Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Agenda Cultural domingo, 26 de julho de 2020

RELEMBRANDO O PALHAÇO PIRULITO, QUE ONTEM SE ENCANTOU, AOS 54 ANOS DE IDADE

 

PALHAÇO PIRULITO EM APUROS! VAMOS SOCORRÊ-LO?

Raimundo Floriano

PUBLICADO NO DIA 09.10.2012

 A tristeza da alegria

 

                        A imagem acima é simbólica. Com nosso astro sozinho numa arquibancada vazia, traduz a melancolia que dele se apossou ao ver a Sociedade Esportiva do Gama, time brasiliense de seu coração, ser eliminada da Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, esquadrão que, há bem pouco tempo pertencera à elite do Futebol Nacional.

 

 À paisana e caracterizado: com o Gama no coração

 

                        José dos Santos Cavalcanti – seu nome de batismo – nasceu em São Rafael (RN), no dia 31 de março de 1966. Em 1984, mudou-se para Brasília, buscando profissionalizar-se como ator de novelas. Aqui, enquanto aguardava a almejada chance, começou a apresentar-se em escolas, feiras, parques, clubes e praças públicas. Residindo no Setor Leste do Gama, sua estreia caracterizado como Palhaço Pirulito aconteceu no Colégio JK daquela cidade-satélite, onde até hoje mora.

 

                        Desde então, vendendo algodão-doce, pipoca, picolé e estalinho, cantando e divertindo crianças e adultos, o Palhaço Pirulito se fez onipresente em todas as manifestações populares levadas a efeito no Distrito Federal. Onde quer que acontecesse uma inauguração, uma passeata, um lançamento, um comício, uma carreata, um bloco de sujos, podia-se contar como certa a presença do Pirulito. E, infalivelmente, em todos os jogos do Gama.

 

 No Estádio Serejão: fidelidade ao Periquito de Brasília

 

                        Na Banda da Capital Federal, da qual sou Mestre, e na Banda do Pacotão, da qual sou trombonista, sempre contei com a animação desse grande artista candango. Onde quer que estivesse a alegria, ali também estava o Palhaço Pirulito. Se a TV perdeu um excelente ator, o Distrito Federal ganhou em dobro o entretenimento e satisfação que ele nos tem proporcionado.

 

                        Há 28 anos, o Palhaço Pirulito dava início a sua carreira histriônica em Brasília; há 28 anos, minhas duas filhas, hoje formadas, ensaiavam os primeiros passos na vida. O que significa que o Pirulito faz parte dessa história, pois ambas sempre foram ávidas apreciadoras de seus produtos, de suas brincadeiras e de suas presepadas.

 

 Em 2009, comemorando o 49º Aniversário do Gama

 

                        A ubiquidade do Palhaço Pirulito fez dele, no decorrer desses 28 anos, o palhaço em atividade mais conhecido no País, devido às imagens publicadas em toda a mídia, com sua participação nos principais fatos que fizeram a recente Historia do Brasil. Eleição de Tancredo, Pirulito tava lá; posse de Sarney Pirulito tava lá; posse de Collor, Pirulito tava lá; caras-pintadas, Pirulito tava lá; impeachment de Collor, Pirulito tava lá; posse de Itamar, Pirulito tava lá; lançamento do Plano Real; Pirulito tava lá; posses de Fernando Henrique, Pirulito tava lá; posses de Lula, Pirulito tava lá; posse de Dilma, Pirulito tava lá. Isso sem falar em eventos menores, como o Lançamento do Polo de Cinema de Brasília e inaugurações diversas, sempre com suas guloseimas e suas palhaçadas.

 

                        Sem jamais envolver-se com a política, viu-se sempre envolvido pelos políticos, com abraços e tapinhas nas costas, eles querendo aparecer bem na foto. Como foi o caso do ainda candidato Agnelo, atual Governador do Distrito Federal, quando, em campanha, visitou o Shopping do Gama.

