Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

De Balsas Para o Mundo domingo, 10 de julho de 2022

JACKSON NÃO MORREU (DO LIVRO DE BALSAS PARA O MUNDO)
JACKSON NÃO MORREU

Raimundo Floriano

(Publicado em 14.04.17)

 

 

Nosso ídolo

 

            Calmaí, minha gente!

 

             Não me refiro ao compositor, cantor e dançarino americano Michael Joseph Jackson (29.08.1958/26.06.2009), o Michael Jackson, o Rei do Pop, que presentemente todo o mundo chora. Reporto-me ao músico, compositor e cantor brasileiro e paraibano José Gomes Filho (31.08.1919/10.07.1982), o Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, que ora o meu Nordeste canta.

 

            Jackson do Pandeiro, logo no início da carreira, chamou-nos a atenção pela forma peculiar de cantar seus forrós e dividir as sílabas de modo nunca antes ouvido no cenário forrozeiro deste país.

 

            Michael Jackson também assombrou as plateias ao dançar de um jeito novo. Dando passos à frente, mas andando pra trás, levou-nos até a supor que, para inventar essa coreografia, dum jeito que Fred Astaire, Gene Kelly e Elvis Presley jamais imaginaram, pode ter-se inspirado ao ouvir Jackson do Pandeiro cantando o rojão Sebastiana, de Rosil Cavalcanti, que diz: “ela veio com uma dança diferente”.

 

            Extasiou o Planeta Terra!

 

            Brincadeira à parte, o fato concreto é que ambos apresentaram notáveis coincidências no seu breve existir. Nosso Jackson viveu apenas 63 anos, e o Jackson americano, só 50. E mais: ambos eram negros, ambos nasceram sob o signo de Virgem, ambos se chamavam José, ambos sucumbiram vítimas de problemas cardíacos, ambos faleceram sob o signo de Câncer, ambos tiveram o apogeu de suas vidas em 1982.

 

            Naquele ano, Jackson do Pandeiro chegou ao ápice, ao deixar a vida terrena e transportar-se para o Mundo Racional, que ele tanto louvou nos rojões Alegria, Minha Gente, e A Luz do Saber, ambos de João Lemos. Michael Jackson, por seu turno, atingiu o cume de sua carreira artística no mesmo ano, ao lançar o álbum Thriller, que vendeu inacreditáveis 100 milhões de cópias!

 

            E as coincidências param por aqui!

 

            Com o incrível sucesso de Thriller, Michael Jackson firmou-se como o Rei do Pop, mas, em 1987, apenas cinco anos depois, as vendas do álbum Bad só atingiram a casa dos 30 milhões. Era a queda. Michael enfrentou obstáculos para acompanhar as novas tendências da música negra, como o rap e o hip hop, advindo disso as esquisitices em que mergulhou, do conhecimento de todos.

 

            Enquanto que o nosso Jackson, ah, o nosso Jackson!

 

            Em vida, teve de enfrentar fortíssimas inovações como o rock, a bossa nova, o iê-iê-iê, a jovem guarda, a nova MPB, o tropicalismo, os festivais com peças de laboratório. Depois de falecido, sua música suplantou a lambada, a axé-music, o pagode, o sertanejo, o brega e o forró plastificado.

 

            O ano de 2036 está longe! Bem distante! Faltam 27 longos anos para que se chegue lá! Será que as gerações existentes naquele longínquo futuro ainda reservarão para Michael Jackson o mesmo fervor, já não digo de quando do lançamento de Thriller, mas o de 2009, reacendido com o seu precoce desaparecimento?

 

            Faz 27 anos que Jackson do Pandeiro nos deixou, e sua música e o seu estilo estão mais presentes do que nunca. A grande Nação Nordestina ainda o mantém perene em sua criação forrozeira. Os exemplos a seguir dão uma ideia do enorme elenco dos grandes artistas que o têm como uma de suas referências musicais.

 

            Dentre os veteranos, ainda gloriosos na estrada, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Trio Siridó, Dominguinhos, Zé Ramalho, Alceu Valença, Cecéu, Genival Lacerda, João Silva, Nando Cordel, Zenilton, Clemilda, Jorge de Altinho, Chiquinho Calixto, Terezinha do Acordeom, Severo.

 

            Na nova geração, a turma não para de crescer: Cezinha, Flávio Leandro, Bia Marinho, Hélio Donato, Anchieta Dali, Nena Queiroga, Josildo Sá, Rogério Rangel, Júnior do Bode, Cláudio Moreno, Ébano Nunes, Greg Marinho, Silvério Pessoa, Trio Virgulino, Trio Sabiá, Nádia Maia, O Bando de Maria, Trio Araripe, Adelmo Farias, Flávio José, Irah Caldeira, Kelly Rosa, Maciel Melo, Maria Dapaz, Mastruz com Leite, Novinho da Paraíba, Petrúcio Amorim, Cristina Amaral, Targino Gondim, Xico Bizerra, Santanna, o “Cantador”, Júnior Vieira, Eliezer Setton. São tantos!

 

            Hoje, 31 de agosto de 2009, quando lhes escrevo este capítulo, Jackson do Pandeiro, nosso eterno ídolo, completa 90 anos! E, ao ver a magnífica relação de artista acima citados e outros mais prestando-lhe justíssimo preito de homenagem e nele se inspirando, é com inexcedível entusiasmo que inflo o peito para proclamar:

 

            – Jackson do Pandeiro é imortal!

 

            Eu mesmo, do alto dos meus 73 anos, sem dotes artísticos e vocais para o canto, faço questão de propagar o nome de Jackson do Pandeiro por todo o lugar aonde vou. E foi o que aconteceu em 2003, na Praia da Pipa (RN), apoiado por excelente Trio Nordestino local, quando dei um grande espetáculo, cantando seus maiores sucessos, para a multidão de banhistas que me aplaudia.

 

             E pedia bis!

 

Para relembrarmos sua alegria de viver, ouçamos o Rei do Ritmo interpetando o rojão Sina de Cigarra:

 


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