão local. Por isso, para frear o contágio a recomendação é evitar aglomerações e seguir as restrições implementadas pelos governantes. No Rio de Janeiro e de São Paulo, onde estão concentrados os maiores números do coronavírus, a recomendação é ficar em casa. Há limitações no transporte e o comércio está fechado, com exceção de setores considerados essenciais.
Há risco de contrair na praia?
O risco de ir à praia é, justamente, porque o espaço reúne um grande número de pessoas. A recomendação é sair de casa apenas para atividades essenciais: trabalho, mercado, farmácia, médico ou para uma atividade física ao ar livre, em locais sem aglomerações de pessoas. Em alguns estados as praias estão, inclusive, interditadas.
Que cuidados devo ter ao viajar de táxi, metrô, trem e ônibus?
Manter certo distanciamento das outras pessoas; evitar os horários de maior movimento; higienizar as mãos sempre que tocar em botões, roletas ou apoios; não coçar os olhos, nariz ou a boca; e quando chegar em casa colocar a roupa para lavar, higienizar acessórios como bolsa e celular, e tomar banho. Quem puder, deve evitar o transporte público.
Quais os riscos da viagem de avião?
Os mesmos do transporte coletivo acrescidos do fato de maior tempo de exposição a potenciais infectados.
Devo viajar para o exterior?
A recomendação das autoridades de saúde é evitar ao máximo, principalmente quando a viagem for a turismo ou passeio. O número de vôos está reduzido no Brasil e a preferência é para transporte de medicamentos, órgãos para transplantes, equipes de profissionais da saúde e deslocamentos de emergência.
Qual o risco de viagens de navio?
A recomendação neste momento é evitar.
Posso usar qualquer tipo de álcool para higienização das mãos e objetos?
Pode ser em gel ou líquido, mas precisa ser entre 60% e 70%. Se o teor for menor, não é eficaz para eliminar o vírus e concentrações acima de 70%, além de causar ressecamento, evaporam mais rápido, reduzindo o tempo de ação.
Tenho que andar de máscara?
A recomendação é só usar máscara quem estiver doente, pois ela ajuda a não transmitir o vírus para outras pessoas. Quem tiver contato com casos suspeitos, incluindo profissionais de saúde e familiares, também pode adotar essa medida, já que há casos assintomáticos da doença.
Os restaurantes estão fechados. É seguro pedir delivery?
É mais seguro. Mas é importante respeitar as medidas de prevenção, como evitar o contato com o entregador, fazer o descarte da embalagem e lavar as mãos antes da refeição. Também é recomendada a higienização do cartão de crédito com álcool gel 70% e das chaves de casa.
Tenho uma consulta marcada no médico. Devo ir?
Depende. Em caso de consultas de rotina e entrega de exames, o ideal é conversar com o seu médico para que a decisão de adiar seja tomada em conjunto. A orientação para os médicos é tentar remarcar os pacientes, principalmente os que são do grupo de risco do novo coronavírus e que não necessitem de um atendimento de urgência. Nos casos de tratamentos oncológicos e para doenças crônicas, o paciente deve continuar frequentando consultas e terapias.
Uma mulher infectada pelo coronavírus pode amamentar?
Segundo a OMS, não há qualquer indício de que o leite materno passa transmitir o novo coronavírus para o bebê. Por isso, a orientação é que a amamentação seja feita com normalidade.
A DOENÇA
O que a Covid-19 causa?
Uma infecção pulmonar. Nos casos brandos, a infecção se parece com um resfriado ou uma gripe leve. Nos mais graves, a pessoa começa a sentir grande dificuldade para respirar, e o quadro pode evoluir para pneumonia e falência múltipla de órgãos.
Todos os casos são graves?
Não. A OMS estima que 80% sejam brandos, com sinais e sintomas semelhantes aos do resfriado comum, sem necessidade de tratamento especial. Nos casos mais leves, os sintomas desaparecem em cerca de cinco dias. Nos casos graves, pode ser necessária internação de cerca de 20 dias em UTI..
E os casos graves?
A OMS diz que uma em cada seis pessoas infectadas fica gravemente doente. Até o momento, as formas mais graves têm se manifestado na população considerada como grupo de risco, mas há jovens, sem doenças crônicas, que também estão internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) pelo mundo.
Qual a diferença da Covid-19 para a gripe?
A Covid-19 se parece, mas não é uma gripe comum. Não é o apocalipse, mas tampouco um resfriado. Os sintomas são semelhantes. De acordo com infectologistas, a diferenciação é difícil de ser feita apenas pelo quadro clínico. Somente um diagnóstico por biologia molecular consegue identificar o novo coronavírus. Mas, diferentemente da gripe (vírus influenza), a população não tem imunidade contra o novo coronavírus. Não existem vacina e remédio licenciado, e o tempo entre o aparecimento de sintomas e o agravamento de casos que exigem internação parece ser menor na Covid-19, o que a torna potencialmente mais grave.
Como a Covid-19 pode ser fatal?
Por conta da insuficiência respiratória e da falência múltipla de órgãos, decorrentes tanto do ataque do vírus quanto da reação do próprio sistema de defesa do organismo. Apesar de a taxa de letalidade não ser alta, milhares de pessoas pelo mundo já morreram após contrair o vírus. Além do agravamento do quadro clínico de alguns pacientes, principalmente dos que fazem parte do grupo de risco, a rápida propagação do vírus tem sobrecarregado os sistemas de saúde. Em alguns lugares do mundo, as pessoas com Covid-19 estão tendo dificuldade de conseguir atendimento, o que acaba acarretando um aumento da mortalidade.
Como é o ataque do vírus?
Ele mira as células do trato respiratório, e o seu alvo predileto são os pulmões. As células infectadas se rompem e morrem. À medida que a infecção avança, as vias respiratórias vão ficando entupidas com fluidos e restos de células mortas. Em consequência, a pessoa passa a respirar cada vez pior.
E o que faz o organismo?
O sistema de defesa reage à presença de células mortas e do vírus. Células do sistema imunológico tomam os pulmões para tentar reparar os danos e expulsar os vírus. Muitas vezes, o sistema de defesa tem êxito. Mas a reação pode ficar descontrolada — o que ocorre com mais frequência em pessoas mais idosas ou com outras doenças, cujas defesas já estão previamente enfraquecidas.
E qual o resultado?
Descontroladas, as células de defesa passam tanto a atacar os inimigos quanto as células saudáveis. O sistema imunológico entra numa espécie de pane e emite uma enxurrada de sinais. Essa tempestade química danifica ainda mais os pulmões e pode atingir outros órgãos. Quando não controlada, a vítima sofre falências respiratória e múltipla de órgãos.
Qual a taxa de mortalidade?
Ainda não está estabelecida. Com base nos dados da China, o novo coronavírus se mostra mais letal, mas menos transmissível do que a gripe comum. A taxa de mortalidade atual da Covid-19 é de 3,4% contra menos de 1% da gripe comum. No Brasil até o momento a taxa está em menos de 2%, segundo o Ministério de Saúde.
DIAGNÓSTICO
Como é o diagnóstico?
Infectologistas afirmam que a diferenciação clínica entre a gripe e o novo coronavírus é difícil de ser feita. Somente um diagnóstico por biologia molecular consegue identificar o Covid-19. Inicialmente, enquanto não havia transmissão comunitária no Brasil, o histórico epidemiológico também era levado em conta, ou seja, contato com pessoas infectadas e viagem a locais de transmissão.
Como é feito o teste?
É coletado o material das vias respiratórias (nariz ou garganta) do paciente com suspeita de coronavírus. Os hospitais e unidades de saúde vão enviar as amostras para análise do laboratório responsável, apto a confirmar ou descartar casos. O material genético do vírus é separado e submetido a reações químicas com substâncias que só se ligam ao DNA do coronavírus. Se as substâncias reagirem, o teste é considerado positivo. As amostras devem permanecer armazenadas por cinco anos caso haja a necessidade de reteste.
Os testes são eficientes?
Os testes aplicados no Brasil são considerados adequados.
Os testes estão disponíveis na rede públicas de saúde?
O Ministério da Saúde assegura que todos os estados têm condições de fazer os testes. Mas, devido ao aumento do número de casos, não há testes suficientes para todos os pacientes com suspeita de coronavírus. Atualmente, só estão sendo testados aqueles que estão internados ou apresentam quadro grave da doença. O resultado pode demorar até sete dias para ficar pronto.
E hospitais privados?
Sim, os hospitais privados também podem realizar os testes e para isso devem aceitar planos de saúde. Mas os resultados desses testes devem ser encaminhados para os laboratórios credenciados pelo Ministério da Saúde para que seja feita uma contra-prova e só então o diagnóstico é confirmado.
CUIDADOS PESSOAIS
O que devo fazer se apresento sinais ou sintomas, mas não sei se tenho o vírus?
Se você apresentar sintomas como dor de cabeça, coriza, tosse e febre baixa, mas apresenta bom estado geral, fique em casa por 14 dias para evitar a contaminação de outras pessoas, de preferência isolado dos familiares e amigos. Faça repouso e siga as medidas de higiene. Na rede pública de saúde apenas os casos graves, onde as pessoas apresentam dificuldade para respirar ou se enquadram no grupo de risco, estão sendo testados.
Quando devo procurar um hospital?
Se você tiver um agravamento dos sintomas, como por exemplo: aumento da febre durante os quatro primeiros dias, tosse seca com dificuldade para respirar, ou qualquer outro sintoma persistente, procure um hospital. Lembre-se: Bebês e crianças menores de 6 anos, gestantes, mulheres que deram à luz há menos de 40 dias, pessoas com mais de 60 anos e que tiverem doenças preexistentes devem ser avaliadas por profissional de saúde se apresentarem febre e sintomas respiratórios.