 

                        No dia 9 deste mês, aconteceu uma tragédia na vida desse artista que só alegria e satisfação proporcionou a todos nós. Às 11h30, voltava de uma apresentação em Santa Maria quando, na entrada do Gama, os balões transportados dentro da Kombi em que viajava começaram ao pegar fogo. Para salvar a vida, Pirulito jogou-se no asfalto, com o veículo em movimento, porém as chamas já o haviam atingido nos braços e na cabeça, queimando-o em 30% do corpo.

 

                        Levado para o Hospital do Gama e, posteriormente para o da Asa Norte, HRAN, referência no tratamento de queimaduras, recebeu os procedimentos adequados, voltando para casa com os braços e a cabeça enfaixados, tendo livres apenas a boca e o nariz, que ele faz questão de manter com sua pintura característica, sempre que recebe visitas.

 

 Momento de dor na vida do Palhaço Pirulito

 

                        Além do sofrimento físico, outro de igual intensidade: Pirulito deverá ficar em inatividade durante 45 dias, impedido, assim, de prover os meios da própria subsistência, bem como de ganhar seu honesto dinheirinho para a compra de remédios e pagamento de luz, água e aluguel do barraco onde reside.

 

                        Ao tomar conhecimento, pela leitura do Correio Braziliense, desse doloroso ocorrido e dessas angustiosas circunstâncias, tentei, visando a contribuir com pequeno adjutório, entrar em contado com o Pirulito, valendo-me dos números de telefones indicados pelo jornal: (61) 9903-2053, do Pirulito, e (61) 9135-4917, de seu ajudante Deymes, seu colega e amigo, vendedor de laranjinha, que dele esta cuidando.

 

                        E fiquei sabendo muito mais desse bravo nordestino. É solteiro e vive sozinho. Seu barraco é mobiliado apenas com uma mesa, uma cama e um colchão. Ali, não existe televisão, geladeira nem fogão. Para alimentar-se, Pirulito come nos botecos e quiosques das quebradas.

 

                        Ciente desses detalhes constrangedores, fiquei intrigado, curioso por saber como ele fabricava os produtos que vendia para a criançada. Indiscreto, fiz-lhe a indagação. E aí, a dura realidade. A mercadoria não lhe pertence. Pirulito é, infelizmente, um subempregado, sem carteira assinada, sem qualquer direito social, sem plano de saúde.

 

                        É desesperador o momento que ora vive esse trabalhador brasileiro. Perguntei-lhe como poderia proceder para concorrer com minha pequena ajuda, e ele me indicou e primeira solução: – Traga aqui! Diante da argumentação de que o Setor Leste do Gama fica muito distante de onde moro, Pirulito me propôs a opção satisfatória: depositar no nome de seu amigo Deymes, que tem conta na Caixa Econômica Federal.

 

                        Sei que existem outras pessoas bem intencionadas querendo ajudar o Palhaço Pirulito. Uma delas até postou anúncio na Internet, conforme adiante se vê:

  

 

                        Mas, pelo senti, nos contatos telefônicos que mantive com o Pirulito e com o Deymes, pouco ou nada palpável, em espécie, chegou a se concretizar. Também, pudera! Sem conta bancária, o que se esperar?

 

                        Por livre e espontânea vontade, atendendo a impulso pessoal, é que estou tentando fazer minha pequena parte em benefício desse artista num momento deveras aflitivo. Por isso, solicito o engajamento nessa campanha de todos vocês, meus amigos, tanto os leitores fubânicos, quanto os que compõem meu círculo de amizade no Orkut e no Facebook, enfim, os que recebem esta matéria semanalmente, no sentido de que contribuam com pequena parcela, 10 reais que seja, depositando-a na Casa Lotérica mais à mão. Sempre se lembrando de que o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. E, para esse homem simples, qualquer coisa é tudo. Aí vão os dados bancários do Deymes, amigo fiel e cuidador do Palhaço Pirulito:

 

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                        Tentando alegrar esta lamentosa página, aqui vai a marchinha O Palhaço o Que É? de Paulo Barbosa e Alcebíades Barcelos, gravação de Carlos Galhardo para o Carnaval de 1937.

 

 


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