Tenho o vírus, mas não apresento sintomas. O que faço?
A recomendação é fazer autoisolamento. Permaneça num cômodo da casa e evite o contato com os outros moradores. A comida deve ser deixada na porta e, se possível, use um banheiro exclusivo. Um médico deve indicar que medicamentos tomar para tratar dos sintomas. Caso precise sair do isolamento use máscara.
TRATAMENTO
Qual o tratamento?
Os médicos tratam os sintomas, porque não existe um remédio específico para curar a Covid-19. Nos casos leves, são administrados antitérmicos e outros remédios empregados para os resfriados comuns. Nos mais graves, são necessários remédios para pneumonias e outras complicações, além de equipamentos para auxiliar a respiração. Uma série de medicamentos estão sendo testados, mas nenhum teve a eficácia comprovada. Também não há vacina que previna contra o novo coronavírus.
Como está a pesquisa de remédios?
Há mais de 30 medicamentos e combinações de remédios sendo testados. Dentre eles estão a cloroquina e hidroxicloroquina, que são usadas contra a malária. O Ministério da Saúde já permite a utilização da cloroquina nos hospitais para casos graves, mas a eficácia do medicamento ainda não foi comprovada. Por isso, a recomendação do Ministério e da OMS é não se automedicar. O uso dessas e de outras drogas, que estão sendo testadas, podem trazer sérios danos à saúde das pessoas.
Antibióticos funcionam contra o coronavírus?
Não. Eles atuam apenas contra bactérias. Drogas antivirais precisam atacar proteínas específicas do vírus.
Afinal, posso ou não tomar ibuprofeno?
Apesar de num primeiro momento ter recomendado a suspensão do ibuprofeno, a OMS voltou atrás dias depois e retirou a restrição. O Ministério da Saúde, por sua vez, também já teve diferentes opiniões, mas, em seu último posicionamento, desaconselhou o uso do medicamento.
Quando um paciente diagnosticado com coronavírus recebe alta?
Ainda se conhece muito pouco do Covid-19 para definir quando um paciente está, de fato, curado. Mas o procedimento adotado pelos médicos tem sido: manter os pacientes diagnosticados com coronavírus em quarentena por 14 dias; após esse período, quando os sintomas deixarem de existir, os médicos continuam acompanhando o quadro desses pacientes à distância por mais 14 dias, antes de eles serem liberados.
GRUPOS ESPECIAIS
Por que idosos são mais suscetíveis?
Porque devido ao envelhecimento ou aos efeitos de alguma doença seu sistema imunológico já não funciona bem. Como as drogas disponíveis tratam apenas os sintomas da Covid-19 e cabe ao próprio sistema de defesa combater o vírus sozinho, essas pessoas são mais vulneráveis.
Há riscos maiores para grávidas?
Não existem dados específicos sobre a Covid-19, mas mulheres grávidas passam por mudanças imunológicas que podem deixá-las mais vulneráveis a infecções respiratórias. A recomendação de algumas Secretarias de Saúde é que tanto as grávidas, quanto as mulheres que acabaram de ter filho, procurem ajuda médica caso comecem a apresentar sintomas compatíveis com os do novo coronavírus.
Pode ser transmitido da gestante para o bebê em gestação?
Não há até agora estudos que mostrem isso, nem que passe através do leite materno. A OMS afirma que as mães infectadas com coronavírus não interrompam a amamentação.
Crianças correm maior risco?
As crianças são tão vulneráveis a contrair a Covid-19 como os adultos. Os dados da China mostram que raramente adoecem. Apenas 2,4% dos casos na China têm menos de 18 anos. Pelo que se sabe até agora, a maior parte das crianças infectadas pelo coronavírus são assintomáticas ou, no máximo, apresentam coriza. Apesar disso, elas agem como vetores do vírus, transmitindo a Covid-19 para outras pessoas.
Quais doenças aumentam a taxa de letalidade do vírus?
De acordo com estudos da OMS feitos com base em pacientes chineses no início do surto, a maior taxa de mortalidade foi de pessoas com doenças cardiovasculares (13,2%), seguido de: diabetes (9,2%), hipertensão (8,4%), doenças respiratórias ou crônicas (8%) e câncer (7,6%). Já entre quem não tem doenças pré-existentes, a letalidade foi de 1,4%.
Tenho uma doença cardíaca, o que faço para me cuidar?
Não há uma medida específica. Os médicos reforçam a recomendação de que esse grupo fique em casa e se isole imediatamente em caso de sinais respiratórios. Evitar o contato social é a melhor medida de prevenção. Os pacientes não devem interromper o uso de medicamentos conhecidos como inibidores de enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA) sem consultar um médico.
A tuberculose coloca a pessoa em um grupo de risco?
Sim, a tuberculose e todas as outras doenças respiratórias. Fumantes de longa data também podem ter casos mais graves da Covid-19.
Pessoas com doença de pele, como erisipela e urticária, estão no grupo de risco?
Não diretamente. Alguns tratamentos utilizados para essas doenças reduzem a imunidade e, se realizados por um longo tempo, podem colocar esta pessoa em uma situação de risco.
Em qual idade o coronavírus se torna mais letal?
Acima dos 80 anos, a taxa de letalidade é de quase 15%. Já entre 70 e 79, esse número cai para 8%. Dos 60 aos 69 anos, a mortalidade fica em 3,6%. Para quem tem entre 50 e 59, a taxa reduz ainda mais, para 1,3%. Entre a população com idade abaixo dessa o índice não chega a 0,5%.
Transplantados também são considerados como grupo de risco?
Sim. O Ministério da Saúde incluiu os transplantados como grupo de risco do novo coronavírus. A recomendação é mais uma vez o isolamento social e os cuidados com a higiene para evitar o contágio.
Por que não são apenas as pessoas de risco que precisam ficar isoladas?
Estudos mostram que cada pessoa infectada transmite para até outras três pessoas e que dois terços das transmissões são feitas por indivíduos assintomáticos. A estratégia de restrição social é recomendada pela OMS e adotada por diferentes países para "achatar a curva" de contaminação e evitar o colapso das redes de saúde.
VACINA
Existe vacina?
Ainda não existe vacina. Na mais otimista das previsões da OMS, não haverá antes de 18 meses. A estimativa do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-Fiocruz) é de que ainda no primeiro semestre deste ano, no Brasil, tenhamos desenvolvido um produto adequado para testes. Nessa fase, conhecida como fase 1, é realizado o estudo de patogenicidade para analisar se o vírus estimula anticorpos e se faz algum mal ao organismo, entre outros pontos.
Há quantas vacinas em desenvolvimento no mundo?
Há mais de 50 grupos de pesquisadores internacionais tentando desenvolver um imunizante, inclusive no Brasil. Na China e nos EUA, duas versões já estão entrando na fase de testes em humanos.
Devo tomar a vacina da gripe?
Sim. Ela não evita a Covid-19, mas impede a gripe causada pelo vírus da Influenza, que também pode ser grave e levar à morte. Além disso, a vacina da gripe reduz a vulnerabilidade de seu sistema respiratório e de defesa, e ajuda a desafogar o sistema de saúde, abrindo espaço para atender pacientes da Covid-19.
E a do sarampo?
Sim. O sarampo está em circulação no Brasil e é extremamente grave. Ao se vacinar, a pessoa reduz o número de casos e a pressão sobre o sistema de saúde.
ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
O meu animal de estimação pode transmitir coronavírus?
Não há evidência disso.
Ele pode adoecer?
Também não há prova de que isso ocorra.
O vírus já foi detectado em cães?
Sim. Num lulu-da-pomerânia de 17 anos, que pertence a uma mulher infectada na China. O vírus foi detectado na saliva e na secreção nasal do cão. Mas ele não adoeceu. Veterinários chineses acreditam que o cão foi afetado como tudo o que a mulher tocou. Ele foi contaminado, mas não foi infectado.
Que cuidados devo ter com o meu pet?
Se você tem sintomas de doença respiratória, deve evitar contato com ele para protegê-lo. Se você precisar levá-lo para passear na rua, é recomendável que sejam feitos passeios mais curtos e sem interação com outras pessoas. Ao voltar para casa, é preciso higienizar as patinhas e o focinho do animal com água corrente e sabão. Os especialistas também aconselham aumentar a frequência dos banhos nos pets.
MITOS PERIGOSOS
Vitamina C ajuda a prevenir a infecção?
Não. Essa é uma das mentiras difundidas por redes sociais. Não existe vitamina, receita tradicional, terapia alternativa o u remédio conhecido capaz de evitar o contágio ou tratar a doença.
Como melhorar a imunidade?
Todas as promessas de tratamentos para aumentar a imunidade são enganosas. A única forma é com alimentação saudável, atividade física e sono de qualidade.
Devo fazer estoque de medicamentos?
Não. A não ser que você sofra de alguma doença crônica.
Produtos importados da China podem transmitir o vírus?
Não há risco algum neste caso, segundo infectologistas.
O novo coronavírus não resiste ao calor?
Circula nas redes sociais uma mensagem dizendo que a Covid-19 não resiste ao calor e que "temperaturas de 26ºC ou 27ºC já matam o dito cujo". Isso não é verdade, de acordo com o próprio Ministério da Saúde e especialistas da área.
Gargarejo com água morna, sal e vinagre elimina o coronavírus?
Não. Algumas mensagens em redes sociais dizem que isso elimina o vírus, mas é mentira. A informação é negada pela Organização Mundial da Saúde, pelo Ministério da Saúde e por especialistas.
O coronavírus foi criado em laboratório?
Não. Não há nenhum registro científico que indique que o vírus foi criado em laboratório. Um estudo publicado na revista “Lancet” fez uma descrição de dez sequências genéticas do novo coronavírus que demonstrou uma similaridade com o vírus SARs (COV), tendo o morcego como hospedeiro original.
É verdade que posso fazer meu próprio álcool gel?
Não. A receita caseira para reproduzir o frasco não funciona e ainda pode ser perigosa. O vírus é desconhecido e o uso inadequado do álcool pode deixar de ser uma arma de proteção e causar efeito contrário, como a potencialização de infecções e alergias.
Alguns tipo sanguíneo aumentam as chances de ser infectado pelo coronavírus?
Um estudo preliminar da China apontou que pessoas com sangue tipo A podem ser mais vulneráveis a serem infectadas pela doença. No entanto, especialistas dizem que são necessários mais estudos para que haja uma constatação sólida.
Posso contrair o Covid-19 pelo ato de doar sangue?
Não. A doação de sangue é segura. Não há riscos para quem doa. Segundo o governo federal, os mais de 30 hemocentros e 500 serviços de hemoterapia de todos Brasil estão preparados para receber os doadores. Esses serviços disponibilizam condições de lavagem de mãos, uso de antissépticos e estão atentos às recomendações para evitar aglomerações de pessoas.
PLANOS DE SAÚDE
Posso ir a um laboratório fazer o teste?
Para realizar o exame, é preciso ter uma avaliação médica. É o médico quem avalia os casos enquadrados como suspeitos ou prováveis da doença, que terão direito ao teste. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomenda que, antes de procurar uma emergência ou um laboratório, o usuário de plano de saúde busque a operadora para orientá-lo.
O teste só pode ser feito no hospital?
O médico definirá se o teste é indicado e orientará o paciente a procurar um estabelecimento da rede credenciada da operadora de planos de saúde. Alguns laboratórios particulares estão realizando o exame, mas o recomendado é consultar a operadora para que indique o local mais adequado.
Tenho o vírus, o plano de saúde cobre o tratamento?
Sim, os planos de saúde já têm cobertura obrigatória para consultas, internações, além de diversas terapias e exames que podem ser empregados no tratamento de problemas causados pela Covid-19.
Qual a orientação das operadoras, caso desconfie que fui contaminado?
A orientação é que o beneficiário procure primeiro os serviços ambulatoriais. Mas cada operadora definirá o melhor fluxo para atendimento. O primeiro passo é sempre entrar em contato com o plano de saúde e se informar sobre os locais de atendimento.
Pode ser cobrada coparticipação no exame e no tratamento do coronavírus?
Quando o contrato do plano de saúde já prevê coparticipação, ou seja, pagamento de um percentual do valor de exames e tratamentos pelo usuário, essa cobrança poderá ser feita também para o caso do novo coronavírus.
TRABALHO
Viagem a trabalho pode ser obrigatória?
Depende da atividade e do local. Por exemplo, se viajar a trabalho é parte da rotina do empregado, e desde que não seja para áreas de alto risco, poderia ser obrigatório. Mas o mais adequado, agora, é que a empresa ofereça alternativas, como videoconferência, que evitem viagens.
A empresa pode impedir viagens particulares?
A empresa não pode impedir que o colaborador faça uma viagem particular. Mas é obrigação do trabalhador comunicar ao empregador caso viaje para local com alerta de risco de contaminação. Se não o fizer, pode ser advertido.
A empresa pode me obrigar a trabalhar em casa?
Sim, a empresa pode estabelecer como regra interna para reduzir o risco de propagação do vírus, assim como para caso de empregado com sintomas para o coronavírus ou recém-chegado de região com risco de contaminação. É dever do empregador zelar por um ambiente de trabalho seguro.
No caso de home office, a empresa tem que fornecer as condições para o trabalho?
Tudo deverá ser acordado entre o empregador e o empregado e, de preferência, registrado por escrito. Por exemplo, se a empresa tem um computador que pode ser disponibilizado ao empregado ou se pagará acréscimos na despesa com telefone e internet.
E se o funcionário estiver com suspeita da doença?
O empregador deve afastá-lo das atividades de trabalho imediatamente, por pelo menos 14 dias e orientá-lo a procurar um médico.
Se estiver doente, como fica a situação do funcionário?
Os primeiros 15 dias de afastamento do trabalho serão pagos pelo empregador. A partir do 16º dia, caso a licença seja prolongada, o empregado passa a receber pelo INSS. Se houve a contaminação, mas o funcionário não tiver sintomas da doença, poderá trabalhar de casa.
Como fica a situação dos autônomos?
Se o trabalhador autônomo contribuir para o INSS, ele terá direito ao auxílio-doença a partir do primeiro dia de incapacidade para o trabalho. Para tanto, deverá obter um atestado médico que confirme a incapacidade e dar entrada no pedido de concessão do benefício no INSS. Os autônomos que não colaboram para o INSS não terão direito a auxílio-doença.
O prazo para entregar as declarações tributárias dos microempreendedores individuais (MEI) está mantido?
O governo, através do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), decidiu adiar para 30 de junho de 2020 a entrega da Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) e da Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual (DASN-Simei). O objetivo é diminuir os impactos econômicos causados pela epidemia. O CGSN também aprovou resolução prorrogando o prazo para pagamento dos tributos federais para as empresas optantes pelo Simples Nacional.
Com a quarentena, como os pequenos empregados vão pagar os salários?
O Banco Central anunciou, no dia 27 de março, uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas com uma taxa de juros reduzida a 3,7% ao ano e 36 meses para o pagamento. A linha de crédito, no valor de 40 bilhões (20 bilhões por mês), será destinada exclusivamente às folhas de pagamento dos funcionários. O crédito, de no máximo dois salários mínimos por funcionário, será depositado diretamente na conta do trabalhador.
Aposentados e pensionistas do INSS precisam fazer prova de vida?
O INSS suspendeu até junho as provas de vida anuais obrigatórias para aposentados e pensionistas. No caso de benefícios bloqueados pelo INSS com data anterior a março, será necessária a realização dos procedimentos de prova de vida para desbloqueio das parcelas. A medida não afeta os pagamentos dos benefícios.
VIAGENS
Se a companhia aérea cancelar o voo, como fica o ressarcimento?
A empresa aérea deverá oferecer ao passageiro as alternativas de reembolso integral da passagem ou reacomodação em outro voo da própria empresa ou de outra para o mesmo destino na primeira oportunidade, ou em voo da própria companhia a ser realizado em data e horário de conveniência do passageiro. Essa regra está na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). É o consumidor que escolhe dentre essas alternativas. Em caso de dificuldade, o consumidor pode registrar queixa no Procon da sua região ou no portal de intermediação de conflito do governo federal, o www.consumidor.gov.br.
As empresas podem cobrar multa para cancelamento, mudança de data ou destino?
Para destinos internacionais e nacionais identificados com alto risco de contágio, especialmente em casos de passageiros idosos, o entendimento dos especialistas é que seria garantido o reembolso total ou remarcação sem custo. No entanto, dizem que não se trata de um direito líquido e certo dos consumidores, mas pode ser argumentado em negociação pessoal ou intermediada pelo Procon ou na Justiça.
Qual é a orientação da Secretaria Nacional do Consumidor para empresas?
A principal recomendação seria remarcar, sem custo adicional, as viagens turísticas previstas para os próximos 30 dias. As empresas devem ter flexibilidade e evitar se ater aos casos estritos estipulados pela Resolução 400 da Anac, tendo maior campo de negociação, reduzindo cancelamentos prematuros, discussões judiciais e prejuízos ainda maiores ao setor e aos brasileiros.
Qual tem sido a conduta das empresas nesses casos?
Há muitas queixas sobre a aplicação de multas aos consumidores que querem cancelar ou remarcar viagens. Mas já há empresas aéreas e agências de turismo flexibilizando a aplicação das regras e negociando com consumidores a remarcação de viagens, permitindo alterações de data e destino sem custo. Em alguns casos, há cancelamento e reembolso do valor ou a disponibilização de crédito para o consumidor redefinir sua viagem em prazos de até um ano.
Alguma orientação para remarcar viagens?
Recomenda-se que se evite remarcar viagens para períodos curtos. E também que não se antecipe o pedido de remarcação ou cancelamento de viagens programados para daqui a mais de 60 dias. A orientação é acompanhar as informações oficiais à medida da proximidade da viagem .
Para locais que não são de alto risco, quais as regras para cancelamento?
Sem evidências concretas de risco ou manifestação das autoridades nacionais de saúde brasileiras ou do local de destino, em caso de cancelamento ou remarcação serão aplicadas as regras contratuais, o que significa que é possível a aplicação de multa ao consumidor para cancelamento ou mudança de data.
Como ficam as contratações feitas no exterior?
A compra de viagens de trem, eventos culturais e hospedagem efetuada diretamente com empresas estrangeiras se sujeita às regras do contrato e à lei do país em que houve a contratação. É preciso verificar as medidas que vêm sendo adotadas por essas empresas e as possibilidades de remarcação e/ou reembolso disponíveis no país de origem.
E os intercâmbios?
Estudantes intercambistas, que embarcariam do Brasil para estudar em outros países nos próximos meses, terão o direito de remarcar a viagem gratuitamente para até dois anos, contados a partir do dia 11 de março. De acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado as agências, caso os estudantes não queiram remarcar a viagem, devem ser reembolsados em condições mais vantajosas do que o previsto em contrato. As regras para reembolso serão diferentes em cada caso.
A malha aérea do Brasil continua a mesma?
A Anac e as companhias aéreas decidiram reduzir em 60% o número de voos no país. O Brasil tinha uma média de 14 mil voos por semana. A partir do dia 28 de março, esse número cai para 1.241 voos. Desta forma, a Agência Nacional de Aviação Civil pretende garantir que todos os estados sigam atendidos pela malha aérea e que o transporte de equipes de saúde, medicamentos, órgãos e deslocamentos de emergência sejam mantidos. A Anac lembra que viagens de turismo e a passeio são desaconselhadas.
INVESTIMENTOS
O que fazer com os investimentos?
Quando a crise vem, não tem muito o que fazer. Não tem como saber, agora, quando é o fundo do poço. Neste momento, a recomendação dos especialistas é manter os investimentos como estão.
É possível recuperar as perdas, principalmente na Bolsa, das últimas semanas?
Sim. A questão é saber quanto tempo esse movimento vai levar. É preciso manter a calma e não se precipitar.
E o dólar? dá para saber até onde a cotação vai?
O cenário é muito incerto ainda para fazer previsões. Analistas recomendam, para quem tem compromissos em dólar no futuro (uma viagem de estudos, por exemplo), ir comprando aos poucos, para minimizar os riscos com a instabilidade das cotações.
O Globo Wednesday, 01 de April de 2020
ROTINA DOS IDOSOS: DOS REMÉDIOS AOS EXERCÍCIOS
Rotina dos idosos: dos remédios aos exercícios, como manter a saúde durante a pandemia de coronavírus
Em casa, sem deixar de manter as atividades do dia a dia
Carolina Mazzi e Gabriela Oliva
01/04/2020 - 05:30 / Atualizado em 01/04/2020 - 07:41
RIO - O isolamento dos que podem ficar em casa como medida contra a propagação do novo coronavírus, a população idosa — grupo de risco da Covid-19 — enfrenta dificuldades para agendar consultas médicas e pegar receitas de medicamentos controlados. A interrupção do uso de remédios pode agravar problemas de saúde.
— A ausência dos medicamentos pode levar à descompensação de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, por exemplo, que conferem maior risco de Covid-19 — afirma a médica Rachel Rosado.
A aposentada Maria Coeli, de 80 anos, trata de depressão crônica e não consegue falar com a médica para buscar receita:
— Esgotei todas as possibilidades de contato, não tenho o telefone pessoal da médica. Meu plano de saúde recomendou mudar de profissional, mas em meio à pandemia não tenho condições de procurar atendimento presencial —, diz.
O Ministério da Saúde orienta que, caso as consultas não graves nos centros de referência sejam canceladas ou adiadas devido à pandemia, o gestor local deve adotar estratégias para continuar monitorando pacientes, mesmo à distância.
O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara, afirma que o uso da tecnologia pelos médicos é o caminho mais eficaz para manter o atendimento durante a pandemia:
— Em tempos diferentes, precisamos repensar em soluções excepcionais. Isso inclui a relação médico e paciente. Uma alternativa é o teleatendimento, que assegura a saúde do profissional de saúde e do idoso — afirmou.
Com a receita em mãos, os idosos devem se preservar. Se possível, pedir para amigos ou parentes buscarem o medicamento nas farmácias ou optar pelos serviços de entrega. Caso seja impreterível a ida, optar por horários especiais e exclusivos que algumas grandes redes de drogarias estão oferecendo.
O Ministério da Saúde adotou, em caráter excepcional e temporário, medidas diferenciadas para a população ter acesso a medicamentos do Programa da Farmácia Popular. Os pacientes passaram a retirar o quantitativo suficiente para realizar o tratamento por até 90 dias, ficando dispensados de voltar à farmácia por até três meses.
EM CASA, MAS sem parar
Para manter a saúde em casa e que o tempo seja mais prazeroso, a dica é não se manter parado. Por enquanto, é bom evitar qualquer exercício ao ar livre, mas lembrar de se mexer dentro de casa é importante. Segundo o educador físico Diogo Fernandes, além de manter o fortalecimento físico, a prática de exercícios fortalece a imunidade e libera hormônios que aumentam a sensação de bem estar e ajudam no combate a ansiedade.
Nesse momento, é preciso também que as famílias se mobilizem e incluam o idoso nas atividades cotidianas.
— É difícil para qualquer pessoa passar por esse período, não só pela ansiedade, mas pela solidão e medo da própria doença. Mas é preciso reforçar: esta é uma situação temporária. — comenta a geriatra Patricia Ledo.
Ficar em casa tem sido um desafio par aos idosos mas, segundo especialistas, não se trata apenas de teimosia.
— Ao envelhecer, perdemos certa autonomia física, muitas coisas que conseguíamos fazer com facilidade passam a ser difíceis ou não recomendadas. Reafirmar a a vontade e o direito de ir e vir é uma forma de reforçar a autoridade sobre sua própria vida - afirma a terapeuta Vanessa Benaderet.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Mantenha a rotina e os horários. Nada de ficar de pijama o dia inteiro. Tente manter a rotina, trocando de roupa e fazendo as refeições e as atividades nas mesmas horas que costumava fazer.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Fortaleça o que já gosta. Se adora cozinhar, pense em novas receitas. Se gosta de jogos, como palavras cruzadas ou desafios, procure exercícios mais desafiadores. Para quem não deixa de ler, é tempo de começar uma nova obra. Se gosta de plantas, redobre os cuidados. Ou seja, reforce os hábitos que já te dão prazer.
Mas não deixe de experimentar. Começar novas atividades e se desafiar é bom para o cérebro em qualquer idade e tem benefício aumentado para pessoas acima de 60 anos. Sempre quis aprender a pintar, costurar ou tocar um instrumento? Tente. Na internet, há professores de todas as atividades ensinando novas habilidades. Não tem acesso á internet? Que tal reorganizar o álbum de fotografias?
Mas sem estresse. Ficou sem paciência? Não era exatamente o que achava que ia fazer? Não precisa continuar. Não há motivo para elevar o nível de estresse, e ninguém deve se sentir pressionado a fazer algo que não lhe dá prazer.
Não se isole. Bateu saudade da vizinha ou da família? Use o telefone ou, se já estiver acostumado, aplicativos de celular que fazem chamada em vídeo. O importante é manter o contato com os amigos. Procure formas de socializar mesmo na quarentena.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Não abandone os exercícios. A principal dica entre os especialistas é não abandonar os exercícios que já se faz habitualmente. Muitos educadores físicos enviam os treinos pela internet ou fazem aulas ao vivo. É fundamental para a saúde mental e física. Mas, por enquanto, dentro de casa.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Ainda não faz? Tá sobrando tempo no dia? Para os sedentários, é uma boa chance de começar a se mover e ocupar corpo e mente. Caminhar pela casa (ou no quintal, se tiver), levantar da cama e do sofá mais frequentemente e participar de algumas atividades da rotina podem fazer uma boa diferença, além de gastar aquelas horas extras no dia. Se quiser, estabeleça metas, como andar por cinco minutos a cada uma hora.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Pegue sol. Nem que sejam vinte minutos na varanda ou na janela de casa. O sol sintetiza vitamina D, ajudando no fortalecimento de ossos e músculos, além de diminuir a fadiga e elevar a sensação de bem-estar como um todo.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de ArteUse a tecnologia a seu favor
Além de receber exercícios pela internet, fazer videochamadas e poder ter aulas online, também é possível ver filmes, séries e jogos. Quer rever aquele clássico dos anos 1970? É bem provável que ele já esteja no catálogo de algum serviço que exibe programas, seja na própria televisão ou nos aplicativos.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Fuja das fake news. Antes de repassar ou acreditar em qualquer informação, procure saber se é verdade para evitar a ansiedade. Se for em relação ao corona e à sua saúde, consulte o médico antes de qualquer decisão. Não tome remédios, ou deixe de usar medicações de uso continuado, sem orientação médica.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de ArteFaça pré-triagem
Sentiu sintomas como febre ou tosse? Tem dúvida? Procure seu médico para saber se precisa mesmo sair de casa.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Cuidados redobrados. Sair de casa deve ser evitado, mas é recomendável tomar a vacina da gripe. Se for sair, redobre os cuidados com lavagem de mãos e fique até 1,5 metro de distância dos demais. O mesmo vale na hora de ir à farmácia ou fazer alguma compra no supermercado.
Melhor amigo do homem. O ideal, segundo os veterinários, é que os animais façam a quarentena e evitem sair de casa, já que não se sabe se o vírus pode sobreviver na pele ou no pelo. Se for inevitável, o passeio deve ser o mais curto possível, apenas para que o bichinho faça suas necessidades fisiológicas. Não deixe que toquem no seu animal. Lavar as mãos antes e depois de sair, evitar encostar em superfícies e manter distância de 1,5 metro de outras pessoas.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Cuidados dos cuidadores. Os cuidadores devem manter as recomendações de higienização das mãos e, quando estiverem fora da casa do idoso, devem praticar o isolamento social. Ao chegar no trabalho, manter os sapatos e a roupa da rua separados e tomar um banho. Se apresentar qualquer sintoma, não vá trabalhar.
É inevitável sair? Há diversas iniciativas de vizinhos que se oferecem para fazer compras e ir a farmácia para os idosos. Procure saber se alguém pode realizar essa atividade por você, inclusive algum membro da família. Se não der para delegar essas funções, redobre os cuidados. Uma dica dos especialistas é levar um papel, ou pano descartável, para não encostar, por exemplo, na maçaneta do elevador ou na hora de apertar o botão do andar. Passe álcool gel sempre que possível, lave as mãos antes e depois de sair de casa, mantenha a distância de 1,5 metro de outras pessoas. Se for ao supermercado, leve uma lista de compras para não desperdiçar tempo. Bancos têm oferecido a possibilidade de agendar um horário (já que estão trabalhando com expediente mais curto), procure marcar. Evite aglomerações.
PARA A FAMÍLIA
A situação vai passar. É importante reforçar que a situação vai passar em alguns meses, para controlar a ansiedade. Especialistas afirmam que pessoas acima de 60 anos, de fato, podem ficar mais confusas com mudanças bruscas na rotina. É bom, então, incentivar a manter um horário em que pretende fazer cada atividade do dia para não perder o rumo, até se habituar.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Para muitos, autonomia em risco. A sensação de perda da autonomia é maior para os idosos, que já sofrem com as limitações físicas naturais da idade. É importante reforçar ques estão no grupo de risco e, por isso, devem se manter em quarentena, mas sem pânico.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Atividades cotidianas da família.
É importante que a família inclua e busque contato com quem mora longe, ou está isolado, nas atividades cotidianas da família pelo celular. Dá para acompanhar a neta fazendo dever, conversar sobre o dia a dia e até brincar junto através da telinha. Se a pessoa tiver dificuldade em manejar a tecnologia, vale a boa e velha conversa por telefone.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Monitore a despensa. Para evitar que o familiar vá à rua em busca de um ou outro mantimento ou medicamento, é importante saber como está a despensa da casa. E prover com o que estiver faltando. Combine um horário para deixar na porta de casa ou na portaria do prédio, evitando o contato.
Como manter a rotina dos idosos, de exercícios aos remédios, durante a pandemia Foto: Editoria de Arte
Trilha sonora ideal. Especialistas afirmam que muitos idosos simplesmente se esquecem de ouvir música, que traz benefícios importantes para a saúde mental, com o aumento da sensação de prazer e relaxamento. Ajude-os a retomar este hábito, sugerindo ligar o som no rádio, na TV a cabo, no computador ou em qualquer outro aparelho disponível na casa.
Necessidades diversas. Respeite os limites de cada um e evite infantilizá-los, mentindo sobre a realidade. Isso só aumenta a ansiedade e sensação de impotência.
FONTES:
Maísa Kairalla, geriatra e presidente da Comissão de Imunizaçao da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Patricia Ledo, geriatra e assessora técnica da Saúde do Adulto e Idoso de Jundiaí- SP.
Vanessa Benaderet, doutora em Psicologia
O Globo Tuesday, 31 de March de 2020
ENTREGADORES: ANJOS DO ASFALTO
Anjos do asfalto: Entregadores cruzam a cidade para levar de remédio a comida a quem pode ficar em casa
O aumento da demanda vem acompanhado do crescente cuidado que estes profissionais têm para que as encomendas cheguem ao destino com rapidez e em perfeitas condições de higiene
Letícia Lopes
31/03/2020 - 05:10
Fernanda Honorata faz entregas de moto Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
RIO - Eles parecem ter se multiplicado nas últimas semanas. A pé, de bicicleta ou de moto, estão sempre prontos para cumprir a próxima missão. Em tempos de quarentena, os entregadores ocupam as ruas com a heroica tarefa de garantir a chegada de comida, remédios e outros itens essenciais às casas daqueles que podem cumprir a recomendação de isolamento social feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para frear o contágio pelo novo coronavírus.
O aumento da demanda vem acompanhado do crescente cuidado que estes profissionais têm para que as encomendas cheguem ao destino com rapidez e em perfeitas condições de higiene. A preocupação com a própria segurança e de seus familiares também é grande, por isso as dicas para evitar contrair a temida Covid-19 — a doença causada pelo novo coronavírus — nunca são esquecidas. O hábito de lavar as mãos frenquentemente já está integrado à rotina e, muitas vezes, eles tiram do próprio bolso dinheiro para comprar itens de proteção, como máscaras.
Técnica em segurança do trabalho, Fernanda Honorata, de 33 anos, ficou desempregada há um ano e passou a fazer entregas. Para se prevenir, além de sempre usar álcool gel, ela tira a roupa do trabalho no quintal e toma banho antes de entrar em casa:
— Meu maior medo é levar esse vírus para casa. Meu filho tem bronquite, e minha mãe está com 80 anos. Fiquei uma semana em casa, mas já estava sem dinheiro até para o pão.
Alon Jones da Silva, durante entrega de app pelo Largo do Machado Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Morador de Ricardo de Albuquerque, Rian Pereira, de 25 anos, só sai de casa porque precisa trabalhar e lamenta por ver pessoas desrespeitando a recomendação de isolamento social mesmo sem necessidade:
— Crianças na rua brincando, pessoal no bar... Tenho medo de pegar essa doença na rua e passar para os meus pais. Para falar a verdade, já não sei mais se tenho mais medo de ficar doente ou desempregado.
Depois de quatro meses desempregado, Alon Jones, de 40 anos, finalmente conseguiu uma vaga como garçom em um restaurante no Leblon. Mas as medidas de combate à Covid-19 adiaram a contratação, e ele recorreu às entregas por aplicativo para sobreviver:
— Estou fazendo isso por necessidade. Eu fico exposto, e é perigoso ficar andando de bicicleta o dia inteiro, mas é o que tem — lamenta o futuro garçom.
Como entregador de um mercado, Paulo Roberto Bernardes, de 21 anos, tem trabalhado de máscara e luvas por determinação da chefia do estabelecimento, e se sente mais seguro assim. Mas a precaução, às vezes, assusta alguns clientes:
— A gente não tem escolha. Faço muitas entregas aqui em Copacabana e no Leme. Não sabemos quem está doente, e também preciso me prevenir. É arriscado.
E no meio dessa correria, um remédio ajuda a aliviar a pressão dos “anjos do asfalto” e não tem contraindicação: a solidariedade. “Vai dar tudo certo”. A frase otimista estava na mensagem de agradecimento que um entregador enviou em retribuição ao gesto que a socióloga Tatiana Ruediger, de 30 anos, teve no último domingo. Após ver iniciativa semelhante numa rede social, a moradora de Laranjeiras, na Zona Sul, fez um pedido num mercado, através de uma plataforma de delivery, com um valor aberto, de R$ 50 a R$ 100. Em seguida, avisou ao entregador que ele deveria usar aquele valor para algo que precisasse, como alimento ou item de higiene.
— A gente reclama de estar em casa, mas temos tudo, todo o conforto. Fiquei muito preocupada com essas pessoas que estão se expondo aos riscos por necessidade. Deveria haver legislação para lidar com essa situação, mas já que as coisas demoram tanto no Brasil, não dá para esperar. Estamos em um momento de dividir o bolo — defende Tatiana.
O Globo Monday, 30 de March de 2020
DANIEL AZULAY, MEU PRIMEIRO AMIGO MORTO PELO CORONAVÍRUS
CRÔNICA DE SEGUNDA
Meu primeiro amigo morto pelo coronavírus
Por Joaquim Ferreira dos Santos
Foi meu primeiro amigo morto pelo coronavírus. Tinha 72 anos, mas parecia um menino pela maneira como jogava o corpo de um jeito meio desengonçado, pelo cabelo penteado com os dedos e principalmente por carregar no rosto um sorriso constante, tornado mais simpático ainda porque os dentões de cima eram ligeiramente separados. Lembrava um dos desenhos engraçados que fazia para as crianças. Daniel Azulay morreu sexta-feira passada.
A última vez que nos vimos dá a impressão de ter sido há séculos, mas foi apenas em dezembro ou novembro do ano passado. Foi com certeza em outra civilização, uma felicidade típica do tempo em que os amigos estavam liberados para se encontrar, em seguida apertarem as mãos e bem próximos um do outro trocarem ideias sem máscaras. Era um acontecimento comum naquele ano de 2019 AC (antes do coronavírus).
Daniel Azulay tinha duas salas atulhadas de memórias em Copacabana, uma montanha de livros, revistas, cartazes, estampas Eucalol, álbuns de figurinhas, coleções de O Gibi, e queria dar uma organizada naquela quinquilharia toda, fazer sabia-se lá o quê com tamanha preciosidade de papéis, alguns desenhos originais de Nássara, Fortuna, Millôr, Jaguar e outros deuses das artes gráficas nacionais. Era um museu caótico, nostalgias que educaram sua sensibilidade de artista excepcional. Azulay pretendia entender o material que tinha, conceituar, filtrar, arrumar e em seguida dispor a coleção ao público – foi aí que a gente se viu pela última vez.
Desde o começo desse pesadelo mundial, a vida dos amigos tem sido filtrada pelo movimento de mensagens no WhatsApp. Na primeira semana, elas eram sobre a euforia de estar em casa, todo mundo autorizado a ver sem culpa as séries da Netflix. Na segunda semana, chegaram os vídeos divertidos de alguém que se dizia fazendo um cruzeiro (cruzando da sala para a cozinha) ou jogando frescobol com o vizinho pela janela dos apartamentos. Na terceira onda, semana passada, a vida real baixou no aplicativo e a brincadeira acabou. Os amigos começaram a noticiar seus parentes internados. A morte, antes apenas um número sobre a tragédia na Itália e Espanha, estava nas vizinhanças – e foi aí que o zap deu a notícia do Azulay.
A morte de um amigo que se vai sem despedidas, sem o velório necessário, o caixão lacrado, é uma das maneiras de o vírus definir a crueldade de seu método e assombrar o futuro. Como serão as amizades? Como elas circularão pela cidade depois de sua passagem nefasta?
Antes de ser um desenhista de sucesso na TV (“algodão doce pra vocês”, era como se despedia na Turma do Lambe Lambe), Daniel Azulay fez parte nos anos 1970 do ranking dos dez melhores jogadores de tênis do Rio. Um dos seus orgulhos e curtição era ser sócio do sofisticado Country Club, em Ipanema, não pela grana - mas pela condição de atleta. A última vez que o vi foi lá.
Para conversar sobre a memorabilia ajuntada nas salas de Copacabana, almoçamos algumas vezes no final de 2019 AC na varanda do clube. Era um dos paraísos mais charmosos da civilização carioca - até que o coronavírus também passou por ali, penetra entre os convidados de uma festa, e com sua foice de contaminações em massa desfez o encantamento.
Nesta quarta semana as notícias pelo WhatsApp devem ser piores e, com inimigo tão cruel, difíceis de imaginar. De certo, a saudade do amigo divertido, garotão aos 72, e a esperança de sempre. Algodão doce para todos.
O Globo Sunday, 29 de March de 2020
BABY DO BRASIL, ATRAÇÃO DO FESTIVAL #TAMOJUNTOII
Baby do Brasil, atração do festival #tamojuntoII: 'Somos mais frágeis do que podemos imaginar'
Na ativa em lives de internet, cantora encerra hoje o festival do GLOBO, prepara show e diz ter sentido falta da ‘verdadeira história’ no musical dos Novos Baianos
Silvio Essinger
29/03/2020 - 05:30
A cantora Baby do Brasil Foto: Marcos Hermes / Divulgação
RIO — A quarentena do coronavírus não pegou desguarnecida a cantora Baby do Brasil, estrela da MPB que encerra hoje, às 21h30, o festival virtual #tamojuntoII, do GLOBO. Live caseira? Não tem problema, isso é com ela mesma.
— Tenho feito lives de oração às 22h e às 04h44 da manhã, no que chamei de A Quarta Vigília. Quem de madrugada me busca, me encontra! Além disso, tenho participado de lives para festivais e de lives compartilhadas, como as que fiz com a minha filha Nãna Shara —conta Baby, por WhatsApp. — Tenho tocado violão, escrito novas letras e revisitado tudo o que tenho preparado para essa minha nova turnê.
Sim, como tantos outros artistas, Baby ia cair na estrada com novo show por esses dias. Recheada de sucessos seus e de releituras inusitadas (como a do “Bolero de Ravel”), a turnê “Baby 2020”, que ela estrearia no mês que vem, teve seu início transferido para junho, com shows em São Paulo (dia 5/6, no Tom Brasil), Rio (31/7, no Vivo Rio) e Belo Horizonte (18/9, no Palácio das Artes).
— Estávamos simultaneamente nos preparando para o lançamento do novo single, que vem inaugurar o novo tempo com o trabalho autoral tão esperado pelos fãs, após tantos anos — revela a cantora. — Eu havia ouvido de Deus que tudo ia mudar, mas que não nos espantássemos porque tudo iria dar certo. Achei que era uma mudança menor! Com isso, a nova turnê passou para o inicio do segundo semestre.
Baby diz ver esses tempos de Covid-19 como uma oportunidade para o mundo retomar sua ligação com a santidade e com a natureza:
— O amor está se esfriando! Todo mundo olhando só para o seu próprio umbigo. Precisamos reavaliar tudo o que o homem tem errado e produzido: comida e não alimento, remédios e não a cura, violência e não a paz. Somos mais frágeis do que imaginamos! Tudo pode virar a chave em um segundo, precisamos nos aproximar de Deus urgente, e resgatar o sonho divino.
No entanto, o mundo secular continua a ter seus apelos para a cantora, que vem participando de blocos de carnaval, da reunião dos Novos Baianos (“um novo disco virá no momento certo, após essa pausa para reciclar”, adianta ela) e do musical “70? Década do Divino Maravilhoso”, de Frederico Reder.
— Depois de tudo isso, e principalmente da temporada de oito meses com o musical, fazendo participação especial, cantando e dançando, meu preparo físico aumentou e estou a mil por hora! — diz Baby, de 67 anos. — Tudo isso com muita alegria e gratidão, estou superpronta pra subir no palco com a turnê “Baby 2020”.
Sua companheira no “Divino Maravilhoso”, a atriz e cantora Bárbara Ferr acabou interpretando Baby no musical “Novos Baianos”, dirigido por Otavio Muller, que chegou aos palcos do Rio em janeiro. Pedro Baby, filho da cantora com Pepeu Gomes, assinou a direção musical do espetáculo junto com Davi Moraes, filho de Moraes Moreira. Tudo em casa, mas...
— O musical é uma ficção, e sendo assim, não retrata exatamente como as coisas realmente aconteceram. Senti muito a falta dessa verdadeira história no roteiro — reclama ela. — Mas não será essa a primeira vez que teremos um especial dos Novos Baianos. A parte musical foi impecável com a direção de Pedro e do Davi Moraes, que escolheram músicos excelentes.
Na sala de casa
Para a live de hoje no #tamojuntoII, Baby promete canções como “Tinindo trincando”, “A menina dança”, “Telúrica” e “Menino do Rio” em versões acústicas, com seu violão e as bases preparadas pelos guitarristas Frank Solari, Raphael Garrido e Guilherme Schwab.
— Como estamos em quarentena, tudo acontecerá aqui na sala da casa — avisa Baby, que, por outro lado, não vê a hora de poder dar uma festa na Praia de Copacabana. — Cada um de nós levará o prato mais gostoso que fez durante a quarentena e juntos iremos orar com fervor.
A programação de domingo do #tamojuntoII
15h30: Paulo Gomiz (The Voice Kids)
16h: Bia Bedran
16h30: Moacyr Luz
17h: Terno Rei
17h30: Tuyo
18h: Felipe Araújo
18h30: Guto Goffi
19h: Biquini Cavadão
19h30: Silvia Machete
20h: Paulo Miklos
20h30: Rita Benneditto
21h: Moreno Veloso
21h30: Baby do Brasil
O Globo Saturday, 28 de March de 2020
ISOLAMENTO SOCIAL: CIRCULAÇÃO DE CARIOCAS NAS RUAS CAIU EM¨MÉDIA 85 %
Isolamento social: circulação de cariocas nas ruas da cidade caiu em média 85%
Copacabana, bairro com mais idosos, foi o local em que a redução foi menor; dados são de empresa que monitora vias cariocas
Letícia Lopes e Rafael Galdo
28/03/2020 - 04:30
Na orla de Copacabana, movimento no calçadão foi grande Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
RIO — No Rio de Janeiro, embora medidas restritivas determinadas pelas autoridades municipal e estadual tenham esvaziado as ruas, ainda é possível ver gente caminhando na orla, banhistas na praia e lojas que deveriam estar fechadas funcionando normalmente. E, numa lista de sete bairros importantes da cidade, justamente Copacabana, com sua grande concentração de idosos (grupo de risco para o novo coronavírus), foi o que menos aderiu às orientações para o isolamento social, segundo um estudo, feito entre os dias 23 e 26, pela empresa de inteligência artificial Cyberlabs, que realiza um videomonitoramento de vias públicas cariocas.
Segundo o levantamento, em média a circulação de pessoas no Rio caiu 85%, numa tendência que vem se intensificando ao longo da semana. Em Copacabana, porém, essa redução gira em torno de 70%. A adesão foi um pouco maior apenas ontem, quando alcançou 80%, mas continuou abaixo da registrada no Centro (93%), na Tijuca (89%), na Barra (88%), em Ipanema/Leblon (88%) e em Botafogo (82%).
— A concentração maior acontece nas praias, no final da tarde, por volta das 17h, além de praças, ciclovias, áreas de lazer e até mesmo feiras de rua — afirma o engenheiro mecatrônico Felipe Vignoli, sócio-fundador da Cyberlabs.
Ontem à tarde, havia quiosque da praia aberto, sorveteria a pleno vapor e gente que caminhava pela orla de Copacabana, junto a muitos que praticavam exercícios físicos no calçadão e na ciclovia. Nas ruas internas do bairro, uma empregada doméstica de 60 anos, que preferiu não se identificar, procurava um lugar para imprimir um boleto bancário. Encontrou aberta uma pequena papelaria no bairro Peixoto.
— Estou com medo, claro. Tento me cuidar, sempre ando com álcool em gel na bolsa e uso máscara no trabalho — dizia ela, que ainda pegaria uma condução para a Baixada Fluminense, onde mora.
Nos transportes públicos, aliás, até as 16h de ontem, os trens da Supervia registravam uma redução no fluxo de passageiros menor que nos dias anteriores: 68,9% (259,5 mil usuários a menos que a média de sextas-feiras), contra diminuição de 72,6% ao longo de toda a quinta-feira (430 mil pessoas a menos que num dia comum).
Outros modais, no entanto, mantiveram patamares parecidos com os do resto da semana. Nos coletivos, diz a Rio Ônibus, as empresas observavam uma queda da demanda de aproximadamente 80%. Anteontem, esse índice tinha sido de 74,5% e, na quarta-feira, de 74,9%. E no metrô, de segunda a quinta-feira, a contração no fluxo girou sempre perto dos 85%.
Ontem, voltaram a funcionar nas ruas do Rio, com autorização da prefeitura, lojas de conveniência em postos de gasolina e de material de construção. Muita gente procurou este último tipo de estabelecimento para comprar máscaras usadas por pintores e marceneiros.
O Globo Friday, 27 de March de 2020
GUIA PARA COMBATER A ANSIEDADE
O GLOBO lança guia para combater a ansiedade e ajudar a manter a mente sã
Especialistas dão dicas para uma rotina equilibrada e saudável durante o isolamento, evitando estresse e ansiedade
O Globo
27/03/2020 - 04:00 / Atualizado em 27/03/2020 - 07:06
Cuidados com a respiraçao e alimentação saudável estão entre as dicas Foto: Arte de Paula Cruz e Mayara Lista
RIO - O isolamento dentro de casa — essencial para frear o contágio do novo coronavírus — pode trazer efeitos colaterais como tédio, solidão e ansiedade. Com ajuda da psicóloga Erika Pallottino, do Instituto Entrelaços, e de Gabriel Bronstein Landsberg, psiquiatra e diretor médico da Clínica Espaço Clif, O GLOBO montou um guia com dicas para quem quer manter corpo e mente saudáveis durante o confinamento.
Mantenha uma rotina
Hábitos saudáveis: estique seu corpo. Foto: Arte de Paula Cruz e Mayara Lista
Tente estabelecer um padrão. Tenha horários certos para acordar, trabalhar (se estiver em home office), estudar, informar-se, fazer atividades lúdicas e dormir. Nosso cérebro precisa de rotina, entre outros motivos, para poupar energia.
Compartilhe por WhatsApp: clique aquie acesse o guia completo.
Ou mande uma mensagem para o número (21) 99428-2723.
O Instituto Entrelaços, em parceria com outras entidades pelo Brasil, oferece atendimento para suporte e apoio emocional, gratuitamente, nos seguintes telefones: (21) 97504-6070, (11) 98863-0550, (11) 9117-0990, (31) 98399-4602, (27) 98858-8280 e (84) 99159- 4405.
O Globo Thursday, 26 de March de 2020
NA QUARENTENA, FAÇA SEU PÃO EM CASA
Na quarentena, faça seu pão: veja a receita de fermentação natural
Em tempo de combate ao coronavírus, a solução é resolver em casa e não ter que ir à padaria
Bruno Calixto
25/03/2020 - 13:59 / Atualizado em 25/03/2020 - 20:05
Aprenda o passo a passo da fermentação natural
Veja uma receita para fazer pão de fermentação natural em casa, ensinada pelo casal de padeiros Ricardo Rocha e Mariana Massena, da Artesanos. Se quiser, você ainda pode fazer o seu próprio levain - o fermento natural -, eles também ensinam.
Massa de fermentação natural: horas e horas para ficar pronta Foto: Bárbara Lopes
O casal de padeiros Ricardo Rocha e Mariana Massena, da Artesanos Foto: Divulgação;Gabriel Ávilla
Ingredientes do pão
500g de farinha de trigo para longa fermentação;
460ml de água;
12g de sal;
120g de fermento natural (levain feito ao menos dez dias antes, com uma parte de farinha e outra parte de água, alimentado com farinha e água de 12 em 12 horas; geralmente os padeiros fornecem o fermento natural pronto para os clientes).
Modo de preparo do pão
Processo de produção de pão de fermentação antural Foto: Bárbara Lopes
Misture bem a farinha e a água em uma tigela e deixe descansar por 30 minutos. Depois acrescente o fermento natural, misturando-o na massa, e sove, na própria tigela ou em uma bancada levemente enfarinhada, até obter uma massa homogênea. Por fim, adicione o sal.
Cubra com um pano e deixe crescer até dobrar de tamanho. Depois despeje a massa em uma bancada e modele o pão no formato de uma bola. Prepare um cesto polvilhado de farinha para crescimento da massa. O cesto pode ser substituído por um escorredor de massas revestido por um pano de prato.
Coloque a massa com a emenda virada para cima no cesto de crescimento e deixe-a descansar por aproximadamente 30 minutos, coberta por um pano ou um plástico. Continue o processo de fermentação dentro da geladeira, por um período entre 16 e 20 horas.
Cerca de 20 ou 30 minutos antes de assar, coloque uma panela de ferro (na qual caiba seu pão) na parte de baixo do forno e preaqueça-a a 250ºC. Tire a massa da geladeira e vire-a na base da panela previamente polvilhada com farinha. Com um estilete ou uma faca bem fina, faça um corte de 1cm de profundidade na massa, no sentido do comprimento.
Espere assar por 30 a 40 minutos ou até dourar bem. Para saber se o pão está assado, retire-o do forno e bata na parte de baixo. O som produzido deve ser oco como o de uma batida na madeira. Caso o pão não esteja bem assado, pode voltar para o forno.
Quando o pão estiver pronto, retire-o do forno e coloque-o em uma grade para esfriar, por 30 minutos.
Porções: uma unidade de 650g.
Tempo: 24 horas.
O Globo Wednesday, 25 de March de 2020
HISTÓRIAS DE CURA DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASIL: MAIS DE 100 MIL PESSOAS NO MUNDO SUPERARAM DOENÇA
Histórias de cura do novo coronavírus no Brasil: mais de 100 mil pessoas no mundo superaram doença
Administradora de empresas, advogada e publicitário contam como conviveram com a Covid-19, relatam sintomas e protocolos seguidos
Sérgio Roxo e Rodrigo de Souza*
25/03/2020 - 04:30 / Atualizado em 25/03/2020 - 07:31
Quase 100%. Andrea Ferrari conviveu duas semanas com a Covid-19 Foto: Arquivo pessoal
SÃO PAULO e RIO - A contagem de pacientes curados do novo coronavírus no mundo passou de 100 mil na segunda-feira. Segundo levantamento da Johns Hopkins University, o número está agora em cerca de 108 mil pessoas.
Em São Paulo, uma delas, a administradora de empresas Andrea Ferrari, de 53 anos, conviveu nas duas últimas semanas com a doença. Sem nenhum dos problemas de saúde que agravam os efeitos do vírus, ela conta que há anos, por se vacinar, não tinha sequer uma gripe. Mesmo sem ter sido internada, afirma ter sofrido bastante:
— Muita gente diz que é como um resfriado, mas para mim não foi. Com certeza, era pior do que qualquer gripe que eu já tive.
Em tese, Andrea pode ser considerada curada a partir desta quarta-feira, quando completa os 14 dias do ciclo da infecção e está há mais de 24 horas sem sintomas. Ela passou o período isolada em seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
— Teoricamente, eu poderia ter alta hoje (terça-feira), mas a gente fica com receio tão grande que não sabe nem mais o que pensar.
Ela diz que gostaria de fazer um novo exame para ter a comprovação da cura e de que não transmitiria a doença para outras pessoas, mas suas médicas lhe informaram que só pacientes internados estavam sendo testados.
Andrea sentiu calafrios na noite de 9 para 10 de março e teve 38 graus de febre. Ela sentia também dores fortes na testa e na nuca e, de forma menos intensa, no corpo. Chegou a ir à farmácia para comprar um xarope porque acreditava estar com sinusite. Trocou mensagens com sua médica, mas a hipótese de coronavírus não foi considerada inicialmente. Uma outra médica que a acompanha também foi consultada e tampouco levantou a possibilidade da nova doença.
No dia 11, Andrea foi a um laboratório. Inicialmente, fez o teste para dengue. Também fez exame para detectar influenza. O tempo todo, as médicas não acreditavam que era coronavírus.
Só depois que os resultados deram negativo é que o coronavírus passou a ser considerado. Ela só se submeteu ao exame no dia 14, quando uma equipe do laboratório foi ao seu apartamento para fazer a coleta.
Nesse período, os sintomas continuaram. Desconfiada, ela já havia passado a dormir em quarto separado do marido e passado a usar um banheiro exclusivo. A febre chegou a 39,5. A confirmação do coronavírus só saiu no dia 17.
Ela não teve contato direto com ninguém que veio do exterior. Acredita que pode ter pegado o vírus em um evento de empreendedorismo de que participou dias antes de os sintomas aparecerem.
Quando saiu o resultado, o marido parou de trabalhar e também se isolou em casa. Porém, não conseguiu fazer o exame, já que naquele momento os testes só estavam sendo disponibilizados para os pacientes com sintomas que exigem internação. Ele não apresentou nenhum sinal de infecção.
Andrea conta que sentia uma indisposição muito grande. Não conseguia sair da cama. A comida tinha pouquíssimo gosto. Desde domingo, ela não tem febre. Mesmo com a melhora, a administradora conta ainda não ter recuperado totalmente a disposição.
Rotina de exercícios
Na mesma semana em que Andrea adoeceu, a tesoureira da Aliança pelo Brasil, Karina Kufa, foi a segunda integrante da comitiva presidencial para a Flórida (EUA) a receber o diagnóstico positivo para o novo coronavírus.
A advogada de 39 anos conta que seus primeiros sintomas foram febre esporádica, dores de cabeça, no corpo e, em menor grau, na garganta, “como se fosse um arranhado”. Depois de alguns dias, Karina começou a perder o olfato e o paladar.
— Não fui ao hospital, até por recomendação médica, porque meus sintomas eram leves. Só fiz o exame (no dia 13 de março) e observei o protocolo. O tratamento foi simples, alguns remédios eu já tinha — afirma. A rotina da quarentena incluiu atividade física leve, leitura e resolução de pendências. — Hoje estou praticamente sem sintoma nenhum. O que restou foi a ausência de olfato e paladar. Estou bem disposta.
Karina deve fazer hoje um exame para comprovar que não está mais com Covid-19. Ela pretende voltar para casa ainda nesta quinta-feira, após cumprir o isolamento em um hotel, longe da família.
Sem sintomas há dois dias, Pedro Kuyumjian teve seu primeiro episódio de febre na noite de 12 de março. No dia seguinte, comentou o fato com colegas de trabalho, que, preocupados com o grande fluxo de estrangeiros na sede da empresa — uma gestora de investimentos sediada no Itaim Bibi, bairro da Zona Oeste da capital paulista —, o convenceram a fazer um teste. O publicitário de 42 anos foi no mesmo dia ao Hospital São Luiz, no Morumbi. Lá havia, segundo ele, mais nove pessoas prontas para realizar o exame.
— Fiz o teste para influenza B, porque uma vizinha minha teve, e para o coronavírus. Eles me deram algumas máscaras e disseram: “Está mais com cara de influenza, mas fica em casa até sair o resultado”. No dia seguinte, um sábado, saiu o resultado positivo para a influenza. Pensei: “Então é isso, que bom”. No domingo, saiu o resultado do coronavírus. Positivo também.
A dupla contaminação também provocou sintomas como tosse seca e fraca, dores no corpo intensas, falta de ar e perda de olfato e paladar. Pedro teve de tomar Tamiflu, remédio indicado para casos graves de H1N1, e um antibiótico.
Hoje, 13 dias depois da ida ao hospital, o publicitário ainda não sabe se vai realizar um novo teste para assegurar que está curado. Pedro conta que, após saber de seu caso, a Secretaria de Saúde de Cotia (SP), cidade onde ele mora, foi lhe entregar máscaras presencialmente e reafirmou o protocolo oficial, ou seja, o isolamento de 14 dias.
O Globo Tuesday, 24 de March de 2020
GUIA DO CORONAVÍRUS PARA IDOSOS: COMO SE PROTEGER
Guia do coronavírus para idosos: como se proteger
Especialista dá dicas de hábitos a serem abandonados e cuidados a serem incorporados pelo grupo de maior risco
O Globo
24/03/2020 - 04:00
Dicas podem ser compartilhadas via WhatsApp Foto: Arte de André Mello
RIO - Atento à evolução da pandemia do novo coronavírus, O GLOBO lança um guia de combate e proteção contra a Covid-19 destinado exclusivamente aos idosos. Feita sob orientação de Maísa Kairalla, geriatra e presidente da Comissão de Imunizaçao da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a cartilha a seguir tem recomendações atuais diante da realidade em que estamos vivendo e também está disponível em PDF, via WhatsApp, para facilitar o compartilhamento com a familia e com os amigos. Confira:
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com mais de 60 anos permaneçam em casa. É indicado, ainda, que o idoso fique apenas na companhia de pessoas que também estejam isoladas, para evitar a possibilidade de contaminação.
Crianças e idosos não devem manter contato
Crianças e idosos não devem manter contato Foto: Arte de André Mello
Por causa da transmissão comunitária no país (quando não é mais possível saber a origem da infecção por já ter se alastrado aleatoriamente), crianças que não estiverem em isolamento não devem ter contato com idosos. Mesmo se não houver sinais da doença, já que cerca de 30% das crianças que contraem o novo coronavírus são assintomáticas.
Prefira a vacinação em domicílio
Prefira a vacinação em domicílio Foto: Arte de André Mello
Desde 23 de março, a vacina contra a Influenza está disponível nos postos de saúde de todo o país. Pessoas com mais de 60 anos precisam se vacinar, mas devem escolher horários de pouco movimento ou pedir a vacinação em domicílio. Alguns municípios terão vacinação em farmácias especificamente para esse público. Importante frisar: a vacina contra influenza não previne o coronavírus.
Nos asilos
Nos asilos. Foto: Arte de André Mello
Idosos que vivem em instituições de longa permanência não devem receber visitas, pois são mais fragilizados e têm maior possibilidade de complicações. As equipes de saúde dessas instituições devem, inclusive, redobrar a atenção com sua higiene pessoal e com o uso de máscaras.
Cuidadores bem cuidados. Foto: Arte de André Mello
A indicação é que cuidadores aumentem seus turnos, permanecendo por mais tempo no domicílio do idoso, evitando assim os traslados. Quando isso não for possível, o profissional precisa ter maior atenção com a higiene. O cuidador deve tirar os sapatos e trocar de roupa quando chegar da rua. Ele também deve higienizar as mãos antes e depois de ter contato físico com o idoso. Se esse cuidador apresentar qualquer sintoma de gripe ou resfriado, deve ser afastado imediatamente.
Abandone o lenço de pano
Lenço de Pano. Foto: Arte de André Mello
Após um espirro, o vírus pode ficar por muito tempo no pano. Então, caso o lenço vá para o bolso, as mãos podem ser contaminadas mais tarde. O idoso deve dar preferência a lenços de papel descartáveis e cobrir nariz e boca com o braço ao tossir ou espirrar.
Não compartilhe utensílios
Não compartilhe utensílios. Foto: Arte de André Mello
Copos, talheres, pratos e garrafas não devem ser compartilhados. O mesmo vale para vestimentas, lençóis e fronhas.
Higiene com as compras
Higiene com as compras. Foto: Arte de André Mello
É preciso ter cuidado também com as embalagens de alimentos. Há duas maneiras de se fazer isso: sempre limpar as mãos depois do manuseio ou higienizar as embalagens com álcool 70. Na falta do álcool, pode-se usar água e sabão.
Menos ar-condicionado
Menos ar-condicionado. Foto: Arte de André Mello
Em casa, o idoso deve ligar menos o ar-condicionado, dando preferência por deixar as janelas abertas para ventilação natural. É importante, também, evitar ambientes fechados com ar-condicionado, como shoppings, ônibus ou carros.
Saúde em dia
Saúde em dia. Foto: Arte de André Mello
Deve-se fazer atividade física ou se movimentar bem em casa. Uma boa alimentação, beber muita água e um bom sono também são essenciais. A ida ao médico deve ser realizada apenas em situações de emergência. Consultas de rotina, neste momento, não são recomendadas.
O Globo Monday, 23 de March de 2020
CORONAVÍRUS: PERGUNTAS E RESPOSTAS
Coronavírus: Perguntas e respostas sobre a Covid-19
O GLOBO listou algumas das dúvidas sobre a doença que já deixou milhares de mortos em todo o mundo
O Globo
23/03/2020 - 04:35 / Atualizado em 23/03/2020 - 07:47
Perguntas e respostas sobre coronavírus Foto: Editoria de Arte
RIO - Os casos de coronavírus confirmados em todo o Brasil já são mais de 1.500. O país já registrou dezenas de mortes em decorrência da doença. Rio de Janeiro e São Paulo são os estados com maior número de casos. Nas últimas semanas, autoridades das duas regiões, assim como outros estados que já contabilizam vítimas, publicaram decretos com diversas recomendações, entre elas, evitar sair de casa e fechar parte do comércio. O GLOBO listou perguntas e respostas para esclarecer as dúvidas mais comuns da população. Veja:
. Foto: Editoria de Arte
Estou com sintomas da Covid-19. O que faço?
Se os sintomas são leves, fique em casa: hidrate-se bem, repouse e use medicamentos para febre. Caso sinta cansaço extremo, dificuldade de respirar ou febre alta por mais de 24h, procure assistência médica.
. Foto: Editoria de Arte
Como diferenciar a Covid-19 de uma gripe?
Não tem como saber, os quadros são semelhantes, com tosse leve, febre ou dor de garganta. Por isso, só com exame laboratorial, mas os testes agora são apenas para casos graves em hospitais.
. Foto: Editoria de Arte
Devo me vacinar contra a gripe?
A recomendação é tomar a vacina para diminuir o risco de infecções respiratórias e a dúvida entre gripe e Covid-19. Mas evite aglomerações, filas, mantenha distância e siga orientação da secretaria de saúde.
Estive com alguém que testou positivo. O que faço?
Esteve próximo (menos de 1,5m de distância) por mais de 15 minutos? É contato domiciliar ou do mesmo ambiente no trabalho? Em caso afirmativo, fique em isolamento domiciliar por 14 dias.
. Foto: Editoria de Arte
Como fazer o isolamento de um paciente em casa?
Se possível, isole-o em um cômodo com banheiro; ele deve usar máscara. Toalhas e utensílios precisam ser separados. Reforce a limpeza de todos os cômodos e a higienização das mãos de quem vive na casa.
. Foto: Editoria de Arte
Tenho alguém de grupo de risco em casa. Devo tomar algum cuidado especial?
Redobre a higiene; ao chegar em casa, tome banho e lave as roupas. Evite beijos, mantenha a distância. Em caso de sintomas, um dos dois deve sair de casa.
. Foto: Editoria de Arte
Posso receber um amigo sem sintomas em casa? E fazer uma caminhada na rua, distante das pessoas?
Os contatos com amigos devem ser virtuais. Pode caminhar, sem interação com outros. Não pegue transporte público e elevador cheio. Volte logo e tome banho.
. Foto: Editoria de Arte
Devo ter algum cuidado com as compras que recebo em casa? E as que fiz no mercado?
Higienize saquinho plástico com água sanitária. Borrife álcool 70 em caixas e lave com água e sabão caixas de leite e latas. Higienize bem as mãos.
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do fundador e idealizador deste site.
Raimundo Floriano não foi apenas o dono deste espaço, mas sua alma,
sua voz e sua razão de existir. Cada texto, cada registro cultural
e cada memória aqui preservada carregam sua dedicação incansável,
seu amor pela cultura e seu compromisso com a história.
Sua partida deixa um vazio impossível de ser preenchido.
Perdemos um homem íntegro, sensível, generoso e profundamente humano,
cuja obra continuará viva em cada palavra aqui publicada.
Sentiremos imensamente sua falta.
Seu legado permanecerá como testemunho de uma vida dedicada
ao conhecimento, à memória e às pessoas